VITTORIO
Como capo da Cosa Nostra, minha tarefa era simples: cobrar dívidas de drogas, viciados em jogos e prostitutas. E hoje, eu estava no meu escritório, aguardando que meus homens trouxessem mais um desses fracassados: Charles Foster, o tipo de pessoa que me enojava. Viciado em jogos, sem um pingo de autocontrole. E, claro, devia uma boa quantia para a Cosa Nostra.
Na Família, eu era conhecido como o Diabo. Minha regra era clara: ninguém deixava de pagar os italianos. E ninguém ousava desafiar essa regra.
Eu não permitia que dívidas ficassem pendentes no meu território. Por isso, sempre fazia questão de resolver isso pessoalmente. Eu me encontrava com os devedores no meu escritório, um lugar aconchegante e bem iluminado, localizado no andar de cima de um prédio que abrigava nossos jogos ilegais. A polícia? Eles sabiam, mas fingiam que não viam. Ainda assim, eu sabia que havia muitos esperando minha queda. Um erro, um deslize, e minha cabeça estaria na mira.
Verifiquei o relógio Bulova no meu pulso e suspirei, impaciente.
- Vittorio, eles devem chegar a qualquer momento - Giuseppe murmurou, sem desviar os olhos do celular. Ele era meu braço direito, meu irmão na máfia e a única pessoa em quem eu confiava.
- Você sabe que não suporto atrasos - respondi, irritado.
O encontro com Charles estava marcado para às quatro da tarde, mas já passavam vinte minutos do horário combinado. Eu nunca fui um homem conhecido por ser paciente, muito menos alguém que aceitasse esperar por vermes como Charles. Meu tempo era precioso, e aquele atraso estava testando meus limites.
Fechei os punhos, tentando manter a calma, até que finalmente a porta se abriu. Meus olhos caíram em Charles, o devedor. Ele era a personificação da decadência: uma barba desgrenhada dominava seu maxilar, enquanto olheiras profundas revelavam incontáveis noites mal dormidas. A pele brilhava de oleosidade, resultado de dias enterrado nos nossos cassinos, sem se importar o suficiente para tomar um banho. E, como se não bastasse, ostentava uma barriga flácida, sem sequer tentar disfarçar sua completa falta de autocuidado.
Um miserável em todos os sentidos.
No entanto, algo desviou minha atenção: uma jovem ao lado de Charles. Devia ter seus vinte e poucos anos. Por um momento, tentei recordar se Giuseppe havia mencionado que ele traria uma mulher, mas minha mente estava em branco. Cruzei os braços, descontente. Eu odiava conduzir negócios com mulheres por perto. Elas sempre falavam demais, tornavam tudo mais complicado, e para mim, a única utilidade de uma mulher estava entre quatro paredes - e só.
Observei a garota ao lado de Charles. Seus longos cabelos negros, presos em uma trança apertada, caíam pelas costas como um manto sombrio. Os olhos, de um azul profundo como o oceano, revelavam o desconforto óbvio de estar ali. Em outra situação, talvez eu a considerasse atraente - quem sabe até oferecesse uma boa quantia para vê-la desfilar aquele corpo no meu clube. Mas, naquela circunstância, ficou claro que ela seria um enorme problema para a pouca paz de espírito que me restava.
Quando percebeu meu olhar sobre ela, a garota franziu os olhos e ergueu o queixo em desafio, como se ousasse me encarar e questionar a própria presença ali.
- Achei que tivesse chamado apenas Charles. Quem é ela, Benicio? - perguntei a um dos meus homens que os havia trazido.
Antes que meu soldado pudesse responder, a jovem deu um passo à frente, encarando-me com seus olhos azuis penetrantes.
- Mia Foster - ela disse, estendendo a mão em um cumprimento que eu, deliberadamente, ignorei. Continuei de braços cruzados, desdenhando daquela garota insolente.
- Por que essa menina acha que pode falar comigo? - resmunguei, ainda com o olhar fixo nela.
