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Entre o ódio e a Redenção

Entre o ódio e a Redenção

Autor:: VicFigueiredo
Gênero: Bilionários
Cinco anos após perder tudo - o amor, o nome e o filho - Helena Rodrigues ressurge das cinzas, determinada a se vingar de quem destruiu sua vida. Mas o destino é cruel: o menino que ela salva por acaso é filho de Henrique Ballmer, o homem mais poderoso (e perigoso) de São Paulo. Entre verdades enterradas, paixões proibidas e segredos que sangram, Helena descobrirá que o maior inimigo... pode ser o homem que faz seu coração voltar a bater. E que o amor - assim como a vingança - pode ser mortal.

Capítulo 1 Você não é quem escolhi para mim!

- O Dr. Jorge pediu que volte na próxima semana para o pré-natal, tudo bem?

Helena pegou os papéis e forçou um sorriso, e o coração batia apertado - não apenas pelo bebê, mas por algo que a atormentava desde o amanhecer.

Edward voltava naquela noite.

Depois de meses afastado nos Estados Unidos, ele enfim pisaria em solo brasileiro, e com ele... voltariam todas as lembranças, todos os segredos.

O sol escaldava o pátio do hospital. Helena saiu devagar, uma mão apoiada na cintura, a outra tentando acenar para um táxi. Mas antes que conseguisse, o som de pneus rasgando o asfalto fez seu corpo congelar.

Um carro esportivo preto parou bruscamente diante dela.

Da porta, desceu uma mulher de vestido rosé, colado ao corpo, como se tivesse sido feito sob medida para o pecado.

O salto alto ecoou no chão - seco, ameaçador.

- Camila! Você enlouqueceu? - Helena exclamou, o coração disparado.

Camila sorriu. Um sorriso lento, venenoso.

Cruzou os braços, o olhar afiado brilhando com um prazer cruel.

- Louca? - zombou. - Louca está você, achando que pode enganar todo mundo com essa barriga. Um bastardo, Helena. Um maldito bastardo.

Helena instintivamente protegeu o ventre.

- Camila, não vá longe demais...

- Longe demais? - ela riu, inclinando a cabeça com sarcasmo. - Quem foi longe demais foi você. Dormiu com um homem qualquer, engravidou, e agora quer enfiar a criança na vida do Edward? Que patética.

- Isso é mentira! - A voz de Helena tremeu, entre ódio e medo. - Você perdeu completamente a noção!

Camila se aproximou. O perfume dela, doce e sufocante, envenenava o ar.

- Ainda acredita que o homem daquela noite era o Edward? - sussurrou, encostando-se perigosamente perto. - Você, que cresceu com ele... nem reconheceu o corpo dele?

Helena empalideceu. O toque. A voz. O calor. As lembranças vieram como relâmpagos, fragmentadas, dolorosas.

Camila sorriu, saboreando o desespero da rival.

- Quer saber a verdade? Coloquei algo na sua bebida. Só um pouquinho... o suficiente pra te deixar mais... solta. - Ela riu, um som frio que perfurou o ar. - Uns dois homens estavam no lugar errado, na hora certa. E você, Helena... entrou no quarto errado. Edward só mentiu por pena.

Helena cambaleou. A alma dela se partiu em silêncio.

- Por que, Camila...? - murmurou, a voz embargada. - Por que destruir o que restava de mim?

Por um instante, Camila pareceu satisfeita. Mas então, seu olhar mudou. Helena seguiu o movimento... e viu.

Edward.

Alto, elegante, o olhar como gelo sob o sol.

A presença dele bastava para roubar o ar de qualquer um.

Camila correu até ele, fingindo chorar.

- Irmã... se quiser me odiar, tudo bem. Só não culpe o Edward, por favor...

E então, com perfeição teatral, ela caiu - como se tivesse sido empurrada.

- Helena! - A voz dele cortou o ar como uma lâmina. - O que você fez?!

Helena ficou paralisada.

Edward passou por ela sem hesitar e se ajoelhou ao lado de Camila, tocando-lhe o rosto com ternura.

A mesma ternura que, um dia, pertencia a Helena.

Camila fungou, trêmula.

- A culpa é minha... Eu só quis resolver tudo...

Edward a ajudou a se levantar, frio, decidido.

- Chega. Vá para o carro, Camila. Eu cuido disso.

Helena tentou falar, mas as palavras não saíram.

O mundo girava.

E a voz dele, quando voltou a falar, parecia vir de um lugar distante.

- Helena, eu tentei. Juro que tentei.

Mas o que aconteceu... mudou tudo. Eu não posso me casar com você.

Ela o olhou, o coração despedaçando.

