**PRÓLOGO - O JOGO COMEÇA ANTES DO TOQUE**
Alguns homens passam pela vida de uma mulher de maneira sutil, como uma brisa suave que mal movimenta as folhas caídas no chão. Outros, contudo, chegam com toda a força de uma tempestade, arrombando portas, arrancando telhados e mudando completamente a trajetória da vida. Maximiliano não apenas fez uma entrada; ele invadiu.
Desde muito jovem, aprendi a ser cautelosa. Fiz uma promessa a mim mesma de nunca mais me entregar ao amor. Para mim, coração era sinônimo de fraqueza e promessas eram armadilhas. Havia sobrevivido a dor suficiente para compreender que amar também significa expor a jugular a uma lâmina afiada. E eu não desejava mais lâminas. Nunca mais.
Mas então, ele surgiu.
Um homem marcado por excessos. Dono de uma reputação que foi construída em noites tumultuadas de luxo, em camas desordenadas e gemidos que não eram de ninguém em particular. Max. O predador que nunca caía na sutileza da caça. E, com minha presença, a situação não foi diferente. O jogo dele colidiu com o meu, e a inevitabilidade desse impacto foi inegável.
A primeira vez que nossos olhares se cruzaram, o tempo pareceu parar.
Não houve palavras, não existiu sorrisos. Apenas uma tensão palpável. Um choque silencioso que se espalhou pelo ambiente como a eletricidade que precede a queda de um raio.
Maximiliano não precisava pronunciar uma palavra. Seus ombros largos, o terno escuro que parecia esculpido para o seu corpo, e a boca que exalava luxúria mesmo em silêncio falavam mais do que qualquer verbalização. Era do tipo de homem que não pedia permissão. Ele tomava o que desejava.
Tentei desviar o olhar. Virei o rosto.
Mas o corpo não engana. Meu coração pulsava descompassado. Minha pele ardia apenas com a lembrança do seu perfume. Sentia-me como se estivesse sendo observada, dissecada, como se cada movimento meu fosse estudado por ele, como se soubesse me ler sem a necessidade de folhear um livro. Isso me deixava nervosa, excitada e, de certa forma, irada.
Maximiliano era perigoso.
Não apenas pelo poder que possuía, mas pela maneira como me desmontava em silêncio. Cada passo que ele dava na minha direção era como um cerco se fechando. Cada olhar que trocávamos era uma ordem muda, um comando que não precisava de voz para ser seguido.
Mas eu não era qualquer mulher.
E foi nesse embate de olhares e provocações que percebi: não era apenas eu quem estava em risco.
Por trás daquela demonstração de domínio, havia algo oculto. Uma fenda. Um segredo.
Consegui notar a sombra da rendição nos olhos dele.
Max pode parecer incontrolável. Carregar a fama de ser o senhor do prazer, o rei do pecado, o governante da luxúria. Contudo, por trás de toda essa muralha existia um homem que tremia não de medo, mas de desejo.
Foi nesse momento que compreendi: a batalha já havia começado.
Não uma luta armada, mas uma guerra de vontades. Ele procurando me dominar. Eu desafiando seus limites. Ele me cercando, eu buscando a fuga. Cada aproximação era um duelo. Cada palavra trocada, uma promessa insidiosa de poder.
E, no fundo, sabíamos: em algum momento, essa corda acabaria se rompendo.
Não haveria um romance sereno. Não haveria espaço para a inocência. Apenas fogo, pecado e rendição.
E eu, Jamile, que havia prometido a mim mesma não me entregar tão facilmente, comecei a perceber que talvez meu maior poder não fosse a resistência mas sim reconhecer o instante exato para ceder.
O destino já estava traçado: em algum momento, eu me deixaria cair nas chamas ao lado dele.
A questão não era se isso aconteceria mas sim quando.
E, principalmente: quem se queimaria primeiro?
