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Eu odeio amar você

Eu odeio amar você

Autor:: Thaynnara Sallete
Gênero: Romance
Ah o ensino médio, o ensino médio é sem sombras de dúvidas o ano mais complicado para os estudantes. As matérias não são fáceis, as pessoas não são fáceis e os amores com certeza é o menos fácil. A vida de Alexia Gomes virou do avesso nesse último ano escolar e ela quase não consegue acreditar no tanto de coisa que aconteceu. Se alguém chegasse a dizendo que um dia ela enfim cederia aos charmes de Zack, será que ela acreditaria? Zack é o típico esteriótipo do garoto que se importa apenas com ele mesmo. Sendo jogador do time da escola e bastante popular, Zack sempre pegou no pé de Alexia por serem de mundos completamente diferentes. O que será que o destino está reservando para os dois? Afinal, não tem uma famosa frase que diz que os opostos se atraem? Primeiro livro da duologia.

Capítulo 1 Alexia narrando

Ontem fez exatamente 2 anos que perdi minha mãe. Foi meu primeiro dia de aula, que ótimo. Não fui, já que não consegui nem levantar da cama direito. Dois anos de saudade e de arrependimento. Se eu não tivesse pedido pra ir na casa da vovó naquele maldito dia, não teríamos sofrido aquele acidente. O acidente que matou minha mãe e meu irmão menor. Meu irmão até que chegou a viver mas depois de 3 dias veio a falecer. É horrível pensar que tudo isso aconteceu graças a mim. Graças ao meu pedido. Eu devia ter ficado em casa, mas não, me deu uma vontade enorme de ir pro campo e visitá-la. Como meus pais sempre faziam meus gostos, disse que iríamos sair de madrugada já que é menos movimentado a estrada. Eu estava tão feliz, mas tão feliz, que nem dormi direito. Quando vi aquele caminhão vindo em nossa direção, juro que pensei que iria morrer. Mas não. O caminhão tentou desviar e foi bem do lado aonde mamãe e meu irmão estavam. Eu apenas desmaiei por uns minutos. Quando acordei e vi meio embaçado tirarem minha mãe morta de dentro carro, é como se o meu mundo tivesse acabado.

Após escutar um som vindo da porta, fechei o diário e respirei fundo.

-Pode entrar. -Me levantei da cama.

-Filha? Já está acordada? -Ele entrou e se aproximou de mim.

-Resolvi levantar mais cedo, já que tenho que ir para a escola hoje.

-Não fica assim, eu sei que não é fácil, mas temos que ser fortes.

-Eu estou tentando, pai. Juro que estou tentando. -Ele me abraçou.

-Eu sei que está. Sabe filha, temos que seguir em frente. A vida nunca será fácil e temos que passar por várias barreiras, inclusive essa. -Encostei minha cabeça em seu ombro. Eu precisava de um abraço, precisava de um conselho.

-Obrigada. -Me separei e sequei meus olhos.

-Vou arrumar a mesa para tomarmos café, vá tomar um banho. -Concordei e ele sorriu. -Quero ver você com um sorriso no rosto. Você fica linda assim.

Sorri e prendi meu cabelo.

-O que fazia antes de eu entrar?

-Escrevendo. Estou fazendo isso pra poder contar o que estou sentindo. Está me fazendo bem.

-Você pode conversar comigo também, Lexy. Estou aqui para o que precisar.

Lexy é um dos meus apelidos favoritos. Desde que me lembro ele sempre me chamou assim. Exceto quando está bravo comigo.

-Eu sei. -Olhei para o relógio. -Preciso me apressar.

-Tudo bem, estou lá em baixo, se precisar de qualquer coisa é só me gritar. -Concordei e ele saiu do meu quarto.

Fui até meu guarda roupa e peguei meu uniforme. Coloquei sobre a cama e fui para o banheiro.

(...)

Desci as escadas e vi meu pai e Charlotte sentados sobre a mesa.

Charlotte é minha madrasta. Meu pai a conheceu no ano passado. No começo não concordei muito que em tão pouco tempo ele entrasse em um novo relacionamento, porém se isso está o fazendo feliz, me esforço para parecer feliz também.

