P.D.V. (Ponto de Vista) de Ravena Lelis Ravem.
Olhava encantada para o reino dos Ravem. Como tudo estava mudado. Fazia pouco mais de duas semanas que fui trazida para a fortaleza da minha mãe. Ah, como é difícil acreditar que finalmente estou em casa depois de uma experiência tão sombria e aterradora.
Tento lembrar constantemente, o que exatamente, aconteceu comigo, durante aquele longo período em que minha mente e corpo estiveram sob o controle ferrenho de uma bruxa maligna.
Mas, só sentia o vazio...Feiticeira Desgraçada!
Fui aprisionada em suas garras cruéis, incapaz de lutar contra suas artimanhas nefastas e atrozes. Lembro-me perfeitamente, do momento em que acordei, totalmente desorientada, em um quarto desconhecido.
Minhas memórias estavam embaçadas, distorcidas pela manipulação sinistra da bruxa Neverha e seus compassas. Tudo ao meu redor parecia surreal, como se eu estivesse presa em um pesadelo do qual não poderia acordar, sem sofrer as consequências.
Tinha a nítida impressão, que ouvia vozes sussurrando em minha mente, me contando histórias terríveis, do que aconteceu comigo no passado. Mas, acreditava ser lembranças destorcidas...ou seria sonhos?
Vinte anos apagados, como se minha vida não me pertencesse mais.
Pensar nisso, fazia meu coração acelerar...
As lembranças que tentavam retornar eram dolorosas e fragmentadas. Quem eu era antes de cair nas garras daquela bruxa? O que aconteceu durante todo esse tempo perdido? Perguntas sem respostas atormentavam minha alma.
Mas agora, aqui estou eu, no reino dos Ravem, meu verdadeiro lar.
O lugar onde pertenço e sou amada por minha mãe e meu povo. A paisagem ao meu redor é deslumbrante, como um conto de fadas ganhando vida. As cores são mais vivas, as árvores dançam suavemente com a brisa e os pássaros entoam uma sinfonia de alegria.
Tudo é novo e emocionante, mas também assustador. Sinto-me como uma estranha em meu próprio lar, na verdade, no meu próprio corpo. Tentando juntar os fragmentos do meu passado e encontrar meu lugar neste presente transformado.
Mas, apesar dos desafios que enfrento, a esperança brilha em meu coração. Tenho uma nova chance de viver, de abraçar quem sou e de reencontrar aqueles que amo...e descobrir o que deixei para traz.
A jornada pode ser árdua, mas estou disposta a enfrentá-la com coragem. Enquanto olho para o reino dos Ravem, sinto uma emoção indescritível. Agradeço por estar viva, por ter escapado das garras da escuridão e por ter a oportunidade de recomeçar.
Sei que haverá dias difíceis pela frente, mas também sei que, com coragem e determinação, encontrarei a minha paz e a minha verdadeira identidade novamente.
A minha história não será mais um relato de terror, mas uma jornada de superação e redenção.
Escutei passos ecoando pelo corredor, e instantaneamente, meu coração acelerou. Essa reação automática já demonstrava o quanto aquela situação me deixava alerta e apreensiva.
Sinto-me estranha, como se estivesse fora do meu próprio corpo, medrosa, fraca e indecisa diante das lembranças desconhecidas, mas que o meu corpo, parece lembrar, e ainda me assombram.
Droga! Eu nunca fui assim...
Quando me encontro sozinha, como agora, busco desesperadamente me acalmar, mas a sensação de vulnerabilidade persiste.
O sequestro e o cárcere forçado que vivenciei, deixaram marcas profundas, resquícios de um trauma que ainda não consegui superar completamente. Mesmo sem lembrar de detalhes específicos, não paro de sentir um peso, e uma angustia insistentes em meu coração, sempre que cogito, essa situação.
Ao me virar, deparei-me com Emil, meu primo. Seu semblante sisudo e sério sempre me intimidou, mesmo desde a infância. Depois associei a sua personalidade, mas ultimamente, eu não sabia explicar, seu semblante me deixava...apreensiva.
- Ravena...finalmente te achei. Olhe o que trouxe para você. - Ele carregava um buquê de rosas vermelhas, tão intensas quanto seus sentimentos, que, ao menos para ele, eram repletos de amor. Mas eu... Eu me afasto, afinal, nunca compartilhei desses mesmos sentimentos.
- Que lindo...magnifico buquê. Obrigada por sua constante gentileza Emil. - Mesmo dizendo essas palavras, não faço menção, de pegar as rosas.
Lembro-me que éramos noivos, uma promessa que ficou interrompida antes de se concretizar. A verdade veio à tona através de minha irmã Irina, revelando que eu abandonei o clã por uma paixão proibida: um lobisomem.
Parece surreal pensar que renunciei à minha posição como herdeira direta da "Grande Bruxa Mãe" Ravem, por causa desse amor inusitado. E agora, me questiono. O que foi essa paixão avassaladora que me fez abandonar minha família, meu povo e minha herança? Parece inacreditável e assustador...será que realmente eu me apaixonei?
