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HOMEM DE AÇO - Parte 2

HOMEM DE AÇO - Parte 2

Autor:: Liliene Mira
Gênero: Romance
PARA ENTENDER MELHOR A ESTÓRIA, É IMPORTANTE LER A 1 PARTE DO LIVRO! Quando o Ministro Volkova conheceu Elisa naquela "boate", ele não imaginava que a sua vida mudaria por completo, conhecer o amor depois de tanto tempo solitário, parecia até um sonho para o temido "HOMEM DE AÇO". Elisa, por sua vez, também teve a sua vida mudada, conheceu o amor, quando nunca havia esperado sentir em algum momento. Duas pessoas totalmente diferentes, mas por algum motivo o destino fez os seus caminhos se cruzarem. Mas nem tudo são flores para Dmitri e Elisa! Há um inimigo insatisfeito com a felicidade deles e fará de tudo para destruí-los. Ação, luxúria, drama, paixão, amor e ternura se encontram na continuação dessa instigante estória. Ele está disposto a fazer tudo para proteger a mulher que ama, coitado de seus inimigos ao cruzarem o seu caminho. "A guerra foi declarada e o HOMEM DE AÇO não tem pretensão em perder."

Capítulo 1 Prólogo

"Quem não vale nada, nunca acreditará que você vale algo, que seja importante para alguém, ou que tenha um propósito a cumprir em sua vida." Isso nunca esteve tão claro para mim como agora.

Aquele maldito, eu o odeio com todas as minhas forças! Penso com raiva pressionando a minha têmpora, e na mesma da hora é como se eu escutasse a voz de minha mãe em minha mente falando.

- Busque sempre o amor ao invés do ódio, Syn, a paz não se consegue sem ele, o amor é a coluna e o respeito é a base.

- Mãe, será que você ainda pensaria dessa forma se estivesse na mesma situação que a minha? - Questionei-me em voz alta, desejando imensamente que ela e tia Jamila estivessem ao meu lado, me aconselhando a fazer o certo.

O ser humano é "triste", sempre está insatisfeito com algo. Na maior parte do tempo, sua insatisfação é com ele mesmo, mas culpa o outro, porque é mais fácil. Com esse desgraçado que machucou a minha Elisa não é diferente.

Volto a pressionar a minha têmpora, que não parava de latejar desde a conversa com aquele homem. Eu já havia tomado dois comprimidos e nada. Mentalmente eu me sentia exausto, mas o meu corpo parecia pedir por liberação de energia. Eu necessitava socar a cara de alguém, mas não podia, o calmante que deram em Elisa é muito forte, ela ainda não acordou e eu preciso vê se ela realmente estava bem.

E se eu não puder proteger a Elisa? Se aquele homem estiver certo em dizer que não consigo proteger quem eu amo? Odeio essa minha insegurança!

- Que porra! __ Exclamei baixo batendo com o punho fechado no braço da poltrona preta que coloquei enfrente a cama. Estou a mais de duas horas a observando dormir. Necessito saber se ela está bem!

E se ela enfim chegou à conclusão de que sou ruim para ela? Suspiro ao levantar da poltrona.

Esses questionamentos não me ajudam em nada, a não ser, me desestabilizar mais ainda.

Caminho em direção ao aparador e adega em formato retangular. Fico olhando as bebidas em evidências, tentando escolher qual seria a mais forte para me fazer esquecer. Eu tinha cinco opções de vinho, umas três garrafas de conhaques e umas quinze garrafas de uísque.

Sorri ao me lembrar da cara que Elisa fez ao ver meu aparador de bebidas. Ela não gostou, mas ainda assim me surpreendeu, ao dizer que não me pediria para tirar se é algo que eu gosto.

Diferente de minha ex e falecida mulher, Lara. Tudo em mim a irritava, principalmente minhas bebidas.

Lara?

Faz muito tempo que não pensava nela. Esse nome nem combinava com ela, de muda ela não tinha era nada, tudo Lara reclamava. Suspiro a contra gosto, não querendo falar ou pensar mal de alguém que já morreu.

Por um tempo, cheguei a odiar Lara, mas sabia que esse sentimento era inadequado senti pela mãe de minha filha.

Minha pequena Vânia.

Pressiono minhas duas mãos no aparador até ficarem brancos. Eu queria bloquear essas lembranças dolorosas, as reprimir por tanto tempo que parecia que esqueci.

Quero esquecer, pois, lembrar traz dor ao meu peito e sinto ódio de mim por não estar presente quando a minha menininha precisou de minha ajuda... Assim com Elisa.

Preciso bater em algo, estou com tanta raiva que nem me reconheço. Meu corpo tremeu devido à frustração que eu estava sentido, mas controlando.

