Enquanto JaeHwa esperava calmamente o elevador chegar ao quinto andar, ele olhava sua imagem no espelho dali. Era um elevador completamente espelhado, o que lhe dava oportunidade de ver como sua roupa estava naquela hora.
Seu celular que estava no bolso vibrou, era uma mensagem de seu amigo, Min YoonHa, e ele perguntava onde estava o jantar que JaeHwa havia feito.
- Eu não fiz jantar algum, YoonHa, estou trabalhando. E nem seis da tarde é ainda, levanta a bunda da cama e faça você mesmo. - mandou um áudio e ouviu o som do elevador indicando que havia chegado no andar desejado.
JaeHwa olhou ao redor, seu cliente havia marcado consigo às cinco da tarde e havia especificado qual o apartamento lhe esperaria.
O garoto não gostava muito de atender a domicílio, muito menos atender clientes novos, mas a voz daquele em específico lhe chamou atenção durante a ligação, parecia tímido ao perguntar o valor que ele cobrava por duas horas e até mesmo perguntou se ele tinha problema com caras virgens. É claro que JaeHwa logo sacou tudo, o homem era virgem, o que ele não gostava muito, mas JaeHwa logo pôde imaginar a voz que lhe chamou atenção gemendo baixo e lhe pedindo calma, então isso lhe levou até ali.
O celular vibrou outra vez.
- Porra JaeHwa, eu não sei nem esquentar água! - YoonHa respondeu o áudio, o que fez JaeHwa parar os passos e rir.
- Problema seu. - foi a resposta que ele deu.
JaeHwa guardou o celular de volta em seu bolso e parou de frente ao apartamento quinhentos e seis. O garoto logo apertou a campainha, ajeitando a camisa escura de botões que usava.
A porta abriu, e um par de olhos escuros e arregalados fitaram o mais alto.
- Park Hayoon? - JaeHwa perguntou sorrindo ladino.
A visão que tinha era de um garoto menor, mais gordinho e completamente lindo. Seus cabelos eram na cor rosa, mas estava quase num loiro. A boca rósea e farta lhe chamou atenção também, o homem teve pensamentos sórdidos com ela, não pôde evitar.
O menor assentiu, piscando completamente perdido e olhando ao redor.
- Pode entrar... - respondeu baixo dando passagem para o outro.
JaeHwa adentrou o lugar e notou a completa organização. O lugar tinha um cheiro forte de flores, ou o garoto tinha acabado de limpá-lo, ou aquele era o cheiro do tal Park. JaeHwa ficou curioso, viu Hayoon lhe encarar outra vez e então sorriu, o maior aproximou o corpo e prendeu-o devagar contra a porta, abaixando-se minimamente para ficar cara-a-cara.
- Você é bonito. - Jeon falou e notou que o cheiro com certeza era do Park. Teve vontade de cheirá-lo no cangote, mas viu o modo em como as bochechas do menor corou, então não arriscou assustá-lo demais. - O pagamento?
Hayoon apontou para a mesa de sua sala e JaeHwa seguiu com os olhos. Ergueu o corpo e caminhou até lá, contando as dezenas de notas ali, contando uma a uma até ter a certeza.
- Há seis milhões e meio de won... - Park falou baixo se aproximando.
- Há mais do que lhe falei - Jeon falou guardando as notas em seu bolso. - Por quê?
- Porque preciso que você me ajude. Me ajude mesmo...
- A perder a virgindade, sei... E onde quer que seja? - Jeon olhou outra vez ao redor. - No quarto?
- C-Calma. Você quer beber algo primeiro? - Hayoon aproximou-se e caminhou até a cozinha. - Um vinho?
- Não bebo durante o trabalho. - Jeon falou calmo e apoiou-se na ilha que dividia até a cozinha. - mas fique à vontade.
Hayoon assentiu rápido, parecia mesmo nervoso. Jeon apenas apreciou a bela visão do garoto. Era realmente lindo, nunca havia visto ou atendido alguém tão belo. Ele usava um short justo o que deixava suas belas coxas e bumbum bem marcado. As roupas eram de marca, o que com certeza não surpreendeu a JaeHwa já que todos - ou a maioria - de seus clientes eram ricos.
Hayoon bebeu ligeiramente uma taça de vinho completa e encheu outra.
- Só não fique bêbado. - Jeon falou rindo. O Park olhou-o e assentiu. Jeon então caminhou até ele e parou ao seu lado. - Você realmente é muito bonito, como ainda é virgem? - perguntou abrindo devagar os botões de sua camisa.
O Park encarou aquilo e sentiu seu coração acelerar.
- M-Meu namorado não quer...
- Oh. - aquilo pegou Jeon de surpresa. Como alguém poderia não querer fazer sexo com aquele garoto? - Ele me parece um namorado ruim.
- Ele não é... - Hayoon respondeu encolhendo-se à medida que Jeon aproximou-se. A coxa do maior adentrou entre as suas quando seu corpo foi preso contra a ilha. - ele me pediu para fazer isso.
- Ele te pediu para que fodesse com um garoto de programa? - Jeon perguntou retirando por fim sua camisa e dispondo-a sobre o mármore. - Ele irá nos ver fazendo ou irá querer um vídeo, ou coisa assim?
- Não! Jiwa não é assim. Ele só não quer... fazer amor comigo assim.
- Então deixe que eu faço no lugar dele. - Jeon sorriu sacana, encarando aqueles lábios e morrendo de vontade de beijá-los. Tinha a certeza que seria bom, mas o cheiro do vinho lhe atiçava mais. - Eu posso? - perguntou deslizando a mão pelo corpo de Park, tocando-lhe na lateral até chegar em sua mão e buscar a taça. Hayoon suspirou com o toque, seu corpo tremia um pouco, seu nervosismo fazia aquilo. - O que quer fazer?
- Vamos para o quarto. - O outro falou baixo, buscando a mão de JaeHwa e puxando-o.
Jeon passeou pelo pequeno apartamento e não pôde notar os brinquedos que havia no canto. Pareciam brinquedos de algum animal e ao julgar a caminha rosa que havia ao lado do sofá, ele teve quase a certeza.
- Você tem um animal de estimação aqui?
Hayoon fechava a porta do quarto e olhou para Jeon que estava sem camisa e no meio do seu quarto. O homem apontava para outra pequena montanha de brinquedos ao lado da cama.
- Ela não está aqui.
- Ela? É um cadela? Uma gata? Desculpa, eu gosto de fazer perguntas.
Hayoon sorriu contido e assentiu.
- É uma cadela... se chama Fluffy.
- Fluffy. É fofo. - Jeon falou e viu Park assentir. Estavam agora em silêncio dentro daquele cômodo, e como Jeon sabia que era a primeira vez do outro, não retirou logo sua calça, mas abriu o primeiro botão. Aproximou-se outra vez, agora vendo os olhos que mais pareciam pidões encararem os seus, e aquilo fez Jeon sorrir outra vez. - Vamos com calma, tudo bem? - ele falou baixo e viu o outro assentiu. Jeon então abaixou-se um pouco, aproximando de Hayoon devagar e se que obtivesse negativa, ele deixou o primeiro beijo sobre a pele do pescoço do outro.
Hayoon ainda tinha o corpo quieto, pensava em Park Jiwan a toda hora e mesmo que Jeon fosse gostoso a beça – uma opinião que ele obteve assim que abriu sua porta – ainda sentia que era como uma traição.
Se Jiwan era seu namorado, por que ele teria que fazer sexo com um garoto de programa primeiro e só então fazer amor com ele? Park não entendia...
Arrepiou-se quando sentiu a língua quente e úmida de Jeon percorrer por sua pele e ofegou surpreso quando o maior tocou-lhe firmemente sobre a cintura.
Por mais que em sua mente aquilo fosse um erro, era um erro dos bons.
Covardemente Hayoon sentiu-se quente, tocar-lhe no pescoço já era algo que lhe deixava bastante excitado, e o modo em como Jeon fazia era novo e muito, muito bom.
Sentiu seu pau fisgar, e gemeu quando o outro deslizou a mão e apertou-o sobre a carne da bunda.
- Seu gemido é uma delícia. - Jeon falou subindo devagar com a boca ainda tocando a pele de Park e parou poucos centímetros da do outro. - consigo imaginar muitas coisas com você agora.
- Vamos só... - O Park suspirou pesado quando Jeon lambeu de seu queixo até sua orelha, puxando o lóbulo entre os dentes. - Ao que interessa, eu preciso perder minha virgindade.
- Você precisa... - Jeon chupou o lóbulo do outro outra vez e gemeu propositalmente baixo ali. - ou quer perder?
- Não pode ser os dois? - Hayoon perguntou, seus olhinhos voltando a fitar os de Jeon a sua frente. - Meu namorado é ativo, então eu tenho que ser passivo, mas eu nunca fiz algo assim.
- Você não precisa ser passivo só porque o seu namorado quer. Você precisa fazer o que você quer. - JaeHwa falou. Afastou-se minimamente, voltando a ficar completamente de pé e olhou de cima a baixo no outro. - eu não me importo nem um pouco se você quiser me foder. É o meu trabalho, além do mais que... - e outra vez ele se aproximou, abaixando-se e covardemente deixando o selar ligeiro sobre a boca de Hayoon, descendo sua mão pelo outro até tocar na ereção que Hayoon visivelmente carregava e apertar seus dedos ali. - você é gostoso pra caralho.
Hayoon gemeu alto, o que fez JaeHwa sorrir. O maior não aguentou muito, seu próprio pau já começa a doer dentro da cueca. Jeon sentia-se estranhamente atraído e excitado por Hayoon e eles nem haviam se tocado ou falado coisas sujas ainda.
Isso era raro de acontecer, talvez nunca sequer tivesse acontecido a ele. Mas geralmente eram os clientes que ditavam o que Jeon deveria fazer, ali era Jeon no comando, e talvez fosse isso que lhe deixasse diferente.
Jeon buscou a mão de Park e repousou-a sobre sua ereção. Ele percebia que o garoto ainda se mantinha assustado demais, embora desse claros sinais de que gostava do que faziam. Hayoon tocou o pau de JaeHwa com incerteza. Outra vez sua mente tentava alertar que aquilo ainda era traição, e mesmo que Jiwan soubesse, era traição consigo mesmo.
Jeon puxou-o para a cama, não aguentando mais sentir seu próprio pau latejar. Os olhos do Park ainda observavam tudo com muito cuidado e faltaram sair da caixa quando JaeHwa abaixou devagar o short que ele usava.
O sorri sacana do Jeon aumentou. Ele sentiu a boca salivar e não demorou a tocar o pau mediano que estava agora coberto apenas pelo tecido fino da cueca preta que Hayoon usava.
- Tudo bem? - Jeon teve o prazer de perguntar antes de simplesmente retirá-la. Park demorou, estava numa briga interna consigo mesmo, mas lembrou de Jiwan e que aquilo era mais por ele do que por si mesmo e assim assentiu. - eu vou te tocar com a boca, ok?
Jeon nunca avisava, realmente estava se preocupando além do que deveria, mas era a primeira vez do garoto, o que podia fazer além de deixar aquilo um pouco mais legal?
Ele retirou o tecido devagar e mesmo que as bochechas do Park voltassem a ficar rubras outra vez, ele não tentou pará-lo. O tecido passou com facilidade pelas coxas e foi apenas deslizou para os calcanhares. Jeon o recolheu e olhou outra vez para Hayoon. O pau tão rosa quanto os lábios era realmente bonito, mas o maior apenas parecia preocupado em como o outro estava se sentindo.
Buscou entre os dedos e acariciou o membro com delicadeza. Havia um pontinho de luz no início, uma gota de pré-gozo devido à situação de excitação que Hayoon estava e aquilo fez Jeon ficar admirado. Outra vez sua boca salivou, então ele se aproximou, e tentou ser calmo. A ponta de sua língua tocou o outro e ouvindo o ofego surpreso do Park e seus olhos dobrarem de tamanho, Jeon sentiu seu gosto.
Ele riu outra vez, é claro que riu. Com o pau do outro sendo tocado pela ponta da sua língua, ele riu encarando Park antes de deixar que o som da primeira chupada sobre a glande se espalhasse no ar.
Jeon esperou um pouco e passeou a língua pelos lábios. Segurava firme o outro ainda, mas tudo o que queria era voltar a chupa-lo e começar a fazer o que melhor fazia na vida.
Hayoon não relutou quando ele o chupou na glande outra vez, mas arqueou as costas quando Jeon enfim pôs-lhe na boca por completo.
Jeon continuou seu trabalho, que por sua vez lhe dava prazer a beça. Chupava o pau róseo do outro com virtuosidade. Descia com força e voltava devagar, espalhando sua saliva com o gosto do outro que sempre aparecia ao retornar para o início. Jeon moveu os dedos que seguravam Park e masturbou-o, sentindo Park apertar as coxas quando apenas sua língua deixava pinceladas sobre a fenda, enquanto seus dedos aumentavam a velocidade.
- Você quer gozar? - Jeon perguntou rouco. Hayoon assentiu em silêncio e rápido, o que deixou Jeon contente.
Seus olhos miraram o pau de Hayoon completamente babado e sujo, e Jeon sentiu o desejo de tê-lo dentro de si. Ele amava foder, isso era bem notório. Sua profissão era aquilo, por mais que tivesse outros sonhos futuros também.
Não ligava nem um pouco em ficar entre "ser fodido ou foder alguém", mas ele sentiu a curiosidade de ser fodido por Park no mesmo nível em que seu pau já pulsava quando se imaginava dentro do outro.
Pensou que, após foder Park, talvez conseguisse fazer com que ele lhe fodesse e assim além de resolver o "problema" do outro, ainda lhe mostraria o outro lado do sexo e sentiria-o dentro de si.
Pensava realmente em como convencer Park de também lhe foder, mas foi surpreendido quando o outro explodiu em sua boca.
Jeon até mesmo se assustou, geralmente - ou sempre - seus clientes tinham que usar camisinha até mesmo no sexo oral, mas o que havia acontecido com ele ali para esquecer completamente de mandar Park se proteger e também o proteger?
Foi tolo, é claro. O Park era bonitinho, parecia rico e que se cuidava bem, mas isso não garantia nada, Jeon teria que ir ao médico como sempre fazia depois de um deslize, para saber que tudo ainda estava bem com sua saúde.
Park ofegou, cobrindo a boca com o também susto. Jeon se ergueu com sua boca lotada de porra, e olhou-o. Não engoliria, é claro. Então desviou o olhar do Park para o lado, onde havia uma porta aberta e logo notou o banheiro.
Caminhou devagar e pleno até a pia dali e debruçou-se para cuspir sem muito alarde. Por mais errado que tivesse sido seu ato, cuspir a porra de alguém com força e – talvez nojo – não era algo muito legal.
Lavou a boca e voltou, abaixando a calça para enfim foder Park, mas ouviu a voz baixa do outro ressoar.
- Eu acho que... não vou conseguir.
Jeon olhou para Hayoon e franziu o cenho. Preocupado com o garoto e com a sua excelência em fazer o que gosta, perguntou:
- Eu fiz algo que te incomodou?
- Não, não é isso. - Hayoon riu com as bochechas ainda coradas e abaixou o olhar. Ele cobria seu pau recém-gozado e ainda duro debaixo da camisa clara que usava. - É só que... foi muito bom, muito mesmo. - olhou para Jeon. - mas eu não quero sentir essas sensações com um... - Park procurou as palavras corretas para usar, mas não achou.
