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Filha Leiloada, Esposa Despedaçada

Filha Leiloada, Esposa Despedaçada

Autor:: Axel Bob
Gênero: Bilionários
Meu marido, o bilionário da tecnologia que eu adorava, enviou seus homens para me levar a um local secreto. Quando chegamos, encontrei nossa filha de dezesseis anos, Juliana, em um palco, sendo leiloada como uma obra de arte para uma multidão de ricaços doentes. Meu marido, Heitor, usou isso para me chantagear e me forçar a abandonar minha carreira. Mas depois da tentativa de suicídio de Juliana, ele deixou que sua amante - uma pesquisadora sem qualificação - realizasse a cirurgia, deixando nossa filha em um estado vegetativo permanente. Ele me humilhou publicamente, alegando que nosso casamento era uma mentira e que eu era uma perseguidora. Ele me forçou a ajoelhar e implorar pela vida da minha filha, apenas para deixar sua amante esmagar a minha mão de cirurgiã com um troféu. Depois que desligaram os aparelhos de Juliana, eles enganaram minha mãe e a mim para que bebêssemos suas cinzas. Eles deixaram minha mãe para morrer no pé de uma escadaria. Enquanto eu me ajoelhava sobre seu corpo quebrado, minha dor finalmente se transformou em uma determinação fria e implacável. Quando Heitor me mandou uma mensagem, exigindo minha presença em sua festa de comemoração, eu respondi com duas palavras. "Estarei lá."

Capítulo 1

Meu marido, o bilionário da tecnologia que eu adorava, enviou seus homens para me levar a um local secreto.

Quando chegamos, encontrei nossa filha de dezesseis anos, Juliana, em um palco, sendo leiloada como uma obra de arte para uma multidão de ricaços doentes.

Meu marido, Heitor, usou isso para me chantagear e me forçar a abandonar minha carreira. Mas depois da tentativa de suicídio de Juliana, ele deixou que sua amante - uma pesquisadora sem qualificação - realizasse a cirurgia, deixando nossa filha em um estado vegetativo permanente.

Ele me humilhou publicamente, alegando que nosso casamento era uma mentira e que eu era uma perseguidora.

Ele me forçou a ajoelhar e implorar pela vida da minha filha, apenas para deixar sua amante esmagar a minha mão de cirurgiã com um troféu.

Depois que desligaram os aparelhos de Juliana, eles enganaram minha mãe e a mim para que bebêssemos suas cinzas.

Eles deixaram minha mãe para morrer no pé de uma escadaria. Enquanto eu me ajoelhava sobre seu corpo quebrado, minha dor finalmente se transformou em uma determinação fria e implacável.

Quando Heitor me mandou uma mensagem, exigindo minha presença em sua festa de comemoração, eu respondi com duas palavras.

"Estarei lá."

Capítulo 1

Clara Rosa foi empurrada para o banco de trás do carro. A porta bateu com força, o som ecoando na garagem silenciosa e climatizada. Dois dos homens de seu marido entraram na frente, seus rostos eram como pedra. Eles não falaram com ela.

"Para onde estamos indo?", ela perguntou, a voz tensa.

O homem no banco do passageiro apenas a encarou pelo retrovisor. Seus olhos estavam vazios.

"Heitor não te contou?", ele perguntou, o tom indiferente.

"Não. Ele só disse para eu estar pronta."

O homem grunhiu. O carro saiu pela longa entrada da mansão e pegou a estrada escura e particular. Eles estavam se afastando das luzes da cidade, indo mais fundo na serra. Um nó de pavor se formou no estômago de Clara. Aquilo não estava certo. Nos últimos meses, nada estava certo.

Heitor Soares, seu marido há três anos, o bilionário da tecnologia que ela amou com cada pedaço de sua alma, havia se tornado um completo estranho.

Começou de forma sutil. Uma nova assistente, depois uma nova cientista pesquisadora que ele estava financiando. Karine Lima. O nome dela tinha gosto de veneno na sua boca agora.

O carro parou em frente a uma propriedade enorme e isolada, seus portões de ferro se abrindo sem um único ruído. Luzes fortes saíam de todas as janelas, mas os jardins estavam estranhamente silenciosos, o som abafado pelas paredes grossas.

Um dos homens abriu a porta para ela. "O Sr. Soares está esperando por você lá dentro."