Mia soltou uma risada seca, sem qualquer traço de humor.
- Você não é nenhuma celebridade, então não espere que eu tolere ser tratada como se fosse invisível - retrucou, firme.
Um sorriso cruel se formou nos meus lábios.
- Talvez eu não seja uma celebridade, mas você claramente não faz ideia de quem está na sua frente, não é?
Mia franziu a testa com desdém.
- Nunca vi mais feio - respondeu, sem hesitar.
Levantei uma sobrancelha, intrigado com sua ousadia.
- Pois bem, vai descobrir agora. Sou o diabo, e a partir de hoje, você nunca mais terá paz.
Notei um leve engolir seco. Um pequeno movimento em sua garganta, uma fração de segundo de medo. Perfeito, era assim que eu gostava. Mas, para o meu total desgosto, a garota atrevida soltou uma gargalhada alta e debochada, como se minhas palavras não fossem nada além de uma piada absurda. Ela ria na minha cara, desafiando cada centímetro da minha paciência.
Quem aquela tolinha pensava ser?
A risada dela ecoava pelo escritório, como uma afronta descarada à minha autoridade. Aquilo não ficaria impune. Um brilho de raiva se acendeu em mim, mas controlei a explosão que ameaçava escapar. Deixaria claro que ela havia acabado de selar o próprio destino.
- Está rindo de mim? - questionei, estreitando os olhos.
Mia sorriu com sarcasmo.
- Geralmente as pessoas riem quando ouvem uma piada. Pensei que...
- Você vai se arrepender de rir na minha cara - sussurrei, a interrompendo e me aproximando dela.
Mia finalmente parou de rir, mas não desviou o olhar. Havia fogo nos seus olhos, algo que só aumentava minha vontade de esmagá-la. Eu gostava de mulheres quebradas, obedientes. E eu sabia exatamente como transformar essa garota idiota em uma delas.
- A partir de hoje, Mia Foster, você vai entender o verdadeiro significado de inferno.
- Eu não tenho medo de você - ela disse, firme.
Ótimo, eu estava determinado a fazê-la me temer.
VITTORIO
- Por que a trouxeram? - perguntei, a voz gelada e implacável, interrompendo qualquer provocação que Mia pudesse estar prestes a soltar. Nos seus olhos perturbadores, um brilho de raiva faiscou, refletindo a tensão que pairava no ar.
- Vim para convencê-lo a esquecer a dívida do meu pai. Ele é...
- Deixei bem claro que era para trazerem apenas o Charles - interrompi, sem a mínima paciência. Vi suas mãos se fecharem em punhos, o rosto tenso, transbordando frustração.
Benício coçou a testa, visivelmente desconfortável.
- Compreendo, Vittorio, mas ela foi insistente.
Neguei com a cabeça, impaciente.
- Matasse ambos e o problema estaria resolvido. Vocês sabem que tenho assuntos mais importantes para tratar do que perder tempo com um viciado e sua filhinha.
Aquilo foi a gota d'água para Mia.
- Olha só, seu canalha! - ela disparou. Me virei lentamente para encará-la. Seu rosto, antes aparentemente calmo, agora estava vermelho de pura irritação. - Você tem assuntos mais importantes para resolver, certo? Que coincidência, eu também!
Cruzei os braços, deixando que o silêncio se estendesse por um segundo, absorvendo sua ousadia.
- Uma pobretona como você não me parece o tipo de pessoa que tem o dia ocupado - provoquei, um sorriso de escárnio nos lábios.
Mia deu uma risada seca, balançando a cabeça como se estivesse lidando com alguém estúpido.
- Vocês ricos é que não têm nada para fazer. Trabalho meio período e ainda estudo. Não sou uma riquinha mimada e arrogante como você.
- Mia - pronunciei seu nome com desdém, ignorando sua tentativa de me ofender. - Isso nem é nome de verdade. É nome de gato.
Ela revirou os olhos, impaciente.
- Ora, por favor, não seja infantil.
