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Envolvida com o chefe arrogante

Envolvida com o chefe arrogante

Autor: Ellie Wynters
Gênero: Moderno
Voltar para casa e encontrar seu noivo com sua prima deveria tê-la destruído, mas Blair se recusava a desmoronar. Ela era forte, capaz e determinada a seguir em frente. O que ela não esperava era afogar suas mágoas em muito uísque do seu chefe, Roman... ou acordar enredada no caos que era seu chefe implacável e perigosamente encantador. Uma noite - era só isso que deveria ser. No entanto, à luz fria do dia, escapar não era tão fácil. Roman não era do tipo que desistia facilmente, especialmente quando queria mais. Ele não queria Blair apenas por um momento, mas por inteiro, e não tinha a menor intenção de deixá-la ir.
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Capítulo 1 O começo e o fim

Blair estava muito aliviada por estar em casa. Ela só não entendia o que havia acontecido com seu chefe durante a recente viagem de negócios, pois ele exigira muito de todos. Felizmente, eles tinham voltado um dia antes do previsto.

Para sua surpresa, quando ela achou que voltaria ao escritório com ele, ele lhe deu o resto da tarde de folga, provavelmente por ter decidido que ambos precisavam de um descanso - o que foi ótimo para ela.

Ultimamente, ele andava sendo um verdadeiro babaca, impaciente e exigente.

Quando ele a deixou em casa, ela quase lhe mostrou o dedo do meio, mas parou sem saber se ele veria o gesto no espelho retrovisor.

Roman possuía uma habilidade incrível de perceber tudo, como se tivesse olhos na nuca.

Era de se pensar que ser bonito o tornaria um pouco mais fácil de lidar, mas não. Pelo contrário, isso só o tornava ainda mais babaca.

Ele era atraente e sabia disso, e quase todos sempre se rendiam a ele, tentando agradá-lo.

Blair não sabia o que estava acontecendo, pois Roman parecia mais irritado nos últimos meses, a deixando incomodada.

Dentre os dois anos que trabalhara para ele, os últimos dois meses foram os piores. Se ele não a pagasse tão bem, ou se ela não precisasse tanto do emprego, talvez ela o mandasse às favas.

Blair balançou a cabeça, sabendo que isso não era verdade.

Apesar da sua atitude de merda às vezes, Roman cuidava bem dos seus funcionários.

Os benefícios da Kingston eram ótimos, fazendo com que as pessoas suportassem mais por essas vantagens, como o excelente plano de saúde e odontológico, a creche no prédio e a redução do tempo de licença-maternidade, criando uma situação claramente vantajosa para a empresa.

Blair pegou sua mala e foi até a porta da casa que dividia com seu noivo, Dan, e sua prima Laura.

Quando chegou à porta, olhou para o relógio e planejou surpreender Dan com um jantar romântico, pois sabia que ele não chegaria por algumas horas.

Linda e ciente de como tirar proveito da própria beleza, Laura era modelo - não uma supermodelo, mas ainda assim deslumbrante - o que explicava por que raramente ficava em casa à noite e sempre saía para festas.

Já Blair, não estava interessada em roupas ou maquiagem, preferindo ler livros.

As duas haviam se mudado para a cidade por motivos diferentes: Laura, para seguir sua carreira de modelo, e Blair, para ter a chance de trabalhar nas Indústrias Kingston, diretamente sob o comando do grande homem, Roman Kingston.

A empresa tinha tantos projetos que Blair nunca ficava entediada, mesmo quando Roman era mais exigente.

Ela amava seu trabalho.

Enquanto segurava a pasta, a bolsa e a mala, Blair procurou a chave, a girou facilmente na fechadura e, ao entrar, deixou os volumes no pé da escada antes de ir para a sala de estar, onde depositou a pasta sobre a mesa de trabalho.

Ela se virou para ir para a cozinha, pensando no que preparar para o jantar, mas ao passar pelo pé da escada, um barulho repentino vindo do andar de cima a fez parar abruptamente.

