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HERDEIROS DO DESERTO

HERDEIROS DO DESERTO

Autor:: AutoraAngelinna
Gênero: Romance
Neste romance trazemos uma surpresa especial: duas histórias de bebês cujos pais são nada menos do que sheiks charmosos, poderosos, dominadores e com mais mistérios do que as dunas de areia. Apesar de serem homens implacáveis e rigorosamente fiéis às leis do deserto, nada os sensibiliza mais do que saber que possuem um herdeiro. As forças da criação e do amor de uma mulher são as únicas capazes de amolecer seus corações de pedra!

Capítulo 1 1

Querida leitora,

Neste romance trazemos uma surpresa especial: duas histórias de bebês cujos pais são nada menos do que sheiks charmosos, poderosos, dominadores e com mais mistérios do que as dunas de areia. Apesar de serem homens implacáveis e rigorosamente fiéis às leis do deserto, nada os sensibiliza mais do que saber que possuem um herdeiro. As forças da criação e do amor de uma mulher são as únicas capazes de amolecer seus corações de pedra!

Boa leitura!

Com amor Angelinna Fagundes.

Sinopse:

Desejos do coração

Elinor era pura e inocente, até ser seduzida pelo príncipe Jasim bin Hamid al Rais. Agora, grávida de Jasim, ela terá de se tornar sua rainha, ainda que não seja desejada por ele...

Capítulo Um

SUA ALTEZA Real, o príncipe Jasim bin Hamid al Rais, franziu as sobrancelhas quando a assistente o informou que a esposa de seu irmão o aguardava.

– Você deveria ter dito que a princesa estava aqui. Minha família sempre tem prioridade – advertiu ele.

Jasim era conhecido nos círculos financeiros pela velocidade astuta e pela estratégia que utilizava na busca de lucros para seu império internacional de negócios, e os funcionários tinham um enorme respeito pelo presidente. Ele era um patrão rígido, que estabelecia altos padrões de qualidade e não aceitava nada menos do que a excelência. Suas habilidades naturais de sobrevivência foram aperfeiçoadas através das políticas palacianas e de uma família desafiadora. Ele estava com 30 e poucos anos, era alto, imponente, possuía uma aparência devastadora e uma masculinidade poderosa que as mulheres consideravam irresistível.

Sua cunhada francesa, Yaminah, era uma morena delicada e simples. Os traços de seu rosto arredondado estavam tensos, avisando-o de que ela estava se esforçando para controlar suas emoções. Jasim a cumprimentou com cordialidade e preocupação. Para recebê-la, ele teve de deixar um ministro esperando, mas suas boas maneiras o obrigaram a ocultar esse fato e solicitar refrescos, enquanto pedia que ela se acomodasse em uma das poltronas, como se o tempo não importasse.

– Você está confortável em Woodrow Court? – Jasim quis saber. O irmão mais velho dele, o príncipe herdeiro Murad, e sua família utilizavam a casa de campo que ele possuía em Kent, enquanto mandavam construir ao lado uma nova propriedade inglesa.

– Oh, sim. É uma casa maravilhosa e estamos sendo muito bem cuidados. – Apressou-se em assegurar Yaminah. – Mas nunca pretendíamos deixá-lo fora da própria casa, Jasim. Por que não nos visita neste fim de semana?

– Claro, se vocês quiserem. Porém, acredite, estou muito bem em minha residência – respondeu Jasim. – Mas não é por isso que veio até aqui, certo? Receio que algo possa estar preocupando você?

Yaminah comprimiu os lábios e a angústia aparente no brilho de seus olhos castanhos logo se transformou em lágrimas. Com um pedido de desculpas sufocado pelos soluços, ela apanhou um lenço e enxugou os olhos umedecidos.

– Eu não deveria estar aborrecendo-o com isso, Jasim...

Ele sentou-se no sofá do lado oposto ao dela na tentativa de fazê-la se sentir mais relaxada.

– Você nunca me aborreceu em sua vida – a censurou Jasim. – Por que está se preocupando com isso? Yaminah inspirou profundamente.

– É... É a nossa babá.

Ele uniu as sobrancelhas, como se estivesse questionando o tom trágico da voz dela.

– Se a babá que a minha equipe contratou para cuidar da minha sobrinha não é do seu apreço, sugiro que a demita.

– Se ao menos fosse tão simples... – Yaminah suspirou, amarfanhando o lenço nas mãos inquietas. – Ela é uma excelente babá e Zahrah gosta muito dela. Temo que o problema seja... Murad.

Imediatamente, Jasim ficou tenso. Contudo, sua autodisciplina era absoluta e impedia que sua face denunciasse sua irritação. Seu irmão sempre fora um mulherengo e seu estilo de vida o colocara em situações difíceis mais de uma vez. Tal fraqueza era perigosa para o futuro governo da pequena província rica em petróleo e muito conservadora de Quaram. Pior ainda, na opinião de Jasim, se Murad estivesse almejando uma funcionária sob os olhos de sua leal e adorável esposa, então o seu comportamento havia alcançado um nível baixo e imperdoável.

– Não posso demitir a garota. Se eu interferisse, Murad ficaria furioso.Por enquanto, acredito que seja apenas um flerte, mas ela é uma garota muito bonita, Jasim – murmurou a cunhada e a voz soou estremecida. – Se ela deixasse o emprego, o caso deles se tornaria público, e você sabe que Murad não poderia se envolver em outro escândalo.

– Eu concordo. O rei não tem mais paciência com ele. – Jasim comprimiu os lábios, ao mesmo tempo em que se perguntava com amargura se o fraco coração do pai suportaria o estresse de mais uma explosão perturbadora de má notoriedade e intrigas indecentes sobre a moral do filho primogênito.

Será que algum dia seu irmão mais velho iria aprender a ter bom senso e moderação? Por que ele nunca colocava as necessidades da família em primeiro lugar? O pai parecia ser incapaz de resistir à decepção e, desta vez, Jasim se sentia extremamente responsável. Afinal, a sua equipe havia contratado a miserável babá! Por que não lhe ocorreu ordenar uma restrição em designar uma mulher jovem e bonita?

A esposa do irmão o observava com ansiedade.

– Você vai me ajudar, Jasim?

Ele lançou um olhar irônico para ela.

– Murad não aceitaria o meu conselho.

– Ele é muito teimoso para aceitar o conselho de qualquer pessoa, masvocê poderia me ajudar – implorou Yaminah.

Jasim franziu o cenho, acreditando que ela havia supervalorizado a sua influência sobre o irmão. Murad não tinha sido herdeiro do trono de Quaram ao longo de 50 anos sem adquirir um senso saudável de sua própria importância. Enquanto Jasim era um grande adorador de seu pai, sabia que o irmão preferia trilhar o seu próprio caminho, ainda que para isso fosse necessário passar por cima de outras pessoas.

– Como eu poderia ajudar? – Yaminah mordiscou o lábio inferior.

– Se você estivesse preparado para demonstrar interesse por essa babá, o problema estaria resolvido – declarou ela em uma súbita onda de euforia. – Você é jovem e solteiro e Murad é de meia-idade e casado. Não há comparação. A garota certamente voltaria a atenção para você em vez de...

Jasim sentiu o desgosto invadi-lo e seus olhos se tornaram frios e escuros. Erguendo as mãos, ele pediu moderação e calma.

– Yaminah, por favor, seja sensata...

– Estou sendo sensata. Além disso, se Murad pensasse que você estáinteressado na garota, tenho certeza de que ele iria desistir dela – insistiu Yaminah. – Ele tem dito com frequência o quanto deseja que você conheça uma mulher...

– Mas não uma mulher a quem ele entregou o coração – declarou Jasim secamente.

– Não, você está errado. Desde aqueles... hum... assuntos desagradáveiscom aquela mulher inglesa com quem você se envolveu há alguns anos, Murad esteve preocupado com o fato de você ainda estar solteiro. Ele mencionou isso ainda ontem, e se acreditasse que você está interessado em Elinor Tempest ele a deixaria em paz! – declarou Yaminah com uma veemência que denunciava o seu desespero para que ele aceitasse a sua sugestão.

Jasim ficou tenso e empalideceu. Yaminah acabara de se referir a um episódio do qual ele preferia não se recordar. Quando o tabloide havia exposto o passado dissoluto da mulher com quem ele planejara se casar há três anos, Jasim experimentara um grau de fúria e humilhação do qual não estava disposto a se lembrar. Desde então, ele havia ficado resolutamente solteiro e agora escolhia mulheres apenas para entretê-lo e aquecer a sua cama. Expectativas menores levavam a um grau maior de satisfação, ele admitiu interiormente.

Embora Jasim tivesse ignorado imediatamente o pedido dramático que Yaminah lhe fizera, ele ficou preocupado com sua visita e decidiu pesquisar sobre a mulher que estava sendo a causa desse sofrimento. Jasim instruiu a assistente para que investigasse a babá e questionasse a equipe que a havia contratado. Naquela mesma manhã, as informações iniciais que ele recebeu o deixaram intrigado. Jasim estudou a pequena foto de Elinor Tempest: ela possuía cabelo longo com uma tonalidade vibrante de vermelho, faces rosadas e olhos verdes e exóticos. Sem dúvida, ainda que Jasim nunca tivesse considerado aquela estranha cor de cabelo atraente, a babá era no mínimo incomum e surpreendentemente bonita.

De qualquer forma, ele se preocupou com o fato de Elinor Tempest não ter conseguido uma entrevista para o emprego por aparecer na lista de babás confiáveis fornecida pela agência contratada para esse propósito. Aliás, era improvável que a garota tivesse feito isso por seus próprios méritos, já que tinha apenas 20 anos e pouca experiência profissional.

Evidentemente, Murad havia indicado pessoalmente o nome da garota e insistido que fosse entrevistada. Esse fato espantoso colocava a relação do irmão com a jovem em um nível ainda mais duvidoso. Jasim ficou surpreso e irritado com essa descoberta. Como Murad pôde criar uma situação dessas embaixo do seu próprio teto? E que tipo de jovem aceitaria uma posição de um homem casado e libidinoso e ainda encorajaria os seus avanços? Será que Yaminah estava errada? Murad estaria envolvido sexualmente com a babá da filha?

Uma sensação de repugnância o consumiu. Seus fortes princípios se revoltaram contra uma associação tão sórdida. Jasim já havia aprendido à própria custa que o status real e a riqueza do petróleo da família Rais fazia com que ele e o irmão fossem alvo das mais inescrupulosas interesseiras, ávidas para usarem trapaças e seus corpos sedutores a fim de enriquecerem.

Murad já havia sofrido diversas tentativas de chantagens que exigiram a intervenção da polícia. No entanto, mais uma vez, o irmão estava sendo imprudente em correr o risco de protagonizar outro escândalo explosivo, cujos abalos poderiam repercutir até Quaram e perturbar a estrutura da monarquia.

Após refletir sobre o assunto, Jasim chegou a uma decisão fria e incisiva. Quando uma crise aparecia, ele gostava de agir com rapidez. Jasim passaria o fim de semana em Woodrow Court e avaliaria a situação. De uma forma ou de outra, ele libertaria a família de Yaminah dessa garota vulgar e calculista que estava ameaçando tudo o que ele apreciava...

– O QUE aconteceu com você?! – exclamou Louise, arregalando os olhos azuis, enquanto observava a aparência moderna de Elinor. – Normalmente se veste como uma vovó!

Elinor fez uma careta ao ouvir a crítica. Ela passou a maior parte da vida sendo obrigada a usar roupas antiquadas devido aos ataques venenosos do pai sobre qualquer traje que delineasse suas curvas ou mostrasse seus joelhos. Professor universitário e intelectual impenitente e esnobe, Ernest Tempest havia sido pai ferozmente crítico para sua única filha. Só agora, vivendo longe de casa, ela foi capaz de se sentir livre e relaxar. No entanto, Elinor era a primeira a admitir que sem a ajuda de uma vendedora astuta e atenciosa nem ousaria provar o vestido, quanto mais comprá-lo.

Elinor voltou o olhar para o próprio reflexo no espelho. O elegante vestido parecia enfatizar as curvas graciosas de seu corpo, mas revelava uma generosa extensão de suas pernas bem torneadas. Sob o olhar de censura da amiga, Elinor levou uma das mãos ao decote do vestido e confessou:

– Eu simplesmente me apaixonei por esse vestido.