Antes que Mia pudesse responder, agarrei seu braço com força, o suficiente para fazê-la arregalar os olhos de dor. Um sorriso cruel se formou nos meus lábios.
- Garota, quando você nasceu, eu já havia dizimado mais homens do que você poderia contar - declarei friamente, deixando o tom pesado pairar no ar. - E agora você vem aqui com essa atitude ridícula. O que propõe? Que eu esqueça a dívida do seu pai?
Ela gaguejou, a firmeza que tentava exibir se esvaindo como areia entre os dedos.
- Eu...
Aproximei-me ainda mais de Mia, segurando seu queixo com firmeza. Ela tentou se soltar, mas não tinha chance contra a minha força; a garota era pequena e frágil demais para alguém como eu.
- Tenho sido mais paciente do que deveria, e normalmente, não sou assim - comecei, minha voz baixa e ameaçadora. - Tolerar por dois meses as promessas vazias de seu pai já foi um grande favor.
Pausei por um instante, apenas para ver a teimosia brilhar em seus olhos. Continuei:
- Então, considere-se sortuda por eu ainda não ter enfiado uma bala na cabeça do verme que te colocou no mundo.
O rosto de Mia empalideceu, e vi o brilho de lágrimas começando a se formar em seus olhos azuis. Por um instante, pensei que ela fosse desabar ali mesmo. Mas, para minha surpresa, ela engoliu em seco e endireitou os ombros com uma determinação que não combinava com sua aparência delicada. Afastei-me, apoiando-me no tampo da mesa de mogno, ignorando o prazer perverso que senti ao perceber o desconforto que havia causado.
- E então... quanto meu pai te deve? - Mia perguntou, abrindo sua bolsa com as mãos trêmulas.
Lancei um olhar para Charles, cuja expressão estava carregada de tristeza. Aquele homem me enojava.
- Filha, você não precisa pagar - ele finalmente falou, a voz fraca. - Vou dar um jeito.
Mia soltou um suspiro cansado, olhando para mim com uma mistura de resignação e raiva.
- Vamos ser práticos, pai. Preciso pagar, ou nós não sairemos vivos daqui - disse ela, com a voz rouca e os olhos cravados nos meus, repletos de ódio. - Quanto meu pai deve?
Peguei a pasta de Charles e consultei o valor.
- Dez mil dólares - respondi, direto ao ponto.
Os olhos de Mia se arregalaram, chocados com a quantia.
- Como alguém consegue gastar tanto assim? - murmurou para si mesma, quase incrédula.
- Mia... - Charles sussurrou, mas logo se calou.
- Papai, por que fez isso? - Ela perguntou, decepcionada. Contudo, o verme do seu pai não respondeu. Apenas olhou para os próprios pés, afundado em vergonha. - Esse dinheiro poderia ter sido investido no meu futuro, na minha faculdade.
- Presumo que você não tenha essa quantia - falei, pegando a carteira da sua mão e vendo que a tolinha tinha apenas cinquenta dólares.
- Ei, me devolve isso! - Mia exigiu, estendendo a mão e pegando a sua carteira de mim.
- Você definitivamente não tem todo o dinheiro - respondi, fechando a pasta lentamente, sem tirar os olhos de Mia, que balançou a cabeça em negação.
- Você me daria um tempo para conseguir o dinheiro?
- Não - respondi sem hesitar, a voz firme como pedra. - E se vocês não podem pagar a dívida com dinheiro, então pagarão com a vida.
A frieza das minhas palavras a atingiu em cheio. Vi quando seu corpo desabou na cadeira, os olhos arregalados, incapazes de processar a gravidade da situação. O silêncio que se seguiu foi tão denso que poderia ser cortado com uma faca.
Um sorriso cruel se formou em meu rosto. Era exatamente isso que eu gostava de ver: desespero e medo. Uma lembrança clara de quem estava no controle.
VITTORIO
De repente, o medo que preenchia o olhar de Mia desapareceu. Ela mordeu o canto do polegar, pensativa, e um brilho de astúcia surgiu em seus olhos.