O que lá no fundo eu sei mais do que ninguém que ela está com ele apenas pelo dinheiro.

-Bom dia. -Me sentei à mesa e respirei fundo já me preparando mentalmente pro sermão que sei que virá daqui alguns segundos.

-Vai a escola assim? -Perguntou Charlotte. Não falei? -Está péssima. Por que não vai com as roupas que eu e seu pai compramos? Não gastamos um absurdo pra você deixar tudo mofando no guarda roupa.

-Charlotte, não fale assim. Lexy, se você estiver confortável com essa roupa, tudo bem. Toma, pedi para fazerem chá de camomila, o seu favorito.

Sorri tentando não transparecer o quanto esse comentário dela me chateou e peguei o bule.

-Meu cabelo está horrível hoje. -Disse uma voz que é completamente impossível de não conhecer. Alysson.

Alysson é filha de Charlotte. Infelizmente eu já a conhecia antes. Estudamos juntas desde sempre, e agora além de ter que suportar ela na escola, também tenho que suportar dentro de minha própria casa.

-Seu cabelo está lindo, filha.

Será que não é porque ela foi no salão duas vezes só na semana passada?

-Mas se quiser podemos ir no salão mais tarde. Estou precisando fazer as unhas.

Meu Deus.

-Mas você já não foi essa semana? -Perguntou meu pai.

-Rick, já tem dois dias que estou com o mesmo esmalte.

Peguei uma torrada e me levantei.

-Não vai terminar o café? -Meu pai perguntou me olhando.

-Preciso ir, Jake vai vir aqui para irmos juntos. Tem como me buscar?

-Vou ver, qualquer coisa te ligo. -Concordei e saí. Subi as escadas e peguei minha mochila. Quando estava indo guardar meu celular vi que havia uma mensagem:

Oi Alexia, como você está? Está melhor?

Sorri vendo a preocupação de meu melhor amigo.

Sim, um pouco. Já está vindo? Estou pronta.

Já? Você viu o horário? São 8:15, a nossa primeira aula começa às 9:00. A escola é aqui perto. Chegaremos em menos de 5 minutos.

Eu não aguento mais ficar nessa casa. Cada dia parece que piora. É uma implicação em cima da outra, por favor, quero sair o quanto antes.

Tudo bem, tem como vir para minha casa? Não estou pronto ainda.

Estou indo.

Desliguei o celular e o guardei na mochila. Saí do meu quarto e voltei para a cozinha.

-Estou saindo. Tchau pai, até mais tarde. -O beijei rapidamente na bochecha e peguei a chave em cima do balcão. -Quer ir comigo, Alysson?

-Acha mesmo que vou a pé com você?

Suspirei e me virei para sair.

É claro que ela iria me responder isso, o que eu esperava?

Quando enfim comecei a caminhar já do lado de fora da casa, aproveitei para espairecer um pouco os pensamentos.

Eu queria tanto mudar de escola. Essa aonde estou estudando é um verdadeiro inferno. Meu único amigo é o Jake. Os outros, me tratam como se eu fosse um animal que não tem sentimentos. E o que eu faço? Isso mesmo, nada. Por que? Bom, porque sou uma covarde que tem medo do que eles podem fazer se eu contar para alguém.

Eu já cansei de pedir para meu pai me colocar em outro colégio, mas ele vive dizendo que esse tem um ensino bom (O que realmente é verdade) e que só falta um ano para eu me formar então não vê necessidade.

Era para eu estar no segundo ano do ensino médio, mas os professores resolveram conversar com o diretor e conseguiram me colocar em uma série avançada, já que eles acreditam que eu tenho muito potencial.

Toquei a campanhia e esperei por alguém que pudesse abrir a porta.

-Ah, oi Alexia. Você sabe que não precisa tocar a campanhia não é? -É Thomas, irmão mais novo de Jake.

Sorri e baguncei seus cabelos.

