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Finalmente serei livre

Finalmente serei livre

Autor:: Roda Kinder
Gênero: Moderno
Rachel costumava acreditar que sua dedicação conquistaria Brian um dia, mas se viu completamente errada quando o verdadeiro amor dele retornou. Todos achavam que ela era louca por abrir mão de tanto de si por alguém que não correspondia aos seus sentimentos. Afinal, ela tinha suportado tudo sozinha - desde subir no altar até se arrastar para o hospital para um tratamento de emergência. Quando Brian recebeu a notícia de que ela não tinha muito tempo de vida por causa de uma doença terminal, ele desabou completamente. "Não vou deixar você morrer!" Rachel apenas sorriu, pois não precisava mais dele. "Finalmente serei livre."

Capítulo 1 Por favor, não vá

Rachel Marsh sentiu seu corpo sendo erguido mais uma vez, então ergueu a cabeça para falar: "Estive pensando... Quero ter um filho. Que tal pararmos de usar..."

Antes que ela pudesse terminar, Brian White, seu noivo, sussurrou em um tom frio e indiferente: "Ter um filho complica tudo. Ainda não estou pronto para isso."

Rachel mordeu o lábio, seus olhos brilhando com lágrimas contidas. "Mas vamos nos casar logo. Seus pais estão dizendo que querem netos. Você não pode simplesmente dizer que isso é impossível, não é?"

Ter uma família com ele era o que ela sempre sonhou, mas a atitude fria e intransigente dele a fazia se sentir diminuta e insignificante.

Reprimindo suas emoções, ela assentiu com a cabeça lentamente. "Tudo bem. Depois conversamos sobre isso."

A expressão de Brian se suavizou ligeiramente, como se a tensão entre eles estivesse diminuindo. Porém, antes que ele pudesse responder, seu celular começou a tocar, interrompendo abruptamente o momento delicado.

Uma voz suave e hesitante se manifestou do outro lado da linha quando ele atendeu. "Brian, sinto muito por te incomodar tão tarde... acabei tropeçando na sala e machuquei o pé. Se estiver ocupado, posso..."

De repente, Rachel se deu conta de que era Tracy Haynes, o primeiro amor de Brian.

Ele a interrompeu, sua voz firme, mas gentil: "Espere aí, estou indo."

"Ah... não queria interromper você e Rachel. Se não for um bom momento, posso pegar um táxi", respondeu Tracy.

"Não está interrompendo nada. Não se preocupe com isso", ele a tranquilizou, sua voz suave.

Ao ouvir a conversa, Rachel não conseguiu conter a risada amarga que surgiu dentro de si.

Ser favorecida era um privilégio que ela nunca teria. A atenção, o cuidado e o amor de Brian eram todos dados a outra pessoa, à mulher que ele sempre valorizou, aquela que para sempre teria um pedaço do coração dele. A ironia de tudo isso era sufocante.

"Você precisa descansar", disse ele, com uma voz suave como nunca.

No entanto, suas palavras foram como um balde de água fria, apagando o calor que havia entre eles. Nesse momento, o coração dela se apertou ainda mais. Será que ele iria ver Tracy novamente?

Pensando nisso, as mãos de Rachel se cerraram com força, seu corpo rígido de tensão.

Após um longo momento de silêncio, algo dentro dela se quebrou. Ela deu um passo à frente com desespero, com sua mente mal conseguindo acompanhar suas ações.

Sem pensar duas vezes, ela o abraçou com força, sua voz suave, mas trêmula. "Fique comigo... por favor, não vá."

Brian foi pego de surpresa, seu corpo se enrijecendo por um momento. Mas a hesitação durou apenas um segundo. Recuperando a compostura rapidamente, ele disse: "Não seja birrenta, Rachel. Ela está machucada. Não é algo que eu possa ignorar."

"Mas eu também preciso de você", ela implorou, seus olhos vermelhos e brilhando com lágrimas contidas, mordendo o lábio com tanta força que chegou a sangrar. "Só desta vez, fique comigo."

