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Herdeiros de Sangue - O Trono do Don

Herdeiros de Sangue - O Trono do Don

Autor:: Melissa Mel
Gênero: Máfia
Leonora Giordano tinha um plano perfeito, infiltrar-se na De Luca Corp, tornar-se a sombra do homem que destruiu sua família e garantir que Leonardo De Luca pagasse por cada gota de sangue derramada. Mas no mundo da máfia, os segredos têm olhos, e Leonardo é um predador que nunca dorme. Ele é o CEO intocável durante o dia e o Don implacável à noite. Quando ele descobre a identidade da sua nova secretária, o castigo não é a morte, mas algo muito mais sombrio. Pressionado pelo Conselho para garantir a linhagem dos De Luca, Leonardo toma uma decisão que choca a elite criminosa de Milão, a filha do traidor será a mãe do seu herdeiro. Transformada em prisioneira em uma mansão que exala luxo e perigo, Leonora se vê presa em uma teia de desejo proibido e jogos mentais. Ela sabe que, para a máfia, ela é apenas um frasco descartável, assim que o herdeiro nascer, seu destino será o esquecimento... ou o túmulo. Agora, com uma vida crescendo em seu ventre e o tempo correndo contra ela, Leonora precisa arquitetar seu plano mais audacioso. Em um jogo onde o amor é uma fraqueza mortal, ela terá que forjar a própria morte para conseguir sobreviver. O Don dita as regras, mas até onde ele irá para não perder o seu bem mais precioso? Herdeiros de Sangue - O Trono do Don, é um Dark Romance que vai te prender do início ao fim.

Capítulo 1 A Moeda de Troca

Herdeiros de Sangue - O Trono do Don

(PARTE 1)

Capítulo 1 - A Moeda de Troca

Narrado por Leonora Giordano

O silêncio do escritório de Leonardo De Luca às três da manhã tinha um peso físico. Era como se as paredes de ébano e as janelas de vidro à prova de balas estivessem sugando todo o oxigênio de Milão, deixando-me apenas com o cheiro de couro novo e o zumbido elétrico do servidor que eu acabara de invadir.

Minhas mãos tremiam, o suor frio fazendo meus dedos escorregarem pelo teclado mecânico.

- Quase lá... por favor, carrega logo, porra - sussurrei para a tela, meus olhos fixos na barra de progresso que parecia zombar da minha urgência.

Oitenta por cento.

Eu estava há seis meses interpretando o papel da assistente pessoal perfeita. Seis meses sorrindo de forma submissa, agendando reuniões com políticos corruptos e aceitando o olhar gélido daquele homem como se ele fosse apenas um CEO exigente e não o carrasco que tinha o sangue da minha família nas mãos. Meu pai não era um santo, eu sabia disso, mas ele não merecia ter sido descartado como lixo.

Noventa e cinco por cento.

O clique seco de uma porta se fechando atrás de mim fez o meu coração parar, literalmente parar. Um estalo gelado percorreu minha espinha, e eu não precisei me virar para saber quem estava ali. O ar na sala mudou, ficou mais denso, mais perigoso.

- Você sempre foi a minha assistente mais eficiente, Leonora, mas essa sua dedicação noturna é... surpreendente.

A voz dele era um barítono suave, quase uma carícia, mas carregava a lâmina de uma guilhotina. Girei a cadeira devagar, o tablet escondido sob a minha coxa. Leonardo De Luca estava parado a poucos metros, encostado na moldura da porta com uma elegância que me dava nojo. Ele não usava o paletó, as mangas da camisa branca estavam dobradas, revelando os antebraços fortes e a tatuagem de uma coroa de espinhos que rodeava seu pulso.

Ele segurava um copo de cristal com dois dedos de uísque, mas seus olhos cinzas estavam fixos em mim. Não havia fúria neles, havia algo muito pior, diversão.

- Senhor De Luca... eu... - Minha voz falhou, presa no pavor.

- Poupe-me das desculpas patéticas de "esqueci meu celular" ou "precisava terminar um relatório" - ele disse, dando um passo em minha direção. Cada batida do sapato italiano dele no chão parecia um prego sendo martelado no meu caixão. - Eu sei exatamente quem você é, Leonora Giordano. Filha de Pietro Giordano, o homem que achou que poderia roubar da L'Eclisse e sair impune.

Senti o sangue fugir do meu rosto. Ele sabia, o tempo todo.

