POV de Kyra
Casar com o melhor amigo era uma bênção?
Eu não sabia o que Nathan pensava a respeito. Para mim, porém, ser sua companheira escolhida tinha sido a realização de um sonho. E agora, por mais milagroso que parecesse, teríamos nosso primeiro filhote.
- Parabéns, Luna Kyra - anunciou a médica da alcateia, sorrindo ao notar meu espanto. - Em breve, receberemos o primeiro herdeiro Alfa da nossa alcateia.
Levei a mão à barriga sem nem perceber. Ainda não conseguia acreditar que havia um filhote crescendo ali.
Eu tinha ouvido direito?
Estava grávida?
Grávida do filhote de Nathan!
Depois de três anos como Luna, finalmente carregava o herdeiro do meu companheiro, o futuro da Alcateia Nightfall.
- Sylvia - sussurrei para minha loba. - Vamos ser mães.
Ela se agitou dentro de mim e me envolveu com sua presença calorosa e protetora.
Quando saí do hospital, mal podia esperar para contar a Nathan sobre nosso filhote. Como ele reagiria? Uivaria de felicidade? Me beijaria?
Deusa, eu mal conseguia me conter.
Cobri o rosto afogueado, perdida naquela fantasia. Então senti o metal frio da aliança no dedo, e a euforia diminuiu.
Quase tinha me esquecido de que Nathan não era exatamente alguém que sonhava em ter filhotes. Ainda mais porque nosso casamento tinha sido arranjado pelas nossas famílias.
Nossas famílias eram amigas havia muitos anos, e a união também fortaleceu a aliança entre as alcateias Nightfall e Raven Shadow.
Nathan sempre tinha sido um verdadeiro cavalheiro, tanto como amigo quanto como companheiro. Até quando fazíamos sexo, era atencioso, mas cauteloso. Nunca me marcou.
Sem mordida de marcação. Sem vínculo permanente.
Ele dizia que não havia necessidade de nos prender mais enquanto ainda não estivéssemos prontos.
De certa forma, aquele filhote não fazia parte dos planos.
Minha mente se encheu de dúvidas assim que entrei no carro.
Será que Nathan realmente consideraria aquilo uma boa notícia?
"Você está surtando", murmurou Sylvia em minha mente. "Pare de pensar demais. Ele é seu companheiro. Vai ficar feliz."
- Luna Kyra, está tudo bem? Quer que eu entre em contato com o Alfa Nathan pelo elo mental? - perguntou Luke, meu motorista particular e um guerreiro leal da alcateia do meu pai.
Luke era de confiança. Praticamente da família. Mesmo assim, se eu fosse dividir a notícia com alguém, queria que Nathan fosse o primeiro.
- Não. - Balancei a cabeça e lhe dei um sorriso tranquilizador. - Ele está no avião. Eu mesma falo com ele mais tarde.
Assim, poderia observar sua reação diretamente, sem que tivesse tempo de escondê-la. Eu sempre fui boa em ler suas expressões.
Fechei os olhos, e a lembrança do dia em que conheci Nathan voltou à minha mente.
Depois que meu pai se casou novamente, eu nunca consegui me dar bem com meu irmão postiço, Kieran Carver. Ao contrário da mãe, uma mulher gentil e bonita, Kieran parecia feroz e brutal. Tinha os braços cobertos de tatuagens, e as cicatrizes nos antebraços deixavam claro que já tinha se envolvido em brigas sérias.
Pior ainda: ele sempre agia como se me odiasse.
Me encarava quando eu ria. Zombava dos meus hobbies. Às vezes, porém, eu o pegava me observando quando pensava que eu não estava vendo.
Era estranho.
Para escapar daquela casa, pedi transferência para outro colégio.
Vi Nathan no corredor entre as aulas logo no meu primeiro dia. Sob a luz do sol, seu sorriso parecia ainda mais deslumbrante.
Muito antes de nos tornarmos melhores amigos, eu já tinha me apaixonado por ele à primeira vista. Mas o sentimento não era correspondido. Eu sabia muito bem disso.
No colégio, todos me viam como uma nerd sem graça. Nathan Anderson, por outro lado, era o quarterback talentoso e popular. Ninguém entendia como podíamos ser amigos.
Mesmo enfrentando tanta hostilidade, eu adorava ficar perto dele. Aos poucos, percebi que não queria ser apenas sua amiga.
Quando finalmente criei coragem para confessar o que sentia, Nathan encontrou sua companheira predestinada.
Balancei a cabeça para afastar aquelas lembranças dolorosas. Apertei a aliança no dedo e me lembrei de que o passado tinha ficado para trás.
Nathan disse que tudo entre eles tinha acabado.
Agora eu era sua esposa.
Enxuguei as lágrimas que se acumulavam nos cantos dos olhos e abri a porta da nossa casa. Assim que respirei aquele cheiro familiar, consegui me acalmar.
Eu estava pensando demais.
