- Eu te prometo ser fiel, te amar todos os dias da minha vida, ser seu melhor amigo, seu amante...
Lindo não é? Eu sonhei com esse dia por meses, cada pedacinho de tule branco, cada laço de fita de seda e cada pétala de rosa. Uma igreja linda, majestosa e lotada com todos os meus amigos presentes, sorrindo de felicidade por mim, e assistindo a esse momento único em minha vida. No entanto, como eu disse, eu sonhei, não quer dizer que se realizou, pois, nesse exato momento estou em pé no espaldar da porta da sacristia, assistindo o homem da minha vida lendo os seus votos de casamento para outra mulher, enquanto ela sorri amplamente para ele. Ah, não! Eu não paguei por "esse" casamento, não sou tão idiota assim! O fato é que eu, assim como a mulher naquele altar estávamos fazendo isso ao mesmo tempo, e tudo para um único noivo. E como cheguei até aqui? Longa história e uma história que faço questão de apagar dos meus pensamentos.
- Eu vos declaro marido e mulher! Pode beijar a noiva. - E foi com essas palavras que dei as costas para aquele altar extremamente elegante e segui linda e bela em cima dos meus saltos altos para fora dali.
- Demorooou! - Meus amigos gritaram de dentro de um jipe, que já me aguardava na frente da igreja e sorri, erguendo os meus braços para alto, me sentindo plena e maravilhosa.
- E que venha o Havaiiií! - Javier gritou, tocando alto a buzina do carro várias vezes, e ali mesmo na calçada, me livrei dos saltos altos, os jogando para o alto, e depois, o elegante vestido, cheio de brilhos e de babados, revelando meu jeans azul anil tamanho 46 e uma blusa tomara que caia branca, que agraciava o meu busto de seios fartos, e corri animada para dentro do carro.
- Pisa no acelerador, Javier! - Mirela, minha amiga de longas dadas deu a ordem e ele simplesmente arrancou, me fazendo cair de bunda para cima dentro do veículo.
- Filho da mãe! - xinguei alto, quando escutei as risadas de todos e logo que me ajeitei no banco de trás, ao lado das minhas amigas, senti o vento bagunçar os meus cabelos, os jogando para trás e acariciou o meu rosto de modo simultâneo. Nesse exato momento, eu sorri me sentindo liberta.
NOTASDO AUTOR:
Começando mais uma história de amor aqui com vocês. espero que se divirtam com as loucuras da Tuca e de seus amigos e vamos torcer por esse casal nada provável que é a Tuca e o Gustavo.
Bjinhos meus amores e espero encontrar alguns comentários seus, quero muito interagir com vocês.
Chega de conversa fiada e vamos de leitura!
Ao longo da minha vida de adulta eu fui uma boa menina. Me formei nas melhores faculdades, obedeci os meus pais, arrumei um bom emprego e também um bom namorado. Conheci o Alec em uma rave. Lembro-me que tinha muitas cores, muita gente dançando enlouquecida perto demais umas das outras e cara, tinha muita bebida naquele lugar. Como sempre, eu estava curtindo com os meus amigos Javier, Mirela e Val. Somos inseparáveis desde sempre. Quer dizer, não exatamente desde sempre. Depois que Alec entrou em minha vida fui me afastando deles aos poucos.
Não era exatamente uma exigência do meu ex, mas vivíamos tão grudados um no outro, que não sobrava tempo entre o trabalho e namoro para eles. Enfim, Alec chegou no nosso meio como quem não queria nada, se enturmou e foi ficando. Trocamos alguns olhares e depois do terceiro copo, já estávamos nos pegando e depois disso, não conseguimos evitar as enxurradas de mensagens e de telefonemas. Pela primeira vez eu estava apaixonada por um cara extraordinário e completamente sexy, e isso teve praticamente a durabilidade de dois anos. Logo que ele assumiu a vice presidência da Stars'Books, uma das maiores e mais requisitadas editoras do país. Começamos com os nossos planos para o nosso casamento. Enfim, eu desenhei cada detalhe daquela festa, as mínimas cores, quantidade de convidados, as flores, o tapete vermelho e tudo mais. No entanto, no final de tudo não fui eu quem foi parar naquele altar e sim a filha do seu chefe. E como estou com isso?
- Mais um copo, senhorita? - Um garçom usando apenas uma saia havaiana perguntou, inclinando só um pouquinho o seu corpo em minha direção, me oferecendo mais uma daquelas deliciosas bebidas, com um guarda chuvinha no topo e eu sorri, colocando o meu copo vazio em sua bandeja. Como vocês podem ver, eu estou cagando e andando para aqueles dois. Sério, após analisar os prós e os contras da minha relação com Alec, eu posso simplesmente dizer que saí no lucro. Eu não aguentava mais ouvi-lo dizer que eu precisava perder peso, que tinha que fazer uma dieta e ficar mais gostosa para ele, ou que os seus amigos tinham mulheres gostosas ao lado deles. Ah, vai se foder! Tudo bem que aos vinte e três anos e com a altura de 1,70 m, estou pesando graciosamente 85 quilos. Ah, vai! Melhor do que ser magra demais e não ter nenhuma carne macia para apertar. Eu, Vitória Andrada - Tuca para os íntimos, sou simplesmente maravilhosa, gostosa e sexy, e não preciso que nenhum homem venha me dizer esse tipo de coisa. Agradeço o garçom e ele ergue o seu corpo, mas antes de sair, me lança um olhar de lado e eu suspiro, levando o canudo a boca, sugando o líquido doce e gelado e imediatamente, sinto o leve teor do álcool no meu paladar.