- Você... se você sabia, por que me contratou? - Perguntei, o desafio começando a queimar através do meu medo.

Leonardo parou na frente da mesa e tomou um gole lento da bebida, observando-me por cima do cristal.

- Porque eu gosto de manter meus inimigos onde eu possa vê-los e porque eu estava esperando o momento em que você se tornaria útil. - Ele se inclinou sobre a mesa, as mãos grandes apoiando-se no carvalho. - Você quer vingança, não é? Quer os nomes dos homens que puxaram o gatilho. Quer ver o meu império queimar.

- Eu quero justiça - sibilei.

- No meu mundo, justiça é uma palavra para os fracos que não podem pagar pela vingança. - Ele sorriu, um movimento cruel dos lábios. - Mas hoje, Leonora, eu não vou te matar por essa pequena invasão. Na verdade, eu vou te oferecer um negócio.

- Eu não faço negócios com monstros.

Leonardo largou o copo e, em um movimento rápido como o de uma víbora, agarrou meu pescoço. Não para me sufocar, mas para me obrigar a olhar para ele. Seus dedos eram quentes e fortes, uma promessa de domínio que me fez estremecer.

- Você vai aprender a medir as suas palavras, sua vadia insolente - ele rosnou, o rosto a centímetros do meu. - O Conselho da máfia está me pressionando. Eles querem estabilidade, querem um herdeiro para garantir que a linhagem De Luca continue, e eu decidi que você será a mãe desse herdeiro.

Eu congelei. A proposta era tão absurda, tão perversa, que levei alguns segundos para processar.

- Você enlouqueceu? Eu prefiro morrer a carregar um filho seu.

Ele soltou meu pescoço com um empurrão desdenhoso e caminhou até a janela, olhando para Milão como se fosse o dono do sol e da lua.

- Morte é um luxo que eu não vou te dar. Vamos falar sobre a sua tia, Sofia. Aquela mulher doce que vive em Palermo e que você sustenta com o bônus que eu te dou todo mês. - Ele se virou, e o brilho nos seus olhos era puro veneno. - Um telefonema meu, e a casa dela pega fogo com ela dentro. Um comando meu, e os crimes do seu pai, as provas de que ele era um pedófilo e um traidor que você tanto tenta esconder, serão entregues à polícia e à imprensa. O nome Giordano será arrastado na lama até que não sobre nada além de cinzas.

- Você não faria isso... - Minhas lágrimas começaram a cair, quentes e amargas.

- Eu sou um Don da máfia, Leonora, eu faço coisas muito piores antes do café da manhã. - Ele caminhou de volta para mim, parando tão perto que eu conseguia sentir o cheiro de álcool e perigo. - A proposta é simples, você se muda para a minha mansão, você vive sob as minhas regras. Você me dá um filho homem, saudável e forte. No momento em que ele nascer, eu apago o passado do seu pai, garanto a segurança da sua tia para o resto da vida e te dou a sua liberdade.

Ele não mencionou o que aconteceria se eu não desse um herdeiro. Ele não mencionou que eu seria apenas uma incubadora descartável, mas eu via a indiferença cruel no seu olhar. Eu era apenas um meio para um fim.

- Por que eu? - Perguntei. - Há centenas de mulheres que matariam para estar na sua cama, para ter o seu sobrenome.

Leonardo passou a mão pelo meu cabelo, um gesto que parecia um carinho, mas era uma reclamação de posse. Ele enrolou uma mecha nos dedos e puxou, forçando-me a olhar para cima.

- Porque eu quero o fogo que brilha em você. Porque eu quero que o meu filho tenha a inteligência de uma mulher que teve a audácia de tentar me derrubar e, principalmente... - ele se inclinou e lambeu uma lágrima que escorria pelo meu rosto, um gesto tão íntimo e degradante que me fez estremecer de repulsa e um prazer sombrio que eu odiava sentir - ...porque eu quero ver o momento em que eu vou finalmente quebrar esse seu orgulho maldito entre os meus lençóis.

Eu estava presa, não havia saída. Se eu fugisse, minha tia morria, se eu ficasse e não aceitasse, ele me destruiria. Leonardo De Luca tinha armado a armadilha perfeita e eu tinha caminhado direto para o centro dela.

- Eu odeio você - sussurrei, as palavras carregadas de todo o veneno da minha alma.

