O sol atravessou as cortinas, e Alina Petrov tateou por seu biquíni em uma gaveta da
cômoda. Os dias de verão eram a sua fraqueza, e ela mal podia esperar para relaxar junto à
piscina de seu pai. Era um dos poucos atos de lazer que ela se permitia ultimamente.
Tirando sua calça de moletom e sua regata, deslizou no biquíni preto e o ajustou. Aros
dourados conectavam duas tiras finas que sustentavam a parte inferior, e a parte superior cruzava
ao redor de seu pescoço. Isso aproximava seu amplo decote, e Alina não pôde evitar franzir a
testa para o próprio reflexo. Para Yuri Petrov, ela ainda era uma pequena princesa que não
deveria ousar vestir coisas tão escandalosas, mas Alina agora tinha vinte e dois anos. Estava na
hora dela sair da concha. Ela havia passado toda a sua vida adulta concentrada em sua
educação, mas aquela fase já havia passado. Independência era o seu próximo objetivo.
Seu pai não tinha entendido quando ela quis ir para a faculdade, e ele gostou ainda menos
da ideia quando ela se recusou a frequentar a universidade local. Sem dúvida, Yuri pensou que
ela viria rastejando de volta quando seus dias de faculdade terminassem, e foi apenas porque ela
não conseguiu um emprego que ela foi forçada a voltar para casa.
E agora ela não conseguia arranjar um apartamento. Cada candidatura a um emprego ou
um lugar para ficar era imediatamente rejeitada. Ela tinha se graduado como melhor da turma, e
tinha economizado dinheiro suficiente para pagar mais do que o depósito exigido por
apartamentos. Não fazia sentido que ela continuasse sendo rejeitada a cada tentativa. A única
resposta lógica era que seu pai estava envolvido.
"Mas você não precisa de um emprego, princesa", ela zombou de sua voz grave. "Tudo o
que você precisará está aqui. Eu cuidarei de você."
Alina sabia que seu pai realmente cuidaria dela, mas ela realmente queria se virar sozinha.
Ela não era mais uma criança, e não queria ser tratada como tal.
Cabelo loiro. Olhos azuis. Corpo torneado. Disseram-lhe a vida toda que ela era linda, e
sabia que virava as cabeças dos homens de seu pai, mas quando ele estava por perto, eles
desviavam o olhar e silenciavam suas conversas. Ela sempre esteve muito ocupada para pensar em
homens, mesmo na faculdade, mas hoje ela começaria seu novo plano. Fazer tudo o que pudesse
para irritar seu pai para que ele parasse de obstruir suas ações.
Passando um pouco de gloss nos lábios, ela vestiu seus óculos de sol e sua saída de banho
transparente. Com sua bolsa de piscina pendurada sobre o ombro, ela saiu rapidamente de seu
quarto e desceu os degraus de pedra.
Yuri Petrov era um homem rico. Como chefe da máfia da cidade-o que o tornava um dos
homens mais poderosos de toda a região-ele gastou um bom dinheiro na mansão. Ele sempre
dizia a ela que a aparência é tudo. As obras de arte caras alinhavam as paredes, a maioria
conquistada em atividades ilícitas. Mobiliário de luxo, tapetes persas, vasos de cristal. Alina cresceu
na riqueza, e ela mal tinha olhos para isso. Aquela era a sua casa. Ela nem sequer pensava sobre
isso.
Cantarolando uma canção pop que não saía de sua cabeça há dias, ela abriu a porta de
vidro que dava para o deck e andou descalça até a madeira escura e manchada. Uma passarela
conduzia até o grande gazebo bem no meio da piscina. Do outro lado da piscina, uma fonte fazia
a água jorrar com beleza. Lindíssimas flores azuis e roxas decoravam a cerca alta de ferro
forjado, e um bar com área para lanches ficava ao canto.
Aquele espaço dava paz para Alina. Seu pai raramente usava a piscina. Ocasionalmente,
ele organizava uma festa, mas, for a isso, o lugar estava sempre em silêncio. Saltitando e sorrindo
com alegria, ela seguiu a passarela até a ilha no meio da piscina e deixou cair sua bolsa sobre
uma das cadeiras. Depois de remover sua saída de banho, ela se moveu até a borda para
mergulhar a ponta dos pés na água e testar a temperatura. Algo vermelho rodopiou pela água, e
ela franziu a testa.
Alina o viu pelo canto dos olhos. O pânico a inundou, mas foi só quando ela virou a cabeça
e reconheceu a forma que ela começou a gritar.
Seu pai flutuava de bruços na água, cercado por seu próprio sangue.
"Papai!", ela gritou. "Papai! Alguém me ajude!"
Girando para chamar os guardas de seu pai, seu pé deslizou para fora da borda. Ainda
gritando, ela se chocou com força contra a madeira antes de escorregar na água. Logo, seus gritos
foram abafados. A água estava congelando, e ela rapidamente afundou em choque. Quando ela
chegou ao fundo, automaticamente se impulsionou para cima, mas o sangue circulava ao redor
dela, e a histeria tomou conta.
Normalmente, Alina era uma ótima nadadora, mas a ideia de estar presa na piscina com o
corpo do pai a paralisou de medo. Mãos fortes a agarraram e a puxaram bruscamente da
piscina. Ela atravessou a superfície e lutou contra seu atacante.
"Alina! Alina, você tem que parar de gritar. Alina! Sou eu!"
A voz familiar finalmente penetrou em seu medo, e ela ofegou e balbuciou enquanto sugava
o ar. Kristof, um dos guardas de seu pai, puxou-a da água e envolveu sua toalha ao redor de seu
corpo, que tremia.
"Papai", ela ofegou quando ela virou a cabeça para olhar para trás. "Kristof, alguém..."
Kristof agarrou sua cabeça e a impediu de olhar para trás, "Alina, me ouça. Nós precisamos
ir."
"Ir? Ir para onde? Precisamos chamar a polícia.
"E nós faremos isso", ele disse calmamente. "Faremos isso. Mas quem matou seu pai ainda
pode estar aqui, e sua segurança é nossa primeira preocupação. Precisamos ir agora. Preciso que
você se acalme e respire".
Seu coração pulava contra sua caixa torácica enquanto ela pressionava sua cabeça contra
o peito dele. Uma ponta de vermelho pairava no canto de seu olho. Ela deve tê-lo salpicado com a
água sangrenta. Ela estremeceu. O homem acariciou seu cabelo molhado, e ela deixou que ele a
guiasse para longe da piscina.
"Timur", disse ele em voz baixa. "Nós precisamos tirá-la daqui. Peça a Ivan para chamar a
polícia e revistar o local em busca de quem não deveria estar aqui. Eu não preciso lhe dizer para
fazer isso o máximo possível antes da polícia chegar aqui. Mantenha isso dentro dos limites da lei,
mas queremos lidar com isso nós mesmos. Encontre-me na casa depois".
Timur disse algo em voz baixa, mas Alina mal podia ouvi-lo. O sangue rugia em seus
ouvidos, e ela não conseguia tirar a imagem da cabeça o suficiente para temer por sua própria
segurança.
"Papai", ela sussurrou. "Quem faria isso?"
"Seu pai tinha muitos inimigos", disse Kristof, enquanto a envolvia com um braço e a forçava
até a garagem. "Alina, eu preciso que você se concentre. Pelo menos até que a gente estar em
segurança. Você consegue fazer isso?"
Ela tropeçou quando ele continuou a arrastá-la, mas ela não conseguia lutar. Abrindo a
porta do passageiro de um dos carros, ele facilmente a colocou para dentro. Molhada e tremendo,
ela envolveu os braços em torno de si mesma e começou a balançar de um lado para o outro.
"Papai."
Gemendo, ela mal notou quando Kristof ligou o carro. Ele saiu da casa, e ela olhava para o
nada enquanto as árvores passavam voando. Seu pai estava morto. Seu pai estava morto. Era
como um disco arranhado em sua cabeça. Seu pai estava morto.
"Filho da puta", ele gritou de repente e pisou no freio. Movendo-se bruscamente para a
frente, ela imediatamente ergueu os braços e bateu contra o painel. A dor a puxou para fora de
seu estado hipnótico, e ela gritou. "Coloque o cinto de segurança", ele chiou.
Virando a cabeça para o lado, ela viu outro carro seguindo bem ao lado deles. O motorista
usava um capuz, e ela não podia distinguir suas feições, mas suas intenções eram claras. Ele virou o
volante e o carro se aproximou dela perigosamente. Ambas as janelas se quebraram quando algo
passou próximo de sua cabeça, e ela imediatamente se abaixou.
"Kristof! ", gritou ela.
Seu guarda-costas deixou escapar uma série de obscenidades e pisou fundo. Alina olhou
para o velocímetro e engoliu seco. Um movimento errado, e Kristof faria com que eles batessem
nas defesas metálicas. Mas o outro carro os acompanhou.
De repente, Kristof pisou novamente no freio e o outro carro avançou. Engatando a ré,
Kristof virou a cabeça e dobrou a esquina. Engatando a primeira marcha, ele disparou com o
carro pela outra rua.
"Por que alguém tentaria me matar?" Ela sussurrou enquanto virou a cabeça e olhou
desesperadamente para o perigo.
"Pense, Alina", ele disse suavemente. "Você poderia muito bem ter visto o assassino e não ter
percebido isso."
"Mas eu não vi", ela engasgou. "Eu não vi nem ouvi nada. Apenas papai flutuando na água."
Seu estômago se agitou, e ela o apertou com uma das mãos e tentou tomar algum fôlego.
"Você está em choque", disse ele, sombrio. "Você pode não saber o que viu ou ouviu. Há uma
boa razão para alguém tentar matá-la, Alina. Eles acham que você viu alguma coisa."
Ela fechou os olhos e tentou bloquear as imagens horríveis. "O que eu faço, Kristof? O que
eu devo fazer?"
"Seu pai se assegurou de que você seria cuidada", ele disse suavemente. "Você não precisa
se preocupar com isso, mas precisamos ter certeza de que quem matou seu pai não a mate."
Uma hora atrás, ela estava furiosa por seu pai ter bloqueado mais uma tentativa sua de se
mudar. Agora ele estava morto, e havia boas chances de ela nunca mais voltar para casa.
Eu nem sempre estarei aqui por você, princesa. Você precisa prestar atenção. Estou tentando te
ensinar a como se proteger.
Nunca havia lhe ocorrido que seu pai tinha razão. Ele nem sempre estaria por perto, e
agora alguém estava tentando matá-la.
* * *
Nikolai estava no meio de seu treino com a porta aberta. O suor escorria de seu corpo, e
seus músculos gritavam de dor, mas ele não estava pronto para parar. Agarrando o saco de
pancadas pesado para mantê-lo no lugar, ele franziu a testa. "Viktor, você sabe como eu me sinto
sobre interrupções."
O homem acenou com a cabeça respeitosamente. "Peço desculpas, mas acabamos de
receber a notícia de que Yuri Petrov está morto."
Suas entranhas se contraíram, e Nikolai estreitou os olhos. "O que aconteceu?"
"Um tiro na cabeça esta manhã, em sua propriedade. Sua filha o encontrou".
"Maldição", ele jurou e começou a desenrolar o pano em torno de seus dedos machucados.
Ele nem mesmo sentiu a dor. "Ela também está morta?"
Viktor sacudiu a cabeça. "Não. Seu guarda-costas imediatamente a tirou da cena do crime.
Ela está em um local seguro. Precisamos agir rapidamente se quisermos fazer a transição sem
dificuldades."
"O que as autoridades acham?" Nikolai perguntou, ignorando a última declaração de Viktor.
"Ninguém foi encontrado no local", disse Viktor. "Eu tenho certeza que eles aparecerão para
falar com você em breve."
Claro que sim. Nikolai seria o suspeito número um. "Eu acho que isso significa que eu deveria
tomar banho e trocar de roupa", disse ele com um suspiro.
"Você precisa tomar cuidado, senhor", disse Viktor gravemente. "Você pode ser o próximo."
"Yuri era um homem poderoso, mas era muito ingênuo", rosnou Nikolai. "Seu assassino não
vai me achar um alvo tão fácil."
Isso não era inteiramente verdade. Yuri não era exatamente ingênuo, mas Nikolai tinha
endurecido seu coração há muito tempo. Não acreditava em ninguém. Essa foi a única maneira de
sobreviver nesse tipo de negócio.
"Eu vou me levar," ele murmurou ao levantar do banco. "Vá em frente e entre em contato
com o meu advogado."
"Quer falar com a filha? "
Nikolai hesitou. A mulher não tinha muita utilidade, mas ele não podia deixá-la vulnerável.
Além disso, protegê-la iria provar a todos que ele era capaz do trabalho. "Ainda não. Vamos
esperar até que todos os papéis estejam assinados e Yuri esteja enterrado. Preciso que todos
compreendam que a máfia é minha justamente antes de assumi-la. Até lá, procure os guarda-
costas e verifique se eles têm tudo o que precisam."
"Sim senhor."
"Viktor, mais uma coisa".
"Sim?"
"Quais são as chances de que ela tenha matado seu pai?"
Viktor sacudiu a cabeça. "Ela não é como ele".
Nikolai o olhou desconfiado. "Isso não significa nada. Yuri não era um homem tão cruel. Se
ela tivesse noção do seu testamento, de tudo o que eu tomaria conta, ela poderia tê-lo matado de
raiva".
"Duvido, senhor. Não só não seria um movimento inteligente da parte dela, mas a menina tem
tentado fugir dele e de seu dinheiro por meses. Além disso, ela praticamente desmaiou ao vê-lo, e
tentaram matá-la enquanto seu guarda-costas a tirava da cena. Ela não é a assassina.
Interessante. "Bem. Eu quero o máximo possível de informações sobre ela. Não quero
surpresas".
O assassinato de Yuri não foi uma surpresa, mas a sobrevivência de Alina foi. Se ele
estivesse correto em suas suspeitas, o assassino não queria que ela sobrevivesse por mais uma
noite.
Viktor acenou com a cabeça e o deixou em paz. Nikolai terminou de secar o suor do
pescoço e pegou o telefone. Percorrendo as fotos, ele olhou para as imagens de vigilância que
havia tirado há cinco anos. Alina Petrov era uma mulher interessante. Frequentou uma faculdade,
inteligente, bonita, motivada e aparentemente inocente.
Tão inocente.
Ele apagou a maioria das fotos, mas algo sobre uma delas o fez guardá-la durante todo
aquele tempo. Na foto, ela havia acabado de tirar os óculos escuros e estava prestes a
cumprimentar alguém. Seu pai não estava interessado nas outras pessoas em sua vida, então
Nikolai não tinha perguntado, mas ele não podia deixar de se perguntar agora. Quem fez a
mulher sorrir tão brilhantemente?
Tão calorosamente?
Fazia muito tempo que ninguém o olhava daquele jeito. Nikolai tinha certeza de que ninguém
jamais o faria. Desligando o telefone, dirigiu-se para as escadas. Alina Petrov era uma
preocupação para outro dia. Não havia muito que ele pudesse fazer por ela agora. Assim que
assumisse tudo, ele a procuraria.
Até lá, ela estaria sozinha.
Capítulo Dois
Havia momentos em que Alina nem sabia o que estava acontecendo ao seu redor. Às vezes o
tempo parava, e outras vezes o dia corria sem que ela percebesse. Ela se levantava, ia para a
cama, e não tinha ideia do que tinha acontecido naquele intervalo de tempo.
Kristof e Timur não a perdiam de vista. Ela vagava sem rumo pelo local seguro, um
apartamento pequeno, mas bem mobiliado nos arredores da cidade e tentou se concentrar no que
faria em seguida.
Uma pequena mala de roupas a esperava no apartamento. Quando a polícia finalmente
liberou a cena do crime, ela conseguiu voltar para buscar mais coisas, mas seus guarda-costas não
a deixaram ficar, e ela realmente não queria.
O céu estava nublado no dia do funeral. Alina se sentou no banco, espremida entre Timur e
Kristof; seu tio Vadik, o gêmeo de seu pai e seu único parente vivo, sentou-se no banco atrás deles.
Ela não tinha ouvido falar dele desde o assassinato.
Um tiro de 38 na têmpora. Alina tinha estado perto de armas toda a sua vida. Ela podia
facilmente imaginar a arma que acabou com a vida de seu pai. As autoridades disseram que o
assassino provavelmente usou um silenciador e atirou em seu pai poucos minutos antes de ela entrar
na área da piscina. Ele estava morto antes mesmo de cair na água.
Ela tentou se confortar no fato de que ele não sofreu, mas isso não aliviava sua dor. Seu pai
estava morto. Sua última conversa com ele tinha sido cheia de raiva.
"Por quê? Por que você quer se mudar? Por que você quer me deixar?"
"Papai, eu sou adulta. Você acha que eu iria viver aqui para sempre? A faculdade terminou. Eu
quero explorar o mundo. Eu quero ter a minha própria casa."
"Eu não vou impedi-la."
"Mas você está! Você está impedindo que alguém aceite minhas propostas! Eu sei que você está!
Você está me deixando louca! Você está me tratando como uma prisioneira!"
Um nó apertou em sua garganta, e ela tentou engoli-lo. Agora não era o momento de
desmoronar.
"Alina?", sussurrou Timur. "Você quer sair e tomar um pouco de ar?"
"Já está quase acabando?", perguntou. "Eu não consigo respirar."
Ele a envolveu com um braço e a apertou suavemente. "Sim, quase. Aguente firme."
Timur e Kristof estavam com seu pai desde que ela era criança. Na época, eles eram
adolescentes arrogantes procurando crescer dentro da máfia, mas agora eram praticamente da
família. Saber que eles estavam cuidando dela era o único conforto que ela tinha. Eram como seus
dois irmãos mais velhos. Ela confiava neles.
Finalmente, uma oração silenciosa terminou o funeral, e ela se levantou. Agora ela só tinha
que suportar o enterro no cemitério, e ela finalmente seria capaz de deitar em sua cama com uma
garrafa de vinho e tentar afogar suas dores.
Alina se voltou para olhar a congregação. O lugar estava lotado. O território de seu pai
era grande, e embora o seu negócio estivesse encharcado de violência e sangue, ele protegia
aqueles que precisavam. Metade da cidade tinha aparecido para prestar homenagem, e parecia
que todos os olhos estavam sobre ela.
"Você acha que ele está aqui?" Ela murmurou, sem expressão. "Acha que o homem que
assassinou meu pai está me observando?"
"Vamos," Timur disse enquanto indicou para que ela andasse. "Esse momento não é sobre o
assassino. É sobre o seu pai, certo? Concentre-se nisso."
Assentindo com a cabeça, ela engoliu seco e entrou no corredor. Todos inclinaram a cabeça
e esperaram até ela chegar na porta. Todos menos um. Ela parou quando alguém passou em sua
frente para abrir a porta.
"Senhorita Petrov", disse ele com a voz grave.
Alina ergueu os olhos e o observou. Alto. Cabelo escuro. Olhos de um azul cristalino
devastador e um corpo que a distraiu momentaneamente. Ela o via ocasionalmente saindo de
reuniões fechadas com seu pai, mas nunca prestou atenção nele. Ela nem sabia o seu nome.
Aqueles olhos penetrantes nunca deixaram os dela enquanto ele segurava a porta aberta e
esperava que ela passasse.
"Obrigada", disse ela suavemente.
Ele assentiu solenemente, mas não disse mais nada. Kristof continuava a pressioná-la para a
frente, mas Timur parou para falar com o estranho em voz baixa. Por um momento fugaz, ela se
perguntou se aquele lindo homem teria matado seu pai. Ele estaria brincando com ela agora?
