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Entre o amor e o sangue - Na cama com o inimigo

Entre o amor e o sangue - Na cama com o inimigo

Autor:: Afrodite LesFolies
Gênero: Romance
Em um mundo sombrio e perigoso, Alessandro Montenegro Leone e Gabriella De Lucca se veem envolvidos em um casamento arranjado, unindo duas famílias poderosas da máfia. Porém, envoltos por segredos, rivalidades e uma paixão avassaladora, eles são levados a uma jornada repleta de tramas sinistras, decisões difíceis e um jogo aterrorizante. Agora, eles precisam decidir o que estão dispostos a sacrificar: o amor que os une ou o sangue que os aprisiona? ***Nota da autora: Venha ler meus outros livros *** Per sempre Mia - Um contrato com o italiano Bella Mia - Uma noiva por contrato Nos braços do Mafioso Um contrato perigoso - A esposa do Mafioso Senhor Arrogante - Amor sob contrato Senhor Comandante - O embarque do amor Entre o amor e o Sangue - Na cama com o inimigo A babá e o CEO - Reencontrando o amor

Capítulo 1 Prólogo

Seis meses antes.

Janeiro 2020

Alessandro Montenegro Leone

As batidas incessantes na porta estavam começando a me perturbar gravemente. Senti um corpo macio e voluptuoso se aconchegar ao meu, soltando um gemido sensual. Quando abri os olhos, deparei-me com a ruiva de curvas esculturais que havia me acompanhado na noite anterior. Ela estava sorrindo. Em seguida, percebi mãos delicadas percorrendo meu peitoral; ao ver as unhas pintadas de vermelho, recordei que pertenciam à loira alta de lábios irresistíveis.

A ideia de retomar as atividades prazerosas da noite passada me cruzou a mente, mas algum imbecil estava esmurrando a porta com uma urgência insuportável. Nesse instante, me perguntava por que diabos meus seguranças não estavam intervindo para evitar esse incômodo.

Nenhum deles ousaria tal afronta; sabiam quão profundamente eu detestava ser acordado assim. Desvencilhei-me dos toques das mulheres e me levantei da cama, completamente nu. Lancei um olhar pelo painel ao lado da porta para identificar o infeliz que se atrevia a me perturbar.

Era meu pai, acompanhado de seu fiel consigliere e do meu irmão mais novo. "Ma che cazzo!" – praguejei. Sem perder tempo, abri a porta. Enquanto meu pai olhava para mim com um semblante de horror, meu irmão Gael esboçava um sorriso cúmplice.

- Alessandro! Che cavolo fai, figlio mio... A reunião está prestes a começar e você está imerso nesta orgia.

Abri passagem para eles, enquanto meu pai, visivelmente irritado, gesticulava e resmungava em dialeto siciliano.

Rapidamente, apanhei minhas roupas do chão e vesti minha calça. Em seguida, dirigi-me à cozinha, observando meu pai adentrar o quarto e mandar, aos gritos, que as moças se retirassem.

Visivelmente assustadas, elas se vestiram às pressas e saíram de cabeça baixa, sujeitas ao olhar fulminante de meu pai e ao de luxúria de Gael.

- Basta! Não vamos mais procrastinar! Você vai ficar noivo ainda esta semana. Você é o meu sucessor e não pode continuar levando esta vida promíscua. Temos um código de honra para respeitar; um homem sem uma companheira digna ao seu lado jamais será respeitado, seja na família ou na máfia.

- Papa, os tempos são outros, a Itália mudou, a máfia também... - tentei argumentar, mas fui cortado.

- Somos uma das famílias mais veneradas da máfia italiana e assim continuaremos!

- Discordo das suas imposições e vou seguir a vida como bem entender. Já se perguntaram se a pretendida noiva está ao menos interessada?

Sabia que tinha ultrapassado os limites quando o tapa de meu pai aterrissou em meu rosto.

- Você me deve respeito, Alessandro, mesmo sendo um Capo respeitado, nunca esqueça que sou o patriarca desta família.

O ardor em meu rosto era quase simbólico, um lembrete das rígidas regras do mundo em que fui forjado. Negar minha herança seria o mesmo que negar minha própria identidade.

