DEDICATÓRIA
Para Ketulin Daiane, pelas ideias aleatórias que são mágicas.
Para Adriana Borges, por me lembrar que eu posso.
E para ambas , por me ajudarem ao longo do caminho.
SINOPSE:
Ele é muito sexy para descrever em palavras.
Mia
Alex Lawson pode muito bem ser o mais sexy namorado literário imaginável. Um homem divertido, romântico, possessivo e irresistível. E a melhor parte? Ele é real.
Para uma garota como eu, viciada em livros e um pouco desajeitada, Alex é um sonho se tornando realidade, direto das páginas dos meus romances favoritos.
Nossa história está se transformando em um romance arrebatador, do tipo que só existe nos livros. Será que vamos alcançar o nosso felizes para sempre? Ou ele é bom demais para ser verdade?
Alex
O negócio é o seguinte: eu não sou um cara mau. Mentir para Mia não fazia parte do plano.
Fazer sucesso como autor de romance usando um pseudônimo feminino também não fazia parte do plano. Mas, às vezes, a vida faz curvas inesperadas.
Como perceber que a mulher pela qual você está se apaixonando é a melhor amiga virtual de seu alter-ego?
Online, ela acha que eu sou uma mulher chamada Lexi. Pessoalmente, ela sabe que sou todo homem.
Eu quero adorar seu corpo e reivindicar cada centímetro dele, mas se ela descobrir meu segredo, posso perder tudo.
Alex
Às vezes, na vida, todos nós temos momentos em que percebemos que estragamos tudo e não há saída.
Estou vivendo um desses momentos.
Mia está me olhando com os olhos arregalados, como se eu tivesse acabado de dizer a ela que matei a sua mãe. Eu não fiz isso, para deixar registrado. Mas o livro que ela está segurando cai e sua boca se move como se estivesse tentando encontrar algo para dizer. A profundidade do problema em que me meti está começando a me atingir.
Isso vai ser ruim.
- Você está falando sério? - Ela pergunta. - Você não está, né?
Como? Não. Não pode ser.
- Eu estou. - Porra, não é assim que eu queria contar a ela. - Eu sinto muito. Havia planejado te contar. Queria te contar. Apenas nunca parecia o momento ideal, e quando parecia, as coisas continuavam acontecendo.
Ela olha para o chão, a cabeça balançando lentamente de um lado para o outro. Estou em pânico, tentando pensar na coisa certa para dizer. Quais palavras dizer quando se está mentindo para a mulher por quem está apaixonado? Não faço ideia.
- Oh, meu Deus - diz ela, afastando-se de mim. - Oh, meu Deus. Eu estive... e você era... esse tempo todo... e foi... Lexi era você?
- Sim, Lexi sou eu.
- Puta merda. - Ela coloca a mão no estômago, como se fosse vomitar. - Eu disse coisas... coisas sobre você mesmo. E você esteve usando isso, não é? Você tem me manipulado esse tempo todo.
- Não - digo, levantando a mão. - Não, Mia, eu juro que não foi desse jeito.
- Como você pôde? - Ela pergunta. - Oh, Deus, isso começou na livraria. Posso comprar livros para você? Eu disse a Lexi que queria que um cara fizesse isso e você usou essa informação. Você usou minha própria dica a seu favor.
- Não. Deus, Mia, eu não sabia quem você era naquele momento. Eu só pensei em como você era atraente e que parecia uma boa ideia.
- Quando você descobriu? - Ela pergunta, finalmente me olhando nos olhos.
Fico olhando para ela, de repente incapaz de falar. Toda a minha lógica, todas as decisões que pareciam perfeitamente razoáveis até este momento desabam à minha volta. O famoso castelo de cartas.
Eu realmente fodi tudo.
- Alex, quando você descobriu quem eu era?
- Depois de jantarmos no Lift - digo, com relutância. - Você mandou uma mensagem para Lexi e falou sobre o seu encontro. Eu sabia que tinha que ser eu.
Ela me encara de boca aberta, seu queixo lá embaixo e os olhos arregalados.
Sim. Estou ferrado.
- Como você pôde esconder isso de mim?
- A única pessoa que sabe é minha irmã - digo. - Eu mantive isso em segredo de todo mundo.
