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Entre o Sentimento e a Razão: O Dilema da Paixão

Entre o Sentimento e a Razão: O Dilema da Paixão

Autor:: Vanessa Verones
Gênero: Romance
Natasha, uma diretora financeira dedicada e metódica, sempre colocou sua carreira em primeiro lugar. Quando um novo ceo assume o cargo, ela se vê em conflito entre o sentimento e a razão. Enquanto tenta equilibrar sua vida profissional, Natasha é confrontada por fantasmas de um passado turbulento que ameaçam sua paz recém-descoberta. Conseguirá Natasha enfrentar os desafios e encontrar um caminho para um futuro mais leve ao lado de alguém que a faz sentir viva?

Capítulo 1 Memórias e encontros.

Natasha Castro

Quem diria que hoje eu estaria sentada nesta cadeira, ocupando o cargo que muitos gostariam de ter?! É com muita honra que encho a boca ao dizer que sou eu quem dirige as finanças da Construtora Cesarini, uma das maiores empresas de engenharia civil de São Paulo, mas confesso que chegar até aqui não foi fácil. Em meu caminho encontrei muitos obstáculos e para ser mais precisa, tudo começou no colégio...

Eu era uma menina humilde, muito acanhada e constantemente sofria bullying por conta dos óculos, aparelhos e até mesmo das roupas simples que usava, tudo era motivo de piada, mas nada disso me desmotivou! Meu desejo de vencer na vida falou mais alto e hoje, abro um sorriso ao ver essa armação prateada em minha frente, afinal, as lentes que tanto me fizeram sentir vergonha, hoje são usadas para me auxiliar nos cálculos da minha maior conquista.

O retrato em família exposto sobre minha mesa, me causa um misto de emoções... Foi uma época boa, em partes! Sinto saudades de estar com meus pais naquela cidadezinha no interior do Paraná, mas por outro lado, quero distância daquele lugar quando em minha memória regressam lembranças que eu gostaria de esquecer, e rapidamente meu olhar se torna sombrio ao me recordar daquele que tanto amei.

Infelizmente eu era uma jovem inocente, que não se deu conta de que estava apenas sendo usada para que se concretizasse uma aposta, minha pele se arrepiar ao lembrar das imagens vividas no fundo da minha mente, das expressões de desapontamento nos rostos dos meus pais, nos anos seguintes que eu tive que conviver com vestígios daquilo até o meu último ano do ensino médio. O terror psicológico que vivi, por causa de uma paixão por um maldito playboy.

- Não acredito que você ainda está sentada nessa cadeira, Nath! Estou há vinte minutos te esperando no estacionamento e você aí, desligada do mundo! - Fui tirada de meus devaneios com minha amiga entrando na sala, visivelmente incrédula.

Olhei para o relógio em meu pulso e ao conferir as horas, entendi o porquê daquela pressa toda... Eu realmente perdi a noção do tempo.

- Me desculpe, Ana! Eu realmente não me dei conta do horário. - Falei e ela me encarou.

- Estou vendo! Do jeito que estava distraída, só teria notado ao anoitecer. - Expressou-se sorrindo e eu retribuí do mesmo modo.

- É, eu acho que sim. - Concordei, então foi minha vez de interrogá-la. - Mas você não estava com pressa?

- E muita! Já estou quase desmaiando de fome. - Eu gargalhei.

- Mas é exagerada! Vamos logo para casa! - Desliguei o computador e ao sair, tranquei a porta.

Descemos para o estacionamento, entramos no carro e seguimos pela rodovia, enquanto conversávamos.

- Em que estava pensando tão concentrada? Estou te achando um pouco cabisbaixa. - Ela perguntou.

- Nada importante! Eram apenas algumas recordações do passado.

- Não precisa dizer mais nada, eu já entendi! Outra vez está assim por causa do que aquele imbecil fez, né?! - Eu assenti e ela continuou. - Amiga, esqueça isso, já passou e você deu a volta por cima. Foque no presente e no futuro!

- Eu sei, mas não consigo aceitar o fato de não ter me dado conta das reais intenções dele. Como eu pude ser tão cega?

