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FABRIZIO CASTELLI - O CAPO QUE ME REIVINDICOU

FABRIZIO CASTELLI - O CAPO QUE ME REIVINDICOU

Autor:: Afrodite LesFolies
Gênero: Romance
Meu pai me vendeu para pagar dívidas que nunca foram minhas, e o bordel me engoliu com suas luzes vermelhas e promessas de degradação. Eu deveria receber meu primeiro "cliente" naquela noite, mas o homem que encontrei naquele quarto não somente reivindicou o meu corpo, ele veio desmontar o mundo que me prendeu ali. Fabrizio Castelli. Um nome que faz homens ajoelharem e inimigos desaparecerem. O príncipe da máfia italiana. Quando ele entendeu o que fizeram comigo. O clima no quarto mudou, como se o próprio ar esperasse a explosão que veio depois com os responsáveis por eu estar ali. Não precisei ver tudo para entender quem caiu, quem implorou, quem não se levantaria mais. Quando o silêncio retornou, era ele quem estava diante de mim, a mão firme no meu queixo, como se precisasse garantir que eu estivesse viva. E, sem dar espaço para contestação, marcou minha nova realidade com uma frase baixa, definitiva e impossível de ignorar: "Você não volta para este lugar. Agora, você fica sob a minha proteção, porque você me pertence."

Capítulo 1 Vendida!

A chuva caía pesada naquela noite, grossa e insistente, como se o céu estivesse decidido a esmagar a cidade inteira. As luzes dos postes se deformavam nas poças espalhadas pelo asfalto enquanto eu caminhava com o corpo exausto, os músculos ardendo depois de mais um dia lavando pratos, carregando caixas e engolindo humilhações no restaurante. Ainda assim, seguia em frente, porque não havia alternativa. Eu precisava voltar para casa. Precisava ver meus irmãos. Precisava garantir que eles tivessem algo para comer.

Mesmo assim, uma parte de mim desejava que aquela noite fosse diferente, que eu encontrasse apenas silêncio, apenas meus irmãos dormindo, e não o inferno que vivíamos todas as noites, o adulto da casa que deveria nos proteger era um drogado, viciado em jogo.

Ainda assim, uma parte de mim desejava não abrir aquela porta, desejava que, por alguma intervenção divina, aquela noite fosse diferente.

Quando empurrei a porta, o cheiro me atingiu antes mesmo que meus olhos processassem a cena. Álcool, cigarro, suor, algo metálico que me fez engolir em seco. Meu estômago se contraiu imediatamente. Meu pai estava jogado em uma cadeira no meio da sala, o rosto inchado, um corte aberto acima da sobrancelha, sangue seco misturado com sujeira, os olhos perdidos demais para alguém só bêbado. Droga. Muito provavelmente drogado. À frente dele, dois homens que eu nunca tinha visto. Grandes. Corpos largos sob jaquetas escuras. Olhares frios. Armas visíveis.

Meu corpo reagiu antes da minha mente. Dei um passo para trás, depois outro, o instinto gritando para correr, para virar as costas, para desaparecer. Cheguei a girar o corpo, mas não cheguei a dar dois passos. Mãos grandes agarraram meu braço e puxaram meu cabelo com brutalidade, arrancando um grito da minha garganta e me fazendo perder o equilíbrio.

- Não tão rápido, belezura. Temos uma conversa com o seu pai... e você faz parte dela.

Meu coração começou a bater tão forte que tive a sensação de que iria desmaiar. Tentei me soltar, sentindo os dedos dele cravarem na minha pele.

- Eu não tenho nada a ver com os problemas dele - falei, a voz falhando, enquanto me debatia.

Um dos homens se aproximou devagar, com uma calma calculada que me apavorou mais do que qualquer grito. Ele ergueu a arma e passou o cano gelado pelo decote do meu uniforme, descendo lentamente, como se estivesse marcando território. O nojo me subiu pela garganta.

- Cale a boca, Beatrice, e aceite! - meu pai gritou, cuspindo sangue no chão. - Se você não aceitar, vamos acabar todos mortos. Inclusive seus irmãos. Você quer isso? Eu te criei e você me deve, sua ingrata!

Aquelas palavras me atingiram como um tiro. Meus joelhos fraquejaram. Meus irmãos eram inocentes em toda aquela crueldade. Precisavam de mim.

