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Herança e um Casamento Forçado

Herança e um Casamento Forçado

Autor:: Reunion
Gênero: LGBT+
A chuva incessante batia na janela da velha mansão, um lamento que apenas acompanhava a dor no peito de Sofia. Há uma semana, a tragédia levara seus pais e irmãos, deixando-a, aos 22 anos, a única herdeira da Fazenda Alvorada, um império do café. Mas a mansão, antes cheia de risos, agora era um mausoléu. Dona Clara, a gerente da fazenda, entrou com uma bandeja, a preocupação em seu rosto. "Menina Sofia, você precisa comer alguma coisa." Sofia mal podia desviar os olhos da paisagem cinzenta lá fora. "Não consigo, Clara. Não sinto fome." Dona Clara suspirou, antes de revelar a bomba que mudaria tudo. "O advogado da família esteve aqui. Sua avó, Dona Alice, deixou uma cláusula no testamento." A base de tudo, a lei da família, agora se tornava a sua maior prisão. "Há uma condição," continuou Dona Clara, a voz baixa, "para você assumir o controle total da fazenda e da fortuna: você precisa estar casada." Casada? Em meio a tanto luto? Parecia uma piada cruel do destino. "Isso é um absurdo," Sofia sussurrou, a voz trêmula. "Por que a vovó faria isso?" A notícia se espalhou como fogo por Monte Belo, e um nome emergiu nas fofocas maldosas: "Aquela filha ilegítima dos vizinhos teve sorte, vai virar a Sra. da Fazenda de Café." Era Camila, a garota por quem Sofia nutriu uma paixão platônica por toda a adolescência. E, como invocada, Camila apareceu na mansão naquela mesma tarde. Com uma arrogância que Sofia nunca quisera ver, ela parou à sua frente. "Fiquei sabendo da sua situação." A voz fria de Camila atingiu Sofia como um tapa. "Considerando sua devoção por mim todos esses anos e que agora você está desamparada, posso me casar com você." Mas a facada veio logo em seguida. "Mas saiba que eu e Lucas nos amamos, e mesmo como Sra. da Fazenda, darei filhos a ele." Lucas. Seu primo. O cúmplice. O quebra-cabeça macabro se montou, revelando a ganância dos seus tios e a traição de Camila. O coração de Sofia se esfarelou. Sua devoção por Camila fora a grande tolice de sua juventude, uma alavanca para ser usada no momento mais oportuno. Subindo as escadas, ela ouviu vozes vindas do escritório do pai. "Você realmente disse isso pra ela? Assim, na cara dela? Você é incrível, meu amor." Era Lucas, risonho, com Camila respondendo cheia de desprezo. "Claro que eu disse. Aquela idiota sempre foi louca por mim. É só estalar os dedos. Assim que nos casarmos, a fazenda será nossa. E seus pais podem parar com esse teatrinho de luto e começar a planejar como vamos gastar o dinheiro." Um beijo longo e debochado. A imagem deles, rindo de sua dor e conspirando, foi a gota d' água. A tristeza profunda deu lugar a uma raiva fria, cortante. No espelho, Sofia viu a garota ingênua morrer. Eles a subestimaram. Mas a verdadeira noiva de Sofia já estava a caminho.

Introdução

A chuva incessante batia na janela da velha mansão, um lamento que apenas acompanhava a dor no peito de Sofia.

Há uma semana, a tragédia levara seus pais e irmãos, deixando-a, aos 22 anos, a única herdeira da Fazenda Alvorada, um império do café.

Mas a mansão, antes cheia de risos, agora era um mausoléu.

Dona Clara, a gerente da fazenda, entrou com uma bandeja, a preocupação em seu rosto.

"Menina Sofia, você precisa comer alguma coisa."

Sofia mal podia desviar os olhos da paisagem cinzenta lá fora. "Não consigo, Clara. Não sinto fome."

Dona Clara suspirou, antes de revelar a bomba que mudaria tudo.

"O advogado da família esteve aqui. Sua avó, Dona Alice, deixou uma cláusula no testamento."

A base de tudo, a lei da família, agora se tornava a sua maior prisão.

"Há uma condição," continuou Dona Clara, a voz baixa, "para você assumir o controle total da fazenda e da fortuna: você precisa estar casada."

Casada? Em meio a tanto luto? Parecia uma piada cruel do destino.

"Isso é um absurdo," Sofia sussurrou, a voz trêmula. "Por que a vovó faria isso?"

A notícia se espalhou como fogo por Monte Belo, e um nome emergiu nas fofocas maldosas: "Aquela filha ilegítima dos vizinhos teve sorte, vai virar a Sra. da Fazenda de Café."