**NOTA DA AUTORA**
Querida leitora, antes de você se aprofundar nesta narrativa, é fundamental que eu te faça um alerta: este livro não foi elaborado para ser lido de maneira despreocupada. Ele foi criado para ser sentido na essência, para te envolver e te transportar a um universo onde o prazer e a dor dançam em perfeita harmonia, onde a dominação e a submissão se entrelaçam até não restar nada além de uma chama ardente.
✨💋 *ENTRE O COMANDO E A RENDIÇÃO* 💋✨ é muito mais do que um simples romance erótico. É uma verdadeira obsessão. Aqui, não se encontra o estereótipo do amor sereno, da paixão suave e previsível. Em cada página, você vivenciará um confronto. Cada capítulo servirá como uma provocação. Cada interação entre Jamile e Maximiliano é um embate de corpos, uma batalha de vontades, uma explosão de gemidos, onde os limites são ultrapassados.
Jamile fez um voto de nunca mais se entregar ao amor. Carrega em si cicatrizes que a tornaram uma muralha intransponível. Mas, então, Maximiliano aparece um homem envolto em excessos, luxúria e celebrado por dominar qualquer mulher que cruza seu caminho. O que poucos conhecem é que, sob sua imagem de controle absoluto, existe um homem que treme ao se render.
É nesse cenário que o jogo começa. Jamile descobre o gosto proibido de estar no comando, enquanto Maximiliano experimenta o prazer devastador de se submeter.
💋 Correntes, ordens invertidas, gemidos profundos, noites de transgressão.
💋 O limiar entre dor e prazer se esbate até se tornar um vício.
💋 Domínio e submissão se revelam como duas faces da mesma moeda.
Aqui, você encontrará um Maximiliano arrogante, que se considera o senhor de tudo: do prazer, do controle, da luxúria. Um homem que jamais aprendeu a ouvir um "não", que carrega em sua presença a implacável aura de um predador.
Você também conhecerá uma Jamile forte, que não se submete nem mesmo diante dos olhares mais intensos. Uma mulher que transformou suas dores em fortaleza, moldando sua própria pele como um escudo, entendendo desde cedo que a verdadeira submissão só ocorre quando feita por escolha.
Dois opostos que se atraem e se desafiam como fogo e gasolina. Dois corpos destinados a colidir até que a explosão ocorra.
A pergunta que reverbera a cada página é simples, mas cruel:
Quem se renderá primeiro?
Ela, utilizando seu poder de inverter as situações, ou ele, determinado a dominar tudo ao seu redor?
Esse confronto transcende o físico. É um duelo psicológico, visceral e erótico. Prepare-se para noites em que cada gemido representa um desafio, cada beijo se transforma em uma batalha e cada rendição é um triunfo.
📖 O capítulo de degustação está logo adiante.
📅 E a partir do dia 20, atualizações diárias te prenderão, consumirão suas ideias e deixarão você implorando por mais.
💋 Não há espaço para neutralidade neste campo de batalha.
Ou você se deixa consumir pelas chamas... ou nunca mais verá o prazer da mesma maneira.
🔥 Este é o seu convite. Este é o vício. Este é o começo do fim. 🔥
E um último aviso: não espere nada de suave, pois aqui não há amor inocente.
🔥 Aqui, existe apenas fogo. Apenas pecado. Apenas rendição. 🔥
Então... você está pronta para começar?
**JAMILE - CAPÍTULO 1**
*(antes de Brasília, só eu, do começo até agora)*
Olá, meu nome é Jamile.
Meu cabelo é tão negro quanto uma noite sem lua, liso e pesado, caindo em cascata até a cintura, sempre parecendo ter pressa de tocar o chão. Minha pele, marcada pelo calor do sol, possui um dourado persistente que resiste à passagem do tempo, mostrando que o sol me deixou suas marcas. Minhas sobrancelhas são grossas e imponentes, como se fossem a moldura de um quadro que não pediu licença para existir. Minha boca, cheia e vibrante, quase sempre decorada com um batom em tons de pêssego, reflete que aprendi a parecer pronta, mesmo quando o cansaço tenta me derrubar.
