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Herederos Alfas

Herederos Alfas

Autor:: Gatica
Gênero: Lobisomem
Quando a lua se veste de sangue, o destino deixa de pedir licença. Em uma única noite, o Clã Lua Vermelha foi destruído. Entre chamas, uivos e traições, a última herdeira desapareceu - enquanto a lua morria lentamente no céu. Agora, o poder pertence ao Clã Estrela Sombria. Riqueza. Domínio. Um Alfa destinado a governar sem ser desafiado. Mas há marcas que o tempo não apaga. A marca proibida desperta outra vez. Ela retornará sem memória, mas carregando a lua sob a própria pele. Ele a reconhecerá sem precisar de nome, nem passado. Pelo cheiro. Pelo toque. Pelo poder que os une e os condena. E quando o Alfa e a herdeira finalmente se encontrarem... nem a guerra, nem o sangue, nem os clãs conseguirão impedir aquilo que a lua já decretou.

Capítulo 1 A Lua Desperta

VESPERA

Outra noite.

Outro sonho estranho.

Estou de pé no meio de uma floresta que não reconheço. O ar cheira a chuva e fumaça, e meu coração bate como se quisesse escapar do meu peito. Sinto uma presença atrás de mim... forte, perigosa. Masculina.

Eu me viro e o vejo.

Um lobo enorme, escuro como uma noite sem estrelas. Seus olhos dourados atravessam minha alma. Ele não me ataca... ele me observa. Ele me reivindica.

Como se eu já fosse dele.

Quando ele dá um passo em minha direção, meu corpo inteiro pega fogo.

E bem antes de me alcançar... eu acordo com um arquejo.

- O que está acontecendo comigo? - sussurro, tocando meu coração descontrolado.

Não faço ideia de quem ele seja.

Mas sinto que já não sou mais a mesma.

ASTERVAN

Outra noite.

Outro sonho impossível.

Ela está lá, entre as árvores, tremendo... minha.

Sempre tão perto de tocá-la.

E sempre acordando antes que eu possa reclamá-la.

Socorro o colchão com os punhos, furioso.

Essa garota... essa loba... é real.

Os Estrela Negra não sonham por acaso.

Um Alfa só sonha com sua companheira destinada.

Levanto-me, o pulso ardente, os olhos brilhando com a fúria de um desejo que não posso conter.

Eu preciso encontrá-la.

E quando encontrar, nenhuma força será capaz de mantê-la longe de mim.

VESPERA

Tento esquecer enquanto caminho para o trabalho.

Cidade moderna, luzes frias, carros passando... mas não consigo tirá-lo da cabeça.

Aquela floresta parece tão próxima...

como se pudesse surgir em qualquer esquina.

Viro apressada e-

Impacto!

Meu corpo bate contra um peito duro como uma parede.

Mãos fortes seguram minha cintura para evitar que eu caia.

Levanto o olhar.

E o vejo.

É ele.

Os olhos do lobo.

Brilhando bem na minha frente.

O mundo desaparece.

Capítulo 2 O Alfa

Meus lábios se entreabrem, mas nenhuma palavra sai.

Meu coração golpeia minhas costelas como se quisesse escapar do meu peito.

Ele semicerrra os olhos, como se também me reconhecesse... e isso me assusta ainda mais.

- Desculpa - murmuro enfim, em um fio de voz.

As mãos dele continuam na minha cintura por um segundo a mais do que deveriam.

Seus dedos queimam.

E quando finalmente me solta, o frio me atinge como um tapa.

- Você precisa ter mais cuidado - diz ele. Sua voz é grave, quase um rosnado escondido.

Tento dar um passo para trás, mas meus pés não obedecem.

Estou presa naquele olhar que parece me atravessar.

- A gente se conhece? - ele pergunta, inclinando a cabeça, curioso.

Engulo seco.

Por um instante, uma memória impossível me invade:

luz de lua sobre uma pelagem escura... a respiração da floresta...

seus olhos nos meus.

Não. Impossível.

- Acho que... não - respondo, embora nem eu acredite.

Ele se aproxima um passo. O barulho da cidade desaparece.

Só restamos nós dois... e essa eletricidade estranha vibrando entre nós.

- Meu nome é Astervan - diz.

O nome reverbera no meu sangue. Não sei por quê. Não posso entender.

Mas sem explicação, todo o meu corpo reage a ele como se o procurasse há uma vida inteira.

Ele esboça um meio sorriso, perigoso.

Como se guardasse um segredo que eu não sei.

- Te vejo em breve, Vespera.

Como ele sabe meu nome?

Pisco. Ele já está caminhando pela rua, sem olhar para trás.

Mas eu sei que ele sente. Sua presença ainda me envolve. Seu cheiro. Seu calor.

E algo em mim... quer segui-lo.

Ainda sinto o cheiro dele quando entro no elevador da torre onde trabalho.

Olho meu reflexo no aço: bochechas coradas, respiração acelerada.

Ridículo. Eu não me descontrolo por ninguém.

Quando as portas se abrem, o escritório desperta.

Assistentes com tablets, designers correndo com amostras, chamadas para todos os lados.

- Bom dia, chefe - diz Sofia, minha mão direita. - O relatório da expansão na Europa está pronto. E o conselho quer te ver em dez minutos.

Perfeito.

Um banho de realidade vai me fazer bem.

Caminho firme pelo corredor de vidro, meus saltos marcando meu poder a cada passo.

Mas, mesmo assim... não consigo tirá-lo da cabeça.

Astervan.

Um nome que não deveria significar nada... e mesmo assim