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Exilada da Lua: A Companheira Quebrada do Alfa

Exilada da Lua: A Companheira Quebrada do Alfa

Autor: Ghostly Mode
Gênero: Lobisomem
O medo seguia o Alfa Samson aonde quisesse que fosse. Como líder implacável da matilha Blackthorn, ele e sua fera, Savage, não se curvavam a ninguém. Quando um cheiro assustador o levou à masmorra de uma matilha vizinha, ele encontrou sua companheira destinada - ensanguentada, ferida e acorrentada à parede. Alora era uma híbrida de lobo e bruxa, acusada injustamente e deixada para morrer. No entanto, seus agressores cometeram um erro fatal: tocaram na companheira de um monstro. Resgatada pelo Alfa feroz, Alora iniciou uma jornada de cura que revelou uma vida inteira de mentiras. Ela não era apenas uma sobrevivente, mas uma arma. Juntos, Samson e Alora fariam da vida daqueles que a prejudicaram um inferno, desenterrariam segredos sombrios da família e reivindicariam a coroa que foi roubada dela desde seu nascimento.
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Capítulo 1 Prólogo

Alora

(16 anos)

Por mais que eu lutasse contra os guardas, eles me arrastavam para dentro das celas.

Só o cheiro já me revirava o estômago. Entre os corpos mortos e o sangue, era difícil dizer o que era pior.

Quando nos aproximamos do portão da última cela, lá estavam meu pai e a amante do mês. O olhar do meu pai estava vazio, mas ele estava assim desde aquela noite. Passei a odiá-lo depois do que ele fez com minha mãe. O jeito que ele tratava a mim e a ela era só porque ela não foi capaz de lhe dar um filho.

Os guardas me levaram até o portão e me jogaram lá dentro, como se eu não fosse nada. Caí com um baque forte no chão e rolei até a parede, gemendo quando minhas costas bateram com força contra ela.

O pior de tudo foi que isso reabriu as feridas que a amante do meu pai havia feito em mim há algumas horas.

O sangue encharcou a blusa velha que eu usava.

Um baque foi ouvido, fazendo meu pai rosnar, e ouvi passos se aproximando da cela.

"Que diabos, alfa?", Gama Ryan gritou enquanto se aproximava. Quando ele parou e olhou para dentro, ergui a cabeça. Seus olhos se estreitaram para mim, mas se suavizaram ao me ver.

"Ela é só uma criança", ele gritou, o que fez meu pai agarrá-lo pelo pescoço.

"Já chega, Gama. Ela roubou de Madaline e precisa pagar por isso", meu pai disse com os dentes cerrados.

Nesse momento, desviei meu olhar para a amante dele, que tinha um sorriso malicioso.

Ela sabia como enrolar meu pai - era a favorita dele, mas isso poderia mudar em breve.

Meu pai era um alfa implacável e um péssimo pai. Embora eu tivesse nascido numa matilha de lobisomens, só tinha metade das habilidades de um lobo e não era um deles, mas eu também era parte de algo mais. Minha mãe deveria ter me contado sobre isso, mas isso nunca aconteceu, porque meu pai e a mulher que estava diante de mim a mataram quando eu tinha dez anos.

Depois de ver tudo, fui forçada a viver no porão da casa da matilha. Eu não podia sair de lá, a não ser que tivesse alguém comigo o tempo todo. Então, dizer que eu havia roubado algo da prostituta do meu pai era, no mínimo, um exagero.

Ele me trancou como se eu não fosse nada.

Desde que nasci, minha mãe e eu fomos colocadas em uma parte da casa, longe dos membros da matilha. Como só podíamos contar com a família Gama, já que esse era o trabalho deles, éramos só nós duas. Tínhamos um pequeno apartamento onde não havia muito o que fazer, mas conseguíamos nos virar.

Movendo-me um pouco e apoiando-me na parede para aliviar a dor nas costas, olhei para os dois.

Gama Ryan sempre foi leal à minha mãe e a mim, e eu sabia que podia contar com ele. Ele era o único que me comprava roupas novas e livros para ler. Eu não tinha nada em meu nome, absolutamente nada.

Meu pai se virou e me encarou, rosnando: "Você ficará aqui até quando eu achar necessário."