- Peço desculpas, Papa. Não foi minha intenção desrespeitá-lo. No entanto, ainda não concordo com esse casamento arranjado entre os Montenegro Leone e os DeLucca, tampouco com o curso que deseja impor à minha vida. Mas vou acatar sua vontade; assumirei minha posição de autoridade na máfia, mesmo que isso custe minha liberdade e felicidade pessoal.

- Você se acostumará. Foi para isso que te criei. Eu nasci para isso, e seus filhos também nascerão com esse destino. - Finalizou ele.

Ele me queria casado, não se passava em minha cabeça me render as regras impostas, meus planos eram outros e eu chegaria no topo como desejava era questão de tempo.

Meia hora depois ...

Ajustei o corte impecável do meu terno Armani, consciente dos olhares ávidos e inquiridores que convergiam sobre mim e Cesare. Éramos os herdeiros predestinados, os atores principais em um drama meticulosamente coreografado para unir inimigos de longa data.

O debate que permeava a sala tinha a tensão do pavio de uma bomba, esperando apenas a faísca certa para explodir. Em pauta estava o casamento arranjado de Cesare com Gabrielle DeLucca. A união pretendia acalmar as águas turbulentas de uma rivalidade que se arrastava por décadas, manchando o solo italiano com o sangue derramado em lutas fraticidas.

Em meio a esse emaranhado de interesses e tradições, um antigo rito deveria ser cumprido: a virgem de uma família entregue como oferenda, selando a paz ao perder sua inocência nas mãos do inimigo, acabando assim com a Faida, briga entre as famílias. Cesare era o escolhido, destinado a casar-se com Gabrielle. Mas a perspectiva me corroía; Gabrielle era mais que uma mera peça neste tabuleiro de poder e violência.

A repulsa me preencheu ao imaginá-la submetida a Cesare, e foi então que, movido por um impulso irracional, interrompi o debate com uma declaração audaciosa.

- Com todo o respeito, não posso concordar com o que está sendo feito aqui. - Falei, desafiando as sobrancelhas arqueadas e os olhares hostis, incluindo o de meu próprio pai. Don Raffaele, a autoridade incontestável da nossa família, silenciou a sala com sua voz dominante.

- Alessandro, você ousa questionar uma tradição que tem sido o pilar da nossa família e da nossa máfia por gerações? - Ele disparou, seus olhos como punhais apontados em minha direção.

Enfrentei seu olhar, sem recuar.

- Don Raffaele, as tradições têm o seu valor, sem dúvida. Contudo, permita-me lembrar que, conforme as próprias regras, deveria ser o primogênito solteiro da família inimiga a casar-se com a mulher da casa rival. Eu, por uma diferença de dois anos, detenho esse título, não Cesare. Gabrielle DeLucca, portanto, está irrevogavelmente destinada a ser minha esposa - retruquei com confiança, ignorando o olhar venenoso de Cesare e o alvoroço de vozes que se formou.

- Ela é minha, Alessandro! - Cesare exclamou, erguendo-se furioso, mas foi contido por meu tio.

O pai de Gabrielle, silente até então, parecia agora mais alarmado do que jamais estivera.

Don Raffaele levantou sua mão, silenciando a todos. Após ponderar a situação, proferiu sua decisão final.

- Alessandro, sua argumentação prevalece. Cesare, você irá acatar. E quanto a você, Alessandro, agora está oficialmente noivo de Gabrielle DeLucca. Você acaba de entrar no restrito círculo de homens que moldam o destino da máfia. - Declarou, sua voz soando definitiva.

Cesare, enfurecido, avançou em minha direção, mas Gael, meu irmão, interveio, impedindo qualquer eclosão de violência.

- Cesare, a palavra do Don é lei. - Afirmou meu pai, resolvendo a questão.

Don Raffaele instruiu que retirassem Cesare da sala, e a atmosfera carregada começou, enfim, a se dispersar.

Gael veio até mim, claramente preocupado.

- Você não ponderou todas as consequências, Alessandro. Sua decisão pode ter efeitos imprevisíveis. - Sussurrou ele, um véu de apreensão cobrindo seu rosto.