Ele suspirou, a voz se suavizando, mas ainda firme. "Você sempre foi compreensiva. Não complique as coisas."

Mas nesse momento, Rachel não queria ser compreensiva. Ela só queria que ele ficasse.

"Brian", ela sussurrou, seu aperto se intensificando enquanto o olhava, o desespero estampado no seu rosto.

A voz de Brian ficou mais fria. "Olhe, Rachel, você precisa me soltar."

Ela balançou a cabeça, seu coração batendo forte, sem querer ceder.

"Eu disse, me solte!", exclamou Brian, sua expressão se endurecendo instantaneamente, e seus lábios se cerrando em uma linha fina. Com um aperto firme, ele abriu os dedos da mão dela, um por um, com uma força suficiente para fazê-la se contorcer de dor.

O coração de Rachel se contraiu no peito, mas ela não conseguiu mais segurá-lo. Soltando uma risada suave e amarga, ela zombou da sua própria vulnerabilidade e, lentamente, soltou o abraço, seus dedos trêmulos pelo esforço. Por fim, o peso da sua derrota a dominou.

"Volto logo", disse ele em um tom ríspido, se virando e saindo sem olhar para trás.

Volto logo? essas palavras soavam vazias, como algo que se diria para consolar uma criança. Tracy já havia ligado para ele várias vezes, e ele sempre ia atrás dela, e nunca voltava logo.

Enquanto Rachel permanecia ali, a realidade a atingiu como um cobertor pesado. Brian não queria que ela tivesse um filho dele, muito provavelmente por causa de Tracy.

Afinal, Tracy era quem sempre teve a chave do seu coração, a quem ele valorizava profundamente, a mulher que ele não conseguia abandonar, aquela cuja lembrança jamais se apagaria. Ela era seu primeiro amor, o tipo de amor que nunca acabava de verdade. Sendo assim, era óbvio que ele a tratava como uma preciosidade, mesmo que isso significasse ignorar as necessidades e vontades de Rachel.

Após um longo e entorpecente momento, Rachel se virou e entrou no chuveiro, deixando a água cair sobre si, embora isso não ajudasse muito a aliviar o peso no seu peito. Quando finalmente se deitou, os lençóis estavam frios e pouco convidativos. Parecia que o vazio ao seu lado tinha se infiltrado em cada fibra do quarto, a deixando completamente sozinha no silêncio assustador.

Às seis da manhã, Rachel foi despertada pelo toque do celular. Sonolenta, ela o pegou e viu o nome de Debby White, mãe de Brian, piscando na tela.

"A data do casamento foi definida. Daqui a três meses, é um bom dia para se casar", disse Debby, tão fria e incisiva como sempre.

Rachel sabia que a mulher não estava ligando para consultá-la, mas sim para informá-la.

"Estou ligando para te informar de avisar seus pais. Apesar de minha família ser rica, não pensem que poderá ganhar uma fortuna com esse casamento", continuou Debby, em um tom incisivo.

Rachel tentou manter a voz estável ao responder: "Tudo bem, vou avisar meu pai. Não se preocupe, não pedirei um centavo de vocês."

No entanto, Debby estava longe de ficar satisfeita, fazendo uma risada zombeteira ecoar do outro lado da linha. "Realmente, você não merece um centavo."

Rachel conteve sua irritação, ouvindo sem dar nenhuma explicação. Ela sabia mais do que ninguém que, mesmo que pedisse dinheiro, ele acabaria nas mãos do seu pai indiferente e da sua madrasta cruel, pessoas que nunca se importaram com ela.

"Sinceramente, não sei o que Brian vê em você. Você é pobre, de classe baixa. Se não fosse pela insistência de Brian e pela aprovação da avó dele, eu jamais teria concordado com esse casamento", acrescentou Debby antes de desligar, sua frustração transbordando.

