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Ex-Esposa: A Deusa da Dor

Ex-Esposa: A Deusa da Dor

Autor:: Bing Xia Luo
Gênero: Romance
Era o nosso aniversário de casamento de dez anos. Preparei o jantar preferido dela, acendi as velas, e só faltava Sofia. O relógio marcava onze da noite; a comida esfriou, as velas se derreteram. Sozinho, comi um bife frio, sentindo a solidão se intensificar. Abri as redes sociais, por tédio, e vi: Lucas Santos, assistente de Sofia, postou uma foto com um carro esportivo luxuoso. E ao lado dele, Sofia, sorrindo vitoriosa, o braço em seus ombros. Meu estômago gelou, não pelo carro ou pelo sorriso, mas pela mão dela. Estava nua. Sem a aliança. A aliança que jurei colocar em seu dedo havia desaparecido. O choque foi um soco no estômago; era uma declaração de que nosso casamento não significava nada para ela. Meu celular tocou; era ela. "Ricardo? Onde diabos você enfiou o relatório de projeção do terceiro trimestre?" Sua voz era ríspida, impaciente, como se eu fosse um empregado incompetente. "Qual relatório?" consegui dizer. "Não se faça de idiota!" "Eu te enviei na terça-feira, Sofia. Verifique seu e-mail." "Não me interessa! Se eu não achei, a culpa é sua! Reenvie agora! E da próxima vez, seja mais organizado!" Ela desligou na minha cara. O silêncio da casa era ensurdecedor. Não era mais só dor ou raiva; era libertação. A absurdidade da situação quebrou algo em mim. Pela primeira vez em anos, não senti a necessidade de correr para resolver o problema dela. Liguei o videogame, esquecido há meses, e comecei a jogar. O celular vibrou novamente; uma mensagem de Lucas. "Algumas pessoas trabalham duro para conseguir o que querem, outras apenas ficam em casa jogando videogame. Níveis diferentes, eu acho." O sangue subiu à minha cabeça; um parasita me provocando. Minha paciência, cultivada por uma década, finalmente se esgotou. "Aproveite bem o carro que o meu dinheiro comprou, seu encostado. Espero que ele seja confortável para você continuar sendo o cachorrinho da minha esposa." Enviei. Bloqueei o número dele. Bloqueei em todas as redes sociais. Um peso gigantesco saiu das minhas costas. Não demorou nem cinco minutos para o celular tocar de novo; Sofia. Deixei tocar até cair na caixa postal, de novo e de novo. Ignorei-a. Voltei ao meu jogo, mas minha mente estava planejando. Planejando o divórcio. Planejando minha saída. Planejando minha vida sem Sofia. Naquela noite, dormi profundamente, sem pesadelos. O sono de um homem que descobriu a chave da sua prisão. Anos em que fui dado como certo, uma peça de mobília útil, mas facilmente ignorável. O carro para Lucas foi apenas o catalisador. O símbolo final da minha desvalorização. Eu sabia exatamente o que fazer. "Então é por isso que você está tão feliz em se livrar de mim!", ela cuspiu, o olhar venenoso fixo na Camila. "Mal se divorciou e já arrumou uma substituta mais nova! Você é patético, Ricardo! Trocando uma mulher de sucesso por uma estagiária qualquer!" A agressão foi tão súbita e injustificada que me deixou sem reação. O veneno em suas palavras era inacreditável. Minha paciência, cultivada por uma década, finalmente se esgotou. Levantei-me devagar, meu olhar fixo em Lucas. "Cale a boca, Lucas!" Minha voz ficou perigosa. "Você não tem o direito de abrir a boca nesta conversa." "Você é o motivo de tudo isso." "Um parasita que se agarrou na minha esposa e ajudou a destruir meu casamento." Meu olhar se voltou para Sofia. "E você", continuei, a voz subindo. "Quer saber a verdade?" "Sim, eu estou feliz por me livrar de você." "E sim, a Camila é mais nova. Ela também é mais gentil, mais inteligente e tem mais caráter em um dedo do que você tem no corpo inteiro." "Mas sabe qual é a principal diferença entre vocês? Ela não é uma traidora."

Introdução

Era o nosso aniversário de casamento de dez anos.

Preparei o jantar preferido dela, acendi as velas, e só faltava Sofia.

O relógio marcava onze da noite; a comida esfriou, as velas se derreteram.

Sozinho, comi um bife frio, sentindo a solidão se intensificar.