"Mas alfa, ela não pode ter feito nada. Ela estava trancada no porão. Um dos guardas me disse que eles tiveram que arrombar a porta para tirá-la", Gama Ryan implorou.

Meu pai desviou sua atenção para Ryan e o atacou, o prendendo contra a parede. Meus olhos se arregalaram quando ele rosnou: "Já chega! Ela pode não ter roubado nada, mas merece ficar neste lugar."

Ao ouvir essas palavras, senti meu coração se apertar. Como meu pai podia ser tão cruel?

Madaline olhou para mim com um olhar perverso.

"Acho que deveríamos contar a eles, amor", ela sussurrou, o que fez meu pai olhar para ela com admiração.

Senti-me enjoada.

Após soltar Gama Ryan, meu pai se virou para mim. Como sempre, seus olhos se transformaram de lobo para humano novamente.

"Madaline está grávida", ele disse, sem desviar os olhos de mim.

Senti um nó se formar no meu estômago. Grávida? Não, isso significava...

Sabendo que eu havia entendido o que isso significava, o sorriso de Madaline se alargou. "Isso significa que darei um herdeiro ao alfa. Ao contrário da sua mãe, darei um filho a ele. E não uma filha patética e sem loba."

Madaline riu, colocando a mão na barriga.

"Este será o filho do alfa", ela disse.

"Acha mesmo que seu filho será aceito como herdeiro? E se você tiver outra menina?", perguntei com um sorriso de escárnio. "Nós duas sabemos como ele as trata quando tem uma."

Madaline empalideceu enquanto olhava para meu pai, mas ele a ignorou e olhou para mim. "Sua vadia ingrata! Te dei um lar e nunca machuquei uma criança."

"Não, você deixa seus guardas fazerem isso", murmurei.

Meu pai entrou na cela.

Mantive meus olhos fixos nele, mas pelo canto do olho, vi Gama Ryan me implorando para parar.

Meu pai se agachou e colocou o dedo sob meu queixo, me forçando a olhar para ele. "Nunca mais me responda assim. Agora, este será seu pequeno quarto. Você nunca mais sairá daqui. Tenho controle sobre você, e ninguém, absolutamente ninguém, vai te salvar. Você não tem ninguém."

Enquanto eu ouvia suas palavras, senti meu coração se despedaçar e uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto.

Meu saiu da cela. Quando se virou, prendeu Gama Ryan contra a parede e liberou sua aura de alfa. Vi meu pai dar um comando que até partiu meu coração.

"Você nunca mais a servirá. Você cumprirá suas funções de Gama e pronto. Você nunca mais a verá ou falará com ela. Entendido?"

Gama Ryan tentou lutar contra o comando, mas não conseguiu e acabou concordando.

Meu pai o soltou e o encarou. "Agora, vá treinar os membros da matilha."

Assim, Gama Ryan saiu sem olhar para trás.

Desviei meu olhar para as duas pessoas que restaram.

Madaline sorriu quando meu pai passou o braço em volta da sua cintura.

"Teremos um filho", ele disse, se inclinando no pescoço dela enquanto olhava para mim. "Beck te dará comida. Quanto às punições, serão aplicadas por mim e por quem estiver comigo. Você nunca mais sairá deste lugar, filha."

Então, meu pai e Madaline saíram.

Senti meu coração se despedaçar. Mais uma vez, eu estava sozinha.

Ninguém iria me salvar. Como eles poderiam? Ninguém sabia que eu existia. Meu pai fez questão disso.

Quando minha mãe deu à luz a mim, ele anunciou que eu havia morrido no parto e que Luna estava se recuperando. Isso nunca o impediu de tentar ter outro filho com minha mãe, mas ela só conseguia ter meninas. Quando ela teve um menino, o pequeno morreu após vinte semanas. Por isso, meu pai a chamava de tudo quanto era nome.

Sempre que ele ia vê-la, eu tinha que me esconder.

Enquanto eu olhava para a pequena cela que seria minha casa a partir de agora, outra lágrima escorreu pelo meu rosto.

Eu estaria vivendo no inferno, embora já estivesse lá.

A única esperança que me restava era que meu companheiro me encontrasse, mas agora até isso parecia impossível. Quem iria querer alguém como eu?