Mantive minha postura, percebendo que agora todos os olhares estavam focados em mim, especialmente o do patriarca dos DeLucca.

Não tinha certeza completa das razões que me levaram a agir daquela forma, tentava me convencer que seria uma vingança perfeita. Mas algo em meu íntimo sabia: na verdade, não poderia, não queria, ver Gabrielle nos braços de outro homem. Mesmo que ela fosse uma DeLucca, mesmo que a odiasse por isso, seu destino agora estava irrevogavelmente entrelaçado ao meu.

Capítulo 2 A boate

CAPÍTULO 1

"Em meio à tormenta entre o amor e o dever, questiono-me se poderei reconciliar essas duas partes de mim."

Julho 2020

Gabrielle De Lucca

O espaço era deslumbrantemente vasto, muito mais do que eu jamais poderia ter imaginado. Havia meses que eu ansiava por explorar aquela boate, mas meu pai jamais permitiria que eu me embrenhasse num antro como aquele. Especialmente considerando as circunstâncias que me cercavam atualmente. Olhei para minha mão trêmula e respirei fundo.

- Certamente você não está pensando em fugir agora, está? - Alice me lançou um sorriso enigmático, passando-me um coquetel delicado.

Não, eu não tinha planos de recuar. Desafiar a vontade de meu pai e me arriscar desta forma não seria em vão. Peguei a bebida da mão dela e bebi quase todo o conteúdo do copo, saboreando o ardor da liberdade temporária.

- Vim para me perder na noite e é exatamente o que farei. Retornar agora é inimaginável. - Com determinação, puxei minha amiga para a pista de dança, que fervilhava de energia.

Nesse instante, permiti que a música me arrebatasse. Esqueci minha identidade, minha linhagem, e mais importante, o destino sombrio que me aguardava em poucos dias. Porém, à medida que me perdia na melodia e observava os rostos anônimos ao meu redor, uma dor penetrante alastrou-se em meu peito.

- Você tem um ritmo impressionante. - Um sussurro inesperado fez-se ouvir em meu ouvido, me arrancando da minha introspecção.

Virei-me para encontrar o dono da voz profunda que me chamara. Um homem alto, loiro e de sorriso encantadoramente genuíno, que demorou um instante a mais avaliando meu decote.

- Obrigada. - Retribuí o sorriso, arriscando um flerte sutil.

Não tinha certeza se estava sendo convincente. Na verdade, eu me destacava das outras mulheres da minha idade. A maioria já tinha vivido aventuras sensuais que, aos vinte anos, são consideradas quase que um rito de passagem. Eu era uma anomalia, protegida e preservada para um destino específico: ser a esposa de um mafioso.

- Que tal nos conhecermos melhor na área VIP? Estou com alguns amigos lá...

Olhei ao redor e vi Alice a poucos metros, dançando com um homem que segurava firmemente sua cintura. Ela me deu um aceno de aprovação. Estava prestes a ceder ao convite do desconhecido, quando uma mão firme segurou meu braço.

- Você não tem o direito de estar aqui! - A voz de Alessandro soou como um trovão, fazendo o tempo parar ao meu redor.

Ele era imponente, o tipo de homem que intimidava apenas com sua presença. Não só por sua estatura e musculatura, mas também por sua posição como "Capo" da família Montenegro Leone. Ele era a definição do perigo, mas eu não me deixaria ser dominada por ele.

- Você não manda em mim. Tenho exatamente dois dias de liberdade e pretendo aproveitá-los. - Retruquei.

- Você já é minha, Gabrielle.

A raiva me consumiu. Fui dominada pelo impulso de esbofeteá-lo, mas ele segurou meu pulso antes que minha mão atingisse seu rosto. Alessandro se inclinou sobre mim, o calor de sua respiração misturando-se ao meu ar.

- Você já extrapolou os limites da audácia esta noite, Gabrielle.

- Se você teve a coragem de me seguir, saiba que não baixarei minha cabeça tão facilmente, por mais prudente que isso pudesse ser. - Disparei de volta, com olhos faiscantes.

Sem nenhum esforço, ele me ergueu e me colocou sobre seu ombro, saindo da boate como se eu fosse um troféu de caça. Ninguém com amor a vida tentaria impedi-lo, todos sabiam quem ele era.