Era Camila, a garota por quem Sofia nutriu uma paixão platônica por toda a adolescência.

E, como invocada, Camila apareceu na mansão naquela mesma tarde.

Com uma arrogância que Sofia nunca quisera ver, ela parou à sua frente.

"Fiquei sabendo da sua situação."

A voz fria de Camila atingiu Sofia como um tapa.

"Considerando sua devoção por mim todos esses anos e que agora você está desamparada, posso me casar com você."

Mas a facada veio logo em seguida.

"Mas saiba que eu e Lucas nos amamos, e mesmo como Sra. da Fazenda, darei filhos a ele."

Lucas. Seu primo. O cúmplice.

O quebra-cabeça macabro se montou, revelando a ganância dos seus tios e a traição de Camila.

O coração de Sofia se esfarelou. Sua devoção por Camila fora a grande tolice de sua juventude, uma alavanca para ser usada no momento mais oportuno.

Subindo as escadas, ela ouviu vozes vindas do escritório do pai.

"Você realmente disse isso pra ela? Assim, na cara dela? Você é incrível, meu amor."

Era Lucas, risonho, com Camila respondendo cheia de desprezo.

"Claro que eu disse. Aquela idiota sempre foi louca por mim. É só estalar os dedos. Assim que nos casarmos, a fazenda será nossa. E seus pais podem parar com esse teatrinho de luto e começar a planejar como vamos gastar o dinheiro."

Um beijo longo e debochado.

A imagem deles, rindo de sua dor e conspirando, foi a gota d' água.

A tristeza profunda deu lugar a uma raiva fria, cortante.

No espelho, Sofia viu a garota ingênua morrer.

Eles a subestimaram.

Mas a verdadeira noiva de Sofia já estava a caminho.

Capítulo 1

A chuva fina e persistente batia contra os vidros da janela da mansão, um som melancólico que ecoava o vazio dentro da casa e no peito de Sofia.

O cheiro pesado das coroas de flores do funeral ainda impregnava o ar, uma lembrança constante da tragédia que levara seus pais e irmãos há apenas uma semana.

O acidente de carro fora rápido, brutal, e a deixara sozinha.

Aos vinte e dois anos, Sofia se tornara a única herdeira da Fazenda Alvorada, o império de café que sua família construíra por gerações.

Mas agora, a mansão que antes era cheia de vida e risadas, parecia um mausoléu frio e silencioso.

Dona Clara, a gerente da fazenda e a mulher que a viu crescer, entrou no quarto com uma bandeja nas mãos, seu rosto marcado pela preocupação.

"Menina Sofia, você precisa comer alguma coisa."

A voz dela era suave, mas firme.

Sofia balançou a cabeça, sem desviar o olhar da paisagem cinzenta lá fora.

"Não consigo, Clara. Não sinto fome."

Dona Clara suspirou e colocou a bandeja na mesa de cabeceira.

"Eu sei que é difícil, minha querida. Mas você precisa ser forte. Agora, mais do que nunca."

Ela hesitou por um momento antes de continuar.

"O advogado da família esteve aqui. Ele precisava discutir os termos do testamento da sua avó, Dona Alice."

Sofia finalmente se virou, seus olhos sem brilho mostrando um pingo de curiosidade.

O testamento de sua avó era a base de tudo, a lei que regia o patrimônio dos Viana.

"Ele disse que há uma cláusula," continuou Dona Clara, com a voz baixa, "uma condição que sua avó estabeleceu para proteger a linhagem e o patrimônio."

Sofia franziu a testa.

"Que condição?"

"Para que você assuma o controle total da Fazenda Alvorada e de toda a fortuna da família," disse Dona Clara, escolhendo as palavras com cuidado, "você precisa estar casada."

A notícia caiu sobre Sofia como uma segunda tragédia.

Casada? Em meio a tanto luto e dor? Parecia uma piada cruel do destino.

"Isso é um absurdo," ela sussurrou, a voz trêmula. "Por que a vovó faria isso?"

"Ela temia que, se algo acontecesse, pessoas mal-intencionadas pudessem se aproveitar de um herdeiro ou herdeira jovem e solteira. Ela queria garantir que a fazenda ficasse nas mãos de alguém com um parceiro ao lado, formando uma nova base para a família."

A lógica de sua avó era fria, mas Sofia podia entender o medo por trás dela.

Só não imaginava que essa regra a colocaria em uma situação tão desesperadora.

A notícia da cláusula do testamento se espalhou pela pequena cidade de Monte Belo como fogo em palha seca.

Logo, os boatos começaram a ferver, e um nome se destacava em meio às fofocas maldosas.