Aquela mulher tinha saído das nossas vidas havia muito tempo, e meu casamento com Nathan era tão lindo quanto um conto de fadas.
Olhei para o relógio na parede. A essa altura, ele já deveria ter desembarcado. Estava viajando havia mais de um mês para cuidar dos negócios da alcateia.
Nathan era o presidente da ADE, e eu, a vice-presidente. A Alcateia Nightfall administrava a empresa, uma revista de moda sofisticada voltada para o mundo humano. Nossa equipe secreta cuidava dos assuntos da alcateia nos bastidores, enquanto o setor de moda oferecia a cobertura perfeita.
Alguns dos nossos melhores modelos e estilistas eram lobisomens que se misturavam sem dificuldade à sociedade humana. É claro que, comparados aos humanos, ainda possuíamos muitas habilidades únicas.
"Nathan, mais ou menos que horas você chega em casa? Tenho uma novidade para contar."
Enviei a mensagem pelo elo mental, mas ele não respondeu.
Depois de um mês longe, eu sentia muita falta dele.
Liguei imediatamente. Queria ouvir sua voz, saber quando chegaria. Prepararia uma refeição especial e, em troca, ele me daria um beijo doce. Depois, poderíamos fazer sexo com a mesma paixão da noite anterior à viagem dele.
Opa.
Quase tinha me esquecido de que estava grávida. Precisava contar a novidade primeiro. Depois, poderíamos fazer outra coisa.
Eu imaginava nosso reencontro, feliz, quando uma voz feminina atendeu à ligação.
[Alô?]
O celular escapou da minha mão.
Meu corpo inteiro começou a tremer.
Não.
Não podia ser ela.
Não podia ser Sophia!
Ela já tinha saído das nossas vidas. Eu só podia ter ouvido errado.
De repente, todas as lembranças ruins do colégio voltaram.
Nathan tinha se transformado aos dezoito anos. Seu lobo, Alaric, soube de imediato que Sophia Gilbert era sua companheira predestinada.
Sophia era a típica loira estonteante que fazia os homens perderem a cabeça. A líder de torcida mais popular do colégio, enquanto Nathan era o quarterback estrela.
Uma combinação muito melhor do que ele e uma nerd como eu, certo?
Eu nunca soube por que Sophia me odiava tanto. Talvez porque eu estivesse sempre ao lado de Nathan.
- Ah, vejam só. É o caso de caridade do Nathan - dizia sempre que eu passava, enquanto as amigas riam atrás dela.
Certa vez, ela me trancou em uma cabine do banheiro e deixou as amigas jogarem água gelada por cima da porta. Fiquei ali, tremendo dentro das roupas encharcadas, enquanto elas riam.
Em outra ocasião, Sophia me deu um tapa tão forte que deixou uma marca vermelha no meu rosto. Foi "sem querer".
- Opa. - Ela abriu um sorriso falso. - Esqueci que nerds ficam com hematomas facilmente.
O pior aconteceu quando elas me cercaram no corredor depois da aula de educação física.
- Você realmente acha que ele gosta de você? Você nem tem sua própria loba.
Sophia estalou o chiclete e chegou tão perto que senti seu cheiro.
- Ele só fala com você porque o avô dele o obrigou.
Uma das amigas dela arrancou meus óculos.
- Quantos dedos estou mostrando, sua cega?
Tentei recuperá-los, mas Sophia segurou meu pulso e cravou as unhas na minha pele.
- Fique longe dele - ameaçou, entre os dentes. - Ou, da próxima vez, não serão apenas seus óculos que vão quebrar.
Elas me abandonaram ali. Com a visão embaçada, precisei tatear o chão até encontrar meus óculos rachados.
Quando contei a Nathan o que Sophia tinha feito e dito, ele apenas riu.
- Você ainda não tem sua loba porque não chegou a hora. Quando fizer dezoito anos, ela vai aparecer. Eu estarei ao seu lado para ajudar você durante a primeira transformação.
Ele bagunçou meu cabelo como se eu fosse uma filhotinha boba.
- Sophia só está brincando. Não leve isso a sério.
Mas eu levei.
Sempre que Sophia se sentava com ele no almoço, "acidentalmente" derramava alguma bebida nos meus livros. Quando eu passava por ela, sussurrava:
- Ele é meu.
E, toda vez que Nathan não estava olhando, me lançava aquele sorriso cruel. Como se sentisse prazer em me machucar onde ele não pudesse ver.
Meu orgulho não suportava continuar sendo intimidada daquele jeito enquanto meu melhor amigo se apaixonava por uma vadia como ela. Tentei me afastar daquela situação em silêncio, mas Nathan se recusava a sair da minha vida.
Eu me afundava nos livros e nos estudos para tentar esquecê-los. Ainda assim, ele aparecia à minha porta e me convidava para sair.
Nunca conseguia resistir ao seu sorriso encantador. Muito menos quando afirmava que, como meu melhor amigo, tinha a obrigação de me mostrar o mundo real.