- Foi impressão minha, ou ele te comeu com os olhos? - Mirela pergunta me fazendo engasgar na mesma hora e Val dispara em uma gargalhada.
- Vocês sabem o que eu penso sobre um relacionamento por agora, não é? - rebato com humor, mas, a danada ergue as suas sobrancelhas ruivas muito bem delineadas para mim.
- Quem falou em relacionamentos aqui? Você falou, Val?
- Eu não disse nada! - Val ergue suas mãos em sua defesa e eu reviro os olhos para as duas.
- Meninas, eu falei para vocês, nada de homens e nada de sexo enquanto estivermos aqui. Eu só preciso descansar e viver um dia após o outro.
- Entendi, virou a madre Tereza de Calcutá agora. - Mirela zomba me fazendo rir. Baixo os meus óculos espelhados, sugo um pouco mais da minha bebida e me esparramo em cima da espreguiçadeira, fechando os meus olhos e simplesmente ergo o meu dedo do meio para elas. Às duas voltam a explodir em uma boa risada e eu rio também, apreciando o calor gostoso do sol das praias havaianas. O fato é que ainda não estou pronta para qualquer tipo de relacionamento, seja ele com compromisso ou não. Eu preciso de um tempo só para mim e depois desse tempo, quero voltar as brilhantinas onde eu beijava na boca sem me preocupar com o dia de amanhã. E quando finalmente acabar essas férias de uma semana, voltarei para Seattle outra mulher, ainda mais determinada e dona do meu próprio nariz. O quê? Não pensaram que eu ia me afundar em lágrimas, trancafiada dentro do meu apartamento e me enchendo de sorvete, não né? Acho que nisso vocês vão concordar comigo, o Alec não merece tal sofrimento da minha parte, não mesmo! Tenho um plano totalmente elaborado por mim, embora as minhas amigas que estão ao meu lado, não concordem comigo. Em primeiro lugar eu, em segundo, o meu trabalho e em terceiro, os homens e esses a partir de hoje serão meus brinquedinhos particular, pois este coraçãozinho aqui, está fechado para balanço.
- Gente, alguém viu o Javier por aí? - Val pergunta, me fazendo despertar dos meus devaneios.
- Até parece que você não conhece aquele puto! Provavelmente ele deve estar agarrado com alguma havaiana graciosa por aí. - Escuto Mirela resmungar e depois, me ocupo em me desligar do mundo e sonhar com os meus projetos futuros.
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- Hu! Hu! Hu! Hu! ... - gritamos juntos e bem alto, fazendo uma fila de conga, enquanto procuramos passagem no meio da multidão. Gente, o Havaí é um sonho de sossego durante o dia e um espetáculo de festas a noite. A praia a esta hora está parcialmente iluminada por algumas tochas que estão espalhadas por todos os lados e quase todos aqui estão usando colares com flores coloridas, roupas informais e segurando seus copos com algum tipo de bebida. Entretanto, a grande maioria das mulheres estão usando a parte de cima dos seus biquínis e os homens estão com seus abdomens sarados de fora. A música é ótima e bem animada também. Juro que cheguei a imaginar alguns nativos em cima de um palco, tocando os seus instrumentos rústicos e algumas garotas vestidas com suas saias havaianas, mexendo os seus corpos de uma forma graciosa, e com seus sorrisos de boas meninas, mas, eu não podia estar mais enganada!
- Achei uma mesa lá atrás para nós! - Mirela grita do início da fila.
- Para que uma mesa, gente? Vamos beber, dançar, gritar feito loucas e depois que estivermos completamente bêbadas, caçaremos homens. Huuuuuuu! - Val gritou de volta, erguendo um braço para o alto e se remexeu, nos fazendo rir. Caçar homens eu não sei. Suponho que a minha borboleta suicida ainda não está preparada para esse tipo de evento, mas, de uma coisa eu sei, quero beber todas até me esquecer que eu sou gente. Pensei. Decidimos ir direto para o balcão do bar mesmo e como os amigos da onça haviam previsto, depois que todos ficaram ligeiramente bêbados, saíram pela multidão de corpos suados a caça de uma nova presa para ser devorada.
E viva o sexo grupal!
- Boa noite, senhorita! - O barman diz, colocando um tipo de coquetel com álcool, dividido em três cores diferentes e bem no topo do copo, tem uma deliciosa rodela de laranja com casca e tudo. Tiro os meus olhos da bela obra de arte e encaro o rapaz de pele morena e careca, que usa umas argolas douradas penduradas nas orelhas, esbanjando um belo peitoral e abdômen com alguns gominhos banhados em uma espécie de óleo perfumado e o contestei.
