Quero ver até onde ele irá, nessa nossa disputa. Acho divertido, ele é bem bonitinho e deve ocupar um cargo de confiança aqui na empresa. Há mais de um mês que seguimos a mesma rotina, depois daquele primeiro dia. Estava no meu momento de descanso depois de uma negociação dificílima; fiquei muito tempo com o cliente, mas depois desse período, a negociação acabou transcorrendo sem maiores problemas.
Passei pela máquina de café e peguei um chá de canela que sempre tomo depois de situações como esta, aproveitei e belisquei alguns biscoitinhos, me dando o direito dessa extravagância.
Estava um dia quente, mas sou adepta a beber chá em qualquer época do ano.
Naquele momento, enquanto meus olhos buscavam as pessoas no ambiente, acabei por descansá-los em um par de olhos verdes de tirar o fôlego.
Você não está entendendo, não estou falando de qualquer olhos verdes, não mesmo, mas um par de olhos verdes de deixar qualquer mulher extremamente bamba só de contemplá-los à distância e comigo não foi diferente.
Estava sentada numa das cadeiras que há para descanso, quando me dei conta daquele pedaço de mal caminho, como diria minha avó.
Que homem é esse?!? Pele bronzeada, mas não me parece um trabalho feito artificialmente, olhos de um verde jamais visto ou imaginado por mim.
E não era apenas a minha atenção que chamava, pois os suspiros das outras garotas na sala, não parecia incomodá-lo, nem um pouco! Pois era evidente que não dava a mínima para esse frenesi em sua volta.
Uma coisa é certa, ele é de tirar o fôlego!
Que olhos eram aqueles?!? Pareciam duas esmeraldas, de tão intensos que eram.
Observo toda obra detalhadamente e o que vejo, me deixa extasiada!
Ele deve ter aproximadamente um metro e oitenta ou um e noventa de pura gostosura!
Nossa, na medida certinha para mim!
Braços e peito de puro músculos, sem exagero, cada pedacinho milimetricamente trabalhado, cabelo estiloso, sem corte definido, um bagunçado que dá vontade de se enroscar.
"Stela, o que é isso!!!", digo a mim mesma, percebendo a loucura que começa a se desenhar em minha mente.
Mas não consigo parar, seu rosto, linhas fortes e firmes, formam cada pedacinho, desenhando quase que sutilmente um quadrado. Nariz pontiagudo na medida certa, dentes branquíssimos que me fazem querer perguntar: "Ei, gatinho, quem é o seu dentista?"
"Ahhh, para Stela... você já está indo longe!", me corrijo quase que automaticamente.
No entanto, quem disse que consigo parar, sua boca, por meus neurônios, o que dizer daquela boca, perfeita, seria a melhor palavra, carnuda mas na proporção certa; ele passa sua língua sobre seus lábios, me levando inconscientemente a me perder naquele movimento imperceptível aos demais. Me dou conta que mal estou respirando.
"Ah, não!!!", sou pega em flagrante por seu olhar na minha direção.
Com tantas garotas ali, aí, tinha que ser eu o seu alvo!
Sinto-me paralisada por ser descoberta, mas resisto em desviar o olhar, mantenho meu rosto glacial, como se nada estivesse acontecendo.
Sigo me deliciando com meu chá e aproveitando aqueles olhos ao máximo.
Não faço ideia, onde estou encontrando coragem, pois não me lembro de fazer nada parecido com isso, no entanto, sigo em frente, o que tenho a perder, se me lembro, nada e essa paisagem vale muito a pena.
E como vale!!!
Depois daquele dia, os demais que seguiram foram na mesma intensidade. A cada dia o encontro não marcado, éramos surpreendidos por ganharmos aquele momento desfrutando um do outro, a distância, sem nenhuma palavra entre nós, apenas a fixação de nos perdermos em nossa intensa troca. Mesmo quando estávamos acompanhados, nossos olhares seguiam fixos um no outro.
Essa recém distração me fazia um bem tão grande, eu não conseguia entender, afinal sou uma mulher resolvida e em perfeita consciência de que já passei da adolescência faz tempo.
