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Entre o Contrato e a Vingança

Entre o Contrato e a Vingança

Autor: Jessie Frost
Gênero: Bilionários
Na véspera do casamento, perdi meu noivo, minha melhor amiga e a empresa que ajudei a construir. Achei que tinha chegado ao fundo do poço. Foi quando um bilionário misterioso apareceu com uma proposta absurda: casar com ele. Por um ano, eu seria a esposa perfeita de Alexander Blackwood: bonito, poderoso, arrogante e completamente impossível de decifrar. As regras pareciam simples: não me apaixonar, não fazer perguntas, não ultrapassar os limites do contrato. O problema é que Alexander está escondendo algo. Algo que envolve minha família. Algo que pode destruir tudo o que acredito sobre meu passado. E quando a verdade vier à tona, talvez eu descubra que fui apenas uma peça em seu jogo de vingança. Mas Alexander Blackwood está prestes a aprender que eu não sou uma mulher fácil de usar... e muito menos de esquecer.
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Capítulo 1 A noiva enganada

- Olivia, você ainda está aqui?

Ela ergueu os olhos do notebook ao ouvir a voz de Melissa, uma das funcionárias da Carter & Hayes Solutions. O escritório estava quase vazio. As luzes de metade do andar já tinham sido apagadas, e o relógio digital no canto da tela indicava 21h47.

Olivia sorriu, embora visivelmente cansada.

- Alguém precisa terminar essa apresentação.

Melissa apoiou uma das mãos na mesa, revirando os olhos de forma impaciente.

- Você vai se casar amanhã.

- Justamente, por isso preciso terminar.

- Seu noivo devia estar fazendo isso.

Olivia riu. É, ela tinha que concordar... uma ajuda seria muito bem-vinda.

- Ethan está cuidando de outras coisas.

A expressão de Melissa dizia claramente o que pensava sobre aquilo. Ethan sempre estava "cuidando de outras coisas", enquanto isso, Olivia era quem resolvia os problemas.

Mas ela não se importava. Ou, pelo menos, tentava acreditar nisso. Desde o início, ela e Ethan haviam construído aquele sonho juntos. Quando ele teve a ideia da empresa, cinco anos atrás, trabalhava num pequeno escritório alugado e mal conseguia pagar as contas.

Ela esteve ao lado dele. Criou campanhas, captou clientes, passou noites sem dormir, abriu mão de promoções, abriu mão de férias, abriu mão de si mesma. E agora... estavam prestes a se casar.

Valeria a pena. Era isso o que repetia para si mesma sempre que a dúvida ou o cansaço lhe invadiam.

- Vai embora - disse Melissa. - Você merece aproveitar sua última noite de solteira. Nem a festa de despedida você quis fazer!

Olivia sorriu.

- Eu prometo que saio em meia hora.

Melissa balançou a cabeça, sabia que não adiantaria nada discutir.

- Você é impossível.

- Boa noite.

- Boa noite, futura senhora Hayes.

Quando a porta se fechou, o silêncio tomou conta do ambiente. Olivia voltou a digitar, os dedos voavam pelo teclado. Planilhas, relatórios, previsões financeiras. Tudo precisava estar perfeito para a reunião da semana seguinte.

Mesmo durante sua lua de mel.

De repente, seu celular vibrou. Ela sorriu imediatamente, julgando ser seu noivo, mas o sorriso desapareceu ao ver um número desconhecido. Franziu a testa e atendeu.

- Alô?

Por alguns segundos, ouviu apenas respiração, depois uma voz feminina. Baixa, tensa.

- Você é Olivia Carter?

- Sim.

- Não temos muito tempo.

- Desculpe, quem está falando?

A mulher ignorou a pergunta.

- Seu casamento é amanhã, certo?

Um arrepio percorreu sua nuca.

- Sim...

- Então... você precisa cancelar.

Olivia ficou imóvel.

- O quê?

- Você precisa cancelar.

- Quem é você?

- Isso não importa.

- Claro que importa!

- Seu noivo está mentindo para você.

O coração dela disparou.

- O que está acontecendo?

Silêncio. Então:

- Veja as mensagens que vou enviar.