-Sim, eu sei espertinho. -Ele sorriu e tirou minha mão. -Por que está acordado esse horário? -Ele me deu espaço e eu entrei.

-Vai passar um filme super maneiro na TV. Fala sobre um pai que perdeu o filho e ele faz de tudo para encontra-lo.

-E como é o nome?

-Procurando Nemo.

Rimos de sua piada super ruim mas paramos assim que vimos sua mãe nos olhando.

-Oi mãe. -Thomas falou tentando controlar o riso.

-Vocês estão bem? -Ela se aproximou.

-Ah oi tia, estamos sim. Só o seu filho fazendo palhaçada logo de manhã.

Ela sorriu.

-Vai me chamar de tia até quando? -Ela perguntou ainda sorrindo.- Lembro quando você começou a me chamar assim aos 9 anos de idade, quando conheceu meu filho.

-Amanhã faz 7 anos que eu o conheço.

-Como o tempo passa rápido. Olha vou te dizer uma coisa, vocês ainda vão terminar juntos no final.

-Somos apenas amigos, tia. Não se esqueça disso. E eu não o vejo dessa maneira, é como se ele fosse meu irmão.

-Bom, se você está dizendo. Ele está lá em cima, foi tomar banho.

-Eu posso subir? Irei ficar esperando ele no quarto.

-É claro, vai lá.

Subi as escadas e entrei sem nem ao menos bater.

-EI! -Me virei rapidamente.

-Meu Deus Jake, quando estiver trocando de roupa podia ao menos trancar a porta.

-Você que devia bater. Vai entrando assim.

-Me desculpa decepciona-lo mas acabaram de me dizer que sou de casa, então não preciso bater.

-Pode virar. -Me virei e o vi secando o cabelo com a toalha. -Achei que só eu ia de uniforme.

-Resolvi ir. Não me sinto bem com as roupas que Charlotte compra pra mim. São muito vulgares. Ainda mais pra escola.

-Eu sei bem como é. Agora vamos, se não iremos nos atrasar.

Concordei e saímos do quarto.

-Mãe, estamos saindo. -Jake disse abrindo a porta.

-Tchau, cuidado. Não quero receber uma ligação dizendo que meu filho está no hospital.

Ri dela e saímos em direção a escola.

(...)

-E assim começa mais um ano...

Capítulo 2 Alexia narrando

-E assim começa mais um ano. -Falei e respirei profundamente.

-Alexia, me prometa que independente do que acontecer esse ano, se sofrermos bullying novamente, se nos excluírem ou qualquer coisa do tipo, você vai ser forte e encarar de frente, está bem? Promete também que não iremos nos separar por brigas infantis ou por paixões?

O olhei nos olhos e não pude evitar não rir.

-O que? -Jake perguntou sorrindo.

-Não é nada. Eu só achei bem fofo. -Voltei a minha atenção para a entrada da escola. -E é claro que eu prometo.

Enfim entramos e a primeira coisa que reparei foi o quanto o corredor está cheio. A maioria são as pessoas do ano passado, apenas alguns são novos.

-Tenho que ir na coordenação, preciso pegar o número do meu armário. -Falei tentando não demonstrar o quão nervosa estou para esse novo ano letivo.

-Vou com você, também preciso.

Concordei e enfim começamos a andar pelo longo corredor aonde possui centenas de alunos. Todos estão ocupados com alguma coisa. Alguns estão paquerando, outros pegando material, já outros apenas conversando.

Por algum motivo não muito aparente, os alunos começaram a se separar e um espaço se formou no meio do corredor.

Ah não, já até sei.

Clair se aproximou de mim e de Jake. Suas amigas que não a deixam por um minuto sequer, estão ao seu lado. Todas com o rosto completamente carregado pela maquiagem.

Argh, mal amanheceu.

-Veja se não é a quatro olhos e o seu amiguinho idiota. -Sorriu e senti seu olhar ir de cima a baixo sobre mim. -Sabe, eu estava tão confiante de que vocês não estudariam mais aqui. Eu estava tão, mas tão feliz. Na verdade, todo mundo estava, mas vocês tinham que chegar e estragar tudo, não é mesmo? -Inclinou a cabeça para o lado.

