cravada diretamente em meu coração. Seus olhos não tinham mais um tom verde vivo e brilhante. Eles pareciam tristes e vazios, embora eu ainda pudesse ver o amor que ela tinha por mim escondido atrás das profundezas de sua incerteza. Ela se virou para sair e eu agarrei seu braço, virando-a para me encarar. - Eu te amo, Kinley. Ela imediatamente fechou os olhos como se doesse olhar para mim. Então estendi a mão, segurando os lados de seu rosto, desejando que ela os abrisse para mim. - Docinho. - Persuadi com ternura.
Eu só a chamava assim quando eu realmente precisava que ela olhasse para mim, falasse comigo, me ouvisse... Para me sentir. - Eu te amo. - Eu respirei perto de seus lábios. - Eu te amo pra caralho, e você sabe disso, baby. Eu vi seu rosto durante os votos deles. Você não pode se esconder de mim. Eu sei que você estava se lembrando do dia do nosso casamento. Como eu olhei para você quando você estava caminhando pelo corredor. Desde o momento em que você entrou naquela igreja, você tirou meu fôlego e dez anos depois, ainda tira. Você não se lembra de como eu costumava fazer você se sentir, Kins? Por favor, querida, diga-me que você se lembra de como éramos. Ela prendeu a respiração enquanto eu enxugava suas lágrimas com meus polegares. - O que aconteceu conosco? Éramos tão felizes, tão apaixonados. Você se lembra, não lembra? Kinley Eu lamentei: - Claro que me lembro. - Eu nunca seria capaz de esquecer. Ele estava em minhas veias, em meu sangue, impresso tão profundamente em meus ossos que eu não sabia onde eu começava e ele terminava. - Você me protegeu. Você está sempre me protegendo, Christian, mas você não pode me proteger disso – do que nos tornamos. - Eu te amava antes. Eu te amo agora. - Ele beijou a ponta do meu nariz. - Eu sempre vou te amar. - Você ama o que éramos antes, não o que somos agora. Acabou. Você sabe que terminou. Nós tínhamos que terminar. Eu não podia continuar a permitir que ele sacrificasse mais do que já tinha por mim. Não era justo o que eu estava fazendo com ele e o fiz passar todos os meses nos últimos dois anos. Eu tinha que parar de ser egoísta e colocar suas necessidades e desejos em primeiro lugar. Eu o amava o suficiente para deixá-lo ir, sabendo que nunca poderia dar a ele o que ele realmente ansiava. Eu tentei... Mas eu estava danificada. Ele balançou a cabeça. - Não quero isso para nós e sei que você também não. Ainda estamos aqui, docinho. No fundo, ainda somos nós. - Christian, por favor... Eu não estou tentando machucar você. É o oposto – estou tentando libertar você. Estou exausta de decepcionar você o tempo todo. Eu não posso mais viver assim. - Bem, eu não posso viver sem você. Eu abri meus olhos, revelando nossa vida juntos em minha expressão devastada. Era o mínimo que eu podia fazer. Isso estava me matando também. Eu não queria isso, mas não tinha outra escolha. Eu tinha feito a escolha errada há mais de dez anos, e isso me custou o amor da minha vida. - Como eu olho para a mulher que amo e simplesmente me afasto dela? Como? Por favor, diga-me, Kins, porque eu não tenho a mínima ideia. Engoli em seco enquanto mais lágrimas deslizavam pelo meu rosto. - Eu sei que você me culpa. - Isso não é verdade. - Sim, é. Eu posso ver através de você. Sempre vi e sempre verei. Eu gostaria de poder mudar as coisas. Se eu pudesse voltar atrás... Porra, simplesmente não consigo mais fazer isso. Passei anos lamentando o que não posso mudar, e agora vejo isso na maneira como você olha para mim, na maneira como fala comigo. Você me culpa, Christian, então pare de fingir que não. - Eu não me importo mais. Vamos trabalhar nisso. - Tudo o que você estaria fazendo seria se contentar comigo, e eu não posso fazer isso com você. Há anos que tentamos fazer com que isso funcione. Já é o suficiente. Você tem que me deixar ir. - O caralho que eu vou. Eu o