"Aquela filha ilegítima dos vizinhos teve sorte, vai virar a Sra. da Fazenda de Café."

Sofia ouviu isso de uma das empregadas, que cochichava no corredor sem saber que ela estava por perto.

A "filha ilegítima" era Camila, a garota por quem Sofia nutriu uma paixão platônica e avassaladora durante toda a adolescência.

E, como se as fofocas tivessem o poder de invocá-la, Camila apareceu na mansão naquela mesma tarde.

Ela entrou sem ser anunciada, vestindo um vestido caro que contrastava com o luto da casa, seu rosto exibindo uma arrogância que Sofia nunca tinha percebido antes, ou talvez, nunca quisera perceber.

Camila parou na frente de Sofia, que estava sentada no sofá da sala de estar, e cruzou os braços.

"Fiquei sabendo da sua situação."

A voz dela era fria, desprovida de qualquer simpatia.

"Considerando sua devoção por mim todos esses anos e que agora você está desamparada, posso me casar com você."

Sofia ficou sem ar. As palavras a atingiram com a força de um tapa.

Camila continuou, com um sorriso de escárnio nos lábios.

"Mas saiba que eu e Lucas nos amamos, e mesmo como Sra. da Fazenda, darei filhos a ele."

Lucas. O primo de Sofia. O cúmplice.

O quebra-cabeça macabro se montou na mente de Sofia. A ganância de seus tios, Sr. e Sra. Mendes, a falsidade de seu primo Lucas, e agora, a traição da mulher que ela um dia adorou.

O coração de Sofia, que já estava em pedaços, pareceu se esfarelar.

Sua devoção por Camila fora a grande tolice de sua juventude.

Ela se lembrava de como fazia tudo por ela. Comprava os presentes mais caros que sua mesada permitia, fazia seus trabalhos de escola, a defendia de qualquer crítica.

Sofia era a sombra leal de Camila, acreditando que sua dedicação um dia seria retribuída com afeto genuíno.

Ela queria a aprovação de Camila, o sorriso de Camila, qualquer migalha de atenção que a garota popular e rebelde pudesse lhe dar.

Agora, ela via que tudo não passara de uma ferramenta. Sua "devoção" era apenas uma alavanca para ser usada no momento mais oportuno.

Com o coração pesado e a mente girando, Sofia se levantou e se afastou de Camila, subindo as escadas em silêncio.

Ela precisava de ar, precisava pensar.

Ao passar pelo corredor do segundo andar, ouviu vozes vindas do escritório de seu pai.

A porta estava entreaberta.

Ela reconheceu a risada de Camila e a voz de Lucas.

"Você realmente disse isso pra ela? Assim, na cara dela? Você é incrível, meu amor."

Era Lucas, a voz cheia de admiração e malícia.

"Claro que eu disse," a voz de Camila soou, cheia de desprezo. "Aquela idiota sempre foi louca por mim. É só estalar os dedos. Assim que nos casarmos, a fazenda será nossa. E seus pais podem parar com esse teatrinho de luto e começar a planejar como vamos gastar o dinheiro."

Sofia ouviu o som inconfundível de um beijo, longo e debochado.

Ela se apoiou na parede, o corpo tremendo.

A náusea subiu por sua garganta.

A imagem deles, rindo de sua dor, conspirando para roubá-la enquanto seu luto ainda estava fresco, foi a gota d'água.

A tristeza profunda que a dominava desde o acidente começou a se transformar em outra coisa.

Uma raiva fria, cortante.

Ela voltou para seu quarto, fechou a porta e se olhou no espelho.

A garota ingênua e de coração partido que a encarava de volta precisava morrer ali, naquele instante.

A dor da traição era imensa, mas a clareza que ela trouxe era ainda maior.

Eles a subestimaram. Acharam que ela era a mesma garotinha boba e desamparada.

Eles não sabiam que a verdadeira noiva de Sofia já estava a caminho, e que o título de Sra. da Fazenda de Café nunca, em nenhuma circunstância, pertenceria a Camila.

A herdeira dos Viana não seria uma vítima.

Ela seria a justiça.

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Capítulo 2

Sofia voltou para a Fazenda Alvorada com o coração pesado, mas com uma nova determinação em seus olhos.

A mansão na cidade parecia um túmulo, mas a fazenda, com seus campos de café a perder de vista e o cheiro de terra molhada, era o seu verdadeiro lar.

Era o legado de sua família, e ela não permitiria que abutres o roubassem.

Dona Clara a recebeu com um abraço apertado.

"Que bom que você voltou, menina."

"Eu precisava, Clara. É aqui que eu pertenço," respondeu Sofia, sua voz mais firme do que nos últimos dias.