A ligação foi encerrada. Olivia permaneceu olhando para a tela. Confusa, irritada. Talvez fosse alguma brincadeira de mau gosto. Talvez alguma ex-namorada ressentida. Talvez alguém tentando estragar seu casamento.

Nada além disso.

Ela largou o celular sobre a mesa e tentou voltar ao trabalho. Não conseguiu.

Cinco segundos depois, o aparelho vibrou novamente. Uma mensagem, depois outra. E outra. Seu estômago afundou.

Abriu a conversa, havia quatro fotos. Por um instante, ela nem compreendeu o que estava vendo. Seu cérebro se recusou, como se as imagens não fizessem sentido, como se fossem montagens.

Mas não eram.

Porque reconheceu imediatamente o homem: Ethan. Seu Ethan, seu noivo, o homem com quem se casaria em menos de vinte e quatro horas.

Nas fotos, ele estava abraçado a uma mulher, beijando-a. Rindo com aquela mulher. Entrando num hotel com aquela mulher.

Olivia sentiu o ar desaparecer dos pulmões.

Não. Não. Não.

Isso não podia ser real! Suas mãos começaram a tremer. Ela ampliou uma das imagens onde a mulher estava de costas. O cabelo loiro caía pelos ombros. Familiar... muito familiar. Olivia aproximou ainda mais.

E então viu a pulseira. Uma pulseira dourada com um pingente em formato de estrela. Ela mesma havia dado aquele presente. No aniversário da melhor amiga. Vanessa.

O mundo pareceu inclinar. O escritório girou. Ela se levantou tão rápido que a cadeira bateu contra a parede.

Vanessa não faria isso. Vanessa era praticamente sua irmã. Estavam juntas desde a adolescência, ela seria madrinha do casamento, ajudara a escolher o vestido, a decoração, as flores. Tudo.

As lágrimas começaram a embaçar sua visão quando seu celular vibrou novamente. Nova mensagem. Desta vez, um vídeo.

Com dedos trêmulos, ela apertou o play. A gravação tinha apenas alguns segundos, mas foi suficiente: Ethan e Vanessa, beijando-se. Sem qualquer dúvida. Sem qualquer possibilidade de interpretação. Sem qualquer esperança.

Olivia sentiu o chão desaparecer. Uma náusea violenta subiu por sua garganta. Ela correu até o banheiro e mal conseguiu chegar à pia antes de vomitar. As mãos agarraram a porcelana enquanto seu corpo tremia e as lágrimas caíam sem controle.

Ela não sabia quanto tempo ficou ali. Minutos. Talvez mais. Quando finalmente conseguiu levantar a cabeça, seu reflexo no espelho parecia o de uma estranha: olhos vermelhos, rosto pálido, expressão devastada.

Seu celular tocou. Ethan. Ela encarou o nome na tela, o coração se despedaçando.

Atendeu.

- Amor.

A voz dele soou normal, feliz, leve. Como se nada estivesse acontecendo.

- Você ainda está trabalhando?

Olivia não respondeu.

- Olivia?

Ela fechou os olhos.

- Onde você está?

- Em casa.

Mentira. Ela percebeu imediatamente. Porque uma das fotos havia sido tirada menos de uma hora antes.

- Tem certeza?

- Claro.

- Sozinho?

Silêncio curto, quase imperceptível. Mas suficiente.

- O que aconteceu? - perguntou ele.

Olivia sentiu algo quebrar dentro de si, algo definitivo, irreversível.

Ela desligou sem responder, sem explicar, sem chorar. Apenas desligou.

Então, abriu o aplicativo de localização compartilhada. Digitou o nome de Vanessa e a bolinha azul apareceu no mapa em um endereço que ela conhecia. Era o apartamento da amiga no centro da cidade.

As mãos dela apertaram o celular, o peito queimando. Amanhã deveria ser o dia mais feliz de sua vida... mas, naquele instante, ela soube.

Seu mundo acabara de desmoronar.

E ela sentia que estava prestes a descobrir o quanto os escombros seriam piores do que imaginava. Porque, pela primeira vez em cinco anos, Olivia Carter estava indo atrás da verdade.

E não tinha ideia de que aquela verdade destruiria tudo.

Capítulo 2 A verdade atrás da porta

O trajeto até o apartamento de Vanessa foi um borrão. Olivia não lembrava de ter descido para a garagem, não lembrava de ter entrado no carro, nem mesmo de ter dirigido até lá.