- Aquele desgraçado, fez questão de esfregar meus fracassos em minha cara. MALDITO! - Bradei, pressionando meus dentes a ponto de rangerem.

Opto em escolher um uísque Johnnie Walker Double Black, o meu preferido, ele tem alguns aromas especiais, trufados, um sabor defumado e envelhecido, é bem mais encorpado e intenso que o Red Label, Green Label e até mesmo o Black Label.

Gosto da sensação que a bebida me proporciona, é como um anestésico temporário.

Pego um dos copos On the "rocks" disponível no aparador e sirvo uma generosa dose da bebida destilada. Volto a caminhar, mas dessa vez em direção a grande janela que ficava próximo ao aparador.

Abro as janelas, deixando o vento seco e quente entrar, respiro fundo sentido o ar do outono invadir as minhas narinas, lembrando-me que logo o inverno chegará.

Agito a bebida de modo a molhar todo o interior do copo com o líquido, em seguida, o deixei repousar por alguns segundos, antes de levar o copo até a boca e beber todo o líquido de uma só vez. O líquido desceu queimando em minha garganta, sem nem mesmo dá tempo de apreciá-lo do jeito que eu gosto.

O efeito que a bebida me deu não foi nada positivo, a melancolia e a raiva só fez aumentar, me induzindo a beber mais até sentir o efeito desejado, mas ignoro essa minha vontade e repouso o copo no batente da janela.

- Ministro?

Como sentir falta de sua voz minha deusa. Penso ao me virar em direção a Elisa, que ainda estava deitada com o olhar desorientado.

- Como você está se sentindo? - Perguntei aproximando-me da cama em passos rápidos, mas não conseguindo tocá-la.

Não ainda!

- Uma ardência no braço e muito sono.

- Ainda com sono? O sedativo que te deram é forte, acredito que o sono seja por isso. - Digo não escondendo meu descontentamento.

- Estou bem! - Ela afirmou com um fraco sorriso.

Eu queria me aproximar dela, abraçá-la, beijar a sua boca, mas eu não conseguia, de alguma forma, as minhas pernas não obedeciam a minha vontade.

- E como está o Alek? - Ela perguntou com preocupação, me olhando temorosa.

Certamente pensando o pior.

- Ele está bem, os tiros pararam no colete que ele usava. - Expliquei.

- Mas, e aquele sangue todo? - Ela faz menção de levantar, contudo, eu não deixo.

__ Não levante, por favor. __ Peço nervoso.

A última coisa que quero é ficar excitado em sua frente ao vê-la usando apenas uma camisola preta de cetim que a deixava "sexy" e gostosa ao mesmo tempo.

Ela tornou a deitar e me olhou com entristecida.

- O sangue era seu, o tiro foi de raspão, mas o corte foi profundo o suficiente para ter uma quantidade significativa de sangue.

- Hum! Entendi! - Ela respondeu séria.

- Você está realmente bem? - Volto a perguntar. - Posso chamar o médico outra vez. - Completei sentando na ponta da cama. Estendo a minha mão para tocar na sua, mas ela recua.

- Eu já disse que estou bem, ministro, mas o que me parece é que você não está...

- Como assim? Estou bem!

- Ministro, não venha com a síndrome da jumentice para o meu lado.

__ Síndrome de quê? Eu só acho...

- Não quero saber o que você acha. - Diz zangada. - Algumas pessoas quando empaca em algo, em alguma ideia é muito difícil removê-las delas.

O que ela está falando? Pergunto-me confuso.

- Posso ser inexperiente, quando se trata de namoro, mas sou capaz perceber, ministro.

- Perceber o quê, minha deusa?

- Você está com aquela cara de que quer me dá um "chute na bunda." - Faz aspa com os dedos. - Então, se você estiver com essa ideia de terminar comigo, tire isso dá sua cabeça, a menos que você não me queira mais... - Finalizou deixando as suas palavras suspensa no ar.

Ouvir as suas palavras ditas de forma tão frias, foi como receber uma facada certeira em meu coração.

- Eu não quero te dá um chute coisa nenhuma. - Falei cauteloso. - Mas...

- Mas? Sempre tem um "Mas". - Diz voltando a fazer aspa novamente. Nunca a vi assim tão revoltada.

Chega a ser encantadora.

- Mas, acredito que talvez seja melhor nós dois darmos um tempo... Para a sua proteção. - Emendei. As palavras pareciam queimar a minha garganta, até mais que a bebida de agora a pouco.

- Hum... Talvez tenha razão, ministro. - Elisa respondeu com o olhar distante.

- Então? Se estamos em concordância, minha deusa, irei me afastar...

- É melhor você nem completar essa frase, ministro. Não sei o que está acontecendo com você, mas sugiro que o senhor desça, vá a algum lugar descarregar essa energia negativa que sinto vindo de você e só então conversaremos.