Louise girou os olhos nas órbitas e falou secamente:

– Bem, certamente você pode arcar com roupas da moda hoje em dia.Como é a vida da família real de Quaram? A essa altura, deve estar guardando o dinheiro em uma conta no exterior.

– Você só pode estar brincando. – Elinor apressou-se em declarar. – Nãoé tão fácil quanto você pensa. Eu trabalho muitas horas...

– Bobagem! Você só tem que cuidar de uma criança e ela está no jardimde infância – protestou Louise, ao mesmo tempo em que repousava um copo em uma das mãos de Elinor. – Beba! Você não pode ser uma estragaprazeres em sua própria festa de aniversário de 21 anos!

Elinor sorveu a enjoativa bebida doce, embora não fosse de seu gosto. Ela não queria teimar com a temperamental Louise, astuta em perceber qualquer forma de abstinência alcoólica como um desafio pessoal.

As duas haviam frequentado o mesmo curso de babás e continuaram amigas depois, mas Elinor estava ciente do clima desconfortável que se formara entre elas. Louise demorou meses para encontrar um emprego decente e havia se ressentido pela sorte que Elinor obteve.

– Como está o trabalho? – Louise quis saber.

– O príncipe e sua esposa viajam muitas vezes para o exterior ou passamos fins de semana em Londres e eu sou encarregada de cuidar de Zahrah em Woodrow, então alguns dias de folga... ou a falta disso... têm sido um problema. Aliás, às vezes eu me sinto como se fosse a mãe dela – confessou Elinor com melancolia. – Eu cuido de tudo... Até mesmo compareço aos eventos da escola.

– Tem que haver alguma desvantagem para todo esse dinheiro que estárecebendo! – comentou Louise com sarcasmo.

– Nada é perfeito. – Elinor deu de ombros com a tolerância de alguémacostumada a um mundo imperfeito.

– Os outros funcionários são de Quaram e falam a sua própria língua,por isso é uma vida doméstica bastante solitária. – E, dando um suspiro, declarou: – Podemos ir? O carro está nos aguardando.

Quando o príncipe Murad havia se dado conta de que era o aniversário de Elinor, ele a presenteara com cupons para um sofisticado clube noturno londrino e insistira para que ela aceitasse viajar até Londres com o chofer da limusine. O mesmo motorista a deixaria em casa no fim da noite.

– Um aniversário de 21 anos só acontece uma vez na vida. – O pai deZahrah havia observado animadamente.

– Aproveite a sua juventude ao máximo. O tempo passa cruelmente rápido. Em meu aniversário de 21 anos, meu pai me levou até o deserto e me instruiu sobre o que eu nunca deveria me esquecer quando me tornasse rei deste lugar. – Uma expressão irônica cruzou o olhar de Murad.

– Não havia me ocorrido na mesma hora que 30 anos depois eu aindaestaria nessa espera. Não que eu desejasse de outra maneira, é claro; meu honrado pai é um rei muito sábio e qualquer homem se esforçaria para seguir o seu exemplo.

O príncipe Murad era um homem generoso, pensou Elinor. Ela admirava seu forte senso sobre os valores familiares de amor, confiança e lealdade. Após a morte da mãe, quando ela estava com 10 anos, a educação de Elinor havia perdido visivelmente tais qualidades e ela ainda sentia a dor dessa perda. Se ao menos o seu próprio pai tivesse tido um pouco da natureza gentil e bondosa do príncipe!

Enquanto Louise gritava de admiração à primeira vista da luxuosa limusine, Elinor estava pensando sobre a falta de interesse que o pai tivera por ela durante a vida inteira. Não importava o quanto ela se esforçasse com os estudos, as notas dos exames nunca eram suficientes para agradá-lo. O pai dizia frequentemente que se sentia envergonhado de Elinor e que ela era uma severa decepção para ele. A decisão que ela tomara em se tornar uma babá o deixara indignado e ele a chamara de "uma esplêndida ama-seca, nada mais do que uma criada!". As sombras escuras daqueles anos infelizes a haviam marcado para sempre e Elinor sentia como se na verdade não tivesse família. Afinal, o pai tinha se casado novamente sem convidá-la para o casamento e parecia preferir agir como se fosse desprovido de filhos.

– Eu estava lendo um artigo sobre o príncipe Murad em uma revista –comentou Louise. – Há indícios de que ele fica atento às damas e que já teve alguns casos fora do casamento. Cuidado com esse "garotão"!

Elinor franziu as sobrancelhas.

– Oh, ele definitivamente não é assim comigo... Ele é mais do tipo paternal...

– Não seja tão ingênua. Noventa e nove por cento dos homens de meia-idade são interessados em jovens atraentes – ridicularizou Louise com um sorriso insolente. – E se você o faz lembrar da sua mãe...

– Não acho que isso seja provável – interrompeu Elinor, um tanto divertida. – Minha mãe era miúda, loura e de olhos azuis, e eu não me pareço nem um pouco com ela.

– Está bem. – Louise encolheu os ombros. – Mas, se você não o fizessese lembrar da sua mãe, por que diabos ele ofereceria, para uma total estranha, o trabalho de cuidar de sua preciosa filha?

– Não foi tão fácil como você pensa – reagiu Elinor, sentindo-se desconfortável. – O príncipe indicou o meu nome, mas eu passei pelo mesmo processo de recrutamento que todos passaram. Murad disse que queria me ajudar porque a minha mãe significou muito para ele. Ele também achou que eu seria jovem o bastante para ser amiga da filha dele no futuro. E não se esqueça de que a esposa dele fala apenas árabe e francês, então o meu francês fluente se tornou muito útil. Concordo que o fato de eu ter conseguido o emprego foi uma sorte extraordinária, mas não houve nada de sinistro nisso.

Louise ainda a encarava com frieza.

– Mas você dormiria com Murad... se ele lhe pedisse?

– Não, é claro que não! Por Deus, ele tem quase a idade do meu pai! –protestou Elinor com um tremor de desgosto.

– Se fosse o irmão dele, o príncipe Jasim, você não estaria tremendo –provocou Louise. – Há uma foto dele no mesmo artigo. Ele é muito sexy: alto, solteiro e lindo como um astro de cinema.

– É mesmo? Eu não o conheci. – Elinor virou o rosto para a janela a fimde apreciar as ruas bem iluminadas da cidade. A persistência e as insinuações sombrias de Louise a aborreceram. Por que as pessoas sempre preferem pensar o pior? Elinor nem teria pensado em trabalhar para o príncipe Murad e sua esposa se houvesse algo duvidoso na atitude do homem com relação a ela. De qualquer maneira, um incidente infeliz durante os meses de sua experiência anterior de trabalho a havia deixado muito cautelosa quanto a flertes de empregadores.

– É uma pena que o irmão que um dia será o rei seja baixo, careca ecorpulento – comentou Louise com zombaria. – Embora muitas mulheres não deixariam que isso lhes atrapalhasse a ambição.

– O fato de ele ser casado seria suficiente para me deter – contestouElinor secamente.

– Mas não deixa de ser um casamento instável, com apenas uma pequena garota para testemunhar todos os anos em que ele esteve com a esposa – insistiu Louise. – Estou surpresa por não ter se divorciado dela já que não há nenhum herdeiro para a próxima geração...

– Mas há um herdeiro... O irmão mais novo do príncipe – observou Elinor.

– Então, ele tem que ser o bom partido da família. – Um brilho calculista surgiu nos olhos de Louise. – Mas já se passaram três meses e você ainda nem o conheceu, apesar de estar morando na casa dele e com os parentes dele, então isso não é muito promissor.

Elinor não queria perder tempo em mencionar que se apaixonar por um príncipe árabe não havia feito nenhum bem à sua falecida mãe, Rose. A mãe conhecera Murad na universidade e os dois se apaixonaram cegamente. Elinor ainda possuía o anel de noivado que Murad tinha dado à sua mãe. No entanto, a felicidade do jovem casal tinha se mostrado passageira, porque Murad fora ameaçado de exílio e cancelamento da herança caso ele se unisse a uma estrangeira. Eventualmente, Murad retornou a Quaram para agir como filho dedicado e fazer o que lhe era dito, enquanto Rose havia se casado com Ernest Tempest. O casamento de duas pessoas incompatíveis tinha se mostrado profundamente infeliz.

– Você também não tirou folga do trabalho para fazer uma viagem aoexterior – lembrou-a Louise, de mau humor. – Ao menos eu estive dez dias em Chipre com a minha família.

– Não me importo muito com viagens – mentiu Elinor, e sua irritaçãocom as observações nocivas e as zombarias de Louise a fazia se perguntar por que ela se preocupava em manter aquela amizade unilateral.

No clube exclusivo, foram servidas bebidas grátis graças aos cupons proporcionados pelo príncipe Murad. Caso contrário, elas jamais seriam capazes de arcar com os altíssimos preços do bar. Elinor lembrou-se de que era o seu aniversário e tentou afastar o sentimento de decepção que a havia perseguido durante a semana inteira.

Seu emprego era solitário e ela desejava frequentemente a companhia de um adulto. Elinor sabia que deveria aproveitar esta noite ao máximo. Embora ela tivesse um carro à sua disposição, a propriedade de Woodrow ficava situada na zona rural de Kent e com acesso a poucas atrações fora da pequena cidade.

Os pais de Zahrah viajavam frequentemente e preferiam deixar a filha em casa a fim de não lhe atrapalhar o estudo.

Como resultado, Elinor teve a sua própria liberdade severamente cortada, pois, com os patrões ausentes, esperavam que a babá ficasse na constante companhia da filha.

Elinor teria que voltar mais tarde com a limusine para Woodrow Court, porque deixar a sua tarefa aos cuidados de outros funcionários durante a noite não era uma opção que o príncipe estava disposto a permitir.

No entanto, após ter sido exposta aos comentários amargos de Louise, ela já não se sentia entristecida pelo fato de ter tido a chance de dormir fora nessa noite negada.

– Você já está chamando a atenção de um homem. – Louise suspirou com inveja.

Elinor ficou tensa e se recusou a olhar na mesma direção.

Ela descobriu que o convívio com o sexo oposto era um desafio e, muitas vezes, uma experiência humilhante. Elinor era excepcionalmente alta; os homens ficavam felizes em conversar com ela enquanto estava sentada, mas sentiam vontade de correr uma vez que ela se erguia e os superava em altura. Ela aprendera em seus embaraçosos anos da adolescência, quando frequentemente tomava "chás de cadeira", que os homens preferiam mulheres pequenas e delicadas a quem pudessem baixar o olhar e se sentir superiores. Elinor sabia que possuía um rosto atraente e uma boa aparência, mas nenhuma dessas qualidades contava contra a sua desajeitada altura. Apesar de ser notada pelos homens, eles raramente se aproximavam.

Algumas horas depois, ela se despediu de Louise, que já havia se encantado por um admirador. Elinor, por outro lado, vivenciou uma noite especialmente dolorosa quando um jovem se aproximou de sua mesa e pediu que ela se unisse a ele, e então, no instante em que se levantou, ele notou horrorizado que mal conseguia alcançar-lhe os ombros e resmungou: "Esqueça!". O jovem e seus colegas a importunaram e abafaram risos de escárnio pelo restante da noite, como se ela fosse uma palhaça de circo.

Como resultado, ela decidiu que deveria beber um pouco a mais a fim de conseguir manter uma expressão indiferente e ocultar a sua tristeza.

ELINOR SUSPIROU aliviada enquanto a limusine fazia a última curva da estrada arborizada que dava acesso à propriedade de Woodrow. Eles passaram entre as torres do imponente portão em forma de arco da entrada e seguiram para um pátio coberto de cascalho em frente à magnífica casa real. Elinor ficou surpresa ao ver que havia mais luzes da casa acesas que de costume. Assim que saiu do veículo, ela sentiu o ar frio da noite tocar seu rosto. Elinor inspirou profundamente, tentando aliviar a tontura que sentia devido ao álcool que havia ingerido e esforçou-se para andar em linha reta até a porta principal da casa, já aberta para ela.

Enquanto cruzava o hall, ela sentia seus passos instáveis. Ao ver um homem sair da biblioteca, sua atenção se voltou diretamente para ele. O homem era um estranho tão surpreendentemente belo que apenas um olhar de relance a deixou sem fôlego. De súbito, Elinor parou de caminhar e pousou os olhos nele. O cabelo negro estava penteado para trás e a pele bronzeada evidenciava os traços perfeitos do rosto. Ele possuía lindos olhos, escuros, profundos e destemidos. E quando parou embaixo do candelabro de teto, o castanho-escuro de seus olhos ganhou um brilho dourado, como o ouro puro. Elinor sentiu o coração disparar dentro do peito.