Chegando ao seu carro esportivo estacionado na frente da boate, ele me colocou cuidadosamente no banco do passageiro e disparou:

- Seja boazinha e fique quieta.

Vários homens bem-vestidos cercavam o carro, armados sob os ternos finos e caros. Eu podia reconhecer essa característica de longe.

Rapidamente, peguei meu celular da bolsa e enviei uma mensagem cifrada para minha amiga. Quando ergui o olhar, Alessandro conversava com os homens à volta do carro.

Uma ruiva com um minivestido e maquiagem extravagante aproximou-se dele e o abraçou. Ele sussurrou algo em seu ouvido, e ela me olhou com indiferença.

Quando ele se afastou da mulher e se encaminhou para o carro, apressei-me em afivelar o cinto de segurança, tentando mascarar meu nervosismo.

- Quem te deu permissão para sair de casa? - ele perguntou, visivelmente irritado ao assumir o volante.

- Já sou adulta há bastante tempo.

Ele riu sarcástico enquanto acelerava para entrar na estrada. Alessandro era um Montenegro Leone, um assassino nato, cruel e impiedoso.

Mas era também devastadoramente atraente. A maioria dos homens de sua família possuía um charme fatal, mas ele era, indiscutivelmente, o mais belo. Ainda assim, eu o detestava.

Eu era uma mulher forjada na máfia, criada para aceitar um casamento arranjado. Ele poderia desistir, mas, ao contrário, parecia mais do que disposto a cumprir o pacto entre nossas famílias.

- Apenas aceite, Gabrielle. Será mais fácil para você.

- Vou ter que me casar com você, vou ter que tolerar sua vida promíscua...

Seu olhar se desviou da estrada por um segundo, fixando-se em mim com uma expressão de surpresa.

- Estudou a lição de casa, não é, querida?

- Precisamos conhecer nossos inimigos, especialmente se esse inimigo é um Montenegro Leone. Fui treinada para isso desde a infância.

O carro freou bruscamente a poucos metros da minha casa. Meu corpo estava tenso, mas me esforcei para não revelar nenhum sinal de medo. Alessandro desafivelou o cinto e inclinou-se sobre mim.

- Acredite... - ele disse, os dedos tocando levemente meus lábios. - ... também me repugna a ideia de me casar com uma De Lucca. Mas temos uma missão para cumprir, um pacto de sangue a honrar entre nossas famílias. Portanto...

Ele se aproximou, e por um momento eu senti o calor de seus lábios e a tensão em seu corpo poderoso.

- Desista disso. Não quero ser sua - implorei, buscando seu olhar gélido.

- Entenda, você já é minha. E a partir de agora, serei implacável. Você chegará virgem à nossa lua de mel. Respeite isso; o único sangue a ser derramado será o seu. A escolha de como acontecera é sua: ser possuída por mim com todo o prazer ou ser morta por um Montenegro.

Ele recuou com um sorriso sinistro, como se tivesse feito uma promessa romântica, quando, na realidade, acabara de me ameaçar.

A obsessão pela minha virgindade era quase mística, como se o sangue derramado em nossa noite de núpcias fosse selar uma trégua entre nossas famílias violentas. Era espantoso que Alessandro também compactuasse com essa tradição nefasta.

Ao chegarmos ao pátio da mansão da minha família, meu pai, meu tio e o consigliere de meu pai nos esperavam.

O olhar de desaprovação de meu pai foi como uma adaga em meu coração. Sem esperar que Alessandro dissesse mais nada, desafivelei o cinto e saí do carro.

- Buona Notte, Alessandro - meu pai disse, forçando um sorriso.

- Buona Notte, Giuseppe. Darei mais uma chance para você manter minha noiva em segurança. Se eu a encontrar vagando por aí novamente, vou reivindicá-la antes mesmo das bençãos e a colocarei onde é seu lugar: na minha casa, na minha cama.

Meu pai permaneceu em silêncio, mas meu tio logo mostrou sua subserviência ao homem que controlaria minha vida.

- Se acalme, Alessandro. Ela fugiu, mas isto não vai mais acontecer, garantiremos que ela esteja segura até o dia do seu casamento.