- Eu não tenho dinheiro... - murmurei. - Posso tentar pedir um empréstimo no trabalho... posso trabalhar mais...

O outro homem riu, um som baixo e cruel.

- Se acalma, garota. Você vai render muito mais de outro jeito.

Ele se aproximou por trás e apertou minha bunda com força. Gritei. Me debati. Tentei acertar um chute, tentei arranhar, tentei morder, mas eram dois contra uma. Punhos me atingiram. Meu cabelo foi puxado novamente. Meu corpo foi jogado contra a parede. A dor explodiu no meu rosto, mas nada doeu tanto quanto ver meu pai parado, assistindo, como se eu fosse apenas mais uma ficha perdida no jogo dele.

O último rosto que vi foi o dele.

Quando senti a picada da agulha no braço, um pânico absoluto tomou conta de mim. Tentei gritar, mas minha língua pesou. Minha visão começou a escurecer. Antes de perder completamente a consciência, ainda senti um tapa vindo da mão do meu pai e ouvi a risada dos homens que me seguravam.

Depois, só o vazio.

Acordei com a cabeça latejando, o estômago embrulhado, o corpo pesado demais para reagir. Estava sentada em um sofá dentro de um quarto iluminado por lâmpadas fortes demais, cercada por mulheres usando roupas minúsculas, maquiagem carregada, expressões cansadas. Algumas riam, outras conversavam, outras apenas encaravam o espelho como se não estivessem realmente ali.

Na minha frente, havia um homem que eu nunca tinha visto antes.

- Já era hora, bela adormecida. Aqui todas têm que trabalhar. Vista isto!

Ele jogou um pedaço de tecido no meu colo. Uma lingerie vermelha.

Eu ainda usava meu uniforme de trabalho.

Meu estômago se revirou.

- Houve um engano... - comecei, a voz fraca. - Eu nunca trabalhei assim. Eu sei que meu pai tem uma dívida. Posso limpar o lugar, posso trabalhar no bar...

Ele riu.

Não foi um riso divertido.

Foi um riso assustador.

- Com esse corpinho e ainda virgem? Garota, eu vou ganhar muito mais com você no palco do que esfregando chão. Vista-se.

Meu coração afundou.

Fiquei alguns segundos encarando o tecido nas minhas mãos, como se aquilo não fosse real.

- Ande logo. Se não obedecer, pode ser pior.

Uma das garotas se aproximou, tocando meu braço com cuidado.

- Sou Lia. Respira. Vamos.

Ela me levou até o banheiro, ajudou a tirar meu uniforme, ajudou a vestir a lingerie, passou um batom rápido, soltou meus cabelos.

- Eu não vou conseguir... - murmurei, sentindo as lágrimas queimarem.

- Todas viemos parar aqui por um motivo. Algumas escolheram. Outras não. No seu caso... foi pior.

Engoli em seco.

- Eu preciso sair daqui. Tenho dois irmãos.

Ela abriu a bolsa, tirou uma garrafinha de metal e encostou em meus lábios.

- Beba isto! É uísque. Vai te dar coragem.

Não queria. Mas bebi, estava sem saída, aqueles homens eram perigosos e eu precisava encontrar uma maneira de sair dali viva.

- Trabalhe direito e tenho certeza de que encontrara um cliente para tirar você deste lugar, use sua beleza e sua inteligência, principalmente se o cliente for importante...

Não tive tempo de rebater o absurdo que ela me dizia, a porta foi aberta revelando um dos meus sequestradores.

- Hora do show, boneca!

Meus irmãos surgiram na minha mente novamente e sem saída, assenti.

Eu não me importava com as ameaças, mas os meus irmãos dependiam de mim e precisavam ser salvos. Encarei o homem nojento que agarrava meu braço com força e simplesmente assenti com a cabeça. Nós atravessamos um corredor sombrio até chegarmos ao salão principal.

Ele apontou para o palco com um olhar cruel e eu, hesitante, subi os degraus, juntando-me às mulheres nuas e seminuas que dançavam ao som da música alta e exibiam seus corpos de maneira sensual. As luzes estavam todas focadas somente no palco, enquanto o resto do ambiente permanecia mergulhado na escuridão.