Alysson, que está ao seu lado, sorriu de um jeito irônico.

-Você não tem mais o que fazer não, Clair? -Respondeu Jake. -Vir encher a paciência dos outros logo cedo, pelo amor de Deus. -Pegou em minha mão e começou a me puxar para longe delas.

Assim que já estávamos longe o suficiente, dei uma olhada para trás e encontrei as três se entreolhando tentando entender o que havia acabado de acontecer. Até mesmo eu não estou acreditando.

Comecei a rir e fiz Jake parar de andar.

-Isso foi hilário.

-Foi bom, né? Nem eu estou acreditando que fiz isso. -Sorriu.

-Você nunca tinha enfrentado elas assim, Jake. -Tentei controlar a risada. -E tenho que dizer que amei ver você fazendo isso.

-Eu te disse que esse ano ia ser diferente. -Começou a caminhar mais uma vez e eu o segui.

-Ela nem teve a chance de revidar. -Arrumei minha mochila nas costas.

-É bom que ela vai ficar pensando sobre isso. -Jake sorriu mais uma vez e abriu a porta que dá acesso a diretoria.

Assim que adentramos o lugar, Olívia olhou em nossa direção e sorriu.

Olívia é uma velha amiga minha e de Jake. Desde quando entramos aqui na escola, ela sempre nos ajudou muito e sempre tentamos encontrar algo pra fazer em retribuição a isso.

-Alexia, Jake, oi. O que posso fazer por vocês? -Se inclinou na cadeira.

-Oi. Viemos aqui para pegar nosso número do armário e o nosso horário de aula. -Parei diante de sua mesa e peguei o porta retrato em que está ela e seu filho Thomas.

-Ah, é claro. Esperem só um segundo. -Olívia começou a mexer no computador.

Enquanto isso, olhei para Jake e o encontrei admirando os novos quadros daqui da secretaria. São realmente bem bonitos.

-Aqui está. Agora vocês só precisam fazer as combinações e enfeitarem do jeito que quiserem. Se precisarem de mais alguma coisa, podem vir aqui. -Estendeu o papel em nossa direção. Os peguei e sorri em forma de agradecimento.

-Obrigada, vejo você mais tarde. -Saímos e fomos na direção aonde está os nossos armários. -O meu é o número 212 e o seu é 245.

-Poxa, são longes. -Ele disse.

-Bom, então a gente se vê depois. Minha primeira aula é de Química. Vou direto pra sala, ver se a professora precisa de ajuda em algo.

-Está bem. -Nos separamos e fomos para os nossos armários. Coloquei minha codificação e abri. Coloquei minha mochila e peguei somente o que vou usar na primeira aula. Fechei-o e fui para a sala de experiências.

Chegando, vi a professora Clarice sentada preparando as coisas para a aula.

-Bom dia, professora. -Ela levantou a cabeça de seu caderno e sorriu ao me ver.

-Alexia, senti sua falta. Como você está? -Tirou seus óculos e os colocou em cima da mesa.

-Estou bem. Precisa de ajuda em alguma coisa? -Apertei os meus livros mais contra mim.

-Ótimo, que bom que perguntou. Você é a única aluna que faz isso, e isso me deixa super feliz. -Sorri.- Bom, preciso que você coloque essas folhas em cima dos balcões. Por favor.

Coloquei meus livros aonde eu irei sentar e peguei as folhas com ela. Quando terminei de colocar a última folha, o sinal tocou.

-Obrigada. Pode se sentar.

Concordei e fui até lá. Alguns alunos começaram a entrar e se sentaram em lugares diferentes. Eu até estava feliz pensando que não teria aula com Clair, mas quando a vi entrando na sala, fiquei bem decepcionada. Ela foi direto pro fundo sentar com algumas meninas. Quando todos entraram, a professora fechou a porta e foi para a frente de todos os balcões.

