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Filha da Lua: Entre Lobos e Alfas

Filha da Lua: Entre Lobos e Alfas

Autor:: Priscila Ozilio
Gênero: Romance
"Quer saber? Para mim, já deu. - Logan disse e sua voz estava carregada de mágoa. - Talvez nosso vínculo seja uma grande piada da Deusa." Ele se virou novamente e continuou indo embora. Meu coração martelava tão forte que parecia prestes a explodir. As palavras dele ecoavam na minha mente, deixando-me sem ar. Levei a mão ao peito e me sentei no chão, sem forças para me sustentar. Isabella sempre soube que sua vida era marcada pela perda e pelo mistério, foi criada por Apolo e Angel, que a amaram como filha. Mas no seu aniversário de 18 anos, ela descobre a verdade que mudará tudo: sua mãe é a Rainha Lycan, Ravena, e seu destino está entrelaçado com o de Alfa Logan, filho do homem que assassinou seu pai. Isabella terá que enfrentar traições, escolhas dolorosas, surgiram aliados e inimigos, enquanto uma antiga profecia a chama para um papel maior na guerra entre lobos e alfas. Entre momentos quentes, revelações e aventuras, Isabella descobrirá que a chave para tudo está no vínculo dela com Logan. Será ela capaz de salvar o futuro que está prestes a se desenrolar? O vínculo com Logan é tão forte como parece? Ou o destino, tão cruel, será mais forte que o amor?

Capítulo 1 1 – Não me Deixem Sozinha

​Isabella

Eu corria pela floresta densa, o som abafado das folhas secas esmagadas sob meus pequenos pés competia com o batimento acelerado do meu coração. A escuridão começava a engolir a luz do sol, e os troncos das árvores pareciam se fechar ao meu redor, como se a floresta estivesse me aprisionando. Cada passo que eu dava era uma tentativa desesperada de fugir da sensação de pavor crescente, mas quanto mais eu corria, mais me sentia perdida. Aos 10 anos, eu não tinha os sentidos aguçados dos lobos para me guiar. Era apenas uma criança, cercada por sombras e ameaças invisíveis.

- Papai... Tia Angel... onde vocês estão? - minha voz ecoou pela floresta, mas parecia engolida pela imensidão verde. Eu estava sozinha. Abandonada.

O sol já havia se posto completamente. Os últimos raios dourados, que antes eram lâminas suaves, agora pareciam uma lembrança cruel de que a noite estava chegando, e com ela, o perigo. A floresta que conectava as alcateias era vastamente interligada, um emaranhado de vegetação que mantinha as vidas dos lobos em segredo. Mas sem minha loba, eu não sabia como rastrear o caminho de volta.

De repente, o chão tremeu sob meus pés, e um barulho crescente surgiu por trás de mim. Olhei para trás, mas não vi nada além das árvores. A sensação de ser observada me fez acelerar o passo.

- Papai... - sussurrei, tentando controlar a voz trêmula. Mas a única resposta que ouvi foi o vento, que sussurrava como se zombasse da minha fraqueza.

Tropecei em uma raiz que me fez cair de joelhos, arranhando a pele. Uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto enquanto eu tentava me levantar, com a sensação de que a floresta estava se fechando em torno de mim.

- Por favor... não me deixem sozinha aqui - murmurei para mim mesma, minha voz quase inaudível, mas carregada de uma angústia profunda. O medo tomava conta de mim, mas algo dentro de mim ainda resistia.

Foi então que uma voz suave e firme ecoou em minha mente.

- Levante-se, Isabella. Você não está sozinha.

Assustada, olhei ao redor, mas não vi ninguém.

- Quem é você? Como pode estar na minha mente? - perguntei, a voz tremendo, o medo quase me paralisando.

- Eu sou parte de você. Sou sua loba, Ártemis. Chegou a hora de nos conhecermos.

Meu coração disparou. A sensação de uma presença incomum e imensa encheu minha mente.

- Minha... minha loba? Mas eu sou muito jovem para isso. Papai disse que isso aconteceria quando eu fosse mais velha...

- As circunstâncias nos trouxeram aqui, Isabella. Agora, ouça-me. Eu posso ajudá-la a encontrar o caminho de volta.

A floresta parecia mudar ao meu redor enquanto a presença de Ártemis se tornava mais forte. Eu sentia uma força crescente dentro de mim, algo primal e selvagem, que eu nunca havia experimentado antes. Algo que falava de coragem, de força.

- Confie em mim. Siga o aroma da água. O rio nos levará ao seu pai. - ela disse, sua voz envolvente e tranquila.

Eu enxuguei as lágrimas e assenti. Algo dentro de mim sabia que podia confiar nela.