Será que eu estava tão louca de paixão, assim, por esse lobisomem? Enquanto estou refletindo, Emil faz um movimento de aproximação.
Ele, vêm tentando se aproximar novamente, buscando uma nova chance, mas suas ações me deixam desconfortável, como se algo estivesse errado.
E eu venho evitando, sem que ninguém perceba, os locais, que ele se encontra.
Emil me olhou fixamente, e me questionou.
- É impressão minha, ou você está buscando me evitar? Sei que você está tentando reconstruir suas lembranças, eu só quero te ajudar nisso.
Eu me senti tensa quando Emil me olhou fixamente e fez aquela pergunta desconfortável.
Sua presença próxima me deixou inquieta, eu preferiria manter uma distância segura. Eu sabia que estava lutando para reconstruir minhas lembranças, mas não precisava de ninguém pressionando ou me forçando a nada.
- Emil, por favor, afaste-se um pouco. Eu não me sinto confortável com toques inesperados ou a proximidade excessivas. - Pedi, tentando manter a calma e a serenidade, apesar do aperto incômodo em meus braços. Tudo o que eu queria era espaço para lidar com minhas memórias do clã, no meu próprio ritmo, sem interferências.
Enquanto Emil continuava a insistir em sua aproximação, ouvimos um rosnado ameaçador vindo da porta. Esse som inesperado nos fez parar e olhar na direção do ruído.
Foi um momento tenso, e eu me perguntei o que poderia rosnar daquela forma. Não tínhamos animais na fortaleza. Por um instante, o foco do momento, se desviou do desconforto com Emil, para enfrentar uma possível ameaça externa que nos espreitava.
Mas, para minha surpresa, e tenho certeza de que Emil também se sentia assim, na porta estava um homem que nos olhava com intensos olhos, totalmente enegrecidos, com uma camiseta branca, destacando seus músculos bem definidos, uma jaqueta jeans surrada, e uma calça jeans preta desbotada, além de coturnos pretos.
Raphael Stone...
Ele nos encarava com um ar de poucos amigos! E com voz possante e máscula, falou.
- Quem te deu permissão para tocar na minha mulher, espiga de milho? E claramente, ela não quer ser tocada. Contarei até cinco para você se afastar dela... Se não, arrancarei sua cabeça, desse seu corpo mirrado. - O tom de sua voz, denotava que ele estava tomado por um sentimento de posse gigantesco e de proteção. Ele não aceitaria que a sua mulher, fosse ameaçada por nada.
Seria o homem, ou o lobo, falando neste momento?
Confesso que aquelas palavras me deixaram ansiosa e até um pouco assustada. Ele era sempre violento assim?
Eu nunca tinha visto alguém tão dominante e ameaçador como Raphael, ou pelo menos, não lembrava, de ter visto. Suas palavras ecoavam em minha mente, e era como se o seu próprio lobo se agitasse.
E eu não sei por que, meu coração se agitou também...seria medo, ou algo mais?
Emil tentou acalmar a situação, levantando as mãos em sinal de rendição, e disse.
- Não houve nada disso...lobo. Foi apenas um mal-entendido dessa sua mente bestial. Eu jamais obrigaria Ravena a fazer algo que ela não queira. E o que você faz aqui?
A expressão de Raphael não se alterou, mas ele pareceu refletir por um breve momento.
Eu podia perceber que ele era alguém com um temperamento explosivo, e qualquer palavra errada poderia desencadear um desastre.
Será que todo lobisomem era assim?
- Não é obvio? Vim cuidar de quem me é precioso...- E me olhando fixamente, ele concluiu.
- Ela... é tudo para mim! E não permitirei que ninguém a ameace, ou que ela, corra perigo algum novamente... - Ele disse firmemente.
Ao ouvir aquelas palavras, meu coração pareceu ter uma reação incontrolável.
Um sobre salto de novo, e minha alma se agitava.
Não conseguia entender o motivo pelo qual meus batimentos estavam tão agitados naquele momento. Era como se suas palavras tivessem o poder de mexer com as fibras mais profundas do meu ser. Ou talvez fosse algo mais profundo, algo que eu ainda não tinha compreendido totalmente sobre mim mesma...
O olhando com intensidade, mentalmente, tomei uma resolução.
Por mais assustador que fosse, estava determinada a desvendar o que estava acontecendo comigo e com os meus sentimentos. E com certeza era algo relacionado com aquele lobo..., mas tinha que ir com cuidado, ter cautela.
E, mesmo que levasse algum tempo, eu estava disposta a mergulhar fundo nesse mistério emocional, para descobrir a verdade sobre meus próprios sentimentos.
Com certeza, por cima de qualquer obstáculo, eu iria descobrir!
Oi pessoal!
Agradeço por acompanhar este capítulo!
Se você gostou da jornada até aqui, temos ainda mais surpresas emocionantes pela frente.
Partilhe este livro com seus amigos e colegas, e juntos, vamos explorar novos horizontes. Sua presença e apoio são essenciais!
Curta, compartilhe e embarque comigo nesse incrível romance.