-Bom dia alunos, pra quem não me conhece, eu sou a professora Clarice, tenho 27 anos e dou aula nessa escola faz 2 anos. Dou aula de química e física. Esse ano será bem mais puxado do que o ano passado, então por favor, estudem. Não deixem para a última hora. Ano que vem todos vocês irão para alguma faculdade com certeza, bom, alguém gostaria de dizer o que pretende estudar?

Levantei minha mão.

-Tinha que ser. -Clair falou lá do fundo e todo mundo riu.

-Clair por favor, vamos respeitar a decisão da colega. Então Alexia, diga, o que pretende estudar?

-Eu estou pensando em fazer medicina e...

Quando eu estava terminando de falar, a porta se abriu e a atenção de toda a sala foi levada para lá.

Droga, mil vezes droga.

-Zack, bom dia, pode entrar. Acabamos de começar.

Zack é o típico garoto babaca do ensino médio. Jogador do time da escola e namorado da popular, é claro. Pode-se dizer que Zack acabou de sair de um filme americano clichê.

A diferença é que ele é realmente insuportável.

É claro que ele é um completo gostoso, mas é claro também que ele nunca vai ficar sabendo que eu acho isso.

Assim que Zack entrou na sala, quase consegui escutar todas as meninas suspirando diante de tanta beleza vinda de um cara completamente babaca.

-Amor, senta aqui. -Clair disse. Ele passou por todos os balcões e foi em direção ao último, onde ela está.

Zack e Clair possuem uma espécie de relacionamento. Na verdade eu nem sei se posso chamar isso de relacionamento. Até porque ambos ficam com outras pessoas mas no final voltam mais uma vez.

-Nada disso. -A professora se direcionou a eles dois. -Ontem nós já conversamos e ambos estão cientes de que não tolero mais os casais sentados juntos em minhas aulas.

É isso aí, professora. Mandou muito bem.

-Então pode vir se sentar aqui com a Alexia. O parceiro dela faltou hoje e tem um lugar vazio te aguardando bem aqui na frente.

Espera, o que?

Zack levantou de seu lugar e começou a vir até mim. Me virei para frente e implorei mentalmente para isso ser mentira.

Como é que vou tolerar esse insuportável durante a manhã toda?

-Parece que vai ser eu e você hoje, quatro olhos. -Escutei seu sorriso assim que ele jogou suas coisas em cima do balcão e se sentou ao meu lado no banco.

-Não sabe o quanto estou feliz com tudo isso. -Falei com a intenção dele não ouvir.

-Eu acabei esquecendo um caderno lá na sala dos professores e terei que sair por alguns minutos, mas já já estou de volta. Por favor, não façam bagunça.

Respirei fundo já sabendo que isso não vai acontecer.

-Antes de ir, -Parou de frente para a porta. -Alexia, será que você poderia entregar os materiais de proteção, por favor?

-Sim, é claro. -Forcei um sorriso.

Ela enfim saiu e eu me obriguei a ficar de pé. Fui até o armário na lateral da sala e peguei as luvas, óculos e jalecos. Fui nos balcões de todos e distribui. Assim que estava passando pelo meu, acabei tropeçando em alguma coisa e caí.

A sala inteira começou a rir e eu me virei, tentando ver no que tropecei. Foi assim que consegui pegar Zack puxando o seu pé.

É óbvio que foi esse idiota.

Me levantei como se nada tivesse acontecido e coloquei o material em cima da bancada. Em seguida olhei na direção dele e fui até a porta. A abri e saí.

Assim que já estava no meio do corredor, escutei a porta sendo aberta mais uma vez.

-Quatro olhos, espera, o que está fazendo?

Não dei ouvidos a ele e continuei caminhando em direção ao banheiro.

-Aonde você vai? -Escutei ele vindo correndo até mim. -Espera.

-Opa, o que houve?

Me assustei ao bater com a professora no momento em que ia virar no corredor.

-Professora... -Tentei não demonstrar qualquer reação.

-Meu Deus, o que houve com sua perna?

Neguei com a cabeça e desviei meu olhar do seu.

-Não foi nada, professora. -Respondeu Zack. -Ela só acabou caindo lá no meio da sala.