Para não destruir nossa amizade, escondi o coração partido. Continuei ao lado dele, fazendo em silêncio o papel de melhor amiga e observando o quanto Sophia o fazia feliz.
Quando soube que Nathan planejava pedi-la em casamento, finalmente reuni coragem para estudar no exterior.
O que eu jamais esperava era receber uma ligação da avó dele, implorando que eu voltasse.
Voltei às pressas e encontrei um Nathan destruído. Alaric, seu lobo, tinha mergulhado num silêncio assustador.
Sophia tinha destruído o coração dele.
Aquele garoto luminoso não existia mais, e meu próprio coração sangrou por ele.
Eu odiava Sophia Gilbert.
Aquela maldita vadia!
Nathan não contou a ninguém o que tinha acontecido. Disse apenas que ele e Sophia tinham terminado. Sua avó me implorou para criar um vínculo com ele e, assim, estabilizar a alcateia.
Só entendi por que ele tinha aceitado quando o ouvi dizer:
- Agora não importa quem eu escolha como Luna.
Para Nathan, casar-se com qualquer mulher que não fosse Sophia dava no mesmo.
Aquilo me partiu por dentro.
Mesmo assim, entrei naquele casamento sem pensar duas vezes. Meu querido garoto estava destruído, e eu queria consertá-lo. Não me importava se acabasse me destruindo no processo.
Adormeci em casa, consumida pela insegurança e pela preocupação. No meio da noite, acordei ao sentir alguém acariciar meu rosto.
Abri os olhos devagar e percebi que tinha pegado no sono na sala.
Alguém me ergueu do sofá. O cheiro de menta de Nathan me envolveu, mas havia algo por baixo dele.
Cereja.
Olhei para ele, ainda sonolenta.
- Nathan...
- Hmm - murmurou enquanto seguia em direção à escada. - Por que você dormiu no sofá?
Continuei observando seu rosto quando ele me colocou delicadamente na cama. Nathan acariciou meu cabelo e beijou minha testa. Sylvia soltou um som baixo de satisfação dentro de mim.
Estávamos separados havia mais de um mês. Meu corpo sentia falta dele.
Meu coração ansiava por ele.
- Onde você estava? Fiquei esperando por você.
Toquei o rosto dele.
- Só fui encontrar uma amiga. Você disse que estava esperando por mim - aconteceu alguma coisa?
Diante daquela expressão gentil, perdi a coragem de estragar o momento. Fechei a boca e engoli a verdade.
Balancei a cabeça, fiz bico e disse que estava com sono.
Nathan soltou uma risada baixa e me acomodou com cuidado. Depois de me dar um beijo de boa-noite, fez menção de sair.
Por algum motivo, entrei em pânico.
Agarrei-o depressa e o beijei com toda a paixão que tinha guardado durante aquele mês. Tentei tirar sua roupa. Queria que ele me tocasse cada vez mais fundo.
Eu sentia falta dele.
Eu o queria.
Só conseguiria me acalmar se ele me possuísse outra vez. Precisava ter certeza de que ainda era meu.
- Espere, Kyra.
Nathan segurou minhas mãos com delicadeza contra a cama para me deter.
- Pensei que você estivesse com sono e precisasse descansar.
- Mas acho que agora só consigo pensar no quanto senti sua falta.
Olhei para ele com a expressão mais inocente que consegui. Vi o desejo brilhar em seus olhos, mas não entendi por que desapareceu tão depressa.
Nathan costumava gostar quando eu tomava a iniciativa.
Dessa vez, não sorriu.
Soltou um suspiro profundo, afastou meu cabelo do rosto e o prendeu atrás das orelhas. Depois, segurou minha mão e me encarou.
- Tenho uma coisa para contar.
Meu coração acelerou.
Pensei no filhote em meu ventre.
Ele tinha algo para me contar.
Eu também tinha algo para contar a ele.
- O-o que foi? - perguntei, a voz trêmula.
Nathan respirou fundo.
- Você sabe que é importante para mim, não sabe?
Assenti devagar.
Não consegui responder. Estava com medo do que ele diria. Uma sensação ruim se instalou dentro de mim.
- Você era minha melhor amiga antes de nos casarmos. É uma das poucas pessoas que importam para mim...
Eu não entendia por que ele estava dizendo aquilo, mas as lágrimas já se acumulavam em meus olhos.
- Kyra...
Nathan fez uma pausa e fechou os olhos com força. Quando voltou a me encarar, sua expressão tinha mudado.
- Eu... acho que chegou a hora de terminarmos nosso casamento. Você pode rejeitar nosso vínculo?
- N-Nathan...
Meu coração se apertou.
Ele sorriu.
- Eu sei que você também não sente nada por mim. Só se casou comigo por causa dos meus avós. Fez isso porque os ama. Agora chegou a hora de buscarmos nossa verdadeira felicidade, Kyra.
Balancei a cabeça.
- D-do que você está falando, Nathan?