Até o próximo capítulo!
S.S. Chaves
P.D.V. de Raphael Stone.
Ao cruzar o portal mágico, cuja passagem foi aberta por Adama, minha bruxa conselheira, um arrepio percorreu meu corpo, uma sensação de reconhecimento, quase como se uma parte da minha alma voltasse ao lar. Com certeza, aquela sensação era devida a minha ligação de almas com Ravena.
O vale escondido do clã Ravem se estendia à minha frente, um lugar onde o impossível se tornava cotidiano, onde a beleza desafiava a realidade. Meu coração pulsava com ansiedade e expectativa. Quantos anos ansiei pelo reencontro com minha esposa? Eu estava tão inquieto...ansioso!
Meu coração estava em uma montanha-russa de emoções quando Luckyan, meu genro, contou-me, com a ajuda de Adama, que após a vitória na batalha de Lyanna e Neverha, a minha esposa, a muito desaparecida, minha amada Ravena, tinha sido encontrada, e resgatada!
Deusa! Eu queria gritar! Meu lobo ansiava de ir imediatamente ao seu encontro.
Parecia um sonho, e eu me vi flutuando acima do meu corpo, quase incapaz de acreditar no que ouvia.
Ravena tinha voltado para mim! Ela tinha voltado...
Mas a alegria inicial foi afogada em uma piscina de desespero e tristeza ao saber que Ravena, havia perdido suas memórias.
Aquela feiticeira malévola e seus asseclas tinham usado seus encantos e fórmulas, deixando-a vazia, uma concha do que ela era, sem memória da vida que tínhamos juntos.
Eu tinha que deixá-la ir para o Reino dos Ravem, na esperança de que ali ela pudesse recuperar suas memórias, suas lembranças de nós dois, da nossa família...
Foi a decisão mais difícil da minha vida, mas se havia a menor chance de ela se lembrar de mim, de nós, eu tinha que dar essa chance a ela.
Mas a distância, a ausência, estava me consumindo. Cada segundo longe dela era uma agonia, um tormento que eu não conseguia suportar.
Por isso, estou aqui...
Cheguei ao Reino dos Ravem, para fazer o que for preciso para trazer as memórias de Ravena de volta. Vou mostrar a ela o significado que temos um para o outro, a importância da vida que compartilhamos. Eu não me importo com o quanto vai ser difícil ou o quanto vai doer. Eu a amo!
E vou lutar, mesmo que a luta seja contra a própria mente dela. Vou trazer minha amada de volta para mim, não importa o que aconteça. Vou mostrar a ela a vida que tivemos, a vida que ainda podemos ter.
Eu sentia o espírito do lobo dentro de mim, Rígil, inquieto, tão ansioso quanto eu. Ele uivava em minha mente, pedia para correr, para abraçar Ravena, nossa alma gêmea, o mais rápido possível. Ele sentia sua presença como eu sentia, a familiaridade, a conexão que atravessava espaço e tempo, a necessidade de protegê-la, de lembrá-la de nosso amor esquecido.
Vinte e um longos e duros anos, se passaram desde que Neverha, aquela maldita, a aprisionou. As memórias do dia em que os lacaios de Neverha levaram Ravena, ainda me causavam um frio no estômago, a impotência daquele momento, a dor da perda...sua ausência.
Ah, mas a vingança por fim, veio pelas mãos da nossa filha!
Então, com a determinação alimentando cada passo, comecei a caminhar pelo vale.
Ravena, minha querida, eu estava a caminho. Eu não iria descansar até que ela estivesse segura em meus braços novamente, até que ela se lembrasse do amor e paixão que compartilhamos, do lobo que ansiava por sua companhia...
Tantas saudades minha bela Luna...
Pensando desta forma, me dirigi ao castelo. Uma imponente construção de pedra cinza, erguida em meio a vasta floresta de ébano. As torres, altas e majestosas, perfuravam o céu cinzento com uma autoridade severa. Caminhei pela ponte levadiça, as portas enormes de madeira e ferro abertas em minha honra.
Fui recebido por guardas, seus rostos fechados e observadores, mas que estavam cientes da minha vinda. Eles eram homens robustos e pareciam prontos para a batalha a qualquer momento, suas armaduras magicas reluzindo sob a luz difusa do dia. Fizeram-me uma reverência cortês, e indicaram para que eu seguisse adiante.
O pátio do castelo estava silencioso, salvo pelos passos dos servos que corriam com suas tarefas. Logo, Irina, minha cunhada e irmã mais nova de Ravena, veio até onde eu estava. Ela surgiu das sombras do hall do castelo, vestida com uma túnica azul escura que fazia contraste com sua pele pálida e cabelos acobreados. Seus olhos verdes oliva, transmitiam segurança e compreensão, me examinando com curiosidade e, surpreendentemente, sem o desdém usual.
Nossa relação nunca foi muito próxima. Ela sempre foi a irmã protegida, criada na sombra de Ravena, alimentada com as histórias de sua irmã mais velha.
