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Esposa Invisível, Amor Eterno

Esposa Invisível, Amor Eterno

Autor:: Jane
Gênero: Bilionários
Por dez anos, eu fui a Sra. Pereira invisível, a mulher que todos ridicularizavam por se agarrar a um homem que a desprezava abertamente. Eles me chamavam de patética, uma interesseira sem um pingo de amor-próprio. Mas eles não sabiam da verdade. Minha devoção não era por Caio; era por seu irmão, Jairo, o homem que eu realmente amava, que supostamente morreu há uma década. Meu pacto de dez anos para proteger Caio por Jairo estava quase no fim. Então, Cassandra Fontes, a ex de Caio e a mulher que ele ainda amava, reapareceu. Ela sofreu um acidente, e Caio estava pronto para arriscar a vida para salvá-la. Eu intervi, doando meu sangue raro, desmaiando pelo esforço. Caio nunca veio ao meu lado. Em vez disso, ele trouxe Cassandra para casa, ordenando que eu cuidasse dela. Ela me atormentou, me incriminou por seus ferimentos autoinfligidos, e Caio, cego de devoção, me puniu. Ele me jogou na chuva, me acusou de tentar matá-la e até tentou me afogar. Por que eu suportei essa humilhação? Por que eu fiquei, mesmo quando ele me disse que nunca me amaria, mesmo que eu morresse por ele? Porque eu tinha uma promessa a cumprir. Mas agora, a promessa está cumprida. Eu vou encontrar o Jairo.

Capítulo 1

Por dez anos, eu fui a Sra. Pereira invisível, a mulher que todos ridicularizavam por se agarrar a um homem que a desprezava abertamente. Eles me chamavam de patética, uma interesseira sem um pingo de amor-próprio.

Mas eles não sabiam da verdade. Minha devoção não era por Caio; era por seu irmão, Jairo, o homem que eu realmente amava, que supostamente morreu há uma década. Meu pacto de dez anos para proteger Caio por Jairo estava quase no fim.

Então, Cassandra Fontes, a ex de Caio e a mulher que ele ainda amava, reapareceu. Ela sofreu um acidente, e Caio estava pronto para arriscar a vida para salvá-la. Eu intervi, doando meu sangue raro, desmaiando pelo esforço.

Caio nunca veio ao meu lado. Em vez disso, ele trouxe Cassandra para casa, ordenando que eu cuidasse dela. Ela me atormentou, me incriminou por seus ferimentos autoinfligidos, e Caio, cego de devoção, me puniu. Ele me jogou na chuva, me acusou de tentar matá-la e até tentou me afogar.

Por que eu suportei essa humilhação? Por que eu fiquei, mesmo quando ele me disse que nunca me amaria, mesmo que eu morresse por ele?

Porque eu tinha uma promessa a cumprir. Mas agora, a promessa está cumprida. Eu vou encontrar o Jairo.

Capítulo 1

A internet estava em polvorosa.

Cassandra Fontes, a estrela da Globo que havia desaparecido dos holofotes por três anos, estava de volta. Seu rosto estava estampado em todos os blogs de fofoca e feeds de redes sociais.

Ao lado de sua imagem, o nome de outra mulher inevitavelmente aparecia: Clara Tavares.

O contraste era brutal. Cassandra era a estrela amada, a ex-namorada "inesquecível" do magnata da tecnologia Caio Pereira. Clara era a mulher que a havia substituído, a mulher que se agarrou ao lado de Caio por dez longos anos.

A opinião pública não era gentil com Clara. Eles a chamavam de uma interesseira desesperada, uma substituta patética, uma mulher sem amor-próprio que suportava o desprezo aberto de Caio apenas para manter sua posição. Por uma década, ela foi uma piada, a sempre presente, mas invisível, Sra. Pereira.

Eles não sabiam da verdade. Não sabiam que cada olhar frio, cada palavra desdenhosa de Caio, era um preço que ela pagava de bom grado.

Sua devoção não era por ele. Era por seu irmão. O homem que ela realmente amava, Jairo Pereira.

O pacto de dez anos estava quase no fim. Amanhã era o dia.

Liberdade.

Clara sentou-se em um escritório de advocacia estéril no Leblon, o cheiro de papel e café velho pairando no ar. Ela empurrou um documento pela mesa de mogno polido.