"Quem é ele?", perguntou ela, parando e virando a cabeça. Timur já estava se juntando a
eles.
"Seu nome é Nikolai Sokolov", resmungou Kristof em voz baixa. "Vamos, Alina. Temos de ir.
Todo mundo está esperando por você."
Obedientemente, ela baixou a cabeça e seguiu seus guarda-costas para fora. Eles a
acompanharam em ambos os lados, e ela observava com curiosidade a multidão em busca de
possíveis ameaças.
"Você realmente não acha que alguém me atacaria aqui, no enterro do meu pai, não é?"
"É sua primeira vez ao ar livre em dias", lembrou Timur. "Se eles tiverem pressa, sim, não há
dúvida de que eles irão atrás de você no funeral de seu pai."
As palavras a fizeram estremecer, e ela voltou a se recolher. Um sentimento mais intenso-
raiva-rapidamente anulou sua dor e seu medo. Ela deveria ser livre para chorar a morte de seu
pai, mas em vez disso, ela tinha que temer pela própria vida.
Poucos carros seguiram da igreja ortodoxa até o túmulo. A descida do caixão na sepultura
era somente para aqueles mais próximos de Yuri. Além de Vadik, todos eram sócios dos negócios.
Ao crescer, Alina passava boa parte do tempo se comportando mal porque achava que seu pai
amava mais seus homens do que ela. Era estranho ter que compartilhar aquele momento com eles.
O sol aqueceu sua pele quando ela se aproximou do túmulo, e ela franziu a testa. As nuvens
tinham desaparecido. Aquilo não parecia certo. O vento deveria uivar e os trovões ressoarem, mas
em vez disso, o dia estava rapidamente se tornando agradável. Até mesmo bonito.
Apenas mais um lembrete de que a vida não parou simplesmente porque ela estava
perdida.
"Vou dar uma olhada no local", disse Kristof em voz baixa.
Timur assentiu, e Alina percebeu que ele estava inquieto. Ela tomou seu braço, mais por
conforto do que por necessidade, e o deixou levá-la até as cadeiras metálicas dobráveis que
estavam alinhadas em frente ao túmulo aberto. Mais uma vez, ela seria forçada a se sentar na
frente e no centro.
Puxando seus óculos escuros para fora de sua bolsa, ela os colocou em seu rosto e olhou ao
redor. Pelo menos agora ela se sentia um pouco mais escondida. Um pouco mais segura.
A maioria das pessoas que saíam dos carros estacionados atrás dela era um tanto
familiares. Guardas. Sócios de negócios, suas esposas. Ela ouvia seus sussurros silenciosos e virava
a cabeça para ver quem estava ali. Um homem se destacou, e ela inalou bruscamente.
Nikolai Sokolov. O que ele estava fazendo aqui? Um par de homens seguiram atrás dele.
Seu olhar a provocou enquanto vagava pelo seu corpo, e Alina sentiu algum alívio por ele não
poder ver seus olhos.
Seu rosto endureceu, e ele franziu a testa e virou a cabeça. Alina olhou fixamente quando
Kristof fez um sinal para o homem e sussurrou algo em seu ouvido. Nikolai assentiu e Kristof dirigiu-
se para a parte de trás do cemitério.
"Alina?" Timur perguntou suavemente.
"Quem é esse homem?" Alina perguntou enquanto o deixava guiá-la até as cadeiras.
Sentada, ela nunca tirou sua atenção de Nikolai.
"Já lhe dissemos. O nome dele é-"
"Não o nome dele", ela cortou rapidamente. "Ele é importante. Por quê?"
Antes que Timur pudesse responder, uma sombra caiu sobre eles, e Alina olhou para cima.
Vadik Petrov se sentou ao lado dela e pegou sua mão.
"Minha doce Alina", ele sussurrou enquanto beijava sua mão.
"Tio," Alina reconheceu desconfortavelmente. Houve uma época em que seu tio sempre
estava por perto, mas quanto mais velha ela ficava, mais ela percebia que havia um
desentendimento entre Vadik e seu pai. Yuri nunca falou sobre isso, e Vadik sempre participava das
atividades da família, mas eles nunca eram muito amigáveis um com o outro.
"Sinto muito por não estar muito perto, mas tenho observado você", disse Vadik em voz
baixa. "Eu vou me assegurar de que você fique segura."
Com o que aconteceu com Yuri, e nenhum filho para assumir, Vadik deveria ter sido o
próximo na fila como novo líder, mas pelo que ela tinha visto ele nunca tinha mostrado muito
interesse nisso. Ela não tinha realmente notado sua ausência, já que não estava acostumada à sua
presença. Provavelmente ele tinha muitas coisas a fazer.
"Tudo bem, tio. Eu entendo", disse ela com um sorriso trêmulo. Vadik era o irmão mais novo
de seu pai, mas apenas por alguns minutos. Eram gêmeos fraternos, mas não havia como confundir
a semelhança. Embora seu pai estivesse grisalho nas laterais da cabeça e enrugado ao redor dos
olhos e Vadik pintasse o cabelo, Alina podia ver Yuri quando olhava para Vadik.
Isso fez seu coração doer.
Uma vez que todos estavam sentados, o padre avançou para fazer as declarações finais.
Sua voz parecia distante, muda, e só quando todos se levantaram que Alina percebeu que o
homem tinha terminado de falar. Parecia que ela tinha tijolos amarrados a seus pés ao avançar até
um monte de rosas posicionadas em um pequeno móvel ao lado do caixão. Tomando uma
cautelosamente pelo caule, ela ficou na beira do túmulo e respirou fundo.
"Eu apagaria cada briga se pudesse," ela sussurrou para o caixão. "Eu abraçaria cada
segundo que tivemos juntos. Nunca me ocorreu que eu teria que viver sem você. Sinto sua falta,
papai."
Lançando a rosa sobre o caixão, ela enxugou as lágrimas que escorriam por seus olhos e se
virou para caminhar lentamente de volta para os carros.
"Alina! Pare," Timur chamou de repente. Ela ouviu o pânico em sua voz e congelou. Ele
imediatamente a agarrou pelo braço e a puxou para trás.
"O quê?" Ela perguntou freneticamente. Os homens já estavam alcançando as armas
escondidas sob seus paletós. "O que foi?"
Olhando por trás dele, ela observou conforme um Bentley preto passava lentamente pelos
carros. Suas janelas escuras tornavam impossível ver o interior, mas ela podia sentir o perigo e a
tensão no ar. Quaisquer que fossem as intenções do motorista, elas não eram boas.
Quando finalmente se afastou de vista, Alina relaxou. "Como você soube?" Ela sussurrou.
"É meu trabalho cuidar de você", disse ele em voz baixa. "Não é seguro para você".
"Você continua dizendo isso".
Ele sorriu indulgentemente e balançou a cabeça. "Quero dizer, não é seguro você ficar sob
meus cuidados. Não mais. Você precisa de mais proteção do que nós podemos fornecer. Alina, eu
acho que você precisa ficar próxima do novo líder até que possamos resolver as coisas. Já
falamos com ele, e ele concordou.
"Tio Vadik?" Alina disse com uma careta. "Quer dizer, acho que tudo bem."
"Não o Vadik," uma nova voz disse grosseiramente. "Você vai ficar comigo."
Seus olhos se arregalaram ao ver Nikolai. Ele ficou quase perto demais, e ela sentiu o calor
irradiando dele. Ele era intimidador. Irresistível.
Intoxicante.
"Timur?", ela perguntou hesitante. "Eu não entendo."
"Seu pai nomeou Nikolai como seu sucessor há dois meses. Tudo está em seu nome agora. Ele
assumirá a máfia, e ele será capaz de protegê-la."
Ela franziu o a testa e olhou para seu tio. "Por que meu pai não faria o meu tio seu
sucessor?"
"Vadik vê algo muito diferente para o próprio futuro", disse Timur em uma voz neutra.
"Timur e Kristof têm feito bem protegendo você, mas até que o assassino de seu pai seja
pego, você ainda está em grave perigo. Você deveria ficar comigo", disse Nikolai em voz baixa.
"Eu não te conheço," ela disse hesitantemente.
"Você não precisa," ele respondeu grosseiramente. "Mas é importante que você fique viva.
Se essa transição der certo, preciso provar que posso proteger o que é meu."
Ela estreitou os olhos. "Eu não sou sua."
Um pequeno sorriso puxou os lábios dele. "Você é filha do meu antecessor. Isso
automaticamente faz de você minha. Ficar comigo ou não é escolha sua, mas isso não me fará ir
embora. Sua segurança é minha prioridade número um."
"Manter-me viva e ganhar a lealdade dos seguidores do meu pai", murmurou ela. "Isso é um
pouco de frio, você não acha?"
"As minhas intenções importam?"
Timur pôs uma mão em seu braço. "Por favor, Alina. Eu imploro que você aceite sua proteção.
Eu ainda estarei cuidando de você."
Alina podia ver os sinais de cansaço no rosto de Timur. Ele provavelmente tinha dormido
muito pouco nos últimos dias. Ele e Kristof estavam constantemente em alerta. Seria ridículo não
concordar com um pouco mais de ajuda, mas Nikolai a fazia se sentir tão pequena. Ela
instintivamente queria fugir dele.
"Você vai se mudar para a minha casa?", ela perguntou em voz baixa. Por alguma razão,
ela odiava a ideia de ele estar no mesmo lugar onde ela cresceu.
"Não. Essa casa pertence a você. Você pode fazer com ela o que quiser".
As pessoas lhes davam olhares curiosos enquanto saíam do cemitério. Se ela permanecesse
muito mais tempo, logo seriam os únicos por lá.
"Tudo bem," ela disse finalmente. A palavra fez com que seu coração saltasse no peito, mas
ela não sabia se era porque ela estava confiando sua vida a um estranho ou se era o pensamento
de estar tão perto dele.
"Que bom. Timur, Kristof e dois dos meus homens vão escoltá-la de volta para a sua casa
para que possa pegar suas coisas. Espero você em minha casa ao pôr-do-sol.
Com essa observação, ele voltou para os carros e a deixou sozinha. Alina de repente teve a
sensação de que ele a via como nada além de uma ferramenta.
E ele parecia frio e calculista o suficiente para usá-la.
Você tem um coração tão grande, princesa. Seu primeiro instinto é confiar em todos. Eu
gostaria que as coisas pudessem ser assim. Eu gostaria que você levasse uma vida na qual a única
coisa em perigo fosse o seu coração, mas você deve ter cuidado. Essa é sua primeira lição, minha
querida. Você deve cuidar em quem confia.
"O que eu faço, papai? Você confiou nele. Eu devo confiar também?"
Capítulo Três
Timur atravessou os portões de ferro exatamente quando o sol estava se pondo. Matizes
suaves de dourado e rosa pintaram o céu, mas ela não conseguia desfrutar da beleza. Se ela
pudesse fazer o que quisesse, ela ainda estaria em sua casa fazendo as malas. Havia algo terrível
em deixar sua própria casa. Irônico, considerando que ela lutou muito com seu pai para sair de lá
nos últimos meses. Agora ela foi ordenada a sair, e sentia como se seus pés estivessem enterrados
no cimento.
Quando não puderam demorar mais, Timur agarrou suas malas e ameaçou levá-la ao carro
se ela não seguisse em frente. Seus olhos eram simpáticos, mas seu tom era sério. Eles estacionaram
na frente da casa de Nikolai vinte minutos depois
"Ele cuidará de você, Alina", disse Timur suavemente.
"Como você sabe disso?" Ela exigiu. "Há quanto tempo você o conhece? Você o conhece
bem?"
"Conheço Nikolai desde que ele tinha quinze anos", disse Timur suavemente. "Ele respeitava
seu pai, e acho que seu pai o via como um filho. Eu confiaria a minha vida a esse homem, estão eu
certamente confio nele para cuidar da sua."
Olhando pela janela, ela estudou a casa dele. Era menor que o de seu pai, mas não menos
guardada. Onde seu pai tinha plantas caras importadas de todo o país, a propriedade de Nikolai
era bem mantida, mas não tão elaborada.
"Se ele conhecia meu pai por tanto tempo, como é que eu não o conheço? Eu só o vi algumas
vezes," ela resmungou enquanto escorava suas costas no assento. Ela sabia que ela estava agindo
como uma criança mimada, mas ela estava começando a ver sombras ameaçadoras em tudo.
Timur ficou inquieto, e Alina lançou a ele um olhar de suspeita. "O quê? O que você não está
me dizendo?" Ela perguntou ansiosamente.
"Alina, você pode pensar que sabe tudo sobre os negócios de seu pai, mas ele o protegeu
das piores atividades da máfia. Ele fez com que você não fosse contaminada".
"Do que você está falando? Pensei que ele queria que eu soubesse mais sobre o negócio.
Para me envolver? Achei que era por isso que ele não me deixava ir embora".
Balançando a cabeça, Timur lhe deu um sorriso triste. "Seu pai era duro com você às vezes,
mas nunca foi porque ele queria você envolvida nos negócios. Eu não acho que ele alguma vez
pensou seriamente na ideia."
Alina estava sem palavras. "Eu não entendo," ela sussurrou. "Ele perguntou..."
"Claro que sim. Era o seu legado, e se você quisesse, ele teria feito tudo em seu poder para
ajeitar as coisas para você. Mas estava claro que você não queria, então ele preparou alguém.
Nikolai Sokolov. Yuri te protegeu desde o momento em que você nasceu, e não tenho dúvidas de
que Nikolai fará o mesmo.
A dor de ouvir sobre seu pai tirou o ar de seus pulmões, e ela lutou para respirar. Houve
momentos em que ela pensou que superaria a sua morte, e então havia outros, como agora,
quando ela temia que seu coração simplesmente parasse de bater com o peso de tudo aquilo.
Lutando para encontrar uma âncora antes que a dor a afastasse do momento, ela olhou para a
casa novamente. "Ele é casado? Ele tem filhos? O que eles pensam de eu me mudar? E se eu os
colocar em perigo?"
"Essa é a minha garota", disse Timur com um sorriso. Sempre pensando nos outros. Com
exceção de sua equipe, Nikolai vive sozinho."
Era uma casa muito grande para apenas um homem, mas, novamente, sua própria casa era
muito expansiva para ela e seu pai. Nikolai era um homem importante. Ele teria que se apresentar
como tal.
Agora que seu pai estava morto.
"Como você sabe que ele não matou o meu pai?" Ela sussurrou.
"Ele não fez isso. Eu sei."
Seu olhar pousou em uma janela no segundo andar, e ela ofegou. Nikolai estava do outro
lado, olhando para eles. Por um momento, ela poderia ter jurado que eles fizeram contato visual,
mas isso era ridículo. Não havia jeito de vê-la quando ainda estava no carro.
Timur seguiu seu olhar e franziu a testa. "É melhor irmos", ele murmurou. Saindo do carro, ele
pegou suas malas e esperou pacientemente que ela se juntasse a ele.
Enquanto subiam os degraus que levavam à varanda, Alina escolheu automaticamente os
lugares onde ela veria guardas. Um em cada canto da casa de três andares. Não haveria dúvida
de encontrar o mesmo número atrás da casa, mais câmeras nas árvores e um sensor ao longo da
calçada.
Quando adolescente, Alina aprendeu os hábitos dos homens de seu pai, e quando via uma
abertura, ela se abaixava em sua janela, descia por uma árvore e saia em direção à rua. Foi
quando ela descobriu o sensor ao longo da calçada. Quando ela chegou ao portão, havia três
homens apontando suas armas para ela.
Seu pai estava furioso. Ele mandou cortarem a árvore que dava em sua janela naquela
mesma noite, e ela sempre se sentiu muito culpada por causa disso. Se não tivesse desobedecido as
ordens, a árvore poderia ter ficado mais alta e florescido. Ela chorou por causa disso, e Yuri tinha
acabado de dizer a ela que da próxima vez que ela quisesse desobedecer suas ordens, ela
deveria pensar sobre a árvore.
Isso funcionou por cerca de um ano. Então Alina completou dezesseis anos, e a única coisa
que uma adolescente queria era a sua liberdade. A rebeldia se tornou algo diário.
As portas da frente se abriram, e um cavalheiro mais velho acenou com a cabeça. "Senhorita
Petrov. Eu sou Danik, assistente do Sr. Sokolov. Seria um prazer acomodar a senhorita em seu
quarto.
Assistente? Ele parecia mais um mordomo, mas Alina não comentou. Ela forçou um sorriso e
assentiu com a cabeça. "Obrigada, mas você não precisa me chamar de senhorita Petrov. Alina
está bom.
"É claro." Danik pegou uma das malas das mãos de Timur e subiu a grande escada em
espiral. Alina se apressou atrás dele, mas seu pescoço se esticou para captar todos os detalhes que
podia. Estruturalmente falando, a casa de Nikolai era magnífica. Belíssimos acabamentos em
madeira, sancas refinadas, corrimão lindamente esculpido. Um imponente lustre pendia do teto.
Decorativamente falando, a entrada era apagada. Era minimamente decorada com algumas
pinturas, mas nada feito por artistas que ela reconhecia, e nada que tenha falado emocionalmente
com ela. Uma mesa lateral logo ao lado da porta, e um espelho estava pendurado acima dela,
mas o lugar não apresentava nenhum livro ou estátuas. Os tapetes eram simples e nenhum dos
lustres eram ornamentados.
Tirando o tamanho enorme, o lugar parecia normal.
Era uma casa onde ele poderia viver com alguém que ele amava e criar alguns filhos. Não
era a casa de um homem que acabava de assumir uma das mais perigosas organizações
criminosas do país.
Casamento e filhos? Alina piscou e sacudiu a cabeça. De onde tinha vindo esse pensamento?
Arrastando o olhar para longe, ela se apressou atrás de Danik. Embora o homem fosse velho, ele
andava rapidamente.
"Temos uma suíte separada para hóspedes, mas o Sr. Sokolov pensou que você poderia se
sentir mais confortável perto dele. Seu quarto é anexo à suíte dele. Há dois outros quartos neste
andar, mas eles geralmente estão vazios."
"Anexo? O que você quer dizer?", ela perguntou apressadamente enquanto entrava no
quarto. Antes que ele pudesse responder, ela parou e ficou boquiaberta. A cama com dossel
estava coberta por um tecido fino e transparente. O cobertor era branco com bordado em
dourado, e deslumbrantes almofadas amontoadas na cabeceira da cama. Tudo no quarto, da
espreguiçadeira à parede até os detalhes da janela, era branco com detalhes em dourado. Era
tão feminino.
Era onde uma mulher íntima dele ficaria.
Danik abriu a porta para exibir um banheiro deslumbrante com pedras escuras. Uma imensa
banheira adornava o canto, e ao lado dela ficava a abertura para o que só poderia ser um
grande chuveiro. Com um piso de azulejos, não precisava de porta ou cortina. Do outro lado havia
um espelho de parede e duas pias. O banheiro parecia novo, como se não tivesse sido utilizado.
"A porta do outro lado se conecta ao quarto do Sr. Sokolov. Ela é trancada em ambos os
lados, mas o Sr. Sokolov tem uma chave, por isso, se houver uma emergência, ele ainda será capaz
de chegar até você.
"Uma chave," Alina resmungou. "Espere um minuto, eu devo partilhar um chuveiro com ele? Eu
nem o conheço!"
O velho olhou calmamente para ela. "Sua segurança é uma alta prioridade aqui, e Sokolov
quer que você se sinta segura. Há um banheiro no corredor se você quiser usá-lo em vez deste."
