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Fim de Semana Interrompido

Fim de Semana Interrompido

Autor:: Felix
Gênero: Romance
O cheiro de protetor solar e a mala na porta. Eu, Ana Lúcia, designer de joias, sonhava com um fim de semana perfeito na praia com Pedro, meu noivo. Tudo estava pronto, a playlist de viagem selecionada, só esperava por ele. Mas quando o carro parou, não era só ele. Patrícia, sua ex, desceu com a filha, como se ainda fosse a dona do lugar. Meu estômago gelou. Ela sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos. "Ana, querida! Que surpresa boa! Pedro foi tão gentil em nos dar uma carona." A mentira era descarada, ali na frente da MINHA casa. Pedro, evitando meu olhar, sugeriu: "Que tal um fim de semana em família?" , a voz falsamente animada. Família? Era ELA e a filha. Eu, a intrusa no meu próprio plano. Patrícia, astuta, logo disse: "A cadeirinha da Laura ocupa muito espaço, Ana, você não se importaria de ir de aplicativo?" Pedro, como um boneco, completou: "Você não ficaria brava por uma coisinha dessas, ficaria?" Aquela frase me atingiu. Uma ordem disfarçada, minimizando meus sentimentos. Eu, empurrada para fora da minha própria vida, enquanto Dona Elvira, minha vizinha, me olhava com pena. Eu forcei um sorriso. "Claro. Sem problemas. Vão na frente, eu encontro vocês lá." Minha voz soou calma, mas algo se quebrava por dentro. Ele me deu um beijo vazio na testa, e correu para ajudar Patrícia com as malas DELAS. Observei-os partir, Patrícia no MEU lugar, acenando vitoriosa. No retrovisor, um filtro dos sonhos. Não era meu. E eu sabia, com uma certeza que doía, de quem era. As notificações do Instagram de Patrícia eram tortura: "Momentos que aquecem o coração" , "O melhor tio do mundo" , "Fim de semana perfeito em família" . Com a casa que EU aluguei no fundo. Trancada no meu apartamento, cancelei o carro. Não iria ser espectadora da felicidade deles. A humilhação na calçada foi o suficiente. Pedro ligou, a voz distante, abafada por risadas. "Oi, amor. Chegou bem? Não te vi por aqui." A desfaçatez era inacreditável. "Eu não fui, Pedro." Silêncio. "Aconteceu alguma coisa? Você está bem?" "Estou ótima" , menti, a voz seca. "Achei melhor deixar vocês aproveitarem o fim de semana em família." Ele nem percebeu a ironia. "Ah, que pena. Tudo bem. Amanhã a gente compensa, ok? Jantar naquele lugar que você gosta." Uma promessa vazia. Desliguei sem dizer nada. Ele não ligou de volta. A diversão com sua "outra família" era mais importante. No domingo, esperei. A parte idiota de mim, que ainda o amava, esperava arrependimento. O sol se pôs, e meu telefone silenciou, exceto pelo Instagram de Patrícia. Um vídeo. Pedro, sem camisa, cozinhando na casa de praia, ela filmando. "Meu chef particular." Ela perguntou: "A Ana não vai ficar brava de você estar cozinhando pra mim?" Ele olhou para a câmera, riu e disse: "A Ana? Nah. Ela não ficaria brava por isso. Ela é super tranquila." Aquela mesma frase. Ele não apenas me negligenciava. Ele me vendia a ela, a si mesmo, ao mundo inteiro. Uma imagem de uma mulher complacente, sem vontades, sem limites. Naquele exato instante, meu amor por ele virou cinzas. Minha parte idiota morreu. Com os dedos tremendo de raiva, abri nosso álbum de fotos. A foto do noivado. O anel no meu dedo, um design que EU criei, símbolo do nosso futuro. Agora, uma algema. Tirei o anel. Frio. Abri a janela e o joguei na rua escura. Desapareceu, como meu amor. Liguei para a imobiliária. "Boa noite. Gostaria de cancelar a estadia na casa de número 27, na Praia Azul. Imediatamente. Os hóspedes atuais precisam desocupar a propriedade dentro de uma hora." A atendente confusa. Eu era a titular. Pela primeira vez em muito tempo, eu estava no controle.

Introdução

O cheiro de protetor solar e a mala na porta.

Eu, Ana Lúcia, designer de joias, sonhava com um fim de semana perfeito na praia com Pedro, meu noivo.