Fechei os olhos e comecei a dançar, tentando ser tão sedutora quanto as mulheres ao meu redor. As poucas vezes que eu abria os olhos, não conseguia ver claramente os rostos das pessoas que me observavam. Passei a mão pelo meu corpo, ensaiando o movimento de tirar a lingerie, mas nunca realmente o fazia; precisava de tempo, mesmo sabendo que precisaria fazer isso em algum momento. Eu não tinha escolha.

Apertei o tecido entre os dedos enquanto rebolava, equilibrando-me nos saltos vertiginosos. A dor do murro que eu levara ainda latejava em meu rosto, um lembrete constante de que as consequências seriam ainda piores se eu não obedecesse. A maquiagem escondia as marcas físicas, mas a dor não me deixava esquecer o verdadeiro motivo pelo qual estava ali.

Evitei encarar o público, mas um se destacou. Sentado a poucos metros, parcialmente oculto pela sombra, havia um homem à mesa iluminada apenas por um abajur carmim. A luz vermelha não revelava seu rosto com clareza, apenas recortava o contorno dos ombros e deixava os olhos intensos em destaque. Não consegui distinguir a cor, mas havia algo neles que me prendeu por um segundo além do necessário.

Ele me observava levando lentamente o seu copo nos lábios.

E, com a mesma calma, ergueu a mão e apontou discretamente para o palco.

Quando terminei a minha dança, escorregando pelo ferro gelado no meio do palco, o barman acenou para mim.

- Ei, garota. Desça do palco, você tem um cliente - Ele disse, apontando para mim.

Capítulo 2 Farei o que você quiser

Tentando manter o controle, desci do palco e me dirigi ao bar, lutando contra os pensamentos desesperados que tomavam conta da minha mente. A música alta já não batia mais rápido do que meu coração. Havia um homem que me esperava, pronto para eu saciar seus desejos obscuros.

- Não sei para onde devo ir... - sussurrei para o barman, que me olhou com indiferença e apontou para o corredor.

- Suba as escadas e entre na primeira porta à direita. Você foi sortuda para a sua primeira vez. Faça tudo o que ele quiser e você será recompensada - ele piscou e virou as costas.

Caminhei em direção ao meu destino, arrastando os pés, rezando para algum milagre acontecer, para que eu encontrasse uma salvação. Como poderia satisfazer aquele homem? Minha vida e a vida da minha irmã, Bia, dependiam disso. Respirei fundo e bati na porta.

A voz grave do outro lado ordenou:

- Entre!

Minha mão tremia sobre a maçaneta, relutante em deixá-lo esperando. Mas eu não tinha escolha alguma. Girei a maçaneta e adentrei o quarto. A música naquele ambiente mudou, tornando-se igualmente sensual, assim como todo o cenário ao meu redor. O homem estava sentado em uma poltrona, o peito nu, musculoso e tatuado; somente seu rosto estava na penumbra, enquanto fumava um cigarro.

- Dance para mim - ordenou, apontando para o pequeno palco no canto do quarto.

Comecei meus movimentos, intrigada pelo homem misterioso que me observava a pouca distância. Notei que ele movia a mão, se masturbando enquanto eu dançava e me despia, deixando somente a pequena calcinha.

- Venha até aqui - ele ordenou, sua voz combinando perfeitamente com sua confiança.

Caminhei em sua direção, tentando não rebolar com aqueles saltos. Quando fiquei a poucos passos dele, ele me sinalizou para parar. Obedeci, observando sua figura alta levantar-se e dar uma volta ao meu redor. Tentei não encarar seu rosto, mas rapidamente consegui observá-lo; ele aparentava ter pouco mais de trinta anos, sua beleza era indescritível. Senti sua mão passando lentamente por minhas costas, causando um arrepio involuntário em todo o meu corpo.

- Feche os olhos - ele ordenou.

Angustiada com o que ele faria a seguir, obedeci a mais um comando dele. Senti sua boca em meu seio e uma de suas mãos foi em direção às minhas pernas, enquanto sua língua percorria meus mamilos e seus dedos afastavam minha calcinha para acariciar meu clitóris. Até então, apenas eu mesma havia tocado aquela parte sensual do meu corpo. Ele parecia faminto para me devorar e essa sensação me deixou quente e com as pernas bambas. Gemi alto enquanto sentia a excitação escorrer entre minhas coxas.