empurrei. - Pare! Simplesmente pare! Nós concordamos! - Que outra escolha você me deu? - A única escolha que nos resta! - Essa não é a resposta! Nossos peitos estavam subindo e descendo em uníssono, que era a única coisa em sincronia conosco. - Como você não consegue ver isso? O que você está fazendo a si mesma, a mim – a nós? Eu recuei, suas perguntas me deixando sem fôlego. - O que você quer que eu faça? - Lute por nós! - Eu não posso mais do que já tenho, Christian! Eu não tenho mais forças para lutar! Tudo foi levado embora com cada... - Eu me parei, incapaz de dizer as palavras. Doía pra caralho. - Christian! Eu não quero ficar aqui! Eu preciso ir embora! - Pelo amor de Deus, Kinley! Você não pode deixar o casamento da minha irmã! - Eu não me importo! É sua culpa que ninguém saiba a verdade, e quanto mais tempo eu fico aqui, mais difícil é não contar para todo mundo! Apesar de não querer que ele dissesse as palavras, não havia como conter a fúria que crescia em seu corpo enquanto ele cuspia: - Não vamos arruinar o casamento deles porque você quer dizer a todos que estamos nos divorciando! - Sim! Eu quero contar a todos! Está na hora! Estamos escondendo isso há meses! Há anos fingimos ser algo que não somos e eu não posso mais fazer isso! Por uma vez, você pode apenas me ouvir? Você pode apenas ver as coisas através dos meus olhos? Você não pode mais me proteger! Não sou aquela jovem que você encontrou na floresta! Por que você não consegue ver isso?! - Você sempre será aquela garota para mim. Você pode ter se esquecido dela, mas ela nunca saiu do meu lado. Você nunca me deixou e nunca irá. Entendeu? - Christian, não somos mais um nós. - Nós sempre seremos um nós, Kins. Desde a primeira vez que reivindiquei seus lábios, você era minha. Ele fez a única coisa que pôde em um momento que parecia como se estivéssemos nos despedindo. Agarrando minha nuca, ele bateu seus lábios contra minha boca, me beijando como fez naquela noite todos aqueles anos atrás. Ele estava tentando desesperadamente me lembrar de quem éramos. Exceto que quando nos afastamos, descansando nossas testas um no outro para nos apoiar, eu chorei. - Eu não quero mais ser sua... Isso dói muito. Eu menti. Não para mim. Não para nós. Para ele. Era a minha vez de protegê-lo... De mim. Minha mente foi jogada de volta para aquela noite quando eu encontrei minha alma gêmea aos quinze anos, na floresta, onde ele me protegeu, e... Me fez acreditar no amor à primeira vista. CAPÍTULO 01 Kinley Passado - Você precisa ir mais devagar com o uísque, Kinley, ou vai passar mal. - Meu melhor amigo Jax advertiu, parado ao meu lado na floresta. Eu estava tentando curtir a festa de final de ano. Era onde todos de várias escolas sempre se reuniam em nossa pequena cidade de Fort Worth, Texas. - Jax, é o último dia do nosso primeiro ano do ensino médio! Somos oficialmente alunos do segundo ano e chegamos a mais um ano na boa e velha Adams High. Por que você não pode simplesmente viver um pouco e se divertir? - Nós dois sabemos que você não está acabando com essa garrafa porque é o início das férias de verão, Kinley. Eu revirei meus olhos. - Não vou falar sobre isso. - Eu sei. Você nunca quer falar sobre sua mãe. - Isso é porque não há nada para falar. - Ela quer ver você. Isso não é nada. - Não tenho
perguntava sobre ele. Embora eu não perguntasse com frequência. Especialmente quando fiquei mais velha e percebi o que minha mãe era. - Ouça. - Jax persuadiu. - Não estou tentando lhe dizer o que fazer. - Sério? Porque com certeza parece que você está. Você não tem ideia do que ela me fez passar. - Eu sei o suficiente. - Você não sabe de nada. Ele tentou pegar a garrafa da minha mão, mas eu engoli outro gole em vez disso. - Não gosto de ver você assim, Kinley. - Ótimo. - Dei de ombros. - Então não olhe. Antes que ele pudesse responder, eu me afastei dele.
