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Grego sedutor

Grego sedutor

Autor:: Hugo Alefd
Gênero: Romance
Bilionário. Grego. Lindo. Atlas Mavridis é um empresário de sucesso, dono de uma mineradora multinacional. Sempre está viajando e aproveitando para conhecer mais a cultura dos lugares que visita. Os seus meses no Brasil estão contados, e é em uma noite sem encontros ou reuniões que Atlas resolve se aventurar por um aplicativo de relacionamentos, com a desculpa de treinar a conversação enquanto conhece novas mulheres. Ele pensou que não daria em nada como das outras vezes... até que uma em especial chama a sua atenção e Atlas passa a trilhar um caminho sem volta.

Capítulo 1 Grego sedutor

Capítulo 1 A menos que você seja uma pessoa do tipo festeira, que tenha muitos amigos, ou melhor dizendo, poucos amigos dos quais esteja na mesma vibe para sair, curtir uma balada e vários drinques, a noite de domingo para uma solteira pode ser um tanto entediante e até mesmo carente. Sei que noventa por cento das matérias e posts de autoajuda no Instagram diziam que "deve-se estar bem sozinha antes de trazer alguém para o seu mundo", que tinha que curtir a própria companhia e blá blá blá.

Ok, concordava com tudo isso, mas também precisava ter o direito de me sentir sozinha, quando tudo que mais queria era um "mozão" em quem me enroscar, trocar carinhos e fazer safadeza, ou que me fizesse companhia para assistir algo na Netflix. Solteira há cinco anos, com a terapia em dia e zero vontade de curtir a noite como se eu fosse jovem - tudo bem, com meus vinte e sete não daria para dizer que era uma idosa, estava mais para um corpo cansado -, tive tempo demais para fazer algumas viagens sozinha, me redescobrir após um término desastroso e estar disposta a me abrir para o amor novamente. "Você espera o que? Que o príncipe apareça no sétimo andar da torre B do condomínio Alabama e, por acaso, a encontre?", dizia minha melhor amiga e também vizinha, que tentou a todo custo me arrastar para fora de casa, horas atrás, com a promessa de diversão. Sério que isso seria possível numa noite de domingo, considerando que no dia seguinte eu tinha trabalho a fazer? Definitivamente, não sabia como ela aguentava. Em algum outro dia seu discurso até teria funcionado comigo, como já tinha acontecido antes, mas daquela vez, com meus pais fora de casa devido a noite de bingo na igreja, só queria ficar sozinha, no silêncio. Ter que conversar gritando ao pé do ouvido por conta da música alta era um saco. Levantando da frente do notebook, estiquei os braços acima da cabeça e, tombando primeiro para um dos lados e em seguida para o outro, alongando a coluna, constantemente castigada pelas longas horas que passava diante do computador. Ossos do ofício, afinal de contas, eu tinha uma coluna semanal para escrever e muita pesquisa a ser feita. Com o estômago reclamando após tanto tempo sem receber comida, no máximo alguns goles de água, que por sinal havia acabado horas atrás, abri o aplicativo de delivery e fiz um pedido de comida japonesa no meu restaurante favorito. Na falta de uma companhia masculina que me satisfizesse do jeito que eu precisava, teria que me contentar com o prazer proporcionado por uma porção de peixe cru. Tendo pela frente uma espera de aproximadamente cinquenta minutos até que o pedido fosse entregue, fechei a tela do notebook que ainda exibia meu texto recém-escrito, e só então notei a escuridão à minha volta. Estive tão imersa no processo que sequer vi as horas passarem. Esquivando dos móveis que estavam em meu caminho, andei até a janela do meu quarto, a única fonte de luz no momento e, antes de ligar o abajur que estava sobre a mesinha de cabeceira, me permiti apreciar a noite por alguns instantes. Mesmo tendo crescido na cidade grande, rodeada de prédios, ainda me encantava pela vista proporcionada, por cada um dos pontos brilhantes que se estendiam a perder de vista como as estrelas no céu, que por um milagre divino, encontrava-se mais "limpo" e sem nuvens do que de costume. Embora fosse mais comum ver pessoas emitirem sons de admiração para a lua cheia, que em sua plenitude já inspirou uma infinidade de músicas e poemas, jamais poderia negar que a lua crescente tinha lá seu charme, como eu bem constatei. Após longos minutos observando-a em silêncio enquanto refletia sobre sua fase atual e o significado atribuído a ela, a intenção de mudança, me afastei da janela. Depois de acesa, a luz fraca e amarelada do abajur deu um clima acolhedor ao ambiente, apesar de não iluminá- lo em sua totalidade.