De repente, ele se afastou e eu não sabia se isso era bom ou ruim. Tinha acabado? Ele desistira de levar isso até o fim? O silêncio persistia até que ouvi o som de algo se rasgando, seguido pelo tilintar de pedras de gelo em um copo, chamando minha atenção. Abri os olhos e lá estava ele, me observando enquanto se masturbava. Um sorriso safado surgiu em seu rosto e ele se sentou novamente na poltrona. Vi que seu pau era grosso e estava completamente ereto. Mesmo com o preservativo, podia notar a saliência das veias.

Nesse momento, o desespero tomou conta de mim. Por mais que houvesse um desejo presente até então, o medo de ser machucada era maior. Fiquei paralisada por um segundo, enquanto ele me acenava para vir para o seu colo.

Seus olhos se estreitaram e, lembrando das ameaças anteriores vindas dos meus agressores e do homem que me recebera ali, segui em sua direção sem saber o que fazer. Não planejara que acontecesse daquela maneira, mas seria melhor ter sexo com um homem como ele, que de certa forma estava me excitando, do que com um que poderia me maltratar e machucar. Tremendo, me aproximei sob seu olhar lascivo; ele cheirava a uísque e a um perfume intoxicante. Seu toque fora suave, percorrendo minha cintura e sempre mantendo seu olhar no meu.

Ele puxou meu quadril, fazendo com que minhas pernas passassem por cima de seu ombro. Minhas mãos buscaram apoio na parede enquanto sua boca ia em direção à minha boceta, sua língua deslizando por ela e concentrando-se em meu clitóris.

Por alguns minutos, esqueci totalmente o motivo de estar ali. Esqueci que ele era um estranho, que estava me pagando por aquilo que estávamos fazendo. Não me sentia enojada ou suja, apenas estava obtendo um prazer intenso. Quando o orgasmo veio mais uma vez, eu choraminguei e, antes que eu pudesse sequer pensar, ele me puxou para o seu colo, mas não fui penetrada. Sua boca encontrou a minha e seu beijo não era menos poderoso. Eu estava excitada, embora não devesse estar. Ele era um estranho, um homem promíscuo, e eu estava somente sendo uma puta na vida dele. Mas, mais uma vez, me entreguei ao desejo e correspondi ao mesmo nível de fome que ele demonstrava.

Suas mãos grandes empurraram meu quadril para baixo e senti a pressão da cabeça inchada de seu pau contra meu clitóris. Meu corpo ficou tenso e, quando tentei me afastar, ele pressionou com força, causando um leve ardor que me fez cravar as unhas em seus ombros. Naquele instante, os seus olhos claros encontraram os meus e ele xingou, tentando me tirar de seu colo, mas eu não poderia permitir que ele não se realizasse; desci de uma vez no seu grosso pau, me sentindo ser rasgada, preenchida, e a sensação era estranha. Ao mesmo tempo que senti uma dor forte, senti um prazer dentro de mim. Sabia que ele não estava por completo dentro, mas a pele que era intacta tinha sido rompida, não tinha mais volta.

- Caralho! Você não deveria...

- Por favor, me fode. Estou aqui para te dar prazer.

Confuso, ele ainda mantinha suas mãos firmes no meu quadril, com um olhar enfurecido. Mas, quando escutou minhas palavras, senti seu membro pulsar dentro de mim, parecendo ainda maior e mais rígido.

- Foda-se, não vou ser gentil... - ele disse, enquanto começava a levantar meu quadril e me puxar para ele.

Era estranho, pois a dor foi lentamente substituída por um prazer intenso, e perdi a conta das vezes que gozei enquanto ele me possuía como bem queria.

Insaciável, ele me jogou na cama, colocando-me de quatro. Suas mãos foram para meus cabelos enquanto ele me penetrava novamente. A angulação perfeita fazia com que ele atingisse um ponto sensível dentro de mim, me levando ao extremo; meu corpo parecia querer explodir de desejo e eu me dissolvia envolvendo-o. Ele apertou minha bunda enquanto eu sentia seu líquido escorrer para o buraco, tão virgem quanto minha boceta momentos antes. Seu dedo me explorava enquanto ele investia seu quadril contra o meu em estocadas intensas.

Desta vez, a mistura de dor e prazer percorria todo o meu corpo. Eu estava sendo invadida e consumida por ele por todas as partes. Eu só conseguia gemer desesperada, implorando para que ele não parasse, para que continuasse, gritando por mais.