- Sophia voltou, Kyra. Minha companheira predestinada voltou.
POV de Kyra
Saltei da cama, desesperada para fugir, mas Nathan me segurou pelo pulso. O aperto firme carregava a força de um Alfa. Eu jamais conseguiria me soltar. Antes que ele percebesse, enxuguei depressa as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.
Meu coração se partiu em mil pedaços.
Eu pensei... pensei que, depois dos três anos que passamos juntos, conseguiria fazer com que ele se apaixonasse por mim. Que os sentimentos dele se tornariam mais profundos. Que um dia ele me enxergaria como mulher, não apenas como sua melhor amiga.
Eu tinha fracassado.
Por mais que eu tentasse ser sua companheira escolhida, sua Luna, o coração dele sempre pertenceu a outra: Sophia, seu primeiro amor e sua companheira predestinada.
- Kyra...
Forcei um sorriso.
- Preciso tomar banho antes de comer.
Nathan me encarou, como se tentasse decifrar meus pensamentos. Ele me conhecia bem demais. Por isso, escondi a dor com todas as forças e sustentei o sorriso.
Ele suspirou e soltou meu pulso.
- Tudo bem. Eu te espero aqui. Depois a gente come e vai trabalhar junto.
Junto?
Como ele podia ser tão cruel? Acabou de dizer que o primeiro amor tinha voltado e que queria me deixar, mas ainda esperava que tudo entre nós continuasse como antes?
Talvez eu tivesse conseguido permanecer no papel de melhor amiga e desejar a felicidade dele no passado. Depois dos três anos que passamos juntos, porém, já não tinha forças para isso. Não suportaria aquela tortura outra vez.
Ainda mais agora, carregando o filhote dele.
O filhote...
Eu tinha acreditado que seria uma boa notícia para nós. Agora, porém, provavelmente se tornaria um fardo para Nathan. Um peso que o impediria de encontrar o verdadeiro amor e conquistar a liberdade.
Eu sabia muito bem como era crescer sendo um filhote indesejado. Meus pais tinham se divorciado antes mesmo da morte da minha mãe, e a nova família do meu pai me odiava.
Aquilo doía como o inferno.
Eu não permitiria que meu filhote passasse pelo mesmo sofrimento.
Forcei outro sorriso.
- Não podemos. Preciso ir ao estúdio para o ensaio fotográfico dos nossos novos modelos...
- Eu vou com você...
- Não. - Afastei a mão dele. - Você tem documentos para assinar. Nossas agendas já estão fechadas, lembra?
- Mas...
- Vou ficar bem sozinha.
Nathan soltou outro suspiro e assentiu devagar.
Entrei no banheiro, liguei o chuveiro e deixei a água fria cair sobre mim. As lágrimas desabaram. Cobri a boca com a mão para abafar os soluços.
"Não fique triste, Kyra. Eu sempre vou estar ao seu lado e ao lado do filhote." Sylvia me tranquilizou.
Sequei o rosto e acariciei a barriga com delicadeza. Não podia colocar a vida do meu filhote em risco só porque meu coração estava partido.
Eu precisava ser forte.
Precisava me acalmar.
Quando saí do banheiro, me assustei ao encontrar Nathan ainda ali. Ele tentava ajeitar a gravata sem muito sucesso.
Sobre a cama, havia um vestido e um par de sapatos de salto que ele tinha separado para mim.
- Ei! Escolhi seu vestido para hoje.
Mantínhamos nosso casamento em segredo na empresa para evitar qualquer impressão de envolvimento amoroso no ambiente de trabalho. Nathan tinha prometido fazer pequenas coisas por mim como companheiro e cumprira a promessa. Eu costumava adorar aqueles momentos de carinho.
Agora, aquilo estava me matando.
Guardei o vestido branco e peguei um vermelho. Quando me virei, ele me observava com a testa franzida.
Sorri.
- Hoje prefiro o vermelho.
Nathan assentiu e veio até mim.
- Tudo bem. Mas me ajuda com isso primeiro.
O olhar dele não se afastava de mim. Respirei fundo e mordi o lábio inferior enquanto ajeitava a gravata. Minha visão voltou a ficar turva.
Droga!
- Kyra...
Levei um susto.
- Hã?
- Você está bem?
Ergui os olhos para ele e sorri.
- Sim.
- Tenho mais uma coisa para dizer.
Terminei de arrumar a gravata, lancei um olhar rápido para Nathan e passei por ele.
- Conversamos outra hora. Vou me atrasar.
Ouvi o suspiro dele antes que voltasse a me seguir.
- Kyra, estamos de acordo, né?
Fiquei encarando-o.
Não, Nathan. Nunca estivemos de acordo. Tudo aquilo não passava de uma fantasia idiota que eu tinha inventado. Pensei que você sentisse algo por mim.
Como eu estava errada.
- Se está falando da rejeição, eu entendi tudo, Nathan. Sei o que preciso fazer. Só me dê um pouco de tempo, porque estou muito ocupada com a empresa.