Jasim não estava em seu melhor humor. Ele não ficou satisfeito quando chegou à casa de campo apenas para descobrir que o seu irmão, sua cunhada e até mesmo a babá estavam ausentes, fazendo com que a sua presença parecesse um tanto supérflua.

– Srta. Tempest?

– Er... Sim? – Elinor estendeu uma das mãos para se abraçar em umpedestal esculpido na base da sólida escadaria de madeira. O homem possuía um rosto magnífico que inexplicavelmente continuava atraindo-lhe a atenção como um poderoso ímã. – Desculpe, você... é?

– Sou Jasim, irmão do príncipe Murad – declarou ele, estudando-a comfrieza, apesar do poderoso interesse que ela havia despertado nele.

Imediatamente, Jasim desejou saber se ela contemplava Murad com essa mesma intensidade. Qualquer homem ficaria lisonjeado por uma mulher contemplá-lo dessa maneira. Pessoalmente, Elinor Tempest era uma mulher muito mais perigosa do que ele jamais imaginara que ela pudesse ser. Em um vestido que se aderia aos seios fartos e sensuais e revelava as pernas incrivelmente longas, ela era absolutamente estonteante. A cor do cabelo longo, que na fotografia parecia ser berrante, era na realidade uma sutil tonalidade avermelhada, de uma beleza suprema. Apenas as mais finas esmeraldas poderiam ser comparadas ao incrível verde dos olhos dela. Com aquele cabelo espetacular, olhos enormes e lábios rosados e sensuais, ela era a fantasia de qualquer homem. Foi um desafio para Jasim, que era conhecido por sua compostura, conseguir concentrar seus pensamentos novamente.

– Você parece ter bebido – observou ele friamente, sentindo-se desconfortável pela perturbadora reação de seu próprio corpo, que reagia involuntariamente ao desejo sexual que ela lhe despertava.

A face delicada de Elinor enrubesceu.

– Po... Possivelmente... um pouco – gaguejou ela com grande embaraço,ao mesmo tempo em que dava um profundo suspiro, seus seios fartos vibrando levemente sob o tecido fino do vestido. – Eu não costumo beber muito, mas essa era uma ocasião especial.

Jasim estava considerando um verdadeiro desafio concentrar a atenção no rosto dela.

– Se trabalhasse para mim, eu não toleraria que se mostrasse neste estado.

– Afortunadamente, eu não estou trabalhando para você – devolveu Elinor, sem pensar duas vezes. – E também não estou trabalhando no momento. Eu tive permissão para sair esta noite...

– Mesmo assim, enquanto você viver sob esse teto, eu considero tal conduta inaceitável.

Elinor percebeu que ele havia se aproximado e teve de erguer o rosto para conseguir encará-lo. Notou que ele era muito alto, consideravelmente mais alto do que o irmão, Murad. Aliás, não havia nada em Jasim que a fizesse se lembrar do príncipe Murad. Jasim possuía ombros largos, um corpo musculoso e nem um grama de peso extra em seu físico. É claro, os dois homens eram apenas meio-irmãos, ela se lembrou, nascidos de mães diferentes.

– E se Zahrah estivesse acordada e a visse nesse estado? – exigiu Jasim,fitando o brilho intenso dos olhos de Elinor e se sentindo incomodado pela reação exagerada de seu corpo à proximidade dela. Se era dessa maneira que ela afetava o seu irmão, ele podia entender perfeitamente o motivo de Murad ter se sentido tentado. Os lábios cheios e rosados de Elinor já eram um convite sensual.

– A criada que está com Zahrah desde o dia em que ela nasceu dorme noquarto ao lado. Acho que você está sendo irracional – declarou Elinor firmemente.

Jasim ficou chocado ao ouvir a réplica desrespeitosa e decidiu que Elinor era totalmente petulante. Ele não deixou de perceber que a babá tinha uma limusine à sua disposição. Isso era um flagrante da extrema generosidade do seu irmão e só acrescentaria peso aos piores medos de Yaminah.

– É assim que você fala com o meu irmão?

– Seu irmão, que é o meu patrão, é muito mais agradável e menos crítico. Eu não trabalho para você e tenho o direito de ter uma vida social – declarou Elinor, erguendo o queixo em sinal de desafio. – Agora, se não se importa, eu gostaria de ir para a cama.

Jasim descobriu apenas naquele momento de indignação diante da insolência de Elinor que ele queria deitá-la na cama e fazer amor com ela até fazê-la implorar por mais. Enquanto se esforçava para controlar o desejo feroz que ameaçava o seu autocontrole, Jasim se sentia chocado pela descoberta de uma ameaça tão poderosa. Nenhuma mulher conseguira afetá-lo dessa maneira antes, nem mesmo a jovem com quem ele uma vez planejara se casar.

Contudo, enquanto Jasim assistia a Elinor Tempest empenhar-se em subir os degraus sem oscilar ou tropeçar devido aos efeitos do álcool que havia consumido, ele soube que não teria paz até que conseguisse levá-la para a cama e fazer com que ela fosse sua.

Um dos pés de Elinor, calçado em uma sandália com uma sola fina e escorregadia, deslizou de um degrau e ela cambaleou, ao mesmo tempo em que se agarrava histericamente à sólida balaustrada em busca de suporte.

– Segurança é outro bom motivo para você não se embriagar dessa maneira – suspirou Jasim, enquanto repousava firmemente uma das mãos sobre a base da coluna dela para prevenir que ela caísse escada abaixo.

– Eu não preciso de sua ajuda! – protestou Elinor furiosamente, enquanto retirava as sandálias para se assegurar de que não houvesse nenhum outro acidente. Em seguida, ela pegou as sandálias com nervosismo.

– Aposto que você vai dizer "eu lhe avisei"!

O delicioso aroma do cabelo e da pele dela o inebriaram, deixando-o com ainda mais desejo.

Ele estava convencido de que ela seria uma ardente companheira. O estilo de vestido que ela usava e o seu comportamento já o haviam persuadido de que estaria longe de ser uma inocente. Murad era muito confiável para ser deixado à mercê de seu próprio desejo e das manipulações de uma jovem sedutora. Tentando manter a calma e o controle de sua libido, Jasim pediu que ela subisse as escadas.

– Está certo... Ficarei bem agora – murmurou Elinor assim que alcançou o quarto. Sentindo-se exausta e de mau humor, ela declarou: – Você foi o final perfeito para um aniversário horrível, e agora, por favor, eu gostaria de ficar só.

Recostado no batente da porta, Jasim assentiu com um gesto de cabeça. Ele sentia o desejo pulsar em suas veias. Jasim a queria e, uma vez que a levasse para a sua cama, Murad viraria as costas para ela. Levá-la para a cama não seria o menor sacrifício. Imaginá-la com o cabelo solto e o verde dos olhos brilhando de desejo lhe oferecia o prospecto do prazer mais doce e sensual que ele jamais sonhara que pudesse descobrir em um encontro premeditado.

As necessidades de preservação haviam colocado a emoção da caça fora do alcance de Quaram, e Jasim sentira falta dessa agitação.

Ele descobriu que mal poderia esperar pela conclusão satisfatória desse jogo sexual que prometia ser muito prazeroso. Não lhe ocorreu que ele pudesse falhar em conseguir levá-la para a cama... uma vez que Jasim nunca havia se deparado com uma recusa...

Capítulo 2 2

NA MANHÃ seguinte, enquanto Elinor tomava banho, ela se lembrava horrorizada do diálogo que tivera com o príncipe Jasim. O álcool havia feito dela uma tola! Ela deveria ter sido mais cuidadosa com relação à bebida. Já haviam passado seis meses desde que ela bebera pela última vez, Elinor pensou, mordiscando o lábio inferior com nervosismo. Além disso, estava ressentida pelo fato de não ter ganhado permissão de sentir o gosto da liberdade e tirar uns dias de folga quando pedira para os patrões. Mas nem tanto a ponto de arriscar seu emprego, refletiu preocupada.

Um emprego, aliás, que iria acrescentar uma sólida importância ao seu currículo quando buscasse sua próxima posição. A última coisa de que ela precisava agora era ser demitida por ter sido audaciosa com um príncipe! Ela nem mesmo o chamara de "senhor" quando dirigiu a palavra a ele, Elinor se lembrou com um gemido de frustração.

Normalmente, ela era tão sensata e educada! Por que não conseguira ficar calada? A verdade era que ela estivera de mau humor e a infeliz combinação da inegável beleza do príncipe Jasim seguida por sua crítica mordaz havia sido a última gota. A julgar pelos ataques de fúria que o príncipe Murad sofria quando uma mínima coisa o aborrecia, ela já sabia que egos reais eram fracos e supersensíveis.

O príncipe Jasim jamais a perdoaria por ter sido rude com ele e certamente iria se queixar com o irmão, pensou Elinor.

Era sábado e Zahrah tinha aulas de equitação. Durante as aulas, Elinor normalmente saía para cavalgar também. Ela vestiu calça de moletom, uma camiseta verde e finalmente calçou as botas. Elinor estava prestes a sair do quarto quando ouviu uma batida na porta. Ao abri-la, ficou surpresa por receber de um dos criados uma enorme cesta com flores belamente arranjadas.

Inicialmente, Elinor mal conseguiu acreditar que as magníficas flores eram para ela e se embriagou com o delicioso aroma das rosas com um suspiro de júbilo, antes de detectar o envelope do cartão e abri-lo.

Desejo um feliz aniversário atrasado e peço desculpas, Jasim.

Elinor estava estupefata. Ele estava pedindo desculpas para ela? Até mesmo desejando um feliz aniversário e presenteando-a com flores? Isso era inacreditável. Ela havia feito uma imagem errada dele. Além de ser mais lindo do que qualquer homem tem o direito de ser, o príncipe Jasim a havia impressionado por ser arrogante e muito orgulhoso.

Definitivamente, ela não pensou que ele pudesse ser do tipo que pede desculpas. Na verdade, ela pensou que ele fosse o tipo de homem que sempre dá a última palavra. Mas, obviamente, as primeiras impressões não tinham sido agradáveis para nenhum dos dois na noite anterior. Era a primeira vez que um homem dava flores a Elinor e ela ficou impressionada e satisfeita com o gesto, mesmo porque havia tido uma noite de aniversário abominável e decepcionante.

Nesse instante, Zahrah correu para dentro do quarto. Exibindo um sorriso radiante, a menina de 4 anos era uma linda criança com cabelo escuro e encaracolado e olhos castanhos.

– Bom dia, Elinor! – exclamou Zahrah, abraçando-a com carinho. – Vaidescer para tomar o café da manhã?

As duas desceram a escadaria e Elinor estava prestes a se dirigir à pequena sala de jantar, onde normalmente tomava o café da manhã com a criança, quando Ahmed, o mordomo, interceptou-a. Zahrah agiu como intérprete e informou Elinor que tomariam o café da manhã com o seu tio Jasim.

Elas foram conduzidas até a enorme sala de jantar formal. Zahrah deixou escapar um grito de alegria e se jogou nos braços de Jasim. Isso proporcionou um minuto para Elinor se recompor, enquanto Jasim erguia-se da cadeira a fim de cumprimentá-la.

Sob a luz intensa dos raios de sol que entravam através das imensas janelas, a pele bronzeada e os traços aristocráticos do rosto másculo eram surpreendentemente incríveis, e novamente ela descobriu que era impossível desviar os olhos dele. Jasim dominava a sala com sua poderosa presença e ela se sentia obrigada a observar os traços clássicos do rosto dele a fim de tentar descobrir o que possuía de tão especial para que sua atenção ficasse completamente voltada para ele. As batidas de seu coração aceleraram, fazendo com que ela sentisse dificuldade até em respirar. Enquanto Elinor o assistia, Jasim inclinou a cabeça e sorriu para a criança em seus braços, e a força do seu poderoso carisma a golpeou mais uma vez.

– Srta. Tempest... – murmurou ele lentamente, enquanto acomodava Zahrah em uma cadeira ao lado. Vestido com uma roupa de equitação feita sob medida, ele estava exuberantemente elegante e sofisticado.

– Por favor, sente-se – pediu ele, indicando uma cadeira.

Elinor se acomodou, ainda confusa. Sua respiração estava acelerada e se sentia como uma adolescente: embaraçada, tola e desajeitada, tudo ao mesmo tempo.