"Eu gostaria de reconhecer firma. O acordo de divórcio."

Seu advogado, um homem que cuidava de seus assuntos há anos, ergueu os olhos, os óculos escorregando pelo nariz. Ele estava chocado.

"Dona Clara... tem certeza? Depois de todo esse tempo, é a senhora que está iniciando isso?"

Por dez anos, o mundo a viu correr atrás de Caio Pereira. Todos presumiam que ela nunca o deixaria.

Clara olhou para ele, o rosto calmo, os olhos carregando uma profundidade de tristeza que ninguém nunca se deu ao trabalho de ver.

"Sim. Tenho certeza."

O processo foi rápido. Ela assinou seu nome, o cartorário carimbou o papel com um baque surdo, e uma década de sua vida foi legalmente selada.

Ela saiu do prédio sem olhar para trás.

Ela não dirigiu para casa. Em vez disso, pegou a estrada longa e sinuosa que saía da cidade, subindo as colinas do Alto da Boa Vista, onde o antigo templo ficava, com vista para o mar.

Ela passou pelo salão principal de orações, seus passos firmes e familiares enquanto caminhava em direção a um pátio isolado nos fundos. Um monge idoso varria as folhas caídas, seus movimentos lentos e rítmicos.

Ele ergueu os olhos quando ela se aproximou, seu olhar gentil.

"Você veio."

Não era uma pergunta.

Clara assentiu, seu olhar se desviando para uma única lâmpada sempre acesa em um altar de pedra dentro do pequeno salão. Ela tremeluzia, sua luz suave e quente.

Ela se ajoelhou na almofada diante dela, sua postura reta e formal. Sua voz era baixa, quase um sussurro, mas firme.

"Já se passaram dez anos. Estou indo te encontrar, Jairo."

O monge suspirou, um som suave como o vento entre as árvores.

"O laço cármico está cumprido. O espírito dele foi guardado por sua promessa. O destino guiará o que vier a seguir."

Ninguém sabia. Ninguém entendia que ela não era a sombra patética de Caio Pereira. Ela era o último amor de Jairo Pereira, sua protetora final.

O homem que ela amava não era o CEO implacável. Era seu irmão mais velho, Jairo, o artista brilhante e recluso que supostamente havia morrido em um incêndio no estúdio dez anos atrás.

Aquele incêndio tinha sido uma mentira.

Foi uma fachada para escapar de Armando Pires, um rival de negócios tão perigoso que Jairo teve que desaparecer para proteger as pessoas que mais amava: seu irmão, Caio, e ela. Antes de sumir, ele fez duas coisas. Primeiro, doou um lobo de seu pulmão para salvar Caio, que estava morrendo de uma doença genética.

Segundo, na mesa de operação, com a mão fraca, mas o aperto firme na dela, ele a fez prometer.

"Clara," ele sussurrou, a voz tensa. "Cuide do Caio por mim. Só por dez anos. Proteja-o."

Ele sabia que a arrogância de Caio o tornaria um alvo para Pires. Ele sabia que o mundo seria um lugar perigoso para ele sozinho.

Ela havia soluçado, o coração partido, mas concordou.

O pedido de Jairo não era apenas sobre proteger Caio. Era sobre protegê-la. Ele sabia que se simplesmente desaparecesse, ela passaria a vida procurando por ele, tornando-se um alvo. O pacto a prendeu a Caio, mantendo-a em uma gaiola dourada e pública, onde Pires não poderia alcançá-la facilmente.

Por dez anos, ela honrou essa promessa. Ela ficou ao lado de Caio, suportando sua frieza e o ridículo do mundo. Os dez anos acabaram. Seu dever estava cumprido. Agora, ela podia finalmente descansar. Agora, ela podia ir até ele.

Ela pessoalmente acendeu um novo bastão de incenso, colocando-o diante da lâmpada.

"Jairo," ela murmurou, os olhos fixos na chama. "Espere por mim."

A luz bruxuleante pareceu dançar e, por um momento, ela quase pôde ver o rosto dele, seu sorriso gentil.

Seu celular vibrou, uma intrusão áspera e indesejada. Ela ignorou. Vibrou de novo, insistente.

Ela finalmente o pegou. Era uma ligação de um dos amigos de Caio, Marcos. Sua voz estava frenética.