- Olha, ficar se martirizando não vai resolver nada! Já fazem muitos anos que isso aconteceu e na época você era uma menina que não conseguia ver maldade nas pessoas, mas agora é uma tremenda de uma mulher foda, que não vai deixar isso te abalar e eu sou a amiga que vai contribuir para isso! Já sei exatamente o que vamos fazer para afastar esses pensamentos negativos. - Eu dei uma olhada rápida para ela e voltei a prestar atenção no trânsito.

- Do que você está falando? - Indaguei curiosa e ela apontou para um outdoor que estava mais à frente.

- Disso!

Olhei para placa, que continha o seguinte anúncio:

"Pré-inauguração Lótus Club, nesta quinta feira 05 de abril, não percam!"

- De jeito nenhum! Estou cansada! - Falei e ela contestou.

- Ah não, Nath... deixa de ser chata, vai! Vamos aproveitar um pouquinho. - Neguei mexendo a cabeça e completamente convicta.

- Não estou afim, amiga! Vai você... Precisa mesmo se divertir.

- Você também precisa!

- Sim, mas são quarenta minutos de percurso até em casa, acha mesmo que vou voltar para ir a uma boate, sendo que amanhã ainda é sexta-feira e temos que trabalhar?!

- Acho! Aliás, bem lembrado! Amanhã teremos aquela reunião que com certeza será estressante, então o melhor que temos a fazer é relaxar um pouco. Além disso, não é qualquer boate, estamos falando da filial do famoso e badalado Club Lótus de Nova Iorque! Vamos, por favor?

- Sem chances, Ana! Me desculpe, mas desta vez eu não vou. - Ela revirou os olhos e eu ri ao ouvi-la enfatizar um "chata".

Continuamos o percurso por alguns minutos e assim que chegamos no apartamento eu fui tomar banho, enquanto Ana Paula assaltava a geladeira. As horas foram se passando e de tanto insistir, ela acabou me convencendo.

Coloquei um vestido brilhante com decote profundo, na cor prata, um salto agulha, seguindo os mesmos padrões de cor, cujo fecho é no tornozelo, fiz uma tiara de trança no cabelo e deixei o resto dos fios soltos, inclusive a franja. Como acessórios, optei por usar algumas pulseiras e deixar o pescoço livre, já que o vestido por si só já é bem chamativo, então hidratei meu corpo, me perfumei, peguei minha carteira de mão, preta e fui para a sala. Minha amiga já estava me esperando e usava um conjunto branco, composto por um um cropped e uma minissaia, nos pés uma sandália de tiras finas, preta e o cabelo estava completamente solto.

- Nossa... Para quem não queria ir, você se produziu toda, hein?! - Brincou ao me ver aproximando-me e eu não perdi a oportunidade.

- Eu não queria, mas já que você me convenceu, então não custa nada caprichar no look. - Nós rimos. - Bom, vamos indo? Temos alguns quilômetros pela frente.

- Só se for agora! - Falou toda entusiasmada, nós rimos outra vez e descemos para pegar o carro.

Mesmo que eu tenha decidido ir, ao chegar perto do automóvel tive uma sensação estranha. Senti um arrepio invadir meu corpo, mas sinto que não é algo ruim a ponto de me fazer desistir do passeio. Do nada fugi da realidade e voltei a mim somente quando ouvi Ana me chamando.

- O que foi, Nath? - A encarei e só então percebi que ela já estava dentro do carro e eu apenas segurando a maçaneta.

- Nada, eu estou bem! - Aleguei forçando um sorriso, entrei no veículo e perguntei. - Você está pronta?

- Eu nasci pronta, amiga! - Sorri com seu comentário, então coloquei o cinto, dei partida e comecei a dirigir.

Demoramos um pouco mais no trajeto, pois a rodovia estava muito movimentada e ao notar que a maioria dos carros seguiam rumo a Av. Pres. Juscelino Kubitschek, com certeza estamos todos indo para o mesmo lugar.

Ao chegar na casa noturna, observei a empolgação de minha amiga, a qual era totalmente notável pelo sorriso cativante que não se desfazia de seus lábios e que se alargou ainda mais quando entramos amplo estacionamento subterrâneo. Busquei por uma vaga e ao estacionar, olhei no espelho retrovisor para dar uma última checada na maquiagem, peguei minha bolsa, descemos e então ativei o alarme do carro, enquanto caminhávamos para a escada rolante.