– Obrigada pelas flores. Você foi muito generoso – murmurou Elinorapressada em agradecer, enquanto Zahrah se ocupava em tagarelar com Ahmed sobre o seu cereal favorito.

O brilho intenso de seus olhos castanhos repousou sobre ela e Elinor honestamente pensou que seu coração fosse parar de bater.

– Não foi nada.

– Eu lhe devo desculpas... eu fui rude – confessou ela.

– Uma nova experiência para mim – declarou o príncipe com a voz impassível.

Por um segundo, Elinor desejou esbofeteá-lo por ele não ter lhe dado uma resposta mais piedosa à sua tentativa de se corrigir.

– Ninguém nunca lhe responde? Ou briga com você? – Ela quis saber.

– Ninguém – confirmou Jasim, como se isso fosse perfeitamente normal. Ele a assistiu baixar o olhar e notou que a face delicada de Elinor estava levemente corada. Jasim se perguntou sobre qual padrão ela estava tentando estabelecer em seu benefício. Ele não conseguia acreditar que essa era a mesma mulher, pois não havia nem sinal da jovem estridente e argumentativa que conhecera na noite anterior.

Nessa manhã, a insegurança no tom suave de voz dela e a relutância em encará-lo clamavam uma timidez e inocência sexual ideais para capturar um homem mais velho. Não era de admirar que o seu irmão mais velho estivesse preocupando a esposa com essa jovem vulgar e calculista, ele refletiu amargamente. Contudo, a atuação não funcionou tão bem com Jasim. Mas, até então, ele era mais sofisticado do que Murad e mais atento aos costumes sexuais liberais das jovens da mesma idade de Elinor Tempest.

– Diga-me por que o seu aniversário foi horrível – indagou Jasim suavemente, estudando-a com aqueles belíssimos olhos escuros e relaxando as costas na cadeira.

Elinor ficou tensa.

– Isso não seria apropriado, senhor.

Jasim uniu as sobrancelhas.

– Eu decido o que é apropriado – contestou ele. – Diga.

Por um instante, Elinor ficou impressionada por receber o comando imperioso de um homem acostumado à obediência imediata. E se sentiu aliviada quando Zahrah roubou o momento com suas tagarelices.

– Você pode explicar mais tarde – declarou Jasim. – Vou descer aosestábulos com você e Zahrah.

A expectativa a deixou nervosa e, ao encará-lo, Elinor congelou diante do brilho faminto que ele ostentava no olhar e apressou-se em fitar a própria xícara de café novamente. A forma com que Jasim a estudava sugeria que ele a achava atraente, mas Elinor não podia acreditar que um príncipe pudesse desenvolver interesse pessoal por ela. Talvez ele fosse tão gentil quanto o irmão e estivesse apenas tentando amenizar os desagrados que eles tiveram no primeiro encontro, pensou Elinor.

Ahmed assegurou que Zahrah se acomodasse na cadeirinha de segurança no banco traseiro do Range Rover. Elinor se acomodou no banco de passageiro e observou Jasim enquanto contornava o capô do veículo.

Mesmo com o cabelo escuro desalinhado pelo vento, ele continuava bonito e elegante. Elinor fitou o dourado dos olhos dele através do vidro dianteiro e surpreendeu-se com a súbita reação de seu próprio corpo. Os mamilos enrijecidos pressionavam o tecido fino do sutiã e seu íntimo pulsava de excitação. Estava chocada, pois não havia se dado conta de que sentir atração por um homem pudesse provocar tal experiência física, fazendo com que o seu corpo se incendiasse por dentro.

Elinor sentiu seu rosto aquecer, enquanto o observava ligar o carro.

– Você gosta de cavalos? – indagou Jasim.

– Sou louca por eles desde criança – confessou Elinor com um sorrisosincero. – Comecei a ter aulas de equitação com a mesma idade de Zahrah.

Um vizinho mantinha um estábulo e eu tinha aulas depois da escola.

– Você já teve um cavalo ou uma égua?

Elinor ficou tensa.

– Sim, dos 9 até os 14 anos. Depois, meu pai a vendeu. Ele achava que otempo que eu passava com a Starlight estava interferindo em meus estudos...

– Você deve ter ficado aborrecida.

– Eu fiquei arrasada. – Elinor comprimiu os lábios, incapaz de explicaro quanto aquela perda repentina a havia afetado. O pai não a avisara de suas intenções e ela nem mesmo teve a chance de se despedir da égua que tanto adorava. Starlight também havia sido a sua verdadeira amiga, a única que lhe dera forças para que ela superasse a sua infeliz adolescência. – Mas ela ainda era uma égua jovem e tenho certeza de que foi dada para alguma outra garota para ser absolutamente adorada de novo.

– Parece que seu pai foi bem rígido – observou Jasim, ávido para extrairmais informações. Ele não estava surpreso por ela ter lhe contado uma história triste a fim de despertar-lhe a compaixão.

– Muito rígido – concordou ela. – Depois disso, ele não permitiu que eu tivesse nenhum interesse que não fosse a escola. Sair de casa foi um alívio – admitiu Elinor com tristeza, pensando na liberdade de não precisar conviver com as críticas e as constantes reprovações do pai.

Jasim comprimiu os lábios ao ouvi-la confirmar suas suspeitas sobre a real natureza dela. Ele se lembrou da promessa sensual que os olhos de Elinor expressaram quando ela o encarou e notou que seus mamilos estavam enrijecidos sob o tecido fino da camiseta. Certamente, ela se sentia atraída por ele e Jasim apreciou o fato de Elinor não conseguir ocultar a reação de seu próprio corpo.

De qualquer forma, um pai decente teria procurado impor restrições para uma filha liberal, ele pensou, esperando se sentir enojado diante da prova de sua provável promiscuidade. Em vez disso, Jasim ficou tenso pela forte excitação que o atormentava na presença de Elinor Tempest. Apenas a satisfação sexual resolveria esse problema e ele não estava disposto a ter paciência. Atento à presença da sobrinha, Jasim se concentrou em não pensar em como Elinor poderia ser facilmente persuadida em satisfazer os seus desejos.

Assim que chegaram à fazenda, o gerente e outros dois funcionários vieram receber Jasim, enquanto Elinor verificava se o cavalo em que Zahrah iria montar estava bem selado. O instrutor da pequena garota logo se aproximou.

– Você quer o Amaranth? – indagou a Elinor.

– Sim, por favor – respondeu ela com um grande sorriso. Em seguida,Elinor acariciou o animal e o guiou para fora do boxe. Havia levado meses de visitas regulares até que ganhasse confiança para conseguir montar os cavalos mais velozes. A liberdade de andar a cavalo sempre que quisesse e sem nenhum custo era outro bom motivo para Elinor desejar manter o emprego.

Enquanto conversava com os funcionários, Jasim a assistiu sair com o

cavalo e ergueu as sobrancelhas.

– Você deixou a babá passear com Amaranth? – indagou ele ao funcionário em um tom de censura.

– Elinor é muito talentosa, Vossa Alteza – respondeu o empregado. – Elaé uma excelente amazona.

Naquele momento, Jasim teve a oportunidade perfeita para enxergar essa verdade com seus próprios olhos, enquanto ela comandava o animal de forma graciosa e incrivelmente habilidosa, deixando-o impressionado.

Ao ouvir o trotar de um cavalo se aproximando, Elinor girou a cabeça. Montado no poderoso cavalo negro, Mercury, Jasim a alcançava rapidamente. Erguendo o queixo, Elinor encorajou Amaranth a uma corrida em campo aberto, o que fazia da propriedade de Woodrow um verdadeiro paraíso para os amantes de cavalos.

Jasim ficou surpreso ao ver a coragem de Elinor em desafiá-lo, uma vez que havia esperado que ela fosse parar e aguardá-lo. Ele raramente cavalgava em companhia feminina, porque as mulheres costumavam se agarrar a ele, conversavam e flertavam continuamente, e esse tipo de comportamento interferia em seu raro momento de relaxamento. Por outro lado, Elinor lhe deu a oportunidade perfeita de persegui-la e ele apreciou o desafio.

Amaranth perdeu a energia próximo ao lago e Elinor o guiou até a sombra de uma árvore. Em seguida, Jasim desceu do seu cavalo com facilidade e observou Elinor retirar o capacete de equitação, libertando o cabelo sedoso e alongando-se em um movimento que delineou cada curva de seu corpo. Embora ele estivesse convencido de que fosse um movimento deliberado para chamar sua atenção, o truque barato funcionou perfeitamente.

Em seu interior, Jasim sentia o desejo fervilhar, provocando reações em seu corpo em questão de segundos. Ciente de que a calça que vestia não seria capaz de ocultar nada, ele retirou o capacete e caminhou até a beira do lago a fim de recuperar o autocontrole. Jasim estava furioso e desequilibrado pela perda da autodisciplina, o que não vivenciava desde os anos da adolescência. Elinor dirigiu o olhar para o lago e se alegrou com o início do verão e a beleza natural do lugar.

Embora muitas vezes se sentisse isolada em Woodrow, Elinor não sentia vontade de trocar a tranquilidade do campo pelos ruídos da cidade.

– Você é uma excelente amazona – murmurou Jasim.

Um brilho divertido surgiu nos olhos verdes de Elinor ao perceber que ela o havia irritado.

– Você teria ganhado com Mercury, se não fosse a minha vantagem inicial.

A atenção de Jasim ficou totalmente voltada para os delicados traços do rosto de Elinor. Ele não estava acostumado a ser provocado e sua natureza era tão competitiva que ele sempre chegava em primeiro lugar em qualquer aspecto de sua vida. Até mesmo o seu melhor amigo não ousaria chamá-lo de perdedor. Ainda assim, ao ser confrontado pela cativante mistura de travessura e inocência que transparecia no sorriso de Elinor, sua exasperação desapareceu.

Sob o olhar atento de Jasim, sentia sua pele se incendiar e, enquanto inspirava profundamente o ar fresco do campo, Elinor decidiu que ficar sozinha com ele nessa circunstância poderia induzi-los a ter o tipo de conversa que apenas danificaria a sua posição em uma família conservadora.

– Acho melhor eu voltar. A aula de Zahrah irá terminar logo.

– A governanta virá buscá-la. Eu ordenei que nos trouxessem uma refeição leve... Ah, aqui estão eles.

Elinor ficou boquiaberta quando seguiu o olhar dele e avistou um suv se aproximar.

– Você pediu que nos servissem uma refeição leve aqui?

Jasim franziu as sobrancelhas, demonstrando ironia.

– Por que não?

Sua indiferença era tão evidente que apenas reafirmava a opinião dela quanto à enorme desigualdade entre eles. Elinor ficou surpresa por ele ter reorganizado o seu dia ao chamar a governanta para cuidar de sua tarefa quando ela poderia perfeitamente tê-la realizado.

Afinal, cuidar de Zahrah era o seu trabalho. Mas sua surpresa havia sido substituída pelo espanto que ela sentiu ao ouvir o anúncio casual dele de que seriam servidos no campo. Ela notou que Jasim, assim como o irmão, não via nada de errado em ser prontamente atendido. A equipe de funcionários saiu do veículo em pares e uma variedade de bebidas quentes e frias, louças de porcelana, copos e aperitivos foram apanhados enquanto uma refinada manta de lã era estendida sobre a grama. Elinor, que mal esperava um piquenique, ficou perplexa ao receber uma xícara com o café fresco. Jasim preferiu apenas água. Ela o assistia enquanto ele levava o copo aos lábios sensuais, notando a luz do sol iluminando as maçãs bronzeadas do rosto másculo e refletindo nos cabelos escuros e desalinhados pelo vento. Elinor sentiu a garganta se fechar. Sentada sobre a manta, enquanto ele se recostava no tronco de uma árvore, ostentando pura masculinidade, ela forçou-se a sorver o café da requintada xícara de porcelana.

– Agora você pode me dizer o motivo de seu aniversário ter sido umadecepção – pediu Jasim.

– Eu esperava que você fosse esquecer esse comentário – confessou Elinor.

Jasim exibiu um sorriso malicioso, o que provocou a aceleração das batidas do coração dela. Incapaz de desviar os olhos daquele rosto másculo, ela explicou sobre os cupons do clube noturno, enquanto se perguntava por que as feições dele se enrijeceram no momento em que ela elogiou a generosidade de seu irmão.

– Murad é um patrão muito generoso. – A observação dela confirmavaainda mais as suspeitas de Jasim, enquanto ele enxergava nisso um bom motivo para a preocupação de Yaminah.