- Caramba, você é uma gostosa, garota! - Ele me deixou por um segundo e, ao voltar para dentro de mim com uma estocada profunda, seu dedo voltou para dentro e eu senti outro orgasmo que me fez colar meu corpo no colchão, sentindo o suor escorrer pelas minhas costas e cabelo.

Senti-o saindo rapidamente de dentro de mim, retirando o preservativo e, como previsto, seu gozo foi derramado em minha bunda. Eu não deveria ter gozado, não deveria ter sentido prazer em me tornar uma prostituta. Naquele momento, eu pertencia a um homem selvagem, mas que me proporcionou prazer. O próximo cliente poderia ter a idade do meu avô.

Sentia o enjoo se aproximar enquanto ele ainda me olhava ofegante ao redor da cama. Sentei-me, sendo incapaz de encará-lo. Imediatamente, a culpa me atingiu; eu me senti uma verdadeira vadia, e o choro se tornou incontrolável. Esperei por ofensas, por ele dizer que não se importava com minhas lágrimas, esperei ser agredida ou pelo dinheiro ser jogado em mim.

Mas o que ele fez me assustou. Sentou-se na cama e me puxou para o seu colo. Sua mão foi para meu queixo, erguendo-o para encará-lo. Naquele ponto do quarto, pude ver seu rosto claramente: olhos claros, barba por fazer, cabelos negros e um rosto tão bonito quanto seu corpo.

- Ei, eu te machuquei? Você era virgem, droga. Como você pode querer perder sua virgindade em um bordel?

Controlei o choro, avaliando se deveria contar a verdade ou não.

- Eu queria - menti.

O aperto em meu queixo aumentou e novamente eu me perdi em seu olhar questionador.

- Diga a verdade, droga. Estou bêbado, mas não sou burro. Diga a verdade ou...

- Não me bata, por favor. Farei o que você quiser - respondi, assustada.

Seu olhar estava confuso e ele parecia horrorizado.

Capítulo 3 Você me pertence!

Beatrice Martini

- Nunca bati em mulheres. Você não está aqui por vontade própria? - Sua voz estava alterada. Fiquei calada, incapaz de dizer a verdade. Mas ele não parecia disposto a me deixar sair de seu colo quando tentei levantar-me.

- Responda, droga! Quem te trouxe aqui? - indagou mais uma vez.

- Meu pai me entregou para alguns homens que me trouxeram para este lugar, sou o pagamento de uma dívida de jogo. Ele devia ao senhor Mario Castelli... - Levantando-se, ele me colocou de lado na cama, começando a se vestir rapidamente.

- Qual é o seu nome? - perguntou.

- Beatrice. - Respondi insegura se era o certo dar tantas informações a ele.

- Quantos anos você tem? - perguntou, enquanto estudava minhas expressões.

- Tenho 18. - Me limitei a dizer.

Vi quando ele pegou uma arma que estava ao lado da poltrona. Desesperada, entendi que ele também fazia parte da máfia, e aquele poderia ser o meu fim. Sem pensar muito, ajoelhei-me à sua frente, segurando suas pernas.

- Não me mate, por favor. Preciso continuar viva, por favor...

Ele segurou meu braço, forçando-me a levantar. Sua mão livre foi para meu queixo, enquanto a outra ainda segurava a arma.

- Se acalme, sinto muito pelo que você passou. Venha, vou resolver isso. Vou te levar para casa.

- Não, por favor, ele vai me matar. Vão matar meus irmãos... - Observando meu desespero, ele começou a falar:

- Ninguém vai te machucar, eu vou te proteger. Sou Fabrizio Castelli. Vou resolver a dívida do seu pai e você vai voltar para casa.

Encarando-o, disse outra confissão:

- Eu não quero voltar para casa... preciso apenas resgatar os meus irmãos...

Parecendo compreender meu desespero, ele não fez mais perguntas. Apenas pegou sua camisa e a deslizou sobre o meu corpo. Enquanto a abotoava, seus olhos permaneciam fixos em mim.

- Você vai para minha casa. Apenas confie em mim, vou cuidar de você e resolver seus problemas. - Suas palavras foram como um bálsamo para as feridas que eu carregava no peito.

Concordei e segui aquele homem pelo corredor da boate, sem ter a mínima ideia do que ele faria ou de como seria minha vida a partir dali.