Eu estava furiosa por ele a estar mencionando quando tudo que eu estava tentando fazer era esquecer o fato de que ela pensava que eu gostaria de falar com ela, quanto mais vê-la. Ela não significava nada para mim, e eu estava principalmente chateada por ela estar fazendo Jax e eu discutirmos. Além de minha tia, ele era a única pessoa com quem eu podia contar. Eu o conheci no primeiro dia do sexto ano, que também foi meu primeiro dia em uma nova escola, e eu juro que ele podia sentir o cheiro do meu medo. Era uma piada recorrente entre nós. Eu era muito tímida na época, não estava acostumada a ter amigos. Quando chegou a hora de escolher um parceiro na aula de ciências, olhei ao redor da sala em pânico, sem conhecer ninguém. Até que um menino com olhos bondosos pairou sobre minha mesa, perguntando se eu queria ser sua parceira pelo resto do ano letivo. Havia algo nele que me fez sorrir e, naquele momento da minha vida, não conseguia me lembrar da última vez que tinha sorrido. No entanto, os rumores de nossa amizade serviam de base para as fofocas da escola. Todo mundo pensava que estávamos nos agarrando atrás das portas fechadas, mas não era verdade. Não estávamos. Não era assim entre nós. Éramos apenas melhores amigos. Jax estava no time de futebol e jogava como quarterback desde os seis anos de idade. Meu melhor amigo era incrivelmente bonito e não tinha absolutamente nenhum problema em marcar pontos com as meninas, dentro e fora do campo. Enquanto eu permanecia solteira, nunca tendo um namorado. Eu não sentia que precisava de um. Eu tinha Jax, e isso era bom o suficiente para mim. Ele morava perto da minha casa e, como minha tia estava constantemente trabalhando no pronto-socorro como enfermeira, Jax e eu passávamos muito tempo juntos. Dormíamos na cama um do outro mais vezes do que eu conseguia me lembrar, e provavelmente era por isso que a fofoca corria solta por nossos corredores. Não era grande coisa. Eu estava acostumada com as pessoas falando sobre mim, uma vez que sabiam que eu morava com minha tia e minha mãe não era presente. Ninguém sabia o porquê, porém, e isso apenas despertava o interesse deles em querer continuar a fofocar sobre mim. Minha tia nos comprou uma bela casa em um bairro agradável que me lembrava o filme Pleasantville. Não demorei a descobrir que todos se conheciam nesta cidade. Completamente oposto à agitação de Cleveland, onde todos se mantinham isolados. Quando ela decidiu que iriamos nos mudar, escolheu o primeiro lugar em que seu dedo pousou no mapa. Por sorte, o hospital em Fort Worth estava procurando uma nova enfermeira RN1, e ela preencheu os requisitos, trabalhando todos os tipos de horas malucas, então eu não a via muito. Mais uma razão pela qual eu era grata por minha amizade com Jax. Ele também vinha de um lar desfeito. Seus pais se divorciaram quando ele era mais jovem, e nenhum deles estava muito por perto, então encontramos uma família um no outro. Afastando os pensamentos, eu bebia mais enquanto adentrava na floresta com a qual eu não estava familiarizada. Era quase como se eu estivesse entrando em um mundo diferente. Árvore após árvore enchia meu entorno enquanto a floresta ganhava vida com os sons dos animais. Quando o cheiro de fumaça e maconha começou a desaparecer, percebi o quão profundamente eu realmente estava no 1 Nos EUA há várias credenciais para categorizar a enfermagem. Uma Enfermeira (RN) é a responsável por concluir os tratamentos médicos conforme solicitado, além de estar envolvida no processo de diagnóstico. meio do nada. - Merda. - Sussurrei para mim mesma, olhando ao redor. Na esperança de encontrar o sentido de direção de onde eu vim. Devo