- Desculpe, mas eu não pedi isso!
- Ah não! Foi aquele senhor quem pagou a bebida para a senhorita - explicou, apontando para um cara sentado do outro lado do balcão, com uma cara bonitinha, mas ordinária, sabe? E o mesmo abriu um sorriso de lado, e ergueu o seu copo em um brinde mudo, e confesso que não consegui evitar lançar um certo charme, quando levei o canudinho a minha boca e suguei o resquício da minha bebida. Depois, me levantei do banco alto, ajeitei a minha saia longa, que tem uma enorme fenda, que revela boa parte da minha coxa direita, ergui o meu busto em um top tomara que caia de estampa colorida e depois, joguei os meus cabelos ondulados para trás. Peguei a bebida nova e fui para o outro lado do balcão, caminhando com firmeza em cima dos meus saltos altos, embora a minha cabeça já estava quase girando em noventa graus. Você deve estar se perguntado......... "Saltos altos em plena praia do Havaí?" Saltos altos na praia sim, meu amor, a final, quem é rainha, nunca perde a sua majestade.
- Boa noite, fofinha! - Ele disse assim que me aproximei.
Puta que pariu, fofinha não, caralho! Gritei por dentro e forcei um sorriso para o homem, que ao me aproximar, pude perceber que se tratava de uma bela espécie masculina. Ele está usando uma calça folgada branca, dobrada até uma parte da sua canela e por cima dessa, uma camisa branca, com seus botões abertos até a metade, revelando alguns pelinhos lisos em seu peitoral e as mangas estão arregaçadas até a metade dos seus antebraços. O perfume adocicado que vem dele é de pirar o cabeção, mas, vamos e convenhamos mulheres desse mundão de Deus, eu não posso fraquejar.
- Vim devolver a sua bebida. - Fui educada não fui? Confessem que estou de parabéns? Sorri satisfeita para mim mesma. O tal carinha olhou para o copo estendido na sua frente e depois para mim, erguendo as perfeitas sobrancelhas negras e se levantou, chegando um pouco mais perto de mim.
- Não gosta de coquetéis? Posso pedir outra bebida para você.
- Na verdade, a mamãe me ensinou desde cedo que eu não devo aceitar coisas de estranhos - rebato cheia de ironias, mas o infeliz simplesmente riu de uma forma divertida.
- Ok, fofinha, você está certa! Então vamos resolver esse problema agora mesmo. Eu me chamo Gustavo e você é a... - Ele me estendeu a sua mão, aguardando que eu dissesse o meu nome. Audaciosa, me aproximo ainda mais do homem extremamente alto e confesso que até sedutor, e levo a minha boca bem perto do seu ouvido.
- Prazer, eu sou a louca que vai derramar essa bebida na sua camisa e... fofinha, é o caralho! - sussurro, segurando o meu temperamento explosivo e me afasto, abrindo um sorriso sacana, e quando me afasto, encontro um olhar completamente espantado. Não tive demora e aproveitei os seus segundos estarrecidos e joguei a bebida em sua roupa.
- Eita porra! - Ele ralhou, despertando do seu estado de torpor e olhou para a camisa machada com as três cores da bebida. Ergui as minhas sobrancelhas de modo desafiador e sorri.
- Tenha uma excelente madrugada, senhor Gustavo, e, foi um prazer conhece-lo! - falei e lhe dei as costas, tentando não tropeçar em meus próprios pés e caminhei sem olhar para trás. Olhei para o horizonte e vi que o céu já começava a clarear. Estava na hora de voltar para o hotel.
Só para não deixar sombras de dúvidas, eu sou gordinha sim, melhor dizendo, eu sou é gostosa mesmo! E não, eu nunca sofri nenhum tipo de preconceito por causa disso. Os quilinhos a mais, distribuídos com perfeição por todo o meu corpo, não dá a liberdade de me apelidar de fofinha e para os desavisados, eu odeio essa palavra! Porra, eu não sou um travesseiro, ou uma almofada para ser chamada de fofinha! Então se não quiser ouvir um desaforo da minha parte, é melhor saber usar bem as palavras perto de mim.
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- Hum! Hum! Ai! Nossa! - Tem coisa pior que beber todas e no dia seguinte acordar com a cabeça explodindo e um gosto horrível de pneu queimado em seu paladar? Ah, eu digo com toda certeza que tem sim! A pior coisa depois disso, é entrar em um quarto de hotel locado para quatro pessoas e encontrar o banheiro fechado a chave, porque uma de suas amigas está lá dentro com um carinha qualquer, e após correr para fazer xixi atrás de uma roseira, que não parava de espetar a minha bunda, ainda entrei no quarto e encontrei a Val no maior amasso com uma garota. Cara, eu estava pra lá de bêbada, e mesmo assim não consegui dormir com aquele maldito som estralado de beijos melados e sabe Deus mais o que! E, quando enfim, consegui adormecer no sofá da sala, sonhei o resto da madruga com o meu ex. Vê se pode? Prefiro fazer uma amizade com a minha dor de cabeça - que está me matando, diga-se de passagem - do que sonhar com aquele cafajeste! Lembrar que aquele infeliz me fez gastar horrores no casamento dos meus sonhos é quase um suicídio! O tempo todo ele estava envolvido com nós duas e a burra aqui não percebeu nada. Até um envelope anônimo surgir em cima da minha mesa, no meu escritório. Juro que vi tudo vermelho na minha frente quando descobri o que havia lá dentro e no mesmo instante, peguei a minha bolsa e o envelope, saí da minha sala e entrei no meu carro. Dirigi direto para a empresa onde ele trabalhava e fiz das tripas coração para ser um doce com ele. Alec não perdia por esperar!