Alessandro nada respondeu a ele, seu olhar foi para mim.

- Fique segura e comporte-se. Nós nos veremos no altar - disse Alessandro, antes de se afastar.

Meu inferno estava apenas começando. A partir daquele momento, fui inundada por críticas e reprimendas da minha própria família.

Papai repetia que sentia muito, mas nada poderia fazer, a família precisava disto, daquele maldito casamento e não me restava alguma solução. Quanto mais eles falavam enquanto adentrávamos a casa, mais os meus pensamentos iam para o homem que quase tinha me beijado naquele carro.

Ele poderia ser sedutor, mas não passava de um assassino implacável e sem coração.

Capítulo 3 Casando-se com o inimigo

Dois dias depois...

Olhei mais uma vez para o espelho, desta vez sem chorar. Eu sabia que se casar com quem meu pai escolhesse era a minha sina. Mas eu jamais pensara que ele escolheria um Montenegro Leone.

No reflexo, minha irmã mais nova sorria tentando me encorajar e não tentar nenhuma fuga que me levaria a morte.

- Ao menos ele é muito bonito, talvez surja amor com o tempo... - ela falava em toda a sua inocência.

- Não fomos criadas para escolher o amor, temos que amar o que nos foi dado pela família. Discordo disto, mas aqui estou eu, cumprindo uma obrigação de família.

- Você pode ser feliz com ele, você sabe que ele poderia ter cancelado o casamento e ter feito uma tragédia em nossa família quando te encontrou na boate. Mas ele manteve a calma...

- Não seja inocente, Giada. Ele apenas adiou a minha punição. Ela vai acontecer depois do que ele conseguir o que quer. Além disso, ele estava lá com uma mulher, ele devia respeito a mim também...

A porta se abriu bruscamente e Alessandro entrou desfilando sua figura imponente, deixando até mesmo o ar a nossa volta alterado com sua energia dominadora.

- Preciso falar com a minha noiva...

- Perdão, senhor, mas ver a noiva antes do casamento pode dar azar...- tentou argumentar a cerimonialista.

Ele a ignorou, sorriu para minha irmã e enquanto caminhava em minha direção falou para elas:

- Saiam!

Relutante vi Giada sendo levada pela cerimonialista que não mais hesitou fechando a porta atrás de si.

Diante de mim, estava o meu futuro marido, e em sua expressão, era perceptível um certo desgosto em relação a mim naquela manhã.

O destino estava ao seu lado, pois o sentimento de antipatia era mútuo entre nós.

Alessandro permaneceu parado na minha frente, com as mãos nos bolsos da calça. Seu olhar intenso percorreu meu corpo, dando a sensação de que ele tinha o poder de me ver nua por baixo de todas aquelas camadas que me cobriam. Senti uma onda de calor invadir meu corpo, mas tentei não demonstrar nada. Desde a infância, aprendi a esconder minhas reações. Minha mãe me ensinou que mostrar emoções é sinal de fraqueza, principalmente no mundo da máfia, onde é preciso criar barreiras emocionais.

- Vou te dar uma última chance, Gabrielle. Quero a verdade! Você continuou pura para mim? - Alessandro questionou, com firmeza.

Tentei manter a calma e respondi: - Tenho ficado trancada nos últimos dias. Infelizmente, os seguranças do meu pai não são suficientemente atraentes...

Em questão de segundos, me vi presa em seus braços, pressionada contra a parede. Sua mão em meu pescoço apertava de uma maneira que me fazia arrepiar.

- Não brinque comigo. Eu sei do seu caso com Adamo! - Ele falou, com voz cheia de ameaça.

Ao ouvir aquele nome, tudo parou. Minha fraqueza foi exposta, apesar de meus esforços para controlá-la.

- O que você fez com ele? Ele não... não me tocou... - Parei de falar assim que seu olhar se estreitou. Eu tinha acabado de revelar o quanto Adamo significava para mim, e Alessandro estava testando meu envolvimento emocional.

- Não fiz nada com ele... ainda. Mas, se você sequer sonhar em continuar encontrando com ele, terei o prazer de acabar com seu caso. Em questão de minutos, você se tornará minha mulher e não tolero traições. Ninguém no nosso meio tolera. - Alessandro me respondeu, com uma voz ameaçadora.