Rachel olhou para o celular, as mãos ligeiramente trêmulas, enquanto um sorriso amargo se formava nos seus lábios. Seu noivado com Brian parecia um sonho do qual ela mal conseguia acreditar que era real. Apesar disso, casar-se com ele era o maior desejo da sua vida.

Quando Rachel tinha quinze anos, sua madrasta a levou para o que ela dizia ser uma reunião da alta sociedade. Porém, tudo não passou de uma farsa, e elas acabaram na propriedade dos Whites. Lá, Rachel foi empurrada para a piscina, uma armação cruel da sua madrasta.

Ela tinha certeza de que iria se afogar. No entanto, quando o desespero começou a dominá-la, um jovem pulou na piscina sem hesitar. Ele a puxou para perto, seus braços fortes a levando para um lugar seguro e a salvando das garras frias da morte. Quando ela finalmente abriu os olhos, tudo o que viu foi a figura dele se distanciando, desaparecendo à distância. O relógio preto e elegante no pulso dele foi a única coisa que ficou na sua mente.

Anos depois, esse mesmo relógio a levou até ele.

Brian White, o homem que havia salvado sua vida, se tornou, sem que ela soubesse, o homem que conquistou seu coração. Em gratidão pela vida que ele havia lhe dado, ela entregou seu coração a ele sem reservas, na esperança de que um dia se casasse com ele.

O som de passos no andar de baixo tirou Rachel dos seus devaneios. Um instante depois, a porta do quarto se abriu.

Brian estava parado ali, com os olhos pesados de cansaço. Ele havia prometido voltar logo, mas não...

Quando Rachel o viu entrar, seu coração se apertou e ela logo desviou o olhar, não querendo encará-lo.

No entanto, Brian, parecendo alheio ao desconforto dela, a puxou para os seus braços com uma mão firme. "Está brava comigo?"

Ela permaneceu em silêncio, o rosto virado para o outro lado, pois não podia ignorar o leve cheiro do perfume de outra mulher que estava nele, nem a marca de batom chamativa e inconfundível na sua camisa. A marca, sem dúvida alguma de Tracy, era como uma agulha perfurando seu coração.

"Você ainda ama Tracy?", perguntou Rachel, a voz suave, mas firme, enquanto olhava para ele.

Ele a abraçou com força. "No que está pensando? Tracy é especial para mim, mas é só amizade, nada mais."

Rachel o encarou, seu coração pesado de perguntas não respondidas, e quebrou o silêncio: "E eu, Brian? Você me ama?"

Capítulo 2 Não estavam prontos para tornar o casamento público

A lembrança de como ela e Brian haviam ficado juntos passou vividamente por sua mente.

Fora um início conturbado. Naquela época, Tracy o havia deixado por outro homem, mudando-se para outro país.

A traição abalara Brian. Em seu desespero, ele afogou a dor na bebida, perdendo-se em uma névoa de raiva e coração partido.

Naquela noite fatídica, consumido por uma emoção crua, ele a imobilizou, tentando preencher o vazio que Tracy havia deixado para trás.

No dia seguinte, enquanto o peso da noite anterior pairava entre eles, Brian se virou para ela com uma expressão sombria. "Depois de tudo, você ainda está disposta a ficar comigo?"

Ela assentiu, a voz presa na garganta. E foi assim que o relacionamento deles começou, não por amor, mas como o resultado impulsivo de uma noite.

Agora, enquanto Brian estava diante dela, ela se perguntava se ele sentia algo por ela, se havia sequer o menor traço de afeto ou ternura em seu coração, ou se ela havia sido simplesmente uma substituta para o amor que ele havia perdido.

Os olhos de Brian se demoraram em Rachel, sua voz terna, mas firme. "Em breve, você será minha esposa. Eu vou te amar e te proteger, sempre."

