Eu ouvi as palavras saírem da boca do melhor amigo do meu noivo, e meu mundo desabou. "Ela sempre foi o seu plano B, não é, Franco? Sete anos esperando a Mafalda voltar."
Sete anos de namoro, uma vida que eu acreditava ser nossa, tudo era uma mentira. Eu era apenas uma substituta para minha prima, Mafalda.
Ele não só usou nosso dinheiro para financiar os projetos dela, como também me empurrou para o lado em um evento, fazendo-me cair e fraturar o tornozelo, apenas para correr e socorrer o desmaio dramático de Mafalda.
No hospital, ele me abandonou, me humilhou publicamente e, junto com Mafalda, usou meu celular para postar fotos dela vestindo minhas roupas, com legendas que me insultavam, fazendo todos acreditarem que eu era a vilã invejosa.
"Como você ousa usar minha conta para atacar a Mafalda? Você não tem vergonha?", ele gritou, depois de me empurrar contra a parede.
Eu era um brinquedo, uma fonte de renda, uma idiota usada e descartada. Por que minha própria família assistiu a tudo isso em silêncio?
Com o coração morto, liguei para minha tia e aceitei o casamento arranjado com Luciano Canela, um homem com uma reputação sombria. "Arrange tudo para amanhã. O noivado. O casamento em uma semana."
Capítulo 1
Eu ouvi as palavras saírem da boca do melhor amigo de Franco, e meu mundo desabou. 'Ela sempre foi o seu plano B, não é, Franco? Sete anos esperando a Mafalda voltar.'
Meu corpo paralisou.
Minha garganta se fechou.
Eu estava a caminho da sala de Franco, com a xícara de café que ele tinha pedido, uma rotina que eu amava.
Nossos sete anos juntos.
Os planos.
O futuro que eu acreditava ser nosso.
Tudo se estilhaçou naquele instante.
"Exatamente", a voz de Franco, fria como gelo, respondeu. "Vera era perfeita para provar à Mafalda que eu seguiria em frente. Que eu poderia amar outra pessoa. Mas nunca foi real."
Um soluço ficou preso em minha garganta.
Eu era um brinquedo.
Uma substituta.
Sete anos da minha vida.
Minha cabeça girava.
Eu me apoiei na parede, as juntas dos dedos brancas.
Eu era a Vera.
Não a Mafalda.
Minha prima Mafalda.
A que Franco nunca esqueceu.
Dias depois, no evento de caridade, Franco sorria para as câmeras, meu braço apertado ao redor do dele.
Ele era o arquiteto brilhante.
Eu, a fisioterapeuta dedicada ao seu lado.
Ninguém via a mentira por trás dos sorrisos.
"Minha amor", ele murmurou, beijando minha testa.
Seus olhos, no entanto, estavam fixos em Mafalda, que acabara de entrar.
Ela estava pálida, fingindo um mal-estar.
Franco me empurrou para o lado.
"Desculpe, Vera", ele disse, sem olhar para trás.
Ele correu para Mafalda, que desmaiou em seus braços dramaticamente.
Eu caí.
Meu joelho, que já tinha uma lesão antiga, torceu de forma horrível.
A dor explodiu, um fogo gelado que se espalhou pela minha perna.
Ninguém notou.
Ele levava Mafalda nos braços, enquanto eu estava caída no chão, sentindo a dor que já me era familiar.
A dor de ser descartada.
Eu me arrastei, sozinha, para o hospital.
Ninguém se importou.
Ninguém veio.
No dia seguinte, Franco pediu que eu acessasse o computador dele para um trabalho.
Minhas mãos tremiam enquanto eu digitava a senha.
Então, os e-mails.
As transferências bancárias.
Nosso fundo de investimento conjunto.
Dinheiro desviado para os projetos de Mafalda.
Enquanto eu acreditava que ele estava construindo nosso futuro.
Eu não era apenas uma substituta.
Eu era uma fonte de renda.
Uma idiota.
"Vera, querida, você está aí?" A voz de Tia Sofia, a matriarca da nossa família, reverberou pelo telefone.
"Sim, Tia Sofia." Minha voz era surpreendentemente calma.
"Eu aceito o casamento arranjado. Com Luciano Canela."
Houve um silêncio do outro lado.
"Vera? Você está bem?" Tia Sofia soava chocada.
"Nunca estive melhor", eu menti, a dor no meu joelho pulsando.
"Você sempre disse que eu deveria ser prática, não é? Que o amor é superestimado. Acho que finalmente te ouvi."
Tia Sofia pigarreou.
"Bem, sim, mas... isso é um pouco repentino. Você e Franco..."
"Franco é passado", eu cortei friamente.