- Se você vai seguir as regras da máfia, deveria lembrar-se da regra que diz que um homem capaz de trair a mulher com quem dorme, é capaz de trair qualquer um. Você estava com aquela ruiva na boate... - Retruquei, sentindo o aperto em minha pele aumentar e seu corpo se pressionar ainda mais contra o meu. Percebi seu volume, nada discreto, em suas calças. O canalha estava excitado.

- O que fiz antes do nosso casamento é um problema meu! Continuo solteiro até colocar uma aliança em seu dedo no altar. Não se preocupe, não seja ciumenta. Não vou procurar fora o que vou ter em minha cama. - Ele disse, arrogante.

Sem pensar duas vezes, empurrei-o com todas as minhas forças. Eu havia aprendido a lutar para me defender. Meu pai fez questão de me preparar para ser a esposa de um grande chefe da máfia. Eu sabia lutar, tinha conhecimento em armas. Sempre cumpri todos os meus deveres com dedicação, afinal, as aulas de etiqueta, dança e idiomas eram meus únicos momentos de liberdade.

No fundo, eu nutria esperança que seria livre um dia, mas ali estava eu com meu futuro marido com um olhar furioso por receber um empurrão da minha parte.

- Não vou arruinar este vestido, mas você está certa. O seu castigo maior começará no momento que estiver na minha cama. Te vejo no altar, querida.

Ele virou as costas e saiu calmamente como se tivesse apenas se aproximado para um beijo furtivo de um amante apaixonado.

Mas como em nosso primeiro encontro ele veio apenas me ameaçar, me intimidar e eu sabia que estava perdida.

Me perdi nos pensamentos e evitei falar com qualquer um que tentou interação comigo até a catedral de Santa Chiara. O lugar estava repleto de seguranças de Alessandro, provavelmente uma precaução no caso eu realmente tentasse fugir.

Não estava descartada a minha vontade fazer isto, mas eu sabia que as consequências poderiam ser dolorosas. Por tanto, ao som de "Ludovico Einaudi - Nuvole Bianche" dei meus passos para o meu destino.

Papai estava sério e não tentou me dizer nada, ele havia feito isto em casa e eu disse que ele quebrara a promessa que fizera a mamãe em seu leito de morte.

Ela o fez prometer que ele garantiria a felicidade minha e de Giada. Eu jamais seria feliz naquele casamento, ele sabia disto. Mas não estava disposto a ir contra a vontade da máfia.

A igreja estava lotada das famílias mais importantes da Itália, mafiosos, políticos e celebridades, todos envolvidos em negócios escusos.

Alessandro estava com um sorriso genuíno nos lábios, o que me deixava ainda mais irritada e frustrada. A tensão no ambiente se misturava a uma falsa alegria e promessa de paz.

Sorri como me foi ordenado fazer, fingi o meu melhor, mas, no fundo, eu estudava mil modos de matar Alessandro na nossa noite de núpcias e segui pensando isto até o maldito Sim.

Na hora dos votos, as palavras de Alessandro e seu olhar intenso sobre mim quase me fizeram acreditar. Ele era realmente um bom ator.

"Foi ao acaso que nossos caminhos se cruzaram e agora estamos unidos. Posso não ser a escolha ideal para você, mas serei a melhor experiência que já teve até o último suspiro dos nossos dias. O amor nasce nos detalhes e se fortalece no compasso da rotina, acredite, minha amada. Não haverá outros braços onde você desejará estar. Lembre-se sempre: eu e você, entrelaçados pela eternidade."

Tudo aquilo poderia ser uma ameaça velada, um aviso de que eu seria sua propriedade até o final dos meus dias. Não foi possível disfarçar as lágrimas de emoção, pois elas desceram pela minha bochecha, mas eram de ódio e frustração.

Era a minha vez dos votos e eu havia sido obrigada a decorar um maldito texto. Olhei para os olhos penetrantes de Alessandro e comecei a dizer:

"Não poderia ter feito uma escolha melhor na minha vida do que você, meu amor. Sua força interior, seu amor incondicional e a certeza de que será um pai exemplar para os nossos filhos enchem meu coração de gratidão. Sinto-me verdadeiramente abençoada por..." - parei de falar aquela inverdade.