Quando prendo meu cabelo em um rabo de cavalo alto, não é por vaidade; é como se fosse uma bandeira, um grito por foco e disciplina. É um lembrete que carrego comigo todos os dias: nada me quebra sem luta.
Ouso dizer que meu perfume é suave, minhas roupas, firmes. Uso uma saia que valoriza minha silhueta e uma camisa justa que não se desculpa por ocupar espaço. Meu relógio é discreto, e uso salto médio. Cada detalhe em meu vestuário carrega uma mensagem. Não nasci forte; tornei-me forte.
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**Os 12 anos que me partiram ao meio**
Meu mundo se despedaçou cedo. Eu tinha apenas 12 anos quando perdi meus pais em um trágico acidente de carro. Era um sábado qualquer, até o telefone tocar e a correria tomar conta da sala, envolvendo tudo em um silêncio pesado. A cena do par de chinelos do meu pai virados na porta da cozinha ficou gravada na minha memória uma lembrança banal que se transformou em uma cicatriz incurável
Durante o velório, estive em choque total. Não derramei uma lágrima sequer; meu corpo parecia ter esquecido como chorar. Mas três dias depois, numa manhã fria, desabei no azulejo da casa da minha avó. E foi no colo dela que recebi minha primeira lição importante:
"Chora, minha filha. Água parada apodrece."
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**O colo que me reergueu**
Meus avós, Vó Zuleide e Vô Agenor, tornaram-se o meu universo. Ela, pequena e firme, era capaz de preparar verdadeiros milagres na cozinha com apenas farinha e sal. Ele, um homem de costas largas e sabedoria em frases incisivas, dizia: "Não deve, não teme." Essas palavras se tornaram a minha primeira constituição moral, muito antes de eu conhecer os textos legais.
Aos 13 anos, já conseguia cozinhar arroz soltinho e atravessar a cidade de ônibus sozinha. O vazio deixado pela saudade se manifestava em simples momentos, como o cheiro do travesseiro. Meu avô costumava me buscar na escola com pães de queijo embrulhados em guardanapo e café numa garrafinha: "Pra não estudar de barriga vazia."
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**Adolescência como trincheira**
Com 14 anos, percebi que responder "NÃO "a uma pergunta não era ser ríspida era um ato de defesa. Aos 15, eu me tornei aquela aluna que emprestava canetas e oferecia ombro amigo para amigas que choravam. Li Carolina Maria de Jesus antes de pegar em um livro sobre a Constituição. Rapidinho compreendi que tanto ela quanto a Constituição falavam sobre o mesmo assunto: dignidade e sobrevivência.
Aos 16 anos, desenvolvi meu ritual de resistência: unhas bem feitas numa sexta-feira, óleo no cabelo, escrivaninha sempre organizada. Olhando-me no espelho, repetia para mim mesma: "Você vai sair daqui com um diploma."
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**O amor que virou cicatriz**
Eu realmente desejava acreditar no amor, e aos 17 anos, me deixei levar pela crença, mas, infelizmente, de forma errada.
Ele se chamava Gustavo: bonito, inteligente e com um sorriso acessível. Nos primeiros momentos, era tudo carinho flores furtadas do vizinho, mensagens trocadas na calada da noite e promessas ingênuas anotadas em cadernos. Mas logo percebi que promessas podiam se transformar em correntes pesadas.
O que começou como cuidado logo se transformou em cerco. "Onde você está? Com quem está? Por que demorou a responder?"
A primeira vez que ele levantou a voz, engoli em seco. Na primeira vez que segurou meu braço com força, desculpei seu ato. E na primeira vez em que me empurrou contra a parede, menti para mim mesma.
Porém, quando consegui dizer "não", ele não ouviu. Não ouviu meu choro, minha raiva ou nada que tentasse expressar. Aquele episódio se tornou uma tatuagem na minha alma. Aprendi de maneira dolorosa que amor mal dado pode ser sinônimo de agressão, invasão e a pior forma de prisão.