- O seu ódio não me serve de nada, Leonora, o seu útero, sim. - Ele soltou meu cabelo e caminhou até a porta, parando antes de sair. - Você tem cinco minutos para pegar as suas coisas. O meu motorista está esperando lá embaixo. De agora em diante, você não é mais só minha assistente. Você é minha propriedade.

Ele saiu sem olhar para trás, deixando-me desfeita naquela cadeira de couro. Olhei para a tela do computador, a barra de progresso dizia "Concluído", mas aqueles dados não valiam mais nada. Eu não era mais a caçadora, eu era a presa e o predador acabara de decidir que a temporada de caça estava aberta.

Limpei o rosto com as costas da mão, sentindo o peso da minha nova realidade. Eu entrara naquela empresa para destruir Leonardo De Luca, mas agora, eu teria que carregar a própria semente dele para sobreviver.

Levantei-me, as pernas vacilantes, e caminhei em direção à porta. A vingança teria que esperar, agora, a guerra era pela minha sobrevivência e pela vida do meu filho... um filho que eu já odiava antes mesmo de existir.

Capítulo 2 Peça de Reposição

Capítulo 2 - Peça de Reposição

Narrado por Leonardo De Luca

O gelo estalou no fundo do meu copo de cristal, o som cortando o silêncio pesado do meu escritório particular. Olhei para a poltrona à minha frente, onde Riccardo, meu conselheiro e o homem que viu meu pai ser enterrado com uma bala na testa, me observava com a paciência de uma estátua de pedra.

Lá fora, as luzes de Milão começavam a empalidecer com a chegada da aurora. Lá embaixo, no banco de trás da Mercedes blindada, Leonora Giordano estava sendo levada para a minha mansão.

Uma prisioneira que ainda não entendeu a extensão das correntes que acabei de colocar no seu pescoço.

- O Conselho não vai gostar desse atraso, Leonardo - Riccardo disse, sua voz rouca de décadas de tabaco e segredos. - Eles não querem apenas um nome, eles querem uma confirmação. A linhagem De Luca é o que mantém a paz entre as famílias do Norte, sem um herdeiro legítimo, você é apenas um alvo com data de validade.

- O Conselho terá o que quer - respondi, sentindo o líquido âmbar queimar minha garganta. - Eu já escolhi a mãe.

Riccardo arqueou uma sobrancelha grisalha, a surpresa cruzando seu rosto por um milésimo de segundo.

- A assistente? A filha de Giordano? Você enlouqueceu de vez ou o desejo por aquela garota finalmente corroeu o seu cérebro?

- Giordano era um traidor, mas o sangue dele é antigo. E a garota... ela é inteligente, audaciosa o suficiente para tentar me roubar na minha própria cara. - Dei um sorriso sombrio, lembrando-me do tremor no pescoço dela quando a apertei. - Eu não quero uma esposa troféu que só sabe gastar dinheiro e abrir as pernas com desdém. Eu quero um herdeiro que tenha o fogo dela, e, acima de tudo, eu quero o controle total sobre a fonte.

- Você sabe o que o protocolo exige - Riccardo insistiu, inclinando-se para a frente. - Um herdeiro precisa de uma mãe que possa ser apresentada. Bianca Vitale está esperando por esse cargo há anos. O pai dela controla as rotas do Mediterrâneo. Um casamento com ela seria a jogada perfeita.

- Bianca é uma cobra que morderia a mão do próprio filho se isso lhe desse mais poder - rosnei, sentindo o asco subir pela minha garganta. - Eu não vou colocar uma Vitale dentro da minha casa. Leonora é perfeita justamente porque não tem nada. Ela é uma órfã de um traidor, sustentando uma tia velha. Ela é descartável, Riccardo.

Bati com o copo na mesa, a intensidade da minha própria voz me surpreendendo.

- O plano é simples. Eu a mantenho trancada, ela engravida e no minuto em que aquela criança sair de dentro dela e for declarado um De Luca saudável, ela desaparece. A criança será criada como um herdeiro legítimo, sob a minha tutela absoluta. Bianca pode ter o título de esposa mais tarde, se eu decidir que preciso do apoio dos Vitale, mas o sangue que correrá nas veias do meu sucessor será o da Giordano.

Riccardo me estudou por um longo tempo. O silêncio na sala era tão denso que eu podia ouvir o tique-tique do relógio de parede de ouro.

- Você jura que é apenas um plano, Leonardo? - Ele perguntou, sua voz carregada de ceticismo. - Eu vejo como você olha para ela, vejo como você perde a porra da calma quando ela entra na sala. Você a quer de uma maneira que não é saudável para um Don.