- Edward... você sabia o tempo todo? Sabia que foi ela quem me drogou? Que me destruiu? E mesmo assim... me fez acreditar que foi você?

O silêncio dele foi pior do que qualquer resposta, e o vento soprou, levantando os cabelos de Helena.

Dentro dela, o bebê se mexeu - como se sentisse a dor que o mundo acabava de lhe impor.

- Helena, Camila não fez por mal... - murmurou Edward, a voz fria, distante. - Ela era jovem. Impulsiva.

Helena o encarou, incrédula.

- E eu?! - a dor explodiu em sua voz. - Você pensou em mim? Nem que fosse por um segundo?

O silêncio que veio depois foi ensurdecedor.

Mais cruel do que qualquer palavra.

Por um momento, Edward respirou fundo e deu um passo à frente.

Tentou tocar o ombro dela - um gesto hesitante, quase mecânico.

- O sol está muito forte... vamos pra casa, Helena.

Ela recuou bruscamente.

O olhar se incendiou, e a voz dela quebrou o ar como vidro.

- Não me toque!

A raiva se misturou à dor, e de repente, Helena começou a rir.

Rir alto.

Rir como quem enlouqueceu.

As lágrimas escorriam, quentes e salgadas, enquanto o som da própria risada se transformava em soluços sufocados.

Naquele instante, ela entendeu.

Sua vida era uma piada cruel.

Passara anos tentando ser perfeita.

Mudou de cidade para ficar perto de Edward, estudou até cair de exaustão, abriu mão de sonhos, amigos, da própria identidade.

Ingressou na segunda melhor universidade do país - só para estar onde ele estava.

Abandonou os pais adotivos para agradar a família fria e arrogante dos Rodrigues.

Fez de tudo... e recebeu apenas uma sentença:

"Não posso decepcionar a Camy."

Camila.

A mesma que lhe roubou tudo:

seus pais biológicos, seu nome, sua posição... e agora, o homem que amava.

Camila era "jovem e impulsiva". Então seus erros mereciam perdão?

E quem perdoaria Helena?

Quem pagaria pelo futuro que lhe foi arrancado?

Pelo pesadelo que vivia acordada - grávida de um homem que nem sabia quem era?

As lágrimas caíram com força.

Helena cobriu o rosto, o corpo tremendo em desespero.

Edward deu um passo à frente, o semblante preocupado - mas ela se virou, cambaleando, e começou a andar sem olhar para trás.

- Helena! - ele chamou.

Ela não respondeu.

Parecia um fantasma caminhando sem destino, atravessando a rua com o olhar vazio.

Edward jogou o cigarro no chão e avançou um passo.

Mas antes que pudesse correr atrás dela, uma mão suave - e fria - segurou sua manga.

Camila.

- Edward... pra onde você vai? - sussurrou, com aquela doçura fingida que ele conhecia bem.

Foi só um segundo.

Um maldito segundo de hesitação.

O som do impacto cortou o ar como um trovão.

Helena foi lançada para o alto, o corpo frágil girando sob o sol antes de cair pesadamente no asfalto.

Por um instante, o mundo parou.

O grito de Edward ecoou, rasgando o silêncio.

- HELENA!

Ele correu, desesperado, o rosto tomado por pânico.

E, pela primeira vez, o homem que sempre teve o controle... perdeu o chão completamente.

Capítulo 2 O tempo passou e eu renasci!

Seis anos depois...

O som suave do jazz enchia o bar mais badalado da Avenida Paulista.

Luzes douradas refletiam nos copos de cristal, misturando-se a risadas abafadas, conversas discretas e ao aroma de vinho caro com perfume importado.

Era um cenário perfeito - elegante, superficial e sufocante.

Helena, impecável em um vestido preto de cetim, havia passado a noite cercada por investidores que falavam demais e entendiam de menos, e agora, com a cabeça latejando e um sorriso profissional ainda colado ao rosto, tudo o que queria era um canto silencioso para respirar.

Mas o destino - como sempre - não lhe concedia pausas.

Tania a seguiu até o corredor dos fundos.

- Tania... - murmurou Helena, com um meio sorriso cansado. - Tem algo que queira me dizer?

A empresária cruzou os braços, o olhar duro como gelo.

- Tenho, sim. - Sua voz cortou o ar. - É verdade que você se inscreveu no teste de roteirista assistente do filme "Me Ame, se For Capaz"?

Helena inclinou a cabeça, serena, como quem já previa o ataque.

- Sim. E qual o problema?

- O problema é que você não vai a esse teste! - disparou Tania, a voz carregada de autoridade. - E isso não é um pedido, Helena. É uma ordem!

