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Falindo o Alfa: A Vingança Suprema da Companheira Rejeitada

Falindo o Alfa: A Vingança Suprema da Companheira Rejeitada

Autor:: Layla
Gênero: Lobisomem
Na pista do aeroporto, o vento era frio, mas a rejeição do meu marido era congelante. "Você não vai no jatinho", disse Ricardo, ajustando as abotoaduras de diamante que eu tinha comprado para ele. Ele apontou para a escada onde sua amante, Âmbar, estava parada, usando um vestido de seda que eu havia encomendado para mim. "A Âmbar é frágil. Ela precisa do conforto da cabine particular. Reservei um voo comercial para você. Sai em três horas." Ele enfiou um envelope na minha mão. Classe econômica. Assento do meio. Duas escalas. Eu fiquei ali, a Luna da alcateia, sendo informada para voar como carga enquanto uma Loba Solitária tomava meu lugar no Gulfstream G650 que *eu* havia pago. Minha sogra ainda se intrometeu, agarrando a bolsa de grife que comprei para ela, alegando que minha "energia de Curandeira" era estressante demais para a preciosa convidada deles. Ricardo bloqueou nosso elo telepático, pegou a mão de sua amante, e a porta do avião se fechou na minha cara com um silvo. Ele se achava o Alfa. Achava que detinha o poder porque eu o deixei brincar com esse papel por cinco anos. Mas ele esqueceu um pequeno detalhe: o nome dele não estava no fundo fiduciário. Enquanto o jato taxiava para longe, eu não chorei. Peguei meu celular e disquei para o meu gerente de banco pessoal. "Dra. Moraes?" "Cancele o plano de voo", eu disse, com a voz firme. "Revogue a autorização de decolagem. Imobilize o jato na primeira parada para reabastecimento. E corte as linhas de crédito. Todas elas." "Todas, senhora? As contas da alcateia?" "Tudo", sussurrei, observando o avião decolar. "Vamos ver como o Alfa sobrevive sem a minha carteira."

Capítulo 1

Na pista do aeroporto, o vento era frio, mas a rejeição do meu marido era congelante.

"Você não vai no jatinho", disse Ricardo, ajustando as abotoaduras de diamante que eu tinha comprado para ele.

Ele apontou para a escada onde sua amante, Âmbar, estava parada, usando um vestido de seda que eu havia encomendado para mim.

"A Âmbar é frágil. Ela precisa do conforto da cabine particular. Reservei um voo comercial para você. Sai em três horas."

Ele enfiou um envelope na minha mão. Classe econômica. Assento do meio. Duas escalas.

Eu fiquei ali, a Luna da alcateia, sendo informada para voar como carga enquanto uma Loba Solitária tomava meu lugar no Gulfstream G650 que *eu* havia pago.

Minha sogra ainda se intrometeu, agarrando a bolsa de grife que comprei para ela, alegando que minha "energia de Curandeira" era estressante demais para a preciosa convidada deles.

Ricardo bloqueou nosso elo telepático, pegou a mão de sua amante, e a porta do avião se fechou na minha cara com um silvo.

Ele se achava o Alfa. Achava que detinha o poder porque eu o deixei brincar com esse papel por cinco anos.

Mas ele esqueceu um pequeno detalhe: o nome dele não estava no fundo fiduciário.

Enquanto o jato taxiava para longe, eu não chorei. Peguei meu celular e disquei para o meu gerente de banco pessoal.

"Dra. Moraes?"

"Cancele o plano de voo", eu disse, com a voz firme. "Revogue a autorização de decolagem. Imobilize o jato na primeira parada para reabastecimento. E corte as linhas de crédito. Todas elas."

"Todas, senhora? As contas da alcateia?"

"Tudo", sussurrei, observando o avião decolar. "Vamos ver como o Alfa sobrevive sem a minha carteira."

Capítulo 1

Helena POV:

O vento na pista do aeroporto cortava meu casaco, mas não se comparava ao gelo que se espalhava pelas minhas veias.

Os motores do Gulfstream G650 já zumbiam, um grito agudo que fazia meus dentes tremerem.

Era uma máquina magnífica. E deveria ser. Eu paguei por ela.

Assim como paguei pelos ternos de lã italiana que os guerreiros usavam, pelos milhares de litros de combustível no tanque e pelo convite para a Cúpula dos Alfas que estava no bolso do meu marido.