O alívio tomou conta dela, e ela assentiu. Ela definitivamente iria usar o banheiro do
corredor. Nikolai não era o tipo de homem que ela gostaria de ter por perto quando estivesse nua.
Só de pensar nisso suas bochechas se aqueceram.
De repente, lembrando-se de vê-lo na janela, ela olhou fixamente para a porta fechada. Ele
estaria lá agora? Por que ele não saiu para recebê-la?
"O jantar será servido em uma hora, se você deseja desfazer as malas e descansar. Você é
bem-vinda a explorar a casa como quiser, mas você não pode sair sem uma escolta."
"Espere, eu não posso andar no quintal?" Ela perguntou com uma careta. Ela estava presa lá
dentro?
"Não sem uma escolta, repetiu ele. "Tenho certeza que se você pedir com antecedência, será
fornecida uma para você. Há uma carta sobre o criado-mudo para você. Vou deixar você se
acomodar.
Antes que ela pudesse lhe perguntar qualquer outra coisa, ele saiu pela porta. Ela notou que
Timur também não estava por lá.
"Excelente. Me deixar na casa de algum estranho e me abandonar no momento em que eu
chegar aqui. Que adorável recepção. Eu me sinto tão segura aqui", ela murmurou sarcasticamente
enquanto pegava o envelope. Ele tinha seu nome e sobrenome escritos, fazendo-a parecer tão
formal como o assistente que a tinha acompanhado até ali. "E haveria uma outra Alina?"
Abrindo-a, ela tirou os sapatos e se sentou desajeitadamente no sofá. A mobília era tão
bonita que ela tinha medo de que fosse estragar só de olhar. Chutando seus sapatos, ela deitou a
cabeça para os lados para aliviar a tensão e olhou para a carta.
Em poucos segundos, ela estava no banheiro e batendo na porta dele com raiva.
* * *
Nikolai não pôde deixar de sorrir quando ouviu o bater da porta. Ele não sabia se era a
acomodação ou a carta que a perturbava, mas ele estava preparado para ambos.
Abrindo a porta totalmente, ele olhou para ela. "Da próxima vez que você bater na minha
porta assim, é melhor você estar em sério perigo", ele a ameaçou com a voz grave.
Ele esperava que seus olhos se arregalassem de medo, mas, em vez disso, apertaram-se de
raiva. Ela empurrou a carta contra o seu peito e o empurrou para dentro. Tomado de surpresa, ele
tropeçou para trás.
"Que diabos é isso?", ela gritou enquanto caminhava para seu quarto. "Uma lista de regras?
Eu não sou adolescente em um internato, Sr. Sokolov. Eu sou uma mulher adulta, e eu não quero
saber de me submeter a regras. Primeiro me dizem que eu não posso sair sem uma escolta. Agora
eu tenho um horário e um toque de recolher? Se essa é a sua ideia de hospitalidade, você pode
enfiá-la no seu..."
Antes que ela terminasse a frase, ele a agarrou pelos braços. A carta voou para o chão, e
ele a empurrou até que suas costas bateram em sua cômoda e efetivamente a prendesse entre ela
e seu corpo. Ele imediatamente reagiu à forma como suas curvas se moldaram contra ele, e ele
teve que engolir uma série de palavrões. Ainda assim, ele não estava prestes a soltá-la até que
ela soubesse muito bem o que era esperado dela.
"Senhorita Petrov, posso lhe assegurar que ninguém nesta casa a confundirá com nada além
de uma mulher adulta," disse ele com voz sedosa. Os olhos dela se arregalaram, e ele sorriu
friamente para ela. Bom. Talvez agora ela pudesse entender. "Os homens desta casa são
assassinos treinados. Eles têm um trabalho: protegê-la. Essas regras tornam mais fácil para eles
fazerem exatamente isso. Você tem um horário porque eu não estou sempre aqui em casa, e meus
homens estão ocupados. Você vai fazer as suas refeições quando eu quiser, e você será capaz de
andar pelo terreno nos horários designados, porque é quando eu tenho homens o suficiente ao
redor para protegê-la. E você tem um toque de recolher porque eu quero que erros sejam
cometidos porque você está andando por aí às duas horas da manhã. Erros causariam mortes. Eu
fui claro?
Havia fogo em seus olhos quando finalmente encontraram os dele. "Eu acho que eu prefiro
não ter a sua proteção", ela rosnou.
"Então você vai morrer. Soltando-a, ele recuou e cruzou os braços. "Você é mais do que
bem-vinda para sair. Você não é uma prisioneira aqui. Mas se você quebrar qualquer dessas
regras e colocar meus homens em perigo, você será expulsa."
Alina engoliu seco e virou a cabeça para a porta. Nikolai podia ver a tentação em seus
olhos, mas também havia medo e algo que ele entendia muito bem.
Dor.
Naquele momento, ele amaldiçoou a própria pressa. A mulher tinha acabado de enterrar seu
pai e teve seu mundo inteiro virado de cabeça para baixo. Se ele pelo menos um pouco
cavalheiro, ele teria pegado um pouco mais leve com ela.
Mas ninguém jamais havia chamado Nikolai Sokolov de cavalheiro.
"Estamos de acordo?" Ele perguntou, com a voz ainda fria.
Ela não vacilou, e ele ficou surpreso e aliviado. Ele nunca seria capaz de lidar com isso se
ela fosse fraca.
"Eu trouxe dois dos meus guarda-costas," ela disse rigidamente. "Isso deve ser o suficiente
para me deixar sair da casa mais de uma vez por semana."
"Timur e Kristof não trabalham para você. Eles trabalham para mim".
A mandíbula dela se contraiu, e ela endireitou os ombros. "Com licença," ela murmurou.
"Diga as palavras, Alina. Estamos de acordo?", ele perguntou.
Ela congelou. Por um momento, ele não pensou que ela cumpriria. "De acordo", disse ela
finalmente.
"Estas são as mesmas regras que Kristof e Timur teriam, e você não pensaria duas vezes em
seguir suas ordens", ele lembrou. "A única razão pela qual você está se ofendendo com isso é
porque você não confia em mim. Eu sugiro que você supere isso, Alina. Podemos ficar juntos por um
tempo".
Ela saiu do quarto e fechou a porta.
Com ela segura do outro lado da porta fechada, o desejo o atingiu com toda a força, e ele
quase desabotoou suas calças e aliviou a si mesmo bem ali. Que diabos ele estava pensando,
deixando-a ficar tão perto dele? As suítes do outro lado da casa eram tão seguras quanto. Era
impossível que alguém penetrasse sua segurança externa, e mais ainda que subisse as escadas e
entrasse em seu quarto. Saber que todas aquelas curvas macias estavam descansando do outro
lado da parede seria um tormento.
"Droga, Yuri", ele sussurrou. "Por que diabos você teve que ser morto? Por que você me
colocou nesta posição?"
Não houve resposta.
Alina pensou em não descer para jantar só para evitar o homem insuportável. Ela andou
pelo quarto, e quando ouviu um carro entrando na propriedade, correu até a janela. Depois de
alguns minutos, Nikolai se aproximou do carro, e um motorista abriu a porta traseira. Irritada pelo
homem não poder sequer se juntar a ela para sua primeira refeição, mas aliviada que ela não
teria que vê-lo, ela saiu do quarto e andou pelo corredor. Seu estômago roncou, e ela percebeu
que não tinha comido o dia todo.
Fazendo uma parada perto da entrada principal, ela percebeu que não tinha ideia de onde
a cozinha poderia estar. "Timur?" Ela chamou com uma voz suave. "Kristof? Tem alguém aí?"
"Você precisa de ajuda?"
Alina gritou quando Danik surgiu de um dos ambientes. Colocando uma mão sobre seu
coração acelerado, ela franziu a testa para ele. "Você está tentando me causar um ataque
cardíaco? De onde você surgiu?"
"Da sala de estar", ele disse enquanto gesticulava para a porta aberta atrás dele. Ele não
disse mais nada, e ela suspirou.
"Eu não tinha certeza de onde encontraria a sala de jantar", ela murmurou, levando uma
mecha de cabelo atrás da orelha.
"Por aqui, senhorita".
Senhorita. Ela pediu que ele não a chamasse de Senhorita Petrov, mas claramente ele
também não iria chamá-la de Alina. "Senhorita" era a forma que ele tinha de realizar a tarefa
mais profissionalmente?
O hall de entrada levava diretamente para uma área de estar. Ele se ramificava em várias
áreas diferentes.
"À esquerda, você encontrará a biblioteca. Há uma série de livros e filmes lá se você deseja
entretenimento. À direita está a sala de entretenimento privada do Sr. Sokolov. Quando ele tem
convidados, você faria bem ao ficar longe de lá. Do outro lado está o seu escritório pessoal. A
porta estará sempre trancada quando o Sr. Sokolov não estiver usando." Danik disse em uma voz
monótona enquanto a conduzia. O salão seguinte se ramificava em duas áreas separadas. À
direita, surgiu uma grande área de jantar formal, e à esquerda estava a cozinha. Danik lhe deu
um breve sorriso antes de a cumprimentar com a cabeça e abandoná-la.
"Estranho", ela murmurou enquanto espiava cada ambiente. A sala de jantar estava vazia,
não havia lugar arrumado, nada na enorme mesa. A cozinha, entretanto, continha um espaço de
jantar mais íntimo. Uma pequena mesa ficava ao centro, já com um único lugar arrumado, com um
cloche sobre o prato, presumivelmente mantendo o jantar quente.
E não havia uma alma por perto além dela.
"Olá?" Ela chamou novamente. Danik não apareceu, e nem outra pessoa. Sobre a mesa
estava uma taça de vinho tinto, que ela pegou e imediatamente bebeu. Ao lado do prato havia
outra carta com o seu nome.
Peço desculpas por não poder me juntar a você. Eu já tinha um compromisso para o jantar esta
noite. Por favor, aproveite. Sinta-se à vontade para se retirar cedo. Tenho certeza de que você está
cansada. -N.
"Sinta-se à vontade para se retirar? Por que isso soa mais como um comando do que como
um convite?", ela resmungou enquanto se sentava. Descobrindo o prato, ela encontrou uma deliciosa
refeição de frango, batatas e legumes apetitosos. Havia ainda um recipiente com molho ao lado do
prato.
O cheiro era delicioso, e ela deveria ter ficado com água na boca, mas ela foi
repentinamente atingida por uma onda de tristeza.
Sozinha.
Ela tinha apenas dois anos quando sua mãe morreu, mas cresceu rodeada de pessoas. Seu
pai se assegurou de que ela nunca ficasse sozinha. Se ele não se juntava a ela para suas
refeições, Kristof, Timur ou um dos outros criados fazia isso. Sempre havia alguém com quem
conversar, mesmo que ela passasse a maior parte do tempo reclamando.
Olhando ao redor do ambiente vazio, ela percebeu que não tinha dado valor a isso.
Segurando as lágrimas, ela alcançou a mesa e olhou para o parto. Ela não sabia por que
não se permitia chorar. Não era como se houvesse alguém por perto para testemunhar aquilo.
Depois de algumas mordidas, ela percebeu que o frango não era tão bom como parecia.
Felizmente, ela não estava com tanta fome. Engolindo-o com vinho, ela deu mais algumas garfadas
até ficar satisfeita.
Ela mal tinha comido um quarto da comida que estava disposta diante dela.
Com um suspiro, ela terminou a taça e levou a louça até a pia. A porcelana fez barulho
contra o aço inox.
"Você precisa de algo?"
"Droga, Danik!", ela gritou furiosamente enquanto virava o corpo. "Essa já é a segunda vez.
Se você fizer isso de novo, eu vou amarrar um sino em seu pescoço!"
Ela poderia jurar que viu um sinal de sorriso, mas que logo desapareceu, e ele curvou a
cabeça. "Como posso ajudá-la, senhorita?"
"Alina", ela disse lentamente. "Por favor, me chame de Alina. Eu estava indo pegar alguns
recipientes de plástico para guardar as minhas sobras e limpar tudo."
"Não há necessidade de você limpar após comer. Há funcionários para isso".
Suspirando, seus ombros caíram. "Certo. Então OK. Você pode agradecer quem cozinhou?
Estava ótimo." Na verdade, estava um pouco seco, mas ela não queria ser rude em sua primeira
noite.
"Sim, senhorita."
Desistindo do homem completamente, ela virou as costas e começou a sair.
"Alina", ele chamou de repente.
Ela se animou com o som de seu nome e virou a cabeça. "Sim?"
"Você vai precisar de um lanche para a noite?"
A ideia de comer sozinha novamente naquela noite embrulhou seu estômago, e ela balançou
a cabeça. Um pensamento surgiu em sua mente, e ela sorriu maliciosamente. "Danik?"
"Sim, Alina?"
"Você vai me ajudar com qualquer coisa que eu possa precisar, correto?"
"Qualquer coisa que o Sr. Sokolov permitir", ele confirmou com a cabeça.
"E se não for permitido, estaria naquela carta, certo?"
"Sim senhorita. Alina." Ele se contraiu, e ela quase riu.
"Amanhã de manhã, você acha que poderia se juntar a mim para o café da manhã?"
Por um momento, ele apenas olhou para ela. "Não tenho certeza se o Sr. Sokolov gostaria
disso", disse finalmente.
Você acha que o Sr. Sokolov se juntará a mim para o café da manhã?", perguntou ela com
os olhos estreitos. Ela já sabia a resposta, mas ele balançou a cabeça, hesitante. "Então ele não
saberá. Você tem permissão para comer, certo? E eu não levo uma eternidade para comer. Apenas
vinte minutos. Por favor. Eu não estou acostumada a ..." Ela respirou fundo e fechou os olhos. "Não
estou acostumada a ficar sozinha".
O rosto do velho homem se suavizou, e ele acenou com a cabeça ligeiramente. "Eu adoraria
me juntar a você para o café da manhã. Basta chamar por mim quando estiver pronta".
Uma onda de alívio tomou conta dela, e ela sorriu. "Obrigada, Danik. Fico grata por isso."
"Você é muito bem-vinda. Alina".
Quando ela começou a voltar para seu quarto, a exaustão tomou conta dela, mas ela ainda
arrastava seus pés. Não era como se aquela noite fosse diferente de qualquer outra noite. Ela
ainda não conseguia dormir sem ver o corpo do pai flutuando na piscina. Naquela noite
provavelmente seria ainda pior, já que ela estava em um lugar estranho.
Fechando a porta de seu quarto, ela a trancou e tirou a roupa, ficando apenas de regada.
Ela sempre dormia nua-até agora. Se ela não estivesse tão ciente do homem maravilhoso que
estaria dormindo a apenas dez passos de distância, ela teria feito isso ali também.
Olhando para a cama, ela percebeu que ela teria que tirar todos os travesseiros e puxar a
colcha para baixo. Mordendo o lábio inferior, ela deu um passo adiante antes de parar.
Ela não conseguia fazer aquilo. Por alguma razão, ela não queria dormir naquela cama. Isso
faria dela uma pessoa diferente, lhe daria um status diferente naquela casa. Isso a fez se sentir
mais sozinha do que nunca. Em vez disso, ela descansou a cabeça no braço do sofá e lançou as
pernas sob ele. Não era muito confortável, mas seria melhor do que aquela cama enorme.
Foi quando ela ouviu os passos vindo pelo corredor e o chuveiro ligando que ela percebeu
que Nikolai estava em casa. Finalmente, ela fechou os olhos e adormeceu.
E foi recebida nos horríveis braços de pesadelos.
* * *
Nikolai acordou depois de três horas de sono. Depois de tomar banho na noite passada, ele
não conseguia tirar sua mente da mulher que dormia do outro lado da porta. Incapaz de relaxar,
ele desceu para a academia e socou um saco de pancadas por uma hora. Quando seu corpo
estava à beira do cansaço, ele tomou outro banho e finalmente se arrastou para a cama.
Seu dia começava quando o sol surgia, e ele calmamente foi até o banheiro para fazer a
barba e escovar os dentes. Depois de cuidadosamente deixar tudo limpo após se arrumar, ele
parou para ouvir se Alina ainda estava acordada.
Seu quarto estava em silêncio.
Terminando de se vestir, ele saiu do quarto e olhou para o corredor para ver se a porta
estava aberta. Curioso, ele olhou para dentro.
Alina não estava lá. Na verdade, parecia que ela não tinha dormido lá. A cama estava
perfeitamente arrumada, e as suas malas estavam em algum lugar fora da vista.
Satisfeito por ser uma pessoa organizada, ele seguiu para encontrá-la. Quando ele entrou
na cozinha, ele ficou paralisado.
Alina estava tomando café da manhã com Danik e Iyanna, sua empregada. Toda a conversa
cessou quando ele limpou a garganta. Danik e Iyanna rapidamente saíram de suas cadeiras, mas
não disseram nada.
"Bom dia", disse Alina com naturalidade. "Você vai comer alguma coisa, ou só vai olhar para
nós?"
"Danik. Iyanna", disse Nikolai com a voz grave. "Vocês podem explicar o que está
acontecendo aqui?"
"Nós estávamos acompanhando a Alina... a senhorita Petrov no café da manhã", disse Iyanna
em voz baixa. Ela era uma garota, tinha acabado de sair do ensino médio, filha de uma de suas
cozinheiras. Ela seguia suas regras à risca e nunca fez nada assim. Ele só conseguia olhá-la com
curiosidade.
"Pelo amor de Deus, eu pedi que eles se juntassem a mim para o café da manhã", Alina
finalmente murmurou. "Eles pularam seu próprio café da manhã para comer comigo, então não é
como se eu estivesse tirando eles do trabalho."
"Por que você não me pediu para acompanhá-la?"
"Eu não o vi", ela comentou.
Aquilo parecia justo. "Quando eu como aqui, eu faço minhas refeições no escritório", ele
disse finalmente, se distanciando ainda mais da posição de companhia para o jantar. "Danik,
Iyanna, vocês podem continuar acompanhando a senhorita Petrov no café da manhã, desde que
isso não tire vocês do trabalho."
Eles assentiram e agradeceram. Alina se recostou na cadeira e cruzou os braços. "Eles
podem se juntar a mim também para o almoço e jantar?"
O que havia de errado com ela? Ela preferia a companhia de seus criados do que a dele?
Fechando a cara, ele pensou em lhe dizer não apenas começar uma briga. Em vez disso, ele
respirou fundo. "O almoço está permitido, mas você vai me acompanhar no jantar hoje à noite."
"Eu devo comer no escritório?" Ela perguntou secamente.
"Não seja ridícula", ele disparou.
"Eu não vi Timur ou Kristof desde que cheguei aqui. Onde eles estão?"
A irritação tomou conta dele. "Já lhe disse. Eles trabalham para mim. Eles fazem o que eu
peço. Quando eles tiverem um momento livre, eles podem ficar à vontade para dar um oi para
você."
Um pensamento lhe ocorreu, e o deixou paralisado. Timur e Kristof eram apenas alguns anos
mais velhos do que ele. Seria possível que ela estivesse tendo um relacionamento com um deles? Ou
com ambos?
Engolindo o ciúme e a raiva, ele virou bruscamente e saiu da cozinha. Alina era uma mulher
adulta, e podia namorar com quem quisesse.
Ela simplesmente não iria fazer isso enquanto estivesse morando sob seu teto.
Entrando em seu escritório, ele esperou impacientemente por Iyanna, que traria seu café da
manhã. Suas bochechas estavam ruborizadas quando ela entrou. Parecia que ela queria dizer
algo para ele, mas ele tinha ordenado a sua equipe para não falar com ele, a menos que ele
falasse primeiro. É claro que Danik podia falar mais livremente.