Minha mandíbula travou, a acusação dele me atingiu em um ponto que eu tentava ignorar. A atração que eu sentia por Leonora não era normal, era uma obsessão doentia que me corroía por dentro. Eu passava as reuniões de diretoria observando a curva da sua bunda naquela saia lápis, imaginando como seria arrancar cada fibra de seda daquele corpo e ouvir seus gritos de ódio se transformarem em gemidos de prazer.

Eu queria possuí-la, não apenas o corpo dela, mas a alma. Queria quebrar aquele espírito desafiador até que não restasse nada além de obediência.

- Ela é uma ferramenta - afirmei, minha voz saindo como um estalido de chicote. - Uma incubadora de luxo, nada mais. Se eu sinto desejo por ela, é o mesmo desejo que sinto por um carro rápido ou por uma arma bem calibrada. Eu gosto do perigo que ela representa, Riccardo, mas não confunda tesão com fraqueza.

- Espero que você esteja certo - ele disse, levantando-se. - Porque se o Conselho desconfiar que você está protegendo a filha de um traidor por algo além de estratégia, eles vão agir. E você sabe que não posso te proteger das regras que você mesmo ajudou a escrever.

- Eu não preciso de proteção, eu preciso de resultados. Avise aos anciãos que a semente será plantada em breve. Eles terão o herdeiro em nove meses, ou eu mesmo entrego a cabeça de quem duvidar de mim.

Riccardo assentiu e saiu, deixando-me sozinho com os meus demônios.

Caminhei até a janela e olhei para baixo, vendo a cidade acordar. Milão era minha, a De Luca Financial era apenas a face limpa de um império construído sobre ossos e pólvora. Eu tinha tudo, mas o vazio no meu peito parecia exigir algo que eu ainda não tinha conseguido conquistar, a rendição total de Leonora.

Eu sabia que ela estava na mansão agora. Sabia que ela estaria chorando ou planejando como me matar enquanto dormia. A ideia me deu uma ereção dolorosa sob a calça social.

Ela achava que o ódio era a sua armadura, mas ela não entendia que o ódio é apenas o outro lado da moeda da obsessão. Eu ia usar cada regra, cada ameaça e cada centímetro da minha autoridade para garantir que ela cumprisse o seu papel.

Ela me daria um filho, ela me daria o seu corpo, e quando eu terminasse com ela, quando o herdeiro estivesse seguro nos meus braços, eu a descartaria como o lixo que o pai dela foi.

Eu não podia me permitir sentir nada por ela. No nosso mundo, o amor é a única sentença de morte que ninguém consegue evitar e eu não pretendia morrer por causa de uma assistente com olhos de fogo e um coração cheio de vingança.

- Você é apenas uma peça no tabuleiro, Leonora - sussurrei para o vidro frio. - E eu sou o jogador que nunca perde.

Virei o resto do uísque, sentindo a queimação se espalhar.

A fase de espera tinha acabado, amanhã, a verdadeira tortura começaria. Eu ia impor regras tão rígidas que ela se sentiria sufocada pela minha presença. Ela não teria acesso a nada, nenhuma prova, nenhum dado, nenhum contato com o mundo exterior.

Ela seria apenas um útero, o meu útero.

Apertei o copo de cristal até que meus nós dos dedos ficassem brancos. Eu ia quebrá-la, ia ser lento, ia ser cruel, e ia ser a coisa mais prazerosa que eu já fiz na vida. Porque no final do dia, não importava o quanto ela lutasse ou o quanto ela me odiasse... ela me pertenceria, e eu ia garantir que ela nunca esquecesse disso.

Capítulo 3 A Ilusão da Fuga

Capítulo 3 - A Ilusão da Fuga

Narrado por Leonora Giordano

As rodas da Mercedes blindada trituravam o cascalho da estrada particular com um som que, para mim, lembrava ossos sendo esmagados. Olhei pela janela, vendo a névoa matinal subir sobre o Lago de Como, mas não havia beleza na paisagem.

Cada árvore alta, cada muro de pedra centenária e cada guarita de segurança que passávamos eram apenas novos níveis de uma prisão que se fechava ao meu redor.