"Helena, afaste-se", disse Ricardo. Sua voz não tinha o calor de um companheiro. Tinha o tom desdenhoso que se usa com um servo que demorou demais para sair.

Eu pisquei, tentando processar o absurdo. "Com licença? Precisamos embarcar. A cerimônia de abertura da Cúpula começa em quatro horas."

Ricardo não olhou para mim. Estava ajustando suas abotoaduras - de ouro, cravejadas de diamantes. Meu presente de aniversário para ele.

"Você não vai no jatinho", ele disse secamente.

Meu coração falhou uma batida. "O quê? Ricardo, eu sou a Luna. Fui eu que garanti o lugar da Alcateia Almeida na Cúpula. Por que eu não..."

"A Âmbar é frágil", ele interrompeu, finalmente encontrando meus olhos. Seu olhar era frio, desprovido do afeto que existia ali cinco anos atrás. "Ela acabou de voltar da selva. Sua loba está fraca. Ela precisa do conforto da cabine particular."

Olhei por cima do ombro dele. No topo da escada, emoldurada pela fuselagem como uma heroína trágica, estava Âmbar.

Ela usava um vestido de seda que eu havia encomendado para mim. A peça caía solta em seu corpo, enfatizando uma fragilidade que parecia ensaiada demais.

Ela me ofereceu um sorriso pequeno e triste. Era o tipo de sorriso que um tubarão dá antes de morder.

"Mas há doze assentos", argumentei, tentando manter a voz firme. "Tem espaço de sobra."

"Não é uma questão de espaço, Helena", intrometeu-se minha sogra, Cornélia. Ela estava perto do carrinho de bagagens, agarrando uma bolsa de grife que eu lhe dera no Natal passado. "É uma questão de atmosfera. A Âmbar precisa de paz. Sua energia... é intensa demais. Você é uma Curandeira. Está sempre irradiando aquele poder clínico, estéril. Isso a estressa."

Senti como se tivesse levado um tapa. Meu poder - a energia de cura que impediu a artrite de Cornélia de aleijá-la, o poder que impedia os guerreiros de se tornarem selvagens durante a lua cheia - agora era "estressante".

Ricardo tirou um envelope do bolso do paletó e o empurrou na minha direção.

"Reservei um voo comercial para você. Sai em três horas."

Peguei o envelope com os dedos trêmulos. Olhei para a passagem. Classe econômica. Assento do meio. Duas escalas. Era praticamente um voo de carga.

"Você quer que a Luna da Alcateia Almeida voe na classe econômica enquanto uma Solitária pega meu jatinho?", perguntei, minha voz baixando para um sussurro perigoso.

"Ela não é uma Solitária!", rosnou Ricardo. Por um segundo, seus olhos brilharam em dourado - o sinal de seu lobo Alfa vindo à tona. "Ela é uma convidada de honra. E está carregando... um potencial."

Ele olhou para a barriga de Âmbar.

O mundo parou.

*Ricardo*, chamei através do Elo Mental, nosso laço telepático. *Ricardo, por favor, me diga que você não está fazendo isso. Diga que não está me humilhando na frente da alcateia.*

Silêncio.

Ele havia me bloqueado.

O Alfa da alcateia, meu marido, havia erguido uma parede mental contra sua própria companheira. Era a rejeição máxima, sem precisar de palavras.

"Temos que ir", disse Ricardo em voz alta, virando as costas para mim. "Não se atrase para o hotel, Helena. Precisamos que você passe as vestes cerimoniais quando chegar."

Ele subiu as escadas. Pegou a mão de Âmbar. Beijou sua bochecha, um gesto terno que não me mostrava há anos.

Os guerreiros da alcateia, homens que eu curei, homens cujos filhos eu ajudei a trazer ao mundo, desviaram o olhar. Eles seguiram seu Alfa. Seguiram o dinheiro. Ou melhor, seguiram o homem que eles pensavam que controlava o dinheiro.

A porta do jato se fechou com um silvo. As escadas se retraíram.

Fiquei sozinha no concreto. O cheiro de querosene de avião encheu meu nariz, mas por baixo dele, senti o perfume persistente de Âmbar.

Não era apenas o cheiro de uma loba fraca. Sob a camada espessa de perfume caro, havia o odor podre de uma Solitária - alguém que viveu sem lei, sem honra.