Ele não conseguia acreditar que tal favoritismo pudesse ser inocente, ou isso significaria que ela não teria flertado e seduzido o seu irmão deliberadamente. Ele até mesmo entendia por que Murad havia colocado uma limusine da família à disposição dela. Naturalmente, seu irmão tinha desejado que ela voltasse a Woodrow no fim daquela noite.

– Mas eu não gosto tanto de clubes noturnos – admitiu Elinor. – Mesmoporque nunca conheci ninguém, eu sou muita alta para a maioria dos homens...

– Sua altura é ideal para mim – interrompeu Jasim num tom de vozrouco, provocando um calafrio em Elinor.

Perturbada por aquele comentário pessoal, Elinor enrubesceu.

– Eu acho a minha altura embaraçosa.

Jasim estendeu uma das mãos.

– Levante-se. Deixe-me vê-la.

Repousando a xícara sobre o pires com uma força desnecessária que revelava a sua confusão, Elinor aceitou a mão que ele havia estendido e se ergueu. Por um momento interminável, o brilho dourado dos olhos dele semiencobertos pelos cílios longos e espessos examinou o rubor na face dela. Elinor apoiou os quadris contra o tronco da árvore a fim de se amparar, pois sentia os joelhos tremerem.

– Suas pernas são fabulosas – murmurou Jasim, afastando uma mechado cabelo sedoso que lhe caía sobre o rosto. – Cabelo lindo e lábios que são uma tentação para qualquer homem que tenha sangue correndo nas veias. – Ele repousou o olhar sobre os lábios dela e Elinor sentiu o coração disparar. – Desde o primeiro instante em que a vi, eu desejei beijá-la...

– Você estava furioso comigo – contestou ela, ainda que estivesse sesentindo aprisionada pelo brilho intenso dos olhos dele.

– Isso não me impediu de imaginar como seria o seu gosto.

Jasim estava tão próximo que ela mal conseguia respirar, até que ele finalmente inclinou a cabeça para satisfazer sua curiosidade. Já fazia meses que Elinor havia sido beijada. Mas ela nunca, nunca fora beijada como agora por Jasim bin Hamid al Rais. O desejo intenso dele deixou-a fascinada. Jasim intensificou o beijo, explorando com sensualidade todo o interior úmido da boca feminina. Elinor sentiu a região mais íntima do seu corpo pulsar de excitação. Seus mamilos enrijecidos pressionavam o tecido fino do sutiã de renda. Agarrando-se aos ombros largos e poderosos, ela se amparou. Com uma das mãos, Jasim pressionou seu corpo contra o dela e ela sentiu a força da excitação masculina. Inesperadamente, ela estava descobrindo o que realmente significava desejar um homem, e a intensidade desse desejo fez sua mente voltar à realidade.

Quase no mesmo instante em que recuperou a sanidade, Elinor se afastou dele, virou o rosto para um lado e levou uma das mãos trêmulas aos lábios inchados, como se ainda não pudesse acreditar no que havia acontecido.

– Desculpe, mas isto não está certo – murmurou ela.

Jasim ficou surpreso à aparente rejeição e considerou isso uma manobra inteligente de uma mulher experiente. Não havia nada mais tentador para um homem do que o gosto da fruta proibida seguido por uma inocente demonstração de relutância. Ele também preferia a emoção da caça a uma fácil rendição, mas a urgência do seu desejo quase o havia persuadido a se esquecer do jogo de armadilha sexual que ele havia planejado.

– O que há de errado? – Jasim quis saber.

– Eu trabalho para a sua família... Nossos mundos são diferentes. Dequantas razões você precisa? – retrucou ela com honestidade.

Ele decidiu conceder à Elinor o que sabia que ela deveria estar desejando... um encorajamento para que ela desistisse de Murad e voltasse a atenção para ele. Jasim decidiu seduzi-la com palavras que eram o verdadeiro oposto de sua habitual frieza.

– Eu a considero incrivelmente atraente e não sou um esnobe. Meu tataravô era um homem pobre mas virtuoso quando assumiu o trono de Quaram. Eu conheci muitas mulheres, mas nunca me senti dessa forma antes. Devemos explorar o que está havendo entre nós.

Elinor o fitou, o brilho de seus olhos verdes demonstrando confusão. Ela queria acreditar no que ele acabara de dizer, mas, ao mesmo tempo, estava com medo de se machucar da mesma maneira que sua mãe, quando se envolveu em um romance de conto de fadas que desmoronou rapidamente e a levou a uma vida de comparações infelizes e arrependimentos.

– Não acho que o seu irmão iria aprovar isso, e eu valorizo o meu emprego – confessou Elinor.

Os olhos escuros de Jasim cintilaram ao receber a resposta sincera.

Alcançando-lhe uma das mãos, ele assegurou:

– Eu lhe prometo... você não vai se machucar comigo.

A promessa dele ecoava na mente de Elinor durante o caminho de volta aos estábulos. Zahrah já se encontrava com a governanta quando Elinor reapareceu. Ela notou a surpresa que ficou estampada nas feições da menina ao vê-la com Jasim. Enquanto Elinor se perguntava se os seus lábios estariam tão inchados quanto ela os sentia, enrubesceu completamente. Jasim insistiu para que ela viajasse de volta para a casa com ele, provocando em Elinor ainda mais embaraço.

Naquela tarde, Elinor seguiu sua rotina normal e levou Zahrah ao shopping e depois a um cinema local para assistirem a um filme infantil. Como era de costume, no sábado, elas compartilharam um jantar leve no quarto de crianças. Elinor deu banho em Zahrah e então colocou-a na cama para dormir, abraçando-a com carinho e desejando-lhe uma boa noite de sono. Sentindo-se muito inquieta para assistir a televisão, Elinor vestiu o biquíni violeta, cobriu-se com um robe branco e foi para a piscina. Quando os pais de Zahrah estavam em casa, ela não gostava de usar a piscina, a menos que estivesse com a criança, mas, uma vez que o casal havia viajado, Elinor achou que não teria o menor problema.

A piscina era enorme e espetacular, completa, com jatos subaquáticos e uma impressionante cascata.

Ao sair do elevador interno da casa, Jasim ficou surpreso por ver que Elinor já o aguardava na água. Essa não era uma garota que deixava as oportunidades passarem despercebidas, ele pensou. O brilho dourado dos olhos dele se dirigiu para as curvas sensuais do corpo feminino e uma forte excitação despertou em seu interior, fazendo com que ele perdesse o fôlego.

Contudo, Jasim se ressentiu pela forte atração que Elinor causava nele e duvidou do olhar de surpresa dela ao avistá-lo. Elinor era uma ótima atriz! Quantos homens ela já teria conseguido seduzir? Ninguém sabia melhor do que Jasim que uma vez que uma mulher conseguisse seduzir um homem ela poderia convencê-lo de qualquer coisa. Jasim sentiu um gosto amargo na boca ao se recordar de seu próprio passado.

Elinor não achou certo permanecer na piscina quando Jasim entrou na água. Afinal, essa era a casa dele e ela não podia deixar de se preocupar com o que os outros funcionários pudessem pensar. Certamente eles achariam que ela estaria se atirando nos braços do príncipe. Decidida, Elinor saiu da piscina e vestiu o robe.

Jasim nadou até a borda e, após sair da água, caminhou na direção dela.

– Por que está saindo?

– Eu só acho que é prudente – murmurou Elinor, tentando impedir que asua atenção se voltasse para o corpo másculo e poderoso, enquanto ele se secava com uma toalha.

Dirigindo o brilho dos olhos para ela, Jasim fitou-lhe os lábios.

– Por quê? Você também me quer. Não tente negar o que sentimos.

A declaração audaciosa de Jasim fez com que a face delicada de Elinor ficasse completamente corada. Com as mãos trêmulas, ela apertou o laço do robe que vestia.

– Mas isso não é o suficiente – protestou ela, tentando manter o controleda situação.

Jasim segurou-a gentilmente pelos pulsos e puxou-a contra o seu próprio corpo.

– Isso é apenas o começo...

E ela se rendeu aos beijos famintos e ardentes que se seguiram. Jasim beijava-lhe os lábios com um apetite voraz, e o desejo que ela sentia aumentava a cada segundo, até seu corpo começar a estremecer contra o dele, ansiando por mais.

– Sei que aqui não é o lugar certo para isso, mas você é irresistível –falou ele ofegante. Em seguida, Jasim ergueu-a em seus braços e a carregou até o elevador.

Elinor nunca havia entrado no elevador antes, pois o mesmo levava até o quarto principal para facilitar os mergulhos matinais que Jasim aparentemente apreciava. Ele a colocou de volta ao chão, perto da enorme cama, e em seguida deslizou o robe que ela vestia pelos ombros roliços até fazer com que a peça caísse, tocando-lhe os pés descalços. Elinor ergueu os olhos para encará-lo, e a atenção de Jasim se voltou novamente para os lábios cheios e rosados dela.

– Não podemos fazer isso! – exclamou ela, alarmada pela intimidade doquarto. Jasim pegou uma de suas mãos, colocando-a sobre o short que vestia, para que ela sentisse o poder do seu membro rígido por baixo do tecido.

– Por favor... eu não vou conseguir dormir desse jeito.

Elinor poderia ter resistido a qualquer outra reação, mas o desejo a excitava até o centro de seu ser, tocando-lhe até mesmo o coração. Quando um homem a desejara dessa maneira? Até onde Elinor se recordava, os homens sempre a fizeram se sentir estranhamente alta e indelicada.

Encontrando o brilho intenso dos olhos dele, ela se regozijou pela atração que ele demonstrava por ela e suprimiu a voz da razão que lhe avisava para ter cautela. Ela não fora sempre sensata e controlada? Havia algum dano real em se arriscar apenas uma vez? Principalmente quando ela estava completamente atraída por ele? Elinor se segurou a este último pensamento, ávida para se render ao forte desejo de Jasim. Esta poderia muito bem ser a única vez em sua vida em que um homem a chamaria de "irresistível"...

Capítulo 3 3

ANTES QUE Elinor tivesse tempo de registrar o que Jasim estava prestes a fazer, ele havia tirado a parte superior do biquíni violeta que ela usava, até que os seios fartos e sensuais ficassem expostos. Um suspiro de prazer escapou de sua garganta quando ele vislumbrou a proeminência dos mamilos rosados.

– Você tem o corpo mais maravilhoso que eu já vi.

Ele tocou-lhe os mamilos com as pontas dos dedos, fazendo com que ela gemesse e sentisse um calor se espalhar por todo o seu corpo. Elinor ansiava por mais e ele não demorou em responder a essa ansiedade. Jasim acomodou-a sobre a cama e, inclinando a cabeça, segurou-lhe um dos mamilos, mordiscando-o levemente, para então sugá-lo com ferocidade, deixando-a completamente enlouquecida. Elinor sentia a região mais íntima de seu corpo pulsar de excitação, aumentando a sua temperatura interna e acabando com o pouco controle que ainda lhe restava. Jasim prosseguia com a carícia, ao mesmo tempo em que baixava uma das mãos e tocava-lhe, fazendo com que ela arqueasse o corpo numa reação tão violenta que quase a deixou com medo.

– Você está muito tensa – censurou ele, livrando-a da parte inferior dobiquíni e erguendo-se da cama para retirar o short molhado que vestia.

Mais uma vez, a dúvida e o nervosismo a golpearam.

Tudo estava acontecendo muito rápido, e ela tentava entender como havia permitido que as coisas chegassem a esse ponto, sem que ela tivesse se perguntado seriamente sobre o que estava prestes a fazer.

Afinal, dormir com um homem pela primeira vez era um assunto muito sério para ela. Elinor fitava assombrada a sua primeira visão de um homem nu. Ela se sentia assustada e excitada ao mesmo tempo e se perguntava se estaria fazendo a coisa certa ou se estava simplesmente permitindo que essa forte atração a vencesse.

Jasim olhou para ela e sentiu uma satisfação que o deixou surpreso. Ela parecia uma deusa, ele pensou admirado, o cabelo sedoso e brilhante espalhado sobre o travesseiro era a combinação perfeita para o rosto delicado e as curvas voluptuosas de seu corpo. Nunca uma mulher conseguira lhe despertar um apetite tão voraz... nem mesmo Sophia tivera esse poder. Mas ele jamais seria vulnerável com uma mulher novamente, senão permitiria que o desejo superasse o seu juízo, ele pensou confiante.