Ordem e disciplina. Era assim que sua casa funcionava.
A maldita adolescente parecia que ia explodir. "O que você está pensando, Iyanna?" Ele
perguntou finalmente.
As palavras escaparam de sua boca. "Sr. Sokolov, eu só queria me desculpar. Espero não ter
feito nada para lhe ofender. Danik explicou para Alina... senhorita Petrov que ela não pode nos
pedir nada que vá contra os seus desejos, mas você nunca disse que nós não poderíamos comer
com ela. Se isso lhe incomodar, vamos parar imediatamente.
"Não é necessário", ele suspirou. Estreitando os olhos, ele estudou a menina. Ela parecia feliz
com sua resposta. "Iyanna, ela disse por que queria que você comesse com ela?"
"Danik explicou que não está acostumada a ficar sozinha, senhor. Ela pediu a companhia
dele, mas ele pensou que já que eu sou mais próxima dela pela idade, ela poderia comer comigo
também. Eu realmente gosto de ter ela por perto. Ela é meio estranha, e ela está tão triste, mas ..."
a voz dela subiu de repente, e seus olhos se arregalaram em pânico.
"Mas o quê?" Nikolai perguntou pacientemente.
"Não é nada, senhor", disse ela rapidamente.
Nossa, a garota estava com medo dele? E ele mal tinha falado com ela. "Está tudo bem,
Iyanna. Apenas me diga".
Ela apertou as mãos. "Sim, senhor. Não é que eu não seja grata pelo trabalho, porque eu
sou. Mas você contrata principalmente homens, então é bom ter outra mulher por aqui."
"Sua mãe trabalha aqui", ele ressaltou.
Ela imediatamente revirou os olhos, e ele teve que se segurar para não rir. Típica
adolescente. "Eu entendo o que você quer dizer", disse ele finalmente. "Eu ficaria feliz se você
pudesse entreter Alina, desde que você termine o seu trabalho até o final do dia."
Seus olhos se iluminaram de alegria. "Obrigado, senhor! "
"Iyanna", ele gritou quando ela começou a sair. "Por que você acha que Alina é peculiar?"
"Ela não dormiu na cama, senhor".
"O quê? Onde diabos ela dormiu?" Nossa, será que a mulher tinha ao menos ficado em seu
quarto? Ele disse que ela poderia ir onde quisesse pela casa, mas não deveria vagar por toda a
noite. O toque de recolher deveria mantê-la em seu quarto.
"Não sei, senhor. Eu só sei que depois que ela veio para o café da manhã, eu fui até lá
para arrumar tudo, e a cama não tinha sido usada."
Nikolai relaxou. "Ah. Talvez ela tenha feito isso sozinha".
Iyanna sacudiu a cabeça. "Não, senhor. Eu sou bem específica na forma de arrumar os
lençóis. Minha mãe gritava comigo se eu não fizesse isso da maneira correta. Acredite em mim, ela
não arrumou a cama sozinha. Ela não tocou nela. Como eu disse, um pouco estranho.
Nikolai a dispensou e olhou sombriamente para o café da manhã. Então Alina não a tinha
dormido na cama ontem à noite.
Onde ela estaria passando as noites?
Capítulo Cinco
Nikolai tinha acabado de terminar o café da manhã quando veio a ligação. O advogado
de Yuri, Orlov, estava pronto para finalizar os papéis para o testamento de Yuri. As autoridades
inicialmente queriam interromper o processo até que a investigação fosse concluída, mas Nikolai
não tinha tempo para isso. Ele precisava de acesso ao restante dos ativos de Yuri agora. As
autoridades recusaram até que Nikolai lhes recordasse da violência que ocorreria se ele não
tomasse o controle o mais rápido possível. Embora ele não pudesse admitir tudo, os investigadores
não eram estúpidos. Se eles quisessem enfrentar a máfia, aquele não era o momento de fazer isso.
Yuri sempre manteve um relacionamento decente com a polícia, e Nikolai tinha prometido
fazer o mesmo. Ainda assim, ele se sentiu desconfortável quando descobriu que o caso ia ser
atribuído a alguém novo. Eles não estavam apenas tentando fechar um caso. Eles queriam
descobrir a verdade. Isso era uma notícia boa e outra má. Eles poderiam encontrar o assassino,
mas isso significava que eles iriam dar uma boa investigada nele.
Suas ações agora eram lógicas. Melhor trabalhar com o diabo que eles conheciam do que o
diabo que não conheciam. Então eles finalmente permitiram que o testamento fosse liberado. Orlov
pediu que Alina e Nikolai se juntassem a ele em seu escritório logo depois do meio-dia, mas Nikolai
rejeitou essa ideia.
"Alina ainda não está saindo de casa", disse ele gravemente. "Preciso que você venha aqui".
O advogado ficou em silêncio por um minuto, mas Nikolai não se deixou enganar. O homem
havia trabalhado para Yuri o suficiente para saber o perigo que os cercava. "Eu não quero
colocar Alina em perigo, mas eu também não quero me colocar em perigo. Nikolai, depois disso, eu
vou parar. Você tem seus próprios advogados. Estou fora."
Ah, então era isso. O velho queria se aposentar sem derramamento de sangue. "Eu não dou
a mínima para o que você fizer depois de hoje", ele disse suavemente. "Nós nos encontraremos
aqui. Eu ficarei feliz em enviar uma escolta se você estiver preocupado."
"Não, isso não será necessário", Orlov disse apressadamente.
Nicolai segurou um suspiro. "Orlov, eu não vou enviar uma escolta para te trazer até aqui à
força. Vou enviar para te proteger."
"Oh." Ele limpou a garganta. "Muito bem. Te vejo logo depois do meio-dia".
Balançando a cabeça, Nikolai desligou o telefone. Confiança não era uma coisa fácil de
conseguir em sua área de trabalho.
O velho homem apareceu imediatamente. Ele trabalhava para Nikolai há cinco anos, e
Nikolai ainda não tinha ideia sobre os antecedentes do homem. Ele se movia rápida e
silenciosamente e conseguia estar em todos os lugares. Ele tinha referências excelentes de até 20
anos atrás, mas antes disso, o homem era um mistério. Nikolai não o teria contratado se Yuri não o
tivesse empurrado para ele. O homem tinha cerca de 60 anos, mas se movia como alguém 20 anos
mais novo.
Aquilo era inquietante.
Ainda assim, ele era irritantemente educado, extremamente obediente e Nikolai nunca
precisou repreendê-lo por nada. Ele nunca vacilou em seu serviço.
Com a exceção de acompanhar Alina na mesa do café da manhã naquele mesmo dia.
"Sim, Sr. Sokolov?" Danik disse com um pequeno aceno de cabeça.
"Orlov, o advogado de Yuri estará aqui logo depois do meio-dia. Eu preciso de Alina
presente na hora de assinar a papelada para que ela possa receber sua parte da herança. Você
poderia avisá-la por favor?"
"Sim, Sr. Sokolov".
"Danik." Nikolai quase se conteve, mas ele estava cheio de perguntas. "Primeiro, eu queria
agradecer por fazer companhia para a Alina esta manhã. Você é sempre intuitivo sobre o que as
outras pessoas precisam."
"Sim, Sr. Sokolov".
"Como ela parecia ontem à noite? "
"Parecia?"
Estreitando os olhos, Nikolai se inclinou para a frente em sua cadeira. Danik nunca era
obtuso sobre nada. Havia uma razão para ele não ter respondido à pergunta. "Sim. Parecia. Ela
estava com raiva quando eu saí, e ela estava dormindo quando eu voltei. Gostaria de um relatório
sobre o que aconteceu".
"Alina desceu para jantar na hora certa. Eu a acompanhei em um breve passeio pela casa e
lhe mostrei a cozinha. Ela comeu algumas garfadas de seu jantar, bebeu a metade de uma garrafa
de vinho, e tentou limpar tudo depois. Então, ela me convidou para comer com ela quando possível,
e então ela se recolheu, senhor.
"Essas foram suas ações, Danik. Quero saber como ela parecia. Emocionalmente". O pedido
parecia estranho vindo dele, mas de qualquer maneira ele precisava saber.
Danik franziu os lábios e inclinou a cabeça. "Eu diria que triste, solitária e frustrada, senhor".
O coração de Nikolai se apertou, e ele atacou com raiva. "Eu a recebo em minha casa e dou
a ela tudo o que ela poderia precisar e ela está triste, solitária e frustrada?" Ele disparou.
"Sr. Sokolov, Alina passou por uma provação", disse Danik em voz neutra. "Eu acredito que
ela e seu pai eram muito próximos, e eu sei que sua morte a assombra. Ela teme por sua vida, ela
está terrivelmente triste e ela se mudou de um lugar onde ela estava constantemente rodeada de
gente para uma casa onde se pediu que os funcionários a deixassem sozinha. Se eu posso ser
ousado dessa forma, Sr. Sokolov, sugiro que você permita que a mulher interaja com as pessoas da
casa. Embora tenha crescido rica e com criados, ela tem um jeito independente, e eu sei que ela
prefere desfrutar da companhia da equipe do que ficar isolada".
O homem mais velho parecia disposto a dizer algo mais, mas ele rapidamente fechou a
boca. Não importava. Nikolai sabia como a fase acabaria. Como você. Apertando os punhos
debaixo da escrivaninha, Nikolai fez o possível para manter a calma.
"Tenho regras nesta casa por uma razão", ele assinalou.
"Compreendo completamente, Sr. Sokolov".
"Ela e eu não somos iguais".
"Penso da mesma forma."
Nikolai relaxou. "Você está certo. Alina é uma convidada, e devemos fazê-la se sentir
confortável. Muito bem. Você pode permitir que os empregados interajam com Alina, mas as regras
ainda permanecem as mesmas. Eu não vou distrair o funcionamento desta casa porque uma mulher
linda dorme aqui agora."
"Claro, Sr. Sokolov".
Nikolai não gostou do sorriso que se formou no rosto do homem. "Uma última coisa, Danik.
Sabia que Alina saiu de seu quarto ontem à noite?"
Danik franziu a testa. "Não, senhor, mas me retirei não muito depois dela".
Então o homem não estava realmente em toda parte ao mesmo tempo. Acenando com a
cabeça, Nikolai dispensou o criado e bateu os dedos distraidamente sobre a mesa.
Incapaz de se conter, ele deixou seus pensamentos seguirem até Yuri. O homem era tão
cheio de vida. Na maioria das vezes, ele era enérgico e divertido. Essas dificilmente eram as
qualidades de um líder da máfia, mas não havia dúvida do tipo de controle que o homem tinha
sobre sua gente. Ele era inteligente quando se tratava de negócios e implacável quando se tratava
de proteção. Aqueles que o respeitavam não tinham nada a temer, e aqueles que não o faziam
tinham tudo a temer.
Nikolai tinha 28 anos quando Yuri o procurou para assumir o posto.
Eles estavam na frente da casa em que ele morava agora, e Yuri lhe entregou as chaves.
"Agora é sua. Tudo está em seu nome, e o presente é sem pedir nada em troca", Yuri disse com
um sorriso.
Nikolai apenas olhou para ele. "Você está me dando uma mansão? Estou perfeitamente bem
com meu apartamento".
"Tenho certeza que você está, mas estou prestes a colocar um fardo pesado sobre seus ombros,
e um homem com o seu futuro não deveria estar morando em um apartamento."
"Que tipo de fardo?"
"Eu tenho observado você, Nikolai. Não há nenhum homem mais adequado para este trabalho.
Eu não tenho filhos, e minha filha tem sonhos que não têm nada a ver comigo ou com minha
organização. Não vou prendê-la a isso. Quando eu for embora, tudo o que é meu será seu. Não
tenho dúvidas de que estará em boas mãos".
Assim, durante cinco anos, Nikolai treinou e aprendeu. Ele havia passado a vida inteira sem
um pai, e Yuri era o mais próximo que alguém já tinha chegado de um. Eles mantiveram um
relacionamento silencioso, e por um tempo Nikolai se perguntava se era porque Yuri também
estava treinando outra pessoa.
"Quando você disse que tudo o que você tinha seria meu, eu não percebi que sua filha faria
parte do pacote", Nikolai murmurou sombriamente.
Aquilo não era inteiramente verdade. Quando ela saiu para ir para a faculdade, ela tinha
sido responsabilidade de Nikolai. Ele a observara com sigilo e uma sensação esmagadora de
proteção. Ele tinha visto a menina de passagem na casa de Yuri, mas nada o havia preparado
para a mulher em que ela havia se tornado. Após encerrar o ano, ele respeitosamente pediu para
ser transferido de função. Yuri não fez nenhuma pergunta, e aquela foi a última vez que ele teve
que se preocupar com a adorável Alina Petrov.
Só que agora a mulher estava em sua casa. Agora que ele havia sentido as curvas de corpo
contra o dele, ele não conseguia tirá-la da cabeça. Ele queria saber o que ela fazia, o que ela
vestia, o que ela tocava quando a porta estava fechada entre eles.
Ela se tocava e pensava nele?
Droga. Ele precisava transar. Isso ajudaria a aliviar seu desconforto. Outra mulher para
distraí-lo.
Infelizmente, isso teria que esperar. Ele tinha assuntos de negócios para resolver. Alguns
homens de Yuri estavam conspirando contra ele. Eles não perceberam que Nikolai sabia, e ele tinha
a oportunidade de lidar com isso antes que isso se tornasse um problema maior.
Levantando-se da escrivaninha, ele olhou para o relógio. Ele poderia cuidar da situação
agora e estar de volta a tempo para a reunião com o advogado. Isso o ajudaria a queimar uma
parte de sua energia e se afastar de suas frustrações.
Ele provavelmente até teria tempo de se trocar, caso ele ficasse com muito sangue em suas
roupas.
* * *
Alina alisou uma mão sobre a saia e tentou não sorrir enquanto olhava para si mesma no
espelho. A saia preta ia até o meio de sua cocha. Não era muito curta, mas mostrava muita pele, e
abraçava as curvas de seus quadris. Ela a havia combinado com uma blusa preta e justa com a
gola larga. Sem decote, mas mostrava bastante os ombros. Juntando seu cabelo loiro para o lado,
ela o amarrou frouxamente para que ficasse apoiado sobre seu ombro esquerdo. Talvez tenha
sido indelicado tentar parecer sexy quando ela ia assinar sua herança, mas era a única vez que
ela soube que veria Nikolai. E ela realmente queria a sua atenção. Ela queria saber o que
aconteceria se ele a olhasse além de apenas uma missão.
Talvez ela estivesse brincando com fogo.
Assim que ela calçou seus sapatos, seu telefone tocou. Esperando que fossem as autoridades
com notícias sobre a investigação, ela correu para ele. Não era a polícia, mas ela estava feliz de
ver o identificador de chamadas de qualquer maneira.
"Kat!" Ela cumprimentou calorosamente. Katalina era sua melhor amiga. Elas haviam sido
inseparáveis desde que eram crianças, e somente quando uma oferta de emprego levou Kat a
outra cidade, elas nunca tinham ficado separadas por mais de algumas semanas de uma vez.
"Alina! É tão bom ouvir sua voz. Eu estive em Praga, e eu acabei de receber suas
mensagens. Você está bem? Claro que você não está bem. Por que estou perguntando isso?"
"Kat", Alina interrompeu. Sua melhor amiga era corretora de imóveis de uma grande
empresa. Seu trabalho a levava ao mundo todo, às vezes por semanas seguidas, e o telefone
celular e as redes sem fio nem sempre cooperavam. "Estou bem. Bem, não estou bem, mas vou ficar
bem. Para dizer a verdade, eu realmente não quero falar sobre isso. Entretanto, quero ouvir sobre
suas aventuras em Praga".
Seus olhos se desviaram para o relógio e ela franziu a testa. "Infelizmente, eu não posso
falar agora. Eu preciso me encontrar com o advogado do meu pai. Posso te ligar mais tarde?"
"Eu posso fazer melhor do que isso. O aniversário dos meus pais é no sábado, e eu vou
encontrá-los para o jantar. Encontre-me para beber algo depois. Que tal às 10 da noite no
Emerald Lounge?"
Isso era após o seu toque de recolher, mas ela não diria isso para Kat. Certamente Nikolai
daria permissão para que ela fosse ver sua melhor amiga. Prometendo encontrá-la, Alina desligou
o telefone e saiu pela porta.
Ela tinha acabado de chegar ao escritório de Nikolai quando a porta se abriu. Ele fez uma
careta para ela da porta. "Aí está você. Você deveria estar aqui há cinco minutos. Que diabos
você está vestindo?"
"Uma saia", disparou ela. Por que ele estava tão bravo? Ela tentou passar por ele, mas ele
agarrou seu braço. "Pensei que estivéssemos atrasados".
Suas palavras foram calmas, e ela viu a raiva em seu rosto, mas ele a soltou e deu um passo
para trás. Orlov estava constrangido e em pé no escritório, e Alina lhe deu um abraço. "Lamento
não ter falado com você no funeral", sussurrou ela. "Havia muita coisa acontecendo."
Orlov retribuiu o abraço. Ela conhecia o homem desde que era criança, e ele sempre foi
amigável com ela. "Você não precisa se desculpar."
Nikolai limpou a garganta. "Eu não tenho muito tempo", ele murmurou. "Vamos começar."
Alina olhou para ele, mas quando seus olhos o varreram, ela congelou. Seu corpo inteiro
estava tenso, e seus olhos estavam tempestuosos e sombrios. Ela reconheceu o olhar. O pai, por
vezes, usava a mesma expressão, e ela aprendeu muito cedo a evitá-lo quando ele parecia tão
zangado.
Quase sempre tinha algo a ver com violência.
"O testamento de Yuri é bastante direto. Alina, a propriedade privada aqui na cidade e a
casa de campo pertencem a você junto com seus fundos pessoais. Nikolai, todas as suas
propriedades de negócios e fundos de negócios vão para você. O pagamento de seu seguro de
vida vai para Alina, e há um crédito criado para todos os filhos que Alina pode vir a ter. Nikolai,
há algumas estipulações com os acordos de negócios, mas eu vou falar sobre isso em particular.
Alina, você tem alguma pergunta?"
Ouviu Orlov falar, mas tinha ficado fria. Seu pai criou um fundo de investimento para seus
futuros filhos?
"Quando?" Ela perguntou calmamente. "Quando ele criou esse fundo?"
Franzindo a testa, Orlov folheou as páginas. "Parece que ele a montou no seu décimo sexto
aniversário".
Dezesseis. Jesus. Ela agarrou o braço da cadeira e tentou evitar vomitar. Ela sabia que os
negócios de seu pai eram perigosos, mas ela sempre foi tão bem protegida. Seu pai sabia que ele
poderia morrer e queria ter certeza de que Alina teria um futuro seguro. Com sua filha de apenas
dezesseis anos, já estava pensando em sua futura família.
"Alina?" Orlov perguntou com uma voz preocupada.
Seu corpo inteiro inundou de calor, e seus dedos começaram a coçar. Antes que ela pudesse
reagir, sentiu seu estômago torcer em um nó, e ela não conseguia fazer entrar ar suficiente em seus
pulmões.
"Com licença. Eu não consigo respirar", ela murmurou, com a voz falhando. De pé sobre as
pernas instáveis, ela deixou o escritório rapidamente antes de irromper em lágrimas. Ela mal tinha
chegado a três passos no corredor quando sentiu um braço em volta da cintura.
Nikolai a puxou contra seu corpo. Um braço ancorou sua cintura e seu outro braço cruzou
seu peito. Seu abraço foi apertado, quase doloroso, mas ela começou a se sentir um pouco melhor.
