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FAZENDEIRO SOMBRIO " O DONO DO QUARTEL"

FAZENDEIRO SOMBRIO " O DONO DO QUARTEL"

Autor:: Annie Ferreiraa
Gênero: Romance
Por trás de um belo rosto se esconde a verdadeira face do demônio. Alejandro Casillas, um fazendeiro frio e impiedoso que se tornou o mais poderoso mafioso do Texas. Desejado pelas mulheres, respeitado e temido por todos. Um homem que teve seu caráter forjado pela dor, tornando-o sombrio e intimidador. Compaixão, carinho e amor são sentimentos que não fazem parte da sua vida. Emma, uma jovem inocente e corajosa. Ainda se lembra do dia em que decidiu manter-se longe daquele lugar tenebroso que a marcou profundamente. O que sabe fazer de melhor é lutar e não conhece limites quando se trata de proteger e cuidar daqueles a quem ama. Inclusive fazer coisas que jamais julgou ser capaz. Sem querer cruzou o caminho do fazendeiro sombrio, invadindo seu inferno particular e agora ele vai querer queimar junto com ela. Será que Emma irá se render tão facilmente? Ou vai fazer Alejandro arder ainda mais, consumido pelo desejo?

Capítulo 1 Medo

Fredericksburg – Cidade no Texas

Nos arredores da fazenda Senhor dos céus, 12 anos antes...

EMMA

EU TENTAVA A TODO custo fazer com que eles me deixassem ir junto.

- Eu quero ir com vocês!

- Você é muito pequena. Sabe que ninguém pode nos ver.

- Eu prometo que vou ficar quietinha.

- Então vamos!

Michel e Luana corriam muito rápido. Eu já estava muito cansada, mas sabia que se falasse algo, eles nunca mais iriam me trazer. Tudo que eu pensava era que logo estaria com vários cachos de uva em minhas mãos, pois elas eram tão docinhas.

Passei minhas mãozinhas em meu rosto, tentando limpar o suor que escorria em minha pele e, quando já estava ficando sem ar de tanto correr, logo olhei todo aquele verde e entre ele, várias bolinhas roxas que me fizeram sorrir de tanta alegria.

Assim que paramos, começamos a pegar os cachos de uvas e nos sentamos no chão. Minha barriga já estava doendo de tanto comer, quando de repente ouvi alguns ruídos e, mesmo com medo me levantei. Andei na direção daquele barulho que ficava cada vez mais alto e quando me afastei das videiras, me escondi no arbusto.

Todo o meu corpo começou a tremer com tudo aquilo que estava acontecendo e tudo piorou quando uma voz assustadora se fez presente.

- Você irá aprender que ninguém toca no que é meu.

- Tenha piedade senhor - quando o homem a sua frente se moveu, ele começou a gritar sem parar.

A minha cabeça começou a doer e meu corpo ficou pesado, não me deixando sair daquele lugar. O homem alto, de expressão sombria, vestido todo de vermelho como sangue caminhou em direção à fogueira. O senhor que estava gritando começou a se debater, mais logo eles rasgaram sua camisa e o fizeram ficar de joelhos.

Meu coração começou a bater mais forte quando o homem mal que estava parado próximo às chamas do fogo se virou, e em suas mãos tinha um ferro em brasas. As lágrimas começaram a descer pelo meu rosto e quando ele diminuiu a distância, parou na frente do homem e naquele ferro tinha algo que nunca irei esquecer.

- Toda vez que você olhar para o seu corpo, pensará duas vezes antes de me roubar e se cogitar em fazer isso novamente, eu irei marcar cada parte do seu corpo antes de enviá-lo direto ao inferno.

Quando ele terminou de falar, o som mais terrível que ouvi na vida soou a minha volta, e ao pensar que ele poderia fazer isso comigo e meus irmãos, sem que eu pudesse controlar, comecei a fazer xixi na roupa. O homem mal continuava com o ferro quente grudado no peito do homem e, no seu rosto foi surgindo um sorriso, à medida que os gritos do homem aumentavam. Senti o ar se esvaindo dos meus pulmões quando algo tocou em meu ombro.

- Vamos sair daqui, Emma.

Olhei para os meus irmãos, que também estavam apavorados. Michel segurou em uma das minhas mãos e me ajudou a ficar em pé. Deixamos aquele lugar e a única certeza que eu tinha, era que jamais queria ver o diabo vestido de sangue novamente.

Capítulo 2 Bem próxima do inimigo

Fredericksburg – Cidade do Texas

Dias aatuais...

EMMA

O TEMPO PASSOU E aquela garotinha se tornou uma mulher, mas eu daria tudo para voltar no tempo e poder ter o meu irmão ao meu lado.