- Um garoto de programa, eu sei. - Jeon falou calmo e riu. - é um decisão difícil mesmo, e por mais que eu fosse te dar prazer, você quer sentir isso com alguém que você goste.
- Isso, é exatamente isso. - ele disse um tanto cabisbaixo. - Tem que ser com o Jiwan...
- Bom, você que sabe. Eu não trabalho com devoluções, ainda temos mais uma hora e meia paga, tem certeza que não quer nada?
- Tudo bem, você pode ficar com o pagamento, eu não tenho culpa de ser um medroso. Eu só quero fazer tudo certinho...
- Eu sei. - Jeon riu. Já deveria estar de pé e saindo dali, mas continuava com o outro semi nu, sentado na cama. - Você quer jogar cartas? Conversar? Alguma coisa assim. É sério, a gente pode fazer qualquer outra coisa por uma hora e meia.
- Você joga cartas com os seus clientes? - Park não resistiu e perguntou, uma risada fofa acompanhava a pergunta.
- Na verdade, sim.
- Mesmo?
- Uhum, pessoas me procuram para foder, mas às vezes só querem conversar e acham que eu sou um amigo próximo, entende?
- Poxa, deve ser frustrante...
- Eu acho que sim, mas eu não ligo muito. Além de receber, eu não sou obrigatoriamente lembrado apenas por causa do sexo, não que isso seja um problema.
- Você... Você já fez isso com muitas pessoas?
- Talvez você não acredite, mas não. Em vinte e seis anos de vida e em cinco como garoto de programa, eu transei com nove pessoas. Você iria ser a décima.
- Poxa, seria tipo um marco na sua profissão. - Park riu outra vez e Jeon reparou em como os seus olhos fechavam e faltavam sumir quando ele fazia. - Bom, mas eu não quero ser mais frustrante pra você do que já estou sendo. Só me desculpa por isso, eu não queria-
- Tudo bem. - Jeon interrompeu-o e se ergueu. - eu vou indo então.
Hayoon assentiu, ergueu-se também, mas buscou a cueca que Jeon havia tirado de si para vestir outra vez antes de levá-lo até a porta.
Caminharam juntos e em silêncio até lá, o que durou talvez cinco segundos já que a distância era pouca. Hayoon abriu a porta para que Jeon saísse e despediu-se.
- Até mais? - Jeon riu ao olhá-lo.
- Talvez, mas eu realmente espero que não. - Park respondeu. - quer dizer, não assim, sabe? Você como... sabe?
- Sei. - Jeon respondeu-o e o fez rir, o que outra vez lhe chamou atenção e foi o estopim para o que Jeon fez logo a seguir. O Park surpreendeu-se quando os lábios do outro outra vez voltaram-se para os seus e ainda assustado, sentiu o selar longo que Jeon lhe dava.
Havia motivos para Jeon o fazer? Claramente não, mas ele não resistiu.
- Até mais. - e o maior disse antes de dar as costas e ir.
[...]
Jeon arrumava sua bolsa com os livros e cadernos necessários quando ouviu a porta de seu quarto ser aberta.
- Eu 'tô com fome. - YoonHa falou ao se jogar no colchão do outro.
Jeon apenas revirou os olhos e fechou a bolsa.
- Você sabe que existe uma coisa chamada geladeira aqui? Ela tem alimentos.
- Mas são alimentos que precisam de preparos, e eu não sei preparar. Que tipo de amigo é você que não faz comida?
- Do tipo que está cansado e que precisa ir para a universidade agora?
- Você está cansado de foder, JaeHwa, isso nem deveria ser um cansaço ruim. Isso deveria era te ajudar a ficar feliz e te empenhar a cozinhar para o seu amigo mais velho.
- Em primeiro lugar, vá se foder. - Jeon olhou para o amigo que lhe mostrou o dedo do meio. - você recebe uma mesada de dez mil dos seus pais, compra comida feita ou sei lá, contrata alguém pra fazer pra você, eu não posso.
- E em segundo? - YoonHa perguntou sem muita vontade.
- Em segundo, eu não fodi, e é por isso que estou mal-humorado.
- Não? Mas você não foi se encontrar com um cliente?
- Fui, mas não rolou. Eu só consegui fazer um boquete e levar uma jatada de porra na boca, mais nada.
- Porra, faz tempo que não levo uma jatada de leite na boca... - o outro lamentou-se.
- Chama o Taeil, ele não vai dizer não.
- Por que você não chama? Eu não quero ver aquele cabeça de pica-pau na minha frente nem pintado de ouro.
- Você sabe que eu e o Tae só fodemos três vezes e porque estávamos no tédio, ele é seu ex, não meu.
- Você 'tá no tédio agora, talvez ele te anime.
- é, talvez.
YoonHa jogou o travesseiro na cara de Jeon, o que fez o outro rir porque era claro e evidente que ele ainda gostava muito do ex.
- Vou pedir pizza. - YoonHa disse saindo do cômodo.
- Eu quero a minha de camarão.
- E quem disse que eu vou pedir pra você? Você me deixa quase morrer de fome aqui.
- Deixa de drama e você vai pedir pra mim porque eu sou o amigo que te deu um teto quando você resolveu sair da casa dos seus pais, então você é obrigado a me mimar.
O Min ainda resmungou, mas JaeHwa não tinha muito tempo para ouvir o que fosse vindo dele. Buscou seu perfume e olhou as horas no relógio de pulso que usava. Estava atrasado, então correu para pegar a bolsa com os cadernos e buscou a chave de seu carro quando saiu do apartamento.
[...]
- Você não gosta de mim? É isso?
- Que besteira é essa, Hayoon? É claro que eu gosto.
Hayoon encarava seu namorado debaixo e tinha um bico fofo nos lábios. Estavam na universidade, mais precisamente parados em frente a sala de Jiwan.
O garoto cursava administração e seu bloco era logo no início. Park por sua vez, cursava dança e seu bloco era o último, o que era longe demais para Jiwan lhe acompanhar para depois voltar tudo e assim se atrasar.
- Eu te digo que eu gozei na boca de um cara e tudo o que você me pergunta é porque eu não transei com ele?
- Eu apenas perguntei porque era esse o intuito, não?
- Jiwan, eu gozei na boca de outro! Você entende isso?
- Hayoon... - Jiwan suspirou alto. Estava cansado, principalmente pela falação do menor. - se eu te mandei fazer isso, eu não me importo. Eu só queria que você resolvesse isso logo.
- E por que você não resolve? Quem falou em fazermos amor primeiro foi você, agora eu quero e você se recusa.
- Eu só não quero tirar sua virgindade. Eu não transo com virgens.
- Não é transar, é fazer amor.
- É a mesma coisa. - o outro revirou os olhos. - Aliás, preciso entrar, ok?
O Park bufou. - eu te vejo depois da aula?
- Hm, eu acho que não vai dar. Eu vou sair com alguns amigos do curso de teatro hoje.
- Outra vez?
- Não começa.
- Eu não estou começando nada, mas é a terceira vez só essa semana. Você não vai lá pra casa a duas semanas.
- Por Deus, que implicância. Você sempre está com aquele amiguinho, sabe que eu não gosto dele.
- Não use o Minsun no meio da nossa discussão, ele não tem nada a ver com o modo em como você está comigo.
- Isso não é uma discussão, e é você que está diferente comigo. Você me sufoca!
- Eu te sufoco? Querer o meu namorado perto ou presente é sufocar?
- É, você não era assim, agora está grudento e me implorando por sexo.
- Eu não estou implorando por Sexo, Jiwan... - Hayoon falou baixo, olhando ao redor quando outro alunos começaram a adentrar a sala. - eu só sinto a sua falta.
- Eu preciso entrar. - Jiwan disse deixando apenas um sorriso antes de virar.
Park Hayoon ainda permaneceu lá, parado como um bobo enquanto via Jiwan ir. Sentiu-se patético quando o outro sentou em sua cadeira e sorriu ao cumprimentar os demais ali.
O bolo em sua garganta veio, Park logo queria chorar, mas não faria isso bem onde estava. Então virou-se rápido querendo sair dali e talvez ir para o banheiro e perder a primeira aula completa em choro, mas um corpo maior que o seu lhe impediu e se não fosse as mãos largas e ágeis, Park com certeza teria caído feio no chão.
- Opa, toma cuidado baixinho. - Um homem alto e de cabelos vermelhos falou. Hayoon olhou-o e viu-o rir. - 'tá tudo bem?
Hayoon Assentiu e enfim sentiu-o soltar as mãos de seu corpo.
- Taeil, espera! - uma voz gritou dos portões, o homem cujo havia segurado Hayoon olhou e acenou.
Taeil era seu nome. Park ao menos agora sabia o nome da pessoa que lhe impediu de passar vergonha na frente de seu namorado/vacilão.
- Você só chega atrasado, JaeHwa! - o tal Taeil falou.
Enfim, os olhos de Hayoon desviaram para quem havia chamado e viu quando o homem se aproximou até estar a sua frente também. Os olhos do menor se arregalaram.
- Eu não tive culpa, o YoonHa estava resmungando por comida.
Jeon ainda não havia notado Hayoon. Ou ele não havia reconhecido. Mas seus olhos enfim chegaram até ele, mas foi muito rápido, de um segundo a outro Hayoon estava literalmente correndo em direção ao seu bloco.
- Mas o que...? - Taeil olhou-o e não entendeu nada. - baixinho estranho, credo.
JaeHwa continuou olhando-o e entendeu a reação, mas Taeil tocou-lhe sobre os olhos e logo estava falando sobre o novo carinha de cabelos azuis que havia encontrado em um site.
[...]
O park estava atrasado. Todos os alunos de dança já se encontravam no estúdio que pertencia ao campus e logo Minsun viu-o adentrando às pressas. Todos já se alongavam, Minsun tratava uma batalha - lê-se implicância - com Lee Taemin e sorriu quando Hayoon o cumprimentou primeiro do que com o garoto.
Era sempre assim, desde o início do curso até agora onde já estavam no terceiro e penúltimo ano.
Minsun viu quando Taemin jogou a perna um pouco mais para a frente, deixando seu corpo quase que completamente aberto sobre o chão. Aquilo não fez Minsun contente, é claro. Então, jogando seus cabelos azuis para trás, como se absorvesse uma força oculta no ar, Minsun estendeu sua perna tanto quanto o outro, semicerrando os olhos quando o encarou.
- Que competição boba. - Hayoon comentou jogando sua bolsa no canto e retirando os sapatos. Usava uma calça legging muito justa ao corpo por debaixo da jeans que usava, então não se deu o trabalho em ir até o vestiário para trocar de roupa, apenas retirou a calça e colocou-a junto a sua bolsa, alongando-se de pé, antes de enfim fazer o mesmo que Minsun.
- Por que chegou correndo?
- Porque encontrei alguém que eu acreditava nunca mais encontrar, e isso foi bem aqui na faculdade.
- Jiwan? - Minsun olhou-o sorrindo e viu o melhor amigo revirar os olhos. - Sabe como eu torço para ele sumir, não é?
- Tanto quanto torce para o Taemin sumir também?
- Bom, um pouco menos, mas bem pouco mesmo.
- Você é bobo Minsun.
- Você que é. Seu namorado louco e paranoico deveria simplesmente evaporar, era um favor que ele faria ao mundo.
- Não entendo porque você odeia tanto o Jiwan...
- Entende sim, só que se faz de sonso. Ele tentou te envenenar e te afastar de mim, dizendo que eu só por ser gay também iria te assediar, e sem falar que ele quis mudar seu modo, suas roupas e até seu curso porque achava vulgar, você foi forte quanto seu posicionamento, mas se isso não for um relacionamento abusivo eu nem sei qual palavra encaixar. Eu já teria largado dele há muito tempo.
Hayoon ouviu aquilo, mas não ficou com raiva ou algo parecido. Era realmente como Minsun falava, ele parecia se fazer de sonso, ou até mesmo de bobo, já que claramente sabia as razões de Jiwan ser o que era.
A aula logo teve início, o que findou um pouco o assunto. Terminaram tudo completamente esgotados depois de quase três horas estudando passos e manobras que o professor sempre mostrava duas vezes na semana.
- Namsun disse que vai pagar um sorvete pra mim hoje, quer ir e tomar sorvete nas custas dele também? - Minsun perguntou quando saiu do chuveiro.
Hayoon já enxugava seus cabelos e via como o rosa em seus fios já era quase imperceptível.
- Um convite desse, quem nega?
Sorriram cúmplices e terminaram rápido ali, saindo de braços dados até o bloco de matemática e encontrando com Namsun sorrindo bobo para o celular.
- Ele está apaixonado. - Hayoon disse alto em direção a ele e sorriu quando notou que ele havia ouvido.
- Mas é claro que está, parece que o modelo lançou ele de jeito.
- Não vou mais para lugar algum. - O maior falou guardando o celular e encarou os outros dois. - tchau.
- Nem pense, eu vim para tomar sorvete. - Hayoon falou rindo e juntou seu braço ao de Namsun.
- Eu não sei como me tornei amigo de vocês aqui nessa langonha de universidade, somos completamente diferentes, a começar que eu sou o pobre da relação e sempre pago o sorvete para vocês... Que tipo de mundo é esse em que vivemos?
- O que é langonha? - Hayoon franziu o cenho.
- É um sinônimo para meleca, eu pesquisei no Google. - Namsun respondeu rindo grande.
- Mas é tipo um xingamento? - Minsun também parecia confuso.
- Deve ser, meleca é, não é?
- Na verdade, meleca segundo o Google é aquilo que sai do nariz. - Minsun explicou calmo. - Mas se for levado a razão perde a graça.
- Por que você está procurando sinônimo de palavras, Namsun? - Hayoon perguntou sentando numa das mesas. Estavam enfim em um dos tantos refeitórios que a universidade tinha. - É por causa do modelo?
- Eu quero parecer inteligente perto dele. - Namsun comentou baixo. - Ele é muito bonito, eu só sou...
- Inteligente? - Minsun riu.
- Mas com números, quero falar bonito perto dele, porque já basta não ser tão bonito perto dos outros caras que com certeza dão em cima dele, se eu falar errado, aí acabou tudo.
- Love Yourself, Bicth! - Minsun falou.
- É, Deixa de bobagem Namsun. Você é bonito sim, e já fala muito bem, não precisa se moldar além de outra pessoa. E você é inteligente pra cacete com números e se foi isso que fez o modelo Kim gostar de você?
- Será? - Namsun perguntou com os olhos atentos. - não seria possível...
- Ou foi isso, ou você fode bem. Alguma coisa fez o modelo querer você e não os outros que cercam ele, então deixa de bobagem. - Minsun disse rindo e deixou dois tapinhas sobre o ombro dele. - meu sorvete é de chocomenta.
- Me recuso a comprar esse veneno. Chocomenta é tipo, o monstro verde no meio dos sorvetes.
- Namsun, o meu é de morango. - Hayoon falou rindo, olhava a briga de sempre entre os amigos por causa de sorvete.
- Vai logo, Namsun. - Minsun o apressou.
- Me recuso.
- Então compra de chocolate, 'tá bom assim?
Namsun sorriu para Minsun.