Contudo, depois de um período que ela passou em minha alcateia, algo em nossa relação mudou. Ela já não me olhava com suspeitas, mas com um tipo estranho de respeito. Ela se aproximou de mim, e eu pude ver que ela estava mais confiante. Em suas feições não havia mais a menina assustada, mas uma mulher que tinha aprendido a confiar em si mesma. E, aparentemente, a confiar também em minhas decisões e escolhas em relação a Ravena.
Nossos olhos se encontraram, e, em silêncio, Irina indicou o caminho para o salão principal. Respirei fundo, e passei a mãos entre os fios da minha cabelereira castanha, pensando no que me aguardava.
No corredor daquele lugar, onde buscávamos respostas para auxiliar a recuperação da dolorosa ausência das memórias de Ravena, começamos um diálogo.
- Como vai, Raphael? E todos da alcateia? - perguntou Irina com voz suave e compreensiva. Não era de surpreender que ela soubesse sobre minha ansiedade crescente pela distância de minha companheira, afinal, era difícil esconder meus sentimentos.
- Acredito que você saiba, Irina... estou extremamente ansioso com a falta de memórias em Ravena. É por isso que estou aqui, disposto a fazer tudo o que estiver ao meu alcance para auxiliar no retorno de suas lembranças, e deixei a alcateia sobre o olhar cuidadoso de Jerome e Anne - confessei sinceramente.
Irina fitou-me por um momento, seus olhos penetrantes pareciam vasculhar minha alma em busca de algo.
Ela tinha se tornado alguém que parecia conhecer a natureza mais íntima de cada ser ao seu redor. Finalmente, quebrou o silêncio, pronunciando palavras carregadas de cautela.
- Eu entendo sua ansiedade, Raphael, mas por favor, não a pressione. Ravena ainda está muito frágil emocionalmente - alertou Irina, preocupada com o bem-estar de sua irmã.
Essas palavras ressoaram em minha mente, fazendo-me perceber que, por mais que desejasse o retorno das memórias de Ravena, deveria respeitar o seu tempo e espaço. A pressa poderia causar danos irreparáveis em sua já fragilizada condição emocional.
Agradeci a Irina por sua compreensão e prometi agir com maior sensibilidade e paciência.
Era um desafio, pois a inquietação em meu coração era intensa, mas a muito, já tinha compreendido que o amor também significava apoiar e respeitar os limites do outro. Enquanto seguíamos pelo corredor sombrio, decidi que estaria ao lado de Ravena, como uma bússola que a guia através das sombras de sua própria mente.
E, com o auxílio de Irina, esperava que juntos pudéssemos ajudá-la a reconstruir o que quer que estivesse perdido em suas lembranças, permitindo que a luz da sua verdadeira identidade brilhasse novamente.
Ao final do longo e opulento corredor, estavam postados dois guardas imponentes. Suas armaduras cintilantes e escudos de aço imaculado refletiam a luminosidade das tochas que ardiam nas paredes, criando um espetáculo de sombras dançantes ao redor. Eles protegiam a única entrada para o grandioso salão onde a rainha Huína recebia seus súditos e convidados.
Engoli seco, tentando dissipar a ansiedade que se acumulavam em minha garganta. Mas eu mantinha minha decisão, eu tinha vindo para apoiá-la e protegê-la.
Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, me encontrei diante dos enormes portões do salão. Os guardas me lançaram olhares de canto de olho, desconfiados, mas deram um passo para o lado, permitindo-me passar. Assim que entrei, meus olhos foram imediatamente atraídos para a figura da rainha Huína, sentada em seu trono de ouro e cristais mágicos. Sua majestade era forte, isso era inegável, mas seu olhar era frio e distante, e eu podia ver que ela mantinha reservas a minha presença.
Afinal, eu falhei com ela. Eu não consegui proteger o tesouro que ela confiou a mim no dia em que me uni a Ravena, sua preciosa primogênita. O peso daquela culpa se enroscava em meu peito como uma serpente, sufocando-me, e o silêncio do salão parecia amplificar cada batimento do meu coração atormentado.
Mas eu estava ali, diante da rainha, pronto para enfrentar o julgamento que ela certamente me imporia. Eu sabia que não podia mudar o passado, mas estava determinado a reparar o que tinha sido perdido, a qualquer custo.
A atmosfera era densa. Olhando para a mulher diante de mim, sua aura forte e implacável emanava como um escudo invisível.
Ela me olhava com olhos cheios de determinação. O seu cabelo cinza com fios avermelhados, caíam em mechas delicadas sobre os ombros, e mostrava a sabedoria dos anos, e a graciosidade que ela carregava consigo.
Ela se sentava como uma verdadeira rainha, esperando que eu desse o primeiro passo.
- Raphael Stone...a muito ansiava pelo nosso encontro. - Ela começou, suas palavras pairando no ar como se tivessem vida própria - Confesso que antes não tinha intenção de recebê-lo. Mas as coisas mudaram.
Ela continuou, cada palavra pronunciada com precisão e cautela. A forma como ela pronunciava meu nome, trazia consigo uma certa ironia, como se ela soubesse mais sobre mim do que eu mesmo.