- Kyra, não estou fazendo isso apenas por mim. Também estou fazendo por você. Desde que nos casamos, você está presa a mim. Sei que não é feliz, porque, no fundo, também deseja encontrar o companheiro predestinado que merece. Alguém que ame você de verdade. Não eu. Não alguém que só consegue oferecer um amor morno.
- Entendo o que você está tentando dizer, Nathan.
Ele me observou com preocupação.
- Você é minha melhor amiga. Não quero perder você, Kyra. É uma das poucas pessoas que tenho...
- Eu sei! - respondi, frustrada.
O choque no rosto dele me fez recuperar o controle.
- Eu... eu sei. Não precisa se preocupar. Só estou estressada com o trabalho. Não tem nada a ver com a nossa rejeição.
Os lábios dele se entreabriram, mas Nathan apenas assentiu devagar. Então se aproximou. Fiquei imóvel quando ele depositou um beijo delicado na minha testa.
- Obrigado, Kyra - sussurrou.
Meu peito se apertou.
Três anos tinham se passado, mas eu continuava sendo uma covarde.
Sylvia uivou dentro da minha mente: "Por que você não consegue simplesmente dizer que o ama, Kyra? Ele é seu companheiro, e você está carregando o filhote dele! Conte a verdade. Talvez ele mude de ideia!"
Engoli em seco e me preparei para falar, mas o celular dele tocou.
Não pude deixar de ver o nome na tela.
Sophia. De novo.
- Preciso ir. - Nathan saiu do quarto murmurando um pedido de desculpas, e não me escapou o sorriso que se formava nos lábios dele. - Chamei Luke. Ele está esperando lá fora. Coma antes de sair, está bem?
Por que eu tinha imaginado que ainda poderia ter alguma chance?
Ele já tinha feito sua escolha no instante em que pediu a rejeição.
***
Entrei no estúdio com um vestido vermelho e saltos da mesma cor. Todos se viraram para me olhar enquanto eu atravessava o corredor. Recebi vários cumprimentos acompanhados de sorrisos, mas mantive o rosto impassível, sem deixar transparecer qualquer emoção.
A conversa daquela manhã com Nathan ainda martelava na minha cabeça. Mesmo assim, eu não podia permitir que afetasse meu trabalho.
Não podia fracassar profissionalmente depois de já ter fracassado no casamento.
Respirei fundo, tentando me recompor. No entanto, assim que entrei na sala do ensaio fotográfico, estava tudo um caos.
- Não conseguimos! Ela não atende às ligações. O que vamos fazer? A vice-presidente vem hoje. Ela vai ficar furiosa.
- Podemos simplesmente contar a verdade. Ela é gentil.
- Não nesta situação, Lily! Ela vai acabar com a gente...
- O que está acontecendo aqui? - perguntei ao entrar.
Toda a equipe se virou para mim com expressões preocupadas. Bastou olhar para eles para saber que havia um problema.
- B-bom dia, Sra. Monroe.
Sra. Monroe.
Claro. Com exceção dos lobisomens da nossa alcateia, os funcionários humanos não sabiam que Nathan e eu éramos casados.
Encarei a funcionária sem demonstrar emoção.
- O que foi?
- T-temos um problema, Sra. Monroe. A Sra. Chen, nossa modelo, não está atendendo às ligações. Ela disse que soube que vamos substituí-la e... não quer vir. Está até ameaçando nos processar.
Ela abaixou a cabeça.
A Sra. Chen era uma modelo renomada na sociedade humana. Eu mesma a tinha escolhido para estampar a capa da edição asiática da nossa revista.
Cerrei os dentes e passei os olhos pela sala.
- Onde está a gerente de marketing?
- E-ela ainda está tentando convencer a Sra. Chen.
Massageei a testa e apertei os olhos. Depois, soltei um suspiro frustrado e inspirei profundamente antes de tornar a encará-los.
- Sra. Monroe...
- Que história é essa, Sra. Hayley? Você é a gerente de marketing. O que está acontecendo?
- Sra. Monroe, não sei como isso aconteceu, mas a Sra. Chen ficou sabendo que você pretende trocar nossa modelo. Ela está prestes a nos processar...
Trocar a modelo?
Como eu não sabia de nada?
A Sra. Chen sempre tinha sido uma parceira de confiança. A menos que fosse absolutamente necessário, substituir a modelo de um ensaio comercial em cima da hora só traria problemas para a empresa. Eu jamais permitiria um erro tão descuidado.
- Eu nunca pedi isso. Você deve estar enganada - interrompi, sem querer perder mais tempo. - Resolva essa bagunça ou vou ter que demitir você!
- Sra. Monroe... foi o Senhor Presidente quem pediu a substituição - explicou Hayley, hesitante. - Ele deu a ordem assim que voltou da viagem de negócios, ontem. Hoje, informou que uma nova modelo viria substituir a Sra. Chen.
Fiquei paralisada.
Uma ordem de Nathan?