– Eu a quero agora – confessou Jasim, voltando a se deitar ao lado dela;o corpo másculo e poderoso estava tenso de desejo.

Apesar do desejo incontrolável que sentia, Jasim se esforçou para se lembrar da sua primeira motivação: possuí-la serviria apenas para se assegurar de que ela perderia o poder de sedução sobre o seu irmão.

Só de contemplar os bonitos traços daquele rosto másculo, Elinor sentiu sua boca se ressecar e o coração disparar dentro do peito.

– Eu nunca me senti dessa forma antes – sussurrou ela com nervosismo.

Descartando imediatamente aquela declaração ingênua, Jasim suprimiu um riso de escárnio e, inclinando a cabeça, beijou-lhe os lábios novamente. Involuntariamente, Elinor se derreteu mais uma vez. Suas inseguranças desapareciam enquanto o seu corpo se rendia às deliciosas sensações do toque e do aroma masculino.

O corpo másculo e poderoso estava tão quente, forte e excitado... Ela teve uma imagem delirante de como seria a sensação de senti-lo dentro dela e ficou chocada pela direção de seus próprios pensamentos.

Jasim acariciou o ponto mais sensível de seu corpo e ela soltou um gemido alto de prazer. Com um dedo, ele descobriu que o seu interior era incrivelmente pequeno e apertado. Ela arfou e se contraiu, e Jasim ficou admirado com a habilidade teatral de Elinor. Claro que, como Sophia, ela deveria ter presumido que um príncipe árabe apenas a valorizaria se ela fingisse ser uma virgem. Sophia havia gasto uma fortuna para ter o seu hímen cirurgicamente restaurado e ele tinha sido estupidamente enganado, Jasim se recordou com profunda amargura.

– O que foi? – Elinor ofegou, notando os olhos dele se escurecerem. Aomesmo tempo, ela se perguntava se ele finalmente teria descoberto a sua falta de experiência.

– Nada poderia estar errado...

– Eu nunca dormi com nenhum outro homem – admitiu Elinor, sem graça. – Isso é um problema?

– Como poderia ser, quando está prestes a me honrar na frente de todosos outros homens? – O brilho cínico dos olhos dele se intensificou ainda mais ao ouvir a cautelosa afirmação que ela fizera no último minuto, alegando sua inocência sexual. Jasim estava louco pela expectativa de ter o corpo dela sob o seu, mas ele teria preferido o seu frio autocontrole para dizer a Elinor que ela era uma mentirosa e que a sua simulação não conseguira enganá-lo nem por um segundo.

Afastando as pernas dela com os joelhos, ele sentia leves tremores de excitação percorrerem toda a extensão de seu corpo. Levado por um desejo feroz, ele começou a penetrá-la lentamente, mas ficou tenso ao ouvi-la soltar um grito agudo de dor. Jasim sentiu o sangue congelar nas veias, sem esperar que o fingimento dela chegasse a esse ponto.

Elinor estava aflita.

– Desculpe... está tudo bem – murmurou ela, baixando os cílios.

– Eu devo lhe pedir desculpas. Deveria ter sido mais cuidadoso – falouJasim ofegante, admirado por conseguir corresponder ao disfarce dela, ao mesmo tempo em que avançava lentamente.

Conforme seu desconforto diminuía, ela sentia o prazer aumentar a cada movimento dele. Elinor arfou e envolveu os braços ao redor das costas poderosas de Jasim, descobrindo que novamente ele estava lhe proporcionando sensações que ela nunca ousara sonhar que existissem. Violentas ondas de prazer tomaram Elinor, levando-a ao ápice explosivo e deixando-a completamente saciada.

Jasim baixou os olhos e fitou seu rosto com admiração.

– Você me levou ao paraíso – declarou ele enquanto a abraçava. Elinorsentia as fortes batidas do coração dele contra o seu próprio peito e teve que se esforçar para conter as lágrimas de emoção que começavam a brotar nos olhos.

Elinor espalhou beijos carinhosos sobre um dos ombros largos e bronzeados de Jasim, ao mesmo tempo em que guerreava interiormente contra a onda de embaraço que ameaçava derrubá-la mais uma vez.

– Eu preciso voltar para o meu quarto – murmurou ela, poucos minutosdepois.

Jasim a abraçou com ainda mais força. Ele tinha toda a intenção de satisfazer completamente o seu desejo por ela.

– Esta noite você é minha e ficará aqui comigo – declarou ele em umtom rouco. E ela era sua agora, Jasim refletiu triunfante, sentindo o corpo começar a despertar novamente. Contudo, uma noite roubada era tudo o que ele ousaria conquistar debaixo do teto que também abrigava a sua sobrinha. Qualquer coisa a mais seria um insulto.

ELINOR ACORDOU na manhã seguinte com a luz do sol entrando através das cortinas e iluminando o magnífico quarto. Naquele primeiro instante de consciência após uma noite agitada, ela refletiu com espanto sobre o que havia feito.

O que tinha acontecido com ela? Será que teria ficado completamente insana?

Mal haviam se passado 36 horas desde que eles se conheceram e ela já passara a noite na cama dele, permitindo que ele fizesse amor com ela, mais de uma vez. Na verdade, ela nem mesmo tinha certeza de que seria capaz de andar se levantasse da cama, uma vez que Jasim tinha se mostrado um amante muito exigente e insaciável.

Elinor permaneceu deitada, admirando os bonitos traços daquele rosto másculo, iluminados pelos raios de sol da manhã. Ele era lindo e ainda conseguia roubar-lhe o fôlego, e isso a assustava, porque Elinor nunca acreditara em amor à primeira vista.

Porém, o que mais ela poderia ter feito com as poderosas emoções que a dominaram? Jasim não saíra da mente dela nem por um segundo. Na cama, ele provara ser a realização dos seus sonhos. No entanto, ela mal o conhecia e certamente ele pensaria o pior dela depois da facilidade com que ela se jogara em seus braços.

Satisfeito por estar sendo o foco da admiração de Elinor, Jasim se perguntava se ousaria fazer amor com ela mais uma vez. Contudo, os criados deveriam estar acordados e, por sua experiência, ele sabia que, se fizesse isso, um boato se espalharia rapidamente entre os funcionários e um escândalo atingiria o palácio real em questão de minutos. Seu plano havia se cumprido e tinha sido executado em tempo recorde, ele pensou, sentindo uma cruel satisfação. Agora, seu irmão não iria cobiçá-la novamente.

Jasim sentou-se na cama e, ao afastar o edredom, avistou a mancha de sangue que ficara impregnada no lençol de linho branco.

– Bom dia – sussurrou ela.

Diferentemente de Sophia, Elinor era uma virgem, Jasim refletiu chocado. Uma virgem: um caso raro para uma jovem de 21 anos que vive em um mundo onde o sexo casual é tão comum. Jasim se sentiu culpado; ele jamais escolheria seduzir uma virgem. Mas, mesmo que soubesse disso antes, será que ele a deixaria intacta, sabendo que Murad poderia considerar essa pureza como uma tentação irresistível? Jasim agora teria conseguido acabar com a possibilidade de um relacionamento que poderia induzir o irmão a deixar Yaminah e trocá-la por Elinor para ser sua segunda esposa. Apesar de todos os casos que Murad tivera fora do casamento, ele era um homem firmemente tradicional e Jasim estava convencido de que, se Elinor tivesse dormido com ele, o irmão teria proposto casamento a ela. Bem, ao menos esse desastre não poderia mais acontecer.

Alcançando-a, Jasim tomou-a em seus braços.

– Bom dia – falou ele com a voz rouca, cobrindo-lhe os seios com ambas as mãos e provocando-lhe gentilmente os mamilos intumescidos com as pontas dos dedos.

Elinor ficou tensa.

– Eu devo voltar para o meu quarto...

– Um dos criados irá trazer suas roupas e fazer as suas malas – murmurou Jasim, enquanto inclinava a cabeça e segurava um dos mamilos rijos. Só mais uma vez, ele pensava, ansioso para possuí-la novamente.

Apesar do prazer que sentia, Elinor protestou.

– Fazer as minhas malas?

Jasim desejou ter feito amor com ela antes de ter contado a notícia.

Erguendo a cabeça, ele fitou o verde dos olhos dela.

– Você não pode mais ficar em Woodrow Court.

– Do que você está falando? – indagou ela perplexa, afastando-se dele,ao mesmo tempo em que puxava o edredom com força e cobria os seios desnudos.

Jasim suspirou impaciente.

– É claro que você não poderá mais ficar aqui depois de termos divididoa mesma cama. Não seria apropriado que continuasse cuidando de minha sobrinha.

Elinor empalideceu.

– Você quer dizer que o fato de eu ter feito sexo com você é um motivopara que eu seja demitida?

– Eu não julgaria isso de maneira tão cruel.

Elinor abraçou o edredom e sentiu seus olhos arderem com as lágrimas que começavam a brotar. Ela não conseguia acreditar no que estava ouvindo.

– Então, como julgaria isso?

– Nosso relacionamento irá entrar em uma nova etapa – declarou elenum tom macio de voz. Apreensiva, Elinor mordiscou o lábio inferior.

– Que tipo de etapa?

– Quero que você se mude para Londres a fim de que possamos nos vercom mais frequência.

– Mas eu gosto de trabalhar aqui! Adoro cuidar de Zahrah.

– Sinto muito, mas isso não poderá mais continuar. Não posso conduzirum caso com você na presença da minha família.

– Porque você está envergonhado do seu envolvimento comigo! – condenou-o Elinor e, erguendo-se da cama, vestiu o robe com impaciência.

– Não, isso seria um comportamento indiscreto e inaceitável de minhaparte. Em Londres eu poderei fazer o que desejar e o que desejo é vê-la com frequência – declarou Jasim serenamente. – Não podemos simplesmente esquecer a intimidade que compartilhamos. Você deve confiar em mim. Despeça-se de Zahrah e eu a levarei comigo depois do almoço.

Com as mãos trêmulas, Elinor reuniu as peças do biquíni que estavam jogadas no chão. Ela estava chocada e profundamente confusa. Durante a noite anterior, ele havia sido o amante dos seus sonhos, mas, de repente, ele estava lhe ditando regras e fazendo exigências inegociáveis que ameaçavam destruir a sua vida.

– E se eu dissesse que não vou a lugar nenhum e que deveríamos esquecer o que aconteceu?

– Acredito que você seja muito sensata para ousar me desafiar.

Nesse instante, ela sentiu a tensão reinar no ambiente. Os olhos dele se tornaram frios e escuros. Pela primeira vez, Elinor notou a frieza de Jasim e ficou seriamente irritada.

– Eu gostaria de ter adivinhado antes no que eu estava me envolvendo –desabafou ela.

– Agora você já sabe – observou Jasim calmamente.

Elinor estava muito abalada com o que tinha acontecido. Em seu coração, ela se sentia comprometida com Jasim, mas não gostou da forma com que ele a estava tratando. Quais eram as chances de um príncipe tratála com respeito? Ou se importar realmente com ela, para além de uma parceira sexual? Elinor percebeu que tinha entrado em um jogo do qual não teve conhecimento, e agora era tarde para voltar atrás e argumentar sobre as regras. Assim que obtivesse uma referência, ela poderia conseguir rapidamente outro emprego em Londres. Seja lá como for, a questão era que ela já havia arruinado o seu emprego em Woodrow Court.

Elinor voltou para o seu quarto e, enquanto tomava banho, as lágrimas rolavam desenfreadas, ao mesmo tempo em que ela se perguntava se teria cometido o maior erro da sua vida quando se entregou para Jasim. Ele estava virando o seu mundo de cabeça para baixo, mas ela ainda não estava preparada para desistir da esperança de um futuro melhor depois de sua partida. Logo que terminou de se vestir, ela procurou por Zahrah e contou à pequena garota que teria que partir para ver a sua família. Ela detestou ter que mentir, e Zahrah ficou em prantos até a criada vir buscá-la para o café da manhã.

Elinor sabia que a pequenina ficaria bem sem ela. Zahrah seria muito bem cuidada pela criada que estivera com ela desde o dia em que nascera.

Elinor subiu as escadas e terminou de arrumar as malas. Um criado bateu à porta do quarto a fim de apanhar as bagagens. Ao meio-dia, Jasim telefonou.

– Vejo você em Londres – avisou ele.

Ao entrar no carro que a aguardava em frente à casa, Elinor se admirou por não ter perguntado exatamente sobre o local para onde estaria sendo levada.