As lembranças daquele dia jamais serão esquecidas. As nossas vidas mudou para sempre, desde aquela maldita noite. Michael mesmo tão novo conseguiu salvar a vida do nosso pai, mas por causas de bens materiais, ele foi consumido pelas chamas do fogo.

Se ele não tivesse entrado novamente dentro de casa com a intenção de salvar alguns objetos sem pensar que estava colocando a sua vida em risco, hoje ele estaria conosco. Mas, ali em meio às chamas começou todo o sofrimento da nossa família, as queimaduras e lesões nas pernas do meu pai o impossibilitaram de andar novamente, os obstáculos surgiram e o pouco que restou, conseguimos construir um pequeno casebre, já que até hoje ninguém sabe como aquele fogo começou, pois quando despertamos as chamas já estavam tomando conta da nossa antiga casa.

O dinheiro que recebemos do auxilio que o governo paga ao meu pai, praticamente vai para sua medicação, pois mesmo depois de amputar uma de suas pernas, sua saúde se tornou algo bem delicado, minha mãe por sua vez ficou responsável por cuidar dele e da casa, enquanto eu e Luana, desde cedo, começamos a trabalhar para ajudar nas despesas. No entanto, quando tudo parecia estar melhorando, por pouco a minha irmã não foi violada quando voltávamos de mais uma colheita de uma das fazendas que ficar nos redores.

O pânico me dominou e enquanto eu saí correndo, os dois malfeitores conseguiram pegar Luana, mas muito maior que o meu medo, era o amor que sinto pela minha irmã e, quando olhei um tronco de madeira jogado no chão, não hesitei em pegar e com um giro nos calcanhares, avancei para cima dos dois. Eu nem sei de onde tirei tanta força, mas enquanto eles estavam preocupados em violar o corpo dela, eu acabei com a distância e o golpe foi certeiro na cabeça de um deles e antes que o outro tivesse qualquer reação, a madeira já estava acertando a sua cabeça.

Mesmo com toda escassez que estamos vivendo, os meus pais não permitiram que voltássemos para aquele lugar. Mas, os dias passaram e já não via alternativa a não ser voltar ao lugar que eu jurei que nunca mais iria colocar o meu pé novamente. Sei que é errado pegar o que não nos pertence, mas eu sei que Deus terá piedade da minha alma, já que eu não posso deixar que minha família viesse a sucumbir diante dos meus olhos.

- Emma, vamos!

A voz da minha irmã me tirou dos meus devaneios. Levantei-me de imediato, e, juntas caminhamos em direção à porta, rumo a um único destino.

Nós duas quebramos o juramento que fizemos ao Michel de nunca voltar ao lugar aonde vimos aquele ato monstruoso, todavia, a vida colocou em nosso destino certas circunstâncias que nos levou a tomar rumos diferentes. Eu cresci sentindo os meus pés tocarem o chão deste lugar, sempre me senti como um pássaro livre, com asas para voar. As minhas pernas sempre se tornavam agíeis e, eu corria como se não tivesse limites e desta forma, eles nunca foram capazes de saber que durante os últimos meses, enquanto minha irmã ficava alguns metros de distância me esperando, é naquele lugar que doze anos atrás, eu estremeci de medo ao ponto de ter a sensação que o meu coração estava batendo próximo a minha garganta e acabei fazendo xixi na roupa sem querer e que se tornou a razão da nossa sobrevivência.

LEJANDRO

Senti uma bala perfurando e queimando o meu ombro. Meu coração bateu forte contra o meu peito, enquanto a adrenalina corria em minhas veias, apoderando-se de todo o meu corpo. Balas voavam em todas as direções e aquilo se tornou música para os meus ouvidos.

Lutando violentamente contra o latejar em minha pele, à medida que o sangue inundava o tecido da minha camisa, coloquei minha arma em punho e assim junto com os meus homens, avançamos para cima dos malditos que ousaram em cogitar que essa emboscada de merda seria o suficiente para deter um Casillas.

O cheiro de sangue era forte, enquanto almas eram enviadas para o inferno. Tiros e mais tiros ressoavam no espaço e o fogo só foi cessado quando um único alvo que gritava desesperadamente assim que a bala que saiu da minha pistola atingiu o seu estômago, o levando a cair de encontro ao chão.

- Alejandro!

O som da voz de Joseph ecoou no espaço e bastaram alguns segundos da sua distração para que o desgraçado que estava agonizando em meio à dor, levantasse o braço colocando sua arma apontada na direção dele. O sangue borbulhou em minhas veias, me queimando por dentro e um último disparo foi dado, arrastando mais uma alma miserável para as profundezas do inferno.