Assim que me viu, o safado sorriu lindamente para mim e automaticamente o agarrei pelo pescoço - de uma forma carinhosa, claro. Contudo, a minha vontade era de esganar o desgraçado ali mesmo, porém, contarei um segredinho para vocês; sou vingativa, do tipo que ama torturas e foi exatamente isso que programei para o grande amor da minha vida. Saímos da Stars'Books direto para a prova de bolos da nossa maravilhosa futura recepção de casamento e pedi para pôr na mesa pelo menos cinco bolos de diferentes sabores, e depois disso, exigi que a atendente nos deixasse a sós. A princípio a coitada fez aquela cara do tipo... Que porra é essa? Mas, depois que ela saiu, eu tive o cuidado de fechar a porta com chave e de guardá-la entre os meus peitos. Alec me olhou confuso, forçou um sorriso amarelo e depois engoliu em seco.
- Amor, o que está acontecendo? - Gente, eu vibrei com o tom nervoso dele e sorri linda e maravilhosa.
- Por que pensa que está acontecendo algo, querido? - indaguei com doçura e caminhei em sua direção. Ele tentou se afastar, mas, o olhei bem dentro dos seus olhos e ordenei. - Senta aí!
- Tuca, você está me assustando!
- Só senta, Alec, ou eu mesma o farei sentar-se! - Ele me olhou por alguns segundos e obedeceu igual a um cão com o rabo entre as pernas. Fui para o seu lado na mesa, cortei uma fatia generosa do bolo de chocolate, com uma cobertura trufada de brigadeiro e com a ajuda de um garfo peguei um pedaço bem grande. - Abre a boquinha, coração! - Ele respirou fundo e a abriu e eu enfiei o bolo lá dentro.
- Porra, Tuca, ficou maluca, mulher?! - berrou exasperado.
- Fiquei! - berrei de volta, com um tom seco. Ele tentou se levantar, mas o empurrei de volta na cadeira e pus o meu salto altíssimo bem no meio das suas pernas. O homem estremeceu de nervoso.
- Caralho, o que deu em você?!
- Abre a boca, Alec! - ordenei, dessa vez pegando uma colher de inox e a enchi com a massa recheada do bolo.
- Eu não quero mais!
- Alec, abre a porra da boca! - Ele me encarou nervoso e obedeceu. Cara, eu empanturrei a boca do dito cujo. Ele respirou com dificuldade e tentou mastigar o excesso de massa. Então abri o envelope e joguei as fotos em cima da mesa. Várias imagens dele em alguns encontros com July Médici, a filha do presidente da empresa, e ele empalideceu, se engasgando com o bolo.
- Eu... eu posso explicar tudo isso! - gaguejou com dificuldade, devido ao excesso de comida em sua boca.
- É claro que você pode! Eu só não sei como você vai me fazer entender que enquanto dizia que me amava, comia a vadia da filha do seu chefe! - berrei, passando as mãos com raiva sobre o tampo da mesa e peguei todos aqueles papéis para jogar na cara do infeliz.
- Querida, vamos sair daqui e conversaremos. Tudo ficará bem! - sibilou uma súplica, porém. Fiz não com a cabeça pra ele.
- Você só sai daqui depois que comer todos esses bolos e vai me contar direitinho desde quando você e aquela branquela dos infernos estão me traindo!
- Enlouqueceu?! Aqui tem pelo menos uns cinco quilos de bolo! - rosnou desesperado. Abri um sorriso sem tamanho.
- Tem sim. Não se preocupe, se você conseguiu me comer e ainda chupar os ossos daquela vadia, conseguirá comer tudo isso também.
- Tuca, eu não vou...
- Você vai sim, ou capo você aqui mesmo! - gritei, segurando firme a espátula suja de bolo e ele arregalou os olhos assustado com o meu surto. Gente, juro que na hora me divertir muito. O imbecil comeu tanto bolo naquele dia, que tenho certeza que no dia do seu casamento ele não podia nem olhar para aquela beleza monumental, que era o bolo de três andares da sua recepção matrimonial. Pior foi ter que lidar com a realidade depois disso. Saber que Alec estava me traindo a mais de um ano com a tal July foi o ponto final definitivo de um relacionamento de dois anos. A fúria que me tomou na hora foi tão grande que parei ao seu lado, enfiei a mão naqueles bolos e as enchi com a massa e fui enfiando tudo dentro da sua boca, mesmo ele ameaçando vomitar tudo em cima de mim a qualquer momento. Após pôr toda a minha raiva para fora, me afastei ofegante, lavei as minhas mãos e olhei para o homem completamente verde, se contorcendo do outro lado da sofisticada mesa de vidro e saí dali de cabeça erguida, andando com elegância e determinada a seguir em frente. E foi exatamente isso que fiz.
