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Herança Roubada: A Luta de Lia

Herança Roubada: A Luta de Lia

Autor:: Jia Zhong De Lao Shu
Gênero: Romance
No dia do funeral do meu pai, o meu noivo, Pedro, estava ao telefone a consolar outra mulher. "Sofia, não chores. O avô não gostaria de te ver assim." A sua voz era suave, um tom que ele nunca usou comigo. Eu estava ali, vestida de preto, a olhar para a fotografia do meu pai, e a pessoa de quem eu mais precisava estava ocupada. Os pais de Pedro, os meus futuros sogros, aproximaram-se com desculpas esfarrapadas. «Lia, o Pedro teve de ir. A avó da Sofia piorou de repente.» A mesma desculpa de sempre. Ao invés de me consolarem, fui acusada de ser "egoísta" e de "fazer drama" por querer que o meu noivo estivesse ao meu lado. «A Sofia não tem mais ninguém. Ela precisa do Pedro.» As palavras da Sra. Almeida, que a Sofia era uma "menina doce e frágil" e que eu era "demasiado independente, demasiado teimosa" , ecoavam na minha mente. Eu era a segunda opção, enquanto o meu pai lutava e eu cuidava dele sozinha. A revolta e a dor cresceram em mim, culminando numa decisão abrupta e dolorosa: o casamento estava cancelado. Mas o choque aumentou quando, a organizar os pertences do meu pai, encontrei um rascunho antigo do seu testamento. Nele, uma cláusula estipulava que, caso o meu casamento com Pedro ocorresse, uma parte substancial da herança seria transferida para a família Almeida. De repente, a "dívida de gratidão" de Pedro e a insistência da sua família no nosso casamento ganharam um sentido sombrio e calculista. O meu pai, que eles tanto desprezavam, havia descoberto a verdade e alterado o testamento para me proteger. Agora, a família Almeida, ao invés de se desculpar pela sua ganância e manipulação, decidiu processar-me. Eles queriam a herança que nunca lhes pertenceu. Mal sabiam eles a fúria de uma mulher que finalmente via a verdade e estava pronta para lutar pela honra do seu pai e pela sua própria dignidade.

Introdução

No dia do funeral do meu pai, o meu noivo, Pedro, estava ao telefone a consolar outra mulher.

"Sofia, não chores. O avô não gostaria de te ver assim."

A sua voz era suave, um tom que ele nunca usou comigo.

Eu estava ali, vestida de preto, a olhar para a fotografia do meu pai, e a pessoa de quem eu mais precisava estava ocupada.

Os pais de Pedro, os meus futuros sogros, aproximaram-se com desculpas esfarrapadas.

«Lia, o Pedro teve de ir. A avó da Sofia piorou de repente.»

A mesma desculpa de sempre.

Ao invés de me consolarem, fui acusada de ser "egoísta" e de "fazer drama" por querer que o meu noivo estivesse ao meu lado.

«A Sofia não tem mais ninguém. Ela precisa do Pedro.»

As palavras da Sra. Almeida, que a Sofia era uma "menina doce e frágil" e que eu era "demasiado independente, demasiado teimosa" , ecoavam na minha mente.

Eu era a segunda opção, enquanto o meu pai lutava e eu cuidava dele sozinha.

A revolta e a dor cresceram em mim, culminando numa decisão abrupta e dolorosa: o casamento estava cancelado.

Mas o choque aumentou quando, a organizar os pertences do meu pai, encontrei um rascunho antigo do seu testamento.

Nele, uma cláusula estipulava que, caso o meu casamento com Pedro ocorresse, uma parte substancial da herança seria transferida para a família Almeida.

De repente, a "dívida de gratidão" de Pedro e a insistência da sua família no nosso casamento ganharam um sentido sombrio e calculista.

O meu pai, que eles tanto desprezavam, havia descoberto a verdade e alterado o testamento para me proteger.

Agora, a família Almeida, ao invés de se desculpar pela sua ganância e manipulação, decidiu processar-me.

Eles queriam a herança que nunca lhes pertenceu.

Mal sabiam eles a fúria de uma mulher que finalmente via a verdade e estava pronta para lutar pela honra do seu pai e pela sua própria dignidade.

Capítulo 1

No dia do funeral do meu pai, o meu noivo, Pedro, estava ao telefone a consolar outra mulher.

"Sofia, não chores. O avô não gostaria de te ver assim."

A sua voz era suave, um tom que ele nunca usou comigo.

"Estou aqui para ti. Sempre estarei."

A chuva caía forte lá fora, batendo contra os vidros da capela. O som misturava-se com os soluços contidos dos poucos familiares que restavam.

Eu estava ali, vestida de preto, a olhar para a fotografia do meu pai. O seu sorriso parecia uma acusação silenciosa.

Desliguei o meu telemóvel. As mensagens de pêsames dos amigos chegavam, mas a única pessoa de quem eu queria ouvir estava ocupada.

O pai de Pedro, o meu futuro sogro, Sr. Almeida, aproximou-se de mim. A sua expressão era grave.

"Lia, o Pedro teve de ir. A avó da Sofia piorou de repente."

Assenti, sem forças para falar.

A avó da Sofia. A mesma desculpa de sempre.

"Ele disse que lamenta muito", continuou o Sr. Almeida. "Ele sabe que este é um dia difícil para ti."

Um sorriso amargo formou-se nos meus lábios. Difícil? O meu pai estava morto. Pedro prometeu estar ao meu lado, mas escolheu-a a ela.