ter me perdido, acabando em um buraco. - Bem, olhe o que temos aqui. - Alguém sussurrou atrás de mim, fazendo-me tropeçar contra uma árvore enquanto ele me enjaulava com os braços ao redor da minha cabeça. - Eu nunca vi você antes. Eu me lembraria de um rosto tão bonito e um corpo tão incrível. - Ele disse asperamente perto do meu rosto, exalando cheiro de bebida e maconha. - Qual o seu nome? Eu não reconheci esse cara, e quanto mais tempo eu ficava ali, mais rápido meu coração batia em meu peito. - Kinley. - Respondi, me sentindo muito mais vulnerável do que antes. - Um nome tão bonito, para uma menina tão bonita. O que você está fazendo sozinha na floresta, querida? Você não sabe que pode se deparar com um urso ou um lobo? - Ummm... certo. Eu preciso voltar. - Eu desviei dele para sair, mas ele bloqueou meu avanço. - Você não precisa ir embora. Eu estou aqui agora. Arregalei meus olhos. - Eu quero ir embora. - Tentei me mover novamente, mas ele não deixou. - Não, ainda não terminei com você. - Entenda uma coisa – não estou interessada. - Aposto que posso te deixar interessada. - Se você não me deixar sair, vou gritar. Ele sorriu. - Vou fazer você gritar direitinho, só que vai ser meu nome. Virei meu rosto quando ele se inclinou para me beijar enquanto o som de outra voz ecoava pela floresta, gritando: - Frank! Deixe-a em paz! Você está assustando-a, seu idiota! Nunca fiquei tão aliviada em ouvir a voz de um estranho como naquele momento. Eu soltei um fôlego profundo que não percebi que estava segurando quando ele recuou e se virou. Nós dois olhamos na direção de onde a voz tinha vindo. Havia um cara alto e forte com cabelo escuro parado a alguns metros de nós. Eu não conseguia distinguir quem ele era ainda. Estava muito escuro. - Cuide da porra da sua vida, Christian. Isso não tem nada a ver com você. Christian? Aquele era Christian Troy? Caminhando em nossa direção, ele sorriu, olhando para mim antes de acenar com a cabeça para Frank. - Você quer ficar aqui com ele? Eu olhei entre um e outro, dizendo. - Umm... não. Christian riu, sorrindo amplamente. Era Christian Troy. Ele era um dos caras mais populares da nossa escola. Eu não pude deixar de sorrir de volta para ele, me sentindo aliviada por ele estar lá comigo naquele momento. Esta foi a primeira vez que ele disse uma palavra para mim. Eu pensava que ele nem sabia que eu existia. A expressão tranquilizadora em seu rosto continuava me atraindo. Quando ele me pegou olhando para seus braços definidos e peito largo, corei e olhei de volta para Frank. - Oh, entendo. - Frank entrou na conversa. - Você quer sair com ele em vez disso? É isso? Porque eu vou te dizer agora, ele não tem namoradas. Sim, foi o que ouvi dizer. Christian deu uma risadinha. - Eu disse isso em voz alta, não disse? Ele riu novamente antes de acenar para Frank. - Você pode ir agora. - Vá se foder, cara. - Com isso, ele girou e saiu, deixando- me sozinha com Christian. Agora eu estava nervosa por um motivo totalmente diferente. Eu sabia tudo que precisava saber sobre ele. Sua reputação o precedia aonde quer que fosse. Não importava
engoli em seco. Observei enquanto ele continuava vindo em direção a mim, um passo seguro após o outro. Lentamente, lambi meus lábios, minha boca ficando seca de repente. Do nada, parecia que estava sob algum feitiço que não conseguia controlar ou começar a entender. Seu olhar imediatamente seguiu o movimento da minha língua, e me vi dando um passo para trás enquanto cruzava os braços sobre o peito e tentava me manter firme. - Ummm... obrigada. - Eu expressei, querendo quebrar o silêncio constrangedor. - Você meio que me salvou agora. - Eu faço o que posso.