- Alguém anotou a placa da porra do caminhão que me atropelou? - Javier grunhe, se sentando no sofá, usando apenas uma cueca samba cação.
- Minha nossa, acho que preciso de uma insulina, minha taxa de açúcar deve estar abaixo de zero! - Mirela resmunga entrando na sala e se deixa cair ao lado do nosso amigo.
- Alguém viu a Val? - pergunto. Eles se olham e depois dão de ombros.
- Deve estar no banheiro, ouvi a água caindo quando passei pelo corredor. - Mirela diz, levando as mãos aos olhos.
- Aham! - digo me deixando cair no tapete felpudo, no centro da sala. Eu estou acabada!
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NOTAS DO AUTOR:
A primeira impressão é a que fica! Que tal deixar um breve comentário sobre o que você achou da nossa protagonista e dessa turma maluquinha que são os seus amigos?
Ser solteira não é algo tão difícil de se levar. É praticamente como andar de bicicleta. Você nunca se esquece o gostinho da liberdade, e para obter sucesso, e não ficar pelos cantos remoendo o passado de uma companhia que não te pertence mais, existem algumas regrinhas básicas que você precisa pôr em prática em sua nova vida de solteiro. E a principal delas, e que não devemos descartar de maneira alguma, é voltar para sua badalada vida nas redes sociais, e resgatar aqueles contatinhos que ficaram esquecidos na sua agenda.
Olho para o espelho e mexo o meu corpo de uma forma graciosa, vestindo apenas um biquíni com um decote tipo cabresto e uma tanga com nós laterais. Solto os meus cabelos, ponho um elegante chapéu de abas largas na cabeça, e um par de óculos escuros, e enfim, aponto a câmera do celular para o alto, onde a minha imagem surge exibindo a enorme porta dupla da majestosa varanda, com a vista de uma bela praia exótica bem atrás de mim. Abro um sorriso extravagante e clico, e logo depois, jogo a imagem no Instagram com uma #solteira destacando na postagem. Não demorou muito para que os likes e comentários começassem a surgir. Satisfeita, pego minha bolsa de praia estufada e vou à luta, se é que vocês me entendem.
- Jesus, que foi isso mulher?! - Mirela cantarola me olhando dos pés à cabeça e chama a atenção de Javier e de Val que tomam café da manhã - em pleno meio-dia, e sorrio me achando.
- A mulher resolveu mesmo sair do armário! - Javier comenta, fazendo graça e solta um assobio apreciativo.
- Eu pegava na maior! - Val fala e quando me aproximo, os três vêm me dá aquele estimado abraço coletivo. Amigos que elevam a sua autoestima é outro nível. Não que eu precise disso, mas elogios nunca é demais!
- Todos prontos para um dia de praia? - pergunto festiva e eles se animam gritando um "só se for agora!" e logo todos saímos do hotel.
Do lado de fora, o clima é quente e agradável, ao mesmo tempo. Típico para pegar um bronze maravilhoso e ainda paquerar os surfistinhas, que resolverem aparecer por aqui. Me livro dos saltos Anabela e os seguro entre meus dedos, enquanto sinto o calor da areia branca e solta debaixo dos meus pés e caminhamos até encontrar um ponto estratégico para nos acomodar. Decidimos ficar em um local perto de alguns quiosques estilo havaiano, para o fornecimento das bebidas e bem próximo ao posto salva-vidas, para limpar as nossas vistas. Vocês entenderam, não é? Abro a minha bolsa e tiro a minha toalha de dentro, e quando me preparo para estendê-la na areia, sinto um forte impacto na minha bunda e automaticamente, sou jogada na areia. Rasgo um: "FILHO DA PUTA!" e me levanto, limpando a areia do meu corpo, para ver quem foi o idiota que acabou de estragar toda a minha performance. Quando encaro os enormes pés descalços - e que pés eram aqueles?! - e depois deixo os meus olhos subirem pelas pernas peludas. Estaciono na sunga, que tem um volume protuberante bem em cima da estampa de um coqueiro. Juro que cheguei a salivar ao ver aquele pacote envolvido em uma malha azul-celeste, mas, tudo caiu por terra quando ouvi a voz máscula falar de uma forma até educada.
- Desculpe, moça, eu não a vi quando fui pegar a... bola! - O cara quase não concluiu sua frase, quando ergui os meus olhos e o encarei.
- Você de novo?! - indaguei irritada, na verdade, possessa. E, a coisa só piorou quando o infeliz sorriu para mim, erguendo as suas sobrancelhas de uma forma divertida.
- Fofinha? - Ele disse e eu fechei as minhas mãos em punho.
- Fofinha é a puta da sua...
- Oh, oh! Vê lá o que vai falar, hein?! - advertiu-me de modo debochado.