No meio da tarde, o motorista a acompanhou até o elevador do luxuoso edifício. Ele não falava uma palavra em inglês, então ela não podia questioná-lo e, assim que foi apresentada ao flat, Elinor se perguntou se esse seria o apartamento em que Jasim ficava quando estava na cidade. Será que ela estaria se mudando para o apartamento dele?

Elinor se lembrou de que possuía uma generosa conta bancária e estava longe de ser impotente quando se tratava de cuidar dos seus próprios interesses. Mas, ainda assim, as mudanças repentinas lhe custaram caro; ela sempre fora cautelosa, e, no entanto, a forte atração que sentiu por Jasim fez com que ela perdesse o autocontrole.

Uma hora depois, Jasim entrou no apartamento. Ele a puxou contra os seus braços e a beijou como se estivesse querendo lembrá-la do poder que conseguia exercer sobre ela. Elinor ficou corada e sentiu um frio percorrerlhe a base da espinha. Tudo ficaria bem, ela prometeu a si mesma enquanto fitava os bonitos traços daquele rosto másculo. Ela apenas precisaria dar a eles um pouco de tempo e espaço.

– Esta noite eu pegarei um voo para Nova York, onde ficarei duas semanas – informou Jasim. – É por isso que eu pedi que o motorista a deixasse aqui. Esse apartamento é meu, e você ficará confortável enquanto eu estiver no exterior.

– Posso arcar com a minha acomodação, embora eu talvez nem precisepor muito tempo. A maioria dos empregos de babá oferecem um quarto e, se você puder me conceder uma referência, eu já estarei trabalhando quando você voltar de Nova York...

Jasim a estudou com admiração. Incapaz de acreditar que ela estivesse desejando seriamente ser autossuficiente, ele soltou um riso de escárnio.

– Não há necessidade de você procurar outro emprego. Babás costumamtrabalhar por muitas horas... Como eu poderia vê-la? Será que não entende o que estou lhe oferecendo?

Elinor ficou pálida.

– Não, eu devo ser incrivelmente estúpida porque eu ainda não descobrio que você está me oferecendo...

Jasim deu um passo à frente e afagou uma mecha do cabelo sedoso dela.

– Naturalmente, eu quero cuidar de você...

– Não, obrigada. – Elinor forçou um sorriso e desejou mentalmente queele não a depreciasse com algum tipo de proposta indecente. – O único homem que irá cuidar de mim com o meu consentimento será o meu marido. Estou disposta a esperar por sua volta, mas não serei sua. Sou uma mulher muito independente e o que eu concedo é voluntariamente.

Jasim franziu as sobrancelhas.

– Você faz tudo parecer tão sério.

– O que aconteceu entre nós na noite passada proporcionou um verdadeiro caos na minha vida – confessou ela, enquanto repousava uma das mãos sobre a lapela do paletó que ele vestia. – Ficarei aqui por enquanto, mesmo porque no momento não tenho para onde ir, mas preciso voltar à realidade e será bom se você ficar afastado um tempo.

Jasim apanhou a carteira e retirou um cartão.

– Meu número particular.

Antes de fechar a carteira, o polegar dele roçou a embalagem de um preservativo e ele sentiu o sangue congelar nas veias. Jasim se deu conta de que em seu entusiasmo na noite anterior ele havia negligenciado o uso de preservativos com Elinor. Levando uma das mãos à testa, ele se perguntava como poderia ter sido tão negligente. Embora Jasim normalmente fosse cuidadoso, haviam feito sexo sem proteção diversas vezes durante a noite anterior. E se ela tivesse engravidado? Jasim se lembrou de que, de acordo com Murad, uma mulher não engravida tão facilmente. Certamente, Yaminah havia sido muito desventurada nessa questão. Jasim decidiu que deveria esperar pelo melhor. Ainda assim, ele sabia que uma gravidez indesejável seria uma avalanche em sua vida, exterminando a sua liberdade e deixando-o sufocado.

UM DIA depois da despedida de Jasim, Elinor assinou calmamente um contrato com uma agência para trabalhar como babá de emergência. Permanecer apenas alguns dias em cada residência era surpreendentemente agradável e a manteve ocupada demais para pensar. Ela sabia que não iria gostar desse tipo de mudança a todo instante, mas, por enquanto, essa liberdade parecia ser o que ela mais estava precisando.

Toda noite, Elinor retornava para o conforto do luxuoso apartamento e adormecia minutos depois de ter se deitado na cama.

Jasim telefonava para ela quase todos os dias. As conversas eram curiosamente impessoais e insatisfatórias, apenas fazendo com que ela se sentisse ainda mais insegura. As únicas informações que Jasim lhe dava sobre ele eram superficiais. Ele nunca mencionava sobre o futuro, ou que estivesse sentindo a falta dela.

Seu período menstrual deveria ter começado no fim daquela primeira semana e, quando isso não aconteceu, Elinor tentou não se preocupar.

Ela começou a achar que tinha sido muito tola quando se lembrou de que Jasim não tomara precauções naquela noite em Woodrow Court. Será que teria entendido que ela estaria tomando anticoncepcionais, como fazem muitas mulheres? Como ela pôde ter sido tão estúpida? Quando sentiu que não iria mais suportar essa espera angustiante, Elinor comprou um teste de gravidez. O teste garantia proporcionar um resultado acurado dentro de alguns dias de um funcionamento irregular do ciclo menstrual, então ela resolveu fazê-lo de imediato.

O resultado positivo a deixou em choque. De alguma forma, ela não acreditava realmente que pudesse ter engravidado. Agora, Elinor soube que estivera errada. Ela esperava um bebê! Em apenas uma noite de amor selvagem, Jasim havia conseguido engravidá-la.

No final daquela mesma tarde, Elinor recebeu uma visita inesperada. O interfone tocou e, quando ela atendeu, ouviu a voz do príncipe Murad. Elinor estava alarmada pela chegada dele e não teria nada que pudesse fazer para evitar a humilhação de ter que atender a porta e lidar com o seu expatrão.

– Posso entrar para conversarmos? – indagou ele educadamente.

– É claro. – Na elegante sala de estar, Elinor fitava o homem com nervosismo. – O senhor deve estar se perguntando por que eu deixei a propriedade de Woodrow tão de repente...

– Elinor... deixe-me ser franco. Eu sei que esse edifício pertence ao meuirmão. – Sua expressão demonstrava seriedade e preocupação. – Eu sinto muito por você ter deixado o seu emprego e preferia que tivesse sido por qualquer outro motivo, exceto esse. Eu tenho um grande carinho por sua mãe e me sinto responsável por você. Elinor, você optou por dar o passo mais imprudente que poderia ter dado em sua vida.

Ela ficou tensa e enrubesceu.

– Sei que o senhor quer o meu bem, mas sou adulta e estou aqui porminha própria vontade, Alteza.

– Jasim já teve muitas mulheres em sua vida, Elinor. Ele não amou nenhuma delas, e não irá se casar com qualquer mulher que já tenha morado com ele.

Elinor mordiscou o lábio inferior com nervosismo. Confrontada pela cruel honestidade, ela se sentia como se o seu coração estivesse se partindo em milhões de pedacinhos.

– Não estou procurando um casamento...

– Mas você merece algo melhor do que esse acordo barato – falou Murad com severidade. E, dando um suspiro, prosseguiu: – Eu amava e respeitava a sua mãe. Eu nunca exigiria que ela fosse minha amante. Esse não é o futuro que você deseja, certo?

Embora ainda fosse cedo naquela noite, assim que Murad deixou o apartamento, Elinor rumou para o quarto e, após se deitar na cama, debulhou-se em lágrimas. Ainda que tivesse ficado aborrecida com as palavras do príncipe Murad, ela sabia que não estaria preparada para ser amante de Jasim! A gravidez iria mudar tudo, pensou com melancolia. Quando Jasim a levara para a cama com um desejo insaciável, conceber um filho com ela certamente teria sido a última coisa que passara na mente dele. Como ele iria reagir quando soubesse de sua gravidez?, Elinor se perguntava, aflita.

Jasim tinha retornado de Nova York um dia antes. Avisado por sua equipe de seguranças de que seu irmão havia visitado Elinor, chegou ao apartamento algumas horas depois. O fato de Murad tê-la procurado confirmava as suas suspeitas quanto à natureza do relacionamento deles, e Jasim ficou furioso e cheio de desconfiança. Seu irmão nunca havia interferido antes em sua vida particular! Que tipo de poder Elinor exercia sobre Murad para que ele sentisse a necessidade de ir até Londres especificamente para confrontá-la?

– Jasim... – Elinor sentou-se na cama, assustada ao ver a lâmpada doabajur ser acesa. – Eu não imaginava que você fosse voltar esta noite!

Vestindo um terno cinza que se adaptava perfeitamente ao corpo másculo e poderoso, ele estava simplesmente espetacular. Jasim observava a cama desarrumada, questionando-se por que ela estaria ali se ainda eram 20h e perguntando-se se o seu próprio irmão teria dividido a cama com ela. As pálpebras inchadas de Elinor denunciavam que ela estivera aborrecida e chorando. Uma onda violenta de fúria e aversão o dominou.

– É óbvio que...

– O que quer dizer com isso? – indagou ela, confusa.

– Você dormiu com meu irmão?

Elinor arregalou os olhos, chocada ao ouvir a pergunta.

– Eu não acredito que esteja me perguntando uma coisa tão terrível...

– Mas é uma coisa ainda mais terrível para se suspeitar – devolveu Jasim com zombaria e, aproximando-se da cama, agarrou-a por um dos braços e forçou-a a se levantar para que ela pudesse encará-lo. – Respondame.

– Por quê? Você e seu irmão têm o hábito de dividir mulheres? – indagou Elinor com a voz embargada. – Eu dormi com você, mas isso não lhe dá o direito de achar que sou uma mulher vulgar que ficaria feliz em dormir com o seu irmão também! – Profundamente magoada pela falta de confiança dele, Elinor o fitou com censura. – Como soube que o seu irmão me visitou?

– Minha equipe de seguranças está atenta ao que se passa nesse apartamento.

Elinor assentiu com gesto de cabeça e, em seguida, se dirigiu ao armário.

– Vou me trocar. Nós precisamos conversar – avisou ela.

Tensa e constrangida na presença dele, Elinor rumou para o toalete e vestiu um jeans e uma camiseta que havia escolhido na pressa. Ela desejou que tivesse sido avisada de que ele retornaria antes, para que pudesse ter a chance de se vestir adequadamente. Quando fitou o próprio reflexo no espelho, ela deu um gemido de frustração, notando o rímel manchado pelas lágrimas derramadas e a palidez de cansaço estampada em seu rosto.

Assim que ela retornou ao quarto, Jasim se encontrava de costas, fitando a paisagem através da enorme janela. Ao se virar para encará-la, ele indagou em um tom severo de voz:

– O que o meu irmão queria com você?

Elinor sentiu as faces se aquecerem e desejou ter sido mais franca com Jasim sobre a relação de sua falecida mãe com o príncipe Murad. Porém, em seu primeiro dia de trabalho em Woodrow Court, ele a havia feito prometer que ela jamais revelaria a história a alguém, pois temia que a verdade pudesse ser mal interpretada, causando-lhes embaraço. Desde que sua amiga Louise fizera insinuações sobre o mesmo assunto, Elinor decidira que o príncipe Murad havia sido mais astuto do que ela em prever o que os outros pudessem pensar da história, e ela não tinha intenção de ser igualmente franca com mais ninguém.

– O príncipe achou que eu estava cometendo um erro ao deixar o meuemprego e me envolver com você. Ele disse que se sente responsável por mim.

Jasim sentiu o corpo ficar tenso. Bem, certamente ela estava lhe contando uma grande mentira! Murad havia ficado suficientemente furioso para viajar até Londres e questioná-la sobre as atuais circunstâncias. Dirigindo o olhar para ela, Jasim estudou o rosto delicado e os cabelos sedosos e brilhantes. Como ele pôde ter falhado em ignorar o fato óbvio de que uma mulher tão bela pudesse ter o poder de colocar irmão contra irmão? Mas agora era tarde para reparar esse erro. Não era? Jasim se sentia insultado por Murad ter ousado se aproximar dela, cruzando fronteiras que ele esperava que fossem respeitadas. Ela era dele agora.

Elinor sentou-se na poltrona e ergueu os olhos para encará-lo.

– Eu tenho que lhe contar uma coisa. – E, dando um profundo respiro,ela declarou sem rodeios: – Estou grávida.