Decidi, então, fazer um pacto comigo mesma: nunca mais seria refém. Minha pele se tornou uma muralha, e meu coração, uma fortaleza. Aprendi a dizer "não" em um piscar de olhos, e entendi que a submissão só existe quando é uma escolha consciente.
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**A obsessão pelo diploma**
Com 17 anos, consegui passar no vestibular, mesmo estudando em uma mesa de plástico, com a panela de pressão apitando e o vizinho ouvindo música alta. Escolhi Direito. Quando vi meu nome na lista de aprovados, foi como se eu pudesse ouvir a voz da minha mãe novamente, apenas que agora ressoava na alegria da minha avó, que chorava emocionada. Meu avô, por sua vez, fez questão de disfarçar os olhos marejados.
Na faculdade, transformei-me em aço. Aos 18 anos, fiz minha primeira petição em um júri simulado. Com 19, estagiei na defensoria pública, onde conheci histórias de mulheres fugindo de maridos violentos e crianças tratadas como mercadorias pelo sistema. Observei tudo isso, absorvi a intensidade e deixei que a raiva se tornasse combustível para minha luta.
Com 20 anos, já era responsável por pagar contas, ajudava em casa e carregava meu superpoder: a capacidade de detectar alguém egoísta em apenas três frases. Aos 21, recusei um amor insinuante antes que ele se tornasse uma nova prisão. Anotei no meu caderno: "O amor que vale a pena não te maltrata."
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**O corpo da mulher e a armadura**
Aos 22 anos, adquiri meu primeiro terno preto. Não se tratava apenas de tecido; era uma armadura. Ingressando em uma ONG dedicada a orientar mulheres, ouvi relatos que cortavam como faca e refletiam realidades cruelmente dolorosas. Comecei a entender que a lei não é apenas uma coleção de artigos.
Aprendi a dançar sozinha enquanto arrumava a cama, a rir alto sem pedir licença, a ser prática sem perder a poesia que habita em mim.
Sou filha da tragédia e neta da sobrevivência. Sou uma mulher de aço.
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**A Virada: Brasília**
Um certo dia, um professor me indicou para um grande escritório na capital do país. Ele me disse que eu tinha sabedoria e coragem. A boa notícia chegou em uma terça-feira. Na quarta-feira, já comecei a me organizar: tinha que encerrar meu estágio, separar documentos importantes, procurar um novo apartamento, levar o terço do meu avô, o retrato dos meus pais e o brinco da minha aprovação.
Na despedida, tivemos um jantar simples, mas cheio de afeto: arroz, feijão grosso e bife acebolado. Minha avó sorriu ao me ver partir e meu avô ergueu uma garrafa de Coca-Cola, brindando à minha nova jornada. Ele me disse: "Vai em frente. A estrada se faz ao andar. A gente empurra daqui com bons pensamentos."
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**Partida**
Organizei minha vida em caixas, levando apenas o que era realmente essencial: minhas lembranças, os ossos da minha história, e uma boa dose de disciplina. Fiz as unhas de vermelho, como um lembrete da força que carrego. Olhando para o espelho, escrevi com batom: "Guerreira de esmalte em dia." Uma declaração sobre a mulher que sou e como enfrento os desafios.
Na última noite antes de partir, sentei-me no quintal com meus avós. O céu estava cheio de estrelas, e eles contaram, mais uma vez, como se conheceram em um forró. Rimos juntos, e percebi que o amor pode ser isso: a repetição de histórias que, mesmo contadas várias vezes, nunca perdem a magia.
Na manhã seguinte, preparei-me para a viagem com um revigorante banho frio, seguido de um hidratante de baunilha que deixava minha pele suave e perfumada. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alto e vesti uma saia creme, uma blusa preta e um scarpin que ainda estava sendo parcelado. Passei um batom pêssego, dando um toque alegre ao meu visual. Minhas malas estavam prontas, apenas aguardando o momento da partida.