- Espera, vocês se conhecem? - Mirela pergunta, achando graça da situação.
- Sim!
- Não! - Respondemos ao mesmo tempo. Bato uma mão na outra, para me livrar da areia colada na minha pele e o encaro com rispidez. - Escuta aqui, ôh metido a playboy, o fato de ter me oferecido uma bebida em um bar não faz de nós dois conhecidos! - ralho possessa.
- Faz, quando de alguma forma compartilhamos a mesma bebida - Ele rebateu fazendo graça e os meus amigos imediatamente olharam para mim.
- Só para entender, vocês dividiram o mesmo copo? - Javier questionou, me olhando com curiosidade.
- Quase isso.
- Não! - Respondemos ao mesmo tempo outra vez, e o encarei com fogo nos olhos. - Você não está me seguindo, está? Porque se estiver, saiba que isso é crime e eu posso processá-lo por isso. - O acusei e ele riu. Filho da mãe, ele está se divertindo com essa situação ridícula!
- Não seja ridícula, fofinha! Estou curtindo as minhas poucas horas de férias aqui e que eu saiba, cheguei aqui primeiro, então eu podia acusá-la de fazer o mesmo. - Ri do seu comentário absurdo, mas eu ri com vontade mesmo.
- Nem se me pagassem todo o dinheiro desse mundo viria atrás de você, resto de Don Juan! Agora vaza, que você está bloqueando o meu sol! - Pus os meus óculos escuros, lhe dei as costas e me concentrei em abrir a minha toalha na areia, ouvindo um som baixo que dizia "que delícia!" Pensei em rebater tal audácia, mas fiz vista grossa e me deitei no pano macio. Fechei os meus olhos e tentei relaxar, para apreciar bem o calor do sol.
Então, sobre esse tipinho que vocês acabaram de ver nesse episódio, não se enganem não, é uma armadilha! Sabe o cara gostosinho, todo sexy, metido a engraçado e, ao mesmo tempo, educado, que surge do nada na sua frente e tenta te envolver de alguma forma? Se afaste! É um conselho de amiga, para aquelas que acabaram de sair de um relacionamento que era um sonho e que de alguma forma se tornou um pesadelo. Essa categoria de Ken que fugiu do mundo mágico da Barbie, simplesmente não existe. Então pelo amor de todos os santos, que ajudam as solteiras desiludidas, não caiam nessa!
Minutos depois, senti minha pele esquentar consideravelmente e resolvi passar um protetor solar. Sentei-me em cima da toalha, no exato momento que um rapaz trouxe uma bandeja com as nossas bebidas. Abri a minha bolsa e pequei o creme para espalhar no meu corpo e ergui os meus olhos para apreciar a vista. Foi quando o vi dá um salto na areia e bater com força na bola, que atravessou a rede estendida na sua frente e bateu com violência no campo do adversário. De quem estou falando? De um certo Ken moreno, o tal fugitivo do mundo dos brinquedos - e que brinquedo, Deus do céu! A Barbie realmente sabe o que é viver! - Suspirei e peguei o meu copo de vodca com limão e gelo, que estava ao meu lado e bebi um gole considerável. Santo Deus, nunca façam a merda que acabei de fazer. A porra da vodca desceu queimando tudo dentro da minha garganta e automaticamente os meus olhos se encheram d`água e eu puxei a respiração, tentando sobreviver a esse quase afogamento alcoólico.
- Eita! Está tudo bem por aí? - Val indaga, arregalando os olhos em minha direção. Forço um sorriso para a minha amiga e sem condições alguma de lhe responder, faço um legal para ela com meu polegar.
- Miga, vou te dizer uma coisa, se você não quiser, eu quero! - Mirela resmunga, praticamente babando na cena a nossa frente. Gustavo tirou os óculos, ergueu os braços para o alto, para alongar as costas, que ressalta cada músculo do seu corpo e em seguida ele correu de encontro ao mar, que trazia algumas ondas altas para a margem. Ele se jogou ali, inclinando o seu corpo e sumiu nas águas esverdeadas. Esvaziei o meu copo diante daquela maldita e deliciosa visão.
- Hum, pode ficar! - rebato com desdém e ela sorri, dando de ombros.
- Santo Deus, estou passando mal! - Val disse, dando algumas pancadinhas com as pontas dos dedos no seu peito do lado do coração.
- Cacete, me segure, senão eu vou atacá-lo! - Mirela sibilou, pegando a minha mão para eu segurar em seu braço. Sem entender toda essa cena dramática, olhei na direção que elas olhavam de uma forma fixa, e quase tive um infarto, quando vi Gustavo sair da água, sacudindo os cabelos encharcados e água me fazia inveja, escorrendo por todo aquele corpo bronzeado. Ele caminhou pela areia, pegou as suas coisas no chão e veio em nossa direção, parou bem na minha frente e olhei aquele monumento parado ali.
- Divirta-se fofinha, para mim já deu! - Ele piscou um olho e pôs seus óculos de sol, e eu juro que senti todas as minhas entranhas se esquentar por dentro e derreter na mesma hora.