- Você não vai querer sujar suas mãos nos matando - ela disse, fazendo-me erguer as sobrancelhas.
- Ah, não? - provoquei, curioso.
- Claro que não. Devemos parecer como ratos para você, tenho certeza de que não vai querer se sujar com o nosso sangue - respondeu, com uma sagacidade inesperada.
Um sorriso de desdém se formou nos meus lábios.
- De fato, vocês são piores do que ratos. São vermes. Mas não se preocupe, querida, não serão minhas mãos que se mancharão. Meus homens cuidarão disso - falei, acenando para Benício, Giuseppe e outros dos meus soldados.
Mia levantou-se, olhando para os homens que se aproximavam, prontos para arrastá-los para fora do meu escritório, como se fossem uma praga.
- Você é um homem muito rico. Dez mil dólares devem ser como troco de bala para você - disse ela, com a voz trêmula de nervosismo. - Não poderia simplesmente esquecer essa dívida?
Observei Mia por alguns instantes antes de responder.
- Mesmo se fossem dez dólares, eu ainda cobraria. Não é só pelo dinheiro.
- No seu mundo, é sempre pelo dinheiro - ela retrucou.
Abri um sorriso frio.
- No meu mundo, não. Não permitir que devedores escapem é um recado claro. Uma lição para todos entender que ninguém faz a Cosa Nostra de idiota.
Mia me encarou por um momento, absorvendo cada palavra.
- Cosa Nostra? - ela murmurou. - É uma organização criminosa?
Tamborilei os dedos no tampo da mesa, deixando o silêncio pairar no ar.
- Sim, uma máfia - Giuseppe respondeu por mim. - Uma das máfias italianas mais influentes dos Estados Unidos.
Os olhos azuis de Mia quase saltaram das órbitas.
- Papai, você se meteu com a máfia? Você é louco? - ela gritou para Charles. - Como pôde fazer isso conosco?
Charles suspirou, exalando cansaço.
- Naquele momento, tudo o que eu queria era reaver o dinheiro. Nem me preocupei com o fato de serem da máfia - ele murmurou, a voz envergonhada.
Mia balançou a cabeça em negação.
- Pois deveria ter se preocupado! Nós dois vamos morrer hoje por sua culpa! - ela disse, a voz carregada de frustração, mas seu pai permaneceu em silêncio. Revirei os olhos diante daquela cena.
- Senhorita, por mais interessante que essa reunião esteja sendo, eu preciso do dinheiro. E se vocês não puderem pagar, não vejo razão para continuarmos com isso - falei friamente.
Mia secou com raiva uma lágrima que desceu por sua bochecha.
- Então nos mate logo. Não tenho esse dinheiro - ela disse, jogando as mãos para o alto em desespero.
- Acho que não será necessário matá-los - Giuseppe falou de onde estava, atraindo minha atenção. Olhei para ele, curioso.
- Qual é a sua proposta? - Charles respondeu imediatamente, ansioso.
Giuseppe desligou o celular e olhou para os dois.
- Antes de mais nada, quero deixar claro que nosso objetivo aqui é reaver o dinheiro. Então, Charles, enquanto não nos pagar o que deve, você está proibido de pisar em qualquer um dos nossos cassinos - ele respondeu com firmeza.
Observei-o, tentando entender aonde Giuseppe queria chegar.
- Está nos dando uma chance de conseguir o dinheiro? - Mia perguntou, a voz trêmula de esperança.
Giuseppe balançou a cabeça em negativa.
- Não estou dando uma chance, apenas sugerindo uma ideia. Cabe ao Vittorio decidir se aceita - ele disse, lançando-me um olhar calculado.
Neguei com veemência.
- Prefiro que morram e sejam jogados em alguma vala. Charles Foster é um homem sem palavra, não acredito que ele pagará a dívida - respondi, frio.
Giuseppe sorriu, satisfeito.