Helena arqueou uma sobrancelha, indiferente.

- Ah, é? E por quê?

- Porque você agiu pelas minhas costas! - Tania avançou um passo. - A empresa já decidiu que Camila será a protagonista. E não precisamos de duas da mesma família no mesmo projeto!

Helena soltou um riso baixo - curto, frio.

- Interessante... - murmurou, tomando um gole do vinho que ainda segurava. - Isso conflita com o meu trabalho de roteirista? Ou Camila mandou você vir aqui me ameaçar?

Seus olhos brilharam com ironia.

- Não me diga que ela tem medo de perder... para mim.

- Acorda, Helena! - Tania estourou. - A família Rodrigues investiu cinco milhões nesse filme. O papel é dela. Sempre foi!

Helena ergueu o olhar, tranquila demais.

- Então, se o papel já é dela... por que você está tão nervosa, Tania?

- Porque você é minha agenciada, e vai obedecer! - gritou, batendo o salto no chão. - Se me desafiar, não me culpe pelo que eu fizer!

Helena riu, sem humor.

- Que milagre. Achei que você já tivesse esquecido que eu sou sua agenciada.

O olhar de Tania escureceu.

E antes que Helena pudesse reagir, sentiu um empurrão violento nas costas.

Seu corpo foi lançado para frente, caindo dentro de um depósito escuro no final do corredor.

O celular deslizou pelo chão e desapareceu entre as sombras.

A porta se fechou com um estalo.

Do lado de fora, os passos de Tania se afastaram lentamente - firmes, impiedosos.

Helena ficou imóvel por um instante.

Depois soltou um suspiro breve, encostando a cabeça na porta.

Não havia medo em seus olhos - apenas o velho cansaço, misturado com frieza.

Desde que entrara na Vox Talents, aprendera a engolir humilhações em silêncio. No início, Camila fingia cortesia - dava pequenos trabalhos à irmã, como se fosse caridade, mas com o tempo, as máscaras caíram, e Camila não queria dividir o palco. Queria tudo: a fama, os holofotes... e o nome Rodrigues para si.

"Se eu não conseguir esse roteiro," pensou Helena, "vou sair dessa empresa. De uma vez por todas."

O silêncio a envolvia - até que um som suave o quebrou.

Um pequeno ruído. Um soluço contido.

Helena franziu o cenho, atenta.

Entre as caixas empilhadas, algo brilhou - um reflexo tênue de luz.

Ela se aproximou devagar, os saltos tocando o chão com cautela.

E então o viu.

Um menino, não mais do que cinco ou seis anos, encolhido no canto.

Os olhos grandes e escuros a observavam em silêncio, assustados, mas com algo que a fez estremecer - uma estranha familiaridade.

Helena parou, o coração acelerando sem motivo aparente.

A voz dela saiu suave, quase um sussurro.

- Ei... - ela se abaixou. - O que está fazendo aqui, docinho?

Nenhuma resposta.

Apenas o olhar firme da criança, profundo demais para alguém tão pequeno.

Um arrepio subiu pela espinha de Helena.

O bar do outro lado da porta parecia distante, irreal.

E a pergunta ecoou dentro dela, sombria e inevitável:

"O que uma criança estava fazendo sozinha... no depósito de um bar?"

- Oi, querido... - Helena se abaixou, suavizando a voz. - Como você se chama? Como entrou aqui?

Silêncio.

Ela tentou de novo, em tom gentil, fazendo pequenas perguntas. Mas o menino permanecia imóvel, os olhos arregalados, o corpo encolhido no canto - como um animalzinho selvagem, acuado e assustado.

Helena suspirou, cansada.

Um depósito abafado, cheio de caixas e cheiros de poeira - um refúgio improvisado para quem não tinha mais onde pertencer.

O tempo parecia se arrastar.

A lâmpada acima deles piscou uma, duas vezes... e então apagou-se com um estalo seco.

A escuridão tomou o lugar por completo.

Por alguns segundos, tudo o que Helena ouvia era sua própria respiração, até que um som suave - quase imperceptível - cortou o silêncio.

Ela franziu o cenho, pois o som vinha do menino.

Dentes batendo.

- Está com medo do escuro? - perguntou em voz baixa, tentando soar divertida.

O barulhinho cessou... por um instante. E depois voltou, mais alto.

Helena balançou a cabeça, um sorriso cansado surgindo.

- Tão pequeno e já tão medroso... - murmurou, quase com ternura.

Levantou-se devagar, massageando as têmporas. O corpo inteiro doía - consequência da noite anterior, dos sorrisos falsos, das taças de vinho e dos olhares cheios de interesse falso.