Alessandro, percebendo o quanto eu tremia, sorriu e depositou um beijo em minha testa. Olhando para todos, ele disse:

- Minha amada está emocionada, continuemos. - Ele olhou para mim e falou: - não precisamos de mais palavras, querida. Sei exatamente o que se passa no seu coração.

Todos mostraram emoção e admiração por suas palavras convincentes, para mim elas eram apenas mentiras no meio das tantas que nos cercavam.

Quando o padre nos declarou marido e mulher o meu coração disparou, era hora que mais temia de todo aquele teatro.

Alessandro, com maestria e uma sedução envolvente, envolveu minha cintura, puxando-me para perto dele. Seus lábios ardentes deslizaram suavemente sobre os meus. Por mais que eu jurasse para mim mesma que não os abriria para ele, foi a primeira coisa que fiz ao sentir sua presença. A sincronia das nossas línguas fez com que qualquer pensamento racional que eu tivesse desabasse, pois ali estava a química, o desejo, tangíveis e avassaladores.

Ele emanava sedução, e meu corpo me traía descaradamente. Quando ele se afastou, segurou firmemente minha mão, sorriu provocadoramente e caminhamos juntos para fora da igreja, recebendo as felicitações dos convidados. A partir daquele momento, eu era Gabrielle Montenegro Leone, sua esposa, e em breve me entregaria completamente a ele.

Em algum momento seu irmão falou algo em seu ouvido e ele segurou a minha mão me levando para o carro que nos esperava. Dessa vez, ele não iria dirigir, mas me ajudou a entrar no carro e logo em seguida entrou.

Quando o carro deu partida, ele levantou a divisória que separava o condutor de onde estávamos. Seu olhar caiu sobre mim se fixando em meus lábios que ainda ardiam por seu beijo.

Eu tinha sentido todo aquele calor entre nós, eu não poderia negar e eu tinha certeza de que ele também percebera isto.

- Ficaremos na festa por um período limitado e, logo após, partiremos para a residência da minha família. Não cometa nenhuma besteira, algumas coisas podem sair do controle na festa e um massacre aconteceria. Portanto, permaneça com seu teatro, sendo a bela mentirosa que você é.

A maneira como ele falou aquilo não poderia me deixar mais irritada, eu não estava mentindo sobre o meu ódio, nem sobre o desprezo de ter me tornado sua esposa.

- Acho que somos os dois mentirosos, você recitou bem...

Ele se movimentou rapidamente como das outras vezes, mas desta vez eu me vi deitada no banco do carro com ele sobre mim.

Vi seu olhar assassino quando seus lábios invadiram os meus novamente, sua língua de encontro com a minha novamente me enlouqueceu e involuntariamente eu gemi.

Ele empurrou seu corpo ainda mais no meu e novamente eu senti o quanto ele estava duro. Ele se afastou e com um sorriso presunçoso disse:

- Sua boceta pode ser virgem, mas de inocente você não tem nada. Já esteve na cama de outro homem. Não existe nada que eu não descubra, esta cidade está em sua grande maioria sob o comando dos Montenegro Leone. Não se esqueça disto.

- Você é um grosso, um idiota...

- Você está excitada, está visivelmente me desejando. Não vai ser difícil nossa noite. - Ele alisou a minha perna indo perigosamente para entre elas.

Arfei sob seu toque, a cada segundo eu queria pedir para ele parar.

- Canalha...

Ele sorriu, continuou lentamente, mas o carro parou e ele rapidamente se afastou dando uma piscadinha para mim.

Respirei fundo, eu sabia o que fazer com ele naquela noite. Ele me pagaria por tudo, o sangue derramado não seria o meu.

A festa foi exatamente a extensão do teatro que fizemos na igreja, todos sorriam e nos admiravam. O problema era que a cada toque de Alessandro na minha pele eu tremia, mas infelizmente eu ainda não conseguia decidir se era de ódio ou puro desejo.