Capítulo 2

ALORA

(5 anos depois...)

Meus olhos estavam fixos no teto, enquanto a brisa da fresta da janela assobiava e passava pelo meu corpo, me fazendo sentir frio.

Cobri-me com o tecido fino, mesmo que ele não me aquecesse. Arrepiei-me um pouco ao tocar na marca de chicote recente no meu braço, o fazendo doer. Segurei o lençol com mais força, encolhendo as pernas e abraçando os joelhos para tentar me aquecer.

Cinco longos anos se passaram desde que fui colocada nesta maldita cela, e fui torturada mais do que seria justo. Não achava que nenhum renegado tivesse passado pelo mesmo destino que eu. Para ser sincera, achava que eles recebiam um tratamento melhor. Eles os matariam assim que os colocassem em uma cela, ou os fariam sofrer.

Os gritos que alguns soltavam faziam meus ouvidos sangrarem. Muitos desistiam após as primeiras torturas e morriam. Quem entrava aqui, nunca mais saía.

Sempre me questionei sobre qual seria meu destino, mas já se passaram cinco anos. Algo me dizia que eu só descobriria quando fosse tarde demais.

Madaline, que agora era a companheira escolhida do meu pai em vez de sua amante, deu à luz um filho. Não o vi, e nem queria conhecê-lo. Provavelmente ele seria malvado se fosse igual ao meu pai ou a ela.

Ouvi um barulho do lado de fora da janela, mas era difícil saber o que estava acontecendo. Ultimamente, estava muito barulhento por aqui. Os guardas que me vigiam, principalmente Beck, não falavam comigo. Eles ficavam em silêncio e até ajudavam na tortura que Madaline me imponha.

Ninguém se importava comigo, e eles nem sabiam quem eu era, algo que meu pai garantiu. Ele disse aos guardas que eu era uma humana estúpida que invadiu o território da matilha, e que ele não sabia o que fazer comigo. O jeito como ele falava de mim deveria me abalar, mas por que eu deveria me abalar agora? Ele nunca me quis, desde o início.

Beck ficou encarregado de me vigiar nos últimos cinco anos. Ele nunca falava comigo, mas acabei me afeiçoando a ele nesse tempo. Quando Madaline me torturava, o mandava sair, mas logo depois, ele entrava e limpava minhas feridas o melhor que podia.

Foi Beck quem me deu este lençol fino para me cobrir quando ficava frio aqui.

Outro estrondo veio de fora, provocando um estremecimento em mim enquanto mantive meus olhos fixos na janela.

"Que diabos foi isso?" Tentei escutar o que estava acontecendo, mas era difícil ouvir qualquer coisa por causa do vento.

Talvez eu não tivesse uma loba, mas tinha algumas de suas características, como audição incrível e sentidos aguçados. Eu não sabia se tinha outra, mas essas eram as duas únicas que sabia que tinha.

Outro ruído veio de fora da janela, e um miado soou quando uma pequena cabeça peluda e preta apareceu na fresta, seus olhos me encarando.

Movendo-me um pouco, sorri enquanto o pequeno animal veio na minha direção e se aninhou no espaço entre minhas pernas e meu estômago.

Essa bolinha de pelos preta tinha me feito companhia nos últimos meses. Quem diria que uma gata entraria em uma matilha de lobos e sobreviveria? Eu com certeza não achava isso possível, não com meu pai no comando. Afinal, ele teria o devorado no jantar.

A gata se aconchegou em mim, deixando seu calor me envolver enquanto tentava me aquecer.

"Obrigada", sussurrei, colocando a mão na sua cabeça e fazendo um carinho. "Você não deveria estar aqui, sabe disso."

Suspirei enquanto a gata se movia e enfiava a cabeça sob meu queixo, esfregando na minha mandíbula e começando a ronronar. Alisei seu pelo macio até que ela se ajeitou para dormir. Olhei para a gata, que me encarou de volta com seus olhos verdes brilhantes.

"Como posso te chamar?", sussurrei enquanto acariciava sua cabeça.

A gata soltou um miado baixo, me fazendo suspirar.

"Não posso continuar te chamando de gata ou gatinha", murmurei. "É meio bobo. Que tal eu dizer alguns nomes, e você cutucar minha mão quando gostar de um?"