- Minha deusa, você acabou de dizer que eu tinha razão.

Essa mulher me confunde.

- Não quero saber, falei isso para você dizer que estou errada, mas você é um idiota. Saia da minha frente!

- Não sairei coisa nenhuma, temos que conversar! - Declarei ignorando o seu insulto.

- Se você não sair, quem sairá sou eu. - Avisou decidida, fazendo menção de levantar. - AI. - Gritou tocando em seu braço ferido.

Mais que porra! Isso não é hora de me aborrecer Elisa, mulher teimosa. Penso contrariado.

- Tudo bem! - Declarei após travar uma pequena batalha de olhares com ela. - Saio, mas voltarei em uma hora.

- Volte quando você raciocinar direito. - Determinou. - Se realmente acredita que vou está mais segura longe de você, farei o que me pede, vou me afastar. No entanto, se quando voltar continuar com essa decisão, mesmo sabendo que não adiantaria nada, eu vou embora e não voltarei mais. - Não deixo transparecer o quanto as suas palavras me afetaram. Faço menção de levantar, mas, ela segurou em uma de minhas mãos me impedindo. - Agora vem aqui e me dá um beijo. - Ordenou me deixando perplexo e mais confuso ainda.

- Ninguém nunca me confunde tanto como você, Elisa. - Admitir exasperado.

- Ainda espero o beijo, ministro Volko... - Engatinho por cima dela, ela fitou-me surpresa, por meu ato inesperado.

Emoldurei seu rosto com minhas duas mãos e acariciei seus lábios entre aberto. Inclinei a cabeça roçando meus lábios nos dela, em seguida o mordisquei com deliberada ousadia. Enquanto ela estava com os olhos fechados, deixei os meus abertos, guardando em minha memória todas as emoções em sua face.

O beijo aconteceu lentamente e prazeroso, nossas línguas se entrelaçaram em uma dança urgente e saudosa, parecia estarmos separados há dias e não apenas por algumas horas. Não durou muito, mas me fez recordar de nosso primeiro beijo no vestiário feminino, foi quando percebi que não a deixaria escapar de mim.

- Andou bebendo, ministro? - Ela perguntou ao final do beijo, passou as suas mãos em meus cabelos e as depositou em minha barba acariciando-a.

- Foi apenas um copo, nada de mais. - Respondi fechando os olhos para apreciar melhor o seu toque. - Senti saudades desse seu jeito mandão. - Confessei com um sorriso fraco.

- E eu sinto saudades de meu ministro, o homem focado, determinado, que não desisti tão fácil... - Ela diz quebrando o clima.

- Fácil? Nada é fácil em minha vida, Elisa. - Retruquei, me levantando.

- E pensa que na minha vida é? Minha mãe sempre me dizia: Elisa o que faz a diferença não é você ser ou ter, o que faz a diferença é as suas reações diante às pressões. Acredite quando digo: pressão foi o que não faltou na vida de minha mãe, mas ela sempre lidou bem com cada uma delas.

- E você julga que eu não estou lidando bem diante das pressões em minha vida? - A questionei com incredulidade.

- Só acredito que você esqueceu que as estacas são necessárias, mas elas são passageiras, ministro. Tudo passa algum dia. Eu bem sei disso! - Sussurrou as últimas palavras.

- Essas estacas são passageiras, mas sempre deixam suas marcas. - Rebati voltando a pensar em minha filha

- Imaginei que você fosse um homem que não se abalasse por qualquer cicatriz.

- JÁ CHEGA! VOCÊ NÃO ME CONHECE! - Gritei, perdendo a calma.

Minha filha não é qualquer cicatriz. Penso me afastando da cama.

- Eu não tolerarei que fale assim comigo outra vez. - Adverti. - Você esqueceu quem sou Elisa?

- Não! Eu não esqueci! - Respondeu com o tom magoado.

Que porra! Eu não queria perder a calma, não com ela.

- Parece que você esqueceu quem é! - Continuou a falar. - Agora me dê licença, ainda estou com sono. - Completou dando as costas para mim.

Caramba! Eu não esperava por isso. Eu nunca quis magoá-la, nunca quis isso.

E se ela tiver razão e eu realmente esqueci quem é? Será que deixei aquele homem me afetar a ponto de tirar toda a minha estabilidade?

Sair do quarto disposto a fazer o que ela me pediu. Vou à academia que fica próximo à área da piscina.

Estou mesmo precisando descarregar essa frustração. Essa energia negativa em mim. Penso entortando a boca ao lembrar as palavras de Elisa, agora a pouco.

Socarei aquele saco imaginando o estrago que farei na cara daquele maldito. Ele que se cuide, quando eu o encontrar, acabarei com ele.

O seu destino já está selado, ele só não sabe disso ainda.