Abri as redes sociais, por tédio, e vi: Lucas Santos, assistente de Sofia, postou uma foto com um carro esportivo luxuoso.

E ao lado dele, Sofia, sorrindo vitoriosa, o braço em seus ombros.

Meu estômago gelou, não pelo carro ou pelo sorriso, mas pela mão dela.

Estava nua. Sem a aliança.

A aliança que jurei colocar em seu dedo havia desaparecido.

O choque foi um soco no estômago; era uma declaração de que nosso casamento não significava nada para ela.

Meu celular tocou; era ela.

"Ricardo? Onde diabos você enfiou o relatório de projeção do terceiro trimestre?"

Sua voz era ríspida, impaciente, como se eu fosse um empregado incompetente.

"Qual relatório?" consegui dizer.

"Não se faça de idiota!"

"Eu te enviei na terça-feira, Sofia. Verifique seu e-mail."

"Não me interessa! Se eu não achei, a culpa é sua! Reenvie agora! E da próxima vez, seja mais organizado!"

Ela desligou na minha cara.

O silêncio da casa era ensurdecedor.

Não era mais só dor ou raiva; era libertação.

A absurdidade da situação quebrou algo em mim.

Pela primeira vez em anos, não senti a necessidade de correr para resolver o problema dela.

Liguei o videogame, esquecido há meses, e comecei a jogar.

O celular vibrou novamente; uma mensagem de Lucas.

"Algumas pessoas trabalham duro para conseguir o que querem, outras apenas ficam em casa jogando videogame. Níveis diferentes, eu acho."

O sangue subiu à minha cabeça; um parasita me provocando.

Minha paciência, cultivada por uma década, finalmente se esgotou.

"Aproveite bem o carro que o meu dinheiro comprou, seu encostado. Espero que ele seja confortável para você continuar sendo o cachorrinho da minha esposa."

Enviei.

Bloqueei o número dele. Bloqueei em todas as redes sociais.

Um peso gigantesco saiu das minhas costas.

Não demorou nem cinco minutos para o celular tocar de novo; Sofia.

Deixei tocar até cair na caixa postal, de novo e de novo.

Ignorei-a.

Voltei ao meu jogo, mas minha mente estava planejando.

Planejando o divórcio.

Planejando minha saída.

Planejando minha vida sem Sofia.

Naquela noite, dormi profundamente, sem pesadelos.

O sono de um homem que descobriu a chave da sua prisão.

Anos em que fui dado como certo, uma peça de mobília útil, mas facilmente ignorável.

O carro para Lucas foi apenas o catalisador.

O símbolo final da minha desvalorização.

Eu sabia exatamente o que fazer.

"Então é por isso que você está tão feliz em se livrar de mim!", ela cuspiu, o olhar venenoso fixo na Camila.

"Mal se divorciou e já arrumou uma substituta mais nova! Você é patético, Ricardo! Trocando uma mulher de sucesso por uma estagiária qualquer!"

A agressão foi tão súbita e injustificada que me deixou sem reação. O veneno em suas palavras era inacreditável.

Minha paciência, cultivada por uma década, finalmente se esgotou.

Levantei-me devagar, meu olhar fixo em Lucas.

"Cale a boca, Lucas!"

Minha voz ficou perigosa.

"Você não tem o direito de abrir a boca nesta conversa."

"Você é o motivo de tudo isso."

"Um parasita que se agarrou na minha esposa e ajudou a destruir meu casamento."

Meu olhar se voltou para Sofia.

"E você", continuei, a voz subindo.

"Quer saber a verdade?"

"Sim, eu estou feliz por me livrar de você."

"E sim, a Camila é mais nova. Ela também é mais gentil, mais inteligente e tem mais caráter em um dedo do que você tem no corpo inteiro."

"Mas sabe qual é a principal diferença entre vocês? Ela não é uma traidora."

Capítulo 1

Era o nosso aniversário de casamento. Dez anos.

Eu preparei o jantar, o prato favorito dela, e abri uma garrafa do vinho que guardávamos para ocasiões especiais. A mesa estava posta, as velas acesas, e a única coisa que faltava era a minha esposa, Sofia.

O relógio na parede da sala marcava nove da noite. Depois dez. Depois onze.

A comida esfriou. As velas derreteram até o fim.

Eu comi um pedaço do bife frio, sozinho, olhando para a cadeira vazia à minha frente. A solidão era uma velha conhecida, mas naquela noite ela parecia mais pesada, mais densa.