- Sim? Bem, você não está dormindo com todo mundo - diz ela.
Eu estremeço.
- Mia, por favor. Não queria mentir para você.
- Claro que você queria - diz ela. - Mentir não acontece por acaso.
- Não, mas eu queria te dizer - eu digo. - Eu juro que eu iria te contar.
Ela encontra meu olhar e cruza os braços.
- Mas você não contou. Por quê?
Ok, talvez eu deva voltar e explicar por que estou em pé na frente do amor da minha vida, tentando fazê-la entender como eu também sou uma mulher chamada Lexi Logan.
Confuso?
Sim, também acho.
Tudo começou há pouco mais de um ano. Eu sei, isso é um grande salto de tempo, e você quer chegar às partes boas. O garoto conhece a garota, eles se apaixonam, fazem sexo como coelhos, são separados por algum conflito e voltam a ficar juntos para um brilhante felizes para sempre. Acredite em mim, estou muito familiarizado com essa história.
Na verdade, as escrevo para ganhar a vida.
Um ano atrás, esse não era eu. Cinco dias por semana, eu me arrastava para o trabalho, ficava sentado em um cubículo cinzento e sem graça, olhando para uma tela, escrevendo códigos de computador. Eu tinha uma merda de cadeira desconfortável, um chefe que precisava de um soco na garganta e um monte de colegas de trabalho que estavam presos tão profundamente nessa rotina quanto eu.
Mas, no meu tempo livre, eu escrevia um livro de ficção científica. Passava horas fazendo pesquisas, tomando notas, desenhando esboços. Eu trabalhava até tarde da noite, adicionando lentamente palavra após palavra. O livro ficava cada vez mais longo, mas achava que lidaria com isso quando começasse as revisões. Ou talvez transformaria em uma trilogia. Eu certamente tinha material suficiente. Muito frequentemente, o sol manchava o céu de cores e meus olhos estavam secos e ásperos, antes que eu, finalmente, caísse na cama por algumas horas.
Apenas para me levantar e ir para o meu trabalho de merda.
Para ser justo, a privação de sono provavelmente não estava ajudando a minha atitude em relação ao trabalho.
Eu queria ser escritor desde criança. Quase me graduei em inglês, mas meu pai, sempre um homem prático, me convenceu a conseguir um diploma de ciência da computação, caso a coisa da escrita não desse certo. O problema é que esse grau prático levou a uma carreira prática, que levou à minha atual existência, sugadora de alma, na qual eu estava afundado.
Eu não via uma saída. Meu trabalho era uma droga. Eu me divorciei depois de um casamento muito breve e tumultuado. Meu status de relacionamento era basicamente eu amo mulheres, mas não estou interessado em compromisso. Tudo o que eu tinha era minha escrita.
Mas, por mais que eu gostasse do processo, sabia que era mais um hobby do que uma carreira, pelo menos do jeito que eu estava fazendo. Mesmo que o produto finalizado – se algum dia eu terminasse – fosse o melhor épico de ficção científica já escrito, seria preciso um golpe de sorte para publicá-lo e ganhar dinheiro suficiente para deixar meu emprego. E, considerando que já estava trabalhando nisso há anos, sem nenhum fim à vista, não parecia que esse seria o caminho para uma vida melhor.
Até que minha irmã, Kendra, disse algo que alterou o curso da minha vida para sempre.
Alex
- Olha, é uma pena que você não esteja escrevendo algo com um apelo mais amplo - diz Kendra. Ela empurra um envelope pardo sobre a mesa em minha direção. - Ou algo que pudesse terminar mais rápido. Você é um escritor tão bom, mas isso tem um público tão limitado.
- Eu não te dei isso para ter conselhos de marketing. - Coloco um pouco de creme no meu café e mexo. - Queria saber o que você acha sobre o rumo que a história está tomando.
Uma garçonete coloca o latte de Kendra na frente dela. Ela o leva até o nariz e cheira.
- Hum, tão bom. Eu amo o café daqui.
Estou almoçando com minha irmã no Café Presse, um pequeno café francês no Capitólio. Ultimamente tenho encontrado Kendra na maioria dos sábados, e ela tem me dado um feedback sobre o meu romance, já que ela é editora e entende do assunto.