Capítulo 2 Um

- Bate com força Serguei, isso com toda certeza não é um soco, você pode fazer melhor que isso. - O provoco desferindo vários socos em sua direção, ele se defende bem, mas não consegue impedir que um dos socos pegue em sua boca fazendo a mesma sangrar outra vez.

O tatame estava repleto de sangue e suor de todos os homens que lutei, Serguei é o último de meus seguranças a lutar comigo. Não mentirei meu suor também estar nesse tatame...

Mas todo o meu sangue ainda corre em minhas veias. Penso olhando divertido para Serguei que limpava o sangue de sua boca com a manga de seu Kimono, que por ser na cor preta, o sangue não ficou evidenciado.

O núcleo do tatame é feito comumente de palha de arroz compactada, pois oferece um perfeito grau de firmeza e também é muito durável, mas como a cor da palha não me atraiu, mandei tingi tudo na cor preta. Todas as coisas em minha academia são na cor preta, é algo que já faz parte de mim e não me sinto sombrio por achar essa cor atraente.

Serguei parou de se movimentar no tatame e me encarou resoluto. Assim como eu, ele estava descalço. Foi algo que ordenei a todos.

Nenhum de nós sobe no tatame calçado.

Durante toda a minha vida, aprendi a ter um sentimento de reverência ao local que eu treino. Quando você chega e reverência ao tatame, é mostrar sua humildade, independente de sua faixa, idade ou graduação. Humildade e submissão cabem em qualquer lugar. Passei isso para todos os meus seguranças, todos aqueles que decidiram treinar ou aprender comigo, o jiu-jitsu, judô, karatê ou qualquer outra arte marcial.

- Senhor, Volkova, acredito que seja melhor pararmos por hoje... - Ele iniciou com aparente desconforto em sua voz, me reverenciando, mostrando que a nossa luta chegou ao fim, antes mesmo que eu pudesse emitir uma resposta.

- Por quê? Não me diga que cansou? - Volto a provocá-lo com um rápido sorriso.

- Posso ser sincero, senhor?

- Deve! - Respondi o reverencio também.

- Para falar a verdade, eu estou exausto, o senhor me arrastou para essa luta não sei nem quanto tempo. Como não está cansado? - Faz uma careta engraçada. - O senhor Está aqui o dia todo! Já cheguei a imaginar que não é um ser humano normal. - Completou com um longo suspiro.

- Quanta sinceridade, Serguei! - Declarei divertido.

- Peço desculpa se eu...

- Não, tudo bem Serguei, você está certo, estou exigindo demais de você.

- Não, pelo contrário, acredito que o senhor está exigindo demais do senhor, eu entendo a sua frustração, mas o meu trabalho é te proteger, mesmo que seja de si mesmo, e para isso acontecer, eu devo ignorar o seu conforto. - Rebateu saindo do tatame.

Porra, nunca o vi tão Zangado, talvez eu tenha realmente passado dos limites com esse treino. Penso.

- Serguei, você me conhece, sabe que me sinto... - Não consigo completar a frase e saiu do tatame também. Meu humor voltou a ficar sombrio.

- O tempo em que trabalhamos juntos, me ensinou que o senhor é um homem acostumado a resolver seus problemas rapidamente, e não saber quem é esse homem te deixa frustrado, mas o senhor é um homem forte, eu sei e o senhor sabe que vai encontrar esse maldito, mas a senhorita Maim não é acostumada com essa vida, ela é uma mulher forte também, mas até os fortes precisam de cuidados...

- Aconteceu algo com ela? - Perguntei alarmado.

- Sua amiga foi embora hoje pela manhã e a senhorita Maim ficou o dia todo no quarto.

- Ela comeu?

- Não, a senhorita Peterson até tentou fazê-la comer algo, mas ela disse que está sem fome.

Mas uma vez eu a negligenciei, como pude fazer isso?

- Senhor Volkova, ela precisa do senhor, então vai ser preciso o senhor esquecer por um tempo toda essa história e focar em sua mulher.

- Vou até lá. - Avisei ignorando a acusação em sua voz e me sentindo culpado. - Já é noite? - Ele alcançou seu aparelho celular em uma cadeira próximo ao ringue, fitou o visor e tornou a olhar em minha direção.

- Umas 22h30 da noite.

- Vá descansar Serguei, passarei na cozinha e logo mais vou me recolher também.

- Agradeço! - Ele disse com um rápido sorriso.

- Você já sabe como funciona a segurança, basta apenas trocar os turnos e você estará totalmente dispensado.

- Obrigado, senhor! - Disse caminhando em direção à saída da academia.

- Serguei?

- Sim?

- Eu que sou grato por sua lealdade. Lealdade é algo que se conquista e me alegra ter conquistado a sua.