"Clara! Onde você está? Venha para o hospital! É a Cassandra, ela sofreu um acidente!"

O fôlego de Clara ficou preso no peito.

"Ela perdeu muito sangue e tem um tipo sanguíneo raro. O mesmo do Caio! Ele está a caminho para doar! Você tem que impedi-lo!"

Cassandra Fontes. A mulher que Caio nunca superou. Por dez anos, ele guardou uma paixão por ela, e agora ela estava de volta.

Ele uma vez disse a Clara, a voz gotejando desdém: "Eu morreria pela Cassandra. O que você faria por mim? Nada."

Ele estava errado. Ela não o deixaria morrer. Não por ninguém. A vida dele não era apenas dele. Era uma parte da de Jairo.

Clara se levantou, as pernas dormentes. Ela correu para fora do templo, o coração batendo forte contra as costelas.

Ela irrompeu no corredor do hospital no momento em que uma enfermeira se preparava para tirar o sangue de Caio. Seus amigos estavam aglomerados ao redor dele, implorando.

"Caio, você não pode! Seus pulmões... você sabe que sua saúde não é boa!" insistiu Marcos.

"Pense na Clara! Ela é sua esposa! O que ela vai fazer se algo acontecer com você?" acrescentou outro amigo, Léo.

Os passos de Caio vacilaram por uma fração de segundo. Seus olhos, frios e escuros, brilharam com algo indecifrável.

Então ele zombou. "Minha esposa? Ela não fez nada além de viver às minhas custas por uma década. Ela provavelmente ficaria emocionada em receber minha herança."

Seu olhar varreu o corredor e pousou nela. Ele parou, sua expressão endurecendo ao vê-la ali, pálida e sem fôlego. Então, ele se virou e continuou em direção à sala de doação.

Uma dor aguda atravessou o peito de Clara. Ela não conseguia falar. Não conseguia respirar.

Ela abriu caminho pela multidão, a mão pousando em seu braço. Seu toque foi leve, mas ele parou.

"Me solta," ele disse, a voz como gelo.

Clara olhou para baixo, sua própria voz mal um sussurro.

"Eu faço isso. Eu tenho o mesmo tipo sanguíneo. Eu vou doar."

Marcos e Léo concordaram imediatamente. "Sim! A Clara pode fazer isso! Caio, é a solução perfeita."

Antes que Caio pudesse argumentar, Clara puxou o braço e seguiu a enfermeira para dentro da sala. Ela não olhou para trás.

A agulha era afiada. A sensação de sua vida se esvaindo era estonteante. Ela sentiu frio, tanto frio.

Quando a enfermeira terminou, o corpo de Clara estava fraco. Ela cambaleou para fora da sala, a mão pressionada contra a parede para se apoiar.

Caio ainda estava lá. Ele viu seu rosto pálido, o tom azulado de seus lábios. Pela primeira vez em dez anos, ela viu algo além de desprezo em seus olhos. Parecia... pânico.

Ela tentou lhe dar um sorriso tranquilizador.

"Está tudo bem. Você está seguro."

O mundo começou a girar. O chão correu para encontrá-la.

A última coisa que sentiu foi um par de braços fortes a pegando, puxando-a para um abraço apertado.

Parecia o Jairo.

Na escuridão, ela sorriu. Estou chegando, Jairo.

Capítulo 2

Clara acordou com o cheiro de antisséptico.

O quarto do hospital era particular, caro e vazio. Ela estava sozinha. Seu corpo doía, uma dor surda e latejante que parecia irradiar de seus próprios ossos.

Uma enfermeira entrou, sua expressão uma mistura de pena e desaprovação.

"Você acordou. Ficou desacordada por um dia inteiro. Sinceramente, doar tanto sangue já estando anêmica... o que você estava pensando?"

Clara apenas ofereceu um sorriso fraco. O que havia para dizer?

A enfermeira suspirou, afofando seu travesseiro. "Você tem sorte. Pode receber alta esta tarde. Seu marido pagou por tudo."

Quando a enfermeira saiu, Clara a ouviu conversando com uma colega no corredor.

"Você acredita? Ela desmaia por doar sangue para a ex dele, e ele nem veio vê-la uma vez."

