Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Bilionários > Gaiola de Ouro, Alma Livre
Gaiola de Ouro, Alma Livre

Gaiola de Ouro, Alma Livre

Autor:: êzary Laria Cardoso
Gênero: Bilionários
Eu era a voz de Portugal, a musa de Liam Gordon, herdeiro de um império, que me amou com uma obsessão que me aprisionava numa gaiola de ouro. Para ele, lutei contra tudo e todos, sacrificando a minha vida pela sua. Mas a chegada de Raegan, uma "artista rebelde", transformou-me de deusa em posse, de esposa em brinquedo a ser descartado. A humilhação era diária: ele observava-me a sangrar após um aborto, ignorando o nosso bebé não planeado. E quando ousei desafiá-lo, a crueldade dele não conheceu limites: presenciei Liam desligar o ventilador do meu irmão, a única pessoa que me restava, matando-o, apenas para me "dar uma lição". A dor da perda era insuportável, mas o que mais chocava era a sua indiferença, a sua crueldade fria. Como o homem que me prometeu proteger de tudo, se tornou o meu maior carrasco? Como o amor que acreditava ser eterno pôde ser substituído tão friamente? Ajoelhada, humilhada, com o corpo e a alma em pedaços, compreendi que não havia regresso para mim. Tomei uma decisão: usaria o dinheiro do divórcio não como consolação, mas como o meu bilhete de saída. Eu iria desaparecer para sempre.

Introdução

Eu era a voz de Portugal, a musa de Liam Gordon, herdeiro de um império, que me amou com uma obsessão que me aprisionava numa gaiola de ouro. Para ele, lutei contra tudo e todos, sacrificando a minha vida pela sua.

Mas a chegada de Raegan, uma "artista rebelde", transformou-me de deusa em posse, de esposa em brinquedo a ser descartado.

A humilhação era diária: ele observava-me a sangrar após um aborto, ignorando o nosso bebé não planeado. E quando ousei desafiá-lo, a crueldade dele não conheceu limites: presenciei Liam desligar o ventilador do meu irmão, a única pessoa que me restava, matando-o, apenas para me "dar uma lição".

A dor da perda era insuportável, mas o que mais chocava era a sua indiferença, a sua crueldade fria. Como o homem que me prometeu proteger de tudo, se tornou o meu maior carrasco? Como o amor que acreditava ser eterno pôde ser substituído tão friamente?

Ajoelhada, humilhada, com o corpo e a alma em pedaços, compreendi que não havia regresso para mim. Tomei uma decisão: usaria o dinheiro do divórcio não como consolação, mas como o meu bilhete de saída. Eu iria desaparecer para sempre.

Capítulo 1

A noite em Sintra era fria, a chuva fina e gelada caía sem parar, molhando a varanda de mármore do palácio.

Fiona Murray tremia, vestida apenas com uma fina camisa de dormir de seda, o vento cortante açoitava a sua pele pálida.

Há dez anos, Liam Gordon, o herdeiro da mais poderosa dinastia de vinhos e cortiça de Portugal, encontrou-a a cantar fado numa pequena casa de fados em Alfama. Ele tinha dezoito anos, ela também. Ele disse que a sua voz era a alma de Portugal, a coisa mais pura que já tinha ouvido.

Naquela altura, ele olhava para ela como se ela fosse uma deusa, os seus olhos cheios de uma devoção ardente.

Ele lutou contra a sua família, que a desprezava pela sua origem humilde, e casou-se com ela. Comprou-lhe as mais raras guitarras portuguesas antigas, contratou os melhores tutores de música e, mais importante, pagou pelo tratamento médico caríssimo que mantinha o seu irmão mais novo vivo.

Ele amava-a com uma obsessão que a assustava e a lisonjeava. Ele transformou-a, moldou-a, isolou-a do mundo para que ela fosse apenas sua.

Mas o homem que a adorava já não existia.

Agora, Liam olhava para ela com um frio cortante, os seus olhos escuros como a noite lá fora.

"Fiona, foste tu, não foste?" A sua voz era suave, quase um sussurro, mas carregada de uma ameaça que lhe gelava os ossos.

Ele estava a falar de Raegan Perez, a sua nova obsessão.

"Eu não fiz nada." A voz de Fiona saiu fraca, trémula por causa do frio e do medo.

Liam sorriu, um sorriso sem calor. Ele levantou o seu telemóvel, mostrando-lhe o ecrã.