- A minha amada neta Lyanna, intercedeu por você. E ao presenciar a mulher extraordinária que você criou e educou, mesmo longe de nós, me fez concordar com sua vinda. - Ela explicou, seus olhos suavizando levemente ao mencionar Lyanna. - Raphael, antes de iniciarmos essa conversa, preciso pedir algo a ti. É de suma importância que você me prometa, verdadeiramente, que não vai sobrecarregar Ravena com sua presença. Entendo que possa ter sentimentos ou intenções, mas é crucial que você respeite o espaço dela. Não a force a aceitá-lo, tampouco seus avanços. Cada um tem seu tempo e suas razões, e é fundamental que sejam respeitados. Lembre-se de que a melhor forma de construir qualquer relação é através da confiança e do respeito mútuo.
Senti uma onda de alívio, e pesar, ao ouvir aquelas palavras. Lyanna, a minha filha com Ravena, era o meu maior orgulho, e uma das razões pela qual eu estava ali. Para devolver a ela a sua mãe, já que eu não fui o único a sofrer com o sequestro de Ravena, por todos aqueles anos.
Mas, quando o pedido da Rainha, continuou e alcançou meus ouvidos, meu coração reagiu instantaneamente, como se uma agulha afiada tivesse penetrado fundo em meu peito.
A simples ideia de minha amada estar em um estado de fragilidade tão grande, ao ponto da rainha me pedi isso, me atingiu como um soco no estômago, uma sensação de impotência que fez meu próprio ser estremecer.
Cada palavra proferida pela Rainha parecia carregar consigo um peso que se refletia em meus pensamentos tumultuados.
Imaginar a figura radiante e forte que sempre conheci, agora reduzida à vulnerabilidade, era como contemplar a queda de uma estrela brilhante do céu noturno. O turbilhão de emoções que me invadiu era difícil de expressar com meras palavras; era uma mistura complexa de tristeza, preocupação e uma vontade feroz de protegê-la de todo mal.
Olhando diretamente nos olhos da rainha, falei com segurança.
- Minhas intenções são genuínas e verdadeiras. Eu vou me manter longe, e respeitar o seu espaço, o máximo que puder, mas sempre protegendo-a, mas, caso ela deseje se aproximar, eu não conseguirei afastá-la...estou a muitos anos esperando o seu retorno...que isso fique claro, rainha Huína.
Ela me olhou fixamente, depois de um tempo, sinalizou com a cabeça.
Ela me entendia...
Olhando ao redor do salão não vi a minha amada, imediatamente senti sua ausência. Cada segundo que passava sem encontrá-la parecia uma eternidade, e meu coração batia descompassadamente no peito.
- Rainha Huína, onde está Ravena?...Por que ela não se encontra no salão?
Meus olhos encontraram os da rainha, seu olhar era como um espelho do meu próprio desconforto.
- Ravena tem o hábito de acordar cedo agora... - a rainha continuou, os olhos baixos, como se tentasse encontrar as palavras certas para dar sentido ao inexplicável. - Parece que o "dormir" a assusta... Devido ao tempo que ela ficou encarcerada no sono magico que Neverha a induziu.
O nome de Neverha causou um arrepio involuntário em minha pele. Aquela desgraçada! Ela tinha roubado vinte um anos, de convivência com a minha companheira, e por pouco, ela não tomou a vida da nossa filha.
- Neste momento, acredito que ela esteja perambulando pelo castelo, ou pelos arredores. - A rainha concluiu, olhando para mim como se esperasse minha reação.
Eu apenas assenti, tentando absorver todas as implicações.
- Se a senhora me permitir, desejo ir ao seu encontro o quanto antes. Eu e o meu lobo, já esperamos tempo demais, para senti sua presença. Mas dou minha palavra, que saberei respeitar, seus espaços e tempo...
A rainha Huína assentiu com a cabeça, liberando-me da formalidade tensa do salão real. Com um respeitoso inclinar de cabeça, afastei-me do trono e das figuras que o rodeavam.
À medida que a porta pesada se fechava atrás de mim, senti o peso da coroa diminuir em meus ombros, dando lugar a algo mais primal, mais verdadeiro para minha natureza.
Respirei fundo, enchendo meus pulmões com o ar fresco e limpo do corredor. O aroma de cera de abelha e incenso ficava mais fraco a cada passo que dava, substituído por outros cheiros que me chamavam. Eu estava em busca de "um" em particular, um cheiro que ocupava o fundo de minha mente e preenchia meu coração. Era um aroma delicado e feroz, doce e selvagem. O cheiro da minha companheira!
Quando o aroma inundou minhas narinas, senti uma excitação profunda correr por minhas veias, e meu lobo interior respondeu com um impulso ardente. Com o coração pulsando em meus ouvidos, comecei a correr pelo corredor, seguindo o rastro do cheiro que amava.
Era uma corrida descontrolada, nascida do desespero e da necessidade, precisava vê-la. O corredor se tornou uma mancha indistinta de cores e formas, apenas o aroma que perseguia permanecia real e constante.