É... acho que um banho cai bem - disse para Jujuba, minha gata, que estava esparramada sobre a cama, ignorando minha presença. Às vezes ela tendia a ser um pouco ingrata. Ao passar pela mesa de trabalho, aproveitei para recolher o copo vazio e a tigela de vidro que horas atrás estava abastecida com amendoim. Como em pouco tempo precisaria descer até a portaria para buscar meu pedido, após uma ducha rápida e restauradora, coloquei um vestidinho leve, a típica roupa de ficar em casa, e me joguei sobre o colchão. A lista de filmes e séries esperando para serem assistidos era enorme, mas conforme eu olhava uma a uma as opções, nada parecia interessante o suficiente, razão pela qual acabei colocando qualquer coisa para passar na TV, enquanto rolava o feed do Instagram. - Olha, Jujuba - chamei, fazendo a gata me encarar com ar de tédio -, a Tati, aquela amiga com quem estudei na quinta série, teve filho... Caramba, faz tanto tempo que não nos falamos... Como de costume, não demorou para que me cansasse de ver pessoas perfeitas, levando uma vida perfeita enquanto se divertiam, então logo fechei o aplicativo. Prestes a jogar o celular de lado, pousei os olhos sobre o ícone do Tinder. Eu não o abria há tanto tempo, que nem me lembrava quando foi a última vez. Movida pela curiosidade, acabei clicando no aplicativo, mas antes de checar qualquer perfil masculino que poderia vir a aparecer, fui conferir como estava o meu. "Deprimente" talvez fosse uma boa definição. As fotos que deveriam mostrar o meu melhor, na verdade não estavam nada favoráveis e a bio, que era uma espécie de cartão de visita para causar boa impressão, não falava nada com nada. Talvez isso justificasse meu fracasso na tentativa passada de uso, mas em minha defesa, não estava lá na melhor fase ou tão disposta assim a conhecer pessoas como me sentia naquele momento. Uma busca rápida na galeria do celular revelou fotos melhores do que as que estavam no perfil e, sem pensar duas vezes, tratei de substituir as antigas. Em cada uma das novas imagens era possível conhecer um pouco de mim, havia a Clarice sorridente por estar na praia, a que adora os animais esmagando a Jujuba ainda filhote e uma versão cult, segurando uma taça de vinho e olhando para longe. Além dessas, incluí também, uma toda montada e pronta para a balada, a torcedora - que vestia uma camisa de time de futebol e vibrava diante da TV por um gol marcado -, e a minha favorita, tirada semanas atrás enquanto eu tomava sorvete

Capítulo 2 Grego sedutor

Com aquela etapa completa, passei para a seguinte e mais desafiadora, tentar me descrever. Havia certo e errado quanto às informações a serem colocadas ali? Ir por uma linha mais misteriosa ou ser direta? Engraçada ou séria? Ah, qual é, você nem gosta disso aqui, por que está se importando tanto? Aposto que vai ficar cinco minutos e depois desistir, pensei, para em seguida colocar a primeira coisa que me pareceu minimamente interessante. "Sou como você me vê.

Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, Depende de quando e como você me vê passar." - Clarice (que não sou eu) Lispector. Jornalista, amo gatos, livros, um bom vinho, comida japonesa e caminhadas ao ar livre. Não sei quando um impedimento é marcado, mas adoro futebol e, de vez em quando, danço até me acabar. Alguém aí está disposto a conversar em inglês? Preciso praticar para viagens que um dia farei. Prestes a apagar tudo e desistir do que tinha feito até o momento, apertei de uma vez no ícone de confirmação das alterações e publiquei. No instante seguinte fui redirecionada à tela inicial, onde poderia encontrar um "pretendente". Sem expectativa nenhuma, dei início ao ciclo sem fim de arrastar perfis desinteressantes para a esquerda e um ou outro mais agradável para a direita. Se fosse contabilizar, o time dos "descartados" estava ganhando. Os caras achavam mesmo que ser passivo-agressivo era atraente? Babacas! Ao que parecia, nem tudo estava perdido, uma vez que a cada sete homens desinteressantes, surgia um que me fazia parar por alguns segundos e ao menos considerar a possibilidade. Em uma dessas vezes, acabei sendo surpreendida, não apenas pela bio divertida e com algo que eu buscava, como também por sua beleza digna de apreciação e uma foto com a mesma camisa de futebol que eu tinha, uma edição especial do uniforme do Real Madrid. Lembrando do meme de que "no Brasil não tem homem para mim", uma vez que o cara em questão era gringo como ele mesmo especificou em seu perfil - claro, se não estivesse mentindo na descrição -, resolvi arriscar e arrastar para a direita. - Quem sabe esse é meu dia de sorte, não é, Jujuba? O miado da gata, que eu jamais saberia se era em concordância, discordância ou apenas ela mandando eu me foder em seu idioma, foi interrompido pelo som do interfone, anunciando a chegada da minha comida. Morta de fome como estava, levantei da cama, calcei os chinelos e corri para fora do quarto em direção à porta. Só de fechar os olhos, eu já podia sentir o gosto do sushi em minha língua. Capítulo 2 "[encosta o focinho] Está aí, papai?" Hum... reli a inesperada mensagem pela terceira vez. Tendo nascido na Grécia, certas palavras em português ainda me causavam estranheza. Fazia sete meses que eu morava no Brasil e, até então, nunca ninguém me respondeu com frases entre colchetes. Teria um significado especial? Em busca de ajuda, abri o navegador e pedi a definição da palavra. Focinho (substantivo masculino) 1. A parte anterior da cabeça de certos animais, constituída pela saliência das mandíbulas e do nariz. "Olá?", respondi à garota que eu tinha dado match algumas horas atrás. Pela foto de perfil - com ela de quatro enfatizando o decote -, era muito bonita, com uns peitões que imploravam para serem chupados. Motivo pelo qual, não dei muita atenção ao que estava relatado na bio. "Sua cadelinha está abanando o rabo para você [coloca a língua para fora]. Vai me dar leitinho?" "Achei que os gatos gostassem de leite." "É que eu sou a cadelinha novinha, papai [dá a patinha]." Que conversa era aquela? Estava tão confuso! Aparentemente, não ler a descrição do perfil foi um erro. Suspirei aliviado ao confirmar que ela tinha vinte e um anos e era maior de idade. Desviando o olhar dos peitos quase expostos pela foto, percebi que a garota usava orelhas de cachorro e um nariz falso. Passando o dedo para o lado, fiquei chocado ao ver que todas as fotos apresentavam a bela jovem com fantasias de bicho ou efeitos de Instagram de filhotinho. Na descrição informava: Minnie, 21 anos, sou uma furry submissa em busca de um daddy para chamar de meu. Uh. Eu não sabia o que pensar, mais uma vez pedi ajuda ao Google, pois apenas estava ciente da tradução literal da palavra, que seria "peluda". Mas, segundo a pesquisa, também poderia se relacionar a personagens ficcionais que eram antropomórficos, ou seja, animais humanizados. No entanto, ela era humana e estava agindo como animal, não o contrário. "Então, Minnie, o que você gosta de fazer?", respondi, tentando não julgar as manias alheias. "Gosto quando o meu dono me leva para passear [piscadela]." Cocei a testa, cansado da conversa que mal havia começado e fui ao barzinho que ficava no canto da sala, servindo-me de uma dose de uísque. O restante da minha estadia no Brasil seria curta, após quase dois anos deixando a filial sul-americana da empresa de minha família nos eixos, em cerca de oito meses eu poderia finalmente partir para o próximo desafio. Nada como o olhar do dono para colocar ordem nas coisas e eu tinha outros continentes para desbravar. Era divertido estar longe de casa e não me apegar a ninguém, afinal, iria embora logo. Sem culpa ou sentimentos envolvidos, o Tinder era o meu buffet pessoal, onde poderia passar pelas mulheres e escolher uma por semana. As brasileiras amavam um gringo, ainda mais se pudessem contribuir com o meu aprendizado da língua nativa. Em mais de um sentido da palavra. Neste caso, Minnie estava mesmo me ensinando algo novo: se comunicar com colchetes. "Posso te levar para uma volta no meu pênis [pau duro]" "Que grosso! [prepara para atacar]" Ela entrou no clima! "É grosso mesmo e grande, você vai gostar...", o que se devia colocar para complementar isso? Que tal: "[pegando a camisinha]."