Havia alguém na casa?

Será que ela havia voltado para casa e encontrado um intruso?

Tomada pelo pânico, Blair deu um passo em direção à porta da frente, pronta para fugir.

No entanto, nesse momento, ela se deu conta de algo: Laura.

Ao contrário de Blair e Dan, Laura não seguia o horário de trabalho convencional deles, então costumava dormir até tarde e ficar fora até de madrugada.

Não era a primeira vez que Blair a encontrava caída na porta de casa quando saía para trabalhar de manhã, e não sabia se deveria chamá-la agora.

E se não fosse sua prima?

Seus olhos percorreram a sala em busca de algo para se defender por precaução, pousando no taco de beisebol do seu falecido pai, que ela sempre deixava perto da porta da frente quando estava sozinha à noite, pois isso a fazia se sentir mais segura.

Ela pegou o taco e o segurou por um momento, mas, antes de subir as escadas, parou para se perguntar se algum degrau rangia, sem conseguir se lembrar.

Respirando fundo para acalmar seu coração acelerado, Blair subiu as escadas lentamente, passo a passo.

Quando chegou ao patamar, ela parou, se esforçando para ouvir.

"Por favor, que seja Laura. Por favor, que seja Laura, e não algum homem mascarado esperando para me atacar", Blair murmurou baixinho.

Enquanto as outras portas do corredor estavam fechadas, a única entreaberta era a do quarto dela e de Dan, destacando-se entre as quatro entradas que se estendiam à frente, das quais três levavam aos quartos e uma ao banheiro compartilhado.

Para chegar ao seu quarto, ela teria que passar pelas outras portas.

Foi então que ela ouviu o som inconfundível da risada de Laura, seguido por um gemido baixo e masculino.

Nesse momento, o alívio inundou seu peito - não era um ladrão, mas era Laura que trouxe alguém para casa.

Quando Blair estava prestes a se virar e sair, ouviu a voz do homem com quem Laura estava.

"Deus, sim..." A voz gemeu.

Blair congelou, seu coração batendo forte.

Não! Isso não podia estar acontecendo!

"Laura, você é tão..." A voz de Dan ecoou.

Os olhos de Blair se arregalaram.

Dan.

Na cama deles.

Com Laura.

Não... impossível...

Rezando para que tudo não passasse de um terrível mal-entendido, Blair caminhou silenciosamente pelo corredor com o estômago revirado, parando do lado de fora da porta do quarto.

Com a mão trêmula, ela abriu a porta, e a visão que a recebeu foi como um soco no estômago.

Ela cambaleou para trás, sua mente incapaz de processar o que estava vendo.

Eles estavam entrelaçados na cama dela, inegavelmente íntimos, nus e sem parar.

Blair levou a mão à boca para não gritar.

Não, não, não, não...

Tudo parecia estar em câmera lenta: Laura montada em Dan, as mãos dele a segurando e vozes baixas e ofegantes, com seus corpos se movendo em uma intimidade que causava arrepios e revirava o estômago.

Blair nunca tinha visto Laura nua antes, mas isso não importava, já que ela estava em cima do noivo da própria prima.

Como ela pôde fazer isso?

Blair achava que, se alguém compreendesse a devastação da traição, seria sua prima Laura. Afinal, desde que Blair perdeu os próprios pais em um acidente de avião, dez anos atrás, e passou a morar com os tios, ambas presenciaram Peter trair a mãe de Laura repetidas vezes, criando um ambiente familiar tóxico.

Isso só podia ser um pesadelo!

Blair se beliscou com força, e a dor foi imediata - não era um pesadelo.

Dan sempre odiou Laura, chamando-a de vagabunda, zombando de suas roupas e afirmando que ela era superficial e incapaz de manter uma conversa séria.

Será que tudo isso era mentira?

Ele estava com ciúmes dos homens na vida dela?

Era por isso?

