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Entre o Abismo e o Novo Começo

Entre o Abismo e o Novo Começo

Autor:: Yan Huo Si Yue Tian
Gênero: Romance
Era o nosso terceiro aniversário de casamento. Com rosas vermelhas, fui surpreender Isabela no seu escritório na Faria Lima, lembrando-me do inabalável pacto antenupcial: se ela traísse, perderia tudo. Mas ao entrar na sua sala, o que vi me paralisou. Luan, o entregador obcecado que tanto desprezávamos, estava lá. Nu. Confortavelmente deitado na sua poltrona caríssima, coberto apenas pela canga que eu lhe dera. O cheiro de suor misturado ao perfume dela, a visão daquele corpo vulgar no símbolo do seu poder. E então ela entrou. Não houve gritos. Com um pânico controlado, ela sussurrou: "Diogo, me ajude a vesti-lo. Ninguém pode ver isso." Fiquei ali, em choque, as rosas na mão. A voz dela era de quem abafa um escândalo, não de quem fora traída. Mais chocante ainda foi vê-la, horas depois, dobrar cuidadosamente aquela canga, não com nojo, mas com uma estranha reverência, guardando-a. Ali, senti que algo estava fundamentalmente podre. O choque e a repulsa só aumentavam ao vê-la priorizar Luan repetidas vezes: deixava-me ferido após um acidente para o salvar, e mais tarde, abandonava-me num incêndio, correndo para protegê-lo de uma viga em chamas. A cada escolha dela, o nojo virava um abismo. A mentira, a hipocrisia, a completa falta de consideração. Eu via as marcas do Luan nela, não apenas no pescoço, mas na mentira em seus olhos, na culpa em sua pele. Não havia mais dor, apenas uma náusea profunda. Quando o vídeo revelou Isabela e Luan na nossa cama, meu coração não se partiu. Ele se transformou em pedra. Vomitei a bile amarga, não de dor, mas de uma libertação repulsiva. Naquele momento final, a decisão estava selada. Abri o cofre, peguei o pacto antenupcial e, com cada traço da minha caneta, assinei meu nome na linha pontilhada. Imediatamente, procurei Sofia, a arqui-inimiga de Isabela, e, sem hesitar, ofereci a ela o controle da empresa. Minha vingança não seria barulhenta, mas precisa e devastadora. Eu iria limpá-la da minha vida, e ela não veria a queda chegar.

Introdução

Era o nosso terceiro aniversário de casamento. Com rosas vermelhas, fui surpreender Isabela no seu escritório na Faria Lima, lembrando-me do inabalável pacto antenupcial: se ela traísse, perderia tudo.

Mas ao entrar na sua sala, o que vi me paralisou. Luan, o entregador obcecado que tanto desprezávamos, estava lá. Nu. Confortavelmente deitado na sua poltrona caríssima, coberto apenas pela canga que eu lhe dera. O cheiro de suor misturado ao perfume dela, a visão daquele corpo vulgar no símbolo do seu poder. E então ela entrou. Não houve gritos. Com um pânico controlado, ela sussurrou: "Diogo, me ajude a vesti-lo. Ninguém pode ver isso."

Fiquei ali, em choque, as rosas na mão. A voz dela era de quem abafa um escândalo, não de quem fora traída. Mais chocante ainda foi vê-la, horas depois, dobrar cuidadosamente aquela canga, não com nojo, mas com uma estranha reverência, guardando-a. Ali, senti que algo estava fundamentalmente podre. O choque e a repulsa só aumentavam ao vê-la priorizar Luan repetidas vezes: deixava-me ferido após um acidente para o salvar, e mais tarde, abandonava-me num incêndio, correndo para protegê-lo de uma viga em chamas.

A cada escolha dela, o nojo virava um abismo. A mentira, a hipocrisia, a completa falta de consideração. Eu via as marcas do Luan nela, não apenas no pescoço, mas na mentira em seus olhos, na culpa em sua pele. Não havia mais dor, apenas uma náusea profunda. Quando o vídeo revelou Isabela e Luan na nossa cama, meu coração não se partiu. Ele se transformou em pedra. Vomitei a bile amarga, não de dor, mas de uma libertação repulsiva.