- 'Tá ótimo.
[...]
- A gente 'tá estranho a alguns dias, sabe? Eu não sei o que está acontecendo com o Jiwan...
Hayoon mexia a colher sobre o copo de sorvete vazio. Sua mão direita estava sobre a bochecha enquanto seu olhar permanecia perdido.
- Será que ele está me traindo? - olhou para os amigos.
Namsun rapidamente arregalou os olhos e olhou para Minsun. O outro apenas bufou alto.
- Eu não posso mais manter isso em segredo, Namsun, desculpa.
Hayoon atentou-se ao que Minsun falou, e viu Namsun tentar impedir que Minsun continuasse.
- Hayoon, por favor, não fica com o coração doendo, 'tá? - Namsun pediu afagando a mão do outro.
Hayoon franziu o cenho sem entender, e ouviu Minsun suspirar outra vez antes de apenas dizer:
- Ele te trai.
Hayoon esperou a parte em que Minsun dizia que aquilo era brincadeira, mas essa não veio.
- O quê? - ele perguntou enfim caindo em si.
- Com o Jehun do curso de teatro... - Namsun falou um pouco incerto. - Eu ouvi o Jehun falar algo como um fim de semana incrível com o Jiwan e em como eles iam passar a noite juntos num hotel hoje... Eu só não ia te contar porque eu não queria te ver mais tristinho, desculpa, 'tá?
- Jiwan está me traindo? - os olhos do Park outra vez já se enchiam de lágrimas, no fundo ele também já sabia daquilo.
Não se conteve quando se ergueu e apenas saiu às pressas dali. Hayoon era tolo, sua própria consciência lhe dizia isso. Chegou em seu carro já com as lágrimas pintando as maçãs de seu rosto e foi lá que permitiu-se chorar alto por aquele que com certeza estava agora com outro nos braços.
O Park demorou até conseguir conter um pouco as lágrimas e quando conseguiu, dirigiu até o apartamento de Jiwan. O porteiro estranhou seus olhos vermelhos e seu semblante choroso, mas assim como sempre, permitiu sua subida até o quatrocentos e quinze.
Park faltou derrubar a porta com murros, mas ninguém abriu.
Ele chorou mais, estava se sentindo o maior trouxa do mundo, mas não tinha muito o que fazer, então apenas dirigiu de volta para a casa e afundou-se em seu sofá quando chegou lá.
Fluffy tentou animá-lo, balançava seu rabinho branco e peludo enquanto deixava várias lambidas no nariz de Hayoon, mas nada o animava.
- Desculpa, filha. - Hayoon pediu quando fungou e se pôs de pé.
Foi difícil tomar um banho, foi difícil se alimentar. Foi ainda mais difícil conseguir dormir, sempre que ele fechava os olhos conseguia imaginar Jiwan fazendo amor com Jehun, mas não com ele.
Quando enfim conseguiu dormir, já passava das cinco. Acordou esgotado às nove para pôr a ração da cadelinha, mas buscou seu celular determinado a pôr um fim em tudo.
Hayoon:
|Preciso que venha até meu apartamento.
Ele foi prático a enviar a mensagem, e ainda recebeu outra de Jiwan perguntou o porquê e se era mesmo necessário ele lá, já que havia chegado tarde em casa e dormido pouco.
Mas Park insistiu, o que fez o garoto aceitar o encontro no fim.
Hayoon estava vestido com um short casual que ia até à metade de suas coxas apenas e uma blusa fina de mangas curtas e clara.
Jiwan logo chegou ao apartamento e não pôde deixar de notar as pernas de Hayoon de fora, o que lhe chamava um pouco a atenção.
Hayoon deixou com que ele sentasse no sofá, e então parou de frente com ele. Não bastou muito para que o garoto notasse a marca avermelhada que havia no pescoço de seu namorado, claramente um chupão ou algo assim, e aquilo deixou Park muito chateado.
- Tira a camisa. - Pediu Hayoon.
- Mas pra quê?
- Só tira.
Hayoon tentava ser sutil na fala, mesmo que sua vontade fosse de bater muito no outro. Jiwan retirou a camisa e olhou Hayoon outra vez.
- O short também.
- Mas Hayoon...
- Por favor.
- O que você quer fazer? - Jiwan bufou. - eu já disse que eu não vou tirar a sua-
- Só tira. Eu quero te mostrar que não sou bobinho ou coisa assim. Eu posso ser um menino do mal também, sabia?
O Park sorriu e como uma cobra passeou seus dedos por uma de suas coxas e ergueu devagar o short. Aquilo fez Jiwan sorrir, mas então ele resolveu por fim retirar o short, o que fez dessa vez Hayoon sorrir.
O garoto se inclinou devagar e desviou do beijo que Jiwan lhe daria. Chegando perto da orelha do outro, ele suspirou e desceu os dedos, tocando o membro do outro.
- Vai me dar uma mamada? - Jiwan perguntou.
Hayoon afastou o rosto e permaneceu a poucos centímetros do outro, com os dedos ainda o segurando, Hayoon apertou.
- Onde está a chave que eu te dei do meu apartamento?
- O quê? - e o Park apertou com força dessa vez. - Para, 'tá me machucando.
- Onde está a chave do meu apartamento? - Hayoon apertou mais e travou a mandíbula, não ligando para o grito sôfrego e alto que o outro deu.
- No Bolso, no bolso! Porra, 'tá doendo!
Park queria apertar mais, talvez até mesmo arrancar aquilo e jogar bem longe, mas soltou quando Jiwan gritou mais forte e buscou a bermuda que o outro vestia.
- Você 'tá doido?
- Eu quero que saiba que você e eu não somos mais um casal. - Hayoon falou buscando as chaves e deixando-as de lado. Buscou a blusa de Jiwan também e encarou-o. - E que você é um babaca filha da puta.
- Está terminando comigo? - o outro perguntou ainda recuperando o fôlego e segurando sua intimidade.
- Você terminou comigo quando me traiu, Jiwan. Você terminou comigo quando ficou com Jehun.
- Quem te contou? - o outro se pôs de pé, mas gemeu segurando o próprio pau outra vez. - é mentira, não acredita nisso.
- Eu quero que saia da minha casa agora.
- Mas Hayoon...
- Mas, é o cacete! Saia da minha casa agora!
- Me dê ao menos minhas roupas? - Jiwan pediu estendendo as mãos.
Hayoon encarou as roupas em suas mãos e calmamente foi até a janela que estava aberta.
- Estás roupas?
- Você não é nem louco de-
E... tarde demais. As roupas estavam descendo calmamente pelo ar e logo estavam no meio da rua.
Hayoon ainda olhou para averiguar se havia batido em alguém ou coisa assim, sua imprudência poderia colocar alguém em risco, mas para a felicidade de sua vingança, tudo havia ocorrido bem.
- Some. - Hayoon falou encarando-o.
- Você é louco. Eu não vou descer assim.
- Some agora! - o Park falou mais alto, vendo Jiwan caminhar em direção de seu quarto.
- Eu vou pegar uma roupa sua.
- Some da minha frente agora. - E o Park não aguentou mais. Estava desferindo tapa sobre tapa no – agora – ex namorado e mesmo que suas mãos fossem pequenas, ainda eram gordinhas e tinham uma força absurda.
Jiwan pulava no centro da sala como pipoca, tentando parar Hayoon, mas sem conseguir de jeito nenhum. Sua única solução foi sair do apartamento, e mesmo que ainda vestisse somente uma cueca, era melhor que receber tapas ardidos.
Hayoon ainda esmurrou a porta, enfim deixando lágrimas descerem pelo seu rosto, mas foi forte em enxugá-las rápido e caminhou até a janela. Olhou o lugar e esperou que Jiwan aparecesse, e mesmo que Hayoon duvidasse muito que ele fosse capaz mesmo de ir buscar as roupas e não voltar para buscar alguma sua, ele se surpreendeu ao ver Jiwan apanhar as roupas de modo rápido e tentar se esconder de pessoas que o olhavam e até mesmo jovens que já tinham o seu celular com a câmera apontada.
Jiwan vestiu o short e olhou para cima, talvez na procura de Hayoon. E quando ele o fez, tudo o que o Park fez foi erguer-lhe ambos os dedos do meio enquanto ditava alto:
- Seu babaca!
Fechou a janela com força e rezou para o síndico do prédio não ligar ou uma multa por baderna chegar até lá. Mas quando se sentou no sofá, respirando fundo por diversas vezes, ele enfim riu.
Riu porque sentia coisas estranhas no momento e por mais que ainda doesse dentro de seu peito, ver Jiwan do modo em como estava lhe inflou um pouco o ego e talvez – talvez – diminuísse um do sentimento de corno que lhe tomava também.
Park passou minutos encarando o nada e com o pensamento vazio.
Era estranho demais, seu primeiro término havia sido dramático e ele havia sido corno.
Buscou o celular abrindo no grupo que tinha com Minsun e Namsun.
Hayoon:
|Queria apenas avisar a vocês que estou solteiro.
Minsun:
|O quê?
Namsun:
|Por que eu acabei de ver um vídeo do Jiwan só de cueca?
Minsun:
|O quê?
Hayoon:
|Eu terminei tudo, e talvez eu tenha me excedido um pouco e jogado as roupas dele pela janela.
Minsun:
|O quê?
Namsun:
|Muda a fita, Minsun, essa tá arranhada.
Minsun:
|Não, gente é sério! Como assim? Me expliquem.
Hayoon:
|Eu explico, mas não agora. O que acha de sairmos amanhã?
Namsun:
|YooJin me convidou para ir até a Luminus, ele é VIP lá.
Minsun:
|Hm... eu topo!
Hayoon:
|Eu nunca fui lá... nunca fui em boate nenhuma na verdade, é boa?
Namsun:
|É muito legal, Hayoon, você vai gostar.
Minsun:
|Então, meu caro Hayoon, você pode se preparar porque a sua festa de volta a vida de solteiro vai ser na Luminus.
Namsun:
|Céus... estou vendo que terei que ficar de babá de vocês dois, não é?
Minsun:
|Você que lute, meu caro Namsun, você que lute.
Hayoon:
|Então até amanhã.
Park Hayoon arrumava-se em frente ao grande espelho que havia em seu quarto e tentava cobrir as sutis olheiras aparentes em seu rosto.
Havia dormido um pouco melhor naquela noite do que havia dormido na noite em que passou chorando por Jiwan, mas as olheiras ainda assim haviam aparecido, e aquilo deixava-o um tanto frustrado. Minsun estava deitado no centro de sua cama, seus cabelos azuis estavam espalhados enquanto ele deixava sutis carinhos sobre as orelhas de Fluffy.
- Já está bom, Hayoon. - o outro falou erguendo apenas o olhar, mas Hayoon negou.
- Está muito forte ainda, Minsun.
- Está ótimo, deixa de coisa.
- Ok. - O garoto virou-se e olhou-o. - Minha roupa, como está?
Minsun sentou-se e encarou-o.
- Com tecido demais. Para onde está indo? Para à igreja? É a Luminus, Hayoon! Boate gay!
- Eu nunca fui lá, não sei como deveria me vestir.
Minsun se pôs de pé, adentrando o closet de Hayoon enquanto o outro apenas olhava-o.
- É uma boate gay, com muitos homens gays disponíveis lá. Você é um gay recém chifrado que está indo lá para se divertir e talvez pegar alguém, precisa ir pronto para matar.
- Eu não sei me arrumar para matar, Minsun...
- Claro que sabe, onde estão aquelas blusas transparentes que você usava no início do curso? E aquelas calças apertadas?
- Eu não sei se ainda tenho elas. - Hayoon falou adentrando o lugar também. Minsun já revirava algumas peças. - Jiwan não gostava muito de me ver com elas, então eu doei uma grande parte. Mas talvez eu tenha alguma aqui embaixo.
Minsun negou enquanto viu o amigo abaixar-se para verificar nas últimas gavetas. Estava realmente feliz por Hayoon enfim se livrar do outro, foram dois completos anos em que ele viu seu amigo mudar por completo por outra pessoa, e mesmo que Minsun sempre tentasse alertar Hayoon sobre o comportamento errado e muito doentio do outro, Hayoon sempre acreditou que aquilo era apenas a forma dele amar. Na concepção dele, o outro amava cobrir seu corpo para um dia tê-lo somente para ele, mas esse dia nunca chegou, para a infelicidade - ou felicidade - do Park.
- Aqui. - Hayoon ergueu-se sorridente com uma calça escura nas mãos. Minsun buscou-a e analisou, mesmo que não fosse nova, a peça estava conservada e provavelmente ainda ficaria muito bem em Hayoon. - Eu só tenho uma camisa transparente... - Comentou Hayoon. - Essa eu guardei porque foi Ranah que me mandou de Londres, ela me deu como presente de aniversário ano passado.
Minsun analisou a camisa vermelha que Hayoon tinha nas mãos e logo sorriu maior. A peça era fina, o tecido leve e um pouco transparente.
- Devo colocar outra blusa por dentro? - Hayoon questionou encarando-a.
- Talvez não, veste e a gente vê, ok?
O garoto buscou assim as peças, voltando para o quarto e Minsun voltou outra vez para a cama, abraçando-se a Fluffy e deixando vários beijinhos em sua – também – filha.
Hayoon olhava-se no espelho outra vez, retirou a roupa que vestia e encarou as outras antes de vestir. Primeiro buscou a calça, analisando-a antes de vesti-la.
- Está apertada demais, Minsun! - disse enquanto a puxava para subir no bumbum. Minsun riu alto da quase batalha de Park, mas no fim o garoto conseguiu vesti-la e surpreendeu-se quando se olhou no espelho com a peça.
Há quanto tempo ele não usava algo que marcava tanto seu corpo como aquela calça marcava?
Buscou a blusa e essa encarou um pouco mais antes de vesti-la. O tecido fino realmente lhe preocupava, não queria sair por aí com os mamilos à mostra, mas outra vez se surpreendeu quando encarou a imagem no espelho. A camisa, mesmo transparente, não era vulgar.
Hayoon fechou-a até o último botão, mas Minsun se atreveu e abriu os dois primeiros. Buscou o melhor perfume que o outro tinha e passou um pouco sobre a nuca e punho de Hayoon. A maquiagem que o próprio Park havia feito estava ótima, o garoto não precisa de muito para ficar belo. Sequer precisava de algo, essa era a realidade.
Minsun puxou os fios de Hayoon para trás, e pediu para que ele olhasse outra vez no espelho. Estava pronto, enfim, e animou-se quando viu o resultado. Minsun também pareceu contente, então tentaram guardar toda a bagunça que estava sobre a cama.
O celular de Hayoon e Minsun não parava de vibrar, e é claro que eles sabiam que se tratava de Namsun. O garoto já estava com o seu quase namorado modelo na boate e esperava apenas os outros.
Hayoon buscou o celular do bolso e riu das últimas mensagens que ele havia enviado.
|Namsun|
Onde vocês estão?
|Namsun|
Já faz vinte minutos que estamos esperando vocês!
|Namsun|
Eu juro que se vocês não chegarem em quinze minutos eu vou quebrar o dedinho mindinho de vocês, e eu sou muito bom em quebrar coisas, entendeu?
- Acho melhor irmos logo. - Hayoon falou mostrando a mensagem a Minsun.