Passadas largas foram dadas em direção ao infeliz, enquanto Joseph tentava processar o que havia acontecido. Não estava em meus planos matar esse desgraçado ainda, pois tinha muita diversão pela frente, porém, não estava disposto a correr o risco de que o disparo fosse feito por ele e como consequência perder a única pessoa que é digna da minha confiança.

Parei em frente ao corpo sem vida e me agachei, soltando minha arma e em seguida minhas mãos rasgaram a camisa do infeliz. Meus olhos ficaram fixos na imagem a minha frente e pelo símbolo tatuado em sua pele, só me deu a confirmação que foi aquele miserável do Dário, que estava por trás de tudo isso.

Ele, assim como aquele maldito que tinha por pai, deseja assumir o controle do meu território, mas desta vez eu irei exterminar qualquer um que tenha o maldito sangue dos Gonzaléz correndo em suas veias.

Horas depois...

- Porra! - proferi, tomado pela dor excruciante assim que Joseph introduziu o objeto quente em minha pele, extraindo a bala que havia se alojado em meu braço.

- De certo o infeliz não tinha uma boa pontaria.

- Ainda não entendi o motivo de você ter ficado tão desligado, sempre me ensinou que um segundo pode ser fatal.

- Olhei a mancha de sangue próximo ao seu peito e não sabia em que direção havia sido atingido.

- Dá próxima vez, tenha em mente que a prioridade é sempre o nosso inimigo e não eu.

Aspirei profundamente, levando o ar do lugar que se tornou meu porto seguro aos pulmões. Já não via a hora de retornar a fazenda e mesmo tendo vários negócios na capital, eu já não aguentava mais permanecer em Austin.

Instantes depois, minha atenção se voltou para o homem que adentrou o ambiente e pela sua expressão, eu sabia que mais uma vez o incompetente era portador de uma péssima notícia.

- Chefe!

- Sem rodeios.

- Encontramos algumas pegadas no pomeiro e no galinheiro. São as mesmas que encontramos antes nas videiras.

Levantei-me em pulo. Não é de hoje que esse desgraçado vem roubando o que me pertence e por incrível que pareça, o maldito parecia ter o dom de se camuflar, pois ninguém antes havia escapado dos meus homens. Olhei para Joseph e como se lesse o que estava passando pela minha cabeça, a sua voz se fez presente.

- Eles vão chegar amanhã.

- Seja quem for esse larápio, da próxima vez terá uma grande surpresa e, ao contrário dos demais que sempre sentiram o poder do meu ferro em sua pele, esse maldito será estraçalhado

Capítulo 3 Meu pior pesadelo

ALEJANDRO

OS RUÍDOS QUE SAÍRAM por entre os meus lábios penetraram na escuridão. Meu corpo todo estava em chamas e o suor descia pela minha face. Meu coração batia muito forte, enquanto os meus pulmões estavam funcionando aos espasmos.

Lutando contra a dor aguda que me envolveu por completo, consegui alcançar o abajur e no instante em que a claridade invadiu o ambiente, por uma fração de segundo fechei os meus olhos e, quando os abri novamente, assim que meu olhar ficou fixado na enorme cicatriz em meu peito, as lembranças que tanto tentei esconder invadiram a minha mente.

Trinta anos atrás...

- Por favor! Tenha piedade.

- Faça agora, Alejandro!

Minhas mãos não paravam de tremer enquanto eu segurava firme o objeto, que no final da sua extensão estava em brasas. Sem que eu pudesse controlar, as lágrimas surgiram no meu rosto e com a voz carregada de medo, levantei a cabeça, me deparando com os olhos do homem que não refletiam nada, além de um ódio descomunal.

- Eu não consigo - falei, enquanto o homem que estava ajoelhado no chão não parava de se debater e gritar, tamanho era o seu pânico. Mas, a voz horripilante do meu pai logo me tirou do estado catatônico que me encontrava, fazendo um tremor violento tomar conta de todo o meu ser.

- É permitido chorar, Alejandro?

Sacudi a cabeça em negativa, pois a minha garganta se fechou e nem a minha própria saliva descia por ela. No entanto, o meu gesto só o deixou mais possuído de raiva.

- Tudo que você precisa é só encostar o ferro no peito desse desgraçado.

Todo o meu corpo paralisou, eu permaneci no mesmo lugar, totalmente imóvel. Segundos, que foram o estopim para a raiva do meu pai atingir cada polegada do seu corpo e num movimento brusco, ele pegou o objeto escaldante das minhas mãos e pediu que um dos seus homens me segurasse. E, em seguida minha camisa foi arrancada do meu corpo.

- Você vai aprender que medo ou esses sentimentos tolos não podem fazer parte da sua vida. Um maldito ladrão deve receber a punição que merece e como meu único herdeiro, terá que comandar tudo isso e não será demostrando fraqueza que se tornará temido por todos.