Corri, não porque me ordenaram, não por dever ou honra, mas por amor. Um amor que queimava em meu peito, direcionando cada passo apressado, cada respiração ofegante. E eu sabia, de alguma forma sabia, que no fim desta corrida descontrolada, encontraria a única coisa que realmente importava neste mundo: minha companheira.
De repente, ecoa por entre as paredes de pedra fria da velha fortaleza Ravem ao longe a voz inconfundível de Emil, o primo de Ravena e de Irina.
Emil. Como poderia esquecer? Aquele que, em tempos passados, tinha sido o prometido de minha amada Ravena. Uma união determinada pelas velhas tradições do clã Ravem, mas sem um fio de amor verdadeiro.
Porém, o coração de Ravena nunca pulsou de verdade por Emil. O que ela sentia por ele era um carinho fraternal, uma ligação nascida de uma infância compartilhada, mas nada além disso. Nenhum sopro de paixão. Mas Emil... Oh, Emil nunca compartilhou da mesma perspectiva. Ele a desejava, aspirava por esse casamento mais do que qualquer outra coisa.
Mas o destino foi inevitável, a vida nos fez cruzar os olhares. Uma chama de paixão e desejo se acendeu, e nesse instante, soube que Ravena era a única mulher que eu poderia amar. A minha companheira destinada!
O ciúme de Emil, entretanto, floresceu feroz e selvagem como uma tempestade de verão. Ele tentou de tudo para nos separar, implorando até mesmo a intervenção do clã. E cada vez que o clã tentava nos separar, ela lutava. Lutava com a força de uma leoa, com a determinação de uma guerreira.
Ravena nunca foi uma mulher de se acovardar diante de desafios. Ela era tempestade e calmaria, fogo e gelo, a rocha inabalável contra a qual o mundo poderia bater, mas jamais quebrar.
Desse amor, desse desafio, nasceu nossa preciosa Lyanna. Uma flor ardente, nascida de duas almas que se amavam, além das expectativas e das adversidades.
Ao escutar a voz estridente de Emil, minha atenção foi roubada, não pelo som, mas pelo aroma pungente que permeava o ar - o cheiro inconfundível de medo.
Meus olhos correram imediatamente para a pessoa que estava com ele: a minha companheira.
Ravena estava imóvel, seus ombros tensos como se carregassem o peso do mundo, seus olhos, geralmente brilhantes, agora nublados e desprovidos de luz. Ela não se sentia confortável com ele.
Eu podia dizer isso pelo modo como o seu corpo se encolhia, como se quisesse desaparecer no nada, o modo como sua respiração parecia vacilante, hesitante. Não era difícil perceber sua inquietação, sua vulnerabilidade. Mesmo estando naquele terraço sob o céu infinito, ela parecia presa, encurralada.
Ao passar pela porta e adentrar aquele espaço, senti um estremecimento percorrer minha espinha. A proximidade de Emil era palpável, como um animal feroz espreitando sua presa, e a visão dos gestos trêmulos e hesitantes de Ravena me encheu de uma raiva surda e fervilhante.
O que aquela "espiga de milho" pensava que estava fazendo?
- Quem te deu permissão para tocar na minha mulher, espiga de milho? E claramente, ela não quer ser tocada. Contarei até cinco para você se afastar dela... Se não, arrancarei sua cabeça, desse seu corpo mirrado.
E foi assim que se iniciou a minha estadia na fortaleza Ravem. Para recuperar o amor da minha vida...
Aguarde querida! Este lobo te conquistará...de todas as formas!
Oi pessoal!
Agradeço por acompanhar este capítulo!
Se você gostou da jornada até aqui, temos ainda mais surpresas emocionantes pela frente.
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Curta, compartilhe e embarque comigo nesse incrível romance.
Até o próximo capítulo!
S.S. Chaves
P.D.V. de Ravena Ravem.
À medida que descia os corredores do palácio, os detalhes de ouro e marfim cintilavam sob os candelabros, provocando pequenos flashes de memórias que eu não conseguia colocar em ordem. O cheiro de lavanda me fazia pensar em minha mãe, Irina, e nas manhãs que passávamos juntas na sacada, observando o horizonte.
Emil, por sua vez, ainda era um mistério para mim. Seu nome surgia em minha mente como uma brisa suave, mas não conseguia conectar o seu rosto ou qualquer lembrança mais concreta, além da nossa infância e início da adolescência...
Raphael Stone. Esse nome me causava arrepios por todo corpo. Mesmo sem conseguir lembrar dele, uma sensação intensa de ligação e familiaridade me assaltava. Era estranho pensar que ele, alguém que eu não lembrava, pudesse ter tanta importância em minha vida. E a ideia de que tínhamos uma filha, Lyanna, era ainda mais desconcertante.
Eu não lembrava de nenhum deles...
Ao me aproximar da sala principal, ouvi sussurros e risadas suaves. Eram vozes que eu reconhecia, mas não conseguia associar a rostos. Respirei fundo e empurrei as portas maciças, entrando na sala. Lá estavam elas, as criadas.