- O drama padrão, meu pai, quem aguenta? Parece até hétero, credo...
- Nem hétero consegue ser tão dramático quanto o Namsun, Minsun. Agora vamos logo, ele não brinca quando o conceito é quebrar coisas, ele irá realmente quebrar nossos dedinhos.
Despediram-se de Ffluffy e Minsun fez questão de deixar metade das luzes do apartamento acesas. Ele demonstrou com clareza quanto não estava nem aí se a conta de luz viria alta depois, sua filha jamais ficaria no escuro enquanto sozinha.
- Eu vou pedir a guarda dela só para mim. - Minsun comentou quando chegaram à garagem. Hayoon destravou o carro, mas parou antes de abrir.
- Acho melhor irmos de Táxis, não é? Porque se ingerimos bebida alcoólica, eu terei que deixar meu carro lá e isso não me agrada.
- Ok, vamos chamar um uber então. - Minsun buscou o celular e rumou para fora da garagem.
- E você não vai ficar com a guarda da minha filha, foi eu quem adotei ela.
- Mas foi eu quem ela escolheu no dia em que fomos buscar na ONG. Ela correu pra mim e não pra você, eu chamei ela de filha e ela não reclamou, então eu sou tão pai quanto você.
- Você não compra a ração dela.
- Mas compro brinquedos e roupinhas, quer mais o quê? Está incomodado? Eu levo ela para a minha casa e tudo certo.
- Deus me livre ficar longe da minha bebê.
Minsun revirou os olhos e procurou o carro que informava estar a apenas um minuto de distância.
- Você precisa fazer sexo hoje, Hayoon. - Minsun falou acenando para o motorista.
- Eu vou fazer quando for o tempo certo. Vinte e dois anos ainda pode ser cedo para algumas pessoas...
- Tem razão, desculpa. Sem pressa, ok? Pelo menos você ganhou um boquete do garoto de programa lá.
Hayoon abriu os olhos e Minsun cobriu a boca. Já estavam dentro do carro e o olhar do motorista através do retrovisor disse muito.
Minsun sussurrou um "Im sorry" e riu baixo. Hayoon revirou os olhos e viu outras mensagens de Namsun com ameaças do tipo "Nunca mais pagar sorvete" ascender em sua tela.
A boate não era tão longe dali, talvez dez minutos foi o máximo de tempo que gastaram. Desceram e Hayoon parecia absorto com apenas a fachada do lugar.
- É tão bonita. - ele comentou baixo com Minsun.
- Você precisa ver lá dentro. - falou e buscou a mão de Hayoon.
Havia uma fila no canto extremo, cerca de vinte pessoas ou mais esperavam para entrar, mas eles não precisariam enfrentar aquilo, então apenas seguiram até os seguranças e Minsun sorriu grande quando os maiores os encarou completamente sério.
- Jung Minsun e Park Hayoon. - falou pleno e o homem apenas se inclinou para a mulher ao lado que averiguava se de fato os nomes estavam ali.
- Podem entrar. - O homem falou retirando a fita vermelha que impedia a entrada quando a mulher confirmou.
Hayoon agradeceu-o e Minsun se animou mais. Ainda juntos e com Minsun segurando a mão de Hayoon, chegaram à parte onde precisariam ser revistados e buscaram as pulseiras Vip's.
Minsun logo viu Namsun em uma das mesas reservadas e o garoto maior acenou como se fosse impossível de encontrá-lo ali. Hayoon parecia bobo, andava olhando tudo e sequer se incomodava com a música absurdamente alta dali. Acenou de volta para Namsun e surpreendeu-se ao enfim ver Kim YoonJin pessoalmente.
Namsun se pôs de pé, fazendo o outro repetir o ato também. Hayoon juntou as mãos à frente do corpo e reverenciou o modelo, mas tudo o que ele fez foi abanar as mãos negando.
- Se você é amigo do Namsun é meu amigo também. Sou Kim YoonJin. Você deve ser Park Hayoon, certo?
- O próprio. - Hayoon disse sorrindo e ergueu a mão para cumprimentar o Kim.
- Sou Jung Minsun, você já deve saber, Namsun com certeza já falou dos melhores amigos, não é? - Minsun ergueu também a mão, fazendo o Kim rir enquanto o cumprimentava. - Garoto, você é realmente bonito, deus no céu e você na terra, que saúde.
Aquilo fez o Kim gargalhar, o que fez Namsun também rir. O garoto olhava bobo para o outro enquanto apenas ria, e Hayoon achou fofo. Nunca tinha visto o modo apaixonado de Namsun com o outro. Nunca além das vezes em que Namsun quase babava nas mensagens românticas que o modelo lhe mandava, é claro.
- Vocês querem beber algo? - YoonJin perguntou sentando-se outra vez ao lado de Namsun e Minsun e Hayoon também sentaram-se. A mesa a frente havia um balde com gelo e algumas cervejas gelando, mas YoonJin apontou para um bar que havia além. - podem pedir drinks também, o Vip não paga, já que a credencial é um cortejo.
- Que luxo. - Minsun comentou pondo a mão sobre o peito.
- É coisa de gente importante. - Namsun comentou. - o dono admira YoonJin, mesmo que eu ache que ele tenha uma quedinha lá no fundo por ele.
- E quem não teria? - Minsun perguntou olhando o modelo que outra vez apenas ria.
- A mim não importa nada disso quando estou com você. - YoonJin falou olhando Namsun e o garoto corou.
- Como vocês se conheceram? - Minsun perguntou, apoiando o braço na mesa e repousando a bochecha ali, olhando completamente bobo para ambos.
- Estávamos no mercado. - Namsun falou.
- Sim, eu na sessão de orgânicos e Namsun de lacticínios. Eu precisava de uma informação sobre uma fruta, mas não tinha ninguém perto, então eu vi ele e... - YoonJin olhou também bobo para Namsun. - e chamei-o. Namsun veio é claro, ele sorriu pra mim, mas não sabia me tirar a dúvida, então andou o mercado praticamente todo até achar alguém que me ajudasse.
- É verdade. - Namsun riu coçando a nuca. - Eu não podia simplesmente te deixar sem saber que tipo de Laranja era aquela que você estava comprando.
- Não tinha uma placa especificando? - Hayoon perguntou.
YoonJin piscou apenas um olho para ele e negou. Hayoon logo entendeu.
- YoonJin então disse que ficou agradecido por minha ajuda e me ofereceu um café, mas estávamos cheios de produtos e não teria como, então pegou meu número e prometeu me ligar.
- Foi um truque? - Minsun abriu a boca olhando para o modelo.
- Bom... Mais ou menos. - YoonJin respondeu-o. - Eu estava realmente agradecido, mas o sorriso dele me deixou tão... - e suspirou. - eu precisava ter o número dele então pedi com a desculpa do café.
- Eu não sabia disso. - Namsun riu ainda mais envergonhado.
- Truques de como arrumar um namorado com Kim YoonJin, adorei. Vou aderir.
Hayoon riu da fala de Minsun e riu ainda mais pelas bochechas do casal ficarem rubras juntinhas.
Ele olhava ao redor, por mais que estivesse prestando atenção na conversa ali, e ainda se sentia encantado com tudo ao redor.
Não entendia o porquê de Jiwan nunca ter lhe levado a um lugar como aquele...
- Para de pensar no Chernobyl e vamos buscar uns drinks. - A voz de Minsun junto a seu corpo ficando de pé fez Hayoon sair dos pensamentos deprimentes. Ergueu-se também e assentiu para Minsun. - Vocês querem algo? - Perguntou ao casal, mas recebeu apenas a negativa, então juntou o braço junto ao de Hayoon e caminhou por entre as pessoas até chegar no bar. - Um... Não! Dois! Dois sex on the beach, por favor.
Minsun fez o pedido ao barman dali, e Hayoon apenas esperava ao seu lado. Olhava ao redor as pessoas no centro do lugar, amontoadas em grupos ou apenas sozinhas dançando alheias a tudo e completamente animadas.
- Quer dançar? - Minsun perguntou a Hayoon, mas ele apenas negou abaixando o olhar. - A não, não me diga que você está com vergonha?
- Eu...
Minsun revirou os olhos e agradeceu ao barman quando recebeu as bebidas.
- Você é um futuro professor de dança, você é um dos alunos mais brilhantes e flexíveis do nosso curso, e está mesmo com vergonha de dançar aqui?
- Não é vergonha, vergonha, Minsun... é só que dança de boate é diferente de dança contemporânea.
- Dança é dança, Hayoon, independente do gênero. Vem, você vai dançar comigo!
Hayoon sequer conseguiu protestar contra o dito, Minsun puxou-o até a pista e mesmo que estivesse com drinks nas mãos, aquilo não parecia tão difícil.
Hayoon sorriu para o outro que começava a dançar e bebeu de sua bebida ainda parado. O gosto do álcool não lhe incomodou, ao menos aquilo ele ainda era acostumado, já que sempre bebia em seu apartamento com Minsun e Namsun, ou nas raras vezes com Jiwan.
- Junsik? - Hayoon falou alto olhando atrás de Minsun.
- Não é porque essa é a única boate gay que existe aqui que todos os gays precisam estar, não é? - reclamou o outro.
- Deixa de implicância. - Hayoon falou olhando o amigo. - Vou chamar ele para ficar aqui conosco.
- Nem pense. - Minsun falou impedindo o Park e o fez rir. - eu não quero derrotar ele até mesmo numa dança de boate.
- Vocês dois são bons na dança, Minsun, não existe melhor.
- Claro que existe, está olhando para ele. - O outro falou rindo e bebeu de seu drink.
O Park negou, mas ainda assim notou quando Junsik olhou-o e essa foi a deixa para que Hayoon acenasse em cumprimento para o amigo e isso o levasse até ele.
- Hayoon, eu nunca te vi aqui. - Junsik falou abraçando forte Hayoon.
- É a minha primeira vez aqui, Junsik. Eu vim com o Minsun e alguns amigos.
Junsik olhou para Minsun e esboçou um sorriso pequeno, Minsun ergueu a mão e acenou apenas com os dedos, rindo tão pequeno quanto o outro.
Pareciam duas crianças, Hayoon sempre se divertiu com aquela competição boba entre ambos, era óbvio que ambos eram bons no que faziam, não entendia o porquê de sempre competirem em tudo.
- Você veio com o seu namorado? - Junsik perguntou a Hayoon.
- Ah não... a gente terminou.
- Ah poxa, mesmo? - Junsik parecia surpreso, mesmo depois de Hayoon assentir. - Mas você está bem?
- Estou sim, não daríamos certo juntos mesmo.
- Poxa, Hayoon... Mas se precisar de um amigo para o que quer que seja, estou aqui, tudo bem? Podemos sair para tomar um café ou ir ao cinema. Nós nunca tivemos a oportunidade de nos conhecermos melhor como amigos, não é?
- Você tem razão, Junsik. A gente pode marcar sim, seria bom sair um pouco mais também. O Minsun e os outros também poderiam ir conosco, não acha?
- Ah... claro. - Junsik assentiu. - Preciso voltar pra lá agora, mas estarei bem ali, tudo bem? Se quiser, não sei, sair daqui para conversar melhor, pode me chamar.
- Ah... - Hayoon sorriu envergonhado e assentiu. - Tudo bem.
- Foi bom ver você, Hayoon. - Junsik abraçou Hayoon forte, mesmo que eles se vissem todos os dias na faculdade. Mas Hayoon retribuiu o carinho, ele gostava muito de Junsik também.
Minsun sorriu para o outro quando ele se afastou e esperou-o estar bem longe para falar antes de voltar a beber seu drink:
- Nem me chame para um rolê que ele estiver, ok?
- Que bobagem. Meu amigo pode ser amigo dos meus outros amigos, não pode?
- Bom, poder, pode, mas eu não quero. E Junsik quer ser bem mais do que seu amigo.
- O quê? Claro que não...
- Aí Park, como você é bobo. - Minsun revirou os olhos e balançou no ritmo da nova música que iniciava. Hayoon também fez o mesmo, ainda bebendo de seus drinks. - Minha nossa Hayoon, me segura que eu 'tô morrendo.
Hayoon riu da fala de Minsun e olhou para trás, já sabendo que se tratava de algum carinha que havia chamado a atenção do amigo. Porém, não era apenas um carinha qualquer, era o mesmo que no dia anterior havia segurado Hayoon e livrando-o de cair feio no chão bem na frente da turma de Jiwan. O garoto de cabelos vermelhos, e ele não estava sozinho.
- Minsun me esconde. - Hayoon pediu indo para detrás do amigo.
- O quê? - Minsun tentou virar para olhar para seu melhor amigo, mas Hayoon seguiu seu corpo, o que lhe fez rir um pouco. - O que foi?
- Aquele cara...
- O de cabelo vermelho? - Minsun perguntou olhando-o e franziu o cenho ao notar que talvez o conhecesse.
- Não. O outro!
- O gostosinho de camisa preta?
Hayoon deu um tapinha no ombro do amigo e riu.
- ele é o tal garoto de programa que eu contratei!
- O quê? Minha nossa Hayoon, me empresta dinheiro pelo amor da deusa!
- Deixa de bobagem, Minsun, eu 'tô falando sério! - Disse enfim virando Minsun e encarando-o de frente. - me ajuda a voltar para a mesa.
Minsun negou olhando com tédio para Hayoon e apenas foi para o balcão outra vez. Hayoon gelou, os dois homens agora caminhavam em direção ao bar também e ele não sabia o que fazer.
Porque se sentia estranho e nervoso? Park não fazia ideia.
O de cabelos vermelhos debruçou-se sobre o balcão, bem ao lado de Minsun e encarou-o com o cenho franzido. Hayoon engoliu em seco não querendo olhar para JaeHwa que estava agora bem à sua frente. Ele não olhava para o Park. Talvez sequer tivesse o visto ainda, o que talvez fosse bom para Hayoon que queria apenas fugir dali, mas seu desespero aumentou quando o de cabelos vermelhos buscou o celular e intercalou o olhar entre o aparelho e Minsun, depois chamou-o e sorriu grande, com Minsun sorriu tão grande quanto também.
Hayoon estava perdido.
- Eu não sabia que estaria aqui, mas que bom enfim poder te conhecer pessoalmente! - o garoto falou para Minsun e olhou para JaeHwa. - Jae, lembra do garoto do aplicativo que eu te falei?
- Oh, sim, você não para de falar nunca! - JaeHwa sorriu e aproximou-se, erguendo a mão para Minsun. - Sou JaeHwa, o melhor amigo do Taeil.
- Ah, meu melhor amigo também está aqui. - Minsun falou e os olhos do Park faltaram saltar. Hayoon virou-se de costas ligeiro e tentou ir, mas não conseguiu sequer dar um passo. - Hayoon!
O corpo de Hayoon gelou. Ele se sentiu zonzo, ou talvez fosse um apenas um truque de sua mente que gritava para si mesma "finge desmaio", para que Hayoon realmente desmaiasse, mas Park já não podia mais, seria um papelão desmaiar ali, então virou devagar e riu sem jeito, acenando para Taeil, mas desviando o olhar diversas vezes para Jeon.
O garoto realmente não exaltou reação nenhuma, nem mesmo quando Park já estava a sua frente.
- Você não é o baixinho? - Taeil falou. - Lembra? Na faculdade?
- Ah sim... sou eu.