A gata me encarou. Droga, me senti uma estúpida falando com ela.

"Vamos ver...", eu disse e comecei a dizer alguns nomes. "Angel, Lucky, Poppy, Aero..."

A gata não se moveu, e eu resmunguei.

"Que tal...", comecei, mas parei quando um filme que eu assistia quando criança com minha mãe veio à minha mente - O Rei Leão. Lembrei-me de quando Gama Ryan o trouxe um dia. Assisti tantas vezes ao longo dos anos, pois foi o melhor presente que já ganhei de alguém.

"Que tal Simba, Nala-", eu disse, e a gata esfregou a cabeça em mim ao ouvir Nala.

Então, sorri.

"Nala", sussurrei. "Perfeito para uma gata linda como você."

Nala ronronou, se aconchegando novamente contra mim.

De repente, a porta das celas se abriu, mas ela não se moveu enquanto ouvíamos os passos se aproximando. Coloquei o tecido fino sobre sua cabecinha e olhei para o portão, vendo Beck aparecer.

Ele me encarou, mas depois olhou para trás, então se aproximou e se ajoelhou.

Observei enquanto ele tirava algo do bolso e passava o braço pela barreira até colocar uma maçã no chão.

Fiquei olhando para a maçã por um momento, achando que estava sonhando, pois a última vez que comi foi há dois dias. Beck só trazia o que conseguia, mas nunca era o suficiente.

Olhei para ele, e ele acenou com a cabeça enquanto se levantava do chão e se virava. Observei-o voltar para sua posição de guarda.

Movendo-me um pouco e tentando não incomodar Nala, peguei a maçã e dei uma mordida. O sabor era doce, um sabor que eu sentia falta todos os dias quando estava com minha mãe.

Ela costumava fazer uma torta de maçã todo domingo na nossa pequena cozinha, e era nesse dia que a família Gama vinha nos visitar. Eles traziam o que precisávamos para a semana e iam embora depois de uma hora. Era pouco convencional, no mínimo, mas eles eram a única família que eu tinha além da minha mãe.

Comi a maçã em silêncio e, quando terminei, coloquei o caroço na cela ao lado para parecer que era de quem esteve lá por último.

Madaline não queria que eu comesse, afirmando que essa era a regra do meu pai, mas Beck a quebrou várias vezes. A única coisa que me era permitida diariamente era água fresca, que Beck me trazia toda manhã e noite. Eu precisava usá-la para beber e até para me lavar. Odeiava me lavar com a água, pois era congelante, e Beck tinha que me observar, o que era constrangedor.

Apostei que os servos eram tratados melhor do que eu, e isso dizia muito sobre esta matilha.

Muitos ômegas eram maltratados - eu costumava observar pelo buraco da fechadura do porão ou pela janela. Eles eram empurrados e espancados se desviassem da linha.

Gama Ryan nunca encostou um dedo neles, mas quem fazia isso era principalmente meu pai ou seu Beta.

Beta Logan e meu pai eram amigos desde o ensino médio. Ele obedecia a cada palavra do meu pai inclusive quando se tratava de me maltratar. Eu sabia o que meu pai disse a ele, e muitos membros da matilha acabaram acreditando.

Quem não acreditaria? Ele era o Alfa. Afinal, ele não mentia sobre nada, exceto quando se tratava de mim.

O silêncio pairava ao redor da cela até que ouvi a porta se abrir novamente.

Nala levantou a cabeça e olhou por cima do lençol, mas eu a empurrei de volta para dentro, a mantendo coberta enquanto a colocava debaixo da cama. Eu sabia quem estava vindo, e era inevitável que ela estivesse aqui, como sempre.

"Acorde!", ela gritou.

Tropecei para fora da cama e me encostei na parede, meus olhos se voltando para ela quando ela apareceu.

Madaline, desde o primeiro dia em que a vi, não mudou nada. Apenas as rugas ao redor dos olhos entregavam sua idade agora, e ela também parecia ter ganhado alguns quilos a mais.

Já eu, estava tão magra que, se alguém me visse agora e me pegasse no colo, não pesaria quase nada.

Madaline me encarou enquanto um sorriso sinistro surgia nos seus lábios.