"Passado bem recente", ela retrucou, mas eu podia ouvir a excitação crescendo em sua voz.
"Eu achava que você estava com medo da sombra de Luciano, da reputação dele."
Eu ri, um som seco e sem humor.
"Não temo sombras. Só vejo oportunidades."
"Ótimo! Vou organizar tudo. O jantar de noivado pode ser na próxima semana, e o casamento em dois meses."
"Não", eu disse.
"Arrange tudo para amanhã. O noivado. O casamento em uma semana."
"Vera! Mas e o Franco? E a Mafalda? Eles vão enlouquecer!"
Eu podia ouvir o prazer em sua voz ao mencionar o caos.
"Mafalda? Oh, ela vai ficar bem. Franco vai estar lá para ela." Meu tom era mordaz.
"Você sabe, o Franco estava tão confuso quando Mafalda voltou para a cidade, não é?" Tia Sofia continuou, como se eu não tivesse dito nada.
"Ele sempre foi um cachorrinho atrás dela. Pobre Vera, você não via."
Um nó se formou em meu estômago.
Tia Sofia sempre soube.
Minha própria família sabia.
Eles me observavam ser usada e humilhada.
Fingiam não ver.
Eu me lembrei de Franco, anos atrás.
Ele ria comigo, me abraçando apertado.
"Não conte à Tia Sofia sobre nós, Vera. Ela é uma fofoqueira terrível, e ela conhece a Mafalda."
Ele estava com medo.
Não que Tia Sofia fosse fofoqueira.
Mas sim que ela fosse revelar seu segredo.
"Não importa", eu disse, tentando soar despreocupada.
"Franco e eu não éramos grandes coisas. Apenas um namoro leve."
As palavras me queimaram a língua.
O telefone escorregou da minha mão.
Não era Tia Sofia me ligando.
Era Franco.
Ele estava atrás de mim.
Seus braços me envolveram por trás, um calor que antes me confortava, agora me dava arrepios.
"Com quem você estava falando, meu amor?" Sua voz era melosa, mas tinha uma pontada de ameaça.
Um calafrio percorreu minha espinha.
Eu estava totalmente sozinha.
"Franco." Minha voz saiu estranhamente baixa e distante, um sussurro que parecia vir de outra pessoa.
Ele me soltou, virando-me para encará-lo.
Seus olhos se arregalaram ligeiramente, surpresos com o meu tom.
"O que foi, meu amor? Por que essa formalidade?" Ele tentou beijar minha boca, mas eu virei o rosto.
Eu o encarei diretamente, sem piscar.
"Não sou seu amor. Não sou nada seu."
Ele riu, um som sem humor.
"Ah, entendi. Você está com ciúmes porque eu não passo tempo suficiente com você."
Ele me empurrou suavemente contra a porta do quarto, seu corpo pressionando o meu.
"Acho que precisamos remediar isso."
Ele flutuava sobre mim.
O cheiro de seu perfume.
O mesmo que eu comprava para ele.
Misturado a outro, doce e enjoativo.
"Prometo que serei todo seu esta noite", ele murmurou, sorrindo.
Seu sorriso me causava náuseas.
Quase vomitei ali mesmo.
Meus olhos fixaram-se em algo em sua camisa.
Uma mancha vermelha.
Um contorno perfeito.
Um batom.
O batom vermelho-cereja que Mafalda usava.
Eu me lembrei das "regras" dele.
"Nunca deixe marcas, Vera. Nunca."
"Eu não quero que as pessoas saibam dos nossos momentos íntimos."
Eu sempre acreditei nele.
Mas não era sobre marcas.
Era sobre quem deixava as marcas.
Era sobre quem tinha permissão para te tocar.
E não era eu.
Ele tentou me beijar de novo, mas então sentiu.
Sua mão roçou meu tornozelo enfaixado.
Uma pontada aguda de dor me fez chorar.
Lágrimas quentes escorreram pelo meu rosto.
Eu o empurrei com toda a força que tinha.
Ele cambaleou para trás.
"Vera? O que aconteceu? Meu Deus, por que você está chorando?"
Sua voz soava preocupada, mas seus olhos... seus olhos eram vazios.
Uma atuação barata.
"Meu tornozelo", eu gaguejei, minha voz embargada.
"Seu... tornozelo?" Ele franziu a testa, como se visse pela primeira vez o gesso que cobria minha perna.
"Por que você não me disse? Eu te levei ao hospital?"
Eu podia rir.
Ele sabia.
Ele estava lá quando eu caí.
Ele me empurrou.
Ele me deixou lá.
Ele me viu me arrastando.
Ele me viu sozinha.
"Fui sozinha", eu disse, minha voz um fio.
"Sozinha? Vera, isso é inaceitável! Por que você não me ligou?" Ele se ajoelhou, fingindo examinar meu gesso.