Eu não era uma dondoca, eu não fui criada em berço de ouro, esperando por um príncipe ou por um milagre. Meu pai me ensinou a lutar, a observar e a nunca mostrar a garganta para o predador. Minhas unhas estavam cravadas na palma da mão, e meus olhos não estavam marejados, estavam injetados de uma fúria fria. Leonardo De Luca achava que tinha comprado uma incubadora silenciosa, mas ele estava prestes a descobrir que havia colocado uma víbora dentro de casa.

- Pode parar de olhar para a fechadura da porta, senhorita - o motorista disse, sem tirar os olhos da estrada. - Ela só abre com o comando do console central e eu não tenho amor suficiente pela vida para te deixar sair.

Eu não respondi, apenas o encarei pelo retrovisor com o máximo de desprezo que consegui reunir. No momento em que o carro parou diante da imensa mansão de pedra branca, dois homens armados com fuzis de assalto flanquearam a porta. Segurança máxima. Leonardo não estava me protegendo de inimigos externos, ele estava protegendo o mundo da minha vingança.

Fui escoltada para dentro como uma criminosa sendo levada ao patíbulo. A casa era um monumento ao ego dos De Luca, mármore, arte renascentista e um silêncio sepulcral que só era quebrado pelo som dos meus saltos.

- O senhor De Luca a vai esperar no escritório do segundo andar - disse uma governanta de rosto impenetrável. - Por aqui.

- Eu conheço o caminho - respondi, cortante.

Ela não se abalou. Guio-me até uma suíte que, embora luxuosa, parecia uma cela de isolamento. Mal a porta se fechou, eu comecei a agir. Eu não ia esperar ele vir até mim com aquele sorriso de dono do mundo.

Abri o closet, tinha roupas de grife que eu nunca usaria, todas no meu tamanho. Ele tinha planejado cada detalhe. Vasculhei as gavetas à procura de qualquer coisa. Nada. Fui até a janela, mas era alta demais para pular sem quebrar as pernas, mas havia uma cornija de pedra que levava até a varanda do quarto ao lado.

O meu coração martelava, mas a minha mente estava focada. Se eu conseguisse chegar ao jardim dos fundos, perto da garagem de serviço, talvez pudesse roubar uma das motos dos seguranças. Eu sabia pilotar, eu tinha uma chance em um milhão, e eu ia agarrá-la.

Saí pela janela, o vento frio cortando minha camisa de seda. Meus dedos agarraram a pedra gelada, e eu me arrastei, centímetro a centímetro, ignorando o abismo sob meus pés. O medo existia, mas o ódio contra Leonardo era um combustível muito mais potente. Consegui pular para a varanda vizinha e descer por uma trepadeira de ferro forjado.

Meus pés tocaram a grama. Eu estava no escuro, nas sombras da ala leste. Corri agachada, usando os arbustos como cobertura. Eu conseguia ver o portão de serviço, estava quase lá. O meu sangue fervia de antecipação. Eu ia sumir, levaria as provas que já tinha e entregaria Leonardo para os russos ou para o inferno, o que viesse primeiro.

Estava a dez metros da moto quando uma luz cegante de um holofote me atingiu em cheio.

- Já vai embora, Leonora? A festa nem começou.

A voz dele veio de cima, olhei para a varanda do escritório e lá estava ele. Leonardo segurava um copo de uísque, observando-me com uma calma que me deu náuseas. Ele não gritou, ele não chamou os cães, apenas me olhou como se eu fosse um inseto interessante tentando escalar uma parede de vidro.

Em segundos, quatro seguranças me cercaram, as armas em punho.

- Me soltem! - Gritei, chutando o primeiro que tentou me agarrar. Meu salto atingiu a canela dele com força, e o homem rosnou, mas me segurou pelos braços com uma força bruta, tirando meus pés do chão.

- Tragam-na para cima - ordenou Leonardo, sua voz descendo um tom, tornando-se perigosa.

Fui arrastada escada acima. Meus cabelos estavam desgrenhados, minhas mãos sujas de terra e o meu orgulho estava em frangalhos, mas eu não baixei a cabeça. Quando me jogaram no chão do escritório dele, eu me levantei imediatamente, limpando a sujeira da saia e encarando-o de frente.

Leonardo caminhou até mim. Ele estava impecável, mesmo àquela hora. Ele parou a poucos centímetros, a aura de poder que emanava dele era quase sufocante.