- Você está divagando de novo - diz ela. - Até o capítulo dez é muito bom, mas depois você começa uma tangente no capítulo onze e eu não sei por que é relevante.
- Será relevante mais tarde - eu digo. - A história volta para esse ponto. Confie em mim.
Ela revira os olhos.
- Diga isso para alguém lendo. Eles vão chegar ao capítulo onze e pensar: que porra é essa, e fechar o livro. Você não vai estar lá para dizer confie em mim.
Esfrego a barba e olho para a pasta. Ela provavelmente está certa. Ela sempre está.
- Ok, justo. Eu vou voltar ao capítulo onze. Talvez precise de mais algumas dicas no capítulo sete.
- Isso pode ajudar - diz ela.
Uma loira bonita caminha em direção à nossa mesa. Eu olho para Kendra e olho para ela, levantando um canto da minha boca em um sorriso. Ela sorri de volta, mas desvia o olhar e continua andando.
Kendra levanta uma sobrancelha.
- Você é esse cara.
- O quê?
- Devo assumir, por essa troca intensa de olhares com a garota, que você não está mais saindo com a... Qual é o nome dela?
- Brandy? - pergunto.
- É isso aí. Brandy.
- Não, eu não estou mais saindo com ela.
- Por que não? - Ela pergunta. - Eu pensei que ela tinha realmente passado da sua coisa de cinco dias.
- Que coisa de cinco dias?
Kendra encolhe os ombros.
- Talvez não sejam cinco. Eu literalmente não conto quantas vezes você sai com alguém. Eu só quero dizer que você não parece ficar com ninguém além de quatro ou cinco encontros.
Ela provavelmente está certa. Eu não tenho interesse em mais do que namoros curtos com mulheres desde o meu divórcio.
- Por que você se importa?
- Porque você é meu irmão - diz ela, como se isso explicasse a vida, o universo e tudo mais.
Tomo um gole do meu café.
- Eu terminei as coisas com Brandy algumas semanas atrás. E, antes que você pergunte, não, eu não estou saindo com mais ninguém agora.
- Não fique sensível sobre isso - diz ela. - Seria bom ver você com alguém a sério. Uma pessoa que você possa realmente apresentar à família. - Eu não tenho pressa para isso -digo. - E não quero falar com você sobre mulheres. É estranho.
- É apenas estranho porque você faz disso uma coisa estranha - diz ela.
- Você realmente quer que eu comece a compartilhar os detalhes da minha vida sexual com você?
- Deus, não - diz ela, revirando os olhos. - O que eu quero dizer é que eu não estava falando sobre sexo. Você que tornou isso uma coisa estranha.
O garçom traz o almoço e começamos a comer. Esse lugar serve sanduíches incríveis. Porém, Kendra parece distraída por algo atrás de mim.
- O que você está olhando? - Eu pergunto, depois que ela olha além de mim pelo menos pela décima vez.
- Nada.
- Obviamente é alguma coisa. Você continua olhando pra lá. - Eu olho por cima do meu ombro e vejo um casal sentado um ao lado do outro, em uma pequena mesa. O rosto da mulher está escondido pelo homem com quem ela está, eles estão se beijando, a mão dele no queixo dela. Eu volto a olhar para Kendra e dou de ombros. - É um café francês. Talvez estejam influenciados pelo ambiente. Apenas ignore-os.
- Sim, mas ... - Ela olha novamente. - Não é a Janine?
Eu congelo. Não vejo minha ex-esposa desde que nosso divórcio foi finalizado. Seattle é uma cidade grande o suficiente, não foi preciso muito esforço para evitá-la. Espio por cima do meu ombro novamente. O homem se afasta e eu tenho um vislumbre de seu rosto. Sim, é a Janine.
Isso estraga o meu almoço. Viro de costas, esperando que ela não me veja.
- Estou surpresa que ela esteja deixando alguém fazer isso com ela em público - eu digo. Janine nunca foi uma pessoa adepta a demonstrações públicas de afeto, especialmente quando estava usando batom. O que era sempre.
Kendra respira fundo.
- Desculpa. Eu a notei há um tempo e fiquei preocupada que isso pudesse te incomodar.