Por que ele não tinha me contado? Nathan sempre discutia comigo todas as decisões importantes antes de agir.
- Não pode ser...
Eu estava confusa. Nathan não era um empresário irresponsável. Sempre separava com cuidado o trabalho da vida pessoal, e era justamente por isso que tinha tanto sucesso. Também era por esse motivo que insistia em manter nosso casamento em segredo.
- Sim, Kyra. Fui eu quem deu a ordem.
A voz me arrancou dos pensamentos.
- Sr. Presidente... - Hayley se curvou respeitosamente ao ver o homem que surgiu atrás de mim.
Antes que eu pudesse reagir, uma voz familiar, doce a ponto de se tornar enjoativa, atravessou a sala.
- Olá, minha querida Kyra. Quanto tempo.
Sophia.
Eu me virei e a vi parada ao lado de Nathan, com um vestido de grife moldando cada curva do corpo.
Assim como no ensino médio, os dois pareciam feitos um para o outro. Juntos, eram deslumbrantes.
No instante em que a vi, meu estômago se revirou.
POV de Kyra
- Acho que você me deve uma explicação, Nathan. Por que trocou a modelo? - falei entre dentes, indo direto até ele.
Nathan sabia muito bem o quanto eu tinha me esforçado para conseguir aquele projeto. Eu quase não tinha dormido nos últimos dias, e a Sra. Chen era a candidata ideal. Ele mesmo tinha concordado comigo.
Agora, porém, tinha trocado a modelo sem nem me avisar. Tudo para arrumar um trabalho para a ex.
Aquilo foi como um tapa na minha cara.
- Podem continuar o trabalho. Eu vou esclarecer as coisas com ela - disse Nathan à equipe, ignorando a fúria estampada no meu rosto.
Eu fervia de raiva. Ainda mais quando vi Sophia ao lado dele, com o mesmo sorriso de deboche que usava para transformar minha vida num inferno no ensino médio.
- Me responda, Nathan! Por que trocou a modelo de repente?
Eu já não conseguia controlar a raiva. Ele apenas tocou meu ombro e sussurrou:
- Não é lugar para conversarmos. Deixe que eu explico no carro.
Olhei ao redor e percebi várias pessoas nos observando de esguelha. Afastei a mão dele e segui para o estacionamento.
Eu já sabia que não gostaria da explicação.
- Agora pode falar - disparei assim que entramos no carro.
Nathan me encarou, como se tentasse avaliar minhas emoções. Desviei os olhos. Já não aguentava aquele olhar. Ele nunca me enxergava da maneira como eu queria.
Não sentia nada por mim.
E aquilo doía demais.
- Eu... eu... - Ele hesitou e soltou um suspiro. - Substituí a Sra. Chen porque Sophia queria ser nossa modelo. Ela também se encaixa no perfil, então concordei...
- O quê? - perguntei, incrédula.
Nathan cerrou os lábios e desviou o rosto. Passou a mão pelos cabelos, balançou a cabeça e segurou minha mão.
- Sinto muito por não ter contado antes. Aconteceu tudo de repente. Ela me pediu esse favor, e eu não consigo dizer não.
Puxei a mão de volta. Dor e raiva se misturavam dentro de mim.
- Você não consegue dizer não para ela, então prefere prejudicar a empresa? A nossa empresa? Você me traiu, Nathan.
- Kyra, qual é... Você sabe o quanto a Sophia significa para mim. Ela foi meu primeiro amor.
Fechei os olhos, ferida.
Ah, claro. Ela era o primeiro amor dele. Era sempre Sophia que ele queria, não importava o preço. Bastava ela franzir a testa para Nathan ignorar a dor e o esforço de qualquer outra pessoa. Ele daria tudo a ela, mesmo depois de ela tê-lo rejeitado.
Mas e eu? E a alcateia?
Como você pode ser tão insensível, Nathan?
- Bem, você já tomou sua decisão. Já que você é o presidente, minha opinião não deve importar mesmo. Pode ir. Eu vou voltar para o escritório - falei com frieza, abrindo a porta do carro.
- Kyra...
Encarei os olhos dele.
- Volte cedo para casa. Vamos conversar sobre a rejeição hoje à noite.
Quando retornei ao escritório, encontrei Sophia na sala de descanso, tomando café.
Assim que entrei, ela me lançou um olhar debochado.
- Nunca imaginei que você realmente se casaria com Nathan. Parece que a Cinderela conseguiu mesmo fisgar o Príncipe Encantado.
Meu rosto ficou sério.
- Foi você quem o rejeitou. Por que voltou rastejando agora?
O sorriso de Sophia se alargou, cheio de satisfação.
- Porque eu ainda o amo, e ele me queria. Foi por isso que voltei. Mas você... coitadinha. Passou três anos sem mim e mesmo assim não conseguiu conquistá-lo. Algumas coisas nunca mudam. Você continua sendo a mesma perdedora desesperada do ensino médio.