- Senhor Volkova, seus amigos o amam, se eu não soubesse nada do senhor, isso para mim já bastaria. O senhor é uma referência para mim e para os outros seguranças. O senhor costuma lutar mesmo que a única possibilidade a sua frente seja apenas recuar, por isso tenho muito respeito pelo senhor. - Balancei a cabeça, emocionado. Para alguém como eu e Iuri, está rodeado de pessoas de confiança é algo que prezamos muito. Serguei inclinou seu tronco me reverenciando outra vez e eu o imito. - Boa noite, homem de aço. - Diz com um sorriso aberto, algo que eu nunca vi em sua face. Fiquei tão surpreso pelo sorriso inesperado que nem consegui retribuir seu, boa noite.

Serguei seguiu o seu caminho e eu balancei a cabeça sorrindo também, só então me dou conta que ele me chamou de homem de aço e fecho a cara.

- Apelido ridículo da porra. - Esbravejei. - Como se eu tivesse força além do normal, saísse por aí voando, lançando lasers pelos olhos. - Balancei a cabeça em negativo, aproveitando para pegar meu aparelho celular que deixei em um dos armários existentes na academia.

Suspirei me sentindo cansado de repente, mas era um cansaço mental, algo totalmente novo para mim.

Após a conversa que tive com minha deusa em nosso quarto, fiz o que ela me pediu, fui à academia descarregar toda a minha frustração. Eu não precisei de muito tempo para decidir que ter Elisa longe de mim, está fora de cogitação, eu precisava de clareza e agora sei que ela não estaria mais segura longe de mim, eu a amo e darei a minha vida se for preciso para protegê-la.

Mesmo sabendo a resposta, eu ainda me sentia sobrecarregado, uma energia que me deixava nervoso, a ponto de me fazer gritar com cada soco que eu dava no saco de pancada.

Naquele dia malhei durante horas, mas a vontade de socar a cara de alguém ainda estava presente em todas as minhas terminações nervosas.

Então, tive a brilhante ideia de lutar com meus seguranças, um por um, e essa brincadeira durou uns dois dias, pois precisei descansar, para meu corpo não sucumbi à exaustão. Contudo, esse exercício deixou a minha mente ocupada e me fez negligenciar os sentimentos de minha deusa.

Não me perdoarei por isso.

- Chertov! - Vociferei olhando a tela do celular.

Noto que há algumas ligações perdidas de Andrei. Saio da academia ainda usando meu kimono que se grudava ao meu corpo devido ao suor. Preferi continuar a ficar descalço, é uma sensação maravilhosa o contato de meus pés com o chão gelado.

Pensei em não retornar as ligações de Andrei, pois me irrita a sua demora em voltar para casa, mas retornei a ligação.

Pode ser algo importante. Pensei.

Ele atendeu quando eu chegava a cozinha, coloquei o celular no viva voz, depositei na mesa e me aproximei da geladeira.

- O que você quer Andrei? - Pergunto tirando uma vasilha transparente com divisória, contendo requeijão, o queijo e o presunto.

- O que foi que fiz dessa vez, para você falar nesse tom comigo Dmitri? - Seu tom me pareceu ofendido.

Aff! Penso pegando um saco de pães fatias no armário de mantimentos que fica ao lado da geladeira, e depositando com a vasilha em cima da mesa.

- Nada! Fala logo o que você quer Andrei! - Peço paciente, tirando do armário de limpeza o pote de lenço umedecido para limpeza de ambiente. O pote parecia mais o lenço umedecido que minha falecida esposa usava em nossa filha...

Ela não, a "babá". Corrijo-me em pensamento.

Tiro um dos lenços do pote e passo no local que usarei para fazer os sanduíches que planejo convencer a minha deusa comer.

- Volkova. - A voz de Andrei me traz a realidade e eu suspiro contrariado. - A culpa não foi minha! Como eu ia adivinhar que o maldito usaria um drone, UM DRONE VOLKOVA. - Completou com o tom exaltado.

- Eu não te culpo por nada, Andrei. Ninguém pensou que ele agiria assim, nem mesmo eu previr os seus passos.

- Então esse é o problema? Você pode ser um fodão Dmi, mas não é Deus! - Bradou. - Eu já resolvi esse problema, se ele considerar atacar com drone outra vez... Hum, por mais que eu acredite que não acontecerá mais.

- Eu também acredito que ele não agirá mais assim, sabe que estamos esperando.

- Exato! - Afirmou.

- Mas uma vez não podemos fazer nada, ele está sempre um passo a nossa frente.

- Calma cara. - Ele pediu. - Não estou reconhecendo.

A Elisa me disse a mesma coisa.

- Sei que a sua falta de positividade é devido à preocupação com a sua mulher, mas vamos conseguir, sei disso.

- Seu otimismo é contagiante.