Quê que isso, mulher de Deus? Se recomponha! Me repreendi imediatamente.
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Melhores amigos, melhores eventos. Eu não faço a menor ideia de como eles descobrem esses lugares, mas eles descobriram uma amiga havaiana rolando na mansão de um ricaço e acreditem ou não, entramos de penetra. O lugar está simplesmente bombando e o tema da festa é piscina. Ou seja, nada de roupas elegantes aqui e nada de requinte também. Os convidados são todos barulhentos e dentro da enorme piscina acontece de tudo, então nem em sonho que eu entrarei ali. O local está iluminado por um tipo de lanternas de papel, o que deixa o ambiente agradável e o som alto, as luzes coloridas piscando e a variedade de bebidas é quem garante toda animação da galera. E eu dou um doce, se vocês adivinharem aonde eu estou exatamente agora. Ganhou o meu docinho quem pensou em uma pista de dança lotada e acrescento um pouquinho de creme de leite por cima para quem imaginou que estou segurando um copo da minha bebida preferida. Gente, os havaianos sabem se divertir. Isso aqui não é apenas um paraíso tropical, é "O PARAÍSO" em todos os sentidos de uma boa vida. Bebi um pouco da minha bebida, ergui os meus braços e de olhos fechados, me deixei levar pelo ritmo dançante. Meus amigos estão a minha volta, se divertindo como nunca e pela primeira vez desde que chegamos aqui, eles não estão caçando ninguém para levar para cama. É só diversão mesmo.
- Quem quer mais bebida? - Javier perguntou quase aos berros, por conta do som alto. Esvaziei o meu copo e sorri sentindo a minha cabeça dá um leve giro.
- A minha acabou de acabar - falei alto e perto do seu ouvido.
- Eu quero fazer xixi. - Val gritou em seguida.
- Eu vou com você. - Mirela se ofereceu. - Você vem? - perguntou, mas sério, estava tão gostoso ficar aqui, que eu disse não com a cabeça. Eles se foram e eu continuei com a minha dança. Eu simplesmente adoro dançar e fiz muito isso com vocês sabem quem. O quê? Decidi não falar mais no nome do dito cujo. Eu sei que parece infantilidade, mas não é. É só uma maneira de lança-lo no mar do esquecimento de vez por todas, embora como vocês acabaram de ver, o infeliz vez ou outra me vem ao pensamento. Enfim, eu adoro dançar e trocar isso aqui pelo xixi da Val e da Mirela está fora de cogitação. O meu ritmo começou a esquentar, quando senti um par de mãos grandes e quentes envolver a minha cintura e seja lá quem estiver atrás de mim, começou a roçar o seu corpo no meu, seguindo o meu ritmo. Gostei disso e me deixei levar. Aos poucos os meus amigos foram voltando. O Javier me entregou mais uma bebida e logo me vi envolvida demais outra vez.
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- Hum! Alguém desliga essa sirene pelo amor de Deus! - resmunguei jogando o meu travesseiro na direção do som alto demais. A minha cabeça pulsava de dor e a claridade que vinha das janelas parecia que ia explodir os meus olhos. - Hum! - gemi, pegando outro travesseiro e pus em minha cabeça para abafar o som e me esconder da luz. O silêncio voltou e eu sorri aliviada, sentindo o sono tentar me abraçar de novo.
- Mas que merda, alguém atende a droga desse telefone! - Mirela gritou, jogando o seu travesseiro em mim. Eu ergui uma brecha do meu e me forcei a abrir os olhos, então percebi que o telefone que insistia em tocar era o meu.
- Foda, quem é o louco que está me ligando a essa hora da madruga? - resmunguei baixinho, me forçando a sair da cama e peguei o aparelho em cima do criado mudo, o atendendo sem olhar quem era o infeliz.
- Até que enfim! Tuca, você precisa voltar.
- Ramon? O que houve? - Ramon Marrero é o delícia do meu chefe. O cara é podre de rico, apesar de ser tão jovem, lindo, sarado e... estupidamente apaixonado e casado, portanto não é da minha ossada. Mas é um cara quase legal. Quase porque já faz mais de três anos que eu trabalho para ele e espero ansiosa por uma boa promoção, mas o carinha não tem me dado a menor chance. O que é ridículo, porque eu sou muito boa no que faço. Isso é o fator "homem" que está sempre em primeiro lugar, em qualquer parte do mercado de trabalho, então a "mulher" aqui que lute para ganhar o seu lugar ao sol.
- Surgiu um cliente novo para você. Uma conta que não podemos perder por nada desse mundo.
- Cliente novo? Ramon, eu estou de férias - rebati consternada.
- Eu sei. Por mim, deixaria você curtir as ilhas e tudo mais por um mês inteiro.
- Mas?
- Peterson quer você administrando a propaganda dele.
- Peterson, quem porra é Peterson? - O homem bufou do outro lado da linha.
- Das indústrias de cosméticos. - Eu quase gritei um "Eitxa Porraaaaa"! Quando ouvi de quem se tratava.
-Guido Peterson me quer? - Exasperei.