Fabrizio Castelli

A raiva estava me consumindo. Meu dia tinha sido um desastre e a minha noite parecia ser uma extensão desse desastre iminente. A única parte desse dia que salvou fora a parte em que eu estava com ela. Ela apressava seus passos enquanto eu segurava sua mão e a levava pelo corredor afora. Abri porta após porta até encontrar Roni.

- Chefe... - O bastardo estava seminu, recebendo um boquete de uma das prostitutas da casa.

- Saia! - Ordenei para a mulher, que, em silêncio, recolheu suas roupas e saiu apressada.

O olhar de Roni foi para Beatrice, que estava atrás de mim, vestida com minha camisa. Sem olhar para ela, já sabia que sua expressão era de terror. Ela estava assustada e eu não tinha visto isso antes de levá-la para a cama.

- O que essa puta fez? Não te satisfez, chefe? - Ele deu um passo em direção a Beatrice. Dei um soco certeiro em sua boca com pressão suficiente para ele cuspir vários de seus dentes. Seu olhar era de medo e confusão.

- A garota era virgem! Ela foi trazida pelo pai contra sua vontade, porra! Meu pai sabe disso? - Segurei sua camisa.

- Chefe... eu não entendo - resmungou.

- Quero saber se meu pai sabe o que anda aprontando na boate. Nunca admitimos esse tipo de situação. As mulheres que trabalham para nós escolhem fazer por livre e espontânea vontade, são maiores de idade e não são virgens... - A raiva aumentou quando o medo do que eu tinha acabado de falar se realizou em minha mente, ainda consumida pelo álcool.

Ela tinha me falado a idade, mas poderia ter mentido, ela poderia ser menor de idade. Passei meu olhar rapidamente por ela. Apesar de ser bem menor que eu, ela tinha curvas salientes em seu corpo pequeno. Passaria facilmente por uma menor de idade. Mas, para o meu alívio, Roni falou:

- A garota é maior de idade, conferimos os documentos, chefe. Se ela mentiu sobre a idade... - Tentava ainda justificar sem me dar respostas. Dei mais alguns socos e chutes nele.

Ouvia o choro de Beatrice atrás de mim. Eu cuidaria dela depois.

- Foi o Zíngaro, ele está na boate... - falou, cuspindo outro dente.

- Meu pai sabe disso? Sabe da garota? - gritei contra ele.

- Seu pai não sabe de nada, ele sabe da dívida, mas nada mais. Ainda não falamos com ele, pois queríamos saber se a garota daria lucro e... - Dei outro murro em Roni, que caiu de joelhos.

A porta do escritório se abriu e, para a minha sorte, era o próprio Zíngaro que estava à minha frente, vendo a cena. Ele olhou para a garota com ódio.

- Vadia, o que aprontou? - Levantou a mão em punho para ela, mas não chegou a tocá-la, pois eu atirei.

O sangue espirrou na camisa que ela estava usando. Ela gritou e chorou ainda mais alto, se agarrando a mim.

- Por favor, pare - implorou, tremendo.

Com um braço, a segurei em meu corpo e, com a outra mão, mantive a arma apontada para o Zíngaro, que covardemente implorava por sua vida.

- Apenas fiz meu trabalho, chefe. Aceitei o pagamento para a dívida que o maldito Martini tem com seu pai... - Rapidamente desci meu olhar para Beatrice, que erguia seu rosto para mim.

Mais uma vez, a minha raiva, que estava sob controle, surgiu com força total ao ver o rosto dela machucado. Provavelmente, antes não era visível por causa da maquiagem, que foi lavada por suas lágrimas que desciam abundantemente.

Segurei seu queixo e a fiz olhar para mim enquanto eu fazia a pergunta que faria matar alguém:

- Quem foi? Qual deles tocou em você? - Ela estava tremendo ainda mais, mas eu não desistiria de saber.

- Por favor, não mate ninguém por minha causa, eu... - soluçou.

Não dei confirmações do que eu faria e continuei esperando minha resposta. Entendendo que eu não desistiria, ela apontou o dedo para o Zíngaro, que xingou de todas as formas possíveis. Beatrice segurou meu pulso, me implorando mais uma vez.

- Por favor, eu já estou muito mal... - Ela realmente parecia que não suportaria ver uma cena tão violenta, pois eu seria cruel e sanguinário.