O jato começou a taxiar. Observei o logotipo na cauda - o Lobo dos Almeida. Eu paguei o pintor para colocá-lo ali.

Algo dentro de mim se partiu. Não, não se partiu. Se libertou.

Minha loba interior, geralmente uma presença calma e branca, levantou-se e sacudiu o pelo. Ela não uivou. Ela rosnou. Um som baixo e vibrante que ressoou em meus ossos.

Olhei para a passagem de classe econômica em minha mão.

Então, olhei para o cartão Black na minha carteira. O cartão que estava ligado ao fundo fiduciário principal. O fundo que financiava o jato, a mansão, os carros e a comida em suas barrigas.

Peguei meu celular. A tela estava fria contra minha bochecha.

"Sim, Dra. Moraes?", meu gerente pessoal atendeu no primeiro toque.

"Cancele o plano de voo do Gulfstream", eu disse, minha voz firme como a mão de um cirurgião.

"Senhora? Eles já estão taxiando."

"Eu sei. Revogue a autorização. Imobilize-os na primeira parada para reabastecimento. E corte as linhas de crédito. Todas elas."

"Todas, Dra. Moraes? As contas da alcateia?"

Observei o avião decolar no céu cinzento. Pensei no documento guardado no meu cofre - aquele que Ricardo assinou há cinco anos, em desespero.

Eu não queria usá-lo. Não queria ser esse tipo de pessoa.

Mas ele me transformou nessa pessoa.

"Tudo", eu disse. "Fim de jogo."

Capítulo 2

Helena POV:

A Sede da Alcateia estava silenciosa.

Normalmente, este lugar era uma colmeia de ruídos. Lobos jovens treinando no quintal, ômegas batendo pratos na cozinha, o zumbido constante de cinquenta lobisomens vivendo sob o mesmo teto.

Mas a maioria dos membros de alto escalão tinha ido para a Cúpula. O resto estava em patrulha.

Atravessei o grande hall de entrada. Meus saltos estalavam bruscamente no piso de mármore - pisos que eu paguei para importar da Itália porque Cornélia disse que o assoalho antigo machucava seus pés sensíveis.

Entrei na cozinha. A equipe, composta principalmente por ômegas de baixo escalão que não conseguiam se transformar, ergueu os olhos com medo. Eles estavam comendo sobras - restos de carne e pão velho.

"Onde está o assado?", perguntei, olhando para o balcão vazio.

"Dona Cornélia levou os melhores cortes para o quarto dela antes de ir para o aeroporto", sussurrou uma jovem chamada Sara. "Ela disse... ela disse que os empregados não merecem picanha."

Fechei os olhos. Eu havia comprado aquela carne especificamente para o jantar de agradecimento da equipe esta noite.

Meu celular vibrou. Era uma chamada de vídeo de Ricardo.

Eu aceitei, apoiando o celular contra uma fruteira.

O rosto de Ricardo preencheu a tela. Ele parecia vermelho, furioso. O ruído de fundo era o zumbido caótico de um terminal de aeroporto.

"Por que meu cartão foi recusado?", ele gritou. As pessoas ao fundo se viraram para olhar. "Pousamos para reabastecer em Manaus e o piloto disse que a conta de combustível está congelada!"

"É mesmo?", perguntei, pegando uma maçã e inspecionando-a. "Que pena."

"Resolva isso, Helena! A Âmbar está com fome. Ela precisa de carne de caça orgânica, e o restaurante do aeroporto não aceita o cartão corporativo."

O rosto de Âmbar apareceu por cima do ombro dele. Ela parecia pálida, mas seus olhos brilhavam com malícia.

"Ah, Helena", ela arrulhou, com a voz escorrendo falsa simpatia. "Esqueceu de pagar as contas de novo? Você sabe como fica esquecida quando está estressada. Talvez devesse apenas transferir a autorização para o Ricardo. Ele é o Alfa, afinal."

"A autorização requer uma leitura biométrica do titular da conta", eu disse calmamente. "Ou seja, eu."

"Então autorize!", rugiu Ricardo. "Eu te ordeno!"

Senti a pressão do Comando do Alfa me atingir.

No mundo dos lobos, a voz de um Alfa é lei. Ela força fisicamente o lobo a se submeter. Força o pescoço a se expor, os joelhos a se dobrarem.