"Calma", ele murmurou em seu ouvido. "Você está tendo um ataque de pânico, mas vai
passar. Concentre-se em minha voz. Vou contar até quatro. Inale nas contagens um e dois. Expire
nas contagens três e quatro. Você entendeu?"
Acenando com a cabeça, ela sentiu os lábios dele contra a sua orelha. "Um. Dois. Três.
Quatro. Um. Dois. Três. Quatro." Ele continuou segurando-a e contando até que ela finalmente caiu
contra ele. A horrível sensação passou.
"Muito bem", ele sussurrou. "Você está se sentindo melhor?"
Engoliu seco, ela assentiu. "Obrigada." Sua voz era rígida, e suas bochechas estavam
coradas de vergonha. E ela se rebelando contra ele. A única coisa que ela provou foi que nem
conseguia lidar com a leitura de um testamento".
Ele não a soltou imediatamente, e o corpo dela se aqueceu novamente, mas dessa vez, não
tinha nada a ver com ansiedade. Ela estava ciente de seus dedos roçando seu braço e sua
respiração quente contra sua orelha. Ela sentiu cada centímetro de seu corpo que pressionava
contra ela, e ela tinha um desejo insano para se virar e beijá-lo.
Deus, o que diabos havia de errado com ela?
Os dedos dele se moveram de repente, riscando a cintura de sua saia, e ela imediatamente
moveu seu quadril contra ele. Inclinando a cabeça para trás, ela sentiu sua respiração se mover da
sua orelha para a curva de seu pescoço. Quando seus lábios finalmente deslizaram sobre sua pele
sensível, ela não conseguiu deixar de gemer.
Ele a soltou e deu um passo para trás tão rápido que ela caiu contra a parede. Ele limpou a
garganta. "Se você está se sentindo melhor, devemos assinar a papelada", disse ele. "Tenho coisas
que preciso fazer esta tarde."
Suas palavras frias a gelaram, e ela nem se incomodou em se virar antes que ele tivesse
saído. Com os dedos trêmulos, ela tocou o lugar que ele a tinha beijado.
Nunca em sua vida tinha ela tinha desejado um homem quando Nikolai Sokolov.
Ela não sabia o que era mais perigoso. Ficar ali para sua proteção e arriscar outro momento
como aquele, ou sair dali e arriscar sua vida.
Eu amava muito sua mãe, Princesa, mas também aprendi uma dura lição. Amor é fraqueza. Todo
mundo vai te dizer isso. Você vai aprender que seu corpo é uma arma e que seu coração deve ser
protegido, mas você deve se lembrar que o amor também é força. Confie em seu coração, minha
querida.
Ela não sabia o que era mais perigoso. Ficar ali para sua proteção e arriscar outro momento
como aquele, ou sair dali e arriscar sua vida
"Não, papai," ela sussurrou. "Isso não tem a ver com o coração. Isso é apenas desejo, pura e
simplesmente. E contra o desejo eu posso lutar".
Capítulo Seis
O beijo foi um erro. Desde o momento em que ele provou sua pele, ele sabia que estava em
perigo de ficar viciado. Macia como seda e doce como mel, seu corpo era uma armadilha, e ele
estava caindo nela.
Por essa razão, ele a evitou nos próximos dias. Ele saiu de casa antes que ela acordasse, e
não voltou até depois de ela estar provavelmente dormindo. Mas quando ele estava no chuveiro e
tentava desesperadamente não pensar sobre como ter seu corpo nu apertado contra o dele, ele
podia ouvi-la no outro quarto.
Ela não parecia dormir muito. Na verdade, de acordo com os empregados, ela não dormia
nada. Danik admitiu que ela às vezes vagava pela casa à noite, e ela nunca cochilava durante o
dia. Nikolai sabia que ele deveria ficar mais em casa para ficar de olho nela, mas também estava
aprendendo rapidamente o quão fraco ele era.
Ele estava desesperado por mais, e ele sabia que ele nunca pararia aí. Ele queria provar o
interior de sua boca atrevida e circular sua língua em torno de seus mamilos rosados. Eles se
endureceriam em sua boca ou ela já estaria pronta para ele? E não, ele não iria parar por aí
também. Ele queria espalhar beijos por seu abdome até chegar em sua parte mais tentadora, e
deslizar a língua dentro dela até que ela lhe desse tudo.
O desejo era tão forte que ele até mesmo teve que parar de praticar exercício em um
desses dias para tomar um banho frio. Ele estava preso, mas ao invés de estar em uma cela, ele
estava preso em sua própria necessidade desesperada por Alina Petrov.
Se seu pai ainda estivesse vivo, mataria Nikolai, e nem mesmo esse pensamento amenizava
sua luxúria.
"Normalmente você espera pelo menos passar o café da manhã antes de começar a beber",
Danik disse suavemente por trás dele.
Nikolai se afastou da janela e levou o copo até sua boca. "O que te faz pensar que esse
não é o meu café da manhã?"
"Eu não consigo decidir se o aumento do consumo de bebida é porque você sente falta de
seu mentor ou porque sua bela filha está vivendo ao seu lado."
"Não seja ridículo", retrucou Nikolai. "Yuri era como um pai para mim."
Danik bufou. "Isso não faz de Alina sua irmã. Eu sou da opinião de que você deve
permanecer distante dela, mas eu acho que nunca o vi assim tão miserável."
"Droga, Danik! Pare com isso. Eu não estou miserável por causa da Alina, e se eu sou, é
porque ela é um aborrecimento na minha casa e eu não tenho nem tempo para resolver isso." Sua
voz era dura como aço, mas Danik não hesitou. O homem nunca recuava de nada.
Ele abriu a boca para responder, mas o som do chuveiro acima dele chamou sua atenção.
Nikolai sentiu seu corpo inteiro congelar enquanto pensava na mulher entrando nua no chuveiro.
"Eu deveria ter feito ela dormir no porão", ele murmurou enquanto colocava o copo vazio no
parapeito da janela. "Volto mais tarde esta noite".
"Nikolai", advertiu Danik com a voz grave. "Se você continuar assim, você vai se matar. E
então como você vai proteger a filha de Yuri?"
"Eu não estou bêbado. Eu apenas tomei uma dose para aliviar as coisas. Tenho um dia
atarefado pela frente, Danik. Fique de olho nela. Avise-me se acontecer alguma coisa que eu deva
saber.
"Eu não estou falando sobre o álcool, Nikolai. Estou falando sobre essa obsessão com Alina.
Eu vejo o jeito que você olha para ela. "
"Quando me tornei Nikolai em vez de Sr. Sokolov?", perguntou ele friamente.
"As coisas estão mudando, Nikolai. Quer o meu conselho? Vá encontrar uma mulher. Esfrie a
cabeça, e depois decida o que fazer em seguida."
Nikolai fez uma pausa na porta. Ele tinha a sensação de que Danik recebia ordens de outra
pessoa, mas ele nunca poderia provar isso. Mas aquilo fazia sentido, já que agora que Yuri estava
morto, o papel de Danik tinha mudado. A curiosidade o implorava que ele mantivesse Danik por
perto para ver o que aconteceria a seguir, mas anos de desconfiança o incitaram a não confiar
mais nele. Até onde ele podia perceber, Danik era o homem que assassinou Yuri.
Algo duvidoso, mas possível.
Uma mulher era uma boa ideia. Ele conhecia várias que adorariam aquecer sua cama, mas
cada vez que ele pensava em levar outra mulher para a cama, seus pensamentos sempre se
voltavam para ela.
E aquilo lhe parecia uma traição.
Sem dizer mais uma palavra para Danik, ele saiu da casa e notou a pequena caixa na
varanda. Franzindo a testa, ele se inclinou para olhar para ele. Era para Alina, da joalheria
Joalheria Gil.
Quem diabos estava mandando joias?
Parte dele queria rasgar a caixa e conferi-la, mas ele podia imaginar como ela gritaria se
ele invadisse sua privacidade. Em vez disso, ele mentalmente reorganizou seu plano. A Joalheria
Gil fazia parte de seu território. Ele precisava falar com Gil, mas ele tinha planejado fazer isso no
final do mês. Gil era amigo de Yuri, e Nikolai esperava lhe dar mais tempo para declarar sua
lealdade.
Entrando no carro, ele estava em pior estado de ânimo do que quando tinha discutido com
Danik. Ele não mentiu para o homem. Ele tinha um longo dia pela frente. Havia alguns comerciantes
no território que estavam resistindo a ele. Ele passaria as próximas duas semanas deixando claro o
que significaria se não o seguissem.
Nikolai não hesitava em derramar sangue, mas não amava fazer isso.
Depois de um passeio de carro de vinte minutos, ele se inclinou contra a pintura azul
descascando de uma joalheria e esperou. Levou apenas alguns minutos para o dono da loja
aparecer, e quando ele percebeu que era Nikolai, ele congelou.
"Não precisa correr, Gil", disse Nikolai. "Isso não será nada bom para você".
"Sr. Sokolov", disse o homem com um aceno de cabeça. "Estive esperando por você".
Nikolai sorriu, mas não se moveu. "Eu percebi que já é tempo de eu ter um interesse pessoal
nas lojas desta rua. Na semana passada, visitei o restaurante e a videolocadora. Eu ainda não
estou realmente certo da posição desse lugar nos negócios."
"Algumas pessoas não gostam de mudança."
"Se você não se dobrar, Gil, você quebra." Nikolai observou enquanto o homem bravamente
abria a porta e o chamava para entrar. Um covarde teria ficado na calçada onde Nikolai poderia
ter hesitado em lhe fazer mal.
"Sei o que você está pensando", murmurou Gil. "Mas todos nesta rua sabem quem você é, e
ninguém ousaria chamar as autoridades. Eu tenho uma loja para cuidar, e eu não sou mais seguro
lá fora do que eu estou aqui. E eu espero que você seja mais prefira ter essa conversa de forma
reservada."
Nikolai caminhou em frente às vitrines e olhou para dentro da joalheria. Ao contrário da
maioria das lojas na rua, Gil vendia bons produtos. Até onde ele sabia, nenhuma das joias era
roubada, mas o proprietário era um homem esperto. Sempre havia a possibilidade de que os
contatos de Gil fossem muito bons no que faziam. Quando seu olhar pousou em um par de brincos
de diamante, ele não podia deixar de pensar em como eles ficariam em Alina. Exibiriam muito bem
seu belo e longo pescoço.
Aquele que ele havia pressionado contra os próprios lábios alguns dias atrás. O beijo que a
fez gemer tão suavemente. Deus, ele ansiava em ouvir esse som novamente.
"Não há necessidade de temer por sua segurança", disse Nikolai enquanto ele trazia sua
atenção de volta para Gil. "Estou aqui para lhe dar proteção".
"E se eu não pagar, você vai me mostrar exatamente contra o que eu preciso de proteção?"
Gil perguntou ironicamente. Ele riu e balançou a cabeça. "Eu era leal a Yuri, e eu respeito sua
decisão de passar seu título para você. Se ele confia em você, então eu também confio".
Isso o surpreendeu. Ele bateu com o dedo sobre o balcão de vidro e só parou quando Gil
franziu a testa e se aproximou dele com uma toalha.
"Sem impressões digitais", ele rosnou enquanto limpava as marcas de Nikolai.
"Gil, se você confia em mim, então por que você não está pagando suas dívidas?"
O dono da loja se recostou e estudou Nikolai. "Eu liguei para você duas semanas atrás, e na
noite o meu telefonema, minha loja foi vandalizada. As janelas estavam quebradas, mas nada foi
levado".
Nikolai ficou frio. "Nunca recebi um telefonema seu, Gil".
"Eu liguei para você depois de deixar o funeral de Yuri-eu não falo de negócios nessas
situações. Um de seus homens atendeu, e eu deixei um recado".
Nikolai não respondeu. Por respeito a Yuri, ele não recebeu nenhum telefonema durante o
funeral, e ele passou seu telefone para um de seus guardas até depois do enterro. Ninguém
mencionou que ele tinha perdido uma chamada importante. "O que você queria me dizer?"
"Fui abordado naquela manhã por um homem que disse que representava o novo chefe. Ele
me disse para esperar um novo cronograma de pagamento em breve. Eu já sabia que Yuri tinha
planejado para você assumir, mas quando eu mencionei seu nome, o cara ficou muito nervoso e foi
embora. Ele não estava representando você. Eu estava com medo do que aconteceria se eu ligasse
de novo, então eu atrasei meu pagamento para fazer você vir aqui pessoalmente."
"Inteligente", murmurou Nikolai. "Suponho que você não reconheceu o homem que se
aproximou de você. Você o viu no funeral?"
Gil sacudiu a cabeça. "Eu o procurei, mas não o vi".
"Droga. Ninguém mais me disse nada sobre isso. Você foi o único de quem ele se
aproximou?"
"Eu não sei. Eu não espalhei a informação, e ninguém me disse nada sobre isso. Depois do
vandalismo, eu fiquei preocupado em falar sobre isso."
"Compreensível." Nikolai pensou sobre as implicações. Poucas pessoas sabiam que Yuri o
havia escolhido, então, ou alguém pensava que seria o próximo da fila, ou estavam planejando um
golpe. Seja qual for o caso, eles estavam confiantes o suficiente para começar a exigir dinheiro.
Gil foi até a caixa registradora e tirou um envelope branco. "O pagamento deste mês",
disse ele enquanto o bateu contra o peito de Nikolai.
"Como você pagou pelos reparos?" Nikolai perguntou suavemente. "Seguro?"
Com um encolher de ombros, Gil lhe deu um sorriso apagado. "Eu tenho seguro para os meus
produtos, mas já que pago aluguel, o proprietário deve cobrir os gastos. Ele prometeu resolver isso
nos próximos dois meses, mas eu não podia esperar tanto tempo. Eu paguei com minhas economias,
e ele deve me pagar de volta."
Nikolai sentiu sua expressão se fechar. Ele colocou o envelope no balcão e balançou a
cabeça. "Fique com o seu dinheiro essa semana. Vou me certificar de que teremos um homem
estacionado na rua todas as noites para vigiar as coisas, e eu lidarei com o proprietário para
você. Você terá seu dinheiro antes do fim do mês."
"Obrigado, Nikolai", Gil disse suavemente. "Você deixaria Yuri orgulhoso."
Ele não disse nada, mas o pensamento o fez sorrir.
"Quem comprou a pulseira para a filha de Yuri?" Nikolai perguntou casualmente. Tentando
afastar o ciúme de sua voz.
"Hã? Pulseira?"
"Talvez não tenha sido uma pulseira. Nikolai olhou ao redor e evitou o contato visual de Gil.
"Você sabe como são as mulheres. Eu realmente não me lembro do que ela disse."
Deus o ajudasse, se fosse um anel, ele perderia a cabeça.
"Estamos falando de Alina? Eu não tive nenhum pedido direto para Alina, mas eu vendi um
uma linda pulseira com pingentes na semana passada. Pensei que fosse para uma garota jovem".
Nikolai o olhou severamente. "Você não enviou nada diretamente para Alina? A caixa tinha
a sua etiqueta." Seus pensamentos voltaram para o vandalismo, e seu coração apertou. "Eles
roubaram suas etiquetas."
"É uma coisa estranha de se roubar", disse Gil lentamente. "Mas eu acho que é possível. Eu
guardo vários rolos de etiquetas na parte de trás, e eu realmente não presto atenção até eu
perceber que estão faltando."
Nikolai mal o ouviu. Ele já estava tirando o telefone. "Danik", ele disse rapidamente. "Há uma
caixa na varanda da frente com o nome de Alina. Não deixe ninguém tocá-la. Você me entendeu?
Ninguém toca nela. Tire a Alina da casa. Vou chamar a polícia".
"Você está chamando a polícia?" Danik disse com uma voz confusa. "Por quê?"
"Porque se for uma bomba, vamos precisar deles".
Nikolai rezou para estar reagindo de forma exagerada, mas correu para o carro. Se fosse
uma bomba...
* * *
Alina envolveu seus braços ao redor de seu corpo para afastar o frio da manhã. Danik nem
sequer lhe deu uma chance de agarrar seu manto quando ele a conduziu para fora. Ela estava de
regata e calcinha e fez o que conseguiu para se cobrir. Felizmente, o olhar de ninguém se demorou
muito nela. Ela tinha a sensação de que o medo que eles sentiam de Nikolai era mais forte do que
seu desejo de vislumbrar seu corpo.
"Danik", ela sussurrou. Ela não sabia por que sussurrava, pois não era segredo, mas tinha
medo de falar alto demais e interromper a atividade na frente deles. "Se é uma bomba, eu acho
que não estamos longe o suficiente."
O homem virou a cabeça e lhe deu um sorriso tenso. "Não é uma bomba, querida."
"Ah." Isso era bom, certo? "Então por que ainda estamos tão distantes?"
"Nós só precisamos dar à polícia algum espaço para trabalhar."
Sua voz era obscura, e Alina lhe lançou um olhar inquisitivo. "Então, o que está na caixa?
Alguém realmente me enviou joias? Eu não tenho um namorado ou um admirador. Na verdade, não
me lembro da última vez que alguém me olhou com desejo.
Danik levantou uma sobrancelha, e ela corou. Era óbvio que ele sabia como Nikolai olhava
para ela. Ou pelo menos como ela olhava para ele. "Eu não sei o que há na caixa."
"Então como você sabe que não é uma bomba?"
"Pela linguagem corporal de Nikolai. Ele relaxou quando eles a abriram, mas agora ele está
tenso novamente. O que quer que esteja na caixa, não é bom, mas não é imediatamente perigoso."
Alina assentiu e esperou, mas o homem já havia voltado sua atenção para a polícia. Ela
estremeceu e limpou sua garganta. Quando ele não lhe deu atenção, ela apertou os dentes e
bateu no ombro dele. "Danik. Eu não sou como as outras pessoas aqui. Não tenho nada para me
proteger".
"Eu sei, querida", disse ele distraidamente. "É por isso que eles estão protegendo você."
"Isso não foi o que eu quis dizer. Estou com frio! Se isso não é uma bomba, então eu
realmente gostaria de entrar e vestir algo!"
"Oh!" Seu olhar assustado voou para sua regata, e ele balançou a cabeça. "Sinto muito,
minha querida. Sim. Vamos vesti-la".
Danik colocou seu braço ao redor dela e a conduziu através do gramado. Assim que ela se
aproximou, Nikolai se virou e olhou para ela. Ele deu uma rápida olhada e marchou em direção a
ela com fogo nos olhos. "Que diabos você está vestindo?", ele chiou.
"Então você não a deixou pegar um casaco ou um roupão? Nossa, é nisso que você dorme?"
"Se você tem medo de alguém entrar no quarto e se distrair com o que estou usando, suas
prioridades estão distorcidas."
"Vista-se", ele rosnou e olhou em volta.
"O que havia na caixa?" Ela perguntou de repente. O olhar em seu rosto, a mistura de raiva
e piedade, a aterrorizou. "Nikolai. O que havia na caixa?"
"Vá se vestir, Alina".
"Não até você me dizer o que havia na caixa!"
"Uma bomba, Alina. Era uma bomba".
Estreitando os olhos, ela olhou para ele. "Você está mentindo. Danik disse que não era uma
bomba".
"Estou aqui para protegê-la, Alina. Não me pergunte". Ele se virou e a deixou se sentindo
muito mais gelada do que estava há um minuto atrás.