"Você está com dor, meu amor?"
Ele se levantou, indo até a cozinha para pegar um copo d'água.
Eu observei suas costas.
E percebi que todas as suas "preocupações" passadas.
Todos os seus "cuidados".
Eram apenas mais uma parte do roteiro.
Nunca foi amor.
Era uma farsa nojenta.
"Não quero te incomodar, meu amor", eu disse, quando ele voltou com a água.
"Acho que vou dormir no quarto de hóspedes esta noite."
Ele aceitou, estranhamente complacente.
Mas no meio da noite, ele apareceu no quarto de hóspedes, com um edredom.
"Não consigo dormir sem você, Vera", ele sussurrou, tentando me abraçar.
Então, o telefone dele vibrou.
Uma mensagem.
Ele olhou para o nome.
"É um amigo, Vera. Precisa de mim."
Ele se levantou e saiu.
Eu peguei meu telefone.
Abri o aplicativo de mídia social.
Uma história de um amigo de Franco.
Mafalda.
No bar.
Rindo.
Franco ao lado dela.
O mesmo perfume que estava nele.
O mesmo batom.
Ela estava usando meu casaco favorito.
Aquele que Franco disse que me deixava "tão charmosa".
Eu curti a foto.
Desliguei o telefone.
E adormeci.
Pela manhã, Franco entrou no quarto de hóspedes, os olhos injetados de sono. Ele parecia cansado, mas ainda tentou sorrir para mim. Era um sorriso falso.
Ele se aproximou, estendendo a mão para tocar meu rosto, um gesto que outrora me acalmava.
Eu me encolhi, um arrepio de nojo me percorrendo.
Meu rosto era uma máscara de repulsa.
Ele notou minha reação.
"Dói muito, não é, meu amor?" Ele interpretou meu nojo como dor.
Ele não tinha ideia do que realmente me machucava.
"Vista-se. Vamos ao médico."
Sua voz carregava uma gentileza forçada.
"Para quê?", minha voz era fria, sem emoção.
"Para ver seu pé, Vera!" Ele tentou esconder a irritação.
"Não posso te deixar assim. Temos que ter certeza de que você está bem."
Eu não disse nada.
Apenas me levantei, claudicando, e me vesti.
No saguão do hospital, a figura familiar surgiu.
Mafalda.
Pálida, parecendo frágil.
Mas seus olhos tinham um brilho de triunfo.
Franco tirou a mão da minha.
Correu em direção a ela.
"Mafalda! O que aconteceu?"
Ele a abraçou, a testa franzida em preocupação.
Meu tornozelo atingiu a quina da parede.
Uma dor lancinante me fez prender a respiração.
Eu me agarrei na parede, tentando não cair.
Ele nem percebeu.
"Franco, quem é essa?" Mafalda perguntou, sua voz fraca, mas seus olhos focados no meu casaco.
O meu casaco que Franco me disse que me deixava "charmosa".
Ele era idêntico ao dela.
Franco se virou, percebendo-me ali.
Seu rosto ficou pálido.
"Ah, ela... é a irmã de uma amiga. Veio me acompanhar."
Ele me chamou de "irmã de uma amiga".
Meu rosto queimou de humilhação.
Mafalda apenas balançou a cabeça, desinteressada.
"Me leve para casa, Franco. Estou com tontura."
Ele a pegou no colo.
"Vera, espere aqui. Eu já volto para te buscar."
Ele saiu correndo, Mafalda em seus braços, a imagem do cavalheiro preocupado.
Eu o observei partir.
Ele a amava de verdade.
Não havia disfarce.
Não havia mentira em seus olhos quando ele olhava para ela.
Era puro, inegável, e me rasgava por dentro.
Um sorriso amargo surgiu em meus lábios.
Era tão fácil ver a verdade.
Para ele, Mafalda era a lua.
Eu era apenas uma estrela distante, sem brilho.
Uma enfermeira me viu.
"Senhora! Seu tornozelo está sangrando!"
Ela correu para mim, me levando para a sala de emergência.
Eu olhei para baixo.
Meu gesso estava manchado de vermelho.
O cheiro de ferro.
"Como você se machucou, querida?" a enfermeira perguntou, limpando a ferida.
Eu apenas acenei com a cabeça.
Não tinha voz.
A dor física era menor que a dor no meu peito.
Eu apenas queria que tudo acabasse.
"Você precisa de repouso absoluto. Vou ligar para seu marido ou noivo para vir te buscar."
Meu coração deu um pulo.
Eu peguei meu telefone.
Abri o aplicativo de mensagens para ligar para Franco.
Meu dedo pairou sobre o nome dele.
Então eu parei.