O Romance, Fênix da Esperança, da jovem escritora Pâmela Beatriz, é para mim um achado. Vou explicar-lhe por que esse texto foi para mim algo novo, inusitado. Em minha pequena experiência como leitor, todavia o que seria considerado uma experiência significativa de um leitor, tendo em vista que diariamente milhares de títulos são publicados apenas no Brasil? Mas, como estava dizendo, em minha experiência como leitor, eu nunca havia lido um romance com a peculiaridade dessa obra.
Costumamos ler e até mesmo escrever textos que às vezes refletem alguma influência que sofremos, seja cultural, religiosa, política etc.
No romance Fênix da Esperança a escritora Pâmela Beatriz revela como é a vida de uma jovem vivendo entre duas capitais: São Paulo e Recife. Enquanto a personagem principal da história tenta superar uma trágica perca, temos a possibilidade de acompanhar a rotina dessa personagem. E no sentido de acompanhar a rotina, a autora da obra se dedicou em enriquecer o livro com muitos detalhes, trazendo à tona as preferências dos personagens desde empresas de aviação a comidas que a família consumia.
Essa história coloca a personagem principal em um confortável lar de seio evangélico. Fica evidente que não é uma visão superficial da autora ou fruto de pesquisas, é claro que faz parte da vivência dela, dessa forma não podemos achar que o enredo é limitado, pelo contrário, podemos mergulhar em um mundo cheio de valores e receios, de esperança na espiritualidade e limitações comportamentais devido às regras da Igreja. Mas que no fundo traz sempre a perspectiva de que Deus está todo o tempo providenciando o melhor para todos que seguem seus preceitos. E dessa forma, como o próprio nome do livro sugere, em meio a muitas adversidades e problemas super atuais que a personagem principal enfrenta, o que dá um toque de contemporaneidade a obra, o livro nos ensina que nunca podemos perder a fé e a esperança.
Boa Leitura!
Lunas de Carvalho Costa
Escritor, Produtor Cultural, Contista,
Poeta & Técnico em Prótese Dentaria
Bezerros/PE, 24 de novembro de 2021.
Querido Anthony,
Escrevo essa carta para lhe dizer que já não suporto essa dor que me sufoca, chamo por teu nome em transmissão de pensamento, mas a realidade é que não te tenho em meus braços. Você não me ensinou a viver sem ti. Uma agitação estranha interrompe o meu sono desde a última vez em que te vi, pesadelos são frequentes, ouço nossa canção e vejo as nossas fotos de momentos felizes, porém, únicos que jamais terei outra oportunidade. Partisse de mim, tomasse outro rumo, ao qual, ninguém queria que fosse desta maneira. Ah!
Querido, como faço para te esquecer?
Não encontro forças para continuar... Você já não responde mais as minhas mensagens, nem me diz o quanto me ama, o término chegou, sim, está doloroso.
Ontem teu rosto estava tão inexpressivo.
Não... Jamais irei aceitar o que fizeram, esfregando os olhos tento me recompor, apesar das emoções, as palavras de nenhum dos nossos amigos me confortam. Nosso noivado e o plano de casamento estavam tão próximos. Por que partir sem dizer pelo menos adeus?
São cinco horas da manhã e dormir? Nem sei mais o que é isso, a fonte da esperança esgotou, após aquela maldita ligação. Aaah! – meu grito ecoou na sala e assustou quem estava próximo. Desculpo-me e vou ao meu quarto, ligo o chuveiro, coloco aquela música, aquela que me energiza e ao mesmo tempo me desmorona.
Sem ti não sei viver. Seus familiares não aceitam a peça que o destino nos pregou, crueldade você sair assim, estou agora tentando aos poucos juntar os cacos do meu ser, eu quero te esquecer, mas o amar-te é mais forte, nossa sintonia traz uma harmonia de alma.
Enquanto existir, jamais te esquecerei, baby, seja feliz onde quer que esteja. Amo-te.