-Eu acabei caindo, seu idiota? -Me virei para ele. -Acha que eu não vi o seu pé?

-Tudo bem, eu já entendi o que aconteceu. Se resolvam por favor. Só que não na minha aula. Vão para a diretoria.

-O que? -Voltei minha atenção para ela, sem acreditar no que acabei de ouvir. -Mas eu não tive nada a ver com isso. Por que tenho que ir também?

-Só explica para o diretor o que acabou de acontecer, está bem? -Ela saiu caminhando e eu permaneci parada, ainda não acreditando nisso.

-Muito bem, então. -Escutei a voz de Zack e tive vontade de arrancar suas cordas vocais fora. -Você vem ou...

-Cala a boca. -Falei e comecei a andar até a diretoria.

-É isso ou o que? Vai me bater? -Chegou ao meu lado e eu me recusei a olhar para o seu rosto.

-Não seria o suficiente para expressar o quanto você me estressa.

Senti seu olhar sobre mim e ele sorriu logo em seguida.

-Olha só, ela realmente voltou bravinha esse ano. -Enfiou as mãos dentro da jaqueta do time da escola. -Mas e aí, me conta, o que te fez mudar? Você era tão... quietinha.

-Eu sei muito bem o que você está tentando fazer. Quer se fazer de legal só para eu não contar a verdade ao diretor, mas fique sabendo que não vai rolar.

-Muito bem. -Pigarreou. -Não falo mais nada também.

Neguei com a cabeça e continuei olhando para frente.

-Sabe uma coisa que eu acabei percebendo por agora? Até que você não é tão chata como eu pensava.

-Óh, muito obrigada por mudar o seu pensamento quanto a mim, senhor. -Revirei os olhos e isso o fez rir.

-Você até que é engraçada.

Chegamos em frente à diretoria e abri a porta. Tivemos que ficar aqui na secretaria, já que o diretor está ocupado conversando com uma mãe.

-Isso não vai dar em nada, só estamos perdendo tempo. -Zack cruzou as pernas, colocando o tornozelo em cima do joelho. -Eu já perdi a conta de quantas vezes vim pra cá e ele só me deixou em detenção.

Permaneci em silêncio.

-Vai ser assim, então? Depois do nosso papo super agradável lá fora você irá me deixar falando sozinho?

-Eu não devia nem ter falado com você. -Peguei uma revista que há aqui em cima da mesinha e comecei a folhear.

Agora ele que ficou quieto. Olhei para meu joelho e vi que ainda continua sangrando.

Eu só queria ter ido ao banheiro para poder limpar. Não ter vindo parar na diretoria.

-Foi mal... Não achei que iria te machucar. -Olhei séria pra ele. -Juro, não queria que se machucasse. Eu só queria fazer alguma palhaçada com você, afinal, essa é a graça. Bom, pelo menos era. Agora que está virando uma garota rebelde, estou ficando com medo de continuar. -Essa última frase fez com que eu sorrisse. -Olha só, ela sabe sorrir.

-Cala a boca . -Tampei a boca para não sorrir novamente.

A mulher que estava lá dentro da sala do diretor abriu a porta e começou a sair. Assim que nos viu sentados no sofá, parou por um segundo e ficou encarando na direção de Zack.

-Zack...? É você mesmo?

Capítulo 3 Alexia narrando

E você é...? -Zack continuou a encarando.

-Eu... me desculpe, devo ter me confundido. -Ela arrumou sua bolsa no braço e começou a caminhar em direção a saída.

-Como assim se confundido? Você literalmente acabou de dizer o meu nome.

Olhei para os dois, tentando entender o que está acontecendo.

-Eu tenho que ir agora. Me desculpe mais uma vez. -Saiu apressada.

-Bizarro. -Zack falou e se jogou para trás no sofá. -Deve ser mais uma das minhas fãs. -Sorriu de um jeito convencido.

-Com certeza é. -Revirei os olhos e voltei a olhar para a revista.

-Senhorita Gomes e Senhor Kendell, entrem.