No entanto, aquele momento com aquele desconhecido, começou a despertar sensações que há muito não sentia e que até certo ponto me fazia bem.
Mal sabia eu o que estava por vir.
Depois de um pouco mais de um mês, aqui estou novamente esperando a máquina liberar meu chá, a ansiedade do encontro é grande.
Quem será ele? Já tentei buscar em minha memória, mas não lembro de tê-lo visto antes, será que é um funcionário novo, ou até mesmo veio de uma das nossas outras filiais.
Me vejo indagando até sobre o que ele estará vestindo, tentando adivinhar cor, corte, enfim... Ah, tantas perguntas e nenhuma resposta.
O tempo começa a passar e nada dele aparecer, será que está em alguma reunião, bem, pode ser que sim, prefiro ignorar sua ausência, poderia ter ido atrás de saber quem era ele, saber ao menos seu nome, no entanto achei melhor curtir o duelo de olhares, que com o passar do tempo se tornou bem interessante.
Termino meu chá, ainda sentindo sua ausência, mas até então nada do bonitão. É estranho desde aquele primeiro dia nunca deixamos de nos encontrar.
Retorno para minha mesa frustrada com sua ausência, pior, passei os dois dias seguintes sem encontrá-lo. Nossa, o que será que aconteceu?!? Será que não o verei mais, sinto um frio na barriga com essa possibilidade e tento me corrigir, afinal, estamos na empresa que possivelmente ele também trabalha e até onde podemos analisar, era apenas um flerte, sem compromissos ou prazos a serem compridos.
Passo o restante do dia pensando o que possa ter acontecido, entre um trabalho e outro, tento ao máximo não me deixar levar, mas a luta é vã.
Ao final do expediente arrumo minhas coisas, sentindo-me vazia, como se algo tivesse sido tirado de mim.
Não tenho como conter os suspiros que acabam escapando dos meus lábios, termino com minhas coisas, olho para minha mesa como se ela pudesse me reestruturar novamente, respiro fundo na busca do ânimo que me escapa, me viro e caminho na direção do elevador, hoje não vou para a academia, vou fazer meu macarrão com queijo preferido, colocar meu pijama de flanela de ursinho e me jogar no sofá.
Espero que Isa não me invente nada. Isabelle Tunner, ou simplesmente, Isa é uma das minhas melhores amigas, nos conhecemos no trabalho, ela veio transferida de uma de nossas filiais. Ela é como eu em muitos aspectos; tem um metro e setenta e cinco de altura, corpo bem cuidado, cabelos negros abaixo do ombro, rosto redondo e nariz arrebitado, olhos negros e claro uma pele de dar inveja, ela teve uma breve carreira de modelo mas decidiu por outra coisa, pois queria muito terminar os estudos e com a vida de modelo, se tornava difícil.
Buscou concluir a faculdade de comércio exterior, se formando com louvor. Logo que chegou a nossa empresa, nos encontramos um dia no bistrô que fica do outro lado da rua, onde eu e Sheila, minha amiga de anos, estávamos esperando para comprar nossos lanches.
Acabamos conversando e ela comentou sua recém-chegada à cidade e a dificuldade que estava tendo em encontrar um lugar para morar.
Foi incrível, pois há um tempo, eu estava querendo alguém para dividir meu apartamento, mas tinha medo do que poderia ser, um estranho morando em casa.
Tanto Sheila como eu, ouvimos sua história, vimos ali, o que poderia ser uma companhia ideal. E assim estamos morando juntas, há três anos. E digo, foi a melhor coisa que me aconteceu.
O elevador abre a porta, porém logo fica cheio e fico sozinha esperando o próximo. Lembro de ter deixado meu celular no modo silencioso e começo a mexer na bolsa para encontrá-lo. Enquanto vasculho em busca do meu aparelho, percebo alguém se aproximar, sinto meu corpo paralisar ao perceber que a pessoa não tira seus olhos de mim; no entanto continuo a busca por meu celular, começo a achar que não ando muito normal, agora ninguém pode me olhar que sinto essa coisa estranha, ignoro a sensação e continuo procurando.