"Ela bloqueou-me. Desapareceu. E aconteceu logo depois de teres saído para 'tomar um pouco de ar' . Diz-me o que lhe disseste."

"Eu não a vi, Liam. Eu juro."

Ele ignorou-a. No ecrã do telemóvel, uma transmissão de vídeo ao vivo começou. Fiona viu o quarto de hospital privado do seu irmão. Viu o ventilador que o mantinha a respirar.

E depois, viu uma mão a desligar o interruptor da energia de emergência. A luz verde do aparelho apagou-se. Um alarme silencioso piscou no ecrã.

"O médico diz que ele não sobrevive mais de cinco minutos sem o ventilador, Fiona. Vou perguntar mais uma vez. O que disseste a Raegan?"

O pânico apoderou-se dela, uma onda de terror que a sufocou. As lágrimas escorriam pelo seu rosto, misturando-se com a chuva. O seu irmão. A sua única família. A sua fraqueza.

"Fui eu." A confissão saiu num soluço desesperado. "Eu disse-lhe para te deixar em paz. Eu disse-lhe que ela nunca seria a senhora Gordon."

Ela estava a mentir, mas a verdade não importava. A única coisa que importava era o som do interruptor a ser ligado novamente no vídeo. A luz verde voltou a acender-se.

Fiona olhou para Liam, o homem que um dia prometeu protegê-la de tudo e de todos. Agora, ele era a fonte de toda a sua dor. Ela percebeu, com uma clareza dolorosa, que nunca tinha sido insubstituível. Ele não a amava; ele amava a ideia de a possuir.

Há seis meses, ele conheceu Raegan Perez num leilão de arte. Uma artista em ascensão, famosa pela sua "autenticidade" e espírito rebelde. Vinda de uma família modesta do Porto, ela cultivava uma imagem de quem rejeitava o mundo comercial, mesmo que secretamente o cobiçasse. E tinha um defeito cardíaco congénito, uma vulnerabilidade que usava para ganhar simpatia.

Liam ficou obcecado. A recusa de Raegan, a sua persona "indomável" , era um desafio que ele não conseguia resistir.

"É só um jogo, Fiona," ele disse-lhe quando o caso se tornou público. "Ela é uma diversão. Tu és a minha mulher. Sê obediente."

Ela pediu o divórcio. Ele riu-se.

Agora, o telemóvel de Liam tocou. Ele atendeu, o seu rosto a transformar-se instantaneamente. A sua voz, antes fria e cruel, tornou-se calorosa e preocupada.

"Raegan? Onde estás? Estava tão preocupado."

Fiona observou-o, o seu corpo a tremer incontrolavelmente. A pressão, o frio, o terror. Uma dor aguda e violenta atravessou o seu abdómen.

Ela dobrou-se, um gemido de agonia a escapar dos seus lábios. O sangue quente escorreu pelas suas pernas, manchando a seda branca da sua camisa de dormir.

Liam desligou a chamada, os seus olhos brilhando de alívio e alegria.

"Ela está bem. Estava a fazer voluntariado num abrigo de animais. Tão pura."

Ele virou-se para sair, para correr para a sua nova obsessão.

"Liam..." ela sussurrou, a sua visão a escurecer. "O bebé..."

Ele parou por um momento, olhando para o sangue no chão com um leve franzir de sobrancelhas. A sua expressão era de aborrecimento, não de preocupação.

"Não era planeado," disse ele friamente, antes de se virar e sair, deixando-a a sangrar na varanda fria e chuvosa.

Fiona caiu no chão de mármore gelado, a consciência a abandoná-la. A última coisa que sentiu foi a dor da perda. Não apenas a perda do seu filho, mas a perda final e irrevogável do amor que ela pensava ter.

A governanta encontrou-a e chamou uma ambulância. Mais tarde, no hospital, Liam ligou. Não para perguntar por ela, mas para dar ordens.

"Tranquem-na num dos quartos da vivenda de Sintra. Ela precisa de tempo para refletir sobre o que fez."

Confinada ao quarto, com o corpo dorido e o coração vazio, Fiona olhou pela janela para a paisagem cinzenta. A dor da perda do seu filho era uma ferida aberta, mas a indiferença de Liam era o veneno que a infetava.

O amor que sentia por ele, que já tinha sobrevivido a tanto, finalmente morreu.

