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Eu fui enganada

Eu fui enganada

Autor:: Tatiane B Simões
Gênero: Romance
"Conheça Cristal Malory, uma jovem batalhadora que faria qualquer coisa para salvar a vida de sua mãe doente. Mas quando ela é enganada por seu chefe e acaba se tornando um objeto em um leilão, Cristal precisa lutar para recuperar sua dignidade e sua liberdade. Enfrentando humilhações de sua própria família e vivendo em um mundo cruel, ela se torna uma heroína improvável em uma jornada emocionante para encontrar a força interior e a coragem necessárias para superar todos os obstáculos."

Capítulo 1 Apresentação dos personagens

Olá, me chamo Cristal e tenho 23 anos. Meus pais vieram para o México assim que nasci e moro com eles e com a minha irmã Vitória.

Bom, deixa eu contar um pouquinho da minha história.

Sou garçonete em um bar. De manhã, ele é apenas um bar, mas à noite ele se transforma em uma boate e eu não faço a mínima ideia do que acontece lá. Bem, na verdade eu sei o que acontece, mas isso não me afeta em nada. Entro para trabalhar às 8:00 da manhã e saio às 18:00 horas.

Às vezes, faço alguns trabalhos extras à noite como fisioterapeuta nas casas de alguns conhecidos. Cobro menos do que um profissional, pois não concluí o curso de fisioterapia. No entanto, esse é o meu sonho e sei que vou realizá-lo. Eu sei que é errado me colocar como profissional, mas quando as pessoas me chamam, deixo claro que não sou formada e elas não se importam, pois tudo o que eu faço é com muito amor.

Tive que trancar a minha faculdade, pois não estava conseguindo arcar com as despesas da casa sozinha.

Namoro com Matheu há dois anos. Ele tem 1,80 de altura e seu corpo é muito bem definido. Sua pele é negra e seus olhos são pretos como uma jabuticaba. Sabe quando você acha que encontrou sua alma gêmea? Então, é isso que sinto quando estou com ele.

Matheu é meu primeiro namorado, meu primeiro amor. Foi com ele que dei meu primeiro beijo e foi com ele que tive minha primeira noite de amor. Ele é carinhoso, bom, às vezes. Por causa dos seus estudos, ele está um pouco distante, mas mesmo assim ele não deixa de me fazer sentir bem ao seu lado, nem que seja por pouco tempo.

Em casa, divido o quarto com minha irmã Vitória. Ela é muito importante para mim, mesmo com suas inúmeras grosserias e muitas vezes me decepcionando com suas atitudes. Eu a amo muito. Quando éramos pequenas, éramos muito unidas. Porém, com o tempo, algo mudou e hoje mal conseguimos trocar três palavras sem que eu saia machucada.

Vitória sempre está muito bem arrumada, com seus cabelos loiros um pouco abaixo dos ombros sempre escovados e unhas perfeitas. Ela sempre foi muito vaidosa, ao contrário de mim, que mal tenho tempo para me olhar no espelho.

Se não bastasse os problemas que tenho com meu pai, minha mãe Inês está muito doente. Seu estado de saúde é grave e com muito custo consigo comprar seus remédios, que estão cada dia mais caros. É por ela que venho tentando aguentar toda a humilhação e as agressões, não só verbais, mas também físicas, que sofro do meu pai. Minha mãe nem sonha que isso acontece, ela acha que é só implicância dele.

Com a doença e os medicamentos não trazendo os resultados esperados, o médico disse que ela terá que passar por uma cirurgia. Mas aí está o X da questão: onde é que vou tirar 200 mil para a cirurgia, os medicamentos e também a internação? Tudo que ganho com a fisioterapia guardo para seu tratamento. Com muito custo e deixando muitas vezes de comprar algo para mim, consegui juntar 10 mil. Sim, parece pouco, mas cada nota que está guardada foi uma lágrima que tive que derramar, alguma vontade que tive que esquecer, me contentar com as minhas velhas e surradas roupas. Mas tudo tem um propósito maior. Minha mãe é tudo que tenho e por ela faço e aguento qualquer coisa.

Minha relação com meu pai Luiz nunca foi boa. E digo que em circunstância alguma ele sempre me reduz a nada. Para ele, sou uma qualquer, mesmo com meus esforços para conquistá-lo. Tudo que eu queria era um pouco do amor que ele dá para minha irmã Vitória.