Deu alguns passos até o menino. Ele recuou, pálido de medo.

Mas Helena apenas se deixou escorregar até o chão, sentando-se ao lado dele.

Encostou-se na parede fria, fechou os olhos e murmurou:

- Calma, não vou te morder, pequenino.

O silêncio voltou.

E então, o cansaço venceu.

Em poucos minutos, Helena adormeceu.

Quando despertou, sentiu algo quente encostado em sua perna.

Baixou o olhar - e o coração derreteu.

O menininho estava deitado ao lado dela, a cabecinha apoiada em sua coxa.

Uma das mãozinhas agarrava com força a barra da blusa dela, como se temesse que ela desaparecesse.

Helena riu baixinho.

- Ai, meu Deus... que coisinha mais linda...

Estendeu a mão, com um sorriso terno, e acariciou-lhe os cabelos.

Mas no instante em que o fez, o sorriso sumiu.

A pele dele estava quente demais.

- Você está com febre! - sussurrou, alarmada, tocando-lhe a testa novamente. - Não... não é possível...

O medo subiu pela garganta. A febre era alta. Perigosa, e o pior, Tania só voltaria depois da audição, então, poderiam ficar presos ali por horas.

Helena se levantou num pulo, olhando ao redor, desesperada.

Foi então que viu: Um fino facho de luz atravessava a penumbra, cortando o ar.

A lâmpada estava queimada.

Mas havia claridade.

Ergueu o olhar.

No teto, uma pequena claraboia deixava passar os primeiros raios do amanhecer.

Esperança.

Helena arrastou uma escada velha até a parede e virou-se para o menino.

- Ei, pequenino... venha cá. Eu te ajudo a sair, tudo bem?

O garoto balançou a cabeça com força, os olhos firmes, desafiadores.

Helena o encarou, e entendeu.

Ele não queria deixá-la.

Um sorriso cansado e doce curvou seus lábios.

- Então você é leal, é isso? Quer ficar aqui e sofrer comigo? - brincou, beliscando de leve suas bochechas. - Mas escute, herói... a janela é pequena. Eu não passo. Se você sair, pode buscar ajuda. Tudo bem?

O menino hesitou, e Helena sentiu o coração apertar.

Capítulo 3 O que ele estava fazendo aqui

Helena não hesitou, e segurou o menino com firmeza e o ergueu até o topo da escada.

- Vamos, herói. Seja corajoso. Eu te protejo daqui de baixo.

O garotinho se virou uma última vez, os olhos marejados - e começou a subir, devagar, com esforço, e quando alcançou a claraboia, desapareceu na luz.

Helena soltou um suspiro de alívio, mas o alívio durou pouco, quando uma tontura súbita fez o mundo girar.

O ar ficou pesado.

O chão pareceu se afastar sob seus pés.

- Não... - murmurou.

E então tudo escureceu.

O som de seu corpo batendo contra o chão ecoou no depósito, seco, cortante.

O menininho ficou imóvel por um segundo - depois o pânico tomou conta de seu pequeno rosto.

- Tia! - tentou gritar, mas a voz saiu trêmula, quase um sussurro.

Lá embaixo, o corpo de Helena jazia no frio do concreto, e mesmo assim, ela abriu os olhos com esforço, o olhar enevoado e febril.

Com as últimas forças, sussurrou:

- Vá...

A claraboia deixava passar uma luz pálida, quase prateada.

Sob aquele brilho, Helena parecia uma pintura viva - frágil, serena, absurdamente bela.

Os cabelos grudavam à pele suada, e nos olhos dela havia um brilho profundo, como um mar repleto de estrelas.

Aquela não era mais a garota ingênua do interior.

Nem o patinho feio que todos desprezavam.

Agora, diante da morte, ela era uma mulher moldada pela dor.

Mas de que adiantava isso?

Um sorriso amargo curvou seus lábios rachados.

Antes de alcançar a vingança que tanto sonhara... talvez ali fosse o seu fim.

Mesmo assim, havia paz em seu peito.

Pelo menos, antes de morrer, ela havia salvado uma vida.

Aquela criança indefesa...

Se o seu filho não tivesse morrido há cinco anos, teria a mesma idade daquele garotinho, e as lembranças vieram em ondas violentas.

Depois da tragédia, a família Rodrigues - envergonhada pela mancha no sobrenome - a despachou para o exterior, e um castigo disfarçado de redenção.

Mas Helena não ficou, e recusou-se a continuar sendo o fardo.

Abandonou tudo, e recomeçou do zero.

Prestou novamente vestibular para a faculdade de Belas Artes, e estudou até à exaustão, e desta forma, transformou a dor em combustível.