O encontro no fundo da bolsa e sinto um alívio por achá-lo, vejo que recebi algumas mensagens, mas decido ver depois.
A pessoa atrás de mim, continua me observando e quando resolvo olhar para trás o elevador chega e retorno minha atenção as portas que se abrem diante de mim, mal dando tempo de ver quem é a pessoa.
Entro no elevador e quando me viro dou de cara com aqueles olhos esmeraldas que tanto me fizeram falta, por um instante sinto vontade de sair, mas, mal decido o que fazer, quando ele entra e atrás dele as portas se fecham, e o elevador começa a se movimentar.
Os andares vão passando, e continuamos, ali, no elevador, sozinhos.
Sinto-me estranha, como se o ar escapasse de mim, não consigo encará-lo, é esquisito, minhas mãos começam a suar, a inquietação é visível, por mais que eu tente, está difícil me conter desse desconforto todo, a luta é vã.
Crio coragem, afinal, já temos ganho tempo suficiente e decido não lhe mostrar o quanto estou desconfortável ali, ergo meus olhos e o encaro, sem saber ao certo como isso irá acabar.
Mesmo não me sentindo nada à vontade, mesmo percebendo o quanto aqueles olhos são capazes de me desequilibrar, decido resistir o quanto puder, não sei se terei forças o suficiente, mas me arrisco assim mesmo.
Os andares vão passando e continuamos ali, o nosso velho duelo, sem mudar um centímetro sequer nossas expressões.
Não consigo ver nada em seus olhos e acredito que ele também tenha a mesma dificuldade, pois estou decidida a não ceder.
Quando estamos passando pelo oitavo andar ele rompe o contato visual, aperta o botão de emergência que faz o elevador na hora parar.
O solavanco da geringonça me assusta, sou surpreendida pelo balançar da joça e sua parada brusca.
E quando menos espero, sou jogada contra a parede, sua boca se apodera da minha, ele vem sobre mim com toda determinação possível, tentando romper meus lábios e como se tivessem vida própria, sedem aquela invasão não planejada.
Mesmo sem me dar conta, já estou me abrindo para receber aquele contato, sua língua começa a explorar minha boca, numa busca desgovernada, ele suga minha língua como se a muito desejasse aquela troca.
Nossas línguas seguem numa dança frenética, me perco completamente em seus lábios, seu beijo é poderoso, firme e decidido.
Ele me empurra contra a parede do elevador, suspende minhas mãos sobre minha cabeça e segura ambas com uma de suas mãos, sem desgrudar seus lábios dos meus, me aperta contra seu corpo, se empurrando contra cada pedacinho meu, o desejo se apodera de nossos corpos; o beijo começa a delinear o quanto estamos sedentos por mais. Ele segue deixando sua marca em mim, deslizando seus lábios por meu pescoço, lançando sobre ele pequenas mordidas, como se quisesse marcar o território, segue por meu ombro e volta fazendo o mesmo caminho.
Gemo, me desfazendo todinha, por sua audácia e precisão.
Sinto meus sentidos escorrerem pelo chão; seu toque é firme, determinado e dominador.
O que provoca em mim, não há palavras para descrever. Seu cheiro é maravilhoso, uma mistura de banho fresco amadeirado, não me lembro de sentir cheiro igual, estou incendiada e não sei como parar.
O som de uma campainha nos assusta, e nos faz romper com aquele desejo, nos libertando ao menos para recordarmos onde nos encontramos.
Ele dá um passo para trás, passa uma das mãos por seus cabelos, respirando fundo ao que posso perceber, buscando retomar a consciência de que estamos na empresa.
Ele aperta um botão no painel, fazendo o elevador voltar a se mover.
Tento me recompor, superando aquele momento surpreendente. Não consigo mais encará-lo, o contato visual passa a ser definitivamente difícil.
Não sinto minhas pernas, continuo encostada na parede, tentando ao máximo me restabelecer. Depois de muito custo, consigo, no exato momento em que o elevador para.