"Que bom que você está acordada", disse ela, parada junto ao portão. "Tenho notícias para você. Mais tarde esta noite, receberemos a visita de Alfas de todas as matilhas próximas."

Congelei um pouco quando o ar frio invadiu a cela, mas por mais que eu quisesse me cobrir com o lençol, sabia que não podia, senão Madaline o levaria embora. Ela sabia que o lençol estava ali, mas nunca fez nada. Eu não queria dar mais motivos para o que ela fazia comigo.

Madaline olhou para mim e sorriu. "Esta noite, seu pai vai declarar que nosso filho, Michael, será o próximo na linha de sucessão para o cargo de Alfa."

Meu estômago se revirou. Aquele cargo deveria ser meu, mas depois de tudo que passei nesta matilha, preferiria morrer do que ser qualquer coisa para eles.

"Você sabe o que isso significa?", ela perguntou.

Balancei a cabeça negativamente enquanto o sorriso de Madaline se abria ainda mais.

"Ah, me deixe te contar", disse ela. "Isso significa que, depois de amanhã, quando todos tiverem voltado para suas matilhas, seu pai e eu poderemos matar você."

Meu coração se apertou.

Olhei para Beck, que parecia estar mais ereto que o normal.

"Você vai morrer", disse Madaline, com um tom feliz. "Mas devo admitir, vou sentir falta das nossas conversinhas e dos castigos."

Eu não disse nada.

Castigos era como ela chamava a tortura a que me submetia. Eu nunca soube por que ela vinha aqui até que, na semana passada, ela gritou de dor. Vi quando ela agarrou o peito, como minha mãe.

Meu pai estava fazendo com ela o que fazia com minha mãe - ele estava com outra mulher.

Eu costumava ver minha mãe sofrer todos os malditos dias quando ele estava com Madaline, e agora ela estava recebendo o mesmo tratamento. Não sabia se foi carma, mas quando ela sentiu aquela dor, a tortura que ela me infligiu foi inacreditável. Não consegui me levantar por dias por causa das marcas que tinha por todo o corpo, e algumas se tornaram cicatrizes horríveis.

"Pensando bem...", disse ela, me tirando dos meus devaneios. "Na verdade, vou esperar até mais tarde. Tenho que preparar a matilha antes que todos os Alfas cheguem. Afinal, sou a Luna."

Olhei para ela com os olhos arregalados, mas ela só riu.

Foi preciso tudo em mim para não revirar os olhos. O cargo era da minha mãe, não dela.

Depois que Madaline deu ao meu pai o herdeiro que ele queria, ele a marcou e a tornou sua Luna.

Ficar longe de todas as fofocas da matilha me fez ficar imaginando o que ele contou a eles sobre minha mãe, mas provavelmente tinha algo a ver comigo.

"Vejo você amanhã para a sua morte", Madaline sibilou, então se virou e olhou para Beck. "Pode ir agora. Não precisa mais ficar aqui embaixo."

Beck olhou para mim, mas se afastou. Havia apenas uma expressão vazia no seu rosto enquanto ele ia embora.

Meu coração se apertou novamente. Pude ouvir a empolgação na voz de Madaline enquanto ela dizia a Beck que seria ela a me matar, assim como fez com a minha mãe.

Que diabos eu ia fazer agora?

Não havia como negar isso agora, e eu tinha que aceitar meu destino. Eu morreria amanhã pelas mesmas mãos que mataram minha mãe.

Fechei os olhos e uma lágrima solitária escapou. Passei anos rezando para a Deusa da Lua, a mesma Deusa da Lua que deveria zelar por mim, mas desde que minha mãe morreu, fui obrigada a viver em isolamento, longe de todos. Por que eu confiaria nela agora?

Eu estava acabada.

Não havia mais ninguém para me salvar agora.

Só me restava aceitar que eu iria morrer.

Capítulo 3

ALPHA SAMSON

O carro passou por um buraco, fazendo minha cabeça bater no teto, e soltei um rosnado baixo.

"Cuidado", resmunguei, lançando um olhar furioso para o motorista pelo retrovisor.

Seus olhos se arregalaram e ele voltou a olhar para a estrada à frente.

"Acalme-se", disse Jenson, meu beta. "Ele está tentando nos levar para lá mais rápido, como você queria. Foi você quem quis chegar cedo e sair logo."