Suas palavras no tom frio ecoaram no espaço e quando ele moveu o objeto em minha direção, a voz de Joseph reverberou no espaço.

- Senhor! Ele é só um menino.

- Calado ou você será o próximo.

O que veio em seguida foi o pior momento de toda a minha vida. Eu nunca havia sentindo uma dor tão imensurável, capaz de fazer cada fibra do meu corpo latejar, ao ponto de eu perder o controle das minhas ações e fazer xixi nas calças, tamanha foi à dor que envolveu todo o meu ser.

Como num estalar de dedos, eu fui arrancado dos meus devaneios e imediatamente me levantei indo em direção ao banheiro.

Naquele dia, eu aprendi que jamais deveria ter medo. Que piedade não fazia parte da vida de um Casillas, pois o meu pai havia quebrado algo dentro de mim, que jamais seria restaurado. Ele me moldou para me tornar tão sombrio quanto ele era e, se ainda existe algum fio de luz dentro de mim, deve ser por influência de Joseph, que contra as ordens do seu chefe e tudo de ruim que meu pai me ensinava, ele sempre dizia que eu deveria escolher quem realmente queria ser.

Assim como perdi a minha mãe antes mesmo de conseguir dar os meus primeiros passos, quando completei a maior idade, o homem que nunca me tratou como um filho: morreu. Mas eu, Alejandro Casillas, em pouco tempo conquistei muito mais que o meu pai que se julgava tão superior, não só me tornei temido, mas respeitado e uma coisa jamais irei esquecer.

Um traidor, um ladrão não merece piedade.

Três dias depois...

- Alejandro!

O som da voz de Joseph soou do outro lado da porta. Olhei para o relógio em meu pulso, eram quase cinco horas da manhã. Com passos largos, fui em direção à porta e assim que ela foi aberta, novamente o som da voz do meu fiel companheiro ressoou no espaço.

- Tudo está pronto.

- Então vamos!

Passamos pelo longo corredor e depois descemos os inúmeros degraus e ao passar pela porta dupla de madeira, um sorriso surgiu em meu rosto. Meus olhos ficaram cravados nos três monstrinhos a minha frente, que foram treinados exatamente para uma situação dessas e ao meu comando, eles irão estraçalhar qualquer infeliz.

- Hoje eu farei aquele miserável lamentar por cada dia da sua existência.

EMMA

Acordei logo nas primeiras horas da manhã. Meus pais ainda estavam dormindo, enquanto eu e Luana já estávamos prontas. Havia colocado uma roupa toda preta. Puxei o capuz do casaco, cobrindo minha cabeça. E com as lanternas em mãos, seguimos para o lugar que se tornou parte da nossa rotina.

Teríamos pouco tempo antes que a escuridão da noite desse lugar de vez a claridade do dia e, aproveitando que esse horário era o melhor para que ninguém viesse a nos descobrir, com passadas precisas e apressadas, seguimos o nosso caminho. Embora já conhecesse o trajeto como a palma da minha mão, e, até de olhos fechados conseguiria chegar ao meu destino, tanto eu, quanto Luana gostava de trazer as lanternas, minutos se passaram até que chegamos ao refúgio da minha irmã.

Enquanto ela ficou me aguardando, com a sacola em mãos, aumentei o ritmo dos meus passos. Instante depois, andando praticamente nas pontas dos pés, entrei no galinheiro e as coitadas pareciam que já estavam tão acostumadas com a minha visita, que o ambiente permaneceu em silêncio.

Eu estava com a sacola cheia, peguei tudo para que só precisasse voltar na próxima semana. Mas, o silêncio foi cortado pelo pio de uma coruja, fazendo tremores percorrer todo o meu corpo. Aquilo era um presságio de morte iminente, não perdi tempo e saí rapidamente dali.

No entanto, assim que ouvi sons de vozes se aproximando e o latido de cachorros, meu coração gelou. Saí feito uma louca, morrendo de medo, pois já estava acostumada com o peso da sacola. Meu coração estava a ponto de sair pela minha boca, meus pulmões funcionando a todo vapor e quanto mais eu corria, sabia que estava sendo seguida, pois os latidos dos cães eram cada vez mais altos. Naquele momento eu só conseguia pensar na minha família e quando já estava me aproximando de onde a minha irmã estava, com toda minha força, joguei a sacola a distância e me movi em outra direção.

Seja quem for, eu não poderia deixar que pegasse Luana. Mas, não demorou muito para que o meu corpo fosse de encontro ao chão e várias patas ser colocadas em cima de mim. Levantei a cabeça me deparando com três cães furiosos, mostrando seus dentes afiados.

"- Este será o meu fim" - pensei apavorada.

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