A voz de Sylvia trovejou na minha mente, tomada por uma fúria selvagem.
"Aquela vadia... Espere só até eu fazê-la chorar!"
Respirei fundo e lutei para conter a explosão de Sylvia. Então encarei Sophia com um sorriso firme e sereno.
- Mesmo que Nathan não me ame, nossas posições são perfeitamente compatíveis - respondi, num tom calmo, porém decidido. - Agora sou a Luna dele e controlo uma parte significativa da empresa. Mesmo que nos separássemos, eu sairia desse casamento com uma fortuna. E, sinceramente, acha mesmo que, depois que Nathan me rejeitar, a família dele e a alcateia receberiam você de braços abertos? Pelo que sei, sua família e a influência da sua alcateia não chegam nem perto das minhas. Então me diga: quem é realmente a Cinderela dessa história?
Deixei a sala de descanso a passos largos.
Pouco depois, ouvi uma xícara se espatifar.
Minhas palavras tinham acertado um ponto sensível de Sophia. Ainda assim, no fundo, eu sabia que ela estava certa.
Enquanto Nathan a amasse, eu sempre seria a perdedora daquele triângulo amoroso.
***
Girei a aliança no dedo, inquieta.
Eu tinha pedido a Nathan que voltasse cedo, mas ele nem sequer apareceu em casa. Também não respondeu às minhas tentativas de contato pelo elo mental nem às minhas ligações.
Agora que Sophia tinha voltado, aquela casa provavelmente já não era um lar para ele.
Meu olhar caiu sobre o resultado do exame de gravidez em cima da mesa.
Que ironia.
Eu tinha sido ingênua o bastante para acreditar que tudo poderia mudar se contasse a Nathan sobre o filhote. Precisava esquecer aquela ideia. Afinal, o filhote nunca tinha feito parte dos planos dele.
É claro que Nathan não me rejeitaria se soubesse da gravidez. Mas também não conseguiria abrir mão da obsessão por Sophia. Talvez permanecesse naquele casamento sem amor se os pais insistissem, mas tudo o que eu teria ao meu lado seria uma casca vazia.
Não era esse o pai que eu queria para meu filhote.
Quando olhei para o relógio na parede, já eram cinco da manhã. Tentei ligar mais uma vez, mas só chamou.
O que ele estava fazendo?
Estava ocupado fazendo amor com Sophia?
Devia ter sentido muita falta dela, não é?
Eu ainda me lembrava do dia em que Nathan voltou da primeira viagem a sós que tinham feito juntos. A felicidade dele era impossível de esconder. Percebi quase na mesma hora que eles tinham feito amor.
Naquele dia, voltei para o quarto e chorei enquanto tirava a maquiagem.
Nada do que eu fazia adiantava.
Eu jamais ocuparia o lugar de Sophia no coração dele.
Era como se um peso enorme esmagasse meu peito. Decidi tomar um banho para me livrar de toda aquela angústia, mas, assim que abri o guarda-roupa, vi nossas roupas íntimas acomodadas lado a lado.
A imagem me trouxe de volta à última vez em que Nathan e eu tínhamos feito sexo ali.
Naquela vez, ele não tinha usado proteção. Tinha sido tão intenso e apaixonado que cheguei a pensar que finalmente estava aceitando nosso casamento. Acreditei que sua volta daquela viagem de negócios marcaria um novo começo para nós.
No fim, foi o início da nossa separação.
Nem me lembrava de como tinha adormecido. Quando o despertador tocou, estendi a mão instintivamente para o travesseiro ao lado.
Estava frio, assim como na noite anterior.
Nathan ainda não tinha voltado.
Soltei uma risada amarga ao ver meu reflexo no espelho da penteadeira. As olheiras estavam profundas, e o cabelo, completamente desgrenhado. Eu parecia um fantasma.
"Kyra, não quero ver você sofrendo desse jeito. Se continuar insistindo no caminho errado, só vai acabar se destruindo. Deixe-o ir e poupe a si mesma. Seu filhote precisa de uma mãe forte", aconselhou Sylvia.
De repente, uma onda de náusea revirou meu estômago. Foi então que percebi que não tinha comido nada na noite anterior.
O enjoo voltou com força. Corri até a pia e vomitei um líquido amarelado. Enquanto enxaguava a boca, senti uma mão quente acariciar minhas costas.
Levantei a cabeça de imediato.
Pelo espelho, encontrei um par de olhos castanhos me observando.
Meu companheiro, Nathan, estava parado atrás de mim, com uma expressão preocupada.
- Você está bem? Está passando mal? Devia ter me contado.
Continuei encarando o reflexo dele.
- Você não atendeu às minhas ligações.
A culpa passou pelos olhos de Nathan.
- Sinto muito. Eu tinha algumas coisas para resolver. Passei a noite inteira no escritório.
Sequei o rosto e passei por ele.
Nathan veio atrás de mim.
- Kyra...
- Acordei tarde. Não preparei o café da manhã.