- Não, mas o filho dele, sim. Guido acabou de se aposentar e o seu único filho e herdeiro assumiu todas as empresas, e parece que não está muito satisfeito com o trabalho do Richard. Ele quer você aqui e quer para ontem.
- Estarei aí - falei sem titubear e escutei um; "yes" do meu chefe do outro lado, antes de encerrar a ligação. Olhei a hora na tela do celular e quase caí para trás, quando vi que já era uma e meia da tarde. - Cacete! - Xinguei surpreendida, sem acreditar que dormimos por mais de doze horas. Mas estava feliz demais para me apegar a esse fato.
A Stand Peterson, além de ser uma das maiores empresas de exportação de produtos de beleza do país e do mundo, é também uma das maiores e melhores contas que a Insights Advertising possui e se brincar, é a que mais rende na empresa também. Saber que o mais novo presidente desse magnífico império prefere a mim, me deixa a cima do auge da minha autoestima profissional. Sorri amplamente e me apressei a ir para o banheiro. Preciso de um banho gostoso e demorado para despertar e começar a providenciar o meu retorno para Seattle quanto antes. Meus amigos vão pirar, mas não no bom sentido. Com certeza depois de tudo que passei com Marrero dentro daquela empresa, catando as migalhas e praticamente implorando por uma boa promoção, eles não vão ficar muito satisfeitos com o fato de euzinha interromper as minhas merecidas férias, só para livrar a bunda branca do meu chefe. Mas vai, a vida é feita de sacrifícios e ficar com a conta que era do metido a gostosão do Richard é praticamente uma glória para mim. Horas mais tarde eu estava de banho tomado, com as malas prontas e sentada na frente do computador a procura do próximo voo para Seattle. A campainha tocou e eu me levantei do sofá ansiosa pelo brunch que havia pedido minutos atrás. Com certeza o cheirinho dessa comida os tiraria da cama. Pensei quando o rapaz entrou no quarto, carregando o carrinho recheado de pratos deliciosos.
- Que cheiro divino! - Mirela falou, surgindo na sala, envolvida em um roupão branco e felpudo e foi direto para o carrinho, atacando as maravilhosas rosquinhas açucaradas. Sorri para a minha sagacidade e depois de dispensar o funcionário do hotel, me aproximei para pegar um potinho de pudim.
- Nossa, meu estômago está parecendo Luciano Pavarotti quando canta a mais alta nota do tenor, de tão alto que está roncando. - Javier disse, alisando sua barriga e se juntou a nós duas. Rimos do seu comentário.
- Ai, merda! Quem pôs essa mala no meio do caminho? - Val resmungou e veio cambaleando para o centro da sala.
- Fui eu - falei atraindo a atenção de todos para mim.
- Estava pensando em ir embora sem falar conosco? - Val questionou imediatamente.
- Por Deus, mulher, me diz que não está tendo uma recaída e está indo atrás do traste do Alec? - Imediatamente a criatura levou a mão ao peito e puxou a respiração como se o ar lhe faltasse e eu rolei os olhos para a ideia estúpida da minha amiga.
- É lógico que não, Mirela! - rebati. - O Alec não passa de um defunto para mim. Está morto, mortinho da Silva e enterrado - enfatizei.
- Então, qual é o da mala? - Meu amigou indagou e os três olharam para mim com uma enorme interrogação na testa. Abri um sorriso largo para eles e juntando as minhas mãos debaixo do meu queixo, reprimi uma explosão de felicidade.
- Recebi uma ligação essa tarde.
- E?
- Eu ganhei a minha oportunidade de ouro. - Praticamente grunhi a novidade.
- Como assim? Ah, já sei, resolveu dar uma chance para o moreno da praia. - Val abriu um sorriso sabichão e eu soltei o ar com força. Ela não podia apostar na pior na sugestão.
- Qual a parte do sexo sem compromisso que eu não quero por hora, vocês não entenderam? - rebati sem humor.
- Se eu fosse você, colocaria um cinto de castidade nesse negócio e um anúncio bem grande dizendo, falência total. Tuca, não é porque o Alec aprontou contigo, que o sexo foi banido da sua vida, eu hein! - Mirela ironizou e eu ri pra ela debochadamente.
- Nem vou rebater esse seu comentário absurdo, porque estou feliz demais para isso. Meu chefe me ligou para me dizer que a conta Stand Peterson é minha. - Agitei, jogando os braços para o alto e logo em seguida um couro de gritos eufóricos surgiram na sala. Eles me abraçaram de forma coletiva e nós começamos a pular em círculo.
- Parabéns, Tuca! - Eles diziam e repetiam várias vezes em meio a esse abraço animado.
- Espera, mas você vai voltar hoje para Seattle? - Mirela indagou, acabando com a festa de todos.
- Pois é, eu prometi para o Ramon que voltaria ainda hoje. O problema é que eu só estou encontrando voo para Seattle para o início da noite.
- Nesse caso, temos tempo - disse me deixando atônita.
- Tempo, tempo para quê?
- PARA COMEMORAAAARR! - Os malucos gritaram me fazendo gargalhar.