Quando chegou o momento da dança dos recém-casados, elegantemente o meu marido me levou para o centro do salão luxuoso e colou o seu corpo no meu.

Alessandro com certeza tinha por volta de 1,90 e eu com salto não alcançava 1,65, ele movia o meu corpo sem dificuldade e eu quase não precisava me movimentar.

Ele tinha escolhido a música, obviamente nunca tínhamos ensaiado, mas tudo estava acontecendo a perfeição.

A música que estava tocando era Constantemente Mia do grupo Il Volo. O desgraçado estava me provocando cantarolando em meu ouvido e mantendo o seu sorriso cafajeste em seus lábios perfeitos.

- "Eu te encontrei nas ondas do destino. E desde então, tudo mudou em mim. Constantemente minha." - ele sussurrava.

Quando a música acabou ele me curvou para trás e me beijou, eu não ofereci resistência e correspondi com a mesma intensidade, o que fez todos a nossa volta gritarem e assoviarem. Momento em que nos afastamos, parecia que tínhamos perdido a noção do tempo daquele beijo e pela primeira vez vi os olhos de Alessandro com um brilho diferente do que eu tinha visto até ali.

- Preciso ir ao banheiro. - Eu disse, quebrando o nosso contato visual e seguindo em direção aos banheiros sem esperar por uma resposta.

Eu demorei alguns minutos ali dentro, alisei o colar que eu carregava no pescoço, tinha sido de minha mãe e seria ele que me ajudaria naquela noite.

Quando sai do banheiro, vi de relance Alessandro descendo por uma parte do jardim se afastando da festa. Sem pensar, eu o segui, evitando ser vista pelos seguranças que estavam por toda a parte. Não foi difícil ver o meu querido esposo falando com uma mulher tão alta quanto ele, os seus cabelos ruivos me fizeram lembrar que ela já era uma velha conhecida.

Me amaldiçoei não estar com um celular para gravar o maldito. Estava esperando-os se agarrarem, se beijarem. Mas ela parecia desesperada e ele implacável permaneceu parado a sua frente.

Não consegui ouvir nada, pois não poderia me aproximar, mas percebi que ela chorava. Ele tirou o telefone do bolso e segundos depois a mulher estava cercada por seus seguranças, enquanto Alessandro voltava para a nossa festa, ela foi levada para longe.

Gelei, ele teria mandado matarem a sua amante? Ou talvez teria apenas a afastado para manter sua índole de mafioso tradicional.

Apressei meus passos do lado oposto do jardim, ele não poderia me ver. Corri um pouco, mas cai, momento este que sapatos elegantes pararam na minha frente.

E ali estava o segundo homem mais poderoso da Itália, meu pai estava no terceiro posto, por isto eu estava ali. Acima deles apenas Don Raffaele.

- Cuidado, criança. Onde estava? Pretendia fugir do seu esposo? - O pai de Alessandro me encarava enquanto estendia sua mão para mim.

Em um dos seus dedos o anel que eu tanto odiava, uma grossa cabeça de leão toda em ouro, a marca dos assassinos Montenegro Leone.

Eu me esquivei de sua mão vendo seu olhar reprovador e me levantei ajeitando o meu vestido e meus cabelos.

- Eu apenas me perdi quando sai do banheiro, vou procurar Alessandro...

- Estou bem aqui. - A voz do meu marido estava em minhas costas.

Ele segurou a minha cintura e encarou o seu pai que o observava como se soubesse que o filho estava fazendo algo errado.

- A festa acabou para os dois. Leve sua esposa para a casa e consume este casamento Alessandro. Está na hora disto acabar. Você sabe o que tem que fazer logo em seguida.

- Sim, papa. - Respondeu secamente.

O meu coração gelou, ele realmente me forçaria a transar com ele? Eu não sabia muito sobre este ritual, mas sabia que a prova que ele tirou a minha virgindade deveria ser exposta para todos verem. Seria isto o que eles falaram? Eu não confiava naquela família e eu estava pronta para tudo, talvez a ordem fosse me matar de alguma maneira.

Eles eram bons nisto, muitas vezes assassinavam e faziam parecer acidente. Eu agora viveria com monstros e dormiria na mesma cama com o mais perigoso deles.

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