Durante os meus primeiros dias no Brasil fiquei confuso em relação ao preservativo masculino. Eu achava que camisinha era, literalmente, uma camisa pequena e que poderia ser traduzido como camiseta. Foi estranho quando entrei em uma loja do shopping e pedi para provar a camisinha tamanho grande deles, não entendi porque a mulher ficou um pouco assustada, encarou os meus músculos, o quadril e chamou o segurança. A coitada achou que eu era um tarado crossfiteiro. "[Rosna]" Google ao resgate de novo! Descobri o que significava o verbo rosnar. Ok. "Isso, cadela, rosna mesmo [grrrr]." Quantas doses eu bebi para entrar naquela conversa sem sentido? Não o suficiente, se teria que continuar a grunhir até ela aceitar que eu enviasse o meu motorista à sua casa para trazê-la para a minha. Apesar de não ter a menor intenção de morar no Brasil, seria obrigado a vir com regularidade para checar o funcionamento da mineradora, então, ao invés de ficar em hotel, comprei uma cobertura na área nobre da cidade em que ficava a sede da empresa. Era um apartamento desnecessariamente grande, mas eu não sabia fazer nada pequeno e comedido. Além do mais, amigos gregos e meus irmãos já haviam informado que adorariam vir para conhecer o famoso carnaval. "Não é assim que se trata uma lady! [Vira o rosto para o outro lado]", a garota respondeu, deixando-me perdido. Eu a ofendi? Achei que tinha entrado na brincadeira! Será que poderia achar na internet um manual para conquistar uma Furry? Queria conquistar uma? Seria uma pergunta mais adequada a se fazer. Talvez no sexo ela só gostasse da posição cachorrinho. "Você rosnou para mim e eu me tornei o errado?", precisava esclarecer bem porque apesar de estar perdido na conversa, tinha quase certeza de que foi isso que aconteceu. "Não adianta vir se ajoelhar implorando [gargalha com superioridade], você acabou de perder uma garota legal, nunca vai achar alguém como eu."

Capítulo 3 Grego sedutor

Assim espero. "Não implorei." Dane-se! Enchi o copo até a metade e fui para a varanda, apreciando o ar frio da noite e as luzes da cidade. Fiz o perfil no Tinder na intenção de conversar com mais pessoas e melhorar as formas de me comunicar como um brasileiro, facilitando o meu contato com funcionários e parceiros de negócio enquanto arrumava uma transa fácil. Soava como um bom plano, mas aquela não era a primeira bizarrice que encontrei pelo aplicativo.