Fechei os olhos por um segundo, alisei seu rosto e puxei seu corpo ainda mais perto, segurando seu rosto em meu peito enquanto disparava na outra mão do Zíngaro.

- Esta é a lembrança que você vai carregar por ter tocado nela. E faça girar a voz que Beatrice Martini agora me pertence e matarei qualquer um que tente machucá-la. - Ele não respondeu, apenas gritava de dor.

Olhei para Roni, que caiu de joelhos, mostrando todo o seu medo.

- Piedade, Fabrizio. Não tive nada a ver com isso. Eu não toquei na garota e muito menos sabia que o pai a trouxe contra sua vontade.

- Cale-se. Agradeçam a ela por eu não os matar pelo que fizeram. Limpe essa bagunça e se preparem, pois essa conversa ainda não acabou.

Segurei novamente a mão de Beatrice e a levei pelo corredor até chegarmos na parte externa da boate. Meu carro estava bem na frente, e os homens da minha equipe continuaram nos seguindo.

Dei a ordem para que mantivessem a distância necessária, não queria deixar Beatrice ainda mais abalada e angustiada. Não deveria me importar tanto com uma mulher que eu acabara de transar, eu nunca me importava com seus problemas.

Mas aquela garota era diferente. Alguma coisa nela despertava meu instinto de proteção. Ela estava insegura, eu podia sentir isso quando abri a porta do carro para ela.

- Para onde vamos? - obviamente estava desconfiada.

Me aproximei segurando seu rosto em minhas mãos.

- Você não volta para este lugar. Agora, você fica sob a minha proteção, porque você me pertence. Fique calma, vou te levar para um lugar seguro, ninguém vai tocar em você. - Ela deu um sorriso fraco. Ainda parecia assustada, mas entrou sem falar nada.

Dei partida no carro e avancei pela estrada. Beatrice ainda chorava silenciosamente, mas eu podia ver as lágrimas descerem por suas bochechas rosadas cada vez que eu olhava para ela.

Parei o carro em um acostamento de frente para o mar. Agora ela me olhava assustada, e não era isso o que eu queria.

- Acalme-se, só quero te dar uma garrafa de água e alguns lenços de papel. - Apontei para o porta-luvas, ela concordou, e eu o abri, entregando o que prometi para ela. Ela secou o rosto e, tremendo, bebeu um pouco de água.

- Obrigada - murmurou.

Ela estava me agradecendo? Apesar de sentir toda a entrega dela naquele quarto, eu tinha sido um canalha por ter continuado sem saber sua história.

- Não me agradeça, me aproveitei de você e não deveria ter feito...

- Por favor, não diga isso. Você me salvou à sua maneira, e o que fizemos no quarto, eu gostei, eu quis tudo - disse, ficando vermelha.

Não resistindo e seguindo meus instintos, afastei o banco e a puxei para o meu colo. Ela se encaixou em mim como se estivesse esperando exatamente isso. Quando menos esperei, seus lábios estavam nos meus e eu recebi seu beijo doce, retribuindo com minha língua que a desejava.

O beijo se tornou algo muito intenso. E, apesar de todo desejo naquele momento, eu só pensava em encontrar quem a quebrou, pois eu estava disposto a matar qualquer um que a machucou. Estava disposto a curar cada uma de suas feridas. Eu estava disposto a beijar cada uma de suas cicatrizes. Ela teria minha proteção a partir daquele momento.

Beatrice Martini

Assim que chegamos na frente de uma luxuosa casa, ele parou o carro e me ajudou a descer. Homens armados estavam por toda parte e ele passou por todos eles, que imediatamente abaixaram a cabeça como se ele fosse um rei. Na verdade, Fabrizio era o príncipe da máfia, era o filho de Don Mario, o patriarca do Clã Cappone.

O príncipe obscuro que havia acabado de me salvar de um destino cruel, qualquer coisa que ele me oferecesse já era uma esperança que até o momento sempre me fora negada.

- Fique à vontade, Beatrice - Fabrizio sorriu enquanto abria a porta para mim.

Entrei observando o luxo de cada canto daquele lugar, eu parecia inadequada para todo o resto à minha volta. Apertei o tecido da barra de sua camisa tentando esconder o meu nervoso, o que fora uma tentativa falha. O olhar de Fabrizio foi para as minhas mãos e ele se aproximou, tocando-as, envolvendo-as nas dele.