Minha vida é trabalhar para manter nossa casa. Já que sou a única que trabalha para sustentá-los, Vitória também trabalha, mas como ela diz, "o dinheiro dela é só dela", tudo vai para os seus estudos, roupas caras e baladas. Mesmo assim, mesmo com ela trabalhando e ganhando o dobro do que eu ganho com os dois empregos, ainda preciso ajudá-la com as apostilas e outras coisas que ela me pede. Sei que é um absurdo, mas meu pai diz que não faço nada de mais e que é minha obrigação sustentá-los.

Estou voltando de mais um dia de trabalho. Hoje, o bar estava uma loucura, o movimento estava tão intenso que não tive tempo nem para comer.

Chego em casa e vou ver minha mãe. Seus remédios são muito fortes e, por causa disso, ela anda muito fraca. Passa a maior parte do tempo dormindo. O médico disse que a fórmula desse remédio não está fazendo o efeito esperado, mas o outro, mesmo trabalhando dois meses sem descanso, não conseguiria comprar.

- Ah, mãe, um dia vou ter o dinheiro para sua cirurgia. - Passo levemente minha mão em seu rosto. - Só espero que seja logo.

Respiro fundo, sentindo seu cheiro fresco de flores. Quando estou no trabalho, minha vizinha Dona Joana vem dar uma olhada nela. As duas sempre foram muito amigas desde pequenas. Ela me ajuda com o banho e, às vezes, traz algo para minha mãe comer, já que meu patrão quase nunca me deixa sair para o almoço.

Dou um beijo na sua testa e fecho a porta sem fazer barulho. Entro no quarto que divido com minha irmã. Agradeço aos céus por ela não estar no momento. Tomo um banho rápido, pois com o preço que está vindo a conta de luz, não posso me dar ao luxo de demorar, já que Vitória esquece do mundo quando entra debaixo do chuveiro.

Depois de alguns minutos, estou pronta para ir à casa da senhora Clara. Ela caiu há algum tempo e tentou todos os tipos de tratamento, mas nenhum teve o resultado desejado por ela e pelo senhor Mauro. Na verdade, alguns profissionais não tinham muita paciência. Ela, por ter que ficar sem andar, começou a ficar mal-humorada. Confesso que no começo foi difícil, mas lembrei que os remédios da minha mãe estavam acabando e não queria gastar o que está guardado.

Mas posso falar, trabalhar para eles foi a melhor coisa que fiz. Dona Clara é uma mulher muito bondosa e só precisava de alguém para desabafar. Eu caí meio que de paraquedas em seu caminho e desde o dia que comecei sua fisioterapia, ela vem progredindo bastante em sua recuperação...

Desço os poucos degraus da minha casa e vou para a cozinha. Tomo um copo de água e, antes de sair, encontro meu pai na sala, sentado e abraçado com minha irmã. Fico alguns segundos olhando para eles até que Vitória percebe e dá um sorriso de lado. Ela sabe que tudo que eu queria era a atenção e o carinho do meu pai.

- Que horas o jantar vai ficar pronto? - Meu pai fala sem me olhar.

- Quando eu voltar da casa da senhora Clara!

- Vê se não vai parar na cama do Mauro. Já não basta ser uma inútil, não preciso ouvir que você é uma vagabunda também!

- O senhor sabe bem que não faço isso. Não sei por que insiste em me ofender.

- Não se faça de inocente, Cristal. Essa sua cara de vadia se vê de longe. Não é à toa a fama que tem.

Lágrimas brotam em meus olhos. Os fecho com força para impedir que elas rolem no meu rosto. Ouço chinelos sendo arrastados no topo da escada. Olho para trás e vejo que é minha mãe que está descendo. Corro na sua direção para ajudá-la.

- Oh mãe, o que faz de pé? Quer alguma coisa?

- Não amor, só estou cansada de ficar naquele quarto. - Com as suas mãos trêmulas, ela passa no meu rosto. Abro um sorriso e abraço sua cintura, caminhando lentamente ao seu lado e a coloco sentada na poltrona. - Luiz, por favor, pare de torturar nossa filha. Ela não merece isso.

Meu pai a olha com desdém. Meus olhos encontram os da minha irmã. Fico espantada com o que vejo, ela está rindo como se estivesse gostando da situação.

- Pode deixar mãe, já estou acostumada. Peça para alguém te ajudar a subir. Te amo.

- Também te amo. Que Deus te acompanhe, minha filha. - Pego minha bolsa para sair, me despeço da minha mãe. Quando estou na porta, meu pai grita.