Seu corpo parecia funcionar no piloto automático enquanto sua mente repetia a mesma pergunta, inúmeras vezes. Por quê? Por quê? Por quê?

Sua mente tentava encontrar alguma explicação para aquilo tudo. As fotos podiam ter sido manipuladas, os vídeos podiam ser antigos... podia existir uma explicação. Precisava existir.

Vanessa era sua melhor amiga e Ethan era o homem que ela amava. Não fazia sentido. Nada fazia sentido.

O endereço indicado no GPS surgiu à sua frente poucos minutos depois, era um edifício moderno de alto padrão. Ela estacionou de qualquer jeito, as mãos tremiam tanto que precisou tentar três vezes antes de conseguir desligar o carro.

Seu coração parecia querer escapar pela garganta. Respira, só conversa com eles, vai existir uma explicação. Tem que existir.

Ela entrou no prédio e o porteiro mal ergueu os olhos quando ela passou, já a conhecia há anos. O elevador demorou uma eternidade e cada segundo aumentava sua ansiedade. Cada andar parecia durar um século.

Quando finalmente as portas se abriram, Olivia caminhou pelo corredor como se estivesse indo para uma execução. Apartamento 1407. Ela parou diante da porta e ficou encarando o número com seu peito subindo e descendo rapidamente.

Ainda podia ir embora. Ainda podia fingir que nada daquilo aconteceu. Ainda podia se casar amanhã. Ainda podia continuar vivendo na mentira. Mas não conseguiu.

Ergueu a mão, tocou a campainha. Nenhuma resposta. Tocou novamente. Silêncio. Pela terceira vez, manteve o dedo pressionado por mais tempo, então ouviu passos.

Seu coração congelou. A maçaneta girou, a porta se abriu e Ethan apareceu descalço, vestindo apenas uma camiseta preta.

Por um instante, o rosto dele perdeu completamente a cor.

- Olivia...

Ela sentiu o estômago afundar, porque aquela expressão dizia tudo. Não era surpresa por vê-la ali... era culpa. Pura culpa.

- O que você está fazendo aqui? - ele perguntou.

Olivia quase riu. A pergunta era tão absurda, que chegava a ser ofensiva.

- Essa é a primeira coisa que você vai me dizer?

Ethan abriu a boca, mas fechou. Nenhuma resposta veio.

Ela empurrou a porta antes que ele pudesse impedi-la. Entrou... e viu Vanessa sentada no sofá, usando uma camisa masculina enorme. Tinha os cabelos bagunçados e o batom borrado. Ela parecia ter acabado de sair da cama.

O mundo de Olivia parou. Aquilo era real... real até demais. Vanessa arregalou os olhos.

- Liv...

Aquele apelido. Aquele simples apelido quase a fez perder o controle.

- Não me chama assim.

A voz saiu mais baixa do que ela esperava, mais perigosa. Vanessa se levantou rapidamente.

- Eu posso explicar.

- Explicar o quê?

As lágrimas já queimavam seus olhos.

- Explicar por que você está usando a roupa do meu noivo?

Silêncio. Ninguém respondeu. Olivia olhou de Vanessa para Ethan, depois dele de volta para Vanessa. Os dois pareciam culpados, constrangidos... mas não o suficiente. E isso doeu ainda mais.

Porque quem realmente parecia destruída naquela sala era ela.

- Há quanto tempo?

Ethan passou a mão pelos cabelos.

- Olivia...

- Há quanto tempo?

A voz dela ecoou mais alta e Vanessa desviou o olhar. Aquele simples gesto foi suficiente. Porque uma pessoa inocente teria respondido imediatamente.

Uma pessoa inocente teria negado. Uma pessoa inocente teria lutado para se defender... mas Vanessa apenas baixou a cabeça.

Ethan soltou um suspiro.

- Alguns meses.

As palavras atingiram Olivia como um soco. Alguns meses. Meses. Enquanto ela organizava o casamento, escolhia flores, provava vestidos, planejava o futuro... eles estavam juntos.

- Alguns meses? - ela repetiu.

Sua própria voz parecia distante, como se estivesse ouvindo outra pessoa falar.