- Espera, você estuda na mesma faculdade que o Hayoon? - Minsun perguntou a Taeil e viu-o assentir. - E como eu nunca te vi lá? Eu também estudo lá, a três anos para ser mais exato.
- Woah, mesmo? Poxa, todo esse tempo e a gente não se conheceu? Eu e JaeHwa estamos no último ano de administração, entramos juntos.
- Administração? - Minsun perguntou surpreso e olhou para Hayoon. - É o mesmo curso que o-
- É. - Hayoon respondeu baixo, desviando o olhar.
- Mas enfim, esse é Park Hayoon, meu melhor amigo.
- É um prazer, Hayoon. Me chamo Taeil, esse é o-
- JaeHwa. Me chamo Jeon JaeHwa. - O Jeon falou interrompendo Taeil, erguendo a mão para Hayoon. - É um prazer te conhecer, Park.
Hayoon piscou atordoado, não sabia se de fato Jeon não havia o reconhecido ou se estava brincando ou apenas fingindo, mas o mais alto sorriu para si, inclinando mais a mão para Hayoon segurá-la, então Hayoon o fez, cumprimentando o Jeon e sendo incapaz de desviar o olhar dos olhos dele sobre si.
Taeil riu, mas olhou para Minsun. Os garotos já vinham conversando há muito tempo, e até mesmo já tinham trocado algumas mensagens mais... íntimas. Então Taeil bebericou do drink que pediu e se aproximou do azulado, fazendo-o rir quando falou alguma bobagem em seu ouvido.
Jeon, por outro lado, buscou a cerveja que o barman lhe entregou e bebeu-a olhando ao redor, logo acenando para alguns amigos que estavam ao redor.
Hayoon ainda não sabia como agir, o Jeon ainda estava a sua frente, mesmo que demonstrasse zero interesse em si, então Hayoon olhou ao redor também, notando Namsun e YoonJin na mesa, mas ambos pareciam tão conectados quanto Minsun e Taeil, e Hayoon não queria atrapalhar aquilo.
Olhou para Junsik, mas o garoto estava com outras diversas pessoas ao redor. Park sentia vergonha de apenas chamá-lo e interromper a conversa que poderiam estar tendo.
Viu-se sem saídas, mas não podia ficar ali simplesmente parado. A pista de dança ainda estava lotada, mas alguns saiam e voltavam para suas mesas, ou apenas iam até o bar para pedir mais uma bebida.
- Oi? - Hayoon ouviu uma voz bem atrás de si e virou-se. Um homem mais alto e bem bonito estava lá. - Estava te olhando lá do canto e... você está sozinho?
Hayoon virou completamente de frente para ele, ficando assim de costas para Jeon.
- Estou com alguns amigos... - Hayoon respondeu-lhe. Seu copo estava vazio, pensava em ir pedir mais uma bebida.
- Você tem namorado? - o Homem perguntou ainda sorrindo para o Park.
Hayoon pigarreou, mas negou. Era uma boate gay, então não foi estranho o homem logo lhe perguntar por um namorado e não por uma namorada. Mesmo que algumas pessoas com sexualidades distintas também frequentassem o lugar.
Ouviu a voz de Jeon pedindo mais uma cerveja e ousou olhá-lo. Jeon apenas agradeceu e saiu de perto, indo por entre as pessoas na pista de dança e sumindo da visão do Park.
- Então, caso eu te chame para dançar ou, não sei... te pagar uma bebida, você poderia dizer sim?
Hayoon riu com o flerte que recebia e era até mesmo engraçado. A quanto tempo não recebia um flerte?
Estava solteiro agora, então podia aceitar. E foi por isso que ele assentiu, vendo o sorriso do homem aumentar de tamanho.
- Me chamo Yoo Kibum, é um prazer. - ele se apresentou, e diferente com Jeon ou qualquer outro até ali, o homem abraçou Hayoon e deixou um beijo em sua bochecha.
- Sou Park Hayoon. - respondeu baixo e envergonhado.
- Park Hayoon? Talvez eu já tenha ouvido esse nome. Você é famoso ou algo assim?
- Não, é apenas um nome muito comum...
Kibum acenou com a cabeça e olhou para o bar.
- Uma cerveja? - perguntou a Hayoon.
- Sim. - o Park aceitou encostando-se ao balcão.
Estava de costas para Minsun, mas podia ouvir o riso do outro se misturar com o de cabelos vermelhos. Minsun parecia se divertir, e isso deixava Hayoon contente.
As cervejas chegaram e Hayoon até mesmo brindou com Kibum.
O homem não parou o flerte com Hayoon, e é claro, Hayoon permitiu, porque ele sentia que precisava um pouco daquilo para voltar a entender que era uma pessoa livre, bonita e que existiam outros caras além de Park Jiwan.
- Eu posso te beijar?
Hayoon estava na terceira cerveja, Kibum na quinta. Ele sentiu as bochechas esquentarem, mas porque negaria?
Mas antes mesmo que pudesse dizer sim, ele viu no canto. Jeon estava lá e ele estava com outro garoto.
O homem era alto, magro e com cabelos compridos e verdes. Jeon beijava-o com sede, talvez fossem namorados ou algo assim. Prostitutos podiam namorar, não é? Era algo que Hayoon achava que sim. Mas o Park assustou-se quando Jeon apertou a bunda do garoto com força e instantaneamente lembrou-se dele apertando a sua. Um arrepio subiu pelo corpo de Hayoon, não conseguiu se conter, e ainda olhando para Jeon, Hayoon viu quando ele apenas abriu os olhos e encarou-o.
Jeon encarou Hayoon enquanto beijava outro!
Hayoon arregalou os olhos e desviou no mesmo instante. Não saberia dizer o que sentia em si naquela hora, mas Jeon lhe perturbava a mente com facilidade.
- Então...? - Kibum perguntou. Hayoon enfim voltou a orbitar, olhando Kibum com o cenho franzido. - O beijo... Eu posso te dar um beijo?
- Ah... - Park ficou surpreso com a facilidade que já havia esquecido do outro ali, mas sorriu e assentiu, vendo Kibum se aproximar e tocar-lhe na bochecha.
As bocas tocaram-se, mas Hayoon se sentiu estranho no mesmo momento. Não entendia o porquê, já que Kibum era claramente perfeito. Alto, bonito, boa aparência... até seu beijo era bom, e Park continuava beijando-o, mesmo que seus pensamentos estivessem uma bagunça.
Afastaram-se e Hayoon riu, Kibum manteve-se perto, então deslizou a mão pela coxa de Park, encarando-o.
- Quer ir para outro lugar.
Hayoon encolheu a perna e piscou incomodado.
- Outro lugar?
- Sim, eu moro aqui perto, meu apartamento está vazio. A gente pode... - E Kibum sorriu de forma diferente, apertando a mão no Park e assustando-o. - podemos nos divertir.
- Ah... não, obrigado. - Hayoon retirou a mão dele de si e ficou de pé. - eu vou voltar para os meus amigos.
- Não, espera. - Kibum segurou no pulso de Hayoon quando ele se pôs de pé, impedindo que o garoto seguisse. - Desculpa, ok? Eu só pensei que a gente pudesse-
- Não, pensou errado. - Hayoon soltou a mão e seguiu entre as pessoas na pista de dança, tentava chegar até a mesa onde Namsun e YoonJin estavam.
- Espera, não vai assim. - Kibum alcançou-o. - Eu sei quem você é, ok? É Park Hayoon filho de Park JoonHo, não é?
Hayoon franziu o cenho. - Você conhece meu pai?
- Na verdade, conheço seus pais. Park JoonHo e Park Nabi.
Hayoon negou olhando-o e se afastou.
- Você não está me seguindo, está?
- O quê? Claro que não. Eu só, realmente, te conheci quando te vi de longe e pensei que a gente poderia, sabe... eu admiro muito sua família, poderíamos nos conhecer melhor.
Park negou encarando-o. Era claro que o interesse ali era muito além de beijá-lo, mas como podia uma pessoa se interessar por outra por apenas ser filha de pessoas importantes?
Os Park's, pais de Hayoon, eram bastante conhecidos. Park Ranah também, ainda mais fora da Coreia. Todos eram advogados grandes, donos do império da advocacia que ficava situado bem no centro de Seul.
A empresa que tinha em letras grande e brilhantes o "Park" estampado. Ficava no centro de Daechi-dong, um dos bairros nobres de Gangnam-gu e somente quem realmente tinha dinheiro era quem procurava o trabalho de qualquer advogado dali. Mas Hayoon nunca se importou muito com isso, era o dançarino e o gay da família, o que logo era o desgosto dos pais e o que era menos conhecido por nunca sair nas capas de revistas também.
- Por favor, me deixe em paz. - Hayoon falou antes de tentar ir, mas Kibum segurou-o mais.
- Por favor...
- Me solte! - Hayoon travou a mandíbula e encarou-o mais. Não bastava Jiwan, sua vida precisava mesmo de outro babaca? - Eu não vou pedir outra vez! - avisou.
- Solte-o agora. - A voz de Jeon exaltou bem atrás do homem, o que o fez assustar e largar Hayoon.
A altura era quase a mesma, mas JaeHwa era um pouco maior, o que fazia Kibum encará-lo com o queixo erguido. Jeon passeou o olhar pelo outro e riu no final.
- Você acha que pode simplesmente tocar nas pessoas do jeito como tocou ele? - Perguntou.
- Quem é você? - Kibum perguntou olhando-o também. Hayoon segurava o pulso que doía um pouco, olhando para ambos.
- Alguém que com certeza você não quer conhecer. Suma agora e não vai sair machucado daqui.
- Você não pode-
- Só vai embora. - Hayoon pediu interrompendo-o. Kibum olhou-o, mas bufou no fim, afastando-se e indo em direção a saída do local.
Jeon olhava também, mas desviou o olhar para Hayoon e para seu Pulso que ainda era massageado.
- Machucou?
- Ah... - Hayoon olhou o próprio pulso e negou. - não, está tudo bem.
- Certo. - JaeHwa virou-se para ir.
- Espera. - Hayoon chamou-o. Jeon virou olhando-o, outra vez sem expressão alguma. - Obrigado...
- Não agradeça, tenho certeza que você iria conseguir assustá-lo também, eu só... me intrometi porque me incomodou.
- Eu ia meter o chute nele. - Hayoon riu cobrindo a boca com as mãos e pela primeira vez Jeon sorriu para ele. - Você... - Hayoon respirou fundo e piscou algumas vezes em nervosismo antes de perguntar. - me reconheceu, não é?
- Sim. - Jeon respondeu simples.
- Mas por que pareceu que não?
Jeon observou o rosto de Hayoon se contorcer com um bico fofo e sua testa franzida. Aproximou-se do outro e viu o modo em como Hayoon respirou fundo quando poucos centímetros lhes separavam.
- Você foi um cliente, e mesmo que não... - Jeon aproximou-se do ouvido do outro e sussurrou. - tenhamos fodido. Você continua um cliente, e sempre trato meus clientes com sigilo, então o que me levaria a demonstrar que te conhecia se você não me deixou especificado se podia ou não? Aliás, se me lembro bem - Jeon voltou a olhar Park, o rosto pairando no do outro. - Você disse que esperava não me ver mais, lembra?
Hayoon respirou fundo, o cheiro que vinha do outro era bom. Umedeceu os lábios e sentiu o coração bombear um pouco mais forte.
- Eu sei, mas... eu disse que era talvez. - Abaixou a voz junto aos olhos, o que fez Jeon liberar um riso.
- Tudo bem, Park. Mas foi um prazer te rever.
Jeon virou-se e se foi. Simples assim. Deixando Park Hayoon ainda mais atordoado.
Viu quando o outro tomou o rumo dos banheiros, e pensou em voltar para a mesa. Kibum talvez realmente já tivesse ido embora, Hayoon não o viu mais. Mas ele ainda se sentia estranho demais para simplesmente voltar para a mesa.
Procurou por Minsun e encontrou o melhor amigo aos beijos com o tal Taeil. Não interromperia aquilo, não seria nem louco, o próprio Minsun matava-o. Então virou para ir até à mesa, mas desviou quando seus pés lhe guiaram para o mesmo banheiro que Jeon estava.
O lugar não era como Park imaginou. Imaginava que estivesse mais cheio e com um cheiro de bebida, vômito ou algo assim ali. Talvez tudo misturado, já que um dia foi essa descrição que Minsun lhe deu de outra boate, mas ali não, estava limpo, haviam duas pessoas lavando as mãos e logo depois que Park adentrou, eles saíram. Hayoon olhou para o fundo do lugar, Jeon sorria para a própria imagem no espelho, e aquilo fez Hayoon frear os passos.
O jeon desviou os olhos, aumentando mais o sorriso. Caminhou até Hayoon e segurou sua mão, puxando-o para o fundo do lugar e abriu a última cabine.
- Se você entrou nesse banheiro por causa de mim, por favor, entre.
- Eu não vim atrás de você...
- Ok. - Jeon virou-se para ir, mas Park não permitiu, parou com o corpo perto do de JaeHwa e olhou-o com os olhos ainda mais abertos.
O garoto sequer entendia as próprias ações, mas qual o outro motivo senão Jeon para ele entrar ali?
Park estava perdido.
Então não teve como não entrar na cabine.
Jeon sorriu olhando-o, mas entrou logo em seguida, fechando a porta e girando a tranca para "ocupado", e enfim virou-se para Hayoon. O lugar era pequeno, projetado para uma só pessoa, mas isso não importava muito. Jeon aproximou devagar do Park, o que fez o corpo menor encostar-se a parede, fitando-o dentro dos olhos com ainda mais intensidade e ansiedade.
- O que você quer de mim, Park?
- N-Não é isso, eu não quero te contratar. - Hayoon logo respondeu, umedecendo outra vez os lábios ao senti-los secos. - juro, juradinho.
JaeHwa riu alto da fala fofa do outro, mas cessou o riso logo, encarando outra vez Hayoon.
- Por que você é assim?
- Assim? - Hayoon franziu o cenho. - Assim como?
- Fofo pra caralho, mas que me deixa perdido ao mesmo tempo. Você é lindo, mas tem um jeito que eu não saberia explicar.
- Isso é ruim? - Hayoon estava realmente curioso. Sentia o cheiro do Jeon intensificar e somente assim percebeu que os corpos estavam tão perto um do outro que as coxas já se tocavam.
- Talvez seja.
- Por quê? - Hayoon perguntou baixo. A respiração de Jeon bateu contra seu rosto, o que o fez arrepiar-se outra vez.
- Porque eu quero muito te beijar agora. - Falou. O outro fechou os olhos, o que fez Jeon umedecer os próprios lábios. - Mas eu também quero fazer muitas outras coisas...
Hayoon inconscientemente se sentiu excitado apenas com as palavras do outro. O corpo de Jeon aproximou-se mais, o que foi ainda pior já que a intimidade de Hayoon foi apertada contra a dele. Hayoon ofegou abrindo sutilmente os olhos e encarando uma última vez os de Jeon antes de avançar até ele e beijá-lo com desejo.
Hayoon não entendia, mas seu corpo reagia de uma forma completamente nova e desconhecida pelo outro. Arrepiou-se mais e inclinou o corpo para trás, no exato momento em que as mãos de Jeon foram parar em sua cintura.