Umas carregavam os segredos dos corredores há décadas, enquanto outras ainda estavam se acostumando com os murmúrios da fortaleza. Reunidas, olhavam pela janela para o pátio, seus rostos iluminados por um misto de espanto e admiração.
Aproximei-me furtivamente, me esgueirando entre os cantos escuros e os feixes de luz que cortavam o corredor, minha curiosidade tornando-se mais forte a cada passo. O que poderia atrair tanta atenção, a ponto de parar até mesmo as criadas mais velhas, aquelas que pareciam já ter visto de tudo?
Quando finalmente alcancei uma posição que me permitisse olhar para o pátio, meus olhos se arregalaram em surpresa e, confesso, um pouco de apreensão.
Raphael...
Meu coração bateu mais rápido, somente pela vista do seu torso musculoso reluzente de suor, agora entendia as criadas...
Deusa!... Que visão era aquela?
Ele estava lá, sem camisa, expondo uma pele que parecia refletir os últimos raios solares da manhã, transformando-os em dourado líquido sobre cada contorno e músculo definido. Sua calça jeans azul estava tão justa que parecia quase uma segunda pele, delineando cada curva e ângulo de suas pernas.
Mas o que realmente roubou minha atenção foi o grande machado que ele segurava. Com força e graça, ele rachava toras gigantescas, e cada movimento fluía como uma dança – uma dança selvagem e bruta, mas hipnoticamente bela.
A cada golpe, os músculos de seus braços, e costas trabalhavam em uníssono, uma demonstração de pura força e destreza.
Me escondi atrás de uma cortina, tentando recuperar o fôlego que havia sido roubado por aquela visão. Meus olhos fixos nele, minha mente se debatia em meio a um turbilhão de pensamentos.
O ar ao meu redor parecia ter sido sugado de meus pulmões no exato momento em que meus olhos encontraram aquela figura.
O sol do meio-dia brilhava com intensidade, mas, diante daquela visão, tudo parecia se ofuscar.
Meus lábios, antes úmidos pelo orvalho da manhã, agora pareciam rachar sob o peso da surpresa e da sede incontrolável. Um batimento cardíaco, que até então ritmava pacificamente o decorrer do meu dia, de repente tornou-se uma corrida frenética e descompassada dentro do meu peito.
O calor, que anteriormente me tocava como uma carícia suave do verão, de repente se tornou um vulcão, emanando de dentro para fora.
Eu estava no ápice do fervor. Minha mente, antes repleta de preocupações mundanas, agora era consumida por um único pensamento.
- Será possível, Oh Deusa, que a encarnação do pecado, escolheu este pátio para se revelar?
O vento brincava com seus cabelos, tornando-os uma tapeçaria viva de sombras e luz. Cada movimento que ele fazia parecia uma dança cuidadosamente coreografada, destinada a me enfeitiçar.
Eu, uma bruxa, estava agora cativa, presa em seu feitiço...
Como pude esquecer aquele HOMEM?
Como tinha esquecido o calor de seu olhar, o timbre de sua voz, o toque de suas mãos? E, mais especificamente, como tinha esquecido daquele corpo. Eu já estive em seus braços? Afinal, tínhamos uma filha...
Deusa...eu realmente o amei? Então, como pude esquecê-lo?
Talvez os percalços da vida, com suas reviravoltas, tivessem me feito perder algumas páginas desse capítulo. Mas eu ansiava descobrir TUDO que foi perdido...eu não iria me entregar ao esquecimento.
Reuni coragem, respirei fundo e decidi me aproximar. Não sabia como ele reagiria, mas estava disposta a descobrir. Já tinha percebido, que ele se mantinha distante, mas eu sempre me surpreendia com a sua presença.
Aquela feiticeira maldita. Ela havia roubado uma parte crucial da minha história, da minha essência. E agora, eu estava ali, confrontada com o passado em sua forma mais vívida e palpável.
Me aproximei da porta do pátio e ao atravessá-la me vi trespassada, pela emoção que sempre me atingia quando estava diante daquele homem, daqueles olhos, era uma mistura de anseio e desamparo, que faziam o meu coração acelerar.
O som contínuo do machado de Raphael contra a madeira era o único que rompia o silêncio, até que parou abruptamente.
Raphael ergueu os olhos, encontrando os meus. Havia um brilho de reconhecimento, uma faísca de surpresa. Ele parecia tão atordoado quanto eu. Suas mãos calejadas pelo trabalho árduo envolviam firmemente o cabo do instrumento. Seu olhar permanecia tão penetrante, que por um momento senti como se ele pudesse ver através de minha alma.
Mas, em meio à confusão, uma certeza emergia: estávamos conectados de uma forma que nem a magia mais potente poderia quebrar. E eu estava determinada a descobrir cada pedaço da história, que estava por trás daquele olhar.
Ele demorou mais do que eu teria imaginado para me avaliar, a pausa entre sua última machadada e seu cumprimento foi agonizantemente longa.
- Bom dia, minha bela Luna!... Dormiu bem? - Disse ele com uma voz rouca e profunda, mas com um toque de doçura que contrastava com sua aparência robusta, e tão descaradamente sensual.