"Você está se achando demais! [Dá uma patada na cara] Nem é tão bonito e gostoso assim, eu estava fazendo um favor! Aposto que tem pau pequeno de tanto tomar bomba! [Ri com desprezo]. Vou te bloquear, não me mande mais mensagem [prepara para sair]." Agora quem estava "gargalhando com superioridade" era eu. O que fiz para a garota surtar daquele jeito? Vi muitas mulheres reclamarem do Tinder, mas os homens passavam por algumas situações, também. E não... não usava bomba. Já usei quando mais novo e muito mais forte, porém, passei daquela fase e foquei em ter saúde. Encarei a lua crescente ou minguante - nunca sabia a diferença - e até ela parecia rir de mim. Virei uma piada cósmica. Dando o dia por encerrado, uma vez que o encontro não ia rolar, resolvi tomar um banho e me preparar para o dia seguinte. Se queria voltar para a Grécia em oito meses, precisaria trabalhar dobrado. Após uma chuveirada e vestir meu pijama, encontrei o Iphone apitando em cima do meu colchão. "É assim? Vai ignorar? Exijo que se desculpe! [Chorando rios]. Se é assim que trata as mulheres, vai morrer sozinho e se masturbando! Seu arrombado!" Arrombado? Arrombar? Eu já tinha ouvido aquela palavra em algum lugar, onde? Foi com o chefe de segurança sobre como o sistema infalível evitaria... arrombamentos! Seria a mesma coisa? Por via das dúvidas, chequei a minha porta da frente e liguei para o porteiro, questionando se a noite estava tranquila. Devia ser outra coisa e, sinceramente, não queria saber. Duvidava que todas as furries fossem assim, mas aquela tinha um parafuso a menos. Seria prático se o Tinder exigisse um atestado de sanidade. Sem paciência para responder, apenas bloqueei e o meu dedo pairou no aplicativo, ponderando se deveria deletar e me poupar de estresses futuros. Como o idiota que era, resolvi dar uma última chance e procurar alguém. Desta vez, leria a bio primeiro. Apenas mais uma tentativa, era isso. Poderia muito bem pegar as transas de uma noite em um bar qualquer. Passei o dedo para o lado, ignorando aquelas que se pareciam com todas as que encontrei nos últimos meses. Lindas, com cara de modelo, super produzidas e com fotos sensuais em poses quase sexuais, até que parei em uma loira sorridente com o sol iluminando o seu rosto e a praia de fundo. Sua beleza era natural e apesar de não tentar seduzir quem observasse a foto, havia algo nela e na limpidez de seus olhos azuis que me atraiu. Sua segunda imagem era ela com uma minúscula bola de pelo, sentada no chão, o short curto revelava a coxa torneada e o meu interesse apenas aumentava. Na terceira, tinha uma taça de vinho e um olhar contemplativo, mostrando o perfil delicado. Ela arrumada para uma festa me arrebatou, a beleza natural evidenciada pela maquiagem, mas a que mais me chamou a atenção foi a última, apostava que foi tirada espontaneamente, pois não encarava a câmera, distraída por um sorvete em sua mão, os lábios úmidos com o doce gelado que eu adoraria saborear direto de sua boca. No perfil, falava de seus gostos e sobre ser jornalista, além da citação de uma mulher que eu não conhecia, mas devia ser famosa no Brasil. Fez um trocadilho nos nomes que me fez sorrir e não de deboche, como fizera com a cadelinha de antes. E ainda gostava de esporte! Com uma camisa de futebol, que eu nunca achei ser um vestuário sexy até vê-la usando, ao vibrar em frente à televisão. Real Madrid, acima de tudo! O time que eu torcia quando se tratava dos não-gregos. O futebol era um dos nossos esportes favoritos, inclusive, na Grécia antiga havia uma forma de se jogar muito parecida com a atual - que foi estabelecida pelos britânicos -, mas com quinze jogadores em cada time e podia se usar as mãos. Chama-se Episkiros e alguns revivalistas ainda praticavam em pequenos campeonatos. Quanto à mulher do Tinder, esperava que gostasse mesmo e não fosse atuação! Só havia um jeito de descobrir. Clarice (que