Peguei o celular, pensando em ligar, mas o que eu diria? "Onde você está?" Eu já sabia a resposta. Trabalhando. Sempre trabalhando. Pelo menos, era o que ela sempre dizia.

Desisti da ligação e, por puro tédio, abri as redes sociais. Foi quando eu vi.

Uma foto postada por Lucas Santos, o assistente bajulador de Sofia. Ele estava encostado em um carro esportivo de luxo, um modelo que custava mais do que a entrada da nossa casa. A legenda era puro deboche: "Obrigado, chefe! O melhor presente de todos! Você é a melhor!"

E na foto, ao lado dele, estava Sofia.

Ela sorria, um sorriso largo e vitorioso, com o braço em volta dos ombros de Lucas. Eles pareciam um casal celebrando uma grande conquista.

Meu estômago gelou. Não foi pelo carro, nem pelo sorriso dela para outro homem. Foi pela mão dela, a mão que repousava no ombro de Lucas.

Estava nua. Sem a aliança.

A aliança de ouro que eu coloquei em seu dedo dez anos atrás, a mesma que ela jurou nunca tirar, tinha desaparecido.

O choque foi como um soco no estômago, tirando meu ar. Senti uma náusea subir pela garganta. Era mais do que uma traição emocional, era uma declaração. Uma declaração de que nosso casamento, para ela, já não significava nada.

Eu olhei para a minha própria mão, para a aliança que eu nunca tirei. Parecia pesada, um pedaço de metal frio e sem sentido.

Respirei fundo, tentando reprimir a onda de fúria e dor que ameaçava me consumir. Levantei-me, joguei os restos do jantar no lixo, lavei a louça e apaguei as luzes da sala de jantar. Agi no piloto automático, a mente em um nevoeiro de incredulidade.

Foi então que o meu celular tocou. Era ela.

Atendi, a voz presa na garganta.

"Ricardo? Onde diabos você enfiou o relatório de projeção do terceiro trimestre?" A voz dela era ríspida, impaciente, como se eu fosse um empregado incompetente.

Eu fiquei em silêncio por um segundo, tentando processar a pergunta.

"Qual relatório?" consegui dizer.

"Não se faça de idiota! O relatório que eu pedi para você finalizar! O cliente está me ligando sem parar! Por sua causa, eu pareço uma amadora!"

A ironia era tão absurda que quase ri. Ela estava com o assistente dela, comemorando a compra de um carro de luxo, e me ligava para gritar sobre um relatório que eu nem sabia que era urgente. Um relatório que, aliás, eu tinha enviado para o e-mail dela dois dias antes.

"Eu te enviei na terça-feira, Sofia. Verifique seu e-mail." Minha voz saiu fria, monótona.

"Não me interessa! Se eu não achei, a culpa é sua! Reenvie agora! E da próxima vez, seja mais organizado!"

E ela desligou. Na minha cara.

Eu olhei para o telefone, para a tela escura. O silêncio da casa era ensurdecedor. Uma sensação estranha tomou conta de mim. Não era mais só dor ou raiva. Era um sentimento de libertação. A absurdidade da situação era tão grande que quebrou algo dentro de mim.

Pela primeira vez em anos, eu não senti a necessidade de correr para o computador para resolver o problema dela. Não senti o peso da responsabilidade dela sobre os meus ombros.

Fui até a sala, liguei o videogame que estava empoeirado há meses e comecei a jogar. O som dos tiros e explosões virtuais preencheu o vazio da casa e da minha mente. Era um alívio. Um alívio perigoso e viciante.

Meu celular vibrou novamente. Uma mensagem. Era de Lucas.

Uma foto dele dentro do carro novo, o painel de LED aceso, com a legenda: "Algumas pessoas trabalham duro para conseguir o que querem, outras apenas ficam em casa jogando videogame. Níveis diferentes, eu acho."

O sangue subiu à minha cabeça. A provocação barata, o ar de superioridade de um cara que não seria nada sem a minha esposa... sem o meu trabalho.

Minha paciência, que eu cultivei por uma década, finalmente se esgotou.

Digitei uma resposta rápida, sem pensar duas vezes.

"Aproveite bem o carro que o meu dinheiro comprou, seu encostado. Espero que ele seja confortável para você continuar sendo o cachorrinho da minha esposa."

Enviei.

E, em seguida, bloqueei o número dele. Bloqueei em todas as redes sociais. Um clique, dois cliques. Acabou.