Um arrepio repentino percorreu Rachel e, sem pensar, ela pousou os dedos suavemente sobre os lábios dele, interrompendo suas palavras. "Brian, por favor, eu já entendi. Você passou a noite toda acordado. Vá se trocar antes de ir para o escritório."

Sua voz estava calma, mas quando se virou, as lágrimas começaram a cair incontrolavelmente.

Brian havia falado em tons tão ternos, cheios de promessas de cuidado e devoção. No entanto, tudo o que ela conseguia sentir era o vazio por trás delas. Suas garantias eram doces, mas careciam da sinceridade que ela tanto desejava.

Se fosse amor de verdade, não haveria necessidade de declarações tão grandiosas. Uma única palavra honesta teria sido o suficiente. Quanto mais ele tentava convencê-la, mais suas palavras pareciam revelar a verdade: que o amor era algo que ele não havia oferecido.

Naquele momento, Rachel se viu incapaz de suportar mais, sentindo uma dor profunda se instalar em seu coração.

Quando estendeu a mão para o guarda-roupa para pegar um terno, um abraço familiar a envolveu por trás, puxando-a para perto.

O queixo de Brian repousou suavemente em sua cabeça, e ele segurou a mão dela com delicadeza, sua voz cheia de preocupação. "Não está frio, mas suas mãos estão tão geladas."

As lágrimas ainda grudavam nos cílios de Rachel, seu peito pesado com uma angústia não dita. Ela lutava para encontrar as palavras certas, sem saber como responder à sua ternura repentina.

Sem aviso, Brian a virou, seu olhar suave, mas intenso.

Rachel ergueu os olhos, seu olhar cheio de lágrimas encontrando o dele. A vulnerabilidade em seu olhar despertou algo profundo dentro dele. Incapaz de resistir, ele segurou o rosto dela e a beijou.

O rosto de Rachel corou e sua respiração tornou-se irregular, presa entre o turbilhão de emoções e a intensidade do momento.

Os anos juntos a ensinaram que somente nessas trocas íntimas e silenciosas Brian lhe mostrava algum sinal de afeto. Era nesses raros momentos que ela se sentia verdadeiramente querida.

"Brian..." Rachel sussurou, sua voz trêmula.

Brian pareceu sair de seu transe, soltando-a com uma mudança repentina de comportamento. Suas palavras estavam carregadas de arrependimento. "Se não fosse por aquela reunião, eu não teria me contido."

O rosto de Rachel corou ainda mais, uma onda de vergonha e calor a invadindo. Ela lhe deu um leve empurrão, como se tentasse escapar da intensidade do momento. "Ontem à noite, nós..."

Sua voz sumiu.

Brian, no entanto, permaneceu inabalável, segurando-a com firmeza, mas com gentileza. Seu olhar não vacilou enquanto ele a encarava com uma determinação inabalável. "O que isso importa? Você é minha agora, e não consigo parar de te querer."

Antes que Rachel pudesse responder, sentiu algo frio e liso deslizar em seu pulso. Ela olhou para baixo e viu uma pulseira deslumbrante, cuja peça central de rubi captava a luz e brilhava intensamente. O tom vermelho profundo da gema fazia sua pele parecer ainda mais delicada.

"Isso é... para mim?" Rachel perguntou, sua voz tingida de surpresa.

Brian assentiu, um sorriso suave brincando nos cantos de seus lábios. "Sim. Você gostou?"

O olhar de Rachel desviou da pulseira de volta para o rosto dele. "Você mesmo escolheu?"

Ele assentiu novamente, um leve sorriso nos lábios. "Achei que ficaria perfeito em você."

O coração de Rachel se aqueceu, e ela não pôde deixar de sorrir. "Eu adorei. Obrigada."

"Tire um tempo para descansar," sugeriu Brian gentilmente, seus olhos se suavizando ao olhar para o rosto pálido e cansado dela. "Fique em casa por alguns dias. Você pode visitar meus avós quando estiver se sentindo melhor. Não se preocupe em voltar ao trabalho até estar totalmente recuperada."