- Olivia, eu nunca quis te machucar.

Ela finalmente riu, uma risada sem humor. Sem alegria, sem vida.

- Você está falando sério?

- Eu...

- Você dormiu com a minha melhor amiga!

- Eu sei.

- E pretendia se casar comigo amanhã!

- Eu sei.

- E me diz que não queria me machucar?

Ethan fechou os olhos, como se ele fosse a vítima daquela situação. Como se estivesse sofrendo. Aquilo despertou algo dentro dela: raiva. Pura e intensa. Muito mais forte do que a tristeza.

- Você é um covarde.

Ele pareceu atingir-se com aquelas palavras, mas não o suficiente, porque continuou tentando se justificar.

- As coisas ficaram confusas.

- Confusas?

- Eu não planejei que acontecesse.

- Claro que não! Porque pessoas caem peladas na cama umas das outras sem querer.

- Olivia...

- Cala a boca.

Silêncio. Ela virou-se para Vanessa. Talvez aquela fosse a pior parte, porque Ethan era o noivo, mas Vanessa era sua amiga. Sua irmã de escolha, a pessoa em quem confiava cegamente.

- E você?

Vanessa começou a chorar. Finalmente, mas era tarde. Tarde demais.

- Eu sinto muito.

- Não.

Olivia balançou a cabeça.

- Você não sente.

- Eu sinto.

- Se sentisse, não teria feito isso.

Vanessa abaixou o rosto, as lágrimas escorriam. Mas Olivia já não acreditava nelas.

- Você estava ao meu lado enquanto eu escolhia meu vestido.

Nenhuma resposta.

- Você me ajudou a escrever os votos.

Silêncio.

- Você segurou minha mão quando eu fiquei nervosa.

Vanessa começou a soluçar, mas Olivia continuou.

- Você me abraçou e disse que eu era a mulher mais sortuda do mundo.

A culpa estampada no rosto da amiga era quase insuportável de olhar, mas não tão insuportável quanto a traição.

- Eu te amava.

A frase saiu num sussurro e doeu mais do que qualquer grito. Vanessa fechou os olhos, chorando. Olivia percebeu que não queria mais estar ali.

Não queria ouvir desculpas. Não queria explicações... porque nenhuma delas mudaria a verdade.

Nada apagaria o que aconteceu. Nada.

Ela caminhou em direção à porta e Ethan tentou segurá-la.

- Olivia, espera.

Ela se virou e o tapa veio antes mesmo que pensasse. O som ecoou pela sala. Ethan levou a mão ao rosto, chocado. Olivia respirava com dificuldade.

- Nunca mais me toque.

Pela primeira vez desde que chegou, ninguém tentou impedi-la. Ninguém tinha mais nada para dizer, porque todas as palavras possíveis haviam acabado e jamais justificariam aquela cena.

Ela saiu em disparada, correu pelo corredor e entrou no elevador. E, só quando as portas se fecharam, permitiu que as lágrimas caíssem.

Lá fora, a chuva havia começado. Forte, violenta. Como se o céu estivesse desabando junto com sua vida.

Olivia caminhou sem direção, sem destino, sem conseguir enxergar através das lágrimas.

Seu vestido claro logo ficou encharcado e os cabelos grudaram em seu rosto. Mas ela não parou, porque naquele momento não estava apenas perdendo um noivo.

Estava perdendo o futuro, os sonhos, a confiança, a melhor amiga. A versão de si mesma que acreditava no amor.

E, enquanto desaparecia na chuva, sem perceber para onde ia, uma limusine preta parou do outro lado da rua.

No banco traseiro, um homem observava através do vidro escurecido, os olhos atentos, frios e calculistas. Ele viu a mulher chorando sob a tempestade. Viu a dor estampada em seu rosto.

E, por algum motivo que ainda não compreendia... não conseguiu desviar o olhar.

Olivia Carter acabava de perder tudo. Mas, sem saber, estava prestes a cruzar o caminho do homem que mudaria sua vida para sempre.

Capítulo 3 O homem no bar

A chuva continuava caindo quando Olivia finalmente percebeu que não fazia ideia de onde estava.

As ruas estavam quase vazias, os carros passavam levantando pequenas ondas de água. Seu vestido estava completamente encharcado, os pés doíam, a maquiagem havia desaparecido há muito tempo.