Levantei meu olhar e vi o diretor parado diante de sua porta. Me levantei e fui até lá, Zack me acompanhou. Assim que entramos, nos sentamos nas cadeiras à frente da mesa.

-Muito bem. -Se sentou também e se inclinou para perto de nós. -O que devo a honra de ter vocês dois aqui agora? -Cruzou as mãos.

-Foi um mal entendido. -Comecei dizendo. -A professora... ela... -Pensei um pouco. Eu poderia muito bem dizer o que realmente aconteceu, mas isso nos levaria aonde? Só faria Zack me odiar mais. -Ela pegou eu e Zack conversando durante a aula e nos mandou pra cá.

Tentei manter minha postura mas Zack quase fez tudo ir por água abaixo.

-Foi?

O belisquei de uma forma disfarçada e isso o fez olhar pra mim tentando entender.

-Você conversando, senhorita Gomes? Tem certeza do que está dizendo?

Quase não consegui permanecer olhando em seus olhos. É claro que ele não vai acreditar nisso. Ele já me conhece o suficiente para saber o quanto eu prefiro focar nas aulas do que ficar de papo furado.

-Eu... -Pigarreei. -Tenho certeza sim.

-Ok. -Se reencostou na cadeira. -Pode me dizer então o motivo do seu joelho estar machucado?

-O joelho... -Puta merda, me esqueci desse detalhe. -O joelho está assim porque eu acabei caindo enquanto vinha para a escola.

Impossível ele acreditar nessa desculpa.

Olhei para Zack e o encontrei segurando a risada.

-E por que não foi se limpar? Temos água nas pias, senhorita Gomes.

Zack deixou escapar um pequeno som de sua risada mas logo arrumou sua postura.

-Apenas nos dê logo o castigo, querido diretor. -Disse Zack.

O diretor o encarou por um segundo mas logo focou sua atenção no caderno à sua frente.

-Vão ficar aqui após às aulas. Detenção até às 15 horas. -Retirou o papel do caderno e nos entregou. -Irei ficar de olho nas câmeras. Espero não pegar vocês dois fazendo alguma coisa além de estarem estudando.

Zack sorriu e se levantou. Fiz o mesmo. Quando estava prestes a sair, a sua voz me chamou novamente a atenção.

-Posso conversar com a senhorita um instante?

Então é isso, ele já sabe de tudo.

Com o coração já acelerado, voltei para perto da mesa mas continuei em pé.

-Eu não gostaria de ter que fazer isso, mas não estou nem um pouco convencido de sua história, Alexia. Você sendo retirada de sala por conversa? Ainda mais por estar conversando com ele? Não é vocês dois que possuem um pé de briga desde quem entraram aqui?

Concordei e desviei meu olhar do seu.

-Está sendo ameaçada para não dizer a verdade? -Colocou a tampa da caneta na boca.

-Ameaçada é uma palavra muito forte...

-O que está havendo?

-Eu só... -Pensei. -Eu só estou cansada da forma como as coisas são. Se eu te contasse a verdade, isso mostraria a ele que eu continuo sendo aquela menina do 5 ano.

O diretor continuou me encarando, como se quisesse decifrar se estou dizendo a verdade ou não.

-Eu preciso saber o que realmente aconteceu, Alexia.

Respirei fundo.

-A gente estava conversando e a professora nos mandou pra cá. -Forcei um leve sorriso.

Ele concordou e abaixou a cabeça.

-Muito bem. De qualquer forma, terei que entrar em contato com o seu responsável e contar que você está de detenção.

Concordei e me virei para sair. Dessa vez ele não tentou me impedir. Quando cheguei do lado de fora, encontrei Zack sentado no chão com as costas encostada na parede.

Assim que me viu, se levantou.

-Por que não contou a verdade? -Enfiou as mãos dentro do casaco.

-Eu só não quis. -Dei de ombros.

-Qual é, quatro olhos. Mesmo eu não te conhecendo sei que você me odeia, por que me defendeu? Por que ficou do meu lado e não me dedurou?

-Não vi necessidade, como você mesmo havia falado, não ia dar em nada. E eu não queria mesmo voltar pra casa, ficar aqui mais uma hora vai me fazer bem.