- Tudo bem. Me mostre o caminho.

Com o auxílio de Ártemis, os sons da floresta se tornaram mais nítidos, e os aromas mais intensos. Cada ruído era uma pista, cada cheiro, uma orientação. O murmúrio distante do rio chegou aos meus ouvidos como uma melodia de esperança, e então, correndo em direção ao som, trombei em algo... ou melhor, em alguém.

O impacto me fez cair para trás. Quando levantei o olhar, vi um jovem parado diante de mim. Ele parecia ter uns 18 anos, com cabelos loiros que caíam sobre seus ombros e olhos azuis profundos como o oceano. Sua presença era imponente, mas ao mesmo tempo, ele tinha algo que me atraía de uma forma que eu não conseguia explicar.

- Quem é você? - a voz dele era grave, mas com um tom curioso. Antes que eu pudesse responder, uma outra voz chamou:

- Logan! Onde você está?

O jovem olhou para trás, distraído pelo chamado. Aproveitei o momento e corri, deixando-o para trás. Mas, enquanto fugia, aqueles olhos azuis não saíam da minha mente. Algo nele me atraiu, algo profundo e misterioso.

- Rápido, Isabella. Estamos perto. - Ártemis me guiava com precisão, e logo avistei a figura imponente de meu pai. Ele estava parado ao lado da tia Angel, os olhos ansiosos escaneando o ambiente.

- Papai! Tia Angel! - gritei, correndo para os braços deles. Meu pai me ergueu com força, e eu senti o calor e a segurança de seus braços.

- Graças à Deusa, você está bem. Achei que tinha perdido você - ele disse, a voz embargada de emoção.

Enquanto me apertava em seus braços, Ártemis falou novamente em minha mente, sua voz suave e firme:

- Isabella, prometa-me algo.

- O quê? - pensei, ainda emocionalmente abalada.

- Nunca diga a ninguém que pode falar comigo. Este será nosso segredo. Apenas nosso.

Hesitei, o peso da responsabilidade tomando conta de mim, mas acabei assentindo, sentindo uma ligação profunda com aquela voz que agora fazia parte de mim.

- Eu prometo - respondi, a voz firme em minha mente.

Enquanto meu pai me segurava, vi um brilho de alívio nos seus olhos. Ele parecia perdido em seus pensamentos, com a expressão de quem revivia o medo de me perder. Como se o tempo tivesse voltado para o dia em que meu pai Mason morreu. Ele me apertou ainda mais contra si, e ouvi suas palavras, impregnadas de uma força imensa.

- Nunca vou deixar nada acontecer com você, Isabella. Nunca.

A promessa dele, tão forte e verdadeira, fez meu coração se sentir seguro novamente. Mas algo me dizia que aquele era apenas o começo de uma jornada muito maior, onde a verdadeira força estava prestes a despertar dentro de mim.

Capítulo 2 2 – Passado

Apolo

O desespero tomou conta de mim no instante em que Tobias informou o desaparecimento de Isabella. O medo de perdê-la - a coisa mais preciosa da minha vida - era sufocante. E, acima de tudo, o peso da promessa que fiz a Max, antes de ele e Mason partirem, martelava minha consciência como um lembrete constante do que estava em jogo.

Minha mente, no entanto, não me permitia descansar. Olhava para Isabella a cada dois minutos, como se a visão dela pudesse apaziguar minha angústia. Ela estava aninhada no colo de Angel, que passava os dedos delicadamente por seus cabelos negros enquanto cantarolava uma melodia suave. Era a mesma canção que costumava embalar Isabella quando ela ainda era um bebê.

A lembrança surgiu vívida, como um reflexo impossível de ignorar.

Angel e Isabella estavam em casa havia poucos dias, e Angel dedicava suas noites inteiras à pequena, sem jamais demonstrar cansaço ou queixa. Naquela noite específica, o choro de Isabella me guiou até o quarto. Empurrei a porta com cuidado, e a cena diante de mim ficou gravada para sempre em minha memória.

Angel estava ali, radiante e serena, como uma visão celestial. Sua voz suave preenchia o ambiente enquanto ela embalava Isabella nos braços. O perfume de jasmim - tão característico dela - parecia envolver todo o quarto, criando um contraste perfeito com a noite silenciosa. Seus cabelos dourados caíam em ondas soltas, e seus olhos verdes brilhavam, mesmo sob a luz fraca.

Aquele momento me prendeu, como uma âncora lançada no fundo do meu passado. Dez anos antes, nossos caminhos haviam se cruzado pela primeira vez, e agora, todas as peças daquela história pareciam convergir para aqui e agora, como se o destino nunca tivesse me dado outra escolha.