Rachel assentiu obedientemente, sua mente ainda nebulosa pela ternura do momento.

Ela sempre se dedicou totalmente ao trabalho. Após se formar em belas-artes, entrou no Grupo White e rapidamente se tornou gerente do departamento de design. No entanto, a verdade sobre seu relacionamento com Brian permanecia um segredo para seus colegas.

Embora sua dedicação nunca tivesse vacilado, o estresse havia cobrado seu preço recentemente. Fortes dores de cabeça, tonturas e crises ocasionais de náusea eram a maneira de seu corpo exigir uma pausa. Se não fosse por esses sinais, ela nunca teria tirado uma folga. Mas ela planejava desacelerar após o casamento e mudar seu foco do trabalho para a família que estava prestes a construir com Brian.

"Ah, Brian", disse Rachel em voz baixa. "Sua mãe já marcou a data do casamento."

Os lábios de Brian se curvaram em um sorriso leve e divertido. "Eu sei. Ela me ligou esta manhã."

Rachel fez uma pausa por um momento, seus pensamentos confusos, antes de falar hesitantemente. "Então... não deveríamos contar à empresa sobre nós? Todos sabem que vou me casar, mas ninguém sabe com quem. Eles têm me provocado, pedindo convites ultimamente."

As palavras escaparam dela, tingidas com uma mistura de expectativa e desconforto.

Mas a expressão de Brian não se suavizou. Pelo contrário, ficou mais rígida, seu maxilar se contraindo enquanto ele desviava o olhar.

"Rachel," ele começou. "Sinto muito."

Atônita, ela olhou para ele, tentando processar sua mudança repentina. "O quê? Por quê?"

Ele encontrou o olhar dela, seus olhos suaves, mas resolutos. "Ainda não estou pronto para tornar nosso casamento público. E já falei com minha família sobre isso. Por enquanto, vamos ter uma cerimônia privada, com apenas familiares e amigos próximos."

As mãos de Rachel congelaram, a gravata escorregando de seus dedos. A ideia de manter a união deles em segredo era sufocante. Um casamento, um voto de compartilhar suas vidas, mas que deveria ser escondido?

Rachel se perguntava por quê. A verdade, por mais dolorosa que fosse, começou a se manifestar. Tracy era a razão. Ele ainda não a havia superado, e essa constatação destruiu qualquer esperança que Rachel ainda tivesse.

Por um breve momento, o ar pareceu denso demais para respirar. Seus olhos ardiam, a picada das lágrimas não derramadas ameaçando dominá-la, mas ela piscou com força, contendo-as.

Se Brian estivesse se casando com Tracy em vez dela, ele teria tornado isso público em um instante. Ele teria anunciado para o mundo, ansioso para que todos soubessem que Tracy era a que ele havia escolhido.

"E se eu exigir que tornemos isso público?" A voz de Rachel vacilou, seus olhos brilhando com lágrimas. "E se eu quiser que todos saibam sobre nós?"

Brian ficou visivelmente surpreso. Rachel sempre fora complacente, e sua postura era gentil e amável. Essa assertividade repentina não era dela, e isso o deixou momentaneamente sem palavras.

Após uma breve pausa, ele pegou a mão dela, seu toque firme, mas não rude. "Rachel, apenas me dê um pouco mais de tempo. Eu prometo, quando o momento for certo, farei com que todos saibam quem você é para mim."

"Então, não pode acontecer agora, não é?" A voz de Rachel era suave, quase resignada. Ela não se atrevia mais a ter esperanças.

Brian baixou o olhar, a culpa nublando sua expressão. "Sinto muito."

As mãos de Rachel tremiam enquanto ela lutava para se recompor. Ela respirou fundo, forçando o controle de suas emoções, e finalmente falou novamente, sua voz baixa, mas resoluta. "Eu vou concordar com isso... mas com uma condição."