Capítulo Sete
Alina não conseguia dormir. Embora a casa estivesse cercada por guardas, ela se sentia
completamente sozinha. Entre a morte de seu pai e o susto da bomba, parecia que cada vez que
algo mais acontecia, ela se sentia cada vez mais isolada. Mexendo os dedos dos pés, ela saiu do
sofá e se arrastou silenciosamente pelo tapete. Colocando a orelha na porta, ela esperou para ter
certeza de que não havia ninguém lá fora. Quando não havia nada além de silêncio, ela abriu a
porta e saiu.
Não havia nenhuma razão para ela precisar vagar em torno da casa bem depois da meia-
noite, mas ela precisava de algo para fazer. Mantendo os braços envoltos em torno de si, ela
caminhou na ponta dos pés calmamente pelas escadas. Quando ninguém veio até ela e exigiu que
ela voltasse para a cama, ela relaxou e se dirigiu para a cozinha. Focada na imagem de uma
caneca fumegante de chá quente misturado com um pouco de uísque, ela se moveu através da sala
de estar e nem mesmo o viu.
"Alina."
Sua voz a acariciava com dedos invisíveis, e um delicioso tremor percorreu sua espinha. Alina
congelou e lentamente virou a cabeça. Acendendo a luminária ao lado dele, Nikolai reclinou na
cadeira e girou o copo em sua mão. Qualquer que fosse a desculpa para estar vagando sua casa
no meio da noite, acabou morrendo em sua garganta quando ela olhou bem para ele.
Jesus. Ele parecia pecadoramente delicioso. Ele descansava na cadeira de couro com as
pernas abertas e relaxadas. Os primeiros botões de sua camisa estavam abertos e ele tinha um
sorriso malicioso no rosto. A luz brilhou em seus olhos verdes, e a respiração dela ficou presa na
garganta.
"Com sede?" Ele perguntou suavemente.
Ela certamente não se importaria de bebê-lo. Ele ergueu as sobrancelhas, e ela percebeu
que ela não tinha respondido a sua pergunta.
"Eu não conseguia dormir", ela disse finalmente. "Eu pensei que um pouco de chá quente com
uísque poderia ajudar."
"Você está com medo?"
Não querendo lhe dizer a verdade, ela imediatamente desviou o olhar. Seu pai sempre a
provocava dizendo que ele sabia tudo o que ela estava pensando e sentindo quando ela olhava
em seus olhos. "Eu só tenho muita coisa na cabeça", ela murmurou. "O que você está fazendo
acordado tão tarde?"
"Eu acabei de entrar. Noites como esta geralmente exigem uma bebida ou duas antes que eu
possa relaxar. Você é bem-vinda para pular o chá quente e ir direto para o uísque." Ele levantou
seu copo apontando para o bar ao lado dele. Como se estivesse hipnotizada por sua voz, ela se
arrastou até o bar e pegou a garrafa. "Há gelo na cozinha, se você precisar".
"Não. Puro está ótimo", ela sussurrou. "O que aconteceu hoje à noite?"
Ela não olhou para ele, mas quando ele não respondeu imediatamente, ela virou a cabeça e
olhou para ele. Havia um olhar estranho em seu rosto.
"Nikolai? ", perguntou ela. "Você disse noites como esta. O que aconteceu esta noite que o
levou a beber?"
"Ter uma bela mulher em minha casa que eu não devo tocar me leva a beber", disse ele
sarcasticamente, enquanto levava o copo até os lábios.
Seu corpo inteiro corou. Ela imediatamente pensou nele a tocando, acariciando, beijando, o
que provavelmente era o que ele pretendia que ela pensasse. "Você está apenas tentando mudar
de assunto", ela retrucou. "Se você não quiser me dizer, apenas diga isso."
"Eu não quero te dizer."
Apertando os dentes, ela derramou o líquido no copo e o engoliu. "Boa noite", ela murmurou
tensamente quando virou de costas para ele. Ela preferia sofrer em seu quarto sozinha do que
estar perto dele se era assim que ele ia agir.
"Pare", ordenou ele.
Embora ela não tivesse que seguir seu comando, ela não conseguiu deixar de parar.
Segurando a respiração, esperou para ver o que ele diria a seguir. Ela não esperava um pedido
de desculpas, mas teria preferido qualquer coisa do que o flerte cruel.
"Volte."
Ainda havia um tom diferente em sua voz, mas ela se virou e lentamente caminhou até ele.
"O quê?" Ela disparou, levando o quadril para um lado. O uísque não teve tempo de
confundir sua cabeça, mas aqueceu sua barriga e lhe deu uma falsa confiança.
Nikolai ergueu a cabeça e olhou para ela. Quando seus olhos a analisaram, ela estremeceu.
Apesar de estar coberta, sentia que, em sua mente, estava nua e exposta. "Por que você acha que
não podemos nos dar bem? Só estou tentando te ajudar, mas há sempre veneno pingando de seus
lábios quando você fala comigo."
"Não é que eu não aprecie sua ajuda, mas você é controlador e arrogante. Eu não me dou
bem com essas qualidades", disse ela, revirando os olhos. "Mas você já sabia disso. Não é como se
fosse um segredo".
Ele riu com humor. "Isso é verdade. Você não disfarça nada, e qualquer coisa que surge em
sua mente sai de sua boca."
Não tudo. Se ele tivesse alguma ideia de que ela estava se imaginando em seu colo e com
os dedos em seus cabelos escuros, sua conversa seria muito diferente. A imagem só a fez querer
virar e fugir. Alina não tinha pensamentos eróticos. Certamente não pensamentos sobre um homem
que ela não suportava.
"Mais alguma coisa?", ela perguntou rigidamente.
"Sente-se, Alina. Tome outra dose. Você provavelmente é mais agradável assim".
"Se você achar minha companhia tão desagradável, ficarei mais do que feliz em voltar para
o meu quarto", ela rosnou.
"Calma, gatinha", ele disse calmamente. "Eu não sou tão cruel de te mandar de volta para o
seu quarto quando você ainda está com medo. Então vamos conversar até você estar pronta para
dormir."
Aquilo era estranhamente doce vindo dele. Ela suspeitava que tinha mais a ver com ele não
querer ir para a cama, mas se serviu de outra dose e se sentou no sofá de frente para ele. "Eu
não estou assustada. Eu te disse. Tenho muita coisa na cabeça".
"Como o quê?"
Respirando fundo, ela tomou um gole do uísque e fechou os olhos. "Não estarei aqui para
sempre, Nikolai. Eu sei que tenho muito dinheiro e que estou com a vida feita, mas eu não consigo
apenas me sentar e não fazer nada. Estar presa nesta casa sozinha está me deixando louca. Eu
tenho um diploma. Quero fazer algo da minha vida. Eu quero conseguir um emprego ou um
trabalho voluntário em algum lugar. Eu quero construir algo. Sempre foi meu sonho fazer isso, mas
quando saí da faculdade, acabei me tornando a garotinha do papai novamente, e eu me senti
como se fosse ficar presa a isso para sempre."
"Bem, as circunstâncias não são ideais, mas você tem a liberdade de fazer o que quiser. Uma
vez que você sair da minha proteção, claro."
"Eu sei." Ela girou o como com os dedos e olhou fixamente para o líquido âmbar conforme
ele suavemente se batia contra o vidro. "Eu tenho ideias. Eu só preciso descobrir como botá-las em
prática."
Nikolai se moveu, e o olhar dela imediatamente o acompanhou. Antes de dizer o que ela
realmente queria, ela se entregou a outro gole de seu uísque e limpou a garganta. Os olhos dele
ainda estavam voltados para ela.
"Então, quais são suas ideias?"
Ela quase não queria dizer a ele. Sem dúvida ele iria ridicularizá-la ou encontrar problemas
em seus planos. Ainda assim, não parecia que ele iria abandonar o assunto. "Quero abrir uma
loja", disse ela vagamente.
Erguendo as sobrancelhas, ele esperou. Quando ela não disse mais nada, um pequeno
sorriso surgiu em seus lábios. "Vendendo o quê, exatamente?"
"Ah, isso e aquilo. Livros e presentes. Coisas que as pessoas doam. A parte importante são os
funcionários. Eu tenho muito dinheiro, então não preciso lucrar, mas há muita gente que precisa de
dinheiro. Um trabalho decente para os necessitados pode fazer uma enorme diferença na vida de
alguém."
Nikolai riu e Alina imediatamente se levantou. "Lamento que meu sonho seja tão engraçado
para você."
"Desculpe, Alina. Eu não estou rindo do seu sonho. Estou apenas tentando descobrir se você
realmente tem a ver com o seu pai." Ele balançou a cabeça e gesticulou para ela se sentar, mas
ela permaneceu em pé.
"Os negócios do meu pai talvez não tenham sido caridosos, mas ele não era um homem mau,
e não gosto que você o trate assim." Sua voz ficou feroz ao defendê-lo.
"Calma", ele disse friamente. "Você conhecia o homem como seu pai, mas o resto de nós o
conhecia como um chefe da máfia."
Ela esperou que ele continuasse, mas ele simplesmente tomou sua bebida e olhou para ela.
Ele a estava testando, tentando-a, esperando para ver o que ela faria em seguida. A isca pendia
na frente dela, e ela não podia evitar tentar pegá-la. Afundando lentamente no sofá, ela engoliu
seco. Parte dela sabia que era uma má ideia perguntar. "Que tipo de chefe da máfia era meu
pai?"
"Ah, Alina. Não acho que você queira seguir por esse caminho".
"Você começou a conversa. Você pode muito bem terminá-la." Desafiando-o, ela apertou a
mandíbula e continuou olhando para ele.
Nikolai sorriu e se levantou. No início, ela pensou que ele iria sair, mas ele atravessou o a
sala e se sentou ao lado dela. Sua coxa pressionou contra a dela, e não havia nenhuma maneira
que ela pudesse se afastar sem que fosse óbvio. "Que diabos você está fazendo?"
"Mudando de lugar".
Suprimindo o desejo de revirar os olhos, ela franziu a testa. "Por quê?"
"Porque eu quero ficar perto de você. O que você quer, Alina?"
"Eu quero que você pare de tentar me distrair e responda à minha pergunta. Que tipo de
homem era meu pai?"
A mão dele desceu até a própria coxa, e estava a poucos centímetros da dela. Um simples
puxão de seu roupão revelaria sua pele nua. Ela ardia para sentir o seu toque, mas aquele era um
desejo perigoso.
"Yuri era um bom homem, Alina. Isso é o que você deve se lembrar. Mas se você me
pressionar, eu poderia lhe contar sobre todos os homens que ele matou ou que ele ordenou que
matassem. Eu poderia falar sobre o sangue que ele derramou ou as putas que ele fodeu."
"Pare", ela exigiu. Levantando-se rapidamente, ela se afastou dele. Lágrimas brotaram em
seus olhos, mas ela virou a cabeça para que ele não pudesse ver. Sem dizer uma palavra, ela saiu
correndo do lugar.
Nikolai era um desgraçado, e apesar das medidas que ele estava tomando para protegê-
la, ela precisava se lembrar disso.
* * *
Observando-a sair correndo da sala, ele sentiu a culpa se instalar dentro de si. "Bem feito,
Nikolai", ele murmurou enquanto sorvia o resto da bebida. Ele tinha sido frio para ela desde que
ele havia encontrado o presente para ela. Mentir era fácil para ele, mas parecia errado mentir
para ela. Ela estava com medo porque achava que era uma bomba, mas se realmente soubesse o
que havia na caixa, ela teria corrido muito mais longe do que apenas para o seu quarto. E então
como ele a protegeria?
No fundo, ele sabia que era uma boa ideia afastá-la. Seu desejo por ela era difícil de
ignorar, e ele viu que era recíproco no olhar dela. Se ele não tomasse cuidado, logo estaria entre
suas pernas e levando ambos para o paraíso.
Ou para o inferno.
Ainda assim, usar seu pai para afastá-la já era demais, e nada menos que um pedido de
desculpas poderia corrigir isso. Com um suspiro, ele largou o copo vazio e ficou de pé. O que ele
realmente queria era outra dose antes de seguir Alina, mas ele sabia que mais uma bebida
poderia fazer com que ele fizesse mais do que apenas pedir desculpas a ela.
Arrastando os pés, ele subiu as escadas. Um homem mais inteligente teria batido em sua
porta que levava ao corredor, mas foi pelo banheiro. Ele podia sentir a tensão do outro lado.
"Alina," ele disse suavemente enquanto pressionava sua testa contra a madeira. "Abra a
porta. Quero falar com você."
"Vou para a cama, Nikolai. Vá embora."
"Eu tenho uma chave. Se você não abrir a porta, eu vou buscá-la".
Houve silêncio antes que ele ouvisse a fechadura da porta se virar. Ela ainda não abriu a
porta, então ele virou a maçaneta e entrou lentamente. Enquanto seu olhar se fixou nela, ele inalou
bruscamente.
Nossa, ela estava incrível. Debaixo do roupão, ela estava escondendo um short rosa que
envolvia seu bumbum arredondado e uma regata que mostrava mais do que alguns centímetros da
pele de seu abdome e tinha um decote enorme. Seu corpo imediatamente se enrijeceu em resposta,
e ele precisou de todo o seu controle para não circular sua pequena cintura com as mãos e puxá-
la até que ela ficasse pressionada contra seu corpo e esfregando sua buceta contra sua ereção.
Ela notou a resposta, e a raiva em seus olhos se misturaram com pura luxúria. Nikolai
manteve o aperto firme na maçaneta da porta como uma maneira de aterrá-lo. "Eu queria me
desculpar", ele disse enquanto limpava a garganta. "Seu pai apareceu quando eu não tinha uma
figura paterna, e sim, eu conhecia um homem diferente do que você. Mas ele era justo. Mais do
que qualquer outro homem que eu conheço.
A dor em seu rosto era evidente, e ela deu um passo em direção a ele. Com medo de que
ela quisesse um abraço, ele apressadamente deu um passo para trás. "Vá para a cama, Alina", ele
disse grosseiramente. "Antes que eu faça algo que ambos lamentaremos."
Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele fechou a porta e esperou. Seu coração
saltou em seu peito, mas só quando ele ouviu o som da fechadura na porta que ele foi capaz de
relaxar.
Ele tinha cometido muitos erros ao longo dos anos. Yuri o safou de anos de prisão e morte
mais vezes do que ele gostaria de admitir, mas sabia que todas essas infrações não eram nada em
comparação com as consequências de levar Alina Petrov para a cama.
Ele também sabia que uma noite dentro dela parecia perigosamente valer a pena.
Ele tinha dito que não. Três horas depois, ela ainda tremia de raiva. Sua melhor amiga
estava na cidade. Alina precisava vê-la desesperadamente, e o filho da puta realmente tinha lhe
dito que não.
Ele nem se deu ao trabalho de explicar. Assim que ela mencionou a hora, ele a negou e saiu.
Fora. Saiu de casa.
Ela estava tão zangada, ela queria bater em alguma coisa.
"Alina?" Danik limpou a garganta, e Alina percebeu que o homem estava falando com ela.
"Desculpe. O que você disse?"
"Eu perguntei se você precisava de alguma coisa antes de eu me retirar. Não acredito que
Sokolov volte tão cedo esta noite.
Nikolai teria saído durante a metade da madrugada? Aquilo chamou sua atenção. Se ele
não estava aqui, isso significava que muitos de seus protocolos de segurança não estariam
funcionando. Ele teria vários guardas com ele, e os sensores não seriam ligados até que ele
voltasse.
Seu pai treinou Nikolai. Se ela conseguia escapar da segurança de seu pai, ela conseguiria
escapar de Nikolai.
Uma ideia imediatamente se formou em sua cabeça. "Obrigada Danik, mas eu não preciso
de nada. Você não precisa perguntar, você sabe. Eu posso cuidar de mim mesma."
"É meu trabalho", disse ele com um pequeno sorriso.
"É seu trabalho cuidar de Nikolai", ela o corrigiu distraidamente. "Eu posso ter crescido com
criados, Danik, mas eles eram meus amigos. Quando saí para a faculdade, eu morava em um
dormitório como todo mundo. Sem segurança. Sem criados. E eu gostei disso."
Danik assentiu. "Claro. Vejo você para o café da manhã".
Ele fechou a porta atrás de si, e Alina imediatamente agarrou seu telefone e mandou uma
mensagem para a amiga. Ela poderia sair da propriedade, mas ela ainda precisaria de
transporte. Uma vez que Kat prometeu pegá-la, Alina enfiou o telefone no bolso e mordeu o lábio
inferior.
Ela não estava apenas arriscando a ira de Nikolai. Havia alguém lá fora tentando matá-la.
Eles talvez-tivessem-mandado uma bomba para ela, pelo amor de Deus. Se ela soubesse o que
era bom para ela, ela ficaria. Claro, ela provavelmente estaria de volta antes que Nikolai
soubesse que ela tinha desaparecido. E qualquer um que tentasse matá-la não esperaria que ela
saísse para tomar beber algo com uma amiga.
Tudo ficaria bem.
Você deve estar pronta para qualquer coisa, princesa. Força para se proteger. Discrição para
ficar nas sombras. Compreensão para superar todos os obstáculos. Isso é o que você vai treinar e
aprender. Eu sei que você não quer isso, mas um dia você pode precisar disso. Na escola, você pode
fofocar e brincar à vontade, mas quando estiver aqui, aprenderá a se proteger.
Ao contrário de seu pai, Nikolai não tinha uma equipe noturna. A maioria deles moravam na
casa e provavelmente era esperado que trabalhassem à noite, se necessário, mas eles estariam
dormindo em breve. Sua janela se abriu ao lado de uma sacada, mas havia sempre um guarda
colocado perto dela. Uma cuidadosa investigação da casa havia mostrado que não havia muitos
pontos fracos em sua segurança.
Havia, no entanto, uma pequena janela no porão, no alto da parede. Ela já tinha testado e
sabia que estava aberta. De lá, era apenas uma questão de passar pela cerca sem ser vista.
Depois de esperar para ter certeza de que não havia mais ninguém andando pela casa,
Alina trocou seu pijama por uma calça jeans e um suéter escuro que não era exatamente para se
esconder. Ele mostrava alguns centímetros de sua barriga e era decotado. Ela não estava tentando
parecer sexy. Ela simplesmente não tinha muita roupa escura.
Colocando seu cabelo loiro sob um lenço preto, ela deu um passo para trás e se olhou no
espelho. Deve ser suficiente para mantê-la escondida na escuridão, se ela fosse cuidadosa.
Ela não viu ninguém enquanto lentamente se afastava de seu quarto e descia as escadas na
ponta dos pés. O acesso ao porão estava do outro lado da cozinha, e ela rezou para que
ninguém estivesse lá assim tão tarde. Todo o seu plano se desvendaria se seus homens decidissem
que queriam fazer um lance no meio da noite.
Felizmente, ela estava sozinha. Abrindo a porta silenciosamente, desceu elas escadas e
passou pela academia. Por um momento, ela não pôde deixar de imaginar Nikolai vestindo quase
nada e suando enquanto malhava. A imagem foi suficiente para deixá-la molhada, e ela tentou
tirá-la de sua mente.
"Ele não é um deus grego maravilhoso", ela murmurou. "Ele é um idiota repugnante."
Um idiota repugnante que a abraçou até que seu ataque de pânico passasse e se desculpou
quando percebeu que a magoou.
"Pare com isso", ela ordenou a si mesma. Ela não podia se sentir culpada agora. Ela iria
quebrar suas regras apenas uma vez, apenas para que ela pudesse ver Kat e finalmente ser
capaz de falar com alguém, e então ela obedeceria a todas as regras que ele estabelecesse.