Hayoon não sabia se podia, mas abraçou Jeon pelo pescoço e o trouxe para ainda mais perto, deleitando-se no beijo enquanto Jeon descia as mãos e pousava-as sobre a bunda farta do Park.
Não se conteve em apertá-la, era quase um pecado estar ali e não fazer aquilo. Jeon conseguia outra vez imaginar inúmeras coisas com Hayoon, mas era louco como apenas beijá-lo já estava sendo ótimo.
Os corpos se atraiam de uma forma forte, pareciam ímãs, talvez como se um fio invisível os unisse a cada segundo a mais, fundindo-os mais e mais.
Park afastou-se com a ausência do ar, mas Jeon não lhe soltou, passou os beijos para o pescoço de Hayoon, o que deixou o garoto ainda mais entregue sobre suas mãos.
- Jeon... - Hayoon queria apenas chamá-lo, mas vergonhosamente gemeu aquilo.
- Eu já disse, seu gemido é gostoso. - Jeon falou mordendo a pele branca com sutileza. - E você está ficando duro. Eu não consigo me controlar por muito tempo assim.
O Park olhou a própria intimidade enrijecida e afundou o rosto no peito de Jeon. Estava envergonhado, com tão pouco Jeon lhe deixou daquele jeito.
- Tenho que ir. - ele falou fitando os olhos escuros de Jeon.
- Posso pedir só mais um beijo?
Hayoon sorriu e ainda que sua vergonha fosse muita ali, ele assentiu.
- Só um...
Jeon mordeu o lábio inferior e deslizou a mão outra vez pelo corpo modelado do outro. As curvas de Hayoon era algo belo de ver e tocar e Jeon sentia até mesmo prazer em apenas tocá-lo daquele modo. Deslizou a mão até a cintura de Hayoon, sentindo o movimentar leve que a camisa dele tinha, e foi quando voltou a beijar os lábios carnudos do outro que Jeon não pensou sequer duas vezes antes descê-la um pouco e adentrar seus dígitos por debaixo do tecido.
O toque gélido assustou Park, o que fez com que ele levasse o corpo mais para a frente. Jeon fincou a mão ali, descendo-a mais e se inclinou para baixo para abraçar Hayoon.
O corpo menor parecia pena, tão leve e que Jeon não precisou fazer esforço algum para puxá-lo mais para si, enquanto caminhava cegamente para trás.
O intuito era encontrar a privada e sentar sobre ela, mas enquanto tinha Hayoon agarrado em seu pescoço e uma mão presa na cintura dele, Jeon vagava com a mão livre na parte de trás, procurando a tampa do vaso para fechá-la e enfim sentar ali.
Demorou, ele quase desistiu, mas enfim conseguiu. Sentou-se lá, o que fez Hayoon encará-lo completamente ofegante e com a boca vermelha.
- Vem. - Jeon o chamou indicando suas coxas para Hayoon sentar.
Ele outra vez pensou mais do que simplesmente agiu, mas seu corpo parecia seu inimigo ali, o volume já na calça de Jeon estava perceptível também, e a concepção daquilo fez o pau de Hayoon pulsar, consequentemente fazendo sua mente guiar o corpo até o outro e assim sentar onde Jeon indicava.
Hayoon teve a cintura agarrada outra vez, Jeon segurou-o e ajeitou-o melhor. As intimidades se encontraram, e aquilo que fez ambos gemerem baixo sem quebrar o beijo.
Jeon foi quem avançou outra vez nos lábios do Park. Sentiu quando ele infiltrou os dedos em seus cabelos longos, e não tardou em incentivar Hayoon a mover-se sobre si, apenas para senti-lo esmagar seu pau agora com a bunda.
- Eu poderia te foder devagar agora. - Jeon falou inclinando seu corpo e movendo-se junto ao de Hayoon.
E foi quando Hayoon gemeu audível. Nunca havia gemido daquele jeito, mas também nunca havia tido seu corpo seguro daquela forma, ou incentivado a se mover daquele jeito. Também nunca tinha sentido alguém tocar-lhe como Jeon tocava, ou gemia, ou beijava... Hayoon estava sem controle algum de seu próprio corpo.
Com certeza perderam tempo demais naquela pegação. As mãos de JaeHwa já haviam aberto todos os botões da camisa do Park e sua boca deixava beijos pelo corpo do outro.
Também não entendia sua própria vontade por aquele garoto. Jeon gostava de sexo, isso era mais que óbvio, mas ele nunca havia sentido uma atração tão forte quanto sentia ali.
Jeon passeou com a língua pela pele de Hayoon e estava pronto para tocá-lo sobre o mamilo, mas a porta do banheiro abriu e as vozes dos amigos de ambos foi ouvida bem, o que fez Hayoon abrir os olhos e JaeHwa se afastar.
- Minsun, eu te disse, não pode beber demais. - era a voz de Namsun.
Logo Hayoon se pôs de pé e estava fechando a camisa.
- Ele não bebeu. - Taeil falou. - no máximo três ou quatro drinks.
- Ele se alimentou? - YoonJin perguntou.
- Eu não sei, ele estava com Hayoon. - Namsun respondeu.
- E onde ele está?
E antes que Namsun respondesse à pergunta do Kim, Hayoon abriu a porta e teve todos os olhares direcionados a ele.
Minsun estava debruçado sobre a pia do banheiro e parecia querer vomitar.
- Minsun! - Hayoon correu e tocou a testa do amigo. - O que aconteceu com ele?
JaeHwa saiu logo em seguida. Ele fechava os poucos botões que Hayoon atreveu-se abrir de sua camisa e mesmo que tivesse Namsun completamente assustado ao vê-lo sair da mesma cabine que o amigo estava e Taeil lhe encarando por ele não está nem aí de ainda continuar com o pau duro, Jeon inclinou a cabeça e também observou Minsun.
- Por que você saiu da...
Namsun tentou perguntar, mas YoonJin cobriu sua boca.
- Seu amigo levou chifre, deixe ele se divertir.
- Eu ouvi isso. - Hayoon falou olhando o Kim através do espelho e viu-o sorrir. - Minsun não comeu nada hoje, eu disse para ele se alimentar antes de beber, mas ele nunca me escuta.
- Vamos levar ele para a casa. - Namsun falou se aproximando.
- Eu levo, ele vai dormir comigo hoje. - Hayoon avisou.
- Eu ajudo vocês a chamar um táxi. - Taeil falou e olhou para Hayoon e os outros, depois olhou para JaeHwa e apenas viu-o assentir. - Vamos.
Minsun não estava bêbado, mas realmente parecia estar mal quanto a sua saúde. Hayoon ainda questionou se não deveriam ir a um hospital, seria o mais sensato a fazer, mas Minsun se recusou a ir, então a única opção restante foi sua casa.
- Fica com o meu número, me ligue se precisar. - Taeil falou após deixar Minsun no táxi, e mesmo que o garoto tivesse com vergonha do vexame que segundo ele estava causando, ele gostou de saber que o Kim era fofo e atencioso consigo.
Hayoon assentiu, voltaria para a casa somente com Minsun, já que Namsun ainda levaria o Kim modelo para a casa. Taeil ainda olhou mais uma vez Minsun, apenas por garantia e afastou-se acenando para o outro já no carro.
Jeon aproximou o corpo do de Hayoon, e mesmo que eles não tivessem se falado depois que haviam saído daquela cabine de banheiro, não dava para simplesmente fingir que nada tinha acontecido.
- Eu fico com o seu número ou você com o meu? - O Jeon perguntou.
- Ah, eu não... não sei. - Hayoon respondeu.
Jeon então retirou o próprio celular do bolso e entregou a Hayoon.
- Põe o seu.
Hayoon ainda não saberia se aquilo era certo, a pegação havia sido a melhor de sua vida, mas isso não anulava que era um garoto de programa ali.
Digitou seu número mesmo assim, não saberia dizer não e talvez nem quisesse. Jeon ligou para o número e logo o celular de Hayoon tocou em seu bolso também.
- Agora é só salvar.
- Certo. - Hayoon assentiu. Estavam outra vez perto, como haviam se aproximado não saberiam explicar, mas estavam e não dava pra negar que os corpos pediam pelo menos um beijo de despedida. - Até mais. - o Park adentrou finalmente o Táxi e acenou.
Namsun logo adentrou outro táxi e se despediu, mas o Kim e o Jeon apenas olhavam o táxi com Hayoon e Minsun se afastar, e quando já não era mais possível de vê-los a olho nu, Jeon ouviu a voz do amigo.
- Talvez eu esteja muito fodido agora.
Jeon sorriu e deixou dois tapinhas sobre o ombro do amigo, incentivando-o a ir consigo atrás de um táxi também.
Porém, Jeon conseguia enganar a qualquer um, menos a si mesmo. E mesmo que ele tentasse vendar o estranho sentimento que estava nascendo em si pelo garoto de cabelos rosa, porque tudo o que já havia passado de ruim na vida lhe alertava a fazer isso, ele ainda sentia. E sentia de modo forte.
Mas aquilo que sentia, não era sequer comparado ao que um dia ele já pensou sentir. Então ele não entendeu o porquê de seu corpo já estar com tanta saudade do calor do outro e sua boca com saudade dos beijos. Eles sequer haviam fodido, como algo assim acontece consigo?
Pensava se também não estava fodido aquele momento, como Taeil falou. O que seria bem ruim e lhe deixava realmente assustado.
Mas foi quando adentrou o táxi junto a Taeil e indicou o endereço do outro ao motorista, que ele apenas negou para os próprios pensamentos.
Ele não estava fodido. Ele não sentia nada além de atração física por outra pessoa. Era isso que lhe fazia ser um bom profissional.
Jeon não desenvolvia sentimento algum por outra pessoa, e isso era apenas para se prevenir e se manter longe de qualquer coisa que lhe fizesse mal.
Ele não cometeria o mesmo erro. Não duas vezes. As marcas ainda presentes em seu corpo e principalmente em sua bochecha lhe faziam lembrar bem disso.
JaeHwa estava deitado sobre as pernas de Taeil. Os garotos esperavam o início das aulas, e enquanto isso não acontecia, olhavam o céu estrelado de mais uma noite no campus.
Taeil sempre gostava de ficar deitado debaixo das árvores dali. JaeHwa não se agradava tanto, poderia ter insetos, mas o Kim garantia que não.
- A gente conversou hoje o dia todo. - Taeil falou olhando para o celular. Seu sorriso grande indicava de quem estava falando, JaeHwa já havia ouvido muito do garoto de cabelos azuis, principalmente depois da noite da boate. - ele me convidou para um café, mas as aulas terminam às nove, um café não é a melhor opção.
- E se o café for só uma desculpa? - JaeHwa perguntou acomodando-se melhor sobre as pernas do melhor amigo. - YoonHa disse que ia chamar um carinha que ele está conversando para um jantar, mas contou que essa era só uma estratégia para foder com ele depois.
- Por que está falando do YoonHa pra mim?
- Porque eu sei que vocês ainda se gostam e eu gosto de ver o jeito que você sempre reage quando falo dele.
- Nós não nos gostamos mais. - o Kim voltou os olhos para o celular e riu da mensagem que acabava de receber. - Aliás, eu acho que só nos gostamos um pouquinho...
JaeHwa guiou os olhos para a tela do celular do outro e riu. Era uma mensagem de YoonHa, perguntando quantos minutos a água deveria ferver para cozinhar um macarrão instantâneo.
- Você 'tá fazendo o gatinho passar fome? - Taeil respondeu à mensagem do outro e bloqueou a tela. - Que tipo de amigo você é?
- Do tipo que trabalha e estuda. E... Gatinho, é? - JaeHwa riu se erguendo e sentando ao lado do outro.
- É só um modo de falar... e não muda de assunto. Por que você não deixa meu- quer dizer, o gatinho alimentado sempre?
- YoonHa precisa ir a umas aulas de culinária, ele não sabe nem fazer um macarrão instantâneo e fica se entupindo de fast-food. Eu deixo comida congelada, ele só precisa esquentar no fogão, mas ele sempre queima!
- YoonHa sempre foi assim, JaeHwa, ele sempre teve quem fizesse pra ele na casa dos pais, por isso é difícil agora. Mas ele se esforça, não é?
- Na medida do possível, sim.
O sinal da primeira aula tocou, o que fez os garotos se assustarem um pouco. JaeHwa recolheu sua bolsa e limpou a calça, vendo Taeil fazer o mesmo.
- Mas então, você vai para o tal café com o...
- Minsun. E sim, eu vou.
- E se for um truque? - JaeHwa adentrou a sala de aula e sentou-se ao lado de Taeil.
- Bom, se for um truque, que bom, não é? Eu não fodo a... sei lá quanto tempo.
- Mas você e o YoonHa...
- Shh!
- Vocês transaram no meu sofá a menos de um mês.
- Foi só uma foda pra matar a saudade.
- E que saudade, não? Eu fiquei a noite toda ouvindo vocês, o que não foi muito agradável.
- Ah, o YoonHa tem um gemido gostoso, diz aê.
- Gostoso é o meu pa-
- Eu sei, eu sei. Eu usei ele quando 'tava no tédio, lembra?
- Não é estranho que eu e você já tenha transado e que ao mesmo tempo meus melhores amigos também?
- Bom, não. E não foi na mesma época, então tranquilo.
- Super tranquilo. - JaeHwa riu e olhou para a frente. O professor adentrava a sala, o que logo anunciava para que todos ficassem em silêncio.
Taeil também fez o mesmo, buscando o caderno dentro da bolsa. O professor já ditava o assunto no qual seria estudado naquela noite, mas a atenção de JaeHwa ali foi interrompida quando um aluno atrás de si, cutucou seu ombro.
Era um aluno que JaeHwa sempre viu, afinal, faziam o mesmo curso a anos, mas além de Taeil, JaeHwa só falava com os professores, então mal sabia o nome do homem atrás de si.
- Eae, beleza? - JaeHwa assentiu para a pergunta. - Eu me chamo Jiwan, você tem uma caneta pra me emprestar? Eu vim sem nenhuma...
JaeHwa segurou-se para não revirar os olhos. Não gostava de emprestar suas coisas, e muito menos para alunos desinteressados. Quem vai para a aula e não leva uma caneta? Mas mesmo assim ele buscou uma de sua bolsa e entregou ao outro.
- Valeu.
JaeHwa não retribuiu o sorriso e voltou sua atenção para o professor.
[...]
Park Hayoon e Jung Minsun terminavam de vestir suas roupas após um rápido banho nos chuveiros que haviam no vestiário do estúdio. Haviam acabado de terminar mais uma aula prática e nenhum deles gostava da sensação do suor grudado na pele, então mesmo que não fosse uma opção muito animadora, os chuveiros dali era a única que tinham.
- Hayoon. - Junsik apareceu ali, seus cabelos também estavam molhados, o que indicava que havia acabado de tomar um banho também. - Você tem planos para hoje?
Minsun como sempre revirou os olhos ao ver o garoto, era pura implicância, mas Hayoon negou para a pergunta do outro, fazendo-o abrir um sorriso como de propaganda de creme dental.
- Quer sair para tomar um suco?
Minsun ergueu a sobrancelha para a pergunta e puxou Hayoon para pertinho de si.
- É um truque pra fazer sexo!
Hayoon estalou a língua e negou rindo. Afastou-se, buscando sua bolsa e caminhando para fora com Junsik.