- Uma tentativa de fuga em menos de duas horas - ele disse, esticando a mão para tirar uma folha seca que estava presa no meu cabelo. Eu tentei morder a mão dele, mas ele foi mais rápido, agarrando meu queixo com uma pressão que fez meus dentes estalarem. - Você é realmente uma criaturinha fascinante. Acha que essa sua coragem de rua tem algum valor aqui?

- Eu vou tentar de novo, Leonardo - sibilei, meus olhos fixos nos dele. - E de novo e na próxima vez, eu não vou tentar fugir. Eu vou tentar cortar a sua garganta enquanto você dorme.

Ele soltou uma risada sombria, um som gutural que vibrou no meu peito.

- É por isso que eu te escolhi. Esse fogo... esse veneno. Vai ser um prazer absoluto ver isso se transformar em gemidos de súplica. - Ele me empurrou levemente para trás, fazendo-me bater contra a mesa de carvalho. - Você acha que é uma guerreira, Leonora? Olhe para você. Você está suja, desamparada e à minha mercê. Você não tem nada, nem nome, nem passado, nem futuro, a menos que eu decida te dar um.

Ele pegou um controle remoto e ligou uma tela na parede. Nela, vi uma câmera ao vivo. Minha tia Sofia estava dormindo no seu sofá em Palermo, assistindo TV. Perto da janela da casa dela, um homem com um terno escuro estava parado, fumando um cigarro.

- Um comando meu, Leonora. Apenas um - ele sussurrou no meu ouvido, seu hálito quente de uísque fazendo meu estômago revirar. - Se você tentar pular outra janela, se você tentar me tocar com essa sua agressividade fútil, o homem naquela tela entra e garante que a sua tia nunca mais acorde. Você entende o peso da sua rebeldia agora?

Senti um golpe no estômago, minha respiração ficou curta. Ele estava usando a única pessoa que eu amava para me amordaçar.

- Você é um covarde - eu disse, a voz embargada pela raiva. - Use homens para lutar as suas guerras, Leonardo, não velhinhas indefesas.

- Eu uso as armas que funcionam e com você, a única coisa que funciona é o terror. - Ele se inclinou, as mãos apoiadas na mesa, prendendo-me entre seus braços. - Você quer me enfrentar? Ótimo, tente. Mas cada falha sua terá um preço em sangue. Sangue que você ama.

Ele deslizou a mão pela minha cintura, subindo até apertar a minha costela com uma força possessiva. Eu podia sentir a ereção dele pressionando minha coxa através do tecido fino da calça social dele. A tensão entre nós era um fio elétrico prestes a arrombar. Eu o odiava com cada fibra do meu ser, mas a proximidade dele, o perigo que ele exalava, fazia o meu corpo responder de uma forma que eu desprezava. Meus batimentos aceleraram, e não era apenas de medo.

Leonardo percebeu.

- O seu coração está acelerado, Leonora, e não é por causa da corrida no jardim. Você me odeia, mas você está vibrando sob o meu toque. - Ele aproximou o rosto do meu pescoço, aspirando o meu cheiro com uma fome predatória. - Você quer lutar contra mim? Vá em frente. A sua resistência só torna a minha vitória mais doce.

Ele se afastou abruptamente, deixando-me cambaleando contra a mesa.

- Agora, vá para o seu quarto. De agora em diante, haverá um guarda na sua porta e outro na sua varanda. Você só sai quando eu permitir, você só come o que eu permitir. E você só terá paz se aprender a ser a cadela obediente que eu preciso para carregar o meu filho.

- Eu nunca vou ser sua, Leonardo - respondi, tentando recuperar o fôlego e a dignidade. - Você pode ter o meu corpo, pode ter esse herdeiro maldito, mas eu vou te odiar até o último segundo da minha vida.

Ele sorriu, aquele sorriso gélido de Don que eu via em Milão, mas com um brilho sádico que ele só mostrava para mim.

- O ódio é um excelente lubrificante, piccola. Nos vemos no jantar e não se atrase. Eu odeio esperar por aquilo que me pertence.

Saí do escritório escoltada, sentindo o peso da derrota, mas com as chamas da vingança ainda acesas. Ele me humilhou, me cercou e usou as pessoas que eu amo contra mim. Ele achava que tinha vencido o primeiro round, mas ele esqueceu de uma coisa, uma víbora acuada é quando ela se torna mais letal.

Eu ia dar a ele o herdeiro se não tivesse escolha, mas eu ia garantir que, quando esse bebê nascesse, a única coisa que restaria do império de Leonardo De Luca seriam cinzas e o rastro do meu desespero.

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