Capítulo 3 O afeto sem limites de Carol

Brian assentiu ligeiramente. "Pode dizer."

Rachel respirou fundo, recompondo-se. "Se, depois de dois anos, você ainda não estiver disposto a reconhecer nosso relacionamento, irei embora sem fazer alarde. Tudo o que peço é que não me impeça quando eu decidir te deixar."

"Tudo bem. Concordo."

No momento em que as palavras saíram dos lábios dele, uma sensação inquietante tomou conta dela - um pânico silencioso e sem forma, como uma tempestade que se formava num horizonte distante.

"Ótimo," ela sussurrou, cerrando os dedos.

Dois anos. Esse era o limite que ela havia se imposto.

Desde os quinze anos, ela o amava - oito longos anos de dedicação, perseguindo uma sombra na esperança de receber um pouco de afeto.

Mais dois anos, e completaria uma década.

Era tempo suficiente para abalar as convicções mais firmes e corroer até os corações mais inflexíveis.

Se, até então, ele ainda não conseguisse amá-la, ela se afastaria e lhe daria a liberdade que ele nunca precisou pedir.

Mas, no fundo, ela rezava para que esse dia nunca chegasse, para que nunca tivesse que se afastar da vida que havia construído ao lado dele.

...

Assim que Brian saiu para o trabalho, o telefone de Rachel tocou. Vendo que era a avó de Brian, ela atendeu rapidamente.

"Rachel, você está de folga hoje? Venha para casa o mais rápido possível. Mandei preparar seus pratos favoritos esta manhã!" A voz calorosa e familiar de Carol White ecoou do outro lado da linha.

Rachel não pôde deixar de sorrir. "Tudo bem, estarei aí em breve."

Após um retoque rápido na maquiagem, ela saiu imediatamente.

Ao chegar à propriedade da família White, ela saiu do carro, mas de repente, o mundo começou a girar, e uma onda de tontura a invadiu.

O motorista ao seu lado reagiu rapidamente, segurando-a. "Cuidado. Você está bem?"

Rachel exalou lentamente, recuperando o equilíbrio. "Devo ter me levantado rápido demais. Às vezes, minha glicemia tende a cair, mas não é nada grave."

Mesmo assim, ela sabia que não estava muito bem de saúde ultimamente. Talvez as noites mal dormidas estivessem cobrando seu preço.

Com o casamento se aproximando, ela precisava começar a se cuidar melhor.

Ao entrar na ampla sala de estar, os olhos de Rachel foram direto para Debby.

"Olá, Debby", ela cumprimentou, mantendo um tom neutro.

Debby, que nunca escondia o desprezo que sentia por ela, apenas a olhou de relance antes de zombar: "Você sabe que Carol te convidou para almoçar, não sabe? Veja a hora - a pontualidade claramente não é seu ponto forte."

Sua voz era fria, cada palavra carregada de desprezo.

Rachel baixou o olhar, sem saber o que dizer.

Nesse momento, um calor suave envolveu sua mão.

Carol, apoiada em sua bengala, segurou os dedos de Rachel e se virou para Debby com uma expressão suave, mas firme. "Rachel sempre foi atenciosa. Se ela se atrasou, tenho certeza de que não foi intencional. Além disso, o almoço ainda nem está pronto, então como ela pode estar atrasada?"

Ao ouvir essas palavras, Rachel sentiu um nó se formar em sua garganta, e sua visão embaçou ligeiramente. Ela nunca havia conhecido o amor de mãe, já que a sua mãe morreu na mesa de cirurgia no dia em que ela nasceu.

E quanto ao seu pai? Frio e distante, ele não valia a pena ser mencionado.

O único afeto verdadeiro que ela já conheceu veio de Carol, a avó de Brian.

Sem ela, Rachel talvez nunca soubesse como era ser amada.

Debby bufou de irritação. "Ela já é uma mulher adulta. Você não pode ficar mimando-a para sempre."