Seus saltos estalaram no piso de mármore do grande hall de entrada. O ar estava denso com o cheiro de perfume caro e outra coisa, algo enjoativo e doentio. Então ela viu.

No centro do salão de baile principal, em uma plataforma elevada, estava sua filha, Juliana.

Ela tinha dezesseis anos. Uma artista brilhante e gentil que deveria estar na casa de uma amiga esta noite. Em vez disso, ela estava ali, vestindo apenas uma camisola branca e fina. Seu rosto estava pálido, seus olhos arregalados de terror, fixos em Clara. Seu corpo era uma tela, salpicado com listras de tinta dourada e prateada, seus membros arranjados em uma pose grotesca.

Uma multidão de pessoas ricas e elegantemente vestidas cercava a plataforma. Eles seguravam taças de champanhe e cochichavam entre si, seus rostos iluminados por uma espécie de excitação doentia. Eles não estavam olhando para uma pessoa. Estavam olhando para um objeto. Uma peça de arte.

O som de suas vozes, o tilintar suave das taças, era um rugido nos ouvidos de Clara. Era um pesadelo. Isso não podia ser real.

Um leiloeiro, engomado e sorridente, estava ao lado de Juliana. "E agora, para a nossa peça final e mais exclusiva da noite. Uma escultura viva. Uma obra de arte em sua forma mais pura. O lance inicial é de cinco milhões de reais."

Alguém na multidão riu, um som agudo e tilintante.

Clara tentou gritar, correr para sua filha, mas seu corpo estava congelado. Os homens que a trouxeram estavam de cada lado, suas mãos segurando seus braços. O toque deles era como ferro.

"Me soltem!", ela sibilou, lutando contra eles. "Juliana!"

Os olhos de sua filha se encheram de lágrimas, uma única gota traçando um caminho pela tinta metálica em sua bochecha.

Então ela o viu. Heitor. Ele estava perto da plataforma, não olhando para ela, mas para Karine Lima. A ambiciosa cientista estava agarrada ao braço dele, sussurrando algo em seu ouvido. Heitor sorriu para ela, um sorriso gentil e indulgente que Clara não via há meses. Ele deu um tapinha suave na mão de Karine, um gesto de conforto.

Foi um soco no estômago. Ele estava confortando a arquiteta desse horror enquanto a filha deles era vendida como um móvel.

Os lances começaram. Os números subiam cada vez mais, as vozes da elite um coro nauseante.

"Heitor!", Clara gritou, a voz falhando. "O que você está fazendo? Pare com isso! Essa é a nossa filha!"

Ele finalmente se virou para olhá-la. Seus olhos estavam frios, entediados. Como se ela fosse uma interrupção irritante.

"Clara, você está fazendo uma cena", disse ele, sua voz se espalhando facilmente pela sala.

Ele caminhou em sua direção, Karine ainda presa ao seu braço. Ele parou a alguns metros de distância, sua expressão indecifrável.

"A culpa é sua, sabia?", ele disse calmamente.

"Minha culpa?", ela engasgou, a incredulidade lutando com a fúria. "Como isso pode ser minha culpa?" Ela puxou a manga do vestido, revelando os hematomas escuros e feios em seu braço de quando ele a jogou contra a parede dois dias atrás. "Eu fiz isso comigo mesma também?"

O olhar de Heitor passou pelos hematomas e se desviou, seu desinteresse uma ferida nova.

"Ofereceram a você o cargo de chefe de cirurgia no Albert Einstein", ele afirmou, como se estivesse discutindo um negócio. "Karine precisa que esse cargo vá para o candidato dela. Está ligado a uma bolsa de pesquisa que ela está pleiteando. Uma bolsa muito importante."

Ele fez uma pausa, deixando as palavras assentarem. "Eu pedi para você renunciar. Você se recusou."

"Você me pediu para jogar fora toda a minha carreira!"

"E agora, você está vendo as consequências", disse ele, sua voz caindo para um tom baixo e ameaçador. "Renuncie. Agora. E eu paro o leilão."

"Por favor, Heitor", ela implorou, a luta se esvaindo dela. Ela olhou para Juliana, que tremia na plataforma. "Por favor, não faça isso com ela. Ela é só uma criança."

"Fazer o quê?", Karine interveio, sua voz escorrendo falsa preocupação. "Heitor está apenas tentando te ajudar a fazer a escolha certa, Clara. Mas a Juliana está ficando com frio. Talvez devêssemos acelerar isso."