Bufei, olhando pela janela enquanto observava a floresta passar.

Como alfa do maior matilha do estado, eu precisava comparecer às cerimônias de alfas jovens que assumiriam o comando depois que os pais lhes passassem o posto. Mas isso tudo era novidade para mim - o alfa em questão estava reivindicando que tinha um filho e que seria ele a assumir o lugar, independentemente da idade.

"Ainda acho estranho eles fazerem isso", resmungou Jenson, fazendo-me olhar para ele. "A criança mal tem cinco anos. Por que anunciar agora? Ela nem vai ter o lobo ainda, muito menos saber lutar contra alguém."

Não respondi, enquanto Savage, meu lobo, resmungava. Ele odiava qualquer tipo de celebração, mesmo que isso significasse encontrar nossa companheira um dia, mas isso tinha sido raro ao longo dos anos. Agora eu tinha vinte e oito anos e, para nossa espécie, isso era considerado velho, mas não éramos. Se fôssemos qualquer outro alfa, algum ancião viria à matilha e forçaria a regra de escolher uma companheira, mas eles tinham medo de mim - não éramos lobos comuns. Éramos maiores que todos os lobos, maiores do que se podia imaginar.

Nosso matilha era o maior e o mais temido por causa de Savage e de mim. Nenhum lobo ousaria enfrentar Savage, assim como nenhum humano ousaria me enfrentar. Tenho um metro e noventa e oito de altura e peso mais de cento e cinquenta quilos.

Afastando os pensamentos, olhei para Jenson. "Bem, Alfa Karl não teve muita sorte com a família. Ele perdeu sua companheira e o filho que estava por vir. Teve que escolher alguém, e agora eles têm um. Não estão correndo riscos."

"Existe correr um risco", resmungou Jenson. "E existe exagerar. Cinco anos, o que você fazia aos cinco?"

"Não é a mesma coisa", resmunguei, ajeitando a manga do paletó. Eu estava de terno para aquela maldita cerimônia, e odiava isso. Nada servia em mim por causa do meu tamanho. "Meus pais me tiveram jovens, mas não foi o mesmo para Alfa Karl."

Jenson me encarou, seus olhos suavizando.

Eu sabia o motivo - meus pais. Senti o coração apertar só de pensar neles.

Minha mãe morreu em um ataque de renegados, e meu pai morreu pouco depois de uma insuficiência cardíaca. Alguns membros da matilha acreditavam que ele morreu de coração partido - não lidou bem com a morte da minha mãe e se isolou.

Foi difícil de ver. Às vezes, eu desejava nunca ter encontrado minha companheira, para não ter o mesmo destino.

"Não vamos", rosnou Savage, aproximando-se. "Nossa companheira será especial."

Olhei de volta para ele, com uma sobrancelha arqueada. "Especial, é? Como você sabe disso?"

Os olhos castanho-escuros de Savage cravaram nos meus, mas ele não disse nada. Ultimamente ele não estava sendo ele mesmo, mas assim que o convite chegou, ele ficou todo animado para ir, e eu me senti pressionado por ele, o que era injustificável.

Desde quando um lobo quer fazer algo humano? Nunca.

Quando recebi o convite, fiquei surpreso ao saber que o jovem alfa nem tinha idade para concordar com os termos, mas embaixo Alfa Karl afirmava que queria que todos soubessem que tinha um filho que assumiria a matilha quando estivesse velho o suficiente. Ele queria que todos os alfas comparecessem para comemorar com sua matilha.

Parte de mim conseguia entender o cenário e o motivo pelo qual ele estava fazendo isso, mas outra parte sentia que havia algo mais por trás. Alfa Karl tinha sido um espinho constante no meu lado, pedindo que eu aparecesse e visse sua matilha. Ele era um dos muitos aliados que eu tinha por aqui. No início fiquei inseguro sobre o que pensar da matilha, pois parecia haver mais joguinhos de poder do que o que eles podiam me oferecer. Eu queria lutadores e pessoas em quem podia confiar, que estariam lá se eu precisasse um dia, mesmo que fosse o contrário. Muitos queriam que estivéssemos lá por eles quando precisassem, mas Alfa Karl nunca pediu quando renegados atacaram sua matilha.