- Aqui mesmo no campus? - Hayoon perguntou vendo Minsun segui-los também, enquanto olhava para a tela do celular.
- É... pode ser. - Junsik sorriu.
- Hayoon, eu já vou. - Minsun avisou parando a frente de ambos. - Tenho um truque marcado pra agora.
- Truque? - Junsik perguntou franzindo o cenho.
- Truque de sexo. - Hayoon respondeu.
- É, sabe? Você convida alguém para um café, ou sei lá, um suco, e torce pra terminar em sexo.
- Ah...
- Bom, eu já vou indo. Bom suco, ou talvez não tão bom assim. - Minsun riu e abraçou Hayoon. - É sério, não faz o truque dele. - sussurrou para o amigo, mas afastou-se, piscando um olho e acenando completamente falso para o outro.
Viram Minsun se afastar, então Hayoon arrumou melhor sua bolsa sobre o ombro e sorriu para Junsik.
- Vamos.
[...]
Taeil e Minsun sorriam um para o outro enquanto bebiam seus cafés. De fato o "truque" parecia funcionar, já que sempre que Taeil falava uma bobagem, Minsun ria mais e encantava-o mais, sempre se aproximando ou simplesmente inclinando o corpo junto a risada mais alta.
- Você fez mesmo isso? - Minsun perguntou enquanto via Taeil assentir e balançar seus cabelos vermelhos.
- Eu juro para você, quando meu pai me pediu para desfilar para ele, eu simplesmente congelei na metade da passarela, foi um desastre.
- Ainda não consigo acreditar que seu pai é Kim JiHu e sua mãe Kim Sofy, eles são tipo: os deuses da moda, Tae.
- Pois é, e é por isso que eu acho que sou adotado. - ele riu. - Meu pai é um estilista mundialmente conhecido, minha mãe uma modelo, e eu... Bom, eu sou só o Taeil. Eu curso administração por causa do JaeHwa, e cara, é louco porque eu me apaixonei pelo curso. Mas fora isso, ninguém me conhece como conhecem os meus pais.
- Ao menos podemos ter privacidade assim. - Minsun falou mais baixo, sentindo os dedos de Taeil tocar seu joelho. - Mas me diz, porque JaeHwa foi quem te fez escolher o curso?
- É uma história bem longa. JaeHwa e eu nos conhecemos por acaso. Foi em uma festa chata, ele me salvou de lá e até hoje somos amigos. Os melhores, aliás.
- Ele parece ser um cara bem legal.
- Ele é, poderíamos marcar um dia para sairmos juntos, aquele seu amigo baixinho também, eu sei que ele e JaeHwa se pegaram no banheiro naquele dia na boate.
- Oh, é mesmo, eu tinha me esquecido completamente disso.
- Você não estava bem de saúde. - Taeil riu e se aproximou mais, quase colando os corpos se não fosse o pequeno espaço entre as cadeiras. - Mas nos divertimos muito também, disso você lembra?
- E tem como esquecer? - Minsun riu e enfim quebrou o espaço restante, tocando os lábios de Taeil com os seus e suspirando com a suavidade daquilo. - o seu beijo é algo que não dá para esquecer.
Taeil riu soprado. - Isso é engraçado.
- Por quê? - Minsun beijou-o outra vez em um selar e afastou minimamente para beber apenas um pouco de seu café.
- Porque outra pessoa já me disse o mesmo.
Minsun olhou-o, mas não mudou o sorriso calmo que tinha nos lábios.
- Uma pessoa especial?
- Talvez. - Taeil bebeu de seu café também e olhou-o. - Mas não é algo que nos impeça, é?
- Não. - o outro disse. - a menos que não seja uma traição.
- Não é. Eu posso ser um pouco safado, e talvez eu fique com mais de uma pessoa, mas eu nunca traí.
- Eu gosto da sua sinceridade, porque eu sou exatamente assim.
- Você está ficando com alguém? - Taeil quis saber. Não era como se ele fosse ficar com ciúmes ou algo assim, até porque ele não poderia dar tal garantia a Minsun tendo sua mente ainda predominada por outra pessoa. Sua mente, e parte do seu coração.
- Não, mas nós conversamos.
- Vocês nunca se encontraram?
Minsun negou sorrindo.
- A única pessoa daquele aplicativo que eu já conheci foi você e foi por acaso. Eu não costumo marcar encontros, é bem raro.
- Então, talvez eu tenha sorte?
- Sorte?
Minsun riu da aproximação do outro, mas focou apenas em seus lábios sendo úmidos antes dele ditar:
- De te ter para mim. Ao menos por hoje.
- Bom, se você for legal, você pode ter muito além do que somente hoje.
- Hm... eu gosto dessa proposta.
Minsun riu e negou, beijando os lábios de Taeil outra vez e sentindo o outro segurar-lhe firmemente pela cintura.
Minsun gostava do toque, era algo que sempre lhe atraia nos caras. Homens de mãos grandes geralmente pegam com força, e tudo que ele queria era terminar a noite com as mãos de Taeil percorrendo por todo o seu corpo.
- Então vamos para outro lugar. - Minsun sussurrou com a boca sobre a do outro.
E Taeil não precisou responder. Beijou-o uma última vez e ergueu-se, buscando os copos vazios e jogando-os na lixeira que havia próxima dali, e depois buscou sua bolsa para em seguida buscar a mão de Minsun.
- Vamos para a minha casa.
[...]
- Eu não fazia ideia que você gostava desse tipo de filme, Junsik-ah, eu o meu favorito!
- Então é o nosso segredo. - o garoto riu. - Eu não gosto muito de filmes violentos, então animações sempre é o que acabo vendo.
- Woah, mas é simplesmente o melhor tipo de filme que existe, dá para assistir com qualquer pessoa independente da idade.
- Eu também acho a mesma coisa. E... o que você acha de marcarmos um dia para irmos ao cinema assistir a algo assim?
- Ah, seria legal. Eu posso chamar o Minsun também, ele adora assistir animações comigo, a gente sempre conversa depois sobre todas as cenas.
- Ah, tudo bem então.
- Nós marcamos. - Hayoon falou e buscou o celular, verificando que já passava das dez da noite. - eu preciso ir agora. - ergueu-se e procurou uma lixeira para jogar o copo vazio do suco de laranja que havia bebido.
- Ah, mas já? - Junsik também se pôs de pé. - Eu posso te levar em casa, se quiser.
- Não precisa, eu vim com o meu carro. - Hayoon falou com um sorriso terno e aproximou-se apenas para abraçá-lo em despedida. - Demais marcamos o cinema, está bem?
- Ok.
Junsik acenou para Hayoon, vendo-o se afastar. O garoto realmente queria ter tido um tempinho a mais com o outro, mas já estava bem feliz por finalmente estar se aproximando um pouco de Hayoon.
E Hayoon caminhava tão alheio, pensava só no número da vaga no qual havia deixado seu carro, pois sempre demorava procurando o veículo no extenso estacionamento, mas teve seu corpo parado com brutidão quando um par de mãos parou-o pelos ombros.
Seus olhos logo fitaram quem havia lhe dado aquele susto, mas assim que o fez, Hayoon sentiu raiva.
- Eu quero conversar com você.
- Você conversará é com o cão, comigo não.
Hayoon tentou desviar o corpo do de Jiwan, mas ele se pôs na frente outra vez, barrando a passagem.
- Eu errei, ok, eu já entendi. Eu e Jehun não estamos mais ficando, você pode, por favor parar com essa besteira agora?
- Besteira? - Hayoon riu incrédulo e pôs ambas as mãos sobre a cintura. - Você comeu o quê? merda?
- Hayoon, escuta-
- Você quem vai me escutar. - o menor ergueu o dedo na direção do outro, calando as palavras de Jiwan. - Você é um filho da mãe safado, que me traiu e agora vem até a mim, dizer para eu parar com a besteira? Quem está com besteira é você, seu descarado! Se eu soubesse onde vende vergonha na cara, eu compraria e te dava, porque você não tem nenhuma! Eu terminei com você porque tudo o que você fez foi me fazer de bobo. Eu não tive respeito, você sequer me amou, só me enganou. Eu tenho nojo de você agora, nojo! Não quero mais ver você, falar com você. Você morreu pra mim!
- Mas-
- Nunca mais fale comigo.
Hayoon virou-se com brutidão e desviou os passos. Saiu dali pisando firme e fazendo algumas pessoas até mesmo o olharem por ter as bochechas vermelhas e infladas, enquanto um bico raivoso ocupava sua boca.
Ele saiu da universidade o mais depressa que pôde, não queria mais ver Jiwan ou com certeza daria um de seus famosos chutes "anti macho escroto" e sairia ainda mais nervoso.
Procurou o carro e bufou. Não lembrava mesmo o número da vaga que havia deixado-o e quanto mais ele procurava e não achava, mais raiva ele sentia.
- Que inferno! - gritou no meio dos carros.
- Olá? - Hayoon ouviu a voz atrás de si e virou-se, encontrando JaeHwa lá. O garoto destravou o carro ao lado, o que fez Hayoon olhar com o cenho franzido. - Algum problema?
- Perdi a merda do meu carro.
- Você não sabe em qual vaga deixou? - Jeon jogou a bolsa no banco traseiro e fechou a porta, olhando para Park.
- Bom, se eu falei que perdi, é porque não, eu não sei.
- Está de mau humor? - JaeHwa riu se aproximando. - É um mau dia?
- É um péssimo dia. - O Park esgueirou-se numa nova tentativa de encontrar seu carro e bufou.
- Como é seu carro? - JaeHwa compadeceu, olhando também ao redor.
- Igual o seu. Um Volvo XC60, porém o meu é vermelho.
- Vermelho é cor para mulheres.
- Ah, não me diga uma merda dessas. - Park afastou-se para olhar além. - não sabia que era machista assim.
- Ok, me desculpe. Mas, você não tem sequer noção de onde pôs?
- Não, eu não tenho, já disse. - Hayoon notou Jeon atrás de si. Ele olhou para o homem, mas entendeu que ele só queria ajudar. - me desculpe, eu só odeio perder meu carro.
- Está tudo bem, as pessoas costumam ser grossas comigo às vezes.
Hayoon olhou-o outra vez e suspirou.
- Eu não quis te ofender.
- Não ofendeu. Você tem certeza que deixou esse carro por aqui? Não 'tô vendo nada...
- Eu tenho. - Park olhou outra vez, mas abusou-se e jogou sua bolsa no chão. - Jiwan, isso é tudo sua culpa! - E gritou, pisando no chão com força diversas vezes. - Como eu queria te chutar agora!
Jeon apenas olhava quieto ao lado. O Park com certeza estava com muita raiva ali, seu rosto estava completamente vermelho.
- Ok. - Jeon falou quando enfim o Park parou com os passos pesados e só tentava recuperar o ar perdido. - Vem comigo.
Hayoon permaneceu olhando Jeon se afastar de onde estavam e voltar até o carro. O garoto não entendia nada, mas estava cansado, então buscou a bolsa do chão e seguiu Jeon.
- Entra. - JaeHwa pediu abrindo a porta do carona para Hayoon.
- O quê?
- Entra. - JaeHwa insistiu.
- Não! Eu nem te conheço.
- Mesmo? - O outro sorriu ladino e deixou a porta aberta, aproximou-se de Hayoon e parou bem perto dele, olhando-o nos olhos. - Você gozou na minha boca, rebolou no meu colo e quase fodeu comigo num banheiro de boate, então eu acho que você me conhece sim.
O Park logo estava com suas bochechas rubras, mesmo que ele ainda olhasse para Jeon com seriedade.
- Anda, eu garanto que você vai gostar. - JaeHwa insistiu.
- O que você quer... fazer comigo?
JaeHwa parou olhando-o apenas, e riu depois de alguns segundos.
- Eu não falarei, para não te assustar, mas garanto que por agora, hm, não há nada de mais. Você está com muita raiva, seria irresponsabilidade minha te deixar dirigir assim.
- Mas nós nem achamos meu carro...
- Eu achei. - Jeon falou e apontou. Park estreitou os olhos e viu seu carro a cerca de trinta metros.
- Mas como...?
- Anda, Park, vem. - JaeHwa chamou outra vez parando na porta do carona.
Hayoon demorou até ceder, aproximou-se devagar e adentrou o carro.
- Eu só 'tô aceitando porquê... porquê...
- Não precisa se justificar. - Jeon retirou a bolsa dele e jogou no banco traseiro junto a sua, em seguida viu Park ajustar o cinto de segurança e enfim deu a volta para ir até o banco do motorista. - Eu vou te levar pra um lugar bem legal. - Park estreitou os olhos para ele, o que fez-o rir. - Prometo que não é um motel!
O outro não disse nada, apenas permaneceu no silêncio até ter JaeHwa dirigindo pela cidade.
- Está com fome? - Jeon o perguntou.
- Um pouco...
- O que me diz de comermos agora? Tem um hambúrguer de camarão que é o meu-
- Favorito. - Hayoon riu. - É o meu também.
- Oh, mesmo?
- Sim, hambúrgueres de camarão e sorvetes de morango são as melhores coisas do mundo.
- Sorvete de flocos é o melhor.
- Claro que não, morango que é. Você precisa experimentar o sorvete que vende em frente ao meu prédio, você fica simplesmente viciado naquilo.
- Isso me soa como um convite. - Jeon falou rindo e guiando o carro para a fila do drive thru. Retirou o próprio cinto de segurança para buscar a bolsa no banco de trás.
- Pega a minha também. - Hayoon pediu.
Jeon o fez, entregando-o e abrindo a própria bolsa, em busca de sua carteira, mas riu quando lembrou que havia deixado no porta luvas.
- Aqui. - Hayoon ergueu uma nota de vinte mil won.
- Não precisa. - Jeon o respondeu, guiando o carro para a frente quando a fila andou. Tinha somente mais um carro para que fosse a vez dele fazer os pedidos.
- Eu insisto. É para pagar meu hambúrguer...
- Não precisa, Park. Eu te convidei, eu pago.
- Mas-
- Boa noite, quero dois hambúrgueres de camarão e dois refrigerantes grandes. Ah, batatas também, duas dá maior que tiverem. Obrigado.
Hayoon continuou segurando a nota, mas Jeon realmente não a buscou. Ele pegou os pedidos, deixando boa parte sobre as pernas do Park e retirou duas notas altas de dentro de sua carteira.
JaeHwa sorriu quando olhou para Hayoon e encontrou-o segurando os lanches sem um jeito correto. Havia um estacionamento logo ali, então foi onde JaeHwa parou o carro e buscou parte de seu lanche, descendo o braço que havia no banco e encaixando o copo com refrigerante. Em seguida ele retirou os sapatos que usava e dobrou as pernas, sentando em posição de índio antes de abrir o embrulho do seu hambúrguer e com euforia dar a primeira mordida.
Tinha a boca cheia quando olhou para Hayoon e encontrou-o ainda quieto.
- Não vai comer? - perguntou tentando não soar grosseiro enquanto ainda tinha a boca parcialmente cheia.
Hayoon assentiu e ainda envergonhado, deixou o seu copo com refrigerante ao lado do de Jeon e arrumou sua batata entre as coxas. Sua boca salivava somente com o cheiro do hambúrguer de camarão empanado, mas ele deu uma pequena mordida inicial, não queria parecer um faminto.