A lembrança trouxe uma onda de emoções difíceis de ignorar. Eu não podia evitar me perguntar como tudo começou...

Dez anos atrás...

Ravena

A noite estava sem estrelas, e a escuridão nos envolvia como um manto pesado. Os passos apressados ecoavam pela floresta, abafando o choro da minha filha, Isabella, recém-nascida nos braços de Mason. O som da nossa fuga parecia uma ameaça constante. Cada passo mais perto da liberdade, e ao mesmo tempo, mais perto do perigo. Eu podia sentir a presença de meu pai, o Rei Lycan Alexander, mesmo à distância. As palavras dele ainda ressoavam na minha mente, cortantes, como lâminas afiadas:

- Se você não rejeitar esse lobo e der um fim a essa criança, eu mesmo o farei!

Mesmo com Mason ao meu lado, tentando me acalmar com palavras doces, o medo era incontrolável. A dor do parto ainda me consumia, mas era a dor da perda, a angústia de estar fugindo, que realmente me destruía. A cada segundo, me perguntava se tomaríamos a decisão certa.

Dandara, minha amiga de infância e fiel companheira, nos seguia de perto. Ela não precisava falar, sua presença já dizia tudo. Sabíamos que a qualquer momento seríamos alcançados.

- Eles estão chegando, Rav - Dandara falou, o tom grave de sua voz era um alerta. - Precisamos partir agora, antes que eles nos encontrem.

Eu a olhei, e com um simples pensamento, nos conectamos. Ela sabia o que fazer.

- Dan, faça o que for necessário. Vamos cumprir nosso destino.

Ela assentiu, mas havia algo em seu olhar que me dizia que não seria fácil.

- Se não for por mim, que seja por Isabella. Você não pode voltar.

Não havia tempo para mais palavras. Os uivos se aproximavam, cortando a noite como um presságio de que a perseguição estava perto demais.

- Vamos agora - Mason falou com firmeza, pegando minha mão com força. Eu sabia que ele nunca aceitaria me deixar para trás, não importava o que estivesse em jogo. Eu não podia contar a ele sobre meu plano, sobre o sacrifício que eu estava disposta a fazer para salvar nossa filha.

- Não, Mason. Acredite em mim, você e Dandara vão à frente. Eu preciso de um momento para me recuperar.

- "NÃO!" Ele rosnou, o som grave de sua voz ecoando no silêncio da noite. - Você acha que eu não sei o que você está tramando? Vamos sair todos agora, ou enfrentamos seu pai juntos!

Os olhos dele estavam tão determinados que não me restou escolha. O plano que eu havia criado para salvar Isabella estava prestes a ser abandonado, mas eu não tinha mais forças para lutar contra a decisão de Mason. A dor que sentia era mais do que física, era a dor de ver o amor da minha vida disposto a arriscar tudo para me proteger.

Com o coração apertado, me levantei, e com a ajuda de Dandara, deixamos o abrigo seguro do nosso lar para seguir em direção ao desconhecido.

Mason

Eu mal podia acreditar no que estava acontecendo. Ravena, minha companheira, minha alma gêmea, achava que eu a deixaria para trás. Ela não sabia o quanto eu estava disposto a fazer para protegê-la, para proteger nossa filha.

- Por favor, Ravena, fale comigo - eu a implorei, o desespero tomando conta de mim. Mas ela parecia distante, como se estivesse presa em um turbilhão de pensamentos.

- Nós apagamos nossos rastros, ocultamos nossos cheiros - disse Dandara, tentando acalmar o ambiente - Agora, temos algumas horas para descansar aqui, na gruta. Estaremos a salvo por enquanto. Precisamos ir amanhã cedo.

Mas não importava onde estivéssemos, eu só queria estar com Ravena. Olhei para ela, seus olhos cheios de dor e medo, e sabia que ela não tinha noção do quanto eu a amava. Como ela poderia pensar que eu a abandonaria?

- Eu não posso perder você, Ravena - disse, com a voz embargada. - Se for para enfrentar seu pai, que seja junto. Eu lutarei ao seu lado.

Ela me olhou, o medo agora misturado com algo mais - uma entrega silenciosa.

- Você precisa entender, Mason. Eu não tenho escolha. Se meu pai nos encontrar... - Ela parou, a dor tomando conta de sua voz. - Eu não posso permitir que ele toque em você ou em Isabella. Prefiro sofrer nas mãos dele.

Não consegui mais falar. Não havia palavras suficientes para expressar o que sentia. Eu a beijei, com toda a força do meu amor, e ela me beijou de volta, com a mesma intensidade. Mas algo estava errado. A sensação em meu corpo começou a desaparecer, e antes que eu soubesse, tudo ao meu redor se desfez em escuridão.