Arrastando uma cadeira até a janela, ela pulou e a abriu apenas um pouco. A maioria dos
homens de Nikolai fumava, então se eles estivessem por perto, ela seria capaz de cheirá-los. Todos
eles fediam a cigarro. Não sentindo nada, ela empurrou a janela para abrir o restante e se
ergueu.
Escorregando pela janela, ela cuidadosamente a fechou. Ninguém soou um alarme, e ela não
viu nada ao seu redor. Mantendo-se perto da casa, ela se arrastou para o canto e olhou ao redor.
Como ela suspeitava, ninguém estava no nível do solo. Quando Nikolai saia, ele colocava
guardas na sacada da frente, mas nunca se incomodava com a segurança no solo. Os guardas
tinham uma visão melhor do topo.
Ela estava a vinte metros da cerca. O ferro forjado tinha dois metros e meio de altura, mas
havia um canteiro no canto que a ajudaria a subir. Aquilo era tudo o que ela precisava.
Distanciando-se lentamente da casa, ela manteve os olhos na sacada até que mal podia ver
o guarda. Ele andava de um lado para o outro inquieto, provavelmente entediado demais. Quando
ele virou as costas, ela aproveitou.
Ela precisou de 30 segundos para saltar do canteiro, agarrar o portão e saltar sobre ele.
Chegando ao chão do outro lado, ela se agachou e observou.
Ninguém parecia saber de nada.
Com um sorriso satisfeito em seu rosto, ela seguiu para a área arborizada e correu em
direção à rua. Kat tinha concordado em encontrá-la a um quilômetro da estrada para que ela
estivesse fora de vista.
Desde que era criança, seu pai a treinava para se defender. Três vezes por semana durante
anos, ela malhou e treinou com seus homens. Ela tinha a sensação de que se seu pai soubesse que
estava usando esse treinamento para escapar de seus guarda-costas, ela estaria em uma grande
enrascada.
* * *
"Alina!" Os olhos de Kat se arregalaram sobre sua taça de martini e ela parecia furiosa. "Eu
ajudei você a escapar? Você me disse para buscá-la porque você não queria que os faróis
acordassem ninguém! Você está louca?"
"Shhh!" Ela sibilou enquanto olhava em volta. Elas estavam chamando um pouco de atenção
no bar, mas era principalmente por causa de Kat. Sua melhor amiga era de cair o queixo. Ela tinha
a pele morena e o cabelo atraente de sua mãe e o temperamento e habilidade de beber de seu
pai. Kat sempre chamava atenção. "Não tão alto. Está tudo bem. Se eu realmente pensasse que
estou em perigo, eu não estaria aqui. Não vou ficar muito tempo. Nikolai nunca saberá que saí, e
quem me procura não sonharia que eu sairia da propriedade desprotegida. Vai ficar tudo bem.
"Você mentiu para mim", ela acusou.
"Kat, eu não vi ninguém exceto guardas, advogados, e a polícia desde que meu pai morreu.
Alguns amigos estavam no funeral, mas não me foi permitido falar com eles. Eu realmente
precisava te ver."
Kat tomou outro gole de martini e suspirou. "Eu nunca conseguiria ficar brava com você por
muito tempo. Como você está?"
Alina correu os dedos pela haste de sua taça de vinho. "Há momentos em que sinto que nem
consigo respirar, e momentos em que sinto que vou ficar bem", admitiu. "Nós brigamos tanto.
Durante o último mês eu estava tentando alugar um apartamento para que eu pudesse me mudar,
mas minhas tentativas continuavam sendo recusadas. Eu sabia que meu pai estava fazendo isso
para que eu não me mudasse. Eu estava muito brava com ele, e então ele foi morto. Não consigo
me lembrar da última vez em que lhe disse que o amava".
Inclinando-se, Kat agarrou sua mão. "Você não tem nada que se sentir culpada. Seu pai te
amava, e ele sabia que você o amava. Nós brigamos com os nossos pais. Isso faz parte. Você não
deve pensar por um segundo que ele morreu achando que você não o amava."
Alina respirou fundo e assentiu. "Eu sei. Ele criou um fundo para meus filhos quando eu tinha
dezesseis anos. Dezesseis! Ele sempre soube que ele estava em perigo de morrer, e nunca sequer
me ocorreu. Eu era tão ingênua assim?"
"Seu pai a protegeu. Isso era parte de seu trabalho, e ele fez isso bem", disse Kat com
simpatia. "O que você vai fazer agora?"
"Quando tudo estiver resolvido, vou vender a casa e a casa de campo. Eu não preciso de
nada disso. Provavelmente vou comprar uma casa pequena e abrir uma loja".
"Você não precisa abrir uma loja", Kat apontou secamente.
"Não", admitiu Alina. "Mas eu não posso ficar sentada o dia todo sem fazer nada. Preciso
me manter ocupada. Estou enlouquecendo com o Nikolai. Não tem nada para fazer. Eu me sinto
como um animal preso. Tenho certeza de que ele mandou que a maioria dos criados não falasse
comigo, e seus guardas nem sequer olham para mim. Eu não vi Kristof ou Timur desde que me
mudei. Sinto-me abandonada".
"Eu não me importo que você se sinta abandonada, desde que você esteja fora de perigo. E
você não está falando de Nikolai Sokolov por acaso, não é?"
"Você o conhece?"
"Você está brincando?" Kat bufou. "Todas as mulheres da cidade desejam esse homem. Claro,
apenas as malucas vão atrás dele. Todo mundo sabe que ele tinha ligação com seu pai, e que isso
é perigoso. Mas isso não impede que as mulheres fantasiem. Se você tiver a chance de vê-lo quase
nu, eu exijo uma foto. Totalmente nu seria ainda melhor. Deus, aposto que ele é perfeito na cama".
"Kat!" Alina chiou. Suas bochechas coraram. "Eu não estou vendo ele nu, e eu certamente não
estou me perguntando como ele é na cama."
"Mentirosa", ela disse com uma risada. "Você ainda não consegue disfarçar nada. Você pode
desprezar o homem, mas você o deseja".
Alina pensou no beijo íntimo em seu pescoço e em como ele a deixou. "Mesmo se eu o
achasse atraente, o que eu não estou afirmando, ele não me vê assim. Eu sou apenas uma maneira
de provar que ele pode liderar a organização. Proteger a filha de seu antecessor e provar que
ele pode proteger seus homens. Não sou nada mais do que algo irritante para ele".
Houve uma gargalhada em um canto, e Alina olhou melancolicamente. Um grupo de jovens
mulheres estava conversando com dois caras, e ela podia ver como elas estavam se divertindo.
Todos alegres por causa da bebida, relaxados, e flertando sem se importar com ela.
Ela tinha vivido toda sua vida assim. Será que ela conseguiria ficar assim tão despreocupada
outra vez? "Eu o vejo quando fecho meus olhos."
"Nikolai?"
Alina sacudiu a cabeça. "Meu pai. Eu vejo seu corpo. Havia tanto sangue. Eles disseram que
eu não testemunhei o assassinato por minutos. Minutos! Eu poderia ter impedido. Se eu ao menos
tivesse ido até lá mais cedo..."
"Você também estaria morta", disse Kat firmemente. "O que aconteceu foi horrível, mas não
foi culpa sua. Você não poderia ter impedido, Alina. Se alguém chegou perto o suficiente para
atirar em seu próprio pai na propriedade dele, você estar lá não iria impede-los de nada. Você
tem que acreditar nisso".
"Eu nem entendo porque eu sou um alvo. Eu não vi nada. Não tenho nada a ver com a
organização. Por que eles vêm atrás de mim?"
"Você mesma disse isso. Se você for morta, isso acaba com a autoridade de Nikolai. Ouvi
meu chefe falar hoje. Todos estão no limite. Todos esperavam que seu tio assumisse o controle".
"Meu pai não passaria simplesmente para o tio Vadik só porque eles são parentes. Isso seria
uma decisão horrível. Eles não são próximos, e ele não iria confiar a organização a alguém que
ele não a conhecia bem." Alina tomou um gole de seu vinho e sentiu que aqueceu sua barriga. Ela
estava em sua segunda taça. Ela tinha acabado com a primeira no momento em que elas sentaram
na mesa do canto, e ela começou a sentir os efeitos.
Relaxada. Descontraída.
Olhando para o relógio, ela fez uma careta. Ela não podia se sentir relaxada e
descontraída por muito mais tempo. Levava meia hora de carro para voltar à casa de Nikolai, e
provavelmente levaria mais vinte minutos entrar na casa.
"Eu vou ter que voltar logo", ela suspirou. "É absolutamente ridículo. Não há uma única razão
para ele não pedir para um guarda me acompanhar para que eu me encontrasse com você. É um
lugar lotado, e não foi algo programado. Se alguém me seguisse, já teria feito algo".
"Nikolai", Kat disse de repente.
Alina assentiu. "Sim, Nikolai. Ele é um maníaco por controle. Estou tentada a deixar uma
toalha no chão de seu banheiro só para ver o que ele faria, mas Danik provavelmente a pegaria
antes que Nikolai a visse. Juro que o homem está em toda parte.
"Não", disse Kat urgentemente. "Nikolai. Ele está aqui."
Aqui? Alina sentiu seu sangue gelar. Ela olhou para sua amiga por um segundo e viu o pânico
em seu rosto. Lentamente, ela virou a cabeça para a porta.
Nikolai estava no meio do bar com os braços cruzados. Seu rosto estava calmo, mas ela
podia ver a raiva em seus olhos.
"Essa não", ela sussurrou. "Acho que estou encrencada".
Capítulo Nove
Nikolai fervilhava de raiva enquanto lentamente atravessava o bar. Ele sabia que as
pessoas o estavam observando e cochichando, mas ele não se importava. Ele só tinha olhos para
Alina.
Ele tinha saído naquela noite com toda a intenção de se atirar em uma mulher e tentar
esquecer tudo sobre como era a pele sedosa de Alina com o toque de lábios. Ele mal tinha
conversado por cinco minutos com uma linda mulher quando o seu telefone tocou.
Alina havia sumido.
A voz de Danik era muito calma quando ele falava, e provavelmente era a única coisa que
impediu Nikolai de explodir. Ele sabia exatamente onde ela tinha ido, e quando ele a arrastasse de
volta, ele descobriria como ela tinha saído e a trancaria em seu maldito quarto por um ano inteiro.
Talvez até mais.
Não havia medo no rosto dela quando ele se aproximou da mesa. Apenas um ar desafiador.
"Senhoritas", ele disse com a voz grave. "Que coincidência eu encontrar vocês aqui. Alina, por que
não me apresenta para a sua amiga?"
Ele girou uma cadeira e sentou. Alina estreitou os olhos. "Como se você não soubesse".
Nikolai sorriu e estendeu a mão. "Katalina, certo? Sou o Nikolai".
Kat bufou e apertou a mão. "Como se houvesse uma só pessoa nessa cidade que não
soubesse quem você é. Eu sei que você está chateado, Sr. Sokolov, mas eu precisava ver Alina e me
certificar de que ela estava bem."
"Ela está bem", ele disse, suas palavras eram cheias de aborrecimento. Ela estava sob sua
proteção, não estava?
"Ela não está bem", Kat disse friamente. "Ela acabou de enterrar o próprio pai. Eu sei que
você está protegendo ela, mas se você acha que eu vou deixá-la ir para casa com você quando
você está com raiva, pode esquecer".
Os olhos de Nikolai se arregalaram de surpresa. "Você acha que eu a machucaria."
"Acho que é o que você faz melhor."
"Kat", Alina disse apressadamente. "Acho que você bebeu demais".
Que diabos estava acontecendo? Ela deliberadamente desobedeceu às suas ordens, e
agora ele era o cara mau? Que tipo de homem elas achavam que ele era? Ele não batia em
mulher.
"Vocês terminaram de conversar?" Ele murmurou. "Porque estamos saindo. E não. Eu não vou
machucá-la. Eu estou tentando evitar que ela se machuque, mas isso parece ser algo que ela não
entende."
Kat o estudou abertamente antes de sorrir. Nikolai não gostou nada daquele sorriso, mas
pelo menos ela se levantou. "Alina, eu ligo para você amanhã. Estou feliz por ter conseguido vê-la."
Ela se inclinou e abraçou a amiga. Ele também notou que ela deve ter sussurrado algo em seu
ouvido.
O que quer que tenha sido, Alina ficou vermelha.
"Vá para o carro", ele rosnou. "Agora."
Alina não se moveu, só para terminar o vinho. Agarrando seu braço, ele a puxou para fora
de sua cadeira, segurou-a contra ele, e seguiu rapidamente através do bar. Ele tinha um homem do
lado de fora e outro do lado de dentro, mas ele não estava prestes a arriscar que alguém atirasse
nela enquanto ela estava em público. Enquanto ancorava seu corpo ao dele, ela não pôde deixar
de notar que suas mãos estavam pressionadas contra sua pele quente. Que tipo de blusa ela
estava vestindo?
O medo de que ela levasse um tiro foi suficiente para sufocar seu desejo. Mantendo seu
corpo entre o dela e a janela, ele a puxou para fora do lugar. O carro já estava esperando, com
a porta aberta.
Ele não disse nada enquanto eles voltavam para casa. Ela se manteve encostada contra a
porta e nem olhou para ele. Ele aproveitou a oportunidade para espiar.
Sua calça jeans estava tão apertada que ele nem sequer sabia como ela tinha feito para
vesti-la, e aquela blusa não cobria quase nada. Tudo que ele tinha que fazer era estender a mão,
e ele poderia tocar sua pele novamente. Traçar seus dedos sobre ela. A gola era tão decotada
que ele podia pressionar a boca entre os seus seios. Puxar a blusa para baixo e beliscar seus
mamilos.
Ficando cada vez mais excitado, ele empurrou sua atenção para longe e olhou pela janela.
Ele tentou focar na própria raiva em vez de no corpo dela, mas o desejo era muito forte. Ele não
sabia se ele queria estrangulá-la ou comê-la.
Talvez as duas coisas.
Yuri o treinara para manter seu temperamento sob controle. Perder o controle de uma única
emoção era dar uma vantagem a seus adversários.
Alina o fazia testar essa lição.
Ela abriu a porta e saindo do carro antes que ele parasse por completo. Ela obviamente
pretendia entrar antes que ele pudesse gritar com ela, mas hoje não era o seu dia de sorte.
Sinalizando para seus homens, eles rapidamente bloquearam seu caminho. "Deixem-me
passar!" Ela rosnou.
Movendo-se atrás dela, ele a puxou e a tirou do chão com facilidade. Quando ele a jogou
sobre seu ombro, ela imediatamente gritou e começou a bater em suas costas com os punhos.
Ele tinha que admitir. Ela era forte. Ele sem dúvida teria marcas amanhã, mas ele nem sequer
fez uma pausa enquanto caminhava pela porta.
"Solte-me, seu idiota!", ela gritou. "Que diabos você acha que está fazendo?"
"Você pode continuar gritando", ele disse calmamente. "Ninguém vai se importar".
Ele pensou em levá-la até seu quarto, mas estar tão perto de sua cama parecia ser um
movimento perigoso. Em vez disso, ele a levou até a sala de estar e a soltou. Ela correu para a
porta, mas seus homens já estavam fechando tudo.
"Tudo bem", ela murmurou enquanto se virava e cruzava os braços. "Você quer gritar
comigo? Grite comigo. Eu não vou dizer que sinto muito por querer ver minha amiga."
"Eu não quero que você sinta muito por querer ver sua amiga. Eu quero que você se
desculpe por me desobedecer", ele rosnou.
"Vá se foder", ela chiou. "Se você tivesse me deixado vê-la, eu não teria tido que
desobedecê-lo. Não falei com uma única amiga desde que encontrei meu pai morto. Você tem
alguma ideia de como isso é difícil? Minha família está morta. Alguém está tentando me matar. Eu
estou presa nesta casa como uma prisioneira, e você nem tem a decência de me deixar ver minha
melhor amiga. O que diabos você estava fazendo esta noite que era tão importante que você não
podia usar duas horas para ir comigo?"
Nada que fosse de sua conta. "Eu não dou a mínima que esteja sendo difícil. Quando eu
disser que não, você não vai simplesmente agir pelas minhas costas e fazer o que quiser assim
mesmo." Sua voz estava tensa já que ele tentava desesperadamente manter a cabeça no lugar.
"Você pode controlar a máfia, mas você não me controla", ela chiou. "Eu vim aqui
voluntariamente, e vou embora quando quiser."
A mulher estava fazendo com que ele chegasse em seu limite. Ela continuava vociferando, e
ele lutou para manter a calma.
"Eu não preciso que você me proteja. Vou chamar a polícia para me proteger. É o trabalho
deles, e eles provavelmente vão fazer isso melhor."
Deus o ajude.
"Então você pode pegar suas regras e enfiá-las no..."
Ele não deu a ela a chance de terminar a frase. Ele perdeu o controle, a agarrou e a puxou
contra ele. Antes que ele pudesse sequer questionar o que estava fazendo, ele se curvou e a
beijou. Com tudo.
Ele esperava que ela lutasse e o empurrasse para trás. Ele jogaria a culpa no nervosismo
dela. Ele estava tentando calar sua boca, mas ela não o afastou. Em vez disso, ela abriu a boca
ansiosamente sob ele, e ele gemeu ao enfiar a língua dentro de sua boca.
Ela foi tão quente e convidativa. Sua língua dançou tentadoramente contra a dele, e quase o
fez cair de joelhos. Enquanto ela pressionava seu corpo contra o dele, ele a ergueu e a carregou
até o móvel mais próximo.
O piano era sólido sob ela. O que foi ótimo, já que o que ele estava planejando fazer com
ela quebraria qualquer outra coisa. Agarrou a bainha de sua blusa, ele a puxou com força sobre
sua cabeça. Ela gemeu quando ele enrolou seus punhos em seu cabelo e chupou o seu pescoço
vorazmente. Seu pênis forçou contra sua calça, e se ela não parasse de se esfregar sobre sua
ereção, ele ia gozar antes que pudesse entrar e sentir seu calor macio.
"Nikolai," ela sussurrou enquanto ela se agarrava em sua camisa e tentava trazê-lo para
mais perto. Ele a empurrou para trás com força e a segurou enquanto puxou seu sutiã para baixo.
Seus mamilos eram lindos. Rosados e implorando por sua boca. Com um gemido, ele se curvou e
seguiu em frente.
Seu suspiro era tudo o que ele precisava para continuar. Enquanto as mãos dela agarravam
seus cabelos para mantê-lo no lugar, ele passou sua língua pelo mamilo enrijecido até que ela
estava se contorcendo sob ele.
Deus, ele nunca quis tanto algo em toda a sua vida. Cada centímetro de seu corpo se
arrepiou, e se ele não se entrasse logo nela, não sentisse o calor de seu corpo, enfiasse nela até
ela gritar, ele iria morrer.
"Nikolai", ela gemeu novamente. "Eu não..."
Ele passou de um mamilo para o outro, e sua frase terminou em um pequeno grito.
Estendendo a mão, ele colocou uma mão entre as pernas dela e pressionou contra sua calça jeans.
Seu quadril se ergueu facilmente, e ele percebeu que ela estava tão ansiosa quanto ele.
"Uau, gata", ele gemeu. "Eu não tinha ideia de que você estaria assim."
"Assim como?" Ela ofegou.
"Tão pronta para mim." Ele pegou o botão de sua calça jeans e o abriu com um movimento
de sua mão. Forçando o zíper para baixo, ele deslizou a calma de sua mão sobre o tecido de sua
calcinha. Ela estava completamente encharcada.
"Eu também não", ela murmurou. "Eu nunca fiz isso."
