O plano de Alana Parker e seu namorado era simples: assim que se formassem, iriam direto ao cartório para se casar.
Alana sempre foi confiante. Afinal, considerava-se bonita o bastante e tinha um namoro sólido de quatro anos; tudo parecia estar nos eixos.
Infelizmente, seu namorado terminou com ela no exato dia em que deveriam se registrar.
Depois de esperar do lado de fora do cartório pelo que pareceu uma eternidade, Alana finalmente praguejou baixinho, rangendo os dentes: "Aquele idiota. Tinha que esperar eu estar plantada aqui na porta do cartório? Recebe a porcaria de uma ligação e pronto, pula fora? Não dava pra ter pensado nisso ontem?"
Se ele tivesse terminado com ela um dia antes, ela nunca teria acabado nessa situação. Com a aparência que tinha, encontrar alguém para se casar não era impossível.
Pelo menos, ela poderia ter escolhido alguém que já conhecia, em vez de ficar aqui, esperando que o governo lhe arranjasse um completo estranho.
E, sinceramente, quais eram as chances de ela conseguir um marido bonito, gentil e caseiro por um sistema como esse?
Alana nunca teve sorte. Se ela entrava numa fila de caixa, podia ter certeza de que era a que não andava. Na única vez em que esqueceu o guarda-chuva, caiu um temporal. Nunca ganhou um único sorteio na vida.
Conseguir um marido decente numa máquina do governo? Impossível.
A essa altura, ela aceitaria qualquer um. Só... nada de caras violentos, fumantes, carecas e, por favor, que não fosse feio. Qualquer coisa melhor que isso, e ela já consideraria um milagre.
Faltando poucos minutos para o prazo se esgotar, Alana finalmente entrou no prédio.
A taxa de natalidade havia despencado, a população idosa estava explodindo, e o governo decidiu que a única solução era tomar medidas extremas. A partir dos vinte e dois anos, o casamento não era mais uma escolha. Até as faculdades entraram na onda: sem cônjuge, sem diploma.
Ainda havia outra opção, mas tinha um custo brutal. Quem decidisse ficar solteiro tinha que pagar dez mil dólares por mês.
Para as pessoas que se recusavam a casar, ignoravam o imposto e rejeitavam o cônjuge escolhido para elas, a punição era ainda pior. Seus diplomas seriam retidos permanentemente. Sem um diploma, boas empresas nem sequer considerariam contratá-las. Com um futuro desses, era quase impossível ter uma vida estável.
Não havia como Alana voltar atrás agora. Suas economias não cobriam nem uma taxa de imposto tão alta.
Ela ainda precisava se formar. Depois disso, precisava de um emprego estável. Jogar seu futuro fora por causa de um casamento arranjado não valia a pena.
De trás do balcão, a atendente olhou para Alana, que havia se afastado para rezar com os olhos fechados e as mãos postas. A mulher estalou a língua. "Moça, vamos agilizar? Já estamos fechando."
O sorteio manual só acontecia uma vez. Se Alana não o completasse a tempo, o sistema escolheria um par aleatório para ela.
Depois de soltar o ar lentamente, ela ergueu a mão em direção à máquina. Seu dedo tremeu antes de ela finalmente apertar o botão.
Fileiras de números piscaram na tela, uma após a outra.
Vários segundos depois, a rotação parou.
"Parabéns, senhorita Parker! Sorteio concluído. Par número 99999. Por favor, dirija-se ao balcão de atendimento para pegar as informações do seu parceiro. Desejamos sinceramente a ambos um casamento feliz e uma união duradoura."
O rosto da atendente se encheu de espanto enquanto ela encarava o número.
Combinações com dígitos repetidos eram incrivelmente raras.
Esses números eram destinados apenas a candidatos de alto nível. Pessoas com educação, aparência, habilidade e status familiar excepcionais geralmente os recebiam. Entre essas combinações, o 99999 era considerado um dos mais difíceis de se conseguir.
A mulher voltou a olhar para Alana com uma inveja clara nos olhos. "Moça, sua sorte é inacreditável. Você tirou a sorte grande."
Nada daquilo fazia sentido para Alana.
Eles nem sequer haviam lhe mostrado o perfil do homem ainda. Ela nem sabia o nome dele. Como a atendente já podia ter certeza de que ele era um partido incrível?
Ainda assim, não era isso que mais importava. Seu estágio estava prestes a terminar. Com a certidão de casamento, a empresa a efetivaria. Só isso já significava um salário mensal de seis mil.
E, honestamente, ela devia parte desses seis mil a toda essa história de casamento. Então, Alana decidiu que, desde que o cara parecesse normal e não fosse um desastre completo, ela poderia fazer dar certo.
Dinheiro nem era uma grande preocupação para ela. Mesmo que o salário dele mal pagasse as próprias contas, ela daria conta de sustentar a casa sozinha quando começasse a trabalhar em tempo integral.
A atendente voltou com uma pasta e a colocou na frente dela. "Senhorita Parker, aqui está a ficha do seu par. Já entramos em contato com ele, deve chegar em breve. Por favor, aguarde na sala de espera."
Sem dizer muito, Alana aceitou a pasta e a abriu.
No momento em que viu o nome lá dentro, seus movimentos pararam.
Ela leu de novo. Havia algo de familiar naquele nome.
Espere... não era esse o nome do cara que acabou de se tornar o homem mais rico do país?