Tudo estava pronto, a playlist de viagem selecionada, só esperava por ele.

Mas quando o carro parou, não era só ele.

Patrícia, sua ex, desceu com a filha, como se ainda fosse a dona do lugar.

Meu estômago gelou.

Ela sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos.

"Ana, querida! Que surpresa boa! Pedro foi tão gentil em nos dar uma carona."

A mentira era descarada, ali na frente da MINHA casa.

Pedro, evitando meu olhar, sugeriu: "Que tal um fim de semana em família?" , a voz falsamente animada.

Família? Era ELA e a filha.

Eu, a intrusa no meu próprio plano.

Patrícia, astuta, logo disse: "A cadeirinha da Laura ocupa muito espaço, Ana, você não se importaria de ir de aplicativo?"

Pedro, como um boneco, completou: "Você não ficaria brava por uma coisinha dessas, ficaria?"

Aquela frase me atingiu.

Uma ordem disfarçada, minimizando meus sentimentos.

Eu, empurrada para fora da minha própria vida, enquanto Dona Elvira, minha vizinha, me olhava com pena.

Eu forcei um sorriso.

"Claro. Sem problemas. Vão na frente, eu encontro vocês lá."

Minha voz soou calma, mas algo se quebrava por dentro.

Ele me deu um beijo vazio na testa, e correu para ajudar Patrícia com as malas DELAS.

Observei-os partir, Patrícia no MEU lugar, acenando vitoriosa.

No retrovisor, um filtro dos sonhos.

Não era meu.

E eu sabia, com uma certeza que doía, de quem era.

As notificações do Instagram de Patrícia eram tortura: "Momentos que aquecem o coração" , "O melhor tio do mundo" , "Fim de semana perfeito em família" .

Com a casa que EU aluguei no fundo.

Trancada no meu apartamento, cancelei o carro.

Não iria ser espectadora da felicidade deles.

A humilhação na calçada foi o suficiente.

Pedro ligou, a voz distante, abafada por risadas.

"Oi, amor. Chegou bem? Não te vi por aqui."

A desfaçatez era inacreditável.

"Eu não fui, Pedro."

Silêncio.

"Aconteceu alguma coisa? Você está bem?"

"Estou ótima" , menti, a voz seca.

"Achei melhor deixar vocês aproveitarem o fim de semana em família."

Ele nem percebeu a ironia.

"Ah, que pena. Tudo bem. Amanhã a gente compensa, ok? Jantar naquele lugar que você gosta."

Uma promessa vazia.

Desliguei sem dizer nada.

Ele não ligou de volta.

A diversão com sua "outra família" era mais importante.

No domingo, esperei.

A parte idiota de mim, que ainda o amava, esperava arrependimento.

O sol se pôs, e meu telefone silenciou, exceto pelo Instagram de Patrícia.

Um vídeo.

Pedro, sem camisa, cozinhando na casa de praia, ela filmando.

"Meu chef particular."

Ela perguntou: "A Ana não vai ficar brava de você estar cozinhando pra mim?"

Ele olhou para a câmera, riu e disse: "A Ana? Nah. Ela não ficaria brava por isso. Ela é super tranquila."

Aquela mesma frase.

Ele não apenas me negligenciava.

Ele me vendia a ela, a si mesmo, ao mundo inteiro.

Uma imagem de uma mulher complacente, sem vontades, sem limites.

Naquele exato instante, meu amor por ele virou cinzas.

Minha parte idiota morreu.

Com os dedos tremendo de raiva, abri nosso álbum de fotos.

A foto do noivado.

O anel no meu dedo, um design que EU criei, símbolo do nosso futuro.

Agora, uma algema.

Tirei o anel.

Frio.

Abri a janela e o joguei na rua escura.

Desapareceu, como meu amor.

Liguei para a imobiliária.

"Boa noite. Gostaria de cancelar a estadia na casa de número 27, na Praia Azul. Imediatamente. Os hóspedes atuais precisam desocupar a propriedade dentro de uma hora."

A atendente confusa.

Eu era a titular.

Pela primeira vez em muito tempo, eu estava no controle.

Capítulo 1

O cheiro de protetor solar e a mala de fim de semana ao lado da porta eram a promessa de um respiro, um pequeno oásis que eu mesma tinha planejado. Eu, Ana Lúcia, uma designer de joias que passava mais tempo curvada sobre uma bancada do que olhando para o céu, precisava desesperadamente daquele fim de semana na praia com meu noivo, Pedro. Estava tudo pronto, a casa de praia alugada, o carro abastecido, a playlist de viagem selecionada. Eu só esperava por ele.