Uma coisa era certa: a mãe de Dan, Paula, jamais aceitaria Laura como uma esposa adequada para seu filho.

Mas para Blair, nada disso importava agora. O que ela deveria fazer? Como alguém lidaria com isso? Era como uma cena de um filme de segunda categoria.

Blair não podia fingir que não tinha visto, e não queria mais Dan - não agora, não depois disso, pois voltar com ele seria repugnante.

Há quanto tempo isso estava acontecendo?

Eles estavam morando juntos há cinco meses.

Dan havia se mudado para a casa dela e de Laura para economizar dinheiro antes do casamento. Será que ele estava se encontrando às escondidas com Laura o tempo todo?

Laura soltou outro gemido ofegante, e Dan murmurou algo baixo e íntimo para ela.

Nesse momento, o coração de Blair parou. Será que Laura sabia que ela estava ali? Laura fez isso de propósito?

Blair mordeu a mão para não fazer barulho. Ela havia dado sua virgindade a Dan, e ele sabia o quanto isso significava para ela.

Saber que ele fez isso...

Ela nem havia planejado estar em casa hoje e só queria fazer uma surpresa para ele, mas a surpresa foi para ela.

Com um suor frio percorrendo a pele, Blair ergueu a mão para se equilibrar no batente da porta, e foi então que algo sólido pressionou sua palma, revelando ser o taco.

Por um segundo fugaz, ela pensou em usá-lo, quebrando a cama, a mesa de cabeceira e os dois, mas ela não era esse tipo de pessoa.

Endireitando a coluna, ela deixou a raiva a fortalecer para que, quando finalmente falasse, sua voz fosse calma, gélida e sem emoção.

"Enquanto vocês terminam, devo preparar o jantar?"

Capítulo 2 Sem volta

"Droga." Ao empurrar Laura para fora do corpo, Dan levantou a cabeça da cama.

Blair, parada na porta, pôde ver o horror no rosto dele quando ele a viu.

Ele fora pego no flagra - bem no meio do ato.

Com uma expressão incrivelmente real e impossível de ser fingida, Laura moveu-se rapidamente pela cama para puxar um cobertor e se cobrir, o rosto em choque, revelando que ela não sabia que Blair estava ali.

"Não, obrigada. Parece que Laura já cuidou disso para você." Blair ficou surpresa com a calma que sua voz transmitia, sendo que tudo o que ela queria era gritar, berrar e jogar coisas.

Mas o que isso adiantaria? No fim das contas, ela ainda teria um relacionamento destruído.

"Blair! O que está fazendo em casa hoje?!" A voz de Dan falhou e, se lembrando de repente que a modéstia existia, ele agarrou o lençol na tentativa de se cobrir.

Blair arqueou uma sobrancelha e perguntou: "É com isso que está preocupado? Então talvez seja uma boa ideia se cobrir."

Blair o encarava com os olhos semicerrados, e a repulsa que sentia pela pessoa que via agora anulava qualquer amor que ainda restasse - a extrema atração física dele já não significava nada, pois, aos olhos dela, ele era apenas um lixo.

Ninguém deveria trair alguém que dizia amar. Mesmo que alguém tivesse apontado uma arma para sua cabeça, ela teria se recusado.

Era uma pena que Dan não pensasse da mesma forma, pois pelo que ela havia acabado de ouvir, Laura não precisou forçá-lo a nada.

Blair deixou o taco de beisebol no chão e o encostou na parede perto da porta - só por precaução.

Embora ela tivesse dito a si mesma que não o usaria, mas quem sabia? Os crimes passionais tinham que vir de algum lugar, e geralmente eram de pessoas comuns que se descontrolavam em meio à traição.

Então, era mais seguro se ela o deixasse ali.

Blair cruzou os braços sobre o peito, virou-se e viu que Dan saíra da cama e vestia a calça do terno.

Quando desviou os olhos para Laura, notou que essa vadia agora tinha um olhar arrogante no rosto, que havia substituído o choque.