Isabelle.
Acordo numa manhã chuvosa de domingo, por volta das 05h40mim da manhã e lembranças do dia anterior me atormentam e nem forças para sair daquela enorme cama tenho em mim. Penso em ligar para a minha melhor amiga, mas ainda é bem cedo e em pleno domingo, sagrado para o descanso, já que ela havia me dado muito apoio ao vir ao meu encontro no dia anterior.
Pego meu celular na mesinha de cabeceira da cama, vou ao aplicativo de música e faço uma breve pesquisa pela canção Human Nature/Michael Jackson, ao ouvir os primeiros acordes logo os meus olhos em lágrimas inundam meu rosto magro e fino, na mesma medida sinto uma paz, a certeza de que tudo isso é uma fase, uma tempestade e que no tempo certo virá à bonança. Ouço a porta do quarto se abrindo, nem preciso adivinhar de quem se trata, é a minha segunda mãe, aquela que me criou, a dona Antônia. Disfarço para que ela ache que estou dormindo para não tocar no assunto. Alguns segundos depois, ouço o fechar da porta e me tranquilizo. Porém, volto a chorar uma segunda vez, mas sei que devo seguir em frente e adormeço. Já por volta das 10h35mim da manhã, vou para a cozinha preparar meu café da manhã, um prato bem típico nordestino, um cuscuz com manteiga derretida e vou para a mesa degustar o meu alimento. Após acabar de comer ouço meu telefone tocando, é a mãe dele, suspiro e atendo.
– Alô! – diz.
E do outro lado da linha, uma voz chorosa me diz:
– Oi... Isabelle, querida! Eu tenho que falar algo com você. O meu Anthony...
Ao ouvir falar aquele nome uma energia me toma por inteiro, sinto como se alguém tivesse me jogado num poço fundo e muito escuro.
E ela prossegue.
– Ele, desde o primeiro contato contigo, te amou muito, e o que ocorreu jamais será culpa sua.
– Como não? – responde chorando. – Eu não deveria tê-lo deixado sair, só mais alguns segundos, e isso não teria acontecido. Dona Lúcia, eu peço, por favor, que a senhora e o senhor Luís algum dia possam me perdoar.
– silêncio profundo entre as duas linhas.
Após uma longa fungada para enxugar as lágrimas da parte dela, ouço.
– Não, não existe exatamente nada do qual eu e o meu esposo possamos te perdoar em relação ao meu filho, se tudo o que fizeste foi amá-lo com a sua alma... E lhe digo mais, se existe alguém a pedir perdão é o tal pela dor que agora todos estamos a passar. – As lágrimas são as respostas, ao qual ela se despede e desliga a ligação.
Subo as escadas que parecem mais um calvário, para chegar ao meu quarto. Entro e lá eu enxugo as lágrimas, em seguida vou ao banheiro tomar um banho para acalmar os ânimos, bastante alterados pela ligação de minutos antes. Enquanto tomo uma ducha deixo a playlist escolhida tocando e uma das músicas que me faz pensar:
"Independentemente de como a minha alma esteja abatida ainda preciso ouvir a voz de Deus, e ver o que ele quer para mim, através deste acontecimento todo." – penso enquanto ensaboou o corpo.
Saio do banheiro e me arrumo, coloco uma roupa confortável e calço meu tênis novo, pego a minha máscara e álcool em gel, celular e a carteira com documento e algumas moedas e saio de casa, e minha avó nem "retruca" . Na rua um vento frio passa pelo meu corpo, sinto um arrepio por inteiro e vou andando para uma praça recém-construída, próximo a minha residência. Ao passar por uma das minhas vizinhas, a Severina, que do alto do seu segundo andar, grita meu nome e diz:
– Oh, tadinha! Isa, minha fia, fique assim não, isso faz parte da vida.
– Obrigada. – Segue em sentido à praça das cerejeiras.
Sinto meu celular vibrar, olho o nome gravado.