Clara encarou a mulher, depois voltou para o homem com quem se casara. O homem que um dia jurou protegê-la e a Juliana do mundo.

"Você prometeu", ela sussurrou, as palavras presas na garganta. "Você prometeu que sempre nos protegeria."

A memória a atingiu como um golpe físico. Três anos e meio atrás. Ele era um paciente em sua emergência, um Zé Ninguém com amnésia após um acidente de carro. Ela cuidou dele, o defendeu, se apaixonou pelo homem gentil e amável sem memória de seu imenso poder e riqueza.

*Não me importo com quem você era*, ela lhe dissera. *Eu amo quem você é agora.*

Quando sua memória voltou, ele era Heitor Soares, o magnata da tecnologia. Mas ele não havia mudado. Ele a conquistou, ignorando as objeções de sua família para se casar com uma simples cirurgiã. Ele adotou Juliana, tratando-a como sua própria carne e sangue.

*Esta mão*, ele dissera uma vez, segurando a mão dela com tanto cuidado. *Esta mão salva vidas. Eu nunca vou deixar nada acontecer com ela. Eu vou proteger você e a Juliana com tudo o que eu tenho.*

As palavras eram um eco amargo no salão opulento e depravado. O homem que as disse se fora. Em seu lugar, havia um monstro.

Karine sussurrou algo para Heitor, um sorriso malicioso no rosto. Ele assentiu, seus olhos brilhando. Ele se virou para o leiloeiro.

"Vamos acabar com isso. O lance final vai para o Sr. Petrov. E como bônus", anunciou Heitor, sua voz ressoando com falsa magnanimidade, "ele e seus amigos podem ter uma sessão particular."

O sangue de Clara gelou. Ela sabia o que aquilo significava.

"Não! Heitor, não!"

Ela finalmente se libertou dos guardas, avançando em direção ao palco, mas era tarde demais.

O martelo do leiloeiro bateu. "Vendido!"

O som selou o destino delas. A multidão aplaudiu educadamente.

O mundo de Clara escureceu nas bordas. A sala girou. A única coisa em que ela conseguia se concentrar era o rosto aterrorizado de Juliana.

"Eu faço!", ela gritou, a voz rouca de desespero. "Eu renuncio! Eu desisto do cargo. Apenas cancele! Por favor!"

Heitor olhou para ela, um lampejo de algo - irritação? satisfação? - em seus olhos. Ele levantou uma mão, e o leiloeiro se calou.

Ele se aproximou dela, agarrando seu queixo e forçando-a a olhá-lo.

"Você devia ter concordado da primeira vez, Clara", ele murmurou, seu hálito frio contra a pele dela. "Teria nos poupado todo esse drama."

Ele a soltou e se virou para sair, desaparecendo na multidão com Karine. Os guardas puxaram Clara para fora do salão de baile, seus apelos engolidos pela conversa renovada da festa.

Capítulo 2

A promessa de Heitor era uma mentira.

Ele disse que Juliana estava segura, que a mandara para casa. Mas quando Clara finalmente cambaleou de volta para casa, machucada e quebrada, a mansão estava vazia. Silenciosa. Juliana não estava lá. Suas ligações iam direto para a caixa postal. O pânico, frio e agudo, arranhou sua garganta.

Horas depois, quando o sol começava a manchar o céu de um cinza doentio, a porta da frente rangeu ao se abrir.

Juliana estava ali.

Suas roupas estavam rasgadas. Seu cabelo era um emaranhado de nós. Havia hematomas em seu pescoço, seus braços, suas pernas. A tinta dourada e prateada estava manchada de sujeira, lágrimas e sangue. Seus olhos, aqueles lindos olhos artísticos, estavam ocos. Vazios. Ela olhou para Clara, mas era como se estivesse olhando através dela, para algo horrível do outro lado.

Bárbara, a mãe adotiva de Clara, que estava passando um tempo com elas, desceu correndo as escadas. Ela viu Juliana e soltou um grito estrangulado, a mão voando para o coração antes de desabar no chão em um desmaio profundo.

O mundo se dissolveu em um borrão de sirenes, corredores de hospital e o cheiro estéril de antisséptico. Bárbara foi estabilizada, um leve problema cardíaco causado pelo choque. Mas Juliana... Juliana estava em estado catatônico, recusando-se a falar, seu corpo um mapa dos horrores que ela havia suportado.