Enquanto me preparava para deixar a casa, minha avó colocou um biscoito de polvilho na minha bolsa e disse: "Quando a saudade apertar, mastigue devagar." Uma frase simples, mas que carregava um profundo significado. Meu avô, sempre pragmático, me entregou um maço de notas dobradas e disse: "Para imprevistos." Um gesto de cuidado para o desconhecido que estava por vir.
No portão, as lágrimas vieram sem que eu sentisse vergonha. Enquanto o carro começava a se afastar, tudo à minha volta parecia encolher: a rua, as casas e meus avós se tornaram pequenos pontos no retrovisor. Mas eles sempre estaríamos presentes em meu coração.
Na rodoviária, o ar estava impregnado com o aroma do pastel frito e a correria das pessoas ao redor. Mastiguei um biscoito lentamente, e o sabor me transportou para a minha infância, um tempo de segurança e inocência. Pela primeira vez, percebi que o futuro tinha o gosto de algo que poderia temperar do meu jeito.
Subi os degraus do ônibus e encostei a testa na janela, observando o mundo lá fora. Brasília me esperava.
Ainda não havia chegado ao meu novo destino, mas era exatamente nesse espaço intermediário que eu desejava estar: no meio do salto, confiante de que não cairia. Não estava caindo; estava pousando.
Eu sou Jamile.
E a partir de agora, a história é inteiramente minha.
**MAXIMILIANO**
Meu nome é Maximiliano Andrade, e tenho 35 anos. Sou um homem com 1,87m de altura, possuo ombros largos e costas robustas, resultado de um corpo esculpido na disciplina da academia, mas moldado muito antes disso, suportando o peso de responsabilidades que me foram impostas desde jovem. Minha pele é morena, marcada pelo sol e pelas lutas que enfrentei ao longo da vida. Uso uma barba cerrada, sempre bem aparada, que complementa meus olhos escuros e profundos, capazes de intimidar alguém antes mesmo de eu pronunciar uma única palavra.
Costumo adornar-me com correntes de ouro, relógios de marcas renomadas e ternos sob medida - não como meros enfeites, mas como símbolo do que conquistei. Cada detalhe visível em meu corpo é um reflexo do legado que construí: herança, triunfos, e a imposição de meu domínio.
Geralmente, visto roupas pretas. Uso uma camisa social com os primeiros botões abertos, calças alinhadas e sapatos que fazem barulho antes do meu primeiro passo. O perfume que aplico é amadeirado e permanece no ar mesmo após minha saída. Não se trata apenas de moda, é a minha assinatura pessoal. Quando entro em qualquer ambiente, tenho certeza de que serei notado; a presença não se pede, ela se impõe.
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**Infância de mármore e ferro**
Nasci em um berço sólido, construído em ferro e mármore. Meu pai, Roberto Andrade, é um advogado criminalista de renome, respeitado e temido nos tribunais. Minha mãe, Helena, representa um equilíbrio raro: enquanto ele me preparava para triunfar, ela me lembrava da importância da bondade, ensinando que poder sem compaixão é um vazio sem sentido.
Durante minha infância, não me faltava nada materialmente. Porém, a disciplina foi algo que sempre esteve presente. Enquanto outros garotos da minha idade jogavam bola na rua, eu ficava em casa ouvindo meu pai debater sobre jurisprudência com seus colegas. Com apenas 10 anos, já tinha noção de termos como habeas corpus. Aos 12, folheava o Código Penal com a mesma curiosidade com que outros liam gibis. Meus entretenimentos eram observar audiências e meus brinquedos, livros.
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**Adolescência forjada sob pressão**
Minha adolescência foi como uma fornalha. Enquanto meus amigos saíam para festas, eu me dedicava aos estudos, absorvendo o que era aprendido em retóricas. Enquanto outros aprendiam a dirigir, eu aprendi a sustentar um olhar firme, sem desviar o olhar.