- E o seu sacarmos não é novidade para mim... Quando chegar, olharei o material de rastreamento, tenho certeza que conseguirei algo.

- Eu também tenho certeza disso! - Em resposta Andrei rir. Deve está se achando.

Isso também não é novidade para mim. Sorriu com esse pensamento.

- Dmi?

- Sim? - Indaguei jogando o lenço no lixo e lavando as minhas mãos.

- Se eu te disser que tenho novidades? - Sua pergunta feita em um tom sério me faz ficar em alerta.

- Novidades? Não entendi... Você vai me dizer, ou já está me dizendo que tem novidades? Seja claro homem. - Falei pegando uma faca entre os talheres e começando a fazer os sanduíches.

- Sim, novidades! Eu não posso falar por telefone, Volkova, mas adianto, as novidades são boas.

Sei que ele está certo, mas ainda assim, suspirei escondendo minha impaciência. Tenho certeza que essa novidade é realmente boa, e o fato de Andrei não contar pelo telefone é porque não é confiável.

- Quando você volta? - Terminei de passar requeijão nas quatro fatias de pães, coloco queijo e presunto em duas fatias, as fatias que sobrou ponho em cima, formando dois sanduíches.

- Acredito que em cinco dias no máximo.

- Porra Andrei, vai morar aí caralho? Não resolveu o que tinha que resolver ainda.

- Ainda não, vou me encontrar com a presidenta amanhã. - Ele respondeu calmo me fazendo revirar olhos ao ouvir sua resposta descabida.

- Está me dizendo que esses quatro dias no Brasil não foi o suficiente para você se encontrar com ela? Perguntei arrumando os sanduíches na bandeja de café da manhã na cor bege.

- O que posso fazer? Só hoje consegui falar com a presidenta Liliane por telefone, ela é uma mulher ocupada, Dmi. - Respondeu a defendo.

As mulheres deveriam ser estudadas, elas mexem com a cabeça do homem. Andrei está parecendo um babaca puxa saco da presidenta.

- Você não percebe? - Indaguei.

- O quê?

- Você só falta lamber o chão que essa mulher pisa, acredita que conseguirá algo com ela? - Pergunto incrédulo.

- Dmi, o que a presidenta Liliane me pedir para lamber, eu lamberei, sabe por quê?

- Por quê? - Questionei rindo.

- Porque o que importa para mim é o prazer dela.

- Você nem a fodeu ainda e já está apaixonado? - Começo a rir de minha constatação óbvia.

- E daí que estou apaixonado? - Rebateu com o tom exaltado me fazendo rir ainda mais. - Você mais do que ninguém deveria entender, ficou de quatro pela senhorita Maim na primeira vez que a viu, você não pode me julgar...

Capítulo 3 Dois

- E quem disse que estou te julgando? - Perguntei parando de rir. - Você está apaixonado por uma presidenta, ainda por cima de outro país. E se ela já estiver em um relacionamento? Você é o meu melhor amigo, o irmão que eu não tive, a última coisa que quero é ver você fodido por causa dela.

- Dmi, sou maior de idade, não estou insistindo nessa história com os olhos vendados, sei que pode não ter o início que espero, mas vou tentar, porque não sou homem...

- De desistir. - Completei por ele.

- Assim como você Dmi... Cadê minha lindíssima cunhada? Já apontou e atirou hoje.

Andrei e seus trocadilhos Idiotas.

- Ela está bem!

Assim espero. Penso.

- Você fala de Elisa como se ela fosse um alvo.

- E não é? - Seu tom brincalhão não me passa despercebido e decido seguir com a brincadeira.

- Não! Ela é a flecha!

- No seu caso, acredito que ela esteja mais para bala. - Ele rir do outro lado como se tivesse contado uma excelente piada.

- Verdade! - Confessei rindo de sua piada ridícula também.

Gosto desse jeito de Andrei extrovertido e de bem com a vida, às vezes ele me deixa irritado com seu jeito "invasivo", mas a raiva não dura muito tempo, Andrei é como um irmão caçula que amo demais para perder nosso vínculo.

- Agora falando sério Dmi... Você Já saiu dessa sua academia chique e foi cuidar de sua futura esposa? - Arrepio-me ao ouvir a sua pergunta intrometida com uma crítica direta.

Futura esposa? Sim, ela é a minha futura esposa! Volto a sorrir.

- E quem te disse que estou na academia? Hum... Nem precisa falar... Serguei, aquele enxerido.

- Às vezes alguém precisa colocar juízo em você, quando você não pensa com clareza. - Ele rir.

- A verdade é que estou rodeado de pessoas enxeridas. - Retruquei.

- Você também é e eu não ando te chamando assim. - Ele rebateu com ousadia.

- Sou o seu chefe, não espero nada menos que isso. - Ouço um resmungo do outro lado da linha em resposta. - Andrei vou desligar agora, te aguardo em cinco dias...