Senti a onda de pressão passar por mim. Tentou forçar minha cabeça para baixo.

Mas eu sou uma Mestra Curandeira. Meu espírito foi forjado por anos de batalha contra a própria morte. Minhas barreiras mentais são feitas de titânio.

Dei uma mordida na maçã. *Croc.*

Olhei diretamente para a câmera. Não me curvei. Não vacilei.

"Não", eu disse.

Ricardo congelou. O choque em seu rosto foi satisfatório. O Comando de um Alfa falhar era raro. Significava que ou o Alfa era fraco, ou o alvo era incrivelmente poderoso.

Ele escolheu acreditar que a primeira opção era impossível.

"Você... você me desafia?", ele gaguejou.

"Você quebrou o contrato, Ricardo", eu disse. "E não estou falando apenas da nossa certidão de casamento. Estou falando do acordo original. Aquele que você assinou com tinta vermelha. Você quebrou essa lealdade na pista do aeroporto hoje."

"Eu sou seu companheiro!"

"E ela", apontei para Âmbar na tela, "aparentemente é sua prioridade. Deixe que ela pague pelo combustível."

"Eu não tenho dinheiro humano", Âmbar fungou. "Eu vivo segundo os costumes antigos."

"Então cace um coelho no estacionamento", eu disse.

A voz estridente de Cornélia veio do fundo. "Helena! Pare com essa bobagem imediatamente. Nós somos a Alcateia Almeida! Não ficamos na fila do Burger King!"

"Agora ficam", eu disse.

"Quando eu chegar em casa", ameaçou Ricardo, sua voz baixando uma oitava, "você será punida. Vai passar uma semana nas celas por essa insolência."

"Você tem que chegar em casa primeiro", lembrei-o. "E Ricardo? Não se dê ao trabalho de pedir uma sessão de cura para suas enxaquecas hoje à noite. A clínica está fechada."

Encerrei a chamada.

Olhei para Sara e os outros membros da equipe. Eles me encaravam com os olhos arregalados.

"Peçam pizzas", eu disse a eles, tirando um maço de dinheiro da minha bolsa - meu dinheiro pessoal, não os fundos da alcateia. "Peçam o que quiserem. Coloquem na minha conta."

"Mas... Luna", gaguejou Sara. "O Alfa disse..."

"Eu não sou mais a Luna", eu disse, sentindo um peso sair dos meus ombros. "Sou apenas a proprietária."

Virei-me e caminhei em direção às escadas.

Eu precisava fazer as malas. Mas primeiro, eu tinha um destino específico em mente.

Subi para o terceiro andar, para a ala do Alfa.

A porta do quarto principal - meu quarto - estava fechada.

Eu a abri.

O cheiro me atingiu instantaneamente. Não era apenas o perfume persistente. Era o cheiro de sexo.

Baunilha e almíscar. Doce e enjoativo.

Era recente.

Eles não apenas me humilharam no aeroporto. Eles profanaram meu santuário antes mesmo de partirem.

Fiquei na porta e, pela primeira vez na vida, não senti o desejo de curar.

Senti o desejo de destruir.

"A conta foi enviada", sussurrei para o quarto vazio. "E a taxa de juros será fatal."

Capítulo 3

Helena POV:

Eu estava na soleira do que costumava ser meu quarto de casal. A Toca do Alfa.

Na cultura dos lobos, a Toca é sagrada. É onde o Alfa e a Luna se unem, onde dormem, onde são mais vulneráveis. Entrar na Toca de outro lobo sem permissão é um ato de guerra. Deixar seu cheiro lá é um desafio de morte.

O cheiro era avassalador. Cobria o fundo da minha garganta como óleo.

O cheiro de Âmbar estava por toda parte. Estava nas cortinas. Estava no tapete.

E estava mais forte na cama.

Aproximei-me da cama de dossel king-size. Eu havia escolhido aqueles lençóis. Algodão egípcio, 1000 fios.

Vi um longo cabelo loiro no travesseiro.

Minha loba, a Loba Branca que mantive escondida e suprimida por cinco anos para fazer Ricardo se sentir forte, arranhou o interior da minha caixa torácica. Ela queria sangue.

*Queime*, ela sibilou em minha mente. *Queime tudo.*

Não precisei ouvir duas vezes.

Agarrei a ponta do colchão.