Clara sentou-se ao lado da cama de sua filha, uma tempestade de dor e fúria assolando seu interior. Ela ligou para Heitor de novo e de novo, mas ele não atendeu. Ele era um fantasma.

Na manhã seguinte, ele apareceu. Entrou no quarto particular de Juliana no hospital como se estivesse fazendo uma visita casual. Ele parecia impecável em seu terno sob medida, nem um fio de cabelo fora do lugar.

"Você chamou a polícia?", ele perguntou, a voz desprovida de emoção.

"Sim", Clara cuspiu, a voz tremendo de raiva. "Eu contei tudo a eles. O que você fez. O que Karine armou. O que aqueles homens fizeram com ela."

A expressão de Heitor não mudou. "Cancele a denúncia."

"Nunca."

"Foi apenas um mal-entendido", disse ele, acenando com a mão de forma desdenhosa. "Karine estava apenas tentando... animar as coisas. Ela não achou que iria tão longe. Os homens se empolgaram."

"Ela tem dezesseis anos, Heitor! Dezesseis! Ela é uma criança!"

"Eu te compenso", disse ele, o tom entediado. Ele pegou seu talão de cheques. "Um milhão? Cinco? Diga um preço."

O som foi ensurdecedor. Não o do talão de cheques, mas o do tapa. A mão de Clara atingiu seu rosto, a força do golpe liberando uma fração de sua agonia.

Ele nem sequer vacilou. Apenas olhou para ela, um sorriso lento e frio se espalhando por seus lábios. "Você não deveria ter feito isso, Clara."

Ele pegou o celular. Apertou o play.

E a sala se encheu com o som. O som dos gritos de Juliana. O som de homens rindo. O som de tecido rasgando.

Clara se lançou para o telefone, um grito de animal selvagem rasgando sua garganta, mas os guardas dele, que haviam se materializado silenciosamente na porta, a agarraram, segurando-a.

"Veja bem", disse Heitor, sua voz um sussurro venenoso sobre os sons da violação de sua filha. "Se você não retirar as acusações, este vídeo se torna público. Pense na reputação da Juliana. No futuro dela. Na prestigiosa escola de artes em que ela acabou de entrar. Eles não vão querer uma aluna com esse tipo de... bagagem."

Ele estava usando a dor de sua filha como uma arma contra elas. De novo.

De repente, houve um pequeno som vindo da cama. Um gemido.

A cabeça de Clara se virou bruscamente.

Juliana estava sentada. Seus olhos não estavam mais vagos. Estavam fixos no telefone na mão de Heitor, arregalados com um horror novo e mais profundo. Ela tinha ouvido tudo.

Ela olhou para Clara. Seus lábios formaram uma única palavra. "Mãe."

E então ela se moveu.

Aconteceu tão rápido. Num instante, ela estava na cama. No outro, no parapeito da janela. A janela estava aberta, uma brisa fresca da manhã entrava.

"Juliana, não!", Clara gritou, lutando contra o aperto dos guardas.

Mas era tarde demais.

Com um olhar final, desoladoramente vazio, Juliana se inclinou para trás e desapareceu de vista.

Os gritos do pátio lá embaixo foram a última coisa que Clara ouviu antes que seu mundo ficasse completamente silencioso.

Capítulo 3

Um vazio se abriu na mente de Clara. Seu coração parou. Tudo parou.

Então, um grito primal rasgou seus pulmões. Ela se debateu contra os guardas, uma criatura selvagem de pura e inalterada agonia. Ela se libertou, se arrastando, caindo, rastejando em direção à porta.

Ela correu. Pelo corredor, passando por enfermeiras e médicos atônitos, escada abaixo, suas pernas se enrolando sob ela, fazendo-a cair. Ela se levantou, seu corpo uma sinfonia de dor, e continuou correndo.

Ela irrompeu no pátio no momento em que os paramédicos estavam levantando um corpo pequeno e quebrado para uma maca.

Juliana.

A força deixou os membros de Clara. Ela desabou no pavimento frio, o mundo girando em seu eixo.

Então, ela a viu. Karine Lima. Vestida com roupas cirúrgicas, caminhando com propósito em direção à entrada da emergência para onde estavam levando Juliana.

"Não", sussurrou Clara. Uma força nova e aterrorizante surgiu através dela. Ela se levantou cambaleando e correu, agarrando o braço de Karine.

"Fique longe dela", Clara rosnou, sua voz um grunhido baixo. "Você não vai tocar na minha filha."