Capítulo 2

Fiona acordou com o cheiro a antissético. Estava de volta à vivenda de Sintra, num quarto de hóspedes que nunca usava. Uma enfermeira particular estava a verificar o seu soro.

A perda era um vazio físico dentro dela. Ela tocou no seu ventre, agora plano, e uma lágrima silenciosa escorreu pela sua têmpora. O amor tinha morrido, e agora, uma resolução fria tomava o seu lugar.

Era hora de acabar com isto. Para sempre.

A porta abriu-se e Liam entrou, não sozinho. Raegan Perez estava ao seu lado, agarrada ao seu braço, com uma expressão de falsa fragilidade.

"Liam, querido, talvez isto seja demais para ela," disse Raegan, com a voz a tremer ligeiramente. "Olha para ela, parece tão frágil."

Liam olhou para Fiona com impaciência. "Fiona, a Raegan veio aqui porque a família dela no Porto tem recebido telefonemas anónimos a assustá-los. Ela acha que foste tu."

Fiona olhou para a artista, para o seu rosto pálido e olhos calculistas. A mentira era tão óbvia, tão descarada.

"Eu estive inconsciente e depois confinada aqui," disse Fiona, a sua voz rouca. "Como poderia eu ter feito isso?"

Ela virou-se para Liam, a dor a dar lugar a uma raiva fria. "E o nosso filho? Não tens nada a dizer sobre ele?"

Liam suspirou, como se ela estivesse a ser irracional. "Fiona, já te disse, não era planeado. Estas coisas acontecem. Além disso, a tua prioridade agora devia ser pedir desculpa à Raegan."

Pedir desculpa. A palavra ecoou na sua cabeça. Ele queria que ela pedisse desculpa pela perda do seu filho, pela sua dor, pela sua humilhação.

"Não," disse ela, com uma firmeza que surpreendeu até a si mesma.

Raegan começou a chorar suavemente. "Liam, eu não aguento isto. Eu não posso ser a causa de tanto sofrimento. Eu devia ir-me embora."

"Não, tu não vais a lado nenhum," disse Liam, abraçando-a protetoramente. Ele virou-se para Fiona, os seus olhos a endurecerem. "Tu vais pedir desculpa. Agora."

"Eu não vou," repetiu Fiona.

Liam fez um sinal com a cabeça aos dois seguranças que esperavam à porta. Eles entraram, altos e imponentes.

"Ajoelhem-na," ordenou Liam.

Os homens agarraram os seus braços. Fiona debateu-se, mas estava fraca. Eles forçaram-na a sair da cama e empurraram-na para o chão, aos pés de Raegan. A dor no seu corpo protestou, mas a humilhação era pior.

"Diz que lamentas," disse Liam, a sua voz perigosamente calma.

Com os dentes cerrados, sentindo o olhar triunfante de Raegan sobre si, Fiona sussurrou as palavras: "Eu lamento."

Raegan sorriu docemente. "Eu aceito as tuas desculpas, Fiona. Mas, Liam," ela virou-se para ele, a sua voz agora firme, "eu não posso ser a outra mulher. Eu não sou esse tipo de pessoa. Ou é ela, ou sou eu."

Liam olhou para Fiona, ajoelhada e derrotada no chão. Depois olhou para Raegan, a personificação da sua nova obsessão. A escolha era fácil para ele.

"Claro, meu amor. O que tu quiseres."

No dia seguinte, o advogado de Liam apareceu. Ele trazia os papéis do divórcio e um acordo de cinco milhões de euros.

"O Sr. Gordon pediu para lhe dizer que isto é apenas uma formalidade," disse o advogado, com um tom profissional. "É para acalmar a Srta. Perez. Ele diz que se voltarão a casar assim que as coisas acalmarem. Ele ainda a ama, Sra. Gordon. Ele só precisa que seja paciente."

Fiona olhou para os papéis. Uma formalidade. Uma mentira para a manter na linha. Ele ainda acreditava que ela era a sua posse, a sua cadela obediente que esperaria por ele.

Ela pegou na caneta sem hesitar.

"Onde assino?"

O advogado pareceu surpreendido com a sua falta de emoção. Ela assinou o seu nome, Fiona Murray, pela última vez como esposa de Liam Gordon. Os cinco milhões de euros não eram um prémio de consolação. Eram o seu bilhete de saída.

Ela ia usar o dinheiro dele para desaparecer da vida dele para sempre.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022