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Frágil? Eu Sou Uma Tempestade

Frágil? Eu Sou Uma Tempestade

Autor:: Clemence Vishik
Gênero: Moderno
No dia em que o meu filho perdeu o batimento cardíaco, o meu mundo desabou em silêncio. A dor era insuportável, mas o que se seguiu foi ainda mais chocante. O meu marido, Pedro, ficou ao telefone do lado de fora da sala, preocupado com um ataque de pânico da sua irmã Sofia. Ele nem se preocupou em perguntar como eu estava, saiu para ir ter com ela enquanto eu ainda estava a chorar o nosso bebé, prestes a ser sujeita a uma cirurgia. No dia seguinte, recebi um "Ok" dele, via mensagem, depois de lhe terem dito que eu já tinha saído do bloco operatório. Foi nesse momento que percebi: para ele, a minha dor e a perda do nosso filho eram menos importantes que a "fragilidade" da irmã. Sentia-me vazia e traída, não conseguia acreditar que o homem que amei por cinco anos me abandonou no hospital daquela forma. A minha sogra, Dona Isabel, ainda veio à minha casa para me acusar de "ingratidão" e de "exagerar" a perda do bebé, dizendo que "as mulheres perdem bebés todos os dias", e que eu devia "superar". Eles tentaram silenciar-me com dinheiro, queriam que eu aceitasse a culpa pelo fim do casamento e jurasse sigilo. Mas a raiva tomou conta do meu peito, e nesse momento, a decisão foi tomada: iria lutar pela verdade. Não era só por mim, era pelo nosso filho que ele descartou tão facilmente. Eu não tinha mais nada a perder. O mundo iria saber a verdade sobre a sua crueldade.

Introdução

No dia em que o meu filho perdeu o batimento cardíaco, o meu mundo desabou em silêncio.

A dor era insuportável, mas o que se seguiu foi ainda mais chocante.

O meu marido, Pedro, ficou ao telefone do lado de fora da sala, preocupado com um ataque de pânico da sua irmã Sofia.

Ele nem se preocupou em perguntar como eu estava, saiu para ir ter com ela enquanto eu ainda estava a chorar o nosso bebé, prestes a ser sujeita a uma cirurgia.

No dia seguinte, recebi um "Ok" dele, via mensagem, depois de lhe terem dito que eu já tinha saído do bloco operatório.

Foi nesse momento que percebi: para ele, a minha dor e a perda do nosso filho eram menos importantes que a "fragilidade" da irmã.

Sentia-me vazia e traída, não conseguia acreditar que o homem que amei por cinco anos me abandonou no hospital daquela forma.

A minha sogra, Dona Isabel, ainda veio à minha casa para me acusar de "ingratidão" e de "exagerar" a perda do bebé, dizendo que "as mulheres perdem bebés todos os dias", e que eu devia "superar".

Eles tentaram silenciar-me com dinheiro, queriam que eu aceitasse a culpa pelo fim do casamento e jurasse sigilo.

Mas a raiva tomou conta do meu peito, e nesse momento, a decisão foi tomada: iria lutar pela verdade.

Não era só por mim, era pelo nosso filho que ele descartou tão facilmente.

Eu não tinha mais nada a perder.

O mundo iria saber a verdade sobre a sua crueldade.

Capítulo 1

Quando o médico me disse que o meu bebé já não tinha batimento cardíaco, o mundo ficou em silêncio.

O barulho do hospital, os passos apressados no corredor, tudo desapareceu.

A única coisa que eu conseguia ouvir era o eco das suas palavras.

O meu marido, Pedro, estava ao telefone do lado de fora da sala. A sua voz era baixa, mas eu conseguia sentir a sua irritação mesmo através da porta fechada.

"Eu já te disse, Inês, não posso ir agora. A Sofia está em pânico por causa do exame, preciso de ficar com ela."

Sofia. A sua meia-irmã.

A mesma Sofia que ele sempre colocou em primeiro lugar.

Agarrei a bata do hospital, o tecido áspero nos meus dedos. O meu corpo estava frio.

O médico olhou para mim com pena. "Sinto muito, Ana. Precisamos de agendar a cirurgia."

Eu assenti, incapaz de formar palavras.

Pedro entrou na sala, desligando o telefone. Ele nem sequer olhou para mim.

"O que o médico disse? Está tudo bem? A Sofia está a ter um ataque de pânico, preciso mesmo de ir."

A sua impaciência era uma parede entre nós.