Por quê?

O sangue rugia nos ouvidos de Blair enquanto ela se dava conta da destruição total de sua vida pessoal.

Embora ela nunca mais quisesse ver Dan, ambos trabalhavam para a Kingston, onde ela já estava estabelecida há mais tempo, já que ele só havia sido contratado um ano depois.

Como o emprego era a única coisa sólida a que podia se apegar, Blair decidiu, nesse exato momento, mantê-lo, lembrando-se de que, afinal, eles nem trabalhavam juntos.

Dan deu um passo em direção a ela e estendeu a mão. "Amor..."

Blair deu um passo para trás. "Não ouse tocar em mim."

Ela não conseguia suportar a ideia de ele tocá-la, e nem queria a sombra dele por perto.

Dan parou abruptamente, virando-se para olhar para Laura antes de voltar a atenção para o rosto pálido de Blair.

Quem não ficaria pálido numa situação dessas?

"Você tem que acreditar em mim. Foi só uma vez. Isso nunca mais vai acontecer. Não significou nada", implorou Dan.

Ao olhar para o rosto de Laura, Blair soube que Dan mentia pelo tique de sempre: sua sobrancelha direita se arqueava, algo que, antes de hoje, nunca fora grave, pois suas mentiras eram apenas coisas bobas e sem importância.

Será que ela havia notado isso quando ele falou sobre Laura? Ela não tinha certeza, porque às vezes, a mente nos protegia do que não queríamos ver.

Blair ergueu o queixo enquanto suas unhas se cravavam nas palmas das mãos, declarando: "Sabe de uma coisa, Dan? Isso não importa. Esta única vez foi o suficiente."

"O quê? Não, Blair, amor, por favor, eu te amo!" Dan tentou abraçá-la.

Movendo-se rapidamente, Blair pegou o taco e pressionou a ponta dele contra o peito de Dan, o empurrando para trás. "Nem pense nisso."

Dan olhou para o taco, erguendo as mãos em sinal de rendição. "Por favor, ela me seduziu. Você sabe como ela é. Eu estava com saudades de você."

Nesse momento, os dois ouviram um grito abafado vindo da cama.

Laura disparou: "Ele está mentindo, Blair. Isso já acontece há meses. Logo depois que ele se mudou."

"Cale a boca, Laura!", Dan rosnou para ela antes de se virar para Blair. "Ela está mentindo."

"Esta única vez foi o suficiente, Dan." Blair deu de ombros e o cutucou com o taco. "E não xingue Laura. Posso nunca perdoá-la por isso, mas você era quem estava num relacionamento, não ela."

Pelo canto do olho, Blair viu Laura saindo da cama e procurando suas roupas, enquanto ainda segurava o lençol.

"Se você acha que ela é tudo o que acabou de dizer, o que isso faz de você?"

Blair sabia que não se sentiria limpa mesmo que tomasse dez banhos, pois isso levaria tempo.

Incapaz de suportar mais qualquer coisa, ela precisava fugir antes que os dois se vestissem, buscando desesperadamente um lugar para pensar e respirar, sem o risco de desmoronar diante deles.

Dando meia-volta, Blair desceu as escadas correndo e pegou sua mala e bolsa, mas só se lembrou da maleta quando chegou à porta da frente.

"Sua estúpida... por que teve que dizer alguma coisa?" A voz raivosa de Dan ecoou do andar de cima.

Blair correu para sua mesa, pegou a maleta e postou-se na porta da frente, pronta para sair e ciente de que, ao passar por essa porta, não voltaria mais.

Ela não fazia ideia para onde estava indo, mas qualquer lugar era melhor do que aqui.

Após o insulto de Dan, veio a resposta incisiva de Laura: "Não sou o que você acabou de me chamar, Dan."

"Você e sua boca grande. Você queria que isso acontecesse, não queria?", Dan acusou.

Blair pôde ouvir as lágrimas na voz de Laura. "Você não se importava com minha boca antes, Dan!"