- Volkova, eu disse que acredito que estarei aí no máximo cinco dias...

- Não quero saber de achismo, o que estou dizendo é: quero você aqui no máximo cinco dias, nem mais, nem menos. - Não espero uma resposta e desligo a sua ligação.

Termino de arrumar a bandeja, colocando uma jarra de suco, outra de iogurte e dois copos. Eu queria ter feito mais, só que não sou bom na cozinha, então preferir não arriscar. Peguei a bandeja de cima da mesa e sair da cozinha. Subo as escadas o mais rápido que posso com a bandeja em mãos. Chegando ao corredor comprimento o segurança incumbido de efetuar a segurança minha e das meninas à noite, no corredor que leva aos quartos.

- Boa noite, Chaban!

- Boa noite, senhor Volkova! - Diz abrindo a porta de meu quarto.

- Obrigado! - Digo ao entrar no quarto.

O segurança fechou a porta atrás de mim e eu olho em direção a cama, tendo a melhor visão de todas. Elisa dormia em posição fetal, seus cabelos soltos espalhados pelo seu travesseiro e o meu, dando-lhe um ar selvagem, seus ombros expostos em uma camisola de alça na cor cinza. O cobertor estava até a sua cintura me presenteando com a visão de seu belo busto. Sua fisionomia estava serena, me passando a impressão de quão durona ela está sendo com tudo isso.

Mas sei o quanto ela é sensível.

Balanço a cabeça tentando esquecer todos os problemas, ao menos por algumas horas e focar na mulher a minha frente. Caminho em direção a minha adega e depósito a bandeja em cima. Volto a sorrir entortando a boca ao ver um pote abarrotado de bombom de chocolate branco em cima do mesmo.

Ah, minha deusa, você sempre me surpreende. Penso.

Eu até gosto de chocolate branco, mas ao meu paladar eles não harmonizam tão bem com os vinhos, quanto os chocolates africanos. Eles me lembram a minha deusa e são deliciosos como ela...

Quem diria Volkova, comparando a beleza de uma mulher com chocolate, chega a ser poético, algo que eu nunca fui adepto, mas se Andrei estivesse aqui diria que estou sendo patético.

Volto a olhar para Elisa que ainda dormia relaxadamente, me aproximo da cama, beijo a sua face e toco em seus lindos cabelos cacheados.

- Tão linda! - Sussurro próximo a sua boca. E como se sentisse a minha presença, ela remexe a cabeça suspirando, me afasto para não a acordar ela.

Decidir acordá-la após tomar um banho rápido. Afasto-me da cama com relutância e caminho em direção ao banheiro tirando o kimono e o jogando na sexta de roupas sujas que fica atrás da porta.

Pensei que o sexto de roupas estaria abarrotado, mas a minha deusa parece manter o nosso quarto em ordem até mais do que eu. Em minha vida profissional sou uma pessoa organizada, mas no quesito organizar uma casa, sou péssimo.

Ligo o chuveiro e espero a água ficar morna. Entrei embaixo do chuveiro e de olhos fechados, deixei que a água morna corresse farta por todo o meu corpo estressado. Pensando que talvez, quem sabe essa água me lavasse por dentro, limpando a insegurança que tenho sentindo ultimamente.

Insegurança é uma droga!

Nunca senti isso, nem mesmo na escola. Passo as mãos em meus cabelos tirando o excesso de água que caia em minha face.

No banho eu sempre costumo pensar com clareza, mas hoje eu não consigo pensar em mais nada além de minha deusa. Não estou reclamando, eu gosto de pensar apenas nela, ela precisa de mim e eu não vou mais a negligenciá-la.

Sinto uma presença atrás de mim e meu corpo fica em alerta, desligo o chuveiro lentamente pensando em uma estratégia para chegar até a pia e pegar a minha arma embaixo dela. Em toda a minha casa tem algumas armas espalhadas em lugares estratégicos. Mas eu nunca imaginei que me pegariam desprevenido, com a guarda baixa no meio do banho, afinal é bem raro me banhar em casa.

Que tolice essa minha. Penso reprimindo a vontade de socar a minha própria cara.

Alguns segundos se passaram, até que eu sentir o cheiro familiar do shampoo de coco que minha deusa usa na mesma da hora meu corpo relaxou e eu suspirei sentindo bem mais o seu cheiro gostoso.

- Como você está tenso, ministro, até ponderei ficar aqui observando essa sua tatuagem sexy no meio de suas costas e a sua linda bunda, mas agora estou pensando que você está precisando de outra coisa. - Diz sugestiva.

- O que você sugere? - Perguntei ao me virar por completo com um olhar predador em sua direção.