Ser uma atriz ou até mesmo, uma influenciadora sempre fora seu sonho, mas o destino - cruel e irônico - a empurrou para os bastidores, e ali, entre roteiros e sombras, ela se reinventou.

Com talento, inteligência e um rosto que ninguém esquecia, chamou atenção, e Tania a descobriu, e logo veio o contrato com a poderosa Vox Talents, o que parecia o recomeço perfeito.

Mas o destino - ou Camila - não a deixaria em paz.

Camila também entrou na Vox, e subornou Tania, que roubou seus projetos, espalhou rumores, e transformou cada vitória de Helena em uma nova ferida.

E agora, trancada em um depósito escuro, com a febre queimando sob a pele e o corpo exausto, Helena percebeu... A história estava prestes a se repetir, mas desta vez... ela não morreria.

Ao mesmo tempo, no luxuoso salão de recepção do Piratas Bar, o ar era denso o bastante para sufocar, e o dono do bar, os gerentes, os seguranças - todos estavam alinhados em silêncio, os rostos pálidos, os olhos baixos, e principalmente, o medo pairava no ambiente como uma névoa.

Eles sabiam: bastava uma palavra errada, e o inferno se abriria.

O herdeiro do Grupo ProCosan - o príncipe da família Ballmer - havia desaparecido dentro daquele bar, e no centro da sala, sentado em um sofá de couro negro, Henrique Ballmer, que emanava uma frieza que congelava o ar.

Nenhuma emoção. Nenhuma palavra. Mas sua simples presença fazia todos os corações tremerem.

Um jovem, ajoelhado aos pés dele, tremia tanto que mal conseguia respirar.

- I-irmão... me perdoa! - soluçou, o rosto coberto de lágrimas e suor. - A culpa é toda minha! Eu não devia ter trazido o Mateo pra cá! Se acontecer algo com ele... eu juro, eu me mato!

Henrique sequer piscou.

Então, sem aviso, levantou a perna e desferiu um chute seco no peito do rapaz.

- Agh! - Axel Ballmer caiu, tossindo, o corpo se curvando em dor. Mesmo assim, voltou a se ajoelhar, de cabeça baixa, respirando com dificuldade.

O medo era quase palpável.

Os pais estavam em outro continente - e se descobrissem que o neto havia desaparecido, com certeza, Axel não sobreviveria nem à ira do irmão, nem à dos pais.

O pânico o consumia por dentro.

E então - toc, toc.

Um som breve na porta fez todos prenderem a respiração.

O segurança mais próximo, hesitante, se aproximou e abriu-a devagar, e por um segundo, não viu ninguém, até olhar para baixo.

Seus olhos se arregalaram.

- Mateo!!!

O grito ecoou como um milagre.

- Mateo?! - Axel tropeçou até a porta e caiu de joelhos, agarrando a criança nos braços. - Meu Deus, você tá bem... você tá bem, meu pequeno!

O ar preso no salão enfim foi liberado, e o clima de morte se dissipou - por um instante.

Henrique se levantou lentamente, e cada movimento seu exalava controle, domínio absoluto.

Caminhou até o irmão, agarrou-o pela gola e o lançou para o lado, sem esforço.

Agachou-se diante do menino.

- O que aconteceu, filho?

Mateo ainda ofegava, os olhos grandes, úmidos, ele tentou falar, mas apenas segurou a mão do pai, com desespero mudo, e começou a puxá-lo em direção à saída.

Henrique franziu o cenho, confuso.

Foi então que algo o atingiu - não o toque do filho, mas um cheiro.

Um leve aroma flutuava no ar, vindo das roupas de Mateo.

Não era perfume.

Nem álcool.

Suave e puro, mas com um fundo frio e inesquecível - como uma lembrança antiga. Por um segundo, o coração de Henrique vacilou.

Mateo puxou novamente sua mãozinha, emitindo sons baixos, aflitos.

Henrique o ergueu nos braços e, sem dizer uma palavra, seguiu o caminho que o menino apontava, e atrás dele, Axel e os seguranças trocaram olhares silenciosos e o acompanharam.

Cinco minutos depois, o grupo chegou ao último andar do bar - um corredor estreito, com luzes piscando e o som distante da cidade noturna vibrando sob os pés.

Mateo, impaciente, se contorceu nos braços do pai e, antes que alguém pudesse segurá-lo, saltou para o chão. Correu até uma porta no fim do corredor e começou a bater com força, os punhos pequenos fazendo ecoar sons aflitos.

- Mateo, o que está acontecendo? - Axel perguntou, ofegante. - O que tem aí dentro?

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