A sensação foi imediata. Um peso gigantesco saiu das minhas costas.

Não demorou nem cinco minutos para o celular tocar de novo. O nome de Sofia brilhava na tela. Eu imaginei o pequeno verme correndo para contar para ela, choramingando sobre como eu fui mau com ele.

Eu olhei para o nome dela na tela. Deixei tocar. Tocou uma, duas, três vezes. Até cair na caixa postal.

Ela ligou de novo, e de novo.

Eu ignorei. Coloquei o celular no modo silencioso e o joguei no sofá.

Voltei para o meu jogo, mas minha mente já estava em outro lugar. Estava planejando. Planejando o divórcio. Planejando minha saída. Planejando minha vida sem Sofia.

Naquela noite, pela primeira vez em muito tempo, eu dormi profundamente. Sem pesadelos, sem acordar de madrugada pensando nos problemas da empresa ou nas exigências de Sofia.

Foi um sono tranquilo, o sono de um homem que finalmente percebeu que a corrente que o prendia não era feita de amor, mas de exploração. E ele tinha acabado de encontrar a chave.

Enquanto dormia, minha mente repassava os últimos dez anos. Anos em que eu trabalhei nas sombras, codificando os softwares que eram a base da nossa empresa de tecnologia, enquanto Sofia, com seu carisma e rosto bonito, ficava com todo o crédito. Anos em que eu sacrifiquei meus próprios projetos, minhas próprias ambições, para construir o império dela. Anos em que fui dado como certo, uma peça de mobília útil, mas facilmente ignorável.

O carro para Lucas não foi o motivo. Foi apenas o catalisador. O símbolo final e inegável da minha desvalorização.

Eu acordei na manhã seguinte com uma clareza que não sentia há anos. Eu sabia exatamente o que precisava fazer.

Capítulo 2

Sofia chegou em casa pouco antes do amanhecer, parecendo exausta e irritada. Ela jogou a bolsa no sofá com força, fazendo um barulho seco no silêncio da manhã.

Eu estava na cozinha, tomando uma xícara de café, calmo.

"Você tem ideia da confusão que você me causou ontem à noite?" ela começou, sem nem me dar bom dia. Sua voz estava carregada de acusação.

Eu tomei um gole do meu café, sem pressa.

"Eu?"

"Sim, você! O cliente da TechCorp ficou furioso! Tive que passar a noite inteira acalmando os ânimos e refazendo a apresentação. Por sua causa!"

Ela me olhava como se eu fosse o único responsável por todos os problemas do mundo.

"E o que exatamente eu fiz?" perguntei, minha voz perigosamente calma.

"Você não me enviou o relatório a tempo! E ainda por cima, foi grosseiro com o Lucas! Ele ficou super chateado!"

Eu quase ri. Quase.

"Sofia, o relatório estava no seu e-mail desde terça. Se você não consegue gerenciar sua própria caixa de entrada, o problema não é meu. E quanto ao Lucas... ele que aprenda a não me provocar."

Sofia me encarou, boquiaberta. Seus olhos se arregalaram em choque. Ela não estava acostumada com essa versão de mim. Ela estava acostumada com o Ricardo que pedia desculpas mesmo quando não estava errado, o Ricardo que engolia o orgulho para manter a paz.

"O que deu em você? Desde quando você fala assim comigo?"

"Desde que eu cansei de ser seu capacho", respondi, dando de ombros e voltando minha atenção para a TV da cozinha, onde passava um desenho animado qualquer.

Eu peguei meu celular e comecei a jogar um joguinho simples, ignorando-a completamente. Eu podia sentir o olhar dela queimando na minha nuca, a fúria crescendo.

"Ricardo, eu estou falando com você! Temos uma crise na empresa e você está aí, jogando no celular como um adolescente? Você é o gênio da programação, o cérebro por trás de tudo. Preciso que você resolva o bug no sistema do novo cliente. Agora!"

A arrogância dela era impressionante. Em um momento, eu era um inútil que causava problemas, no outro, eu era o gênio indispensável.

Eu continuei olhando para a tela do celular, a música irritante do jogo preenchendo o ar.

"Ah, agora eu sou o 'gênio da programação'?", eu disse, com um sarcasmo cortante. "Engraçado, ontem à noite parecia que a única coisa que eu sabia fazer era atrapalhar. E quem ganhou um carro esportivo por ser tão genial foi o seu assistente, não eu."