Quando o som do motor do carro de Pedro finalmente soou na rua, um sorriso tomou conta do meu rosto, mas ele se desfez no momento em que a porta do passageiro se abriu. Não era só ele. Patrícia, sua ex-namorada, saiu do carro com a mesma facilidade de quem ainda possuía aquele lugar. Ao lado dela, sua filha pequena, uma miniatura de Patrícia, segurava sua mão.

Meu estômago gelou. Eu fiquei parada na porta, a mala na minha mão de repente parecendo pesada e ridícula.

Patrícia sorriu para mim, um sorriso que não alcançava seus olhos.

"Ana, querida! Que surpresa boa te encontrar. A gente estava passando por aqui, e o Pedro foi tão gentil em nos dar uma carona."

A mentira era tão descarada que me deixou sem ar. Eles não estavam "passando por aqui" . Aquela era a rua da minha casa, a casa que eu dividia com Pedro. Ela se aproximou, o perfume dela invadindo meu espaço, e me deu um abraço rápido e frio.

"A Laurinha estava com tanta saudade do tio Pedro, não é, meu amor?" , ela disse, afagando os cabelos da filha, que me olhava com uma curiosidade cautelosa.

Pedro finalmente saiu do carro, com uma expressão que tentava ser casual, mas que eu conhecia bem demais. Era a sua cara de "por favor, não crie problemas" . Ele evitou meu olhar e foi direto para o porta-malas.

"Então, pensei que poderíamos todos ir juntos. O que acha? Um fim de semana em família!" , ele disse, a voz falsamente animada.

A palavra "família" pairou no ar, pesada e estranha. A família ali era ela e a filha. Eu era a intrusa no meu próprio fim de semana. Olhei para o carro, um sedã de cinco lugares. Pedro, Patrícia, a filha dela, e eu. A conta não fechava, não de um jeito confortável.

Patrícia, percebendo meu silêncio, agiu rápido.

"Ah, mas tem as malas! E a cadeirinha da Laura ocupa um espaço enorme, você sabe como é. Para a segurança dela, é melhor ela ir no banco de trás sozinha."

Ela olhou para Pedro, que imediatamente concordou, como um boneco de ventríloquo. Ele se virou para mim, finalmente me encarando, mas com uma súplica no olhar.

"Ana, você se importa de ir de aplicativo? É mais rápido, e a gente se encontra lá. Você não ficaria brava por uma coisinha dessas, ficaria?"

A frase dele me atingiu. "Você não ficaria brava" . Não era uma pergunta, era uma ordem disfarçada, uma forma de minimizar meus sentimentos antes mesmo que eu pudesse expressá-los. Ele já tinha decidido. Eu fui empurrada para fora do meu próprio plano, do meu próprio carro, da minha própria vida.

Uma vizinha idosa, Dona Elvira, que regava suas samambaias na varanda, observava a cena toda com os olhos cerrados. Ela me lançou um olhar de pura pena, um olhar que dizia "minha filha, o que você está fazendo?" . Aquele olhar me deu mais força do que qualquer outra coisa. Senti uma vontade súbita e avassaladora de simplesmente soltar a mala, virar as costas e trancar a porta, deixando os três ali, parados na calçada. Mas eu não fiz. O hábito de agradar, de não criar ondas, era mais forte.

Eu forcei um sorriso. Era um sorriso fraco, que mal curvou meus lábios.

"Claro. Sem problemas. Vão na frente, eu encontro vocês lá."

Minha voz soou calma, controlada, mas por dentro, algo se quebrava. Pedro pareceu aliviado. Ele me deu um beijo rápido na testa, um gesto vazio, e correu para ajudar Patrícia a ajeitar as malas dela no porta-malas, no espaço que deveria ser da minha.

Fiquei parada na calçada, observando-os entrar no carro. Patrícia se sentou no banco do passageiro, o meu lugar, e acenou para mim com um sorriso vitorioso. A filha dela, já na cadeirinha, olhava pela janela. Enquanto o carro se afastava, notei um detalhe que me fez prender a respiração: pendurado no espelho retrovisor, um pequeno filtro dos sonhos, um que eu não reconhecia. Não era meu. E eu sabia, com uma certeza que doía no peito, a quem pertencia.