Kinley, certo? - Você sabe quem eu sou? - Claro que sei o nome de uma das garotas mais bonitas da nossa escola. Meu coração bateu mais rápido e não pude deixar de notar o quanto ele se elevava sobre mim. Ele era alto, muito mais alto do que meus um metro e sessenta e um. Ele provavelmente tinha pouco mais de um metro e oitenta, cabelos escuros e olhos verdes intensos que tinham um toque de azul. Seu queixo esculpido e barba por fazer só aumentavam seu fascínio sexy. Sem mencionar que ele não parecia ter a idade que tinha. Ele parecia mais velho. Provavelmente era fácil para ele comprar bebida ou entrar furtivamente em clubes, o que eu sabia que ele fazia com Julian. Pelo menos era isso que todos em nossa escola fofocavam. Christian estava inabalável, parado ali em toda a sua glória enquanto eu tentava arduamente ignorar sua aparência máscula enquanto ele me observava. - Você está flertando comigo? - Eu soltei, me castigando mentalmente. A única vez que eu precisava parecer calma e legal, e não consegui. Não com a maneira como ele estava olhando para mim. - Você gostaria disso? - Não. - Não é isso que seu corpo está me dizendo. - Bem, você não pode ler minha mente. Ele me deu um sorriso sexy, fazendo-me revirar os olhos. - Certo. Experimente. - Eu não quero envergonhar você mais do que já estou. - Eu não estou com vergonha. - Eu gritei, limpando minha garganta, minha voz me denunciando. - Lembre-se de que você pediu por isso. - Ele deu um passo em minha direção, não deixando espaço entre nós. - Você está chocada por eu saber quem você é, o que é engraçado porque eu realmente perguntei sobre você, mas pelo que ouvi dizer, você está fodendo seu melhor amigo. Eu suspirei. - Eu não estou. - Você não me deixou terminar. Eu não acho que você está fodendo com o Jax porque você não me parece o tipo de garota que abre as pernas para um cara que não está fodendo exclusivamente você, e Jax está em todas. Ele estava certo. Eu não poderia discutir com ele ali. - Você não namora. Você nunca teve um namorado. Então isso me diz que você está esperando pelo Príncipe Encantado ou não tem interesse em se machucar. O que, vamos encarar, estamos no ensino médio, e as chances de um cara partir seu coração são muito altas. Especialmente porque você não tem experiência... - Eu tenho experiência. Ele sorriu. - Aposto que você nunca foi beijada. Meu queixo caiu. - Sim, eu fui. - Hmmm... - Ele pensou sobre aquilo por um segundo. - Eu digo que é mentira. - Eu realmente fui. - Tudo bem. Então prove isso. Dei de ombros. - Foi com um cara de outra escola. - Você quer dizer o cara que você acabou de inventar? - Eu não estou inventando-o. Seu nome era Joseph, e ele beijava muito bem. Na verdade, nós curtimos muito. Não podíamos nos cansar um do outro. - Certo... - Pare com os comentários sarcásticos. Eu não estou mentindo. - Como eu disse, prove. - Eu acabei de dizer. Eu disse que o nome dele era... - Eu disse para provar, não inventar mentiras. - Como vou provar isso então? Eu nunca esperei o que saiu de sua boca em seguida. Nunca em um milhão de anos eu imaginei que um dos caras mais populares da nossa escola desafiaria... - Você pode provar isso me deixando beijar você. CAPÍTULO 02 Christian - Você é de verdade? - Ela perguntou, completamente pega de surpresa pelo meu desafio. Eu sabia que ela estava mentindo. Eu vinha perguntando por aí sobre Kinley McKenzie desde o ensino médio, quando ela entrou na minha aula de ciências com uma mochila turquesa. Foi a primeira coisa que chamou minha atenção nela. Que garota do sexto ano não