"Eu sei! Ele ficou no quarto da Sra. Fontes o tempo todo. Ele é tão devotado a ela. Queria ter um homem que me amasse tanto assim."

"É, mas coitada da esposa dele... fica aí deitada, sozinha."

As vozes desapareceram. Clara olhou pela janela, observando um pássaro solitário voar pelo céu cinzento.

A tarde veio e se foi. Caio nunca apareceu.

Sentindo-se tonta, Clara deu alta a si mesma do hospital. Ela teve que passar pelo quarto de Cassandra para chegar ao elevador.

A porta estava entreaberta.

Ela o viu. Caio estava sentado ao lado da cama de Cassandra, segurando sua mão, sua expressão mais suave e terna do que ela jamais vira. Ele estava descascando uma maçã para ela, seus movimentos cuidadosos e precisos. Ele nem sequer olhou para o corredor. Ele não sabia que ela estava lá. Ele não havia perguntado.

A cena era um tipo familiar de dor. Ela se virou e foi embora.

A casa estava fria e vazia. Parecia menos um lar e mais um museu de uma vida da qual ela nunca fez parte de verdade.

Ela tentou fazer uma xícara de chá, mas suas mãos tremiam demais. A xícara de porcelana escorregou de seu aperto e se estilhaçou no chão de mármore.

O som quebrou algo dentro dela. Uma única lágrima quente rolou por sua bochecha. Depois outra.

Ela se ajoelhou para pegar os cacos, e uma borda afiada cortou seu dedo. O sangue vermelho vivo brotou, um contraste gritante com sua pele pálida.

"Jairo," ela sussurrou, o nome um soluço doloroso. "Estou tão cansada."

Ela se lembrou de como Jairo sempre a repreendia por ser desastrada, como ele gentilmente pegava as coisas de suas mãos e as fazia ele mesmo, seu toque sempre tão quente.

Depois de limpar a bagunça, ela se levantou, respirando fundo. Quase lá, Clara. Só mais um pouco.

"Pelo que você está chorando agora?"

A voz fria a fez pular. Caio estava na porta, de braços cruzados, o rosto uma máscara de irritação.

"Fazendo cena pra mim? Doar sangue, desmaiar, agora isso? Você nunca se cansa desses joguinhos patéticos?"

Ela abriu a boca para argumentar, mas ele a cortou.

"Eu não me importo, Clara. Já te disse mil vezes. Eu nunca vou ter sentimentos por você."

Ela ficou em silêncio, o olhar caindo para o chão. Era mais fácil assim.

Seu silêncio pareceu irritá-lo ainda mais. Um músculo se contraiu em sua mandíbula.

"Por que você não chamou a empregada para limpar isso?" ele rosnou, mas então fez algo que a chocou. Ele avançou, a pegou nos braços e a levou escada acima.

Seu toque era rude, mas sua voz, quando falou novamente, era mais suave.

"Você é uma idiota. Deveria estar descansando."

Clara estava confusa demais para lutar. Ele a deitou na cama de seu quarto, um quarto em que ele nunca havia entrado em dez anos.

Ela olhou para o perfil dele, tão dolorosamente semelhante ao de Jairo. O mesmo maxilar forte, o mesmo cabelo escuro.

Sem pensar, ela estendeu a mão e agarrou seu pulso.

"Fica," ela sussurrou, a voz pequena e fraca. "Por favor. Só por esta noite."

Ele congelou, interpretando mal seu apelo. Um lampejo de algo - seria tentação? - cruzou seu rosto antes de ser substituído por sua máscara fria de sempre.

Naquele exato momento, seu telefone tocou, o som estridente quebrando o momento.

Ele atendeu. Era Cassandra. A voz dela, fraca e frágil, saiu pelo alto-falante.

"Caio... estou com medo. Você pode voltar?"

Caio olhou para Clara, um breve e fugaz momento de hesitação em seus olhos.

Clara viu. Ela entendeu. Ela soltou o pulso dele.

"Vai," ela disse, a voz neutra. "Ela precisa de você."

Ele pareceu quase aliviado. Ele estendeu a mão, os dedos roçando seu cabelo em um gesto surpreendentemente gentil.

"Eu volto mais tarde," ele prometeu.

Então ele se virou e saiu do quarto sem um segundo olhar.

Ele não voltou.