Capítulo 3 3 – O Peso da Decisão

Ravena

- Rav, você tem certeza disso? Quando Mason acordar, ele vai voltar como um louco atrás de você. - Dandara estava certa. Ele nunca aceitaria minha decisão, mas nesse momento, eu precisava pensar com a razão. Deixar as emoções tomarem conta de mim só iria piorar as coisas.

- Sei exatamente o que estou fazendo, Dan. Agradeço muito a sua preocupação, mas tomei a decisão de que não quero você comigo. Eu ordeno que vá com eles. Meu pai pode se voltar contra você, e não sei se consigo te proteger. - Eu estava sendo sincera. Nem sabia se conseguiria me livrar de toda a ira dele.

- Como se eu fosse começar a te obedecer agora, hein? "Hoje e para sempre", lembra? - Ela tinha um ponto. Dandara nunca me obedecia quando achava que minha decisão só iria me trazer dor e sofrimento. Quando nossas mães morreram em um ataque dos rogues, foi ela quem me protegeu. Mesmo tendo a mesma idade, ela sempre foi mais alta e mais forte. Naquele dia, prometemos uma à outra que estaríamos juntas. "Hoje e para sempre," eu disse com pesar, pois sabia que ela nunca quebraria essa promessa.

- Senhora, o barco está pronto. O ideal seria partir agora mesmo. Os lobos de seu pai já devem estar se aproximando. - O barqueiro que Dandara contratou disse com urgência. Ele já era um lobo velho e não poderia fazer muita coisa em uma luta contra lobos guerreiros, mas tinha algo nele, eu não sabia explicar, ele me era familiar, mas não tinha tempo para isso.

- Te agradeço, mas eu não irei viajar. Por favor, ajude-nos a acomodar meu companheiro e minha filha. Eles viajarão sem mim. - O homem me olhou sem entender, mas me ajudou sem questionar.

Assim que acomodei Mason, peguei minha pequena no colo. Ela era linda, com um cheirinho doce de morangos e melancias. Em meio a todo aquele caos, essa foi a primeira vez que a pegava depois do nascimento. Não consegui conter as lágrimas e, finalmente, não pude mais segurar minha loba. Ela uivava em minha mente. Ela também não queria se afastar de nosso filhote.

- Me perdoe, minha pequena Bella. Papai vai cuidar de você até o dia em que a mamãe conseguir ir te buscar. Esse colar era de sua vovó Melaine. Quero que fique com ele, ok? - Aconcheguei minha pequena em meus braços. Precisava sentir seu cheiro e deixar o meu nela.

- Rav, você precisa se despedir ou entrar de vez nesse barco! - As palavras de Dandara me tiraram daquele momento com minha filha.

- Estou terminando. Quero só mais uns minutos com eles.

Me deitei ao lado de Mason e da bebê. Olhei para seus olhos fechados, tão serenos, e coloquei meu rosto na curva de seu pescoço. Ouvi-o sussurrar:

- Meu amor.

Eu sorri, pois adorava a forma como ele me chamava. Então respondi:

- Te amo, meu amor! Agora durma. - Por um momento, desejei que ele acordasse e me impedisse de partir, mas, no fundo, eu sabia que deixá-lo ir era o melhor.

Me levantei aos prantos. Minha loba estava aos pedaços. Foi nesse momento que senti uma aura opressora e soube que meu pai estava chegando.

- Rápido, o senhor precisa partir agora! Leve-os em segurança para o outro lado. Aqui está o pagamento do senhor. Salve minha filha e meu companheiro pela Deusa. - Eu não sei o que ele viu nos meus olhos, mas sei o que vi nos dele, e era culpa, ou talvez fosse outra coisa. Quem era esse homem? Um sentimento estranho me tomou, mas optei por deixar para lá, senti que o velho faria exatamente o que eu pedi.

Fiquei parada, olhando-os partir. Quando não vi mais o barco, senti meu pai se aproximando.

- Espero que tenha feito exatamente como combinamos, ou eles dois sofrerão as consequências. - Olhei para meu pai.

- Os mandei para longe do Reino, e aceitei ser conhecer o filho de seu Duque. Ninguém nunca saberá deles, e o senhor nunca irá machucá-los. - Olhei para Dandara, que não estava entendendo nada, e dei um pequeno sorriso para tranquilizá-la.

- Eu prometo que nunca irei atrás deles, desde que você cumpra seu papel com o reino. Ravena, eu não sou um lobo ruim. Estou fazendo tudo isso pelo bem do nosso Reino. - Com um olhar de fúria, eu disse a ele:

- E o que você fará para o meu bem, Pai?

Ele não me respondeu.

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