Depois de comprar os ingressos na bilheteria, seguimos para a entrada, onde a fachada muito bem elaborada por imensos vidros escuros e o chão forrado por uma tapeçaria vermelha, prendem a atenção de todos e claro, sem deixar que passem despercebidos a fila de seguranças com o mesmo porte físico na porta de acesso.

Adentramos no ambiente que por sinal é muito sofisticado e a música alta e vibrante que toca neste momento, me fez reparar que não se ouve nenhum barulho do lado de fora. Realmente este prédio está completamente vedado por isolamento acústico, o que impede o desconforto sonoro das instalações aos arredores. O engenheiro responsável está de parabéns.

- Esse lugar é incrível! - Ana Paula comentou em tom alto enquanto mexia seu corpo no ritmo da música.

- Realmente é impressionante mesmo! - Concordei observando os detalhes do ambiente e minha amiga reclamou.

- Ai que desânimo, Natasha! Anda, melhore essas feições e vamos dançar!

- Pode ir se adiantando, eu vou pegar uma bebida primeiro.

- Está bem, te espero na pista!

Ela seguiu toda animada e eu fui até o bar e pedi um mojito, que é um drink leve, gaseificado, gostoso e refrescante, feito com rum, suco de limão, água com gás e hortelã. É simplesmente delicioso e o meu preferido.

Permaneci em pé aguardando o barman terminar o preparo e de repente notei que alguém se apoiou no balcão, chegando bem perto de mim e ao posicionar um cotovelo sobre o porcelanato da bancada, o atrevido inclinou o corpo, aproximando a boca de meu ouvido, e então algumas palavras roucas soaram de sua garganta.

- Onde é que eu deixo meu currículo para concorrer à vaga de amor da sua vida?

Capítulo 2 Amor à primeira rejeição.

Diego

- No lixo da sua casa, porque para um homem abusado como você, não desejo nem ver o papel.

Por apenas um segundo eu fiquei sem reação, eu nunca havia levado um fora na minha vida, ai o meu ego! O seu olhar de desprezo me deixou com um sentimento de diversão, porque uma gata como esta, não está afim de flertar comigo? Sorri ao vê-la se afastar, voltando sua atenção para a sua bebida.

- Então você aceita currículos? - sorri divertido ao ver sua expressão de choque me olhando drasticamente.

- Olha eu não estou interessada em currículos, muito menos em homens como você. - ela deu seu último gole e com uma expressão de frustração ela bateu o copo contra o balcão e se levantou me olhando feio.

Eu apenas a segui com o meu olhar, enquanto ela se afastou sem se virar para trás, como uma mulher pode resistir a mim?

Ela se encontrou com outra garota na pista de dança, ela se movimenta enquanto fala demonstrando estar irritada, eu sei que tenho vários efeitos nas mulheres, mas nunca havia visto o negativo em ação.

Quando eu resolvi voltar para São Paulo, nunca me passaria pela minha cabeça que eu iria encontrar uma mulher tão linda e sexy como ela na minha boate, seus longos cabelos lisos e pretos como uma noite escura me convidam para puxá-los em um sexo selvagem. Suas curvas envolventes naquele vestido fez meus olhos observarem cada canto do tecido e da sua pele a mostra me faz sentir o desejo de tocá-la. Seus olhos castanhos claros fazem um belo contraste com a sua pele branca, mas com um leve bronzeamento de algumas horas exposta ao sol.

Faz algum tempo que eu recebo a proposta do meu pai para retornar do exterior, eu tentei ao máximo negar, mas se eu soubesse que uma mulher destas estaria me esperando, teria feito os trâmites da abertura da boate muito antes.

- Velhos hábitos não mudam!

Desviei meu olhar da minha pantera e vi meu melhor amigo de infância e agora sócio Rafael Montarini parado ao meu lado, com um sorriso travesso em seu rosto, no impulso da saudade desse corno, lhe dei um abraço e agora que a minha atenção saiu da minha gata, percebi que em volta da gente já havia algumas mulheres de olho em nós. Sem falar nos caras com expressão de frustração, eles estão investindo, mas elas nos querem, sinto muito garotas. Hoje meu foco é outro.