Capítulo 2

O som das ondas que eu tanto queria ouvir foi substituído pelo zumbido incessante das notificações do meu celular. Patrícia era mestre em guerra psicológica digital. A cada hora, uma nova foto aparecia no Instagram dela. Uma foto dos pés dela e de Pedro na areia, com a legenda "Momentos que aquecem o coração" . Outra da filha dela nos ombros de Pedro, rindo, com a legenda "O melhor tio do mundo" . E a pior de todas: uma selfie dos três, sorrindo para a câmera, com a casa de praia que eu aluguei ao fundo, e a legenda "Fim de semana perfeito em família" .

Cada post era uma tortura. Eu estava trancada no meu apartamento, tendo cancelado o carro de aplicativo no último segundo. Eu não iria até lá para ser uma espectadora da felicidade deles. A humilhação na calçada já tinha sido suficiente.

Pedro me ligou no final da tarde. Sua voz estava distante, abafada pelo som do vento e de risadas ao fundo.

"Oi, amor. Chegou bem? Não te vi por aqui."

A desfaçatez dele era inacreditável.

"Eu não fui, Pedro."

Houve uma pausa do outro lado da linha.

"Ah. Aconteceu alguma coisa? Você está bem?"

"Estou ótima" , menti, a voz seca. "Achei melhor deixar vocês aproveitarem o fim de semana em família."

Usei a palavra dele contra ele. Ele pareceu não perceber a ironia.

"Ah, que pena. Mas tudo bem. Amanhã eu volto e a gente compensa, ok? Te levo pra jantar naquele lugar que você gosta."

Uma promessa vazia. Quantas promessas vazias eu já tinha engolido? Eu não disse nada. Apenas desliguei. Ele não ligou de volta. Obviamente, a diversão com sua "outra família" era mais importante.

No dia seguinte, domingo, eu esperei. Uma parte idiota de mim, a parte que ainda o amava, esperava que ele cumprisse a promessa. Que ele voltaria cedo, arrependido, com flores na mão e um pedido de desculpas sincero nos lábios. O sol se pôs, a noite caiu, e meu telefone permaneceu em silêncio. A única atualização que tive dele foi através do Instagram de Patrícia.

Era um vídeo. Pedro estava na cozinha da casa de praia, sem camisa, cozinhando algo no fogão. Patrícia o filmava por trás, e a legenda dizia: "Meu chef particular" . Em um momento do vídeo, ela o chama, e ele se vira, sorrindo. Ela então pergunta: "A Ana não vai ficar brava de você estar cozinhando pra mim?" .

E Pedro, olhando diretamente para a câmera, para ela, para o mundo inteiro ver, riu e disse:

"A Ana? Nah. Ela não ficaria brava por isso. Ela é super tranquila."

Aquelas palavras. A mesma frase que ele usou na calçada. Ele não estava apenas me negligenciando, ele estava vendendo uma imagem de mim para ela, para si mesmo, uma imagem de uma mulher complacente, sem vontades, sem limites. Uma mulher que aceitaria qualquer coisa. Naquele exato momento, o amor que eu sentia por ele se transformou em cinzas. A parte idiota de mim morreu.

Com os dedos tremendo de raiva, abri nosso álbum de fotos compartilhado. Encontrei a foto do dia em que ficamos noivos, ele de joelhos, eu chorando de felicidade. Olhei para o anel no meu dedo. Um design exclusivo, que eu mesma tinha criado, e que ele mandou fazer. Era um símbolo do nosso amor, do nosso futuro. Agora, parecia uma algema.

Tirei o anel do dedo. O metal estava frio contra a minha pele. Fui até a janela, abri, e sem pensar duas vezes, o joguei na rua escura. Não ouvi o som dele caindo. Ele simplesmente desapareceu na escuridão, como o meu amor por Pedro.

Depois, peguei o telefone e liguei para a imobiliária que administrava a casa de praia. A casa estava alugada no meu nome, paga com o meu cartão de crédito.

"Boa noite. Gostaria de cancelar a estadia na casa de número 27, na Praia Azul. Sim, imediatamente. Os hóspedes atuais precisam desocupar a propriedade dentro de uma hora."

A atendente ficou confusa, mas eu insisti. Eu era a titular do contrato. Eu tinha o poder. Pela primeira vez em muito tempo, eu estava no controle.

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