"Por favor, não quero falar com ele." – penso.
Deixo o aparelho de lado até que ele pare de emanar vibrações. Ao chegar à praça vou ao mercadinho mais próximo e compro dois Tridents sabor canela e volto a sentar num banquinho. Vejo um casal com uma criança a brincar e ambos sorriem, aquilo por um instante me paralisa e atrai a minha total atenção. Pego o meu celular e vou à galeria e vejo uma foto recente onde estou com o Anthony abraçado, e cogito que aquela família um dia poderia ser a que poderíamos juntos construir num futuro que, infelizmente, jamais existirá. Fico a pensar nele enquanto subo uma extensa rua com uma longa ladeira, saio em direção à avenida e vou dar um passeio pelas lojas para me livrar dos tais pensamentos. Ando alguns quilômetros e decido voltar para casa. Em um determinado tempo, já abrindo o portão, paraliso ao ouvir o seguinte:
– Estou com medo da minha menina não suportar essa tamanha dor, e desistir de encontrar um novo amor e seguir seus sonhos e metas. Ela não merece estar passando por isso.
Uma voz diz:
– Nem a família dele também, não esqueça.
– Que seja. – diz Antônia. – Minha maior preocupação é com a minha neta, não suporto vê-la desta maneira desolada.
Finjo que o portão deslizou da minha mão, o que faz um barulho bem alto, para que assim notassem a minha presença. Entro e nem sequer digo uma palavra, lavo as minhas mãos e vou em direção ao meu quarto, tiro as minhas roupas e tomo um segundo banho por causa do Sars-Cov-2, visto meu melhor pijama, me deito e adormeço.
Acordo às 15h45mim da tarde e vou para a cozinha almoçar. Subo para o meu quarto para escolher a minha melhor roupa e a máscara, depois coloco meu melhor perfume. Espero a minha avó terminar de se arrumar para irmos à igreja. Chegando lá, cumprimentamos de longe os irmãos e vamos para as cadeiras em que nos sentamos nos cultos, agora com certo distanciamento. Então, se aproximou de nós um irmão e amigo meu de infância da congregação.
– Olá! Boa noite! A paz irmãs. – disse Rogério.
– Amém! – sonoro e em bom som ao mesmo tempo sai das bocas delas.
Ele continuou a cumprimentar os outros membros da igreja. Exatamente às 18h00mim da noite começou o culto. Iniciando com o louvor e após algumas orações, mais louvores. A pregação ficou por conta do pastor Carlos Francisco em Salmos, Versículo 42, versos do primeiro ao nono. Durante a ministração daquela noite chorei ao entender o carinho e cuidado de Deus para comigo através do seu ministro.
Por volta das 20h00mim da noite terminou o culto. Fui para a porta do templo, e o mesmo rapaz que havia me cumprimentado antes do início veio agora diretamente falar comigo.
– Isabelle, eu posso falar rapidamente contigo sem a presença da senhora Antônia?
– Claro Rogério, o que deseja?
– Quero dizer... – Pigarro. – Que Deus é contigo e no momento certo essa dor amenizará e vais poder enxergar a perfeita e agradável vontade d'Ele, sobre a sua vida. E que... Deixa para lá.
– Obrigada pelas palavras de ânimo irmão Rogério.
– Saí imediatamente em direção a Antônia.
– Com licença. Vó, nós podemos ir?
– Vamos, minha filha. – Ela despede-se do pessoal.
Já em casa dou-lhe um beijo na testa e quando ia para meu quarto, ela fala:
– Filha!
– Diga. – Consente.
– Fico feliz por você estar encontrando forças para seguir, és uma jovem, porém com uma maturidade que me impressiona querida.
– Estou apenas tentando, só isso. – Responde.
Tiro as roupas que fui para o culto e coloco o pijama mais confortável, deito-me em minha cama, pego meu celular, escolho uma das nossas fotos, me abraço com o celular e adormeço.