Jasim ficou imóvel. No minuto em que ouviu a notícia, ele soube que a sua vida sairia do controle.

– É minha culpa – reconheceu ele. – Quando passamos aquela noite juntos, eu não usei proteção. Eu mereço pagar o preço por isso – finalizou ele com um tom amargo de voz.

– O preço? Não existe preço...

– Você está errada. Ou pagamos o preço, ou o nosso filho pagará. Sevocê der a luz a um menino, ele será um herdeiro do trono de Quaram, mas ele só poderá assumir essa posição se casarmos e ele nascer dentro do casamento. Se isso não acontecer, minha família jamais o reconhecerá.

– Um herdeiro do trono... ele seria... honestamente? – exclamou Elinorcom espanto. – Casar?

– Não acho que temos escolha. Assim que você tiver a gravidez confirmada por um médico, eu terei que me casar com você. Recuso-me a envergonhar a minha família com um escândalo.

Elinor percebeu que as decisões dele eram baseadas em uma série de parâmetros diferentes dos dela, mas ela estava impressionada com a disposição de Jasim em ficar ao lado do filho e zelar pelo futuro dele.

– Eu poderia ter uma menina.

– Ela também terá a herança negada se não nascer dentro do casamento.O nascimento de uma criança ilegítima ainda é um assunto muito sério em minha província.

– Você está preparado para se casar comigo a fim de impedir que issoaconteça?

– Estou. A questão mais importante aqui não é garantir o futuro do nossofilho?

– Mas nós mal nos conhecemos. – Ela ergueu os olhos para ele, sentindo-se embaraçada. – Sou apenas uma babá... e você é um príncipe.

– Nosso filho não irá se importar com quem somos. O importante é queele seja amado – respondeu ele.

Elinor ficou comovida ao ouvir a declaração. Jasim era responsável e seria um bom pai; ele já estava se preocupando com um bom futuro para o filho deles. Está certo que ela podia ver que ele não estava exatamente celebrando a expectativa de se casar com ela, mas ele também não estava pensando em abandoná-la e deixar que ela lidasse sozinha com a gravidez.

– Você acha que conseguiremos ter um bom casamento? – murmurouElinor.

– Estou disposto a fazer o esforço. – O brilho dourado dos olhos delerepousou sobre os lábios de Elinor e depois para os seios fartos e sensuais, provocando rubor. – Eu a considero muito atraente. Isso é um ótimo fundamento.

Elinor sabia que, com um pequeno encorajamento, ele a ergueria em seus braços e a levaria para a cama a fim de saciar o seu desejo. Ela sentia os mamilos enrijecidos pressionarem o tecido do sutiã e uma dor familiar começou a despertar a região mais íntima de seu corpo. Mas se sentia muito vulnerável para se entregar a Jasim. Elinor queria ser mais do que apenas a mulher que satisfizesse as necessidades sexuais dele. Mas, ainda assim, estava preparada para se casar com ele da forma prática e fria que havia descrito. Se ele estava pronto para lhe dar total apoio, ela estava disposta a fazer o que fosse para assegurar um futuro seguro e feliz para o seu bebê.

– Está certo, eu me casarei com você – declarou ela rispidamente.

Jasim quase deu risada com a ideia de que pudesse precisar daquela confirmação. É claro que ela se casaria com ele e agarraria a chance de ter uma vida luxuosa pelo resto de seus dias! Em momento algum, ele duvidara desse fato.

– Eu vou cuidar disso. Por favor, não divida os nossos planos com ninguém por enquanto. Precisamos manter isso em segredo, se quisermos nos livrar dos tabloides. – E, dizendo isso, ele rumou para a porta do quarto.

Jasim estava chocado e furioso ao mesmo tempo. Ele sabia que estava lidando com uma jovem desonesta e mercenária que estivera disposta a seduzir um homem casado. No entanto, ainda que tivesse consciência disso, ele também tinha caído na armadilha sexual dela, e ainda havia a culpa induzida de ter recebido o presente de sua virgindade. Elinor Tempest tinha simplesmente vendido o seu corpo para o licitante mais alto, e o seu pagamento prometia ser enorme.

O casamento com um membro da família Rais iria recompensá-la com uma riqueza imensa, e essa verdade o enfurecia.

Exibindo incerteza no brilho dos olhos verdes, Elinor quis saber:

– Você vai embora?

– Tenho trabalho a fazer – falou ele, lançando um olhar frio para ela. –Entrarei em contato.

NO DIA do casamento, Elinor estava totalmente indecisa.

Ela mal havia visto Jasim desde o dia em que contara a ele que estava grávida.

Jasim a havia acompanhado pessoalmente ao consultório de um ginecologista, que havia confirmado a gravidez dela. Desde então, apesar de Elinor ter desistido do emprego temporário, Jasim não visitara o apartamento novamente, nem a acompanhara a lugar algum; eles só se comunicavam por telefone. De todas as maneiras possíveis, ele havia se distanciado dela.

Ela havia se apaixonado loucamente por um homem que não correspondia aos seus sentimentos, Elinor pensou com melancolia. Será que ele nunca a amaria? Ou será que o fato de ele ter que se casar com ela pelo bem da criança significava que jamais poderia inspirá-lo a sentir qualquer coisa por ela? Essas eram as questões cujas respostas Elinor se esforçava para encontrar, enquanto se preparava para o que uma vez pensara que pudesse ser o dia mais feliz da sua vida.

Sentindo-se muito insegura para comprar o vestido de noiva branco dos seus sonhos e prová-lo, Elinor arrumou-se com um terninho rendado na cor creme, composto por um casaco e saia levemente abaixo dos joelhos. Nenhum dos enfeites que a maioria das mulheres desejava nesse dia parecia ser apropriado. Jasim mandou um carro para apanhá-la e Elinor foi conduzida até o cartório onde seria realizada a cerimônia civil.

A atenção dela se voltou diretamente para Jasim, vestido com um terno escuro, combinando com a gravata de seda dourada; a expressão do rosto másculo exibia preocupação e seriedade. Elinor sentiu o estômago se revirar, notando que o seu noivo parecia mais estar indo a um funeral do que a um casamento. Dê a ele a opção de ir embora, uma voz interior a alertava.

– Posso falar com você em particular? – indagou Elinor com nervosismo.

Jasim destacou-se da companhia dos dois assessores e se aproximou dela.

– O que foi? Não temos muito tempo.

– Você não é obrigado a fazer isso. Se não quer se casar comigo, apenasvá embora. Não vou impedir que você veja o bebê – sussurrou ela. – Apenas não se case comigo porque se sente obrigado, pois isso só irá trazer infelicidade a nós dois.

– Nós temos um futuro junto ao nosso filho. Eu não posso abandonarnenhum de vocês dois.

– Mas eu não quero um marido nobre, um herói altruísta – declarouElinor, apesar de ele ter virado o rosto para o outro lado.

Jasim alcançou-lhe uma das mãos e conduziu-a de volta para o lugar onde o escrivão estava situado.

– Não temos tempo para besteiras.

A cerimônia foi rápida. Usando uma linda aliança, Elinor entrou na limusine que os levou de volta às ruas barulhentas da cidade até chegarem a uma enorme residência georgiana, com um exuberante jardim.

Jasim, durante o trajeto inteiro, foi falando ao celular, o que o salvou do desafio de ter que conversar com ela, Elinor reconheceu amargamente.

Eu cometi um erro, ela admitiu em pensamento. Eu cometi um erro terrível ao me casar com ele e agora é muito tarde para fazer qualquer coisa a respeito!

– Nós vamos almoçar agora – murmurou Jasim, conduzindo-a para ointerior da casa. – Por que está tão calada?

Elinor quase perdeu a calma, quase disse a ele que a cerimônia tinha sido horrível e que ela havia lhe dado a oportunidade de desistir do casamento, e, uma vez que ele não agarrou a chance, o mínimo que poderia ter feito seria ter se esforçado para assegurar que tivesse sido uma ocasião agradável! Porém, estando ciente de que os seguranças e a governanta os assistiam, ela preferiu conter sua fúria.

– Acho que estou apenas cansada.

– Você deveria se deitar por uma hora. – Jasim chamou a governanta eElinor foi escoltada até um elegante quarto.

Ao sentir as lágrimas de indignação brotando nos olhos verdes devido à facilidade com que ele a dispensara, Elinor logo decidiu que deveria descer e dizer a Jasim exatamente o que ela pensava do casamento que ele a forçara a aceitar. Afinal, se ele não soubesse o que ela sentia, como poderia melhorar a situação? Mas e se ele não se importasse com isso nem tentasse melhorar as coisas? Esse era o seu pior medo.

Da janela do quarto, Elinor vislumbrou uma limusine estacionar em frente à casa. Ela franziu as sobrancelhas quando avistou Yaminah, já que nenhum membro da família real havia comparecido à cerimônia de casamento. Saindo do quarto, Elinor rumou para a escadaria.

Antes de alcançar o hall, ela ouviu Yaminah aos berros.

– Sinto-me culpada por você ter se envolvido com a garota... Afinal, eulhe implorei para que mostrasse interesse por ela a fim de que ela perdesse o interesse pelo meu marido! – gritou a mulher fervorosamente. – Agora eu arruinei a sua vida! Não posso acreditar no que fez. Você nem pediu a permissão do seu pai para se casar com ela!

– O rei jamais me concederia essa permissão... – observou Jasim.

– Então não é tarde para voltar atrás. O casamento pode ser anulado! –exclamou Yaminah. – Não importa se ela está grávida, isso pode ser omitido. Dê dinheiro a ela, faça qualquer coisa, mas não sacrifique a sua felicidade com esse casamento ridículo!

Ao ouvir o diálogo revelador, Elinor sentiu como se o seu coração estivesse sendo arrancado de dentro do peito. O suor escorria por sua testa e ela apressou-se em rumar ao toalete da suíte, sentindo-se terrivelmente enjoada. De uma só vez, Elinor se deu conta de que tinha sido uma completa idiota em não questionar o motivo de um príncipe espetacularmente lindo começar a demonstrar interesse por ela.

A esposa de Murad havia temido que o seu marido estivesse correndo o risco de ser desviado pela babá e persuadiu o príncipe Jasim a apresentar-se como uma alternativa.

Meu Deus, realmente eles temiam que ela pudesse ter um caso com um homem casado e bem mais velho? Jasim tinha sido um sucesso arrasador quando tratou de seduzi-la e muito viril para o seu próprio bem, Elinor reconheceu dolorosamente. Não era de admirar que a complicação de uma gravidez o tivesse golpeado! Jasim nunca a quisera de verdade, quanto mais se casar com ela.

Elinor abriu a torneira e, com as mãos trêmulas, refrescou o rosto. Ela faria um último favor a Jasim: pelo bem de ambos, ela deveria abandoná-lo. Elinor não poderia sonhar em ter um bom futuro ao lado de um homem que não a amava. Desde o início, o relacionamento deles havia sido uma grande mentira, uma armadilha para atraí-la e capturá-la. Ela fora uma tola em acreditar que ele pudesse considerá-la irresistível... E agora tudo o que lhe restava era a profunda dor da humilhação. Quanta tolice e ingenuidade!, Elinor se repreendia em pensamento.

Remexendo nas malas, ela apanhou joias, documentos importantes e alguns itens necessários para mantê-la vestida até que tivesse tempo de ir às compras. Ela não se importava em abandonar o restante... Aliás, tudo o que ela queria era sumir dali o mais rápido possível.

Elinor reuniu tudo o que precisava dentro de uma bolsa e vestiu uma roupa mais prática, um jeans e uma blusa. Em seguida, ela arrancou a aliança do dedo e repousou-a sobre o pequeno móvel ao lado da cama. No mesmo instante, ela se sentiu melhor. Jasim era um homem lindo, rico e poderoso, mas ele a havia manipulado de maneira cruel, e ela jamais se esqueceria disso.

Como ela tinha sido imatura em entregar sua confiança tão facilmente!

Ela não precisava dele enquanto poderia depender de si mesma. Elinor possuía disposição para trabalhar e uma boa conta bancária. Ela e o seu bebê poderiam viver perfeitamente bem sem ele.

Ainda assim, lágrimas desciam por seu rosto, enquanto ela caminhava pelo hall e escapava silenciosamente pela porta da frente. Elinor caminhou a passos largos pela rua e não olhou para trás em nenhum momento. Ela já estava fazendo planos para se assegurar de que, ainda que Jasim a procurasse, seria muito difícil encontrá-la novamente.

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