Meu coração pulou uma batida. Era sempre assim. Sempre que ele se referia a mim como "minha bela Luna", algo em mim se revirava. Era uma sensação de pertencimento que eu não entendia, e muito menos lembrava de ter concordado com ela. De alguma forma, ele reivindicava algo que eu não recordava de ter dado.
Engoli em seco.
- Dormi bem, obrigada... E você?
Ele deu de ombros, limpando o suor da testa com o dorso do braço.
- Mal...eu ainda não estou dormindo ao seu lado- eu ruborizei com essas palavras, e ele concluiu - Como sempre. Só sonhando com o passado distante...
Seu olhar, desta vez, parecia distante, perdido em memórias.
Eu estava prestes a perguntar mais sobre esses sonhos, mas algo me deteve. Talvez fosse o medo de descobrir a verdade sobre nosso passado compartilhado, sobre essa conexão que ele parecia sentir tão intensamente, enquanto eu permanecia confusa.
Mas uma coisa era certa, a cada dia que passava, eu estava mais curiosa, mais envolvida, algo me puxava para Raphael.
De repente, como um eco vindo de além das sombras do corredor, a voz de Emil ressoou pelo ambiente, cortando o silêncio como uma lâmina afiada.
- Ravena...
Sua face, normalmente aberta e amigável, estava agora mascarada por uma expressão fechada e intensa. Seus olhos, penetrantes como aço polido, fixaram-se em mim com uma intensidade perturbadora.
- Ravena... estar na hora da nossa sessão de hipnose - A simples menção daquela palavra fez com que meu coração disparasse, uma mistura vertiginosa de ansiedade e apreensão.
Raphael soltou um leve rosnado. Não era a primeira vez, e eu já tinha percebido que isso acontecia com frequência na presença de Emil. Será que Raphael, não gostava de Emil? Seria um aviso? Ou apenas uma reação da sua mente dominante de lobo?
Concordando com a cabeça, me voltei para Raphael e falei.
- Tenho que ir agora, mais tarde...nos falamos- ao dizer isso percebi que os olhos dele estavam totalmente negros. Um rosnado baixo escapou de sua garganta, uma advertência quase imperceptível. Ele virou o rosto, seus traços esculpidos, revelando a tensão que se agitava em seu interior. E que ele segurava com dificuldade...
Mas o que eu poderia fazer? Era perceptível que a minha aproximação de Emil, chateava Raphael. Mas em contra partida, a minha aproximação de Raphael, causava o mesmo efeito em Emil...
Emil estava lá, de pé à margem da clareira, seus olhos fixos em mim com uma intensidade magnética. A cada passo que eu dava em sua direção, podia sentir a eletricidade no ar.
Assim que começamos caminhar pelo corredor em direção ao seu laboratório, ele falou.
- Seu amigo não gosta de mim nem um POUQUINHO - disse Emil, sorrindo de leve, o canto dos lábios subindo em um ar de desafio. Seu tom não era de escárnio, mas havia um toque de provocação.
Respirei fundo, tentando conter a explosão de emoções que ameaçava se derramar. Olhando para Emil com firmeza, retorqui.
- Ele não é meu amigo... é o meu companheiro, bem, segundo o que todos dizem - A intensidade da minha declaração fez com que o ar parecesse mais denso por um instante.
Uma mistura de surpresa, dúvida e algo mais que não conseguia identificar. Talvez fosse descrença ou talvez medo.
Ele riu de forma sarcástica, o som rasgando o silêncio.
- Então, você finalmente se lembrou? Ou é apenas um palpite desesperado?
Minhas mãos tremiam, mas me forcei a permanecer firme.
- Não é um palpite, Emil. Eu sinto... - Respondi, permitindo que a emoção preenchesse minha voz. - Eu posso não lembrar de todos os detalhes, de todos os momentos, mas eu sinto... na minha alma que existe uma ligação real...eu só preciso me lembrar. E você não tem o direito de questionar isso....
Por um momento, a expressão de Emil endureceu, mas depois suavizou, e um vislumbre de tristeza passou por seus olhos.
- Sabe, há algum tempo atrás, eu teria feito qualquer coisa para que você me olhasse da maneira que olhou para ele agora a pouco...
Estas palavras me pegaram de surpresa. Eu não sabia como responder. Afinal, não me lembrava de nada entre nós dois. Mas, naquele momento, senti uma pontada de pena por Emil.
Contudo, rapidamente retomei meu foco.
- Temos uma filha, Emil. Uma prova viva de nosso compromisso... Eu só preciso lembrar...então eu decidirei o meu futuro...mas não gosto de ser pressionada...por ninguém!
Ele deu um passo atrás, os olhos ainda fixos nos meus.
- Veremos... - Ele murmurou antes de se virar e sair da sala, deixando-me ali, com um turbilhão de emoções e mais perguntas, do que respostas.
O que ele queria dizer com isso?
Oi pessoal!
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Até o próximo capítulo!
S.S. Chaves