- Se for começar a se prostituir para o Mauro, vê se cobra uma boa grana. Pois, faminta por dinheiro do jeito que você é, essa é uma ótima saída.

- Luiz! Pelo amor de Deus. - Minha mãe fala com a voz chorosa. Fecho a porta e volto à sua frente. Ele se levanta com os punhos fechados e com um olhar que nunca tinha visto até hoje.

Capítulo 2 Já pedi desculpas ok

Os olhos do meu pai em mim só ah raiva ,como se ele nunca tivesse me amado.

Cristal- por que pai por que me odeia tanto,o que fiz de tão errado para merecer esse tratamento?

Luiz- você nasceu!

Inês- para, fica quieto. Por favor, minha menina não merece passar por isso.

Vou de frente da Minha mãe e tento acalma-la, saio antes que as coisas piorem. Não fico para ouvir a discussão dos dois, só ouço minha pobre mãe chorar, mas já não posso mais ficar, os risos de Vitória invade meus ouvidos, mas o que esperar dela? Ela nunca se quer perguntou se precisava de ajuda com alguma conta, ou se estava faltando algo em casa.

Depois de dois ônibus chego na casa de dona Clara sou recebida por um lindo sorriso, seu Mauro se levanta e para abrir espaço para que eu a cumprimente.

Cristal- boa noite senhora, vejo que está feliz hoje, olha está toda maquiada.

Clara- Tudo graças a você menina, se você não tivesse entrado na frente do carro para pegar o filhotinho de cachorro eu nao teria te encontrado.

Mauro sim filha, você foi como um anjo não só para aquele animal como com minha amada esposa.

Abro um largo sorriso, depois de algumas conversas entre o descanso dos exercícios me despeço deles com um abraço e saio correndo pega o ônibus, olho no meu relógio de pulso e corro pois o ônibus está chegando, observo o ônibus em um Poucos,acabo atravessando a rua sem olhar para os lados,só paro com o barulho de buzina e uma freada brusca, saio do meu transe de medo ouvindo um rapaz muito elegante me xingando.

Patrick- ficou louca? se quiser morrer só avisar que na próxima eu não paro

Patrick- ei você está me ouvindo?

Cristal- Desculpa moço por favor me desculpa.

Patrick É só isso que você tem a me dizer?

Cristal- Já pedi desculpas ok ,o que quer que eu faça? Implore?

Ele me olha de cima em baixo e continua gritando.

Patrick Se tivesse riscado meu carro você iria se arrepender.

Cristal- Parece que ele está inteiro rsrsrs.

Patrick- Qual a graça?

Olho pra ele furiosa

Cristal- ahhh que saber vai se tratar idiota do Caramba.

Corro atrás do ônibus e o motorista que já me conhece abre a porta, agradeço ele e quando olho na janela o egocêntrico ainda está me olhando indignado.

Cristal- é cada louco que aparece no meu caminho, eu hen.(falo comigo mesma).

Me acomodo no meu acento e depois de 30 minutos o ônibus para o perto de casa, Olho Logo em frente o mercadinho da esquina ainda está aberto aproveito e vou comprar algo para fazer o jantar. Ao chegar em casa lá está meu pai ainda abraçado com minha irmã e aquilo dói em mim, acho que eu nunca recebi um abraço dele.

Luiz o que vai fazer princesa?

Vitória-terei que conversar com o meu namorado.

Sinto meu estômago doer, acho que é a fome,nem sei quanto tempo estou sem comer uma refeição decente, como só um salgado e olha lá, as vezes está tão corrido que nem como.

Vou direto para a cozinha preparar a comida, particularmente adoro cozinhar parece que na cozinha todos os meus problemas ficam para trás.

Levo a janta para minha mãe ,sua comida tem que ser diferente da nossa espero ela comer,desço arrumo a mesa e chamo eles para comer.

Tinha feito uma salada, peixes, carne de boi cozido na panela de pressão,um arroz bem soltinho e feijão simples mas feito com muito amor, como só eu meu pai come carne vermelha fiz a quantidade só para nós dois mas quando vou tirar só tinha arroz e feijão e um pouquinho de salada ,me sento e como sempre uno minhas mãos sobre a mesa e agradeço a Deus pela refeição de todos os dias,quando começo a comer minha irmã fala.

Vitória- que delícia Cristal.