Karine olhou para ela, o rosto uma máscara de preocupação profissional, mas seus olhos continham uma centelha de triunfo. "Sra. Soares, eu entendo que você está chateada. Mas eu sou médica aqui. Sou a especialista de trauma de plantão. Preciso ir até a minha paciente."

"Você não é cirurgiã! É uma pesquisadora! Você não tem qualificação para isso!", Clara implorou, virando-se para Heitor, que os havia seguido. "Heitor, por favor. Não a deixe fazer isso. Chame o Dr. Evans. Ele é o melhor."

Heitor hesitou. Por uma fração de segundo, ela viu um lampejo do antigo Heitor, um fantasma do homem que as amara.

Mas então Karine se virou para ele, seus olhos se enchendo de lágrimas de crocodilo. "Heitor, querido, ela não confia em mim. Depois de tudo que você fez por mim... pela minha pesquisa... ela acha que eu faria mal à própria filha dela?"

O lampejo se foi. Seu rosto endureceu.

"Solte-a, Clara", disse ele, a voz ríspida e final. Ele empurrou Clara, a mão áspera em seu braço machucado.

Ele e Karine entraram na emergência, as portas se fechando atrás deles, deixando Clara sozinha no corredor estéril, a luz vermelha acima da porta um olho malévolo e pulsante.

Ela se lembrou de como Heitor ajudou Juliana com suas inscrições para a escola de artes, ficando acordado até tarde para revisar seu portfólio, dizendo a ela que era a artista mais talentosa que ele já conhecera. Ele estava tão orgulhoso.

Como poderia ser o mesmo homem?

A espera foi uma eternidade. Cada tique-taque do relógio era uma martelada em seu coração. Finalmente, a luz se apagou. As portas se abriram.

Karine emergiu, tirando as luvas ensanguentadas com um ar praticado de competência cansada. Heitor estava logo atrás dela.

"Ela está viva", anunciou Karine, um sorrisinho presunçoso brincando em seus lábios. "Mas os danos foram extensos. Trauma grave na coluna e na cabeça. Ela vai viver, mas... ficará em estado vegetativo permanente."

"O quê?" A palavra foi um suspiro engasgado. "Não. Isso não é possível. A queda não foi tão alta."

"Você está questionando meu diagnóstico profissional?", perguntou Karine, a voz afiada. "Você não é mais cirurgiã, Clara. Lembra? Você renunciou."

Clara a encarou, sem palavras. Ela procurou outros médicos, antigos colegas que ainda a olhavam com pena. Eles revisaram os prontuários, os exames. Todos confirmaram. A cirurgia salvara a vida de Juliana, mas houve... complicações. Danos sutis e irreversíveis. Sua filha se fora, uma casca que respirava deixada em seu lugar.

Bárbara estava acordada quando Clara voltou ao seu quarto. O rosto da mulher mais velha era uma máscara de dor.

"A culpa é minha", chorou Clara, seu corpo finalmente tremendo com soluços. "Eu deveria tê-la protegido. Eu o trouxe para nossas vidas." Ela cravou as unhas em seus próprios braços, querendo sentir dor, qualquer dor, para se distrair do abismo em sua alma.

"Não", disse Bárbara, a voz fraca, mas firme. Ela agarrou a mão de Clara, impedindo a automutilação. "A culpa não é sua. É dele."

Os olhos de Bárbara, geralmente tão calorosos, estavam duros como pedra. "Temos que ir embora, Clara. Temos que fugir dele."

"Não podemos", sussurrou Clara. "Ele vai nos encontrar. Ele controla tudo."

"Seu pai... ele era um diplomata. Ele tinha contatos", disse Bárbara, a voz baixa e urgente. "Ele sempre teve planos de contingência. Para nós. Existe uma saída. Eu prometo. Eu vou nos tirar daqui."

Uma semente minúscula e frágil de esperança criou raiz na terra árida do coração de Clara.

Enquanto ajudava Bárbara a arrumar uma pequena mala, ela ouviu duas enfermeiras cochichando no corredor.

"Você ouviu sobre a cirurgia da Cline? Aquela antes da garota Soares?"

"Aquela em que ela perfurou a artéria esplênica? Sim. O paciente quase sangrou até a morte na mesa. Disseram que ela foi imprudente. Entrou em pânico."

O mundo parou. Karine não era apenas desqualificada. Ela era incompetente. Ela era perigosa.

E Heitor a deixara operar sua filha.

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