Naquele momento final, a decisão estava selada. Abri o cofre, peguei o pacto antenupcial e, com cada traço da minha caneta, assinei meu nome na linha pontilhada. Imediatamente, procurei Sofia, a arqui-inimiga de Isabela, e, sem hesitar, ofereci a ela o controle da empresa. Minha vingança não seria barulhenta, mas precisa e devastadora. Eu iria limpá-la da minha vida, e ela não veria a queda chegar.

Capítulo 1

Era o nosso aniversário de três anos de casamento.

Comprei o buquê de rosas vermelhas que Isabela mais gostava e dirigi até o seu escritório na Faria Lima.

O conglomerado de café que ela herdou do pai ocupava os últimos dez andares de um dos arranha-céus mais imponentes da avenida.

Enquanto esperava o elevador, vi uma figura familiar do outro lado da rua.

Luan.

Ele estava de pé, na chuva fina, segurando um cartaz de papelão encharcado que dizia: "Isabela, eu te amo mais que café".

Senti uma pontada de irritação.

Luan era um entregador de aplicativo que desenvolveu uma obsessão doentia pela minha esposa. Ele já tinha feito de tudo: serenatas desafinadas na porta da empresa, tatuagens malfeitas com o rosto dela, tentativas de invadir eventos.

Isabela sempre o tratou com desprezo público, mas eu sabia que a segurança já tinha sido chamada dezenas de vezes. Ele era uma praga persistente.

Ignorei-o e entrei no elevador.

Eu não estava preocupado. Nosso relacionamento foi forjado na dor. Quando o pai de Isabela morreu, ela entrou em uma depressão profunda. Eu, na época apenas um colega de faculdade, a ajudei a se reerguer, a assumir a empresa e a transformar o luto em força.

Nosso amor era, para mim, inabalável.

Tão inabalável que ela insistiu em um pacto antenupcial bizarro: se o divórcio fosse motivado por uma traição dela, todos os seus bens e 50% das ações da empresa seriam meus.

Era a sua forma de me provar que jamais repetiria o erro da mãe, que traiu seu pai e o levou à morte por desgosto. Isabela tinha um ódio patológico da infidelidade.

Por isso, quando usei meu cartão de acesso para entrar na sua sala e dar-lhe uma surpresa, o que vi me deixou paralisado.

Luan estava lá.

Nu.

Deitado na poltrona de couro caríssima de Isabela, coberto apenas por uma canga de praia que eu tinha dado a ela em nossa última viagem.

Meu cérebro demorou a processar a cena. O cheiro de suor e perfume barato misturado ao aroma do couro italiano. O corpo flácido e comum de Luan relaxado no símbolo do poder da minha esposa.

A porta se abriu atrás de mim.

Era Isabela.

Ela viu a cena, seu rosto empalideceu, mas sua reação não foi a que eu esperava.

Não houve gritos. Não houve violência.

Ela rapidamente fechou a porta, olhou para mim com um pânico controlado e sussurrou:

"Diogo, pelo amor de Deus, me ajude a vesti-lo. Não podemos deixar ninguém ver isso."

Ela se aproximou de Luan, que sorriu de forma doentia, e começou a tentar colocar as roupas nele como se veste uma criança birrenta.

"Vamos, Luan, levanta. Para com isso."

Fiquei ali, segurando as rosas, o estômago revirado. A voz dela era de quem abafa um escândalo, não de quem foi violada.

Mais tarde, em casa, o choque ainda me paralisava.

Isabela agia como se nada tivesse acontecido. Falava sobre o jantar, sobre um novo projeto de arquitetura para mim.

Até que a vi tirar a canga da bolsa. A mesma canga que cobria o corpo nu de Luan.

Eu esperava que ela a jogasse no lixo com nojo, que a queimasse.

Mas ela a dobrou.

Dobrou cuidadosamente, alisando as dobras, e a guardou na gaveta de roupas de praia.

Aquele gesto simples foi o ponto de ruptura.

Foi mais chocante que a nudez, mais doloroso que um grito.

Foi a prova de que algo estava fundamentalmente podre.

Senti uma ânsia de vômito subir pela garganta. Corri para o banheiro e vomitei, esvaziando tudo o que tinha dentro de mim.

Quando me recompus, a decisão estava tomada.

Fui até nosso escritório, abri o cofre e peguei o pacto antenupcial.

A poeira fina cobria o envelope.

Assinei meu nome na linha pontilhada.