Evitei encará-lo. Sentia que perderia a paciência a qualquer momento.
Nunca tinha percebido o egoísmo dele com tanta clareza. Nathan me chamava de melhor amiga, mas nunca se importava com o que eu precisava.
Com os meus sentimentos.
- Kyra... Você sabe que não estou perguntando sobre o café da manhã. Só estou preocupado com você...
Ele hesitou.
- Kyra, ainda está tudo bem entre nós?
Ele estava mesmo me perguntando aquilo?
Depois de propor a rejeição sem nem querer saber se eu concordava? Nathan tinha decidido tudo sozinho só porque seu primeiro amor havia reaparecido.
Eu não conseguia acreditar nele.
Forcei um sorriso.
- Só não estou me sentindo bem hoje, Nathan.
Ele se agachou imediatamente ao meu lado. Aquilo não me surpreendeu, pois eu sabia que ele realmente se importava comigo.
O que eu não entendia era por que ainda agia assim depois de esmagar meu coração.
- Você está bem? - Tocou com cuidado minha testa e meu pescoço. - Está doente? Me diga o que está sentindo, Kyra.
- O que eu sinto não importa - deixei escapar.
Nathan pareceu chocado.
Tentei me afastar, mas ele agarrou meu pulso e me obrigou a encará-lo. A raiva em seu rosto deixava claro que sua paciência tinha chegado ao fim.
- O que está acontecendo com você, Kyra? Está assim desde ontem. É por causa de Sophia? Ou porque não voltei para casa ontem à noite?
Sustentei o olhar dele, irritada.
- Foi você quem pediu a rejeição! Eu mandei que voltasse cedo, mas você me deixou esperando a noite inteira. Como esperava que eu o recebesse esta manhã, Nathan?
Ele travou a mandíbula e balançou a cabeça.
- Kyra, eu...
- Chega. Podemos conversar sobre a rejeição depois do trabalho.
- Kyra! - Nathan agarrou meus ombros. Havia confusão e dor em seus olhos. - Você... está apaixonada por mim?
Fiquei paralisada.
Apaixonada?
Sim!
Desde o ensino médio. Desde que ele tinha se tornado meu melhor amigo. Afinal, quem não se apaixonaria por alguém que sempre a protegeu?
Mas eu não podia contar.
Aquilo só tornaria tudo mais complicado. Eu não queria a pena dele.
Balancei a cabeça e me livrei dos braços de Nathan.
- Você está louco? Não estou apaixonada por você. O que temos é apenas uma parceria. A única diferença é que não tive a mesma sorte que você. Nunca encontrei meu companheiro predestinado.
Dei as costas para ele e voltei ao banheiro. Tranquei a porta e me deixei cair ao lado da banheira.
Eu precisava me concentrar em mim mesma. Não podia continuar permitindo que minhas emoções me controlassem.
Então por que as lágrimas voltavam a cair?
Sylvia uivou dentro da minha mente:
"Kyra! Você não consegue nem contar a ele o que realmente sente."
Enxuguei as lágrimas, furiosa comigo mesma.
Demorei quase uma hora no banho. Quando terminei, Nathan já tinha ido embora.
Ele continuava me abandonando.
Eu nunca imaginei que nossa separação chegaria àquele ponto.
***
- Bom dia, Sra. Monroe...
- Bom dia, vice-presidente...
Não respondi aos cumprimentos como costumava fazer. Ainda me sentia péssima, e meu humor estava horrível. A irritação tomava conta de mim com facilidade, fugindo ao meu controle.
Talvez fosse por causa da rejeição de Nathan.
Ou da gravidez.
Eu estava prestes a entrar no escritório quando ouvi duas garotas conversando.
- Você viu aquela mulher? Aposto que é a namorada do Sr. Anderson. Os dois pareciam bem próximos.
Franzi a testa.
A namorada de Nathan?
- Ai! É a Sophia.
- Sophia? Sophia Gilbert, a modelo?
- Sim! Apostaria meu salário inteiro desse mês. Eles formam um belo casal.
- Qual é! A Sra. Monroe e o Sr. Anderson combinam muito mais.
- Você está falando sério? Eles são melhores amigos. Algumas pessoas dão mais certo só como amigas. É o caso do Sr. Anderson e da Sra. Monroe.
Fechei os olhos com força e entrei no escritório. Fechei a porta devagar e me apoiei nela.
Aquilo era ainda mais difícil do que eu tinha imaginado.
Respirei fundo e me sentei na cadeira giratória. Mal tinha ligado o computador quando uma notificação surgiu na tela do celular.
Minhas mãos começaram a tremer assim que a vi.
Nathan tinha acabado de postar nas redes sociais.
Era uma foto dele e de Sophia, comendo juntos em um restaurante sofisticado.
Fechei as mãos com força e cerrei os dentes.
É claro que eu nunca conseguiria competir com ela pelo coração dele.
Sophia sempre viria em primeiro lugar.
E, para Nathan, eu sempre seria a última.