- Está focado nas duas ou eu posso investir em uma? - nos afastamos do abraço e ele seguiu o meu olhar até as garotas que agora estão dançando, como se não houvesse amanhã, em uma música eletrônica.

- Vamos ver se você é meu parceiro mesmo! Em qual você pode investir? - falei chamando o garçom, enquanto ele sentou ao meu lado, virado também para elas.

- Você sabe que eu tenho um fetiche por loiras! - eu ri - E você meu caro amigo, está com os olhos vidrados na morena. - O garçom chegou e o Rafa falou - Um copo de uísque.

- O mesmo para mim! - o garçom saiu - Ela disse que não está interessada em homens como eu - falei frustrado e o puto riu.

- É normal levar um fora! Eu já levei cara - ele olhou em volta, o barulho da música está em um volume máximo.

E as pessoas bebendo e se divertindo me fazem lembrar das festas que frequentava quando abri a minha primeira rede de boates aos dezoito anos.

- Mas eu não estou acostumado! - a bebida chegou e eu virei de uma vez olhando para ela, com o líquido queimando minha garganta, assim como ela fez com o meu ego - Ela chamou muito a minha atenção para me dispensar assim.

- Diego você sabe que um não é não né mano!?- Rafael me olhou sério.

Eu pedi outra dose e quando o garçom estava me servindo eu olhei para o ele e falei

- Essa palavra não se encontra no meu vocabulário! - Sorri irônico e ele negou fechando os olhos, enquanto virou a sua bebida.

- Oi, garotos, vocês estão sozinhos? - duas garotas que provavelmente eu levaria para a cama hoje se aproximaram de nós sorrindo e subindo os vestidos, enquanto nos olhava sedutoramente.

- Desculpe, garotas, hoje não! - sorri divertido, para que a garota lá na pista de dança que estava nos olhando discretamente, pelo menos sentisse um pingo de remorso por ter me deixado à mercê.

Ao perceber que o sorriso foi para ela, observei que seus olhos se reviraram, coisa que eu gostaria de ver em outra ocasião, enquanto ela deu novamente as costas para mim. Rafael franziu sua testa e me olhou percebendo o que eu estava fazendo, ele negou discretamente com um movimento de cabeça e bebeu sua bebida, enquanto as garotas se viraram e saíram em silêncio.

- O que foi, o exterior te deixou maluco, você já levou um não tá esperando o que? - ele mostrou sua mão - Tenho compromisso com ninguém não parça! Então me tira fora dos seus esquemas.

- Eu estou perfeitamente lúcido! E foi você mesmo quem acabou de me dizer que quer investir na loira, como? Com mais duas penduradas no seu pescoço? - Virei o último gole do uísque e percebi alguns caras se aproximando delas.

- A três não seria nada mau! - Rafael colocou o seu copo sobre a mesa, enquanto observava as garotas. Eu sorri, já tive essa experiência com mulheres e não posso mentir, não foi ruim.

- Eu tenho quase certeza de que elas não são deste tipo! - Vi meu amigo franzir a testa ao ver a garota loira abraçando um dos caras que estava perto delas - Bom! Talvez eu esteja errado!

Antes que eu pudesse chamar o Rafael para irmos até elas, vejo o cara abraçado com a loira saindo com a minha pantera ao lado e agora ela não parece tão irritada quanto na minha presença. Que porra!

- Mas que merda! - As palavras saíram da minha boca, enquanto observo o cara alto, loiro usando uma camisa escura e calças jeans.

A loira está quase pendurada no seu pescoço e ele está segurando sua cintura, ela está visivelmente bêbada, porque parece falar sem parar e a minha pantera anda ao lado dele sorrindo e gesticulando, enquanto ele se aproxima próximo do seu ouvido para responder.

- Tá vendo! Você dispensou as duas garotas, para agora ver elas saindo com outro cara! - Rafael falou visivelmente frustrado, enquanto virou outro gole de uísque de uma vez.