Luiz- pelo menos pra isso presta, mas da próxima vez poderia caprichar um pouco mais, está parecendo uma lavagem!

Suspiro fundo em silêncio, minha irmã começa a rir e eu perco a fome. Levanto e junto a comida praticamente intocada, lavo meu prato e deixo a pia limpa.

Luiz- onde pensa que vai ?,Vai esperar para lavar nossos pratos ,Sua irmã não foi feita pra lavar louça...

Me viro e vou saindo da cozinha, quando paro sentindo o vento do prato quase relando em meu rosto indo em contato com a parede se estraçalhando.

Luiz - ja avisei para nunca virar as costas pra mim ,Olha o tanto de comida que você jogou quanto desperdício.

Cristal- Claro, sua princesa não pode lavar louça Mas pode jogar a carne que ela pegou sendo que ela nem come carne, enquanto a mim?A claro tenho que comer arroz puro pois Sou alérgica a peixe mas mesmo assim fiz para vocês, Custava me deixaram um pedaço de carne, custava pensar que eu trabalhei o dia inteiro apenas com um lanche que as meninas do trabalho me dão , e que estou cansada já que fico o dia inteiro trabalhando, e você o que faz? Lembrei,fica o dia inteiro coçando em casa ,nem o copo que sujou tem a capacidade de lavar ,tenho que pagar tudo sozinha ,até mesmo as roupas de marca que sua filha ostenta por aí, sendo que estou usando a mesma calça há três anos, você tem noção de que eu não tenho tempo para nada e mesmo assim faço café,o jantar, limpo a casa, lavo roupa, a louça e olha só quando vou comer não me deixa nem um pedacinho de carne você acha justo?.

Luiz- cala a boca

Já não estava nem pensando, sei o que está por vir, então vou desabafar tudo que está preso a tanto tempo.

Cristal-quando vai começar a fazer o seu papel de homem dentro dessa casa? Começar a cuidar da sua mulher, comprar os seus remédios, e me ajudar a pagar a conta de água, luz, telefone ,a compra do mês e o maldito aluguel que está atrasado faz dois mêses?

Ele se aproxima furioso e segura em meu pescoço o apertando forte, lágrimas escorrem dos meus olhos, consigo me afastar e com dificuldades recupero o ar,mas não me afasto o suficiente para evitar que seus tapas acertem em meu rosto mais de uma vez. Levo minha mão onde ele bateu tentando diminuir a dor e amenizar queimação que estava,meu pai é Alto e um tanto forte pela idade dele.

Vitória- você mereceu, custava lavar os pratos em silêncio e sem reclamar?

Olho pra ela incrédula.

Cristal- Como ainda posso te amar? você é egoísta só pensa em você mesma, vive com roupas de marca celular novo que eu comprei com meu dinheiro ,pois você em um dos seus momentos de estrelismo quebrou o que eu tinha comprado para você não fazia nem um ano, E olha que lindo, eu que trabalho igual um camelo não tenho um misero celular.

Vitória como meu pai diz,você não faz mais que sua obrigação, e falando nisso a apostila da faculdade chegou e preciso de dinheiro para que me entreguem.

Cristal mas eu já dei o valor pra você pagar.

Vitória aquela mixaria? Eu comprei esse tênis ,olha .

Cristal tá brincando comigo né? Você comprou um tênis de 600 reais?

Luiz para de reclamar, você sabe bem que ela precisa ser apresentável na faculdade.

Meu Deus, o que foi que fiz de tão errado? Entro no quarto e pega o telefone fixo acho que foi a única coisa que consegui fazer por mim até agora ,um celular novo é muito caro, e ainda estou pagando que a Vitória quebrou e mais um novo que ela simplesmente foi lá e comprou no meu nome, ligo para o Mateu faz dois anos que ele é meu namorado, ele estuda na faculdade de vitória Matheu sempre vem buscar ela para eles irem juntos, eu meio que me apoio nele pois não tenho ninguém somente minha mãe e a coitada não aguenta nem andar direito mais.

Ligação on

Matheu Oii amorzinho como está?

Com a voz embargada pelo choro respondo quase em um sussurro .

Cristal Oi amor,estou bem,e você vida como está?

Matheu cansado, mas por que está tristinha?

Cristal sabe como são as coisas aqui em casa, você poderia vir me buscar?

Matheu poxa amor ,estou tão ocupado com o trabalho e o estudo.

Cristal assim tá bom amor, já estou morrendo de saudade.