- Não existe motivo para ficar assim. Te fiz uma promessa, vou te proteger e não existe outro lugar mais seguro na Itália - falou, sem tirar o seu olhar do meu.

Até aquele momento, Fabrizio parecia ser de confiança, ele realmente parecia disposto em me ajudar.

- Preciso de sua ajuda... - falei, reunindo forças para contar um pouco mais sobre mim.

- O que precisa? - Seus olhos estavam me mantendo presa a ele.

- Como já sabe, meu pai me deu como pagamento para a dívida que possui com seu pai. Tenho medo de que a minha irmã tenha o mesmo fim. Também tenho medo por meu irmãozinho...

Fabrizio pareceu pensar por alguns segundos, eu estava concentrada em seus lindos lábios quando eles começaram a se mover:

- Vou cuidar disso, eu prometo. Me dê alguns dias e seus irmãos estarão aqui com você - disse calmamente, como se o que eu havia pedido não fosse algo difícil para ele.

Sabia que um homem como ele tinha um grande poder e influência na Itália, principalmente dentro da máfia.

- Agora venha, você precisa de um banho e descansar. Gostaria de comer algo? - perguntou enquanto subíamos a escada.

- Obrigada, não tenho fome.

- Tudo bem, não vou insistir, sei que a noite foi cheia de acontecimentos aos quais não está acostumada. Mas, por favor, quero que se sinta em casa. Ao acordar, Maria cuidará de você, peça a ela o que quiser. - Ele sorriu.

Fabrizio era lindo de qualquer jeito, mas ele sorrindo era uma escultura mais do que perfeita. Seus cabelos castanho-claros, cheios, olhos claros e dono de um sorriso que me fazia querer beijar sua boca.

- Nem sei como te agradecer... - falei, engasgada pelo choro.

- Como já te avisei, não me considere um herói; na verdade, estou longe disso. No entanto, te asseguro que vou zelar por você. Este será seu refúgio, e caso necessite de algo, não hesite em solicitar a Maria ou a mim.

O quarto era quase tão grande quanto o apartamento em que eu vivia com meu pai e minha irmã. Desde que mamãe falecera, papai perdeu a casa confortável em que vivíamos e passamos a viver em um prédio onde a grande maioria dos habitantes eram drogados ou prostitutas.

O quarto era a personificação da perfeição, uma amostra deslumbrante que prometia que o resto da casa seria um palácio de esplendor sem igual. Mesmo sem ter explorado cada canto, a grandiosidade sugeria um luxo ao qual eu jamais havia sido acostumada, um contraste marcante com tudo o que eu conhecia.

- Aqui, vista isto. Amanhã Maria vai te ajudar com a questão de roupas femininas. O banheiro fica ali, dentro do armário encontrará itens de higiene novos, use o que precisar. - Ele apontou a porta próxima à janela quando peguei a camiseta de suas mãos.

- Obrigada.

- Não me agradeça, sou parte do seu problema. Durma bem, amanhã conversaremos mais.

Ele se aproximou e deu um beijo no meu rosto, mas ficou por alguns segundos olhando meus lábios e eu queria ser beijada por ele novamente. Tudo era surreal, Fabrizio ainda era um estranho, eu não sabia muito sobre ele, mas estranhamente me sentia segura ao seu lado.

Ele saiu do quarto e eu fiquei por um minuto tocando meu rosto onde seus lábios estiveram, um pensamento quente passou em minha mente lembrando cada parte do meu corpo onde seus lábios estiveram.

Qual seria o plano dele? Me manteria ali até quando? Até quando eu poderia me sentir segura sob sua proteção? Mas a pergunta que mais se destacava na confusão dos meus pensamentos era: ele transaria comigo novamente?

Fui para o banheiro, tirei a sua camisa, que ainda possuía o seu perfume, alisei o tecido e o levei ao meu nariz mais uma vez.

Deixei-a sobre a bancada e segui para a ducha; a cada gota que escorria pelo meu corpo, eu revivia os momentos na cama com aquele homem. Eu sempre ouvira sussurros sobre a família Castelli, a linhagem mais temida da máfia italiana, mas nunca havia visto nenhum deles de perto. Agora eu sabia exatamente quem ele era o príncipe da máfia em carne e osso, e era impossível ignorar o fato de que aquele homem poderoso tinha me reivindicado, tornando-se, à força do destino, o meu guardião obscuro.

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