-O que ele te perguntou?

-Ele queria saber a verdade e eu continuei negando. Parece que ele acreditou.

Não gosto de mentir. Mas talvez isso faça com que ele me odeie menos e pare de pegar em meu pé.

Ele sorriu e mordeu levemente os lábios.

-Valeu. Tô te devendo uma.

Comecei a andar e ele fez o mesmo.

-Você sabe quanto tempo temos que ficar aqui fora ainda? -Perguntei.

Ele pegou seu celular do bolso e olhou.

-Trinta minutos.

Suspirei e olhei para o lado oposto dele. A escola agora está sem ninguém andando pra lá e pra cá, só nós. Tenho que ir em meu armário. Virei o corredor.

-Aonde vai? -Perguntou vindo até mim.

-Preciso pegar algumas coisas em meu armário. -Respondi simplesmente.

Coloquei minha senha e o abri.

-Já que estou te devendo uma e ainda está cedo, topa comer um hot dog comigo agora? -Se encostou no armário ao lado.

-Jura? O famoso Zack Kendell me chamando para comer? -Arqueei uma sobrancelha.

Ele mordeu os lábios por dentro e olhou para baixo.

-Contando com que você não conte pra ninguém...

-É óbvio. -Revirei os olhos. -Você já voltou a ser o babaca de sempre. Vai sozinho, seu ego te faz companhia.

Peguei meu caderno no armário e fechei a porta com força.

Saí andando e fui em direção ao banheiro. Entrei e me olhei no espelho.

Garoto idiota. Por que é que eu defendi ele mesmo?

Respirei fundo e passei uma água no rosto.

-Não. Não, não, não. -Dei um tapa de leve em minha bochecha. -Me recuso a chorar por isso. -Respirei fundo mais uma vez.

-Quatro olhos? -Fiquei quieta, me controlando para não sair daqui e dar um murro naquele rostinho lindo. -É... desculpa. Tenta me entender, eu tenho uma reputação a zelar. Não posso ser visto com... qualquer um.

Como é que é?

-Cala boca Zack, ou eu juro que saio daqui e te mato.

-Tá, tá, desculpa de novo. Não foi o que eu quis dizer... eu só...Tudo bem, esquece. Eu vou dar uma volta, a gente se vê por aí... qualquer dia desses. E... valeu mais uma vez.

Tudo ficou em silêncio e eu lavei meu rosto novamente. Peguei os livros e voltei para o meu armário. Peguei meu celular e meu fone.

Como não posso voltar para a aula agora e sinceramente, não estou nem um pouco afim de trombar com Zack mais uma vez, vou ficar na cantina até dar o horário da próxima aula.

Me aproximei de uma das centenas mesas que possuem aqui e me sentei, colocando os fones em seguida.

Ao escutar a melodia da música, isso me fez deitar a cabeça e fechar os olhos para assim poder aproveitar melhor. Só que o que eu não esperava, é que realmente ia pegar no sono.

(...)

-Alexia, ei.

Senti um cutucão em meu braço e isso me fez levantar ainda sonolenta.

-Jake. -Cocei os olhos. -O que está fazendo aqui fora?

-O que você está fazendo aqui fora? São quase 10 horas.

Peguei meu celular assustada e vi o horário.

9:37

-Ah, merda. -Abaixei novamente a cabeça.

-O que aconteceu?

Contei tudo. Tudo o que aconteceu desde quando entrei em sala de aula.

-O que? Você defendeu ele? Por que? Alexia, ele é um idiota.

-Sim, sim eu sei. -Passei as mãos no cabelo. -Eu só não queria dedura-lo.

-Tudo bem, olha, a gente conversa mais tarde. Tenho que voltar pra sala agora.

Concordei e ele voltou a caminhar. Peguei novamente o celular e entrei no Instagram, já que nem compensa eu tentar entrar em sala de aula agora. Quando apareceu uma foto de Zack, desliguei o celular e o empurrei para longe.

-O que está fazendo aqui?

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