Por um segundo eu fiquei parado olhando, tive vontade de ir até lá e bater nele e tirá-lo de perto dela, mas rápido eles sumiram na multidão e eu me virei pela primeira vez na minha vida frustrado por levar um fora da gata que eu queria e ver ela com outro. Inferno.

Capítulo 3 O destino tem um jogo irônico.

Natasha Castro

Meu celular despertando faz a minha cabeça doer levemente, droga porque eu fui sair ontem? Abri meus olhos e estou na minha cama, não lembro de ter chegado aqui e nem bebi tanto assim! Estou toda amassada e ainda usando as roupas de ontem, ri ao imaginar a situação da Ana Paula que estava caindo de bêbada.

Desliguei o despertador e me levantei para tomar um banho, não dá para aparecer no trabalho assim, peguei meu paletó feminino azul bebe e uma camiseta gola média preta. E o restante do conjunto seguido por um banho relaxante com a água morna... Depois da minha higiene e de me preparar com o cabelo secado por um secador, o prendi em um rabo de cavalo no tipo da minha cabeça, peguei meus óculos e o coloquei na minha bolsa e saí do meu quarto me deparando com uma Ana Paula quase se arrastando pelo chão.

- Diga que eu fui atropelada por um carro, e que hoje estou indisponível para o trabalho!! - Minha amiga estava jogada no sofá, com a bunda no encosto e a cabeça caindo no chão. - Quem inventou o despertador no celular! Eu estava tendo um sonho tão erótico com o gostosão da boate!

- Bom dia para você também amiga! - Coloquei minha bolsa sobre o sofá e a ajudei a se levantar - Eu poderia dizer o que você quiser, mas hoje teremos uma reunião importante e a sua presença é indispensável!

- Você é a diretora, sou apenas a vice. Minha presença é...

- Indispensável! - Sorri e ela revirou os olhos.

Ana Paula deu de ombros e foi com a minha ajuda para o banheiro do seu quarto reclamando muito. Liguei a temperatura do chuveiro em uma água mais fria, e sai para que ela pudesse tomar seu banho, separei um analgésico para ela e já tomei um também... Ela saiu mais desperta e se produziu com um palito feminino preto e uma camiseta branca, deixando seus cabelos secos soltos e tomando o remédio em seguida. No trabalho usamos uma maquiagem básica, porque a política da empresa é usar terno masculino homem e feminino mulher.

- Hoje poderia ser sábado! - Ana colocou a sua cabeça no encosto do banco do carro, enquanto suspira profundamente.

- Eu disse para você não beber tanto! E não ficar recebendo bebida dos outros! - falei enquanto dirijo em direção a empresa.

- Que mulher eu seria se não saísse para um rolê e não aceitasse bebidas dos cavalheiros...

- Que provavelmente fazem isso querendo te levar para a cama em seguida! - Olhei rapidamente para ela, para ver um sorriso e um jogar de beijinho.

- Tenho você para me impedir de chegar a esse ponto! - ela riu - Minha melhor amiga.

- Você sabe Ana! Que nada nessa vida supera o amor, os encontros, a paixão, o desejo de estar sempre com aquela pessoa, de ser sempre ela! - Sorri dirigindo, mas um rosto veio na minha mente e eu me senti enojada e balancei levemente para afastá-lo da minha memória.

- Eu sei Nat. Também sonho em ter alguém assim, só que com mais emoção, claro. - ela me deu um leve cutucão, enquanto entramos no estacionamento da empresa - Agora me conte mais sobre o bonitão que tentou dar em cima de você ontem. Nat você ficou tão furiosa que eu fiquei divertida! Imagina se em algum universo vocês acabam juntos.

- Deus me livre! - sai do carro rapidamente e a Ana veio logo atrás - Eu quero é distância de homens como aquele, pretendo não vê-lo nunca mais. - Ouvimos o alarme do carro sendo acionado e eu olhei para ela dando a volta no automóvel - E para isso acontecer eu deixo de frequentar aquela boate.

Ela riu divertida, sabemos que não tem como nos encontrarmos novamente, mesmo que ela tenha ficado encantada com o cara que chegou perto dele depois. Eu não sei nada sobre ele e ele não sabe nada sobre mim e que o universo nos mantenha afastados do jeito que está, ele é muito convencido. Agrr.