Chegamos ao térreo; inclino-me pronta para descer.
Me reorganizo e caminho sem olhar para trás, buscando ao menos manter um pouco de lucidez, ao que acaba de acontecer ali no elevador. Não tenho noção do que foi aquilo, vou até as catracas, ele segue na mesma direção que eu e ao passar por mim sussurra em meu ouvido:
"A propósito, também senti sua falta!"
O que foi tudo isso?!? Por todos os meus neurônios saudáveis!!! Como racionalizar o que vivi ali, naquele elevador, nunca em minha vida imaginei estar me espremendo com um cara em um elevador e pior, na empresa que trabalho, correndo todos os riscos possíveis e imagináveis.
Mal percebi o trajeto para casa, abri a porta no automático. Preciso me desconectar, preciso do meu cérebro funcionando, preciso beber algo forte, uma garrafa de vinho vai ajudar.
Lanço longe minhas sandálias, pego uma taça no armário e abro a garrafa, bebo um generoso gole.
Era disso que eu precisava, sem dúvida!
"Stela, é você?" - ouço a voz da Isa vindo ao meu encontro.
"Menina o que foi... parece que viu fantasma?!?, ela me pergunta"
"Acho que vi... (e que fantasma!!! - penso eu )... mas deixa para lá"
Saio sem me explicar, afinal o que vou dizer se ainda não processei o que aconteceu comigo.
"Vai sair?!?"
Emendo a pergunta para não lhe dar tempo de me questionar. Bebendo o vinho que acabo de colocar na taça.
"Sim, Dougue vem me buscar, quer ir com a gente ? Ele tem entradas VIP's, um amigo estará discotecando hoje numa casa noturna no centro e ele me convidou".
Sei não, nos últimos tempos Isa e Dougue têm estado tão juntos. Douglas Spencer, ou Dougue para seus amigos, é o irmão mais novo da Sheila, um cara incrível, inteligente, de um senso de humor nas alturas. Com quase dois metros de altura, olhos esverdeados que às vezes parecem cinzas, boca pequena mais que fica perfeitamente linda em seu rosto, atlético, sem nenhuma gordurinha, anda sempre na moda e tem estilo próprio.
Trabalha como hostess em eventos e inaugurações, é super conhecido e mantém um bom relacionamento com muita gente importante em todos os setores. Muito requisitado para grandes badalações e claro, com isso, sempre estamos nas melhores festas.
A campainha toca, Isa atende, desbloqueando a trava e dois minutos depois Dougue adentra nossa sala.
"Oi meninas, atrapalho?!?"
Ele está de tirar o fôlego, calça jeans desgastada, camiseta branca com gola V e um casaco sport num tom que não sei bem definir, a calça é justíssima, o que faz seu corpo encher os olhos de quem vê.
"Claro que não!"
Responde Isa que está também arrasando, colocou um vestido preto com comprimento acima do joelho, todo plissado, o que dá um ar romântico ao visual, uma sandália salto doze que trança em seus calcanhares, cabelo com alguns cachos caindo sobre os ombros.
Percebo que Dougue a come discretamente com os olhos, me reforçando que há algo além do que imaginei.
"Oi Dougue, estou de vinho, me acompanha?!?", pergunto.
"Oi Stela..."
Ele fica sem graça, quando percebe que peguei seu olhar para Isa, mas disfarça bem ao ponto dela não ver nada.
"Obrigado, mas estou indo a uma inauguração de uma nova danceteria, passei mesmo para pegar Isa, quer vir com a gente?!?"
"Obrigado, tive um dia longo".
Digo isso, lembrando o que me aconteceu na saída do trabalho
"Fica para a próxima"
"Ok, mas semana que vem é aquela inauguração que falei para vocês e quero que todos me acompanhem... minha irmã já está sabendo, nessa, quero todos meus amigos comigo, é na sexta - feira, até Eduard que vive viajando, está intimado!"
"Para mim está tudo no esquema!", respondo.
E dizendo isso, eles se despedem de mim e saem.