"Shhh!", Dan sibilou, de repente preocupado que Blair estivesse ouvindo tudo. "Você me armou, não foi? Você sabia que ela estava voltando para casa."

"Dan, eu não sabia!" Laura chorou.

Se Blair ficasse mais tempo, eles desceriam, e ela não conseguiria lidar com outro confronto. Respirando fundo, ela passou pela porta da frente, sem olhar para trás, mesmo quando ouviu Dan chamando seu nome.

Capítulo 3 Fuga (Primeira parte)

Desesperada para sair dali, Blair acenou para um táxi e abriu a porta, entrando no banco de trás o mais rápido que pôde.

Embora sentisse vontade de ficar bêbada, ela sabia que ir a um bar sozinha durante o dia seria pedir por problemas.

Nesse momento, as lágrimas que havia contido com toda a sua força ao confrontar Dan e Laura começaram a escorrer pelo rosto sem controle.

"Para onde?", perguntou o motorista, sua voz rompendo a névoa na mente dela.

Para onde? Boa pergunta.

Ir para casa não era uma opção, pois Sutton e Keira estavam no trabalho, e ela não queria ficar sozinha no apartamento vazio, revivendo a imagem de Dan com sua prima.

Para esquecer isso, ela precisava de uma bebida. Mas ficar sozinha num bar no meio da tarde? Isso seria como admitir a derrota.

Após um momento de hesitação, ela deu o endereço do seu escritório, onde, pelo menos, ela poderia fingir que estava sendo produtiva, e talvez até descobrir o que diabos fazer a seguir.

Quando o táxi saiu, ela soltou um suspiro, tentando se acalmar.

O motorista olhou para ela pelo retrovisor. "Há lenços no compartimento central se precisar, querida."

A voz do motorista era gentil, como se ele já tivesse visto mulheres chorarem no seu banco de trás o suficiente para saber quando falar e quando ficar quieto.

Blair pegou um punhado de lenços e, antes de limpar o rosto da melhor forma possível, disse: "Obrigada."

Como ela não usava muita maquiagem, poderia limpar o rosto sem problemas.

De repente, seu celular começou a tocar.

Dan?

Ela o tirou da bolsa para verificar, e seu estômago se contraiu ao olhar para a tela, o nome dele brilhando em letras brancas.

Ela já podia imaginar as primeiras palavras que ele diria: "Não é o que parece, Blair. Posso explicar. Por favor, só me deixe falar com você."

Mentiras, desculpas... a mesma baboseira que os homens sempre diziam quando eram pegos.

Colocando o celular no silencioso, ela o guardou na bolsa.

Quando o táxi parou em frente às Indústrias Kingston, sua maquiagem já estava completamente arruinada.

Ela enfiou a mão na bolsa, pegou uma nota de vinte amassada e a entregou ao motorista.

"Seja honesto", ela disse, forçando um sorriso. "Pareço uma mulher que acabou de descobrir que seu noivo está transando com a prima?"

O motorista hesitou, a observando cuidadosamente. "Seus olhos estão um pouco vermelhos, querida, mas é quase imperceptível."

Após uma pausa, ele perguntou: "Você vai ficar bem?"

A gentileza inesperada do homem quase a desestabilizou. Engolindo o nó na garganta, ela acenou com a cabeça. "Sim. É melhor descobrir agora, não é? É só um pequeno obstáculo no caminho da vida."

Ela não sabia ao certo quem estava tentando convencer... o motorista ou a si mesma.

Após sair do táxi, ela colocou sua mala na calçada e respirou fundo.

Quando pegou seu celular, ela viu que Dan havia ligado seis vezes e deixado seis mensagens na sua caixa postal, mas guardou o celular na bolsa novamente, sem interesse no que ele tinha a dizer.

Blair olhou para a imponente estrutura de vidro e aço das Indústrias Kingston, o prédio que Roman havia comprado há cinco anos.