tinha uma mochila rosa ou roxa? Então, naturalmente, fui imediatamente atraído por ela, sendo que turquesa era minha cor favorita. Eu ia pedir a ela para ser minha parceira nas aulas, mas aquele filho da puta do Jax se antecipou a mim, e eles eram inseparáveis desde então. Ele ficava tanto na cola dela que fiquei surpreso que ele ainda conseguisse conquistar tantas garotas quanto fazia mensalmente. Supostamente, eles não estavam interessados um no outro. Embora eu não pudesse culpá-lo se ele estivesse a fim dela. Ela nunca havia sido tocada por ninguém, e todos os caras da nossa escola queriam tentar ficar com ela apenas para dizer que foram os primeiros. Por outro lado, fui atraído por sua capacidade de ainda sorrir, apesar de toda a merda que estava passando com sua mãe. Eu tinha ouvido o suficiente para saber que o passado dela não era nada que eu tivesse experimentado com meus dois pais amorosos, mas ainda assim fui afetado por meu melhor amigo Julian passando por tanta merda na vida. Fazendo com que nós dois crescêssemos rápido demais. A quantidade de vezes que Julian tinha aparecido na minha casa depois de ser espancado por um pai adotivo era surreal. Ver a dor em seus olhos, sabendo que ele estava tentando ser forte pelos meus pais, que tinham que vê-lo passar por tanto sofrimento porque ele era parte do sistema. Eles o amavam como um segundo filho, e meu pai, sendo advogado, teve que se envolver com os tribunais para mudá-lo constantemente de moradia. Não que isso importasse. Ele passava de uma situação de merda para a próxima. Meus pais queriam adotá-lo, mas Julian recusou, dizendo que já faziam o suficiente por ele. Minha mãe fez a única coisa que podia. Ela transformou um dos nossos quartos de hóspedes em seu quarto, apenas para que ele sentisse que tinha uma casa para onde ir quando precisasse. Eu odiava ver toda a merda que ele passava. Ele não merecia. Ele era uma boa pessoa, um grande amigo, alguém com quem eu poderia contar não importava o que acontecesse. Tínhamos sete anos quando Julian apareceu pela primeira vez em nossa casa com o nariz sangrando por causa de seu pai adotivo. A princípio, não entendi o que havia acontecido ou por que isso estava acontecendo com ele. Quando eu tinha dez anos, percebi a gravidade do que ele havia passado e comecei a ter terrores noturnos de que ele seria espancado até a morte. Eu tive que ir para a terapia. Julian não sabia disso, entretanto. Meus pais acharam que era o melhor e, por um tempo, ajudou. Meu terapeuta dizia que eu estava sofrendo de um trauma associado e que era normal ter os medos que estava enfrentando. Daquele momento em diante, fiz o possível para ajudar meu melhor amigo. Temendo que, se não o fizesse, eu o perderia. A tristeza nos olhos de Kinley refletia a de Julian, embora ela estivesse sorrindo para mim. Era como olhar nos olhos do meu melhor amigo, despertando essa necessidade dentro de mim de querer estar lá para ela de qualquer maneira que eu pudesse. Foi imediato, o desejo de querer ajudá-la. Protegê-la. No segundo em que a vi começar a caminhar para a floresta sozinha, meus pés se moveram por conta própria. Eu tinha desenvolvido um instinto de proteção para cuidar daqueles que eu amava, e havia uma atração gravitacional para proteger Kinley naquele momento. Fiquei surpreso que Jax a tivesse deixado sozinha por tempo suficiente para que ela se perdesse na floresta. Ele estava ao lado dela o tempo todo. Era realmente irritante pra caralho, e já que estávamos sozinhos pela primeira vez desde que ela entrou na minha aula d