não é a Lispector), você tem um match. Capítulo 3 Para mim, comer sushi era sinônimo de me sujar com molho. Sério, admirava demais quem conseguia entrar e sair de um restaurante com as roupas intactas, sem uma gota sequer de shoyu, o que não era meu caso. Passando a língua pelos lábios, recolhi os últimos resquícios do cream cheese que acabara de comer e coloquei a embalagem vazia de lado. Enquanto ainda mastigava, minha atenção foi desviada da TV para o celular com a chegada de uma notificação e bastou destravar a tela do aparelho para ler "você tem um novo match". Curiosa para ver se era algum dos que realmente torci para ter combinação, terminei encarando a foto do gringo gato que estive admirando minutos antes do jantar. Uau! Mandar ou não a primeira mensagem? Aquela era uma dúvida recorrente de usuários do aplicativo, principalmente das pessoas que gostavam de fazer joguinhos na hora da conquista. Como aquele não era o meu caso e ele tinha muitos pontos que me atraíam, tratei de colocar a incerteza de lado e tomar a iniciativa. "Gostei da camisa, sabe torcer ;)". Talvez aquele não fosse o melhor ou o jeito mais interessante de começar uma conversa, mas dentre as informações disponíveis no perfil, bem como as fotos, com direito a tanquinho à mostra, considerei que a minha escolha poderia trazer um tom leve e divertido, que era exatamente o que eu buscava. Assim que me levantei da mesa e recolhi as embalagens vazias, o celular vibrou sobre o tampo de vidro, mais uma vez atraindo minha atenção. Será que ele já tinha me respondido? Antes de pegar o aparelho e confirmar a suspeita, coloquei tudo no lixo descartável, troquei a água da Jujuba, que já rodeava minhas pernas e coloquei um pouquinho de patê em sua tigela. - Agora você vem atrás de mim, né? Sua interesseira! Depois de me abaixar e coçar atrás de sua orelha, ganhando um ronronar em resposta, lavei as mãos para tirar o patê de peixe grudado em meus dedos e fui até o celular. "Uma garota bonita que, não só gosta de futebol, como veste a camisa? Senhor, sinal mais claro do que esse não existe..." Veja só o que temos aqui, um homem que sabe fazer piada e ainda assim ser direto ao demonstrar interesse? Gostei! Enquanto digitava uma resposta, caminhei para o banheiro e depois de pressionar o enviar, aproveitei para escovar os dentes. "Mas não é qualquer camisa, é A camisa! :P Tudo bem com você?" "Mesmo assim, é apenas a camisa de um dos meus times favoritos, pouca coisa, não é? Estou bem e você?" De acordo com uma pesquisa realizada por mim mesma, baseada em experiências pessoais e muita conversa com as amigas, noventa por cento das conversas de aplicativo se tornavam desinteressantes nos primeiros quinze minutos. Isso porque, se as duas partes não colaborassem para a fluidez do assunto, a coisa tendia a se tornar uma grande entrevista, repleta de perguntas e respostas entediantes e monossilábicas. Como o bonitão do outro lado da tela do celular parecia ser interessante - isso se não fosse um fake, porque homem gato daquele jeito não costumava ficar muito tempo livre, dando sopa por aí -, e eu não queria correr o risco de cair na mesmice com ele, tratei de engatar logo um assunto depois do "oi, tudo bem". "Me corrija se estiver errada, mas contei pelo menos quatro países diferentes nas suas fotos, só as praias que não reconheço." "Vamos lá, antes de te dar as respostas, quero saber se você é boa de palpite". "Espere aí, você está me desafiando? Pois fique sabendo que detesto perder." Desde criança o espírito competidor esteve dentro de mim, mas pior do que ele, era não saber perder. Deus, como eu odiava uma derrota. Me ajeitando melhor na cama, desliguei a TV, que se tornou desinteressante em comparação à conversa que estava tendo e fui ler sua resposta. "Ótimo, se tiver mais acertos do que erros, te convido para um café."

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