Os oito andares superiores pertenciam à Kingston, e os três inferiores eram alugados para empresas menores, e com a forma como a empresa estava se expandindo, ela não ficaria surpresa se eles assumissem o controle de tudo.

Ajustando a bolsa no ombro, ela entrou.

"Senhorita Warner, posso te ajudar?" Maggie, uma das recepcionistas, saiu de trás do balcão da recepção e se aproximou, pegando a mala de Blair.

Blair segurava o taco na mesma mão, tendo se esquecido completamente de que o carregava.

Segundos atrás, ela havia entrado no prédio com ares de quem estava prestes a cometer um crime, mas acabou ficando feliz com o esquecimento, já que isso a poupava de ter de ir buscá-lo depois.

Blair soltou um suspiro de alívio. "Obrigada, Maggie. Posso deixar tudo aqui enquanto me arrumo?"

Ela ficou surpresa por sua voz ter soado tão... normal.

"Claro, senhorita Warner." Os olhos de Maggie se desviaram para o taco novamente.

"Blair, por favor. Quantas vezes vou ter que te dizer?"

Roman preferia ser chamado pelo primeiro nome, mas alguns funcionários, principalmente os mais recentes, pareciam ter dificuldade com isso - mais com Roman do que com ela.

Maggie sorriu, pegando também a pasta e o taco.

Blair atravessou o saguão e foi até o banheiro, onde ela foi direto para os espelhos.

O motorista de táxi não havia sido apenas gentil - ela realmente não estava tão mal.

Após pegar um lenço de maquiagem na bolsa, ela limpou os últimos resquícios de rímel. Em seguida, passou um pouco de pó, gloss e delineador.

Beliscando as bochechas, ela se lembrou de que as pessoas sempre diziam que isso dava um toque de cor, mas ela não via diferença.

Seus olhos azuis ainda estavam um pouco vermelhos, mas não havia muito o que ela pudesse fazer.

Então, ela pegou uma escova, soltou seu cabelo loiro, longo e ondulado do coque e o arrumou cuidadosamente.

Assim estava bom.

Após sair do banheiro, ela pegou suas coisas com Maggie e foi para os elevadores. Enquanto esperava, ela tentou se lembrar da agenda de Roman - ele tinha alguma reunião esta tarde?

Foi então que ela se deu conta de que ele não deveria estar voltando hoje, então não havia reuniões agendadas na sua agenda.

Com a mente completamente esgotada, ela soltou um suspiro ao pensar nisso, afinal, flagrar o próprio noivo com a prima deixaria qualquer um nesse estado.

Esse pensamento a fez franzir a testa.

Há quanto tempo eles a estavam traindo?

Dan estava em casa num dia de trabalho, e embora ela viajava ocasionalmente a trabalho, não era com tanta frequência.

Se isso já estava acontecendo há meses, eles deviam estar se encontrando no horário de expediente.

Nesse momento, o elevador chegou, e uma mulher que ela não conhecia entrou com ela.

Blair abriu um sorriso educado e tenso. Quando a mulher desceu no segundo andar, Blair se recostou na parede, olhando para o nada.

Será que ela deveria contar a Roman sobre Dan? Isso pareceria inveja... uma fofoca só porque ele a traiu, mas ele também estava roubando da empresa, pois era impossível ele ir para casa, fazer sexo e voltar para o escritório durante o intervalo do almoço.

O elevador se abriu com um bipe, e Blair respirou fundo antes de entrar no andar executivo.

Kara, a recepcionista desse andar, ergueu os olhos. "Ei, Blair. Não achei que você viria hoje."

Blair sorriu. "Eu não estava planejando vir, mas achei melhor adiantar as anotações da reunião para Roman. Ele está aqui?"

Kara balançou a cabeça. "Não, ele saiu há pouco tempo e me pediu para anotar os recados e que tudo pode esperar até amanhã."

Blair quase desabou de alívio, pensando que não teria que enfrentá-lo ainda.

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