- Ele vai pagar, com certeza. Porque vai nos dar uma garantia. Se não quitar a dívida, a garantia sofrerá as consequências - disse ele, em um tom glacial. Foi então que tudo começou a fazer sentido em minha mente.
Lancei um olhar de soslaio para Giuseppe, sem gostar nem um pouco daquela proposta.
- Como assim? - Mia perguntou, com a voz tremendo de ansiedade e medo.
- Seu pai vai conseguir o dinheiro, e você ficará sob meu controle até que ele pague tudo - respondi, mesmo não gostando desse plano. Por que eu deveria querer essa garota irritante e insolente?
- Não! - Mia me olhou e depois virou-se para o pai. - Definitivamente, não!
- A decisão é do seu pai, menina - Giuseppe falou, incisivo. - Está nas mãos dele.
Mia lançou um olhar furioso para Giuseppe e avançou contra ele, mas a segurei pela cintura antes que ela conseguisse mais do que arranhar o rosto do meu segundo no comando. Ela tentou se soltar, mas sua tentativa foi em vão. Então, apenas olhou para o pai, seu corpo inteiro tremendo. Ela sabia o que a aguardava, e também sabia que Charles não hesitaria em sacrificá-la para salvar a própria pele. Homens como Charles eram covardes.
- Pai, meu Deus, você não pode estar considerando essa proposta - ela implorou, a voz carregada de dor. - Eles vão me obrigar a fazer coisas horríveis, não concorde com isso!
Charles balançou a cabeça, negando.
- Não posso fazer isso com a minha filha. Se alguém tem que pagar, que seja eu. Sou o devedor, não ela - ele disse, com a voz trêmula.
Fiquei surpreso com a resposta. Sinceramente, pensei que ele aceitaria a proposta sem hesitar.
- Tudo bem - eu disse friamente. - Sua filha vai conseguir o dinheiro para mim. Se em um mês o valor não estiver nas minhas mãos, você morre. - Meus olhos se fixaram nos de Mia. - E você vai viver o resto da vida com a culpa por ser incompetente.
Os ombros de Mia caíram, e ela parecia prestes a desmoronar. O rosto estava encharcado de lágrimas, e o desespero era evidente em cada expressão. Ela estava à beira de tomar a decisão mais dolorosa de sua vida.
- Não, fiquem comigo, não suportaria deixar meu pai aqui. Sou mais jovem e tenho mais força para suportar isso - Mia declarou, decidida, sem olhar para Charles, que balançava a cabeça em negação, implorando em silêncio.
Revirei os olhos, exasperado com aquele drama. O senso de sacrifício dela não me impressionava.
- É o seguinte, a garota fica. Ela será mais útil para mim aqui. Todo o dinheiro que ela conseguir vai direto para pagar a dívida do pai. E você - apontei para Charles -, trate de levantar o resto da quantia. Se não quiser que sua filha continue aqui por muito tempo, é melhor se apressar.
Mia assentiu com uma firmeza que eu não esperava.
- Depois que eu conseguir o dinheiro, vocês vão me libertar? - perguntou, a voz firme, mas seus olhos revelavam a sombra do medo que tentava esconder.
Giuseppe abriu um sorriso seco.
- Claro - respondeu ele, sem pestanejar.
Mia lançou um último olhar ao pai, que murmurava algo inaudível, as lágrimas prestes a escapar. Então, seus olhos se fixaram nos meus. Havia uma determinação inesperada ali, algo que me deixou em alerta.
- Tudo bem, eu aceito o acordo - disse ela, com uma calma que parecia ensaiada.
O silêncio que seguiu parecia mais pesado que o ar ao nosso redor. A tensão no ambiente era quase palpável. Mesmo com as palavras saindo de sua boca, algo me dizia que esse "acordo" estava longe de ser um fim. Era apenas o início.
Quando a porta se fechou atrás de Charles, deixando Mia ali, sozinha, no meu escritório, uma pergunta pairou na minha mente: até onde essa garota estava disposta a ir?