Meu pai não aceitava erros. Ele sempre disse: "O sobrenome Andrade não se arrasta, Maximiliano. Ele precisa ser imposto." Notas abaixo de nove eram motivo para sermão. A fraqueza era vista como sinônimo de vergonha. Nesse ambiente, aprendi duas lições valiosas: perfeição não é uma escolha, mas sim uma obrigação, e confiança é uma moeda rara.
Essa criação serviu como uma blindagem para mim. Desde cedo, mesmo cercado de pessoas, eu me sentia raramente próximo de alguém. Fui moldado para vencer, e não para me abrir emocionalmente.
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**O caminho inevitável: Direito**
Aos 18 anos, ingressei na faculdade de Direito. Não foi uma escolha; foi um destino traçado desde sempre. Durante esse período, minha reputação de arrogante se consolidou. Talvez eu realmente fosse arrogante; enquanto outros se preocupavam em passar de semestre, eu já idealizava estratégias para desmantelar testemunhas no tribunal. Meu foco não estava em simplesmente acertar questões, mas em dominar a sala de aula.
As mulheres sempre me notaram. Eu exalava charme, postura e poder, e elas se aproximavam de mim. No entanto, nunca me permiti ir além do necessário. Mantive relacionamentos curtos, mas vivia noites longas; a cama sempre foi um terreno fácil de explorar, mas o coração nunca me pareceu a mesma coisa.
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**Primeiros passos no tribunal**
Aos 22 anos, comecei minha carreira em escritórios de advocacia pequenos. Recusei-me a usar o peso que meu sobrenome carregava para abrir portas; queria provar meu valor por conta própria. Aceitei casos complicados: furtos, brigas de bar e clientes sem um tostão no bolso. Foi nesse contexto que aprendi que no tribunal não se vence apenas com a lei; o triunfo é alcançado também por meio da presença, da voz firme e do nervo.
Aos 25, assumi meu primeiro grande caso: um empresário acusado de fraude fiscal. A imprensa já o considerava condenado antes mesmo de entrar no tribunal, mas eu consegui inverter o jogo. Quebrei testemunhas durante o interrogatório, evidenciei falhas que ninguém havia notado e utilizei o silêncio como uma arma. O resultado foi uma vitória impactante.
No dia seguinte, meu nome estampava as manchetes. "Calculista, frio, manipulador." E eu sorri, porque sabia que o Direito não é um altar, mas sim uma arena. A reputação é como uma lâmina: quanto mais afiada, mais efetiva.
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**O peso do sobrenome**
Aos 30 anos, meu pai se afastou da advocacia. Após décadas nos tribunais, decidiu viajar ao lado da minha mãe. O escritório passou a ser de minha responsabilidade, não como um presente, mas como um desafio a ser superado. Não bastava carregar o nome Andrade; eu precisava provar meu valor e capacidade de ir além de seu legado.
Hoje, aos 35 anos, sou diretor de um dos escritórios de advocacia mais respeitados de Brasília. Represento políticos, empresários e aquelas pessoas que nunca podem se dar ao luxo de perder. A cada audiência em que entro, sei que o jogo só termina quando eu decido que terminou.
Respeito e medo: coleciono os dois sentimentos.
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**Vida pessoal: terreno de caça**
Nunca me casei, e não pretendo fazê-lo. Para mim, o casamento é como uma cela de grades douradas. Prefiro a liberdade.
Meu mundo pessoal é simples: trabalho árduo durante o dia e busco minhas válvulas de escape à noite. Mulheres, whisky e sexo sem promessas. Não sou do tipo que se esconde; não engano ninguém. Desde o início, deixo claro que comigo não há espaço para para sempre.
Vivo entre boates, hotéis e encontros efêmeros. Meu nome é conhecido, meu número de telefone está nos celulares de muitos, e meu perfume permanece nos lençóis de minhas conquistas. Porém, nunca me permito ir além de uma única noite, nunca mais do que o essencial. O prazer é meu território de caça, e eu sei como dominar cada centímetro dele.