Suas palavras foram como um balde de água fria sobre ele, e ele congelou. Seu corpo doía
para continuar, mas ele não podia ignorar o que acabara de ouvir. "O que você acabou de
dizer?"
Imediatamente, ela parou de se mover contra ele. Ela não respondeu, a incerteza estava
estampada em seu rosto. Ele deveria ter deixado ela sair, mas ele precisava ouvir isso dela.
"Alina," ele disse sombriamente", o que você nunca fez?"
"Isso", ela sussurrou. "Eu nunca fiz isso. Eu ainda sou..." Ela mordeu o lábio inferior e foi
quase o suficiente para acabar com ele novamente. Enquanto olhava para os seus lábios, ele
tentou se concentrar na conversa. A pele dela estava marcada onde ele havia esfregado a barba
por fazer, e seus lábios estavam inchados. Como uma mulher que tinha sido muito beijada.
Como uma mulher que precisava ser fodida completamente.
"Virgem", ela sussurrou.
"Droga", ele grunhiu e imediatamente afastou as mãos e deu um passo atrás. Ela não se
mexeu. Seus olhos estavam fechados, e ele balançou a cabeça com raiva.
Ele estava prestes a fodê-la sobre o piano no meio de sua sala de estar. Todo mundo
naquela maldita casa podia ouvi-la gemer.
Não estava certo. Ele não transava com virgens. Ele não queria essa responsabilidade. Ser o
primeiro de alguém. Quando ele queria que uma mulher se lembrasse dele, ele queria que fosse
porque ele tinha sido bom. Não porque tivesse feito isso primeiro.
"Vista-se", ele chiou ao jogar a blusa sobre ela. "Vá para a cama. Não saia de seu quarto
até amanhã".
Incapaz de olhá-la esticada no piano, pronta para ele, ele virou as costas e saiu
rapidamente da sala.
"Saiam", ele ordenou aos homens que fecharam a porta atrás dele. Eles rapidamente se
espalharam.
Virgem. Ele balançou a cabeça em desgosto e subiu as escadas para tomar um banho
gelado.
* * *
Ela nunca pensou que pudesse ser tão humilhada em toda a sua vida. Enquanto se afastava
lentamente do piano, ela fechou o botão de sua calça jeans e vestiu a blusa com os braços
trêmulos. Ela estava muito perto de chorar, mas não queria fazer isso.
Ele a queria. Suas ações, o olhar em seus olhos, não havia espaço para dúvidas. Ele a
queria até que percebeu que ela era inexperiente.
Ele provavelmente pensou que ela não seria capaz de fazer aquilo. Ou talvez ele pensou
que havia algo de errado com ela. Afinal, quem ainda era virgem na idade dela?
Como poderia alguém ser tão excitada e tão rejeitada em questão de segundos?
Ainda tremendo pelo toque de suas mãos e língua, ela se moveu devagar. Um pé atrás do
outro. Uma vez que ela chegou ao seu quarto, ela pôde desabar.
Seu quarto. Onde ele estaria dormindo do outro lado da parede.
Abrindo a porta, ela olhou para o corredor. Aliviada por estar vazio, ela se dirigiu para a
escada. Agarrando o corrimão, ela começou a dar um passo de cada vez.
"Alina?" Uma voz perguntou suavemente. "Você está bem?"
Danik. Ela não conseguia nem se virar e olhar para o velho homem. Ele não perguntou se ela
precisava de ajuda. Ele perguntou se ela estava bem. Isso era humilhante demais. Ele tinha ideia
disso?
Engolindo seco, ela virou a cabeça e lhe deu um grande sorriso. "Estou bem, obrigada."
Agradecida por ele não ter dito nada, ela encontrou a energia para seguir o restante do
caminho até seu quarto.
Quando ela fechou a porta atrás dela e se escorou contra a madeira, seus olhos se
encheram de lágrimas.
Droga. Ela tinha se esquecido daquela cama irritante. Tropeçando até o sofá, ela nem se
incomodou em tirar a roupa. Se encolhendo sobre ele, ela fechou os olhos e desejou conseguir
dormir um pouco.
O som da água do chuveiro a envolveu, e parecia durar para sempre. Ele estava tão
enojado com o toque dela que precisava tomar um banho tão longo?
Quando o som finalmente parou, ela enterrou a cabeça no travesseiro e tentou esquecer.
Esquecer de seu toque. Esqueça do seu beijo.
Quando ela caiu no sono, a memória de seu corpo desapareceu.
E abriu espaço para os pesadelos.
Capítulo Dez
Ele passou a noite no sofá do escritório. Não havia nenhuma maneira de conseguir dormir na
cama sabendo que ela estava tão perto. Quando abriu os olhos na manhã seguinte, Danik estava
olhando para ele.
O observando, para ser mais claro.
"O quê?", ele perguntou roucamente enquanto se levantava. "O que você quer?"
"Quero saber por que Alina parecia devastada ontem à noite", exigiu. "O que você fez com
ela?"
Chocado, Nikolai só podia olhar para seu sempre fiel criado. O homem nunca o tinha
questionado antes, e ele escolheu agora para ser desafiador?
"Deixe-me em paz", ele rosnou.
"Não", Danik disse teimosamente. "Você deveria protegê-la, e você está fazendo um mau
trabalho."
"Você quer ser despedido? Ela está viva, não está? Eu diria que significa que estou fazendo
um bom trabalho. Ela não está exatamente ajudando."
"Eu estava lá quando essa criança nasceu, e eu não vou deixar você machucá-la", Danik
disse. Sua voz era firme como aço, e Nikolai estudou o homem com interesse.
"Você estava?" Ele perguntou lentamente. "É engraçado, porque Yuri disse que você veio
trabalhar para ele há vinte anos. Isso seria alguns anos depois que Alina nasceu.
Se a declaração preocupou Danik, ele não demonstrou. "Ele não mentiu", o homem disse
suavemente.
"Alina não parece conhecê-lo, o que significa que você não trabalhou em sua casa. O que
exatamente você fez para Yuri?"
"Por que Alina estava chorando?" Danik insistiu.
Ele não tinha certeza se ele queria chocar o velho ou simplesmente ser honesto com ele, mas
Nikolai decidiu dizer a verdade. "Ela me deseja."
"Sim, isso ficou muito evidente pelos sons que ouvi na noite passada", disse Danik, friamente.
"Isso geralmente não termina em choro. Ou isso é normal para você?"
Deus, o homem tinha coragem. Nikolai não tinha ideia de onde o novo Danik tinha vindo, mas
ele estava gostando dele. "Na verdade, não é. Perdi meu controle na noite passada, antes de
perceber que estava cometendo um erro. Para sua proteção, eu preciso ficar longe dela. É possível
que eu machuque seus sentimentos."
Ele não tinha certeza do motivo de ter assumido a culpa, mas ele sentiu a necessidade de
proteger o segredo de Alina. Danik relaxou visivelmente. "Entendo. Quer que eu sirva o café da
manhã agora ou você quer tomar um banho primeiro?"
"Se você quiser continuar trabalhando aqui, você vai responder à minha pergunta. O que
você era para Yuri?"
"Alguém que lhe devia um favor".
"Isso não é resposta".
"Isso é tudo o que você vai conseguir."
"Eu poderia despedi-lo".
"Poderia."
Durante um minuto inteiro, os dois homens apenas olharam um para o outro. Finalmente,
Nikolai encolheu os ombros. "Café da manhã está bem."
"Excelente." Ele franziu a testa. "Eu não aprovo que você minta para ela."
"Do que você está falando, Danik?"
"Ela acha que foi uma bomba. Ela está aterrorizada".
Nikolai resmungou. "Mulheres aterrorizadas não escapam de sua proteção e saem correndo
para beber no meio da noite."
"Ela está com medo, Nikolai. Você sabe. Eu não gosto que você tenha mentido para ela, mas
eu sei que você não teve escolha. Perguntei por aí, mas não consigo descobrir de onde veio".
Balançando a cabeça, Nikolai suspirou. "Você não vai. Quem me enviou isso foi um
profissional. Alguém invadiu minha casa e roubou o anel que Yuri me deu antes de mergulhá-lo em
seu sangue e mandá-lo para Alina. Se ela tivesse visto, teria pensado que eu o havia matado".
"Você não sabe que Alina teria reconhecido o anel, e nós não sabemos se o sangue era de
Yuri".
Nikolai franziu a testa. "O anel estava gravado, Danik. E nós dois sabemos que o sangue
era de Yuri. Alguém está tentando me incriminar, e ao fazer isso, eles vão assustá-la e fazê-la ir
embora para que eles possam matá-la. Então fique triste o quanto quiser, mas eu vou continuar
mentindo para ela se isso significar mantê-la segura."
"Certo. Eu vou preparar uma bandeja de café da manhã para que você possa levá-la até
Alina."
"O que? Levar para Alina? Por quê?"
"Para que você possa pedir desculpas a ela".
* * *
Ela tinha acabado de se vestir quando ouviu uma batida na porta. Supondo que fosse Danik
ou Iyanna, Alina se apressou e abriu. Quando ela viu Nikolai em pé com uma bandeja de comida
em sua mão, ela congelou.
"O quê?" Ela disse com a voz falha. Droga. Agora sua voz não conseguia sequer trabalhar
quando ela estava perto daquele homem. Sua situação poderia ficar mais humilhante? Limpando a
voz, ela tentou novamente. "O que você está fazendo?"
Não. Não era isso que ela queria perguntar. Ela ia perguntar a ele o que ele precisava. Isso
teria sido mais educado e calmo. Ela realmente precisava parecer calma perto dele.
Seus olhos a varreram, identificando seus cabelos molhados. "Você acabou de tomar
banho?"
"Isso é contra as regras também?" Ela provocou. Raiva. Raiva era bom. Ela se agarrou a isso.
Um sorriso lento se espalhou pelo seu rosto. "De modo nenhum. Eu simplesmente não ouvi a
água."
"Eu tenho usado o banheiro no final do corredor. Por que você está me trazendo o café da
manhã?"
Seu sorriso desapareceu. "Por que você está usando aquele chuveiro?"
"Porque é mais fácil", disse ela, impaciente. "Por que você está me trazendo o café da
manhã?"
"É mais fácil andar pelo corredor com todas as suas coisas do que abrir a porta que está
conectada ao seu banheiro?"
"Sim. Agora, por que você está me trazendo o café da manhã? Há algo de errado com
Iyanna? Ela está doente?"
"Você precisa parar de usar aquele chuveiro", ele disse suavemente ao entrar no quarto.
"Iyanna não está doente. Eu sou capaz subir as escadas com uma bandeja de comida."
Ela imediatamente deu um passo atrás para lhe dar acesso e se arrependeu do movimento.
Agora ele estava em seu quarto, e era exatamente onde ela não queria que ele estivesse.
E ao mesmo tempo, queria que ele estivesse.
"Por quê?"
"Por que sou capaz de andar carregando comida? Eu imagino que tem algo a ver com
quatro membros em bom funcionamento. Duas pernas para caminhar e dois braços para o
transporte."
Revirando os olhos, ela tirou a bandeja de sua mão e a colocou sobre o móvel ao lado do
sofá. "Por que não posso usar aquele chuveiro?"
Ele ignorou a pergunta. "Eu preciso me desculpar por ontem à noite. Bem, não preciso
exatamente. Quero pedir desculpas pela noite passada. Bem, eu não quero fazer isso também, mas
é provavelmente necessário. Você vai ficar aqui por algum tempo, e eu não preciso de você
agindo como um animal ferido pela casa".
"Essa é sua ideia de pedir desculpas?", ela disparou. Porque você pode parar com isso."
"Por que você não me disse?" Ele perguntou de repente.
Bufando, ela balançou a cabeça. "Eu sinto muito. Eu geralmente me apresento a todos como
Alina, a virgem. Devo ter esquecido de fazer isso com você".
"Não foi isso que eu quis dizer", disse Nikolai. "Pelo amor de Deus, Alina, eu ia tê-la em um
piano no meio da sala de estar. Eu tinha homens à espera na porta. E você ia me deixar. Por quê?"
O pensamento de seus homens escutando corou suas bochechas. "Eu não me guardei por
nenhuma razão especial. Sinceramente, não penso muito nisso".
Nikolai parecia que ia engasgar. "Você não pensa em sua virgindade?"
"Meu pai era um chefe da máfia. Os garotos não batiam na minha porta. Essa reputação
também me seguiu na faculdade, mas isso realmente não importava. Eu não estava focada nisso. A
faculdade era minha primeira experiência de liberdade, e eu quis fazê-la. Conseguir um diploma.
Arrumar um emprego. Sair da cidade e começar do zero".
"Longe da máfia", ele disse suavemente. "Isso não aconteceu."
"Eu nem sei o que aconteceu", ela murmurou enquanto se sentava no sofá e pegava a fruta
que ele havia trazido. Ela tinha uma ligeira ressaca da noite anterior, e isso não ajudava seu
apetite. "Antes de me formar, recebi uma oferta de emprego em Moscou. Eu estava muito animada
quando liguei para o papai. No final da semana, a oferta de trabalho foi rescindida. Eles me
disseram que a empresa não podia mais bancar o meu salário. Eu lhes disse que eu não teria
problema em trabalhar por um salário reduzido, mas isso não fez diferença. Nenhuma outra oferta
de emprego apareceu e eu voltei para casa depois da formatura. Eu tinha algum dinheiro
guardado, então eu comecei a buscar um apartamento. Somente quando cada uma das minhas
tentativas fracassou que eu percebi o que ele estava fazendo."
"Mantendo você em casa."
Alina se levantou e começou a andar. Envolvendo seus braços ao redor de si mesma, ela quis
chorar novamente. "Poucos dias antes de ele morrer, tivemos uma briga enorme sobre isso. Eu disse
as piores coisas, e ele ficou lá só ouvindo. Depois, ele só me disse que, embora eu estivesse
chateada, pelo menos ele teve esse tempo para passar comigo."
Nikolai ergueu a cabeça e olhou para ela. Seus olhos verdes estavam escurecidos pela
intensidade, e ela se contorceu sob seu olhar. "Olha, eu sei. Eu era uma pirralha mimada e
temperamental até demais. Eu só não gosto de me sentir controlada. De qualquer maneira, o fato é
que eu não conheci ninguém que me fez pensar em perder minha virgindade." Ela imediatamente
percebeu o que isso implicava e se apressou para salvar a si mesma. "Não que você faça. Eu
estava irritada e chateada na noite passada."
"Entendo."
Aquilo realmente não estava indo bem. "Você não precisa se desculpar. Eu lhe agradeço por
não ter se aproveitado".
"Pelo amor de Deus", resmungou ele. "Isso não acontecer novamente. Siga as regras. Vou
tentar ser mais atencioso quanto aos seus desejos, e vamos fazer isso funcionar."
Alina assentiu com a cabeça. Eles olharam um para o outro, e o olhar dele fez o corpo dela
inteiro se aquecer. Se ele continuasse a olhar para ela daquele jeito, seria impossível para ela
esquecer da noite anterior.
"Onde você dormiu ontem à noite?" Ele perguntou de repente.
Confusa com a arrogância de sua voz, ela olhou com culpa para a cama. "O quê? O que
você quer dizer? Eu dormi aqui."
"Aqui?"
O homem estava surdo? "Sim. Aqui. Algum problema?"
"Tome seu café da manhã", ele resmungou. "Depois, você vai mostrar ao Danik como você
conseguiu escapar dos meus homens na noite passada. Eu não gosto de saber que minha
segurança é tão fraca que você conseguiu fugir."
Ela quase botou a língua para fora. "Não seja tão duro com eles. Tenho planejado fugas
desde que eu tinha dez anos".
Nikolai olhou para ela antes de seguir até a porta. Só quando ele estava no meio do
corredor que ele percebeu que não tinha respondido a sua pergunta. "Nikolai?", ela gritou
enquanto ia até a porta. "Por que não posso usar o chuveiro no corredor?"
"Mofo."
Mofo? Ela não tinha visto mofo algum. Resmungando sobre homens teimosos, ela se sentou e
tentou engolir um pouco do seu café da manhã.
* * *
Nikolai se agachou diante da janela do porão e olhou para Danik. "Você está dizendo que
ela pulou uma janela que está a dois metros do chão, pulou uma cerca de dois metros e meio e
correu por quase dois quilômetros entre as árvores sem ser pega?"
Danik assentiu. Havia um pequeno sorriso em seu rosto. "Sim, senhor."
Ficou claro que o velho estava orgulhoso. Nikolai não estava. "Danik. Só um profissional
poderia fazer isso."
"Quando Alina tinha oito anos, ela se envolveu em uma briga na escola. Aparentemente, as
crianças estavam dizendo coisas horríveis sobre seu pai. Quando ela voltou para casa com o nariz
quebrado e um olho roxo, Yuri percebeu o tipo de perigo que seu trabalho lhe colocava. Não só
com os valentões da escola, mas em todos os lugares que ela ia. Então ele começou a treiná-la."
"Treiná-la?" Nikolai perguntou, incrédulo. "Ela tinha oito anos."
"Não era nada extenuante no começo. Apenas alguns movimentos para se defender, um
pouco de ginástica. Já adolescente, ela começou a treinar com alguns dos homens. Yuri queria
saber sem sombra de dúvida que ela poderia cuidar de si mesma no momento em que ela foi para
a faculdade. Aquela mulher poderia superar pelo menos metade de seus homens no combate
corpo a corpo."
"E com uma arma?", perguntou Nikolai.
"Alina não atirou em seu pai", disse Danik friamente. "Ela nunca faria isso. Além disso, ela
nunca treinava com armas. Yuri as odiava. Mal as tolerava em sua casa e nunca a deixaria chegar
perto de uma. Ela é muito habilidosa com uma faca".
Alguém realmente colocou uma lâmina nas mãos daquela mulher? Nikolai ficou pálido ao
pensar. "E como você sabe de tudo isso?", ele perguntou.
"Quer que alguém guarde esta janela agora?" Danik inocentemente ignorou a pergunta, e
Nikolai tentou não franzir a testa.
"Não é realmente um problema alguém tentar entrar", disse ele com um suspiro. "A janela só
abre pelo lado de dentro. Eu não sei como ela planejou voltar, mas ela não teria feito isso por
aqui. Infelizmente, eu não duvido por um único segundo que ela tentaria novamente se eu lhe desse
motivo suficiente. Então sim, vamos vedar a janela."
O porão ficaria menos arejado, mas ele não poderia correr o risco de que ela fugisse
novamente. Em pé, ele ajeitou sua calça e olhou para o guarda na sacada. O homem sabia o
suficiente para não encontrar o olhar de Nikolai. Não importava. Ele tinha gritado bastante
naquela manhã, mas ele não podia culpá-los".
"Provavelmente é hora de chamar Kristof e Timur", disse ele com um tom de preocupação.
Danik pareceu assustado. "Você tem certeza? Acho que eles não descobriram nada".
"Eu não acho que eles vão", Nikolai murmurou sombriamente. "Mas eles fazem ela se sentir
mais segura. Isso é importante."
"Sim, Sr. Sokolov".
Não parecia certo para Danik chamá-lo assim, mas Nikolai não se incomodava em corrigi-lo.
Ele deveria demitir o homem imediatamente por guardar segredos, mas ele tinha a sensação de
que era importante que ele o mantivesse por perto.
Afinal, ele estava na casa antes de ela o pertencer. Yuri o queria ali por alguma razão.
Olhando de relance para a janela de novo, ele não conseguiu evitar de balançar a cabeça.
Alina Petrov era cheia de surpresas.