Subimos com o elevador do estacionamento direito para o último andar, onde as reuniões costumam ser feitas. No penúltimo as portas se abriram e a Ana Paula que estava ao meu lado, agarrou no meu braço com um aperto significativo. Um homem muito bonito entrou com um sorriso cativante, seu terno estava impecável e dava para ver que ele frequentava bem a academia, seus olhos escuros como a noite, nos olhou e parou na minha melhor amiga que parecia hipnotizada por ele.

- Bom dia meninas!

- Bom dia! - Ana respondeu e eu apenas acenei levemente com a cabeça.

Enquanto ele entrou e se virou para a frente eu vi, vi um sorriso diferente em seus lábios, o que me fez semicerrar meus olhos...

- É ele! - Ana sussurrou no meu ouvido, que eu quase não ouvi

- Quem? - apenas movi meus lábios, para ela que entendeu perfeitamente

- O bonitão que estava com o seu assediador! - ela tentou sussurrar, mas a sua empolgação fez ele ouvir, eu tenho certeza, porque ele moveu um pouco a cabeça para o nosso lado.

- Não viaja Ana! - cutuquei ela, franzindo minhas sobrancelhas, enquanto sussurro

Ela se endireitou, mas não parava de sorrir. Oxe o que deu nela? Ana suspirou ao ouvir o ding do elevador e as portas se abriram

- Por favor, senhoritas! - o homem estendeu a mão para que pudéssemos sair primeiro do que ele.

- Obrigada! - Ana passou devagar e sorrindo olhando para ele, que retribuiu.

Já eu aproveitei essa oportunidade para passar por eles e esperar ela do lado de fora, foi quase uma eternidade para ela sair, quando finalmente ela saiu a porta do elevador ia se fechar e ele colocou a mão saindo também. Segurei no braço da minha amiga e caminhamos na frente dele em direção a sala de reuniões. Já havia várias pessoas chegando e isso me deixou um pouco menos desconfortável.

A sala é ampla com uma mesa enorme de vidro no centro, contendo vinte ou mais cadeiras, sentamos próximo a cadeira do ceo, ele pede pois somos diretoras financeiras, para ele fica mais fácil se comunicar com nós duas. Mas aí o cara que a minha melhor amiga ficou fascinada sentou na nossa frente do outro lado e não parava de olhar para ela, nem era para mim e eu estava desconfortável, deve ser porque eu não curto esse tipo de coisa, já ela com um sorrisinho estampado em seu rosto estava adorando.

Todos já estávamos sentados aguardando o ceo, com um silêncio ensurdecedor, eu percebi a Ana trocando sinais discretamente com o rapaz. Eu quase ri, mas me segurei. Quando percebi o ceo entrando ao lado da sua jovem secretária.

- Obrigado pela presença de todos, senhoras e senhores! Hoje esta reunião é muito importante para mim. - ele já é um senhor grisalho, mas que ainda aparenta ter muitos anos pela frente, ele se sentou na cadeira mais alta e uma ao seu lado ficou vaga - Como todos já sabem, eu estava pretendendo me aposentar, mas - ele sorri nos observando - Meu filho tem um certo amor pelo exterior e me deu um pouco de trabalho para trazê-lo para assumir o meu lugar.

Algumas pessoas riem, já eu senti um aperto no peito, nosso ceo é muito gentil e educado, ele fará falta, ele é muito fácil de lidar e comanda a empresa muito bem...

- Por fim em consegui, e apartir de hoje ele estará assumindo o meu lugar e espero que tanto ele quanto todos vocês se entendam - ele dá uma pausa emocionado - Espero que vocês não façam uma festa por eu ser um chefe carrasco - todos rimos, porque sabemos que não é verdade - Mas espero que saibam que sempre estarei por perto, apenas preciso descansar dos longos anos de trabalho e tirar algumas férias. E por fim meu filho está atrasado! - ele olhou no relógio e a Ana me cutucou de leve.

- Ele deve estar muito ocupado! Vindo do exterior. - ela sussurrou, assim que me aproximei discretamente.

- Ou um irresponsável, cheg...

Minhas palavras ficaram presas na minha garganta quando eu o vi entrando, não! Não pode ser. O mesmo convencido da boate.

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