Eu estou precisando tanto de você.

Ouço um barulho de um celular tocando e logo o celular fica mudo.

Ligação off

Cristal nossa ele desligou na minha cara.

Não demora muito ouço Vitória falando no celular

Vitoria Ah gatinho sei exatamente o que você precisa, quando todos dormirem vem me buscar.

Ela para na porta e coloca a cabeça pra dentro do quarto, estou deitada e finjo que estou dormindo.

Vitória- Essa idiota nem imagina.

_________________________

Autora aqui!

Oi Pessoal como estão?

Espero Que estejam bem.

Esse é meu primeiro livro aqui no aplicativo, não sou escritora, apenas alguém que ama romance e por que não um drama envolvido não é mesmo?

meu nome é Tatiane e sou De Ibaiti Paraná, espero de coração que estejam gostando, se puderem comentar, sei que é difícil dizer algo pois ainda está no começo, mas garanto que tem muita coisa para acontecer, muitos segredos guardados e nossa pobre CRISTAL ainda irá passar por muita coisa.

E muito obrigada pela leitura, e até o próximo capítulo.

Capítulo 3 Vem ,vou cuidar de você.

Ja se passou 2 horas e todos estavam dormindo ouço os saltos de Vitória ecoando pelo quarto, ela mal tinha entrado, se arrumou e ficou na sala, veio verificar se eu realmente estava dormindo.

Vitória durma bem irmãzinha.

Assim que ela sai do quarto corro de frente da janela até que vejo o que eu temia, meu namorado aquele que eu tanto amo aos beijos com minha irmã, ele a esfrega a em seu corpo e ela fazia o mesmo.

Meu estômago se embrulha pois de todas as traições essa é a que nunca imaginei, de todas as decepções que já tive essa é a que mais me doeu. Não só pelo Matheu mas sim por ela, por eu ama-la tanto,por eu me dedicar tanto a conseguir suas coisas e ela ser assim comigo.

Me encolho na cama e choro baixinho, sabe quando dizem que muitas vezes dormimos com o inimigo, pois é literalmente hoje intendo o porquê que dessa frase.

Entre soluços de tanto chorar acabo pegando no sono bom pelo menos tentei dormir.

***

Já é de manhã o sol brilha no céu, mas pra mim não é um dia bom, a muito tempo que não sinto aquele gostinho de acordar e ouvir os pássaros cantando, assim como nos outros dias acordei sem ânimo, a alguns anos que deixei de me amar, de me cuidar, minhas noites são péssimas na verdade mal estou dormindo direito e essa noite para completar, toda vez que fechava meus olhos via Matheu e Vitória se beijando e essa cena se repetiu várias e várias vezes durante a noite.

Estou com a sensação que fui apunhalada pelas costas por aqueles que tanto amo.

Olho para cama dela que fica do lado da minha e vejo que ela não está.

Cristal-É parece que já nem tentam esconder mais

Entro no banheiro tomo um banho, faço minha higiene pessoal ,visto uma camiseta larga, minha calça de sempre, e meu Velho e companheiro Tênis,sem maquiagem pois não tenho essa vaidade.

Desço fazer o café levo pra minha mãe, mas antes dou seus remédios ela não pode ficar sem eles.

Inês- não dormiu de novo filha?

Cristal- estou bem mãe, e a senhora como está?

Inês- do mesmo jeito, os remédios estão acabando, sei que já não aguenta mais tantas dispensas sozinha, mas não posso ficar sem eles .

Olho em minha carteira e não tenho praticamente nada, vou ter que pegar um pouco do dinheiro que estava juntando.

Cristal- eu sei mãe eu tenho um dinheiro guardado.

Inês- desculpa filha, fica bem minha vida, nunca se esqueça que eu te amo.

Cistal- também te amo mãe.

Dou um beijo em sua testa e volto para o quarto abro o guarda roupa e vejo que alguém revirou minhas coisas,essa semana não tive nenhum dinheiro extra e por isso não me dei conta disso, meus olhos caem sobre a gaveta que guardo as economias e minhas pernas fraquejam quando percebo que o dinheiro já não está mais ali, somente um pouco.

Cristal meu Deus não é possível.

Conto quantos sobrou e está faltando 7 mil.

Cristal você me paga Vitória.

Pego o restante do dinheiro e coloco em minha bolsa, abro seu guarda-roupa e vejo várias sacolas de lojas caras, pego elas e tem bolsas, brincos, oculos, roupas e em uma outra que tem uma bota que custa mais de mil.