A expressão de Carol se endureceu ao lançar uma repreensão feroz: "Vou protegê-la enquanto eu viver. Quem ousar intimidá-la terá que se entender comigo primeiro, e prometo que ninguém terá paz se tentar."

Com uma autoridade gentil, ela levou Rachel até a cadeira ao seu lado. "Venha aqui, querida. Sente-se comigo."

Debby ficou remoendo seu descontentamento, paralisada pela raiva contida. A proteção feroz de Carol não deixava espaço para discussões, forçando-a a reprimir sua frustração crescente. Um ciúme amargo fermentava dentro dela - depois de décadas na família White, Carol nunca havia lhe demonstrado tanto carinho.

No entanto, Rachel, só porque se parecia com a filha falecida de Carol, recebia um amor incondicional.

Como Debby não se sentiria desprezada?

A situação se agravava ainda mais considerando que seu filho estava se casando com uma filha ilegítima. A injustiça de tudo isso queimava dentro dela.

Durante a refeição, o humor de Debby ficou sombrio ao ver que Carol enchia o prato de Rachel com carinho.

"Você deve estar trabalhando demais ultimamente. Você emagreceu tanto. Por favor, coma mais. Se Brian não estiver cuidando bem de você, é só me dizer que vou dar um jeito nele", disse Carol, notando a palidez de Rachel.

Nesse momento, a frustração de Debby transbordou. "Para que serve toda essa comida? Eles estão juntos há anos e não há sinal de um filho."

Rachel continuou comendo em silêncio.

Ela entendia a ansiedade deles por um neto e ela mesma ansiava pela maternidade, mas Brian permanecia relutante.

Carol lançou um olhar de advertência para Debby, mas ela continuou se defendendo: "Só estou dizendo a verdade. Eles estão juntos há muito tempo, e sei que a saúde do meu filho está perfeita. Outras mulheres engravidam em semanas, mas depois de um ano, ainda nada. Você já poderia ter um bisneto se ele estivesse com outra mulher."

As palavras de Debby atingiram Carol em cheio.

Mais tarde, na varanda ensolarada, Carol tocou no assunto com delicadeza enquanto segurava a mão de Rachel.

"Minha querida, agora estamos só nós duas. Não precisa esconder nada. Se houver algum problema de saúde, a medicina moderna oferece muitas soluções. Dinheiro não é um problema para nossa família."

O coração de Rachel se encheu de emoção.

Emocionada, ela abraçou Carol com força. "Por favor, não se preocupe. Estou perfeitamente saudável."

Ao ouvir isso, Carol se assustou. "Então... Brian não consegue..."

"Não, não!" Rachel interrompeu rapidamente, os olhos arregalados. "Brian é completamente saudável. É só que nós..."

Nesse momento, a compreensão raiou nos olhos de Carol. "Ah. Brian quer esperar, não é?"

"Sim", Rachel confirmou suavemente. "Ele diz que quer aproveitar nosso tempo juntos primeiro e esperar até que minha saúde melhore."

"Sempre o defendendo... Ele não está te maltratando, está?"

Rachel mostrou seu pulso, exibindo uma pulseira elegante. "Olhe o que ele me comprou!"

"Que maravilha, querida."

Naquela tarde, o novo chef preparou sobremesas deliciosas.

Os olhos de Rachel se iluminaram ao prová-las. "Carol, tem mais?"

"Tem sim. Está pensando em Brian, não está?", perguntou Carol com um sorriso.

Rachel corou. "Sim... ele adora doces. Gostaria de levar alguns para ele."

O rosto de Carol se suavizou com carinho. "Vá em frente, querida!"

Quando Rachel chegou ao escritório de Brian, ele estava em uma reunião.

Não querendo incomodá-lo, ela deixou as sobremesas e se virou para sair.

"Rachel!" De repente, uma voz familiar soou atrás dela.

"Tracy?" Rachel se virou, surpresa com o encontro inesperado.

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