Ela ainda usava a camisola de alça que só agora vi o quanto é pequena para suas lindas pernas, seu cabelo estava preso em um coque muito bem feito e a minha vontade era desfazê-lo. Seus olhos se encontram com os meus e ela sorriu lindamente para mim.

Nem parecia que há dois dias ela estava estressada comigo e me expulsou do quarto. Penso com divertimento. Amo essa mulher!

- Com toda certeza me juntar a você. - Respondeu diretamente tirando a sua camisola por cima da cabeça, me dando a belíssima visão de seu corpo nu. Na mesma da hora o meu corpo respondeu ao seu corpo, como se o corpo dela fosse envolvido com um campo magnético, capaz de me atrair feito um ímã, me submetendo a sua força magnética.

Jogando a camisola no chão, Elisa caminho sensual em minha direção.

Gostosa. Sussurro não contendo os meus pensamentos libidinosos.

- Sou um homem de sorte, tenho a mulher mais linda desse mundo.

- Você é bom com as palavras, ministro, mas eu agora quero mais ação e menos palavras. - Avisou com um sorriso travesso.

- Sou multitarefa. - Declarei envolvendo meus braços ao seu redor e a apertando forte, sentindo a sua pele macia contra a minha pele molhada.

- Sentir a falta de seu abraço de urso.

- Eu também sentir a sua falta, minha deusa.

O cheiro dela era inebriante, e ali, naquele momento, voltei todos os meus pensamentos em Elisa e a beijei com volúpia.

Só um beijo bastava para pegarmos fogo.

O beijo foi selvagem, eu queria ser mais gentil, mas a saudade que estava sentindo de sua boca não me deixava pensar com clareza.

- Sem preliminares, ministro. Quero você agora! - Ordenou ofegante após desgrudamos a nossa boca.

Não a respondi, a levantei no colo com rapidez e colei a nossa boca outra vez em um beijo quente. Coloquei a cabeça de meu membro na entrada de sua feminilidade e ela gemeu ainda grudada em minha boca.

A preenchi bem lentamente e rangi meus dentes ao senti-la tão apertada ao redor de meu pau.

Minha! Só minha!

Ela respirou profundamente e deitou a cabeça em meu peito, entregue ao poder que o meu corpo exercia sobre o dela.

- Estava precisando disso, ministro, preciso de você. - Admitiu baixinho em meu ouvido com a voz carregada de emoções.

Encostei as suas costas a parede do boxe e a penetrei incontáveis vezes, dessa vez, mais rápido e urgente, nem eu e nem ela falava mais nada, não era necessário.

Eu também preciso dela... Sempre precisarei!

É impossível descrever em palavras a sensação frenética de está dentro dela, é como está em casa. Ela estava absurdamente molhada e eu queria vê-la chegar lá, eu necessitava.

Elisa gemeu, afundou o rosto em meu pescoço e eu sentir seus dentes penetrar a minha carne. Seu orgasmo veio forte e o meu veio em seguida, parecia que eu gozava dentro dela pela primeira vez.

Sinto que todas às vezes que fazemos amor é como se fosse à primeira vez.

Ela estava trêmula e cansada, ficamos ali agarrados um no outro, com meu membro ainda dentro dela.

- Hoje você estava selvagem, ministro! - Ela diz baixinho em meu ouvido. Eu não a via, mas sabia que ela estava sorrindo.

- Hoje você estava urgente... Gosto da sua urgência. - Emendo, falando em seu ouvido também. - Agora vamos tomar banho, quero que você coma algo, fiquei sabendo que você não comeu nada o dia todo.

Dou um passo para trás e ligo o chuveiro, saiu de dentro dela e a desço de meu colo. Sorriu enquanto a abraçava por trás, beijando seu ombro, pescoço e face.

_ Você não falará nada? - Questiono com o tom divertido. - Acabei de dizer que quero que você coma algo.

- Não tenho nada a dizer, ministro, estou morrendo de fome.

- Adoro provocar essa fome em você. - Declarei gargalhando em seguida ao ver seu olhar envergonhado.

Nosso banho foi rápido, mas não menos divertido. Digamos que eu a lavei muito bem.

Após nosso banho, a enrolei em uma toalha na cor preta e outra da mesma cor em minha cintura, a peguei no colo e a levei para o nosso quarto.

Eu e Elisa estamos juntos a alguns meses, mas me parece que a conheço a anos.

Ela apresentou o fogo a um homem das cavernas... Eu me refiro ao fogo da paixão.

Por mais ridículo que pareça esse meu pensamento, é a mais pura verdade. Elisa é como uma droga criada especialmente para mim. Seu toque, seu beijo, seu corpo, seu amor, tudo nela foi feito para mim.

Espero que ela se sinta da mesma forma que eu.

Sou um homem possessivo e às vezes egoísta, e algo em mim, anseia que ela sinta o mesmo.

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