Lágrimas brotam em meus olhos e sem tentar segurar as deixo caírem.Num momento de surto começo a rasgar as roupas, jogo algumas coisas pela janela

Com o barulho Vitória sai do banheiro correndo.

Cristal - você não tinha o direito.

Vitória -para você tá ficando louca! Ahhh para.

Me aproximo e com toda força que ainda me resta dou um tapa em sua cara,logo ela grita.

Vitoria- ahhh,papai socorro!

Cristal-por que fez isso?meu Deus você sabe que o dinheiro era para cirurgia da mamãe, que monstro você é?

Vitória -ahh,pra que gastar tanto dinheiro assim,você sabe que ela vai morrer mesmo.

Pahhh...

Dou mais um tapa nela e só não acerto outro por que sou puxada pelos cabelos e jogada no chão.

Luiz -o que está acontecendo aqui?

Ele olha para ela e ve seu rosto vermelho dos dois lados e parte pra cima de mim.

Luiz-sua vagabunda

Cristal- nao vai perguntar por que eu bati nela?

Seus tapas vão ficando cada vez mais fortes.

Cristal-para pai,por favor para.

Ele segura em meu cabelo e para de me bater ouvindo Vitória falar, eu não consigo reagir, meu corpo não consegue se defender eu me odeio por isso.

Vitória-ah papai eu só peguei uma mixaria que ela estava escondendo do senhor, e comprei umas roupas, você sabe que na faculdade só tem pessoas importantes e não quero ficar sendo diminuída por causa das roupas que visto.

Já basta ser irmã dessa daí.

Luiz-ela precisa se vestir, pra que você precisa de dinheiro? Se só anda como homem.

Ele paga minha bolsa e tira a única quantia que sobrou para comprar os remédios da minha mãe, esse valor dava para comprar 4 caixas que dariam quase 4 meses.

Luiz-olha ...

3 mil,é pouco mas vai servir.

Cristal-nao por favor é para o remédio da mamãe

Luiz- essa velha só sabe dar gastos

Cristal-pai por favor me deixa pelo menos o valor de uma caixa de remédio.

Luiz-se vira, vira garota de programa, garanto que vai ganhar muito mais que naquela espelunca que você chama de trabalho.

Ele me olha de cima a baixo.

Luiz- não, nem pra isso você serve,ninguém vai querer uma mulher que fede alho e produtos de limpeza.

Saio de casa arrasada com as marcas da agressão em meu rosto e braços, mas não é só os tapas que estão doendo mas sim meu peito, minha dignidade, estou com uma tristeza sem fim pelo desprezo do meu pai,pelas palavras que entram em meus ouvidos e vão direto para o coração.

Já na rua me encosto no muro e sinto meu corpo deslizar sobre ele e encolhida ali no chão entre várias pessoas passando eu abafo meu choro com as mãos para que ninguém ouça, mas é em vão todos ao redor sabem o que está acontecendo, meu choro é doloroso pra ver se essa angústia sai do meu peito.

As pessoas passam me olhando com pena, outras não me olham como se não existisse,bom era isso mesmo que eu queria ter nunca nascido.

Nesse momento tudo que eu precisava era de um abraço, alguém para segurar em minhas mãos e dizer que vai ficar tudo bem.

Cristal- eu não aguento mais, não aguento.

Me levanto ignorando os olhares sobre mim,respiro fundo tirando força de onde não tenho e vou para o bar, lá fiz uma amiga, Geovana, ela é toda dona de si, super linda, seus cabelos são iluminados, seu rosto é daquelas capas de revistas sabe,seus olhos azuis como céu a deixa mais linda, ela é mais alta que eu acho que tem 1,70 de altura, eu já sou a mais pequena daqui, com meus 1,60 de altura e 55 kilos.

Gosto de conversar com ela acho que os poucos sorrisos que dei aqui no trabalho foi por causa dela.

Chego no bar e lá está ela radiante como sempre.

Geovana-amiga você está péssima.

Cristal- é, eu sei

Geovana-vem vou cuidar de você.

Ela me abraça e parece que em seus braços esqueço que o lugar que chamo de lar é um verdadeiro inferno.

Já chamei minha mãe inúmeras vezes para ir embora comigo,sei que cuidaria dela melhor que naquele lugar, eu so preciso do sim,mas ela diz que não pode,que precisa ficar.

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