Alguns me rotulam como frio, outros me chamam de garanhão. A verdade? Sou ambas as coisas. Tenho sangue quente, mas uma cabeça fria.
Dou prazer como quem possui a fórmula exata do sucesso, mas não me deixo cair na armadilha do apego.
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**O homem de agora**
Maximiliano Andrade: 35 anos, advogado, proprietário de um verdadeiro império jurídico. Um homem que comanda reuniões, que conquista tanto respeito quanto desejo com um único olhar. Tenho tudo que se pode desejar: dinheiro, nome reconhecido, fama. Contudo, carrego também um vazio interior imenso. Uma lacuna que nenhuma conquista, nenhum aplauso, nem mesmo a noite de sexo mais intensa consegue preencher.
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**Brasília, palco e arena**
A manhã começa como sempre: um café preto forte, uma camisa preta que realça minha presença, e uma corrente batendo levemente em meu peito. Meu carro importado associa-se às ruas da W3, vibrando como se fosse um tapete personalizado. No retrovisor, o meu olhar se retorna, exigente, arrogante e implacável.
Ao chegar ao escritório, as portas de vidro se abrem como se se curvassem em reverência. As recepcionistas se esforçam para manter um sorriso enquanto jovens advogados correm como ratos prestes a pegar queijo. Eu não sorrio, não cumprimento; simplesmente sigo em frente. Minha presença já é suficiente para garantir a ordem.
A vista da cidade se estende majestosa pela minha janela. Concreto, poder, um céu sem fim. Com uma caneta Montblanc em mãos e um whisky escondido na gaveta, deparo-me com pilhas de processos esperando minha assinatura. Mais um dia de batalha se inicia. Mais um dia rumo à vitória.
Renata bate à porta.
- Doutor, a nova estagiária chega amanhã.
Levanto os olhos e arqueio uma sobrancelha.
- Nova estagiária? Quem autorizou a contratação?
Ela engole em seco.
- Ela vem altamente recomendada... pelo seu padrinho.
Padrinho. Uma palavra que carrega um peso significativo. Eu sei que quando ele se move, a situação é séria.
Fecho a caneta e reclino-me na cadeira de couro.
- Então essa garota deve ser realmente boa. Ou, no mínimo, precisa dar essa impressão.
Levanto-me e caminho até a janela, observando Brasília se estender diante de mim como um reino aos meus pés. Conheço bem esse enredo. Todo ano, um novo rosto tenta provar seu valor. Poucos sobrevivem. O escritório Andrade não é um abrigo para almas fracas.
- Que venha. digo de forma fria. - Mas avise-a: aqui não há espaço para erros. Quem pisar nesse chão deve suportar a pressão e entregar resultados. Caso contrário... a rua a espera.
Renata acena com a cabeça em concordância. Eu ajeito a manga da camisa, destacando o brilho do meu relógio de ouro. Sou um garanhão, um advogado, um predador. Não sou qualquer homem.
-Essa estagiária, terá que aprender rapidamente: no meu mundo, ou você nada... ou afunda.
Renata assentiu em silêncio, como sempre fazia quando eu emitia ordens com meu tom autoritário.
Virei-me, ajeitei a manga da camisa novamente, deixando o relógio de ouro refletir a luz.
- Ah, e Renata... não quero ser perturbado com detalhes fúteis. Se essa garota causar problemas, poupe-me da novela. Corte o mal pela raiz.
Ela assentiu mais uma vez e se retirou, fechando a porta atrás de si.
Fiquei sozinho, observando minha mesa abarrotada de processos. Um sorriso cínico se formou em meu rosto. A vida me ensinou a desconfiar de todos, principalmente de novatos. Essa jovem, quem quer que seja, aprenderá rapidamente que no mundo dos Andrades, ou você nada... ou simplesmente afunda.