Depois, peguei meu celular. Fui até a lista de contatos bloqueados e encontrei o nome dela.

Sofia.

Minha antiga colega de faculdade. A maior rival de Isabela no mercado.

Enviei uma mensagem curta e direta.

"Posso te vender as ações. Quero 2 bilhões de reais. Em um mês."

A resposta veio em menos de um minuto.

"Fechado."

Capítulo 2

Dois dias depois, encontrei Sofia num café discreto em Pinheiros.

Ela estava exatamente como eu me lembrava da faculdade: inteligente, calculista, com um olhar que parecia ver através das pessoas.

"Dois bilhões é um preço justo", ela disse, sem rodeios. "Mas preciso de uma garantia de que você vai conseguir as ações."

Coloquei uma cópia do pacto antenupcial sobre a mesa.

Ela leu rapidamente, seus olhos se arregalando ligeiramente.

"Isso é... insano. Ela realmente assinou isso?"

"Ela odeia traição mais do que ama dinheiro", respondi, a voz fria.

"E você tem provas?"

"Estou providenciando", menti. "Em um mês, o controle da empresa será seu."

Ela me estendeu a mão. "Conte comigo, Diogo."

O aperto de mão dela era firme. Naquele momento, ela não era uma paixão antiga, mas uma ferramenta. A minha única saída.

Naquela noite, Isabela tentou uma reconciliação.

Chegou em casa com uma caixa de veludo. Dentro, um relógio de uma marca suíça que eu desejava há anos.

"Feliz aniversário atrasado, meu amor", ela disse, tentando me abraçar.

Eu me afastei.

"Obrigado."

Peguei o relógio e o coloquei na mesa de cabeceira, sem nem experimentar.

Ela percebeu minha frieza.

"Diogo, o que foi? Sobre o outro dia... Luan é um doente. Eu estava com medo, só queria que ele fosse embora sem fazer um escândalo. Você sabe como eu sou."

"Eu sei", respondi, olhando para o nada.

Eu sabia que ela era uma mentirosa.

No dia seguinte, eu tinha um presente para ela também.

Era uma caixa pequena, embrulhada em papel de seda.

"O que é isso?", ela perguntou, sorrindo.

"Abra daqui a vinte e oito dias", eu disse.

Dentro da caixa estava o pacto antenupcial assinado e o pedido de divórcio.

Ela olhou para mim, confusa, mas guardou a caixa.

Naquela tarde, estávamos dirigindo pela Marginal Pinheiros, presos no trânsito infernal de São Paulo.

O celular dela tocou.

Ela atendeu no viva-voz, irritada. "O que você quer, Luan?"

"Isabela... eles estão aqui", a voz dele soava desesperada. "Os caras da facção... é por causa da dívida do meu pai. Eles vão me matar!"

"Eu já te disse para não me ligar mais!", ela gritou, mas seu rosto estava pálice.

"Por favor, Isabela... eles estão na minha porta..."

A ligação caiu.

Isabela agarrou o volante com força, as juntas dos dedos brancas.

"Que imbecil", ela murmurou, mas seus olhos estavam cheios de pânico.

De repente, ela jogou o carro para o acostamento, cantando pneu, e começou a acelerar perigosamente, costurando entre os outros veículos.

"Isabela, o que você está fazendo? Você vai nos matar!", gritei.

"Eu preciso resolver isso!", ela respondeu, os olhos fixos na estrada.

Ela estava indo salvá-lo.

Acelerou ainda mais, entrando numa alça de acesso em alta velocidade.

Um caminhão buzinou.

Eu só vi a luz dos faróis e senti o impacto violento.

O mundo girou. Senti uma dor aguda no peito, como se minhas costelas tivessem se quebrado.

O carro parou, amassado contra uma mureta de proteção.

O celular dela tocou novamente. Era Luan.

"Isabela, onde você está? Por favor..."

Ela olhou para mim, meu rosto coberto de sangue de um corte na testa.

"Diogo, você está bem?", ela perguntou, mas já estava abrindo a porta.

"Meu peito... dói", consegui dizer.

"Eu preciso ir. Eu juro que volto para te buscar. Fique aqui, chame uma ambulância."

E ela saiu correndo, me deixando sozinho na beira da estrada, ferido, enquanto o som da sirene se aproximava ao longe.

Eu apaguei.

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