A realidade, no entanto, era dura.

O advogado da família a contatou novamente, reforçando a urgência da situação.

"Senhorita Sofia, de acordo com as disposições do testamento de sua avó, a senhorita tem um prazo de três meses a partir da data do óbito de seus pais para se casar. Caso contrário, a administração do patrimônio passará para um conselho familiar, liderado por seus tios, até que a condição seja cumprida."

Três meses.

Era uma corrida contra o tempo.

Seus tios, os Mendes, já estavam agindo como se a fazenda fosse deles, dando ordens e questionando as decisões de Dona Clara.

A pressão era imensa.

Sofia sabia que não podia se casar com Camila. A simples ideia lhe causava repulsa.

Ela precisava de uma solução, e rápido.

Foi então que se lembrou de uma história que sua avó, Dona Alice, costumava contar. Uma história sobre uma antiga aliança, um pacto feito entre a família Viana e outra família tradicional e respeitada, os Albuquerque.

Um pacto selado com uma promessa de casamento entre seus herdeiros para unir as famílias e fortalecer seus negócios.

Sofia correu para o escritório de seu pai, um lugar que ela evitara desde a tragédia.

Com as mãos trêmulas, ela abriu o cofre antigo escondido atrás de um quadro.

Lá dentro, entre escrituras e documentos antigos, estava uma caixa de madeira entalhada.

Ela a abriu.

Dentro, em um pergaminho amarelado pelo tempo, estava o contrato de casamento, assinado por seu bisavô e pelo patriarca da família Albuquerque.

Era um documento legal, com selos e assinaturas reconhecidas.

Uma cláusula específica dizia que o pacto poderia ser ativado por qualquer uma das famílias caso a linhagem principal estivesse em risco.

Era a sua salvação.

Com a ajuda de Dona Clara, Sofia redigiu uma carta formal para a família Albuquerque, explicando sua situação e invocando os termos do antigo contrato.

Ela enviou a carta por um mensageiro de confiança, com a esperança queimando em seu peito.

Mas a esperança veio acompanhada de ansiedade.

O contrato era vago em alguns pontos.

Ele se referia ao "herdeiro ou herdeira primogênito" de cada família.

Sofia não sabia nada sobre os Albuquerque de hoje em dia. Quem era o herdeiro? Seria um homem velho? Uma criança? A incerteza era angustiante.

"E se... e se o herdeiro for alguém muito mais velho, Clara? Ou alguém com quem eu não consiga conviver?" , perguntou Sofia uma noite, a preocupação evidente em sua voz.

"Minha querida, sua avó sempre disse que os Albuquerque eram pessoas de honra. É um risco, sim, mas é um risco melhor do que cair nas mãos de seus tios e de Camila," respondeu Dona Clara, com sua sabedoria prática.

Sofia concordou.

Era um salto no escuro, mas era a única alternativa.

Ela tinha que confiar na honra de uma família que não conhecia e na sabedoria de seus antepassados.

Enquanto aguardava ansiosamente por uma resposta, a vida na fazenda continuava, e com ela, os tormentos.

Camila, aparentemente alheia à frieza com que fora tratada, voltou a aparecer.

Desta vez, ela veio com uma lista.

Ela encontrou Sofia no escritório, revisando as contas da fazenda.

"Já que vamos nos casar, preciso de algumas coisas," disse Camila, sem rodeios, colocando um pedaço de papel na mesa.

Sofia olhou para a lista.

Eram joias, vestidos de grife, uma bolsa de uma marca caríssima e até um adiantamento em dinheiro para "despesas pessoais" .

A audácia era inacreditável.

"Isso é para a nossa vida juntas," continuou Camila, com um sorriso presunçoso. "Como a Sra. da Fazenda de Café, preciso me apresentar de acordo. Você não quer que sua esposa pareça uma qualquer, quer?"

Sofia sentiu o sangue ferver, mas manteve a compostura.

A garota ingênua havia morrido. A mulher que estava ali agora era a herdeira da Fazenda Alvorada, e ela não se curvaria.

Ela pegou a lista, olhou para ela por um longo momento, e depois ergueu os olhos para encarar Camila.

"Entendo," disse Sofia, com uma calma que surpreendeu até a si mesma. "Vamos cuidar disso."

Camila sorriu, vitoriosa.

"Sabia que você entenderia."

Ela se virou e saiu do escritório, rebolando como se já fosse a dona do lugar.

Sofia ficou olhando para a lista, um sorriso frio e determinado surgindo em seus lábios.

Camila queria joias e vestidos?

Ótimo.

Sofia lhe daria exatamente o que ela merecia.

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