Alfa Karl pediu conselhos sobre o que poderia fazer para melhorar as coisas, e eu sugeri pedir treinadores de outras matilhas. Ele me pediu para enviar alguns, e eu enviei, mas os treinadores voltaram com uma visão diferente.

A maioria da matilha do Alfa Karl tinha medo dele, mas havia muitos rumores circulando sobre ele e alguns eram difíceis de acreditar como verdade.

Eu queria sair cedo e chegar lá para ver com meus próprios olhos.

Jenson e eu planejamos ficar mais tempo, deixando meu gama Oliver cuidar das coisas na matilha enquanto estávamos fora. Tudo o que eu precisava fazer era fingir ajudar e manter Alfa Karl ocupado, enquanto Jenson daria uma volta e tentaria descobrir a verdade antes que eu tomasse uma decisão sobre continuar com Alfa Karl. Eu não precisava dele - era o contrário.

Eu odiava alfas que não respeitavam os membros da matilha, porque os membros da matilha eram o que sustentavam e faziam a matilha ser o que era. Eu podia ser tão implacável quanto eles, mas respeitava cada membro da minha matilha, incluindo todos os ômegas - ninguém ficava de fora.

"Samson", chamou Jenson, fazendo-me olhar para ele enquanto ele suspirava. "O plano entrará em ação quando chegarmos lá. Acha que ele vai fazer alguma coisa?"

Balancei a cabeça e me recostei no banco. "Dificilmente. Acho que ele vai ser educado, possivelmente educado demais para o próprio bem, ou talvez tenha todas as lobas solteiras prontas para atacar, não sei."

Os lábios de Jenson se curvaram em um sorriso só de ouvir "as lobas", o que me fez gemer.

"Mantenha seu pau dentro das calças", resmunguei. "Não estamos aqui para transar."

"Falando do cara que prefere ter bolas azuis a ter uma boceta apertada em volta do pau", riu ele.

Savage rugiu de rir na minha cabeça enquanto eu mantinha a boca fechada por um momento, encarando meu melhor amigo.

"Pelo menos eu não vou pegar uma doença ou algo assim", murmurei.

"Você foi por esse caminho, hein?", resmungou ele, me olhando com a sobrancelha arqueada.

Não respondi, olhando pela janela novamente.

Não havia razão para a falta de mulheres da minha parte, já que muitas se jogavam em mim, e eu gostava disso, mas sendo tão grande, era difícil encontrar alguém que conseguisse domar uma fera selvagem como meu lobo, que parecia querer ser bruto. Muitas mulheres aguentariam até não aguentassem mais.

"Precisamos mais da companheira", interrompeu Savage na minha cabeça enquanto escutava meus pensamentos, o que eu odiava que ele fizesse. "A companheira vai nos aceitar. Ela vai ser o encaixe perfeito para nós também."

Não respondi e afastei os pensamentos, enquanto nos aproximávamos da matilha do Alfa Karl.

"Eu realmente não estou ansioso por isso", resmungou Jenson, seus olhos na janela oposta. "Odeio toda essa falsidade desses alfas. Eles não têm vergonha nenhuma quando querem sua atenção."

Não pude deixar de concordar com ele nisso. Muitos alfas já fizeram coisas estranhas, e me lembrei de um incidente em particular em que um alfa deixou a filha entrar no meu quarto à noite enquanto eu estava hospedado, o que não ajudou em nada, já que Savage estava irritado, especialmente por ter sido acordado do sono.

Ele odeia ser perturbado.

Aquilo foi um erro e tanto, pois o alfa tentou me obrigar a aceitar a filha como minha Luna, o que não era para mim. Se alguém fosse ser minha Luna, seria minha companheira, não uma vadia cabeça quente que acha que tudo deveria ser rosa e brilhante.

Outros tentaram jogar comigo e perderam. Era uma coisa idiota de alfa para eu ver quem cumpriria a palavra ou quem tentaria me derrubar.

Eu não disse nada a Jenson enquanto voltava minha atenção para os portões que estavam sendo abertos para nós.

Era isso, e não havia mais volta.

Eu vim aqui para fazer o que precisava fazer, e ninguém ia me impedir.

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