Bebo um pouco mais do meu vinho e estou feliz, por estar na segurança do meu lar.
Quando adquirir esse imóvel mal sabia eu o quanto maravilhoso seria ter meu próprio espaço.
Chegar em casa e me jogar no sofá, aí, como é bom! Esse apartamento foi um achado, são três andares, dois apartamentos por andar, tenho quatro vizinhos apenas e no último andar, o terceiro andar, é um duplex, ou seja, tenho o terceiro andar só para mim!
Esse prédio é uma construção antiga, não tem portaria. Mas é um charme! Quanto estive aqui com a corretora, tinha em mente algo mais moderno, mas quando me deparei com a fachada do prédio, toda coberta em tijolos, as janelas em madeira num tom creme, comecei a relevar a mudança de idéia quanto ao moderno.
O que dizer do terraço que me foi apresentado, um espaço todinho livre para se criar um super jardim suspenso. Não pensei duas vezes e aqui estou eu há mais de três anos. Meu apartamento tem três suítes, um escritório/biblioteca, sala de TV, sala de visitas, uma maravilhosa cozinha e claro meu charmoso jardim. Levei um tempo para terminá-lo, mas valeu à pena, ficou um luxo! Cada detalhe pensado minuciosamente e no final ficou muito bom, aconchegante e acolhedor.
Pena que esteja um pouco frio e começando a garoar, seria ótimo aproveitar esse vinho vislumbrando a paisagem lá fora. O prédio fica numa área rodeada por parques o que me presenteou com uma das melhores vistas da cidade, amo me perder observando a aquarela que sempre se desenha diante dos meus olhos.
Mas pensando bem, faz alguns dias que não me dedico à música, caminho até meu escritório onde fica meu piano, herança dos meus avós, deposito minha taça ao lado dele, numa mesinha.
Escolho Comptine d'Un autre Été, e começo a deslizar meus dedos, transformando cada carícia nos teclados, em uma melodia que passa a dominar toda a extensão do meu ser.
Entro direto na profundidade dos acordes que me transportam aquele beijo, este que não sai da minha cabeça, não estava em meus planos, depois de alguns dias de ausência, ser surpreendida assim.
Sinto-me como se estivesse com dezoito anos e não vinte e oito. Só de lembrar sinto um calor arder em mim, o que é isso?!?
A melodia me acalma e sei que era isso o que precisava, não faço ideia da ultima vez que tive que apelar para o piano para poder digerir uma situação, ele se faz muito presente em minha vida no entanto.
Percebo que precisava escorregar para uma zona que me pudesse dar todo o conforto que os acontecimentos recentes não estão me permitindo.
Depois de algum tempo, me sinto reconfortada como em todas as vezes que me perco nesse momento íntimo e único.
Vou mais calma para a cama, ainda muito envolvida com o que aconteceu a tarde, no entanto, um pensamento me assombra: E agora como vou encará-lo? E sua última frase para mim. O que pensar?!?
"A propósito, também senti sua falta!"
Ele sentiu minha falta! Quem será ele, o que ele quer afinal... Aff... que homem!!! Sinto cheiro de confusão. E que confusãooo!!!
Já relaxada, vou para o meu quarto, um banho e cama, caminho até meu closet, separando um pijama de flanela azul, arrumo algumas coisas e sigo até o banheiro. De banho tomado, dentes e cabelos escovados, olho para minha cama, ela parece mais uma nuvem onde desejo recompor minhas forças.
A imagem dele sorrindo, sua voz ecoa por minha cabeça, agora sei como é o cheiro dele, seu gosto, seu toque... nunca passei por situação semelhante, nem muito menos me imaginei viver algo assim. Sou tão previsível, sempre calculando os riscos, toda minha trajetória de vida até aqui sempre foi muito bem planejada, não que uma ou outra coisa tenha saído do esquema, mas nada como isso que vivi naquele elevador.
De repente estar em um elevador, ser pega de surpresa por um beijo daquele... uauuu ... preciso dormir, ou ao menos tentar... será que vou conseguir?!?