Eu olhei para a sua cara, a mesma cara que eu amei durante cinco anos. Agora, parecia a de um estranho.

"O bebé," a minha voz saiu como um sussurro rouco. "Morreu."

Pedro congelou. Por um segundo, vi um vislumbre de choque nos seus olhos.

Mas desapareceu tão rapidamente como apareceu.

Ele esfregou a cara, um gesto de cansaço, não de dor.

"Ana, agora não é altura para piadas. A Sofia precisa de mim."

"Não é uma piada, Pedro."

O meu tom era tão vazio que finalmente o fez parar. Ele olhou para mim, realmente olhou para mim, e depois para o médico, que confirmou com um aceno de cabeça solene.

O telefone dele tocou novamente. O nome "Sofia" iluminou o ecrã.

Ele atendeu instantaneamente.

"Sofia? Acalma-te. Sim, estou a ir. Não, não te preocupes com nada. Eu resolvo."

Ele virou-se para mim, a sua voz baixou para um sussurro apressado e irritado.

"Olha, eu tenho de ir. A Sofia está sozinha e está a passar por um mau bocado. Resolvemos isto quando eu voltar."

Ele nem sequer perguntou como eu estava.

Ele nem sequer perguntou sobre o nosso filho.

Ele simplesmente saiu.

Fiquei a olhar para a porta fechada, a barriga lisa sob as minhas mãos. Ontem, continha o meu mundo inteiro. Agora, era apenas um vazio doloroso.

A decisão formou-se na minha mente, clara e afiada.

Isto acabou.

Eu ia divorciar-me dele.

Capítulo 2

A cirurgia foi um borrão de anestesia e vozes abafadas.

Quando acordei, a minha melhor amiga, a Clara, estava sentada ao meu lado, a segurar a minha mão.

Os olhos dela estavam vermelhos.

"Como te sentes?" ela perguntou suavemente.

"Vazia," eu disse. Era a única palavra que se aplicava.

O meu telemóvel estava na mesa de cabeceira. Estava silencioso. Nenhuma chamada perdida do Pedro. Nenhuma mensagem.

Claro que não. A Sofia precisava dele.

Clara viu-me a olhar para o telemóvel. A sua expressão endureceu.

"Ele não ligou. Mandei-lhe uma mensagem a dizer que tinhas saído da cirurgia. Ele apenas respondeu com um 'Ok'."

Ok.

Uma palavra. Pelo nosso filho. Pela sua esposa.

Senti uma risada amarga a borbulhar no meu peito, mas saiu como um soluço.

"Clara, eu quero o divórcio."

Ela apertou a minha mão com mais força. "Eu sei. E eu vou ajudar-te."

Peguei no meu telemóvel. As minhas mãos tremiam, mas a minha determinação era firme.

Liguei ao Pedro.

Demorou uma eternidade a atender. Quando o fez, a sua voz estava cheia de sono e irritação.

"Ana? São três da manhã. O que se passa?"

"Eu quero o divórcio, Pedro."

Houve silêncio do outro lado. Depois, um suspiro pesado.

"Estás a ser dramática por causa do que aconteceu. Estás emocional. Vamos falar sobre isto de manhã."

"Não há nada para falar. Eu já decidi. O bebé era a única coisa que nos mantinha juntos, e agora ele se foi."

A menção do bebé pareceu finalmente atingi-lo.

"Não uses o nosso filho como desculpa! Achas que eu também não estou a sofrer?"

"A sofrer? Onde estavas tu, Pedro? Onde estavas quando o médico me disse que o nosso filho estava morto? Onde estavas quando me levaram para a cirurgia?"

"Eu já te disse! A Sofia estava a ter um ataque de pânico! Ela é a minha irmã, Ana! Ela não tem mais ninguém!"

"E eu? Eu não sou nada? O teu filho não era nada?"

"Isso não é justo! Tu és forte, sempre foste. A Sofia é frágil."

Frágil. Essa era a desculpa dele para tudo.

"Estou farta das tuas desculpas, Pedro. Farta de ser a segunda opção. Acabou."

"Tu não podes fazer isto," a sua voz subiu, pânico a infiltrar-se. "O que é que as pessoas vão pensar? A minha mãe vai matar-me!"

A sua mãe. A matriarca que o controlava como uma marioneta.

"Isso já não é problema meu," eu disse, a minha voz fria como gelo.

Desliguei antes que ele pudesse responder.

Bloqueei o número dele.

Foi a primeira vez em anos que senti que podia respirar.

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