Lobisomens são fortes. Mesmo uma curandeira é mais forte que dez homens humanos. Mas agora, alimentada pela fúria de uma companheira traída, minha força era algo completamente diferente.

Com um rosnado primitivo, arranquei o pesado colchão da estrutura da cama.

Não parei por aí. Peguei os travesseiros. O edredom. Os lençóis.

Marchei até as grandes portas de vidro que davam para o gramado da frente. Abri-as com um chute. O vidro se estilhaçou, mas eu não me importei.

Arremessei o colchão pela janela. Ele caiu no gramado impecável três andares abaixo com um baque satisfatório.

Depois os travesseiros. Depois os lençóis.

Virei-me de volta para o quarto. A porta do armário estava entreaberta.

Entrei. As roupas de Ricardo estavam à esquerda. As minhas, à direita.

Mas no meio, enfiadas apressadamente nos meus cabides, havia roupas baratas e chamativas que não me pertenciam.

Saias de oncinha. Casacos de pele sintética.

Âmbar havia se mudado. Ela não apenas visitou; ela começou o processo de me substituir antes mesmo de eu ter saído.

Peguei braçadas de roupas. Não me preocupei com os cabides. Arranquei-as.

Voltei para a janela e as joguei para fora. Elas flutuaram para baixo como confetes de mau gosto.

"Em nome da Deusa, o que você está fazendo?!"

Virei-me bruscamente.

Parada na porta estava a irmã mais nova de Ricardo, Jordana. Ela ficou para trás da Cúpula porque foi reprovada nas provas e estava de castigo.

Ela segurava um saco de salgadinhos, com a boca aberta de horror.

"Limpando", eu disse friamente.

"Esse é... esse é o quarto do Ricardo! Você não pode jogar as coisas pela janela! Mamãe vai te matar!"

"Sua mãe está presa em um aeroporto em Manaus comendo bolachas de máquina", eu disse, caminhando em direção à mesa de cabeceira.

Vi uma foto emoldurada. Éramos Ricardo e eu no dia do nosso casamento. Ele parecia presunçoso. Eu parecia esperançosa.

Peguei-a.

"Você está louca", zombou Jordana. "Sempre soube que você era instável. A Âmbar vai ser uma Luna muito melhor. Ela é divertida. Me deixou pegar o carro dela emprestado."

"O carro que eu paguei?", perguntei.

Deixei a foto cair. Ela não quebrou no tapete, então a esmaguei sob o meu calcanhar. O vidro estalou satisfatoriamente.

"Saia, Jordana", eu disse. Minha voz era baixa, vibrando com um rosnado que fez a garota dar um passo para trás.

"Você não pode me dar ordens! Meu irmão é o Alfa!"

"Seu irmão é um homem falido com um título que não pode bancar", retruquei. "E esta casa? Meu nome está na escritura. Não o dele. O meu."

Jordana empalideceu. "Isso não é verdade. É a Sede da Alcateia."

"Era uma propriedade hipotecada quando o conheci", eu disse, avançando sobre ela. "Eu a comprei. Eu a renovei. Eu permito que vocês vivam aqui."

Peguei um frasco de perfume da cômoda - o spray de baunilha barato de Âmbar.

Caminhei até a janela e o deixei cair. Ele se espatifou na entrada de carros lá embaixo.

Então, fiz algo proibido.

Invoquei minha aura. Não a luz azul suave e calmante de uma Curandeira.

Fui mais fundo, na linhagem que eu havia escondido. A linhagem da Loba Branca.

Uma chama prateada se acendeu ao redor das minhas mãos. Era o Fogo da Purificação. Uma habilidade antiga, perdida para a maioria dos lobos modernos.

Jordana gritou. "O que é você?!"

Toquei as cortinas. O fogo prateado as consumiu instantaneamente, devorando o tecido e o cheiro da intrusa, não deixando nada além de cinzas. Não queimou a madeira. Queimou apenas a impureza.

"Eu sou aquela que se cansou de ser usada", eu disse.

Olhei para o quarto vazio e coberto de cinzas.

"Diga ao seu irmão", eu disse para a garota aterrorizada, "que se ele quiser a Toca dele de volta, pode dormir no gramado com o lixo da amante dele."

Passei por ela, meu ombro batendo no dela com força suficiente para fazê-la tropeçar no corredor.

Eu tinha um avião para pegar.

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