"Não misture as coisas! O Lucas é um excelente assistente, ele me ajuda a manter a imagem da empresa! É marketing, Ricardo, algo que você não entende! Agora, pare com essa criancice e vá trabalhar!"

Ela estava perdendo o controle, a voz subindo de tom a cada palavra.

Eu finalmente olhei para ela, um sorriso frio nos lábios.

"Não."

Uma única palavra. Simples, direta. E para Sofia, foi como se eu tivesse jogado uma bomba na cozinha.

"O quê?"

"Eu disse não. Não vou resolver bug nenhum. A empresa é sua, o sucesso é todo seu, não é? Foi o que você disse na última entrevista. Então, vá lá, Sofia. Seja a CEO genial que você diz ser e resolva você mesma. Ou melhor, peça para o seu 'excelente assistente' resolver. Talvez ele consiga codificar com o mesmo talento que tem para te bajular."

A fúria no rosto dela se transformou em uma máscara de ódio.

"Você está louco? Você sabe que sem você, a parte técnica da empresa para!"

"Eu sei. E parece que você finalmente está começando a perceber isso também. Que pena que precisou de dez anos."

Ela pegou um vaso decorativo da bancada, um presente de casamento dos pais dela, e o atirou na minha direção.

Eu me desviei com facilidade. O vaso se espatifou na parede atrás de mim, os cacos se espalhando pelo chão da cozinha.

"Você é um ingrato! Ingrato!", ela gritava, o rosto vermelho, descontrolada. "Eu te dei tudo! Essa casa, essa vida!"

A risada que saiu de mim foi amarga e alta.

"Você me deu tudo? Sofia, acorde! Quem pagou por esta casa? Fui eu, com o dinheiro da venda do meu primeiro software, antes mesmo de nos casarmos. Quem desenvolveu cada linha de código que fez a 'sua' empresa decolar? Fui eu! Quem trouxe os maiores clientes, usando contatos que eu fiz na faculdade, enquanto você só sabia sorrir e apertar mãos? Fui eu!"

Eu me levantei, caminhando lentamente na direção dela. Ela recuou um passo, surpresa com a minha intensidade.

"Você não me deu nada, Sofia. Você pegou. Você pegou meu talento, meu tempo, minhas ambições e construiu sua imagem em cima deles. Você é uma fraude, e o seu maior medo é que todo mundo descubra que a grande CEO da Almeida Tech não passa de uma fachada bonita. O verdadeiro cérebro da operação sempre esteve em casa, sendo tratado como lixo."

Ela ficou sem palavras, o peito subindo e descendo com a respiração ofegante.

"Eu te odeio", ela sussurrou, a voz cheia de veneno.

"O sentimento é mútuo", eu respondi, sem hesitar. "Agora, se me dá licença, tenho um jogo para terminar."

Ela me lançou um último olhar de puro ódio, virou-se e saiu batendo a porta com uma força que fez as janelas tremerem.

Eu olhei para os cacos do vaso no chão. Símbolos de um casamento quebrado. Não senti nada. Nenhum pingo de tristeza ou remorso.

Foi então que meu celular tocou. Era um número desconhecido. Por um momento, pensei que fosse Sofia usando outro telefone. Hesitei, mas atendi.

"Ricardo Costa?" uma voz jovial perguntou.

"Sim, quem fala?"

"Aqui é o Sr. Oliveira, da Innovate Corp. Nos conhecemos no último simpósio de tecnologia. Eu estava com o pessoal da TechCorp."

Eu me lembrava dele. Um dos maiores investidores do setor.

"Sr. Oliveira, claro. Como vai?"

"Vou bem, meu caro, vou bem. Liguei para te dar os parabéns. Aquele seu insight sobre a integração de IA no gerenciamento de dados... brilhante! Simplesmente brilhante! Sofia tem muita sorte de ter um marido com uma mente como a sua nos bastidores. Honestamente, todos nós no mercado sabemos que você é o verdadeiro motor daquela empresa."

Eu sorri. Um sorriso genuíno, pela primeira vez em muito tempo.

"Obrigado, Sr. Oliveira. Fico feliz em ouvir isso."

A validação externa, vinda de alguém tão importante, foi como um bálsamo. Confirmou tudo o que eu já sabia, mas que Sofia sempre fez questão de diminuir. O mundo lá fora sabia do meu valor. Só a pessoa que dormia ao meu lado escolhia ignorá-lo.

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