"Lia, por favor, sê compreensiva", disse a mãe de Pedro, juntando-se a nós. "A Sofia não tem mais ninguém. Ela precisa do Pedro."

Eu olhei para eles. A família perfeita. Sempre a defender a pobre e desamparada Sofia.

"Compreensiva?", a minha voz saiu rouca. "O meu pai morreu. Onde está a vossa compreensão por mim?"

A Sra. Almeida franziu a testa, claramente desagradada com o meu tom.

"Lia, não sejas egoísta. A vida da Sofia já é muito dura."

A vida dela é dura? E a minha? O meu pai lutou contra uma doença durante anos, e eu cuidei dele sozinha. Onde estava o Pedro? A viajar com a Sofia, a ajudá-la a "superar" o seu último desgosto amoroso.

Senti uma onda de náusea. A dor e a raiva misturaram-se, criando um nó na minha garganta.

"Nós vamos casar em três meses", disse eu, a voz a tremer. "Ele devia estar aqui."

"E por causa disso queres criar um problema?", o Sr. Almeida interveio, a sua voz a subir de tom. "O Pedro tem um bom coração. Ele só está a ajudar uma amiga. Não podes usar o casamento para o prender."

"Não o estou a prender", respondi, sentindo as lágrimas a quererem sair. "Eu só... eu precisava dele."

A Sra. Almeida suspirou, como se estivesse a lidar com uma criança birrenta.

"Pára de fazer drama, Lia. O Pedro volta amanhã. Pensa no teu futuro. Não arruínes tudo por um capricho."

Ela deu-me as costas e afastou-se, levando o marido com ela.

Fiquei sozinha novamente, a olhar para o caixão. As suas palavras ecoavam na minha cabeça. Capricho. Drama. Egoísta.

O meu telemóvel vibrou no meu bolso. Ignorei. Sabia que não era ele.

O Pedro não se importava. Se se importasse, não me teria deixado sozinha no dia mais sombrio da minha vida. Ele não teria escolhido consolar outra mulher enquanto o meu mundo desabava.

O casamento. A promessa de uma vida juntos. De repente, tudo parecia uma piada de mau gosto.

O amor que eu sentia por ele, a esperança que eu tinha no nosso futuro, tudo se transformou em cinzas.

Eu não precisava de um homem que me colocava em segundo lugar.

Eu não precisava de uma família que me via como um fardo.

Naquele momento, junto ao corpo do meu pai, tomei uma decisão.

O casamento estava cancelado.

Capítulo 2

No dia seguinte, o sol brilhava como se a tempestade de ontem nunca tivesse existido.

O Pedro apareceu à minha porta, com uma expressão cansada, mas sem culpa.

"Lia, desculpa por ontem. A avó da Sofia teve um susto, mas já está estável."

Ele tentou abraçar-me, mas eu recuei.

"Não me toques."

Ele parou, confuso. "O que se passa?"

"Acabou, Pedro."

A confusão no seu rosto deu lugar à incredulidade. "O quê? Do que estás a falar?"

"O nosso casamento. A nossa relação. Tudo."

Entreguei-lhe a caixa de veludo com o anel de noivado. Ele olhou para o anel e depois para mim, como se eu tivesse enlouquecido.

"Estás a brincar, certo? Por causa de ontem? Eu já te expliquei!"

"Não foi só por causa de ontem, Pedro. Foi por causa de todos os 'ontens'. A Sofia precisa de ti para a levar ao médico. A Sofia precisa de ti porque o cão dela está doente. A Sofia precisa de ti porque se sente sozinha."

A minha voz estava calma, desprovida de emoção.

"E eu? Quando é que eu precisei de ti e tu estiveste lá?"

Ele ficou sem palavras, a sua boca a abrir e a fechar.

"Lia, isso não é justo. A Sofia é como uma irmã para mim."

"Eu era a tua noiva. O meu pai morreu. E tu escolheste-a a ela."

"Eu não a escolhi! A situação era uma emergência!"

"Uma emergência maior do que o funeral do teu futuro sogro? Maior do que a tua noiva a precisar de ti?"

Ele passou as mãos pelo cabelo, frustrado.

"Tu não entendes! A família dela sempre ajudou a minha! Temos uma dívida de gratidão!"

"E essa dívida paga-se com o teu tempo, a tua atenção e o teu futuro? O nosso futuro?"

O seu telemóvel tocou. Ele olhou para o ecrã. Era a Sofia. Ele hesitou, olhando para mim e para o telemóvel.

"Atende", disse eu. "Ela deve estar a precisar de alguma coisa."

A sua hesitação foi a resposta final de que eu precisava. Ele importava-se mais em não a desapontar do que em lutar por mim.

Ele rejeitou a chamada, mas era tarde demais.

"Eu não te amo mais, Pedro. E, para ser sincera, acho que nunca amaste."

Ele riu, um riso sem humor. "Isso é ridículo. Claro que te amo. Estás apenas magoada e a dizer coisas estúpidas."

"Não. Estou a ver as coisas com clareza pela primeira vez."

"Vais arrepender-te disto, Lia. A minha família não vai perdoar-te por esta humilhação."

"A tua família já me julgou há muito tempo", respondi. "Adeus, Pedro."

Fechei-lhe a porta na cara. Ouvi-o a bater uma, duas vezes, e depois o silêncio.

Olhei para a minha mão nua. Senti-me mais leve.

A dor ainda lá estava, mas agora havia também um vislumbre de liberdade.

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