- Podemos conversar? - Jeon perguntou de boca vazia, olhou-o para só depois buscar algumas batatas.
- Sobre o quê? - Hayoon perguntou baixo, retirando seus sapatos e devagar sentando na mesma posição que o outro. - Você se importa? - perguntou-o referente ao pé sobre o banco.
Jeon negou. - Por que você estava gritando daquele jeito?
- Eu não encontrava meu carro, você viu.
- Não... digo, eu ouvi você dizer que queria chutar alguém.
- Ah... - Hayoon riu e bebeu um pouco do refrigerante. - Meu namorado é um otário.
- Ah, aquele que te pediu para me contratar?
- Na verdade, agora somos ex-namorados, mas ainda bem. E sim, é ele. Ele estuda na mesma sala que você, deve conhecer.
- Mesmo? Então... ele sabe que eu e você...
- Acho que não, Jiwan não liga muito pra nada. Bom, eu acho que não ligava. Hoje ele veio falar comigo após eu ter descoberto uma traição, acredita? Aquele canalha...
- Então você está solteiro? - Jeon guiou os olhos melhor para Park.
- Sim. Solteiro e virgem.
- Podemos resolver isso. - Jeon disse com um sorrisinho no canto dos lábios, o que fez Park olhá-lo de modo ligeiro. - estou brincando. Bom, mas nem tanto.
- Você é direto demais... - Hayoon falou mordendo seu hambúrguer e desviando os olhos.
Jeon achava o modo de agir do outro fofo.
- Eu acho que às vezes sou sem querer. Se te incomoda, desculpe.
- Não, tudo bem...
Ficaram outra vez em silêncio, o que não incomodou Jeon. Mas Park ainda se sentia estranho, talvez fosse o fato de que o homem ao seu lado já tivesse lhe chupado e agora comia tranquilamente ali.
- Eu posso... te perguntar algo?
- Quer saber porque eu me prostituo, ou o porquê comecei a fazer isso?
E outra vez, Jeon estava sendo direto.
Hayoon abaixou os olhos, buscou sua bebida e calou-se.
- Eu faço porque quero, de certa forma. - Jeon falou. - Comecei porque precisava, foi o que me ajudou a ter um teto e comida na mesa. Mas hoje é o que me dá a possibilidade de realizar um sonho, e eu estou quase lá.
- Um sonho? - Hayoon perguntou baixo.
- Sim, eu quero ter minha própria boate. Mas não é qualquer boate, é a boate. Taeil será meu sócio, estamos nos organizando desde o início do curso para isso.
- Ah... legal.
Jeon terminou seu lanche, ficando apenas as batatas. Ele buscou a caixinha com o alimento e olhou para Hayoon enquanto comia.
- Eu e Taeil nos conhecemos quando eu ainda era só um entregador de bebidas. Foi em uma festa, eu ajudei-o com as bebidas e ele me ajudou apresentando a "galera" dele.
- Foi assim que você começou?
- É, eu acho que sim. Trabalhos de meio períodos são essenciais, mas não nos dão o suficiente para pagar casa, comida e afins... eu tenho muitas tarefas ainda não finalizadas e necessito muito do dinheiro. Meu primeiro cliente eu conheci naquele dia, o que foi bem engraçado, porque depois que nos conhecemos melhor, ele quem se ofereceu para me ajudar financeiramente e eu que quis fazer sexo com ele.
- Mas, se o sexo não foi necessariamente pelo dinheiro, então não foi prostituição...
- É, não foi. Mas eu chamo de primeiro cliente por ser o que me mostrou o caminho para o dinheiro que eu necessitava. Eu realmente não me sinto sujo por fazer o que faço, é só sexo. E quando esse meu primeiro "cliente" teve que casar, eu não podia simplesmente ficar sem o dinheiro, então eu conheci uma pessoa que me mostrou um aplicativo e lá eu conheci pessoas que pagavam muito bem para ter meu corpo.
- O aplicativo que eu te encontrei? - Hayoon perguntou olhando-o. Jeon assentiu.
- Sim. Eu não costumo aceitar clientes novos, sempre atendo os mesmos e com a maioria eu tenho valores fixos por mês, alguns atendo apenas por chamada de vídeo, são de outros países ou reservados demais, mas ganho ainda assim. Mas recentemente um cliente se apaixonou, então foi um a menos...
Hayoon se surpreendeu ao ter o outro falando tão tranquilamente sobre sua vida profissional. Era como um livro aberto, como qualquer outro "profissional" que fala com paixão da sua profissão.
Mas aquela não era qualquer profissão. Tinha mesmo como gostar de fazer aquilo? Hayoon não acreditava muito.
- Mas você quer viver disso? - Não aguentou a curiosidade. - você não... pensa em uma profissão normal?
- E deste quando fazer sexo é anormalidade? - Jeon perguntou sutilmente, juntando o lixo das embalagens para jogar fora.
- Não é isso.
- Você foi meu cliente, foi anormal o que fizemos? - Jeon indagou. - ou foi só prazer? - ele riu. - Park, a maioria dos meus clientes me tem como escape. Muitos apenas conversam, jogam uno...
- Uno? - Hayoon riu.
- Sim, uno. Meu cliente apaixonado adora jogar Uno. Sexo é o principal na minha profissão, mas eu não sou tão raso assim.
- Eu não quis dizer isso, Jeon. Me desculpe...
- Está tudo bem.
- Mas... - Park olhou-o e retirou os pés do banco, ajeitando a postura sobre o banco. - como vai ser a sua boate?
Jeon riu e abriu a porta, visando a lixeira que havia a frente do carro.
- Um dia eu te levo lá. - ele falou antes de sair e ir até à lixeira. Hayoon continuou olhando-o, estranhando a forma em como se sentia à vontade ali, mas Jeon voltou e ele desviou o olhar quando o outro pôs o próprio cinto de segurança. - Quer ir para a casa ou eu ainda posso te levar a outro lugar?
Hayoon buscou o cinto de segurança e colocou-o também.
- Não é para um motel? - ele riu quando Jeon negou balançando a cabeça e fazendo os cabelos longos balançarem de forma divertida. - Tudo bem então.
O outro riu e deu partida no carro, saindo do estacionamento e levando Park para mais um de seus lugares favoritos.
- Eu tenho certeza que você vai gostar.
[...]
Estavam parados em frente a um prédio marrom. Hayoon olhava para o alto, analisando o lugar enquanto Jeon o analisava.
- O que tem de especial aqui? - Hayoon o perguntou.
- Você só vai saber se entrar comigo.
O Park estreitou os olhos para o outro, mas Jeon apenas sorriu mais. Era um truque? Hayoon não saberia responder, mas estranhamente ele confiava no outro, então assentiu e seguiu junto à Jeon quando ele abriu o pequeno portão que havia para a passagem dos moradores.
Não era um prédio muito grande, somente três andares e o terraço era o que havia ali, mas subir três andares de escada cansava, e Hayoon mesmo sendo um bom dançarino e acostumado a pegar pesado nos treinos, já respirava com dificuldade quando chegou na porta no fim da última fileira de escada que dava para o terraço.
- Está pronto para morrer de amor?
- Isso é um tipo de cantada ou algo assim? - Hayoon perguntou pondo as mãos sobre os joelhos e respirou fundo. - Cacete, eu 'tô mortinho.
- Poxa Park, eu pensei que você aguentasse mais. - Jeon riu.
- Ha, ha, ha, você nem me conhece. Mas eu aguento sim, ok? Eu sou um bom dançarino, tenho muito fôlego.
- E é bem flexível? - Jeon provocou-o mais, recebendo um tapinha sobre o peito.
- Estou pronto para morrer de amor.
- Tem certeza? - Jeon perguntou segurando a maçaneta da porta. - O que tem aqui é muito, muito forte.
- Só abre logo.
JaeHwa riu, abrindo a porta devagar e vendo o modo em como os olhos do Park aumentavam de tamanho a cada centímetro a mais. Ele enfim abriu a porta, mas foi rápido em tapar os olhos de Hayoon com suas mãos, parando atrás do garoto.
- Um passo de cada vez. - Jeon falou baixo, perto do ouvido do outro.
Mesmo aquilo tendo um efeito absurdo sobre Hayoon e seu corpo tendo arrepiado por completo, ele assentiu. Jeon também notou os pelinhos da nuca do outro, eriçados, e provocou-o passeando os dedos por ali. Mas seu foco não era provocar o Park a ponto de excitá-lo, mesmo Jeon tendo certeza de não precisar de muito para conseguir. Ele guiou os passos de Hayoon de forma vagarosa e quando enfim estava onde queria, liberou os olhos de Hayoon devagar.
- Minha nossa! - Hayoon exclamou alto.
JaeHwa riu daquilo é claro, mas também quase se derreteu ao ver o modo vagaroso em que Park se aproximou mais.
Havia uma cadelinha marrom de pelos baixos deitada sobre uma caminha rosa. Mas além dela, cerca de cinco filhotinhos recém-nascidos mamavam. Hayoon abaixou-se ao lado da cadela, encolhendo-se e abraçando as pernas enquanto a olhava. Jeon, por sua vez, já conhecia a cadelinha, e sentou-se no chão bem ao lado para acarinhar as orelhas dela.
- É sua? - Hayoon perguntou atrevendo-se a tocá-la também, mas demorou um tempo até a cadela cheirar seus dedos e parecer ceder aos carinhos também.
- Não, de um grande amigo. Mas eu sempre venho aqui e acabo tendo ela como minha também.
Hayoon riu quando a cadelinha virou-se de barriga para cima, o que fez alguns dos bebês dela ir junto, caindo alguns também.
- Ela gosta de carinho. - Hayoon falou sentando-se no chão, assim como Jeon.
A porta da escada abriu outra vez, mas um senhor de idade foi quem passou por ali. Ele trazia consigo um enorme saco de ração, então Jeon se pôs de pé rápido e foi até ele, buscando o saco.
- Quanto peso, senhor Lee. - JaeHwa reclamou. - O senhor subiu todas essas escadas com isso?
- Foram só alguns degraus, filho. - O homem riu. - eu não sabia que você estava aqui, ainda mais com... visitas.
Hayoon se pôs de pé, caminhando ainda vergonhoso e parou ao lado de JaeHwa. Ele sorriu para o idoso, fazendo uma reverência em respeito antes de estirar sua mão.
- Sou Park Hayoon, senhor.
- Um prazer, Hayoon. Sou Lee Sunjin. Você é o namorado do Jae?
- Senhor Lee! - JaeHwa protestou, o que fez o senhor rir.
- Ele é bonito, oras.
- Eu... Nós não somos. - Hayoon riu contido e encolheu os ombros. - somos só... colegas.
- Talvez um dia, amigos. - Jeon riu e piscou apenas um dos olhos para o mais velho. - vou torcer por isso, senhor Lee.
- Eu torço para vocês namorarem. - O homem disse sem filtro algum. - Sabe a quantos anos eu conheço esse garoto? - perguntou a Hayoon, que negou rindo baixinho para ele. - Cinco anos? Talvez seis. Eu conheci Jae no mercado, ele trouxe minhas bebidas. Sabe aqueles refrigerantes? Eu gostava muito, mas o médico proibiu.
JaeHwa riu do homem já falando sem freio.
- Viemos ver a Delly, senhor Lee. Mas ela parece tão quietinha, está tudo bem?
- Eu não sei filho, também percebi que ela está tristinha. Eu queria levá-la ao veterinário, mas é tão difícil. Eles não vem até aqui, eu preciso levá-la, mas eu não consigo, é caro, muito caro.
- Caro... quanto? - Hayoon perguntou e olhou a cadelinha repleta de filhotes.
- Quarenta mil won por consulta, mas eles logo disseram, por telefone ainda, que talvez precise ser feito exames, e cada um custa cem mil won. Eu recebo uma aposentadoria apenas, meu neto não conseguiu um trabalho ainda, está tudo bem apertado.
Hayoon tornou o olhar para o Homem e olhou JaeHwa em seguida, encontrando no olhar do outro o mesmo sentimento que tinha em si.
- O senhor estará em casa amanhã? - Hayoon perguntou.
- Estou sempre em casa, menos pela manhã, eu vou à praça jogar damas. Ah, a noite também, eu vou ver a senhora Jung, no apartamento doze, ela é minha namorada, assistimos o jornal da noite juntinhos no sofá. - JaeHwa riu negando daquilo, mas Hayoon achou fofo, muito fofo. - Mas por que filho?
- Porque vamos levá-la ao veterinário amanhã. - JaeHwa disse. - E não se preocupe, estou num bom trabalho agora, lembra? Eu pago por tudo.
- Oh, saeng... você é um anjo. E eu nem te perguntei, como está o seu trabalho no escritório? Estão puxando muito no seu pé?
JaeHwa olhou para Hayoon, antes de voltar o olhar para o homem e dar de ombros. Não podia simplesmente contar para a pessoa que tinha como um pai que estava vendendo seu corpo daquele modo. Por mais que JaeHwa não se sentisse errado ou sujo, eram de épocas e ensinamentos diferentes, o respeito ao outro era maior.
- Está tudo bem senhor Lee, estou indo muito bem lá.
Ainda continuaram a conversa com o homem, e até mesmo ajudaram-no a alimentar a cadelinha. Hayoon até mesmo fez carinho em alguns dos "bebês" para que nenhum chorasse e ela pudesse se alimentar direitinho. Jeon brincou com ela mais um pouco, tentando animá-la, e até mesmo conversou um pouquinho com a Delly, dizendo que os bebês eram lindos e que ela era uma boa mamãe. Segundo ele, aquilo animava-a com certeza.
Deixaram o lugar com os corações levinhos, sorriam bobamente mesmo que não conversassem nada no caminho de volta.
- Eu deveria ficar surpreso por você lembrar meu endereço? - Hayoon riu quando Jeon estacionou em frente ao seu prédio.
- Não, não mesmo. - JaeHwa riu relaxando o corpo no banco.
Hayoon respirou fundo, precisava ir, mas estranhamente sentia vontade de ficar um pouquinho a mais ali.
- Eu gostei. - ele disse quebrando o silêncio, vendo JaeHwa com a cabeça apoiada no banco lhe encarando.
- Então eu posso pensar em te convidar mais vezes?
- Talvez. - ele buscou a bolsa no banco de trás, consequentemente aproximando-se de Jeon. - E não esqueça de avisar quando for levar Delly ao veterinário, eu vou junto a você.
- Não precisa. - Jeon negou, mas Park assentiu.
- Faço questão.
JaeHwa não protestou, olhava intensamente para Hayoon, mesmo tendo noção de que talvez estivesse deixando o outro envergonhado.
- Então... até depois? - Hayoon perguntou. Jeon assentiu e ergueu o corpo, aproximando-se do de Hayoon. - até mais.
Ainda continuaram se olhando de perto, era notório o clima entre ambos e como as bocas pediam por um beijo. Um mísero beijo. Mas Hayoon abriu a porta e mesmo que também sentisse aquela estranha vontade, se retirou e acenou já de fora.
- Tchau Jeon.
JaeHwa riu, tinha que lembrar após pedir para que o outro fosse menos formal com ele, mas não negava que gostava do som da voz de Hayoon lhe chamava daquele jeito.
Ele sorriu e acenou também.
- Até mais, Park.