Capítulo 3

Caio voltou na tarde seguinte.

Ele não estava sozinho.

Clara desceu as escadas e encontrou Cassandra Fontes aninhada no sofá, enrolada em um cobertor de caxemira, parecendo pálida e frágil.

"Clara," disse Cassandra, a voz um sussurro doce e inocente. "Espero que não se importe. O médico disse que preciso de alguém para cuidar de mim, e o Caio insistiu que eu ficasse aqui."

Clara sabia que era mentira. Caio nunca "insistiria" em algo tão problemático. Isso era obra da própria Cassandra.

"Não me importo," disse Clara em voz baixa.

Caio desceu as escadas então, ajustando o cobertor nos ombros de Cassandra com uma ternura que fez o estômago de Clara se contrair.

"Clara," ele disse, sem olhar para ela. "Cassandra precisa descansar. Você pode cuidar dela."

Não era um pedido. Era uma ordem.

Cassandra sorriu docemente. "Oh, eu não poderia impor. Tenho certeza de que a Clara ainda está fraca de... tudo."

"Ela está bem," disse Caio, o tom desdenhoso. "Ela não tem nada melhor para fazer de qualquer maneira."

As palavras foram um soco casual no estômago. Ele a via como nada mais que uma serva, uma conveniência.

Clara mordeu o lábio, sentindo o gosto de sangue. Ela assentiu em silêncio.

"Estou com um pouco de fome," disse Cassandra, olhando para Clara com olhos grandes e inocentes. "Você poderia me fazer um mingau? Do tipo que você faz para o Caio. Ele diz que é o favorito dele."

As mãos de Clara se fecharam em punhos. Ela nunca havia cozinhado para ninguém além de Jairo e, por extensão, Caio. Ela era uma artista, uma pintora. Tinha sido mimada e cuidada a vida inteira.

Ela queria dizer não. Queria gritar.

Mas então sentiu os olhos de Caio sobre ela, frios e ameaçadores.

Ela abriu os punhos e se virou para a cozinha sem uma palavra.

Levou meia hora para fazer o mingau. Quando ela o trouxe, Caio havia saído, atendendo a uma ligação de trabalho em seu escritório.

Cassandra estava sozinha na sala de estar. A máscara doce e frágil havia desaparecido. Seus olhos eram afiados e zombeteiros.

"Você realmente é uma cachorrinha patética, sabia?" ela debochou. "Dez anos, e ele ainda te trata como lixo."

Clara colocou a tigela na mesa de centro.

Cassandra torceu o nariz em desgosto. "Isso está muito quente. Não consigo comer. Faça de novo."

Clara hesitou. Ela pegou a tigela, com a intenção de voltar para a cozinha.

De repente, Cassandra arrancou a tigela de suas mãos e deliberadamente derramou o mingau quente em seu próprio braço.

Ela soltou um grito agudo.

"Ahh! Queima!"

Caio saiu correndo de seu escritório, o rosto sombrio de fúria. Ele viu Cassandra segurando seu braço vermelho e escaldado e Clara de pé sobre ela com a tigela vazia.

Ele não perguntou o que aconteceu. Ele avançou e agarrou o pulso de Clara, seu aperto como um torno.

"Que porra você fez?" ele rugiu.

Cassandra já estava chorando, a voz embargada por lágrimas falsas. "Não é culpa dela, Caio! Eu só disse que estava um pouco quente... não queria deixá-la com raiva."

"Eu não..." Clara começou, mas Caio já a estava sacudindo, os olhos em chamas.

"Cala a boca! Eu te avisei. Eu te avisei para não tocar nela."

Ele jogou a mão dela para longe com tanta força que ela cambaleou para trás, batendo na parede. O impacto fez seus dentes rangerem.

Ele cuidadosamente levantou Cassandra em seus braços, a voz suavizando. "Está tudo bem. Vou chamar um médico."

Enquanto a carregava para longe, Cassandra olhou por cima do ombro dele para Clara. Seus lábios se curvaram em um sorriso triunfante e vicioso.

Clara deslizou pela parede, o corpo tremendo. A luta se esvaiu dela, deixando apenas uma exaustão vasta e oca.

Ela abraçou os joelhos, encolhendo-se.

"Jairo," ela sussurrou no silêncio. "Por favor... venha me buscar."

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