E, pela primeira vez naquela noite, ela sentiu o peso do cansaço. Não apenas físico, emocional. Era como se todas as forças tivessem abandonado seu corpo.

Ela parou sob a marquise de um prédio elegante. Ergueu os olhos e notou tratar-se de um hotel luxuoso. Provavelmente, caro demais para alguém como ela entrar naquele estado.

Mas naquele momento não se importava. Precisava sentar, precisava respirar, precisava impedir que seu coração explodisse.

Empurrou a porta giratória. O calor do ambiente a envolveu imediatamente. Música suave, perfume caro, lustres enormes, pessoas bem vestidas. Um universo completamente diferente da tempestade que enfrentava lá fora.

Olivia sentiu alguns olhares sobre si. Era impossível não notar a mulher que parecia ter acabado de sobreviver a um naufrágio.

Mas seguiu andando e ignorando todos, até encontrar o bar. Escolheu o banco mais distante, aquele escondido no canto, onde ninguém a incomodaria. Ou assim esperava.

- Boa noite, senhora.

O bartender sorriu.

- O que deseja?

Olivia encarou as garrafas alinhadas atrás dele.

Nunca foi de beber. Talvez uma taça de vinho em ocasiões especiais. Mas aquela noite definitivamente era uma ocasião especial. Só não do jeito que imaginara.

- O mais forte que você tiver.

O homem arqueou uma sobrancelha.

- Tem certeza?

- Absoluta.

Minutos depois, um copo foi colocado diante dela. Olivia bebeu um gole. Sua garganta ardeu de imediato. Mas não tanto quanto descobrir que seu noivo estava dormindo com sua melhor amiga.

Então tomou outro. E mais outro. Aquela dor não desaparecia?! Parecia apenas mudar de lugar dentro dela.

Enquanto isso, do outro lado do salão, alguém observava. Alexander Blackwood raramente prestava atenção nas pessoas ao seu redor.

Era um hábito adquirido com os anos. Homens queriam favores, mulheres queriam status, empresários queriam dinheiro e jornalistas queriam manchetes. Tudo era interesse. Sempre.

Mas aquela mulher... ela era diferente. Primeiro, porque claramente não estava tentando impressionar ninguém. Segundo, porque parecia absolutamente devastada. E terceiro porque, apesar da aparência desarrumada, havia algo nela.

Algo difícil de explicar.

Alexander observou quando ela tomou mais um gole da bebida. E depois outro, até fazer uma careta. Quase sorriu. Definitivamente não estava acostumada a beber.

- Você está olhando.

A voz de Damien o arrancou dos pensamentos.

Alexander virou-se para o primo.

- O quê?

- A mulher.

Alexander ergueu uma sobrancelha.

- E daí?

- Você nunca olha para ninguém.

- Estou olhando agora.

Damien acompanhou sua linha de visão.

- Parece que teve uma noite ruim.

- Claramente.

- Vai lá salvar a mocinha?

Alexander soltou uma risada seca.

- Não sou herói de conto de fadas.

- Ainda bem.

Damien ergueu a taça.

- Seria preocupante.

Alexander ignorou o comentário, mas continuou observando. Alguma coisa naquela mulher parecia familiar. Não sabia o quê, nem por quê. Só sabia que já a tinha visto antes em algum lugar, em algum momento, e isso o incomodava.

Do outro lado do bar, Olivia percebeu que estava sendo observada.Virou a cabeça e os olhos encontraram os dele por um segundo. Dois. Três. Ela desviou imediatamente.

Ótimo. Agora até desconhecidos sentiam pena dela. Perfeito.

Terminou o restante da bebida e empurrou o copo para a frente.

- Outro.

O bartender hesitou.

- Talvez seja melhor...

- Outro.

Já nem sentia mais o álcool queimando a garganta. Cinco minutos depois, novo copo. Olivia encarava o líquido âmbar quando uma voz masculina surgiu ao seu lado.

- Acho que você está tentando resolver o problema errado.

Ela ergueu os olhos e encontrou o homem mais irritantemente bonito que já tinha visto. Alto, cabelos escuros, terno impecável, olhos cinzentos daqueles que pareciam analisar tudo. Inclusive ela.

Olivia já não estava no humor para lidar com pessoas.

- Desculpe?

- Álcool raramente melhora as coisas.

- Experiência própria?

- Experiência observando os erros dos outros.

Ela soltou uma risada amarga.

- Então continue observando.

Alexander puxou o banco ao lado sem pedir permissão.

- Isso foi um convite?

- Foi um aviso.

- Entendi.

Ele não parecia intimidado, nem um pouco. Aquilo era irritante.

- Você sempre incomoda mulheres desconhecidas em hotéis?

- Apenas as que parecem prestes a incendiar alguma coisa.

Apesar de tudo, Olivia quase sorriu. Quase.

- Não estou planejando nenhum incêndio.

- Ainda.

- Ainda.

Pela primeira vez, um sorriso verdadeiro apareceu no rosto dele. Pequeno, mas genuíno... e inesperadamente bonito, o que a deixou ainda mais irritada.

- Escuta - disse ela. - Eu realmente não estou com vontade de conversar.

- Ótimo.

- Ótimo?

- Também não gosto de conversar.

Ela piscou, confusa.

- Então por que está aqui?

- Boa pergunta.

Alexander realmente não sabia responder. Algo nela despertava sua curiosidade, e curiosidade era um problema. Curiosidade levava a distrações, distrações levavam a erros... e Alexander não cometia erros. Nunca.

Ainda assim... permaneceu sentado.

Olivia suspirou.

- Você sempre faz isso?

- Isso o quê?

- Age como se fosse dono do lugar.

- Talvez porque eu seja.

Ela congelou.

- Espera.

Alexander apontou discretamente para o logotipo gravado num dos cardápios.

BLACKWOOD HOTELS.

Olivia sentiu o rosto esquentar.

- Ah.

- Ah.

- Você realmente é dono do lugar.

- Sim.

- E eu acabei de mandar você cuidar da própria vida.

- Também.

Pela primeira vez naquela noite, ela soltou uma risada de verdade. Pequena, mas real. Alexander percebeu e, por algum motivo ficou satisfeito.

O sentimento foi tão estranho que quase franziu a testa. Não deveria se importar, afinal não conhecia aquela mulher. Nem queria conhecer. Ainda assim...

- Melhorou um pouco.

Olivia o encarou.

- O quê?

- Seu sorriso.

Ela desviou os olhos instantaneamente. Porque fazia muito tempo que alguém reparava em seu sorriso. Muito tempo...

Antes que pudesse responder, seu celular vibrou. Uma mensagem. Depois outra. E outra.

Olivia desbloqueou a tela e seu estômago afundou. Fotos, novas fotos, agora postadas nas redes sociais. Vanessa e Ethan abraçados, sorrindo. Como se nada tivesse acontecido, como se ela nunca tivesse existido.

As lágrimas surgiram imediatamente. Droga. Droga. Droga. Não ali, não na frente dele. Ela se levantou tão rápido que quase derrubou o banco.

- Ei.

Mas Olivia já estava caminhando rápido, sem olhar para trás. Precisava sair dali. Precisava respirar. Precisava fugir daquela dor.

Alexander observou enquanto ela desaparecia pelo corredor. Por alguns segundos, permaneceu imóvel. Então seu telefone tocou.

Ele atendeu.

- Fale.

A voz do investigador surgiu imediatamente.

- Tenho novidades sobre os Carter.

Alexander ficou alerta.

- Continue.

- Encontramos a filha.

O coração dele desacelerou, frio, controlado. Exatamente como sempre acontecia quando o assunto era vingança.

- Nome?

Alguns segundos de silêncio.

Então:

- Olivia Carter.

Alexander congelou.

Olhou na direção em que a mulher havia desaparecido. A mesma mulher que acabara de deixar o bar. A mesma mulher que chorava sob a tempestade. A mesma mulher que acabara de fazê-lo sorrir pela primeira vez em semanas.

Não. Meses.

- Senhor?

Mas Alexander já não escutava, porque naquele instante compreendeu exatamente por que ela parecia familiar.

E pela primeira vez em anos... o destino havia colocado diante dele uma oportunidade perfeita. Uma oportunidade que ele não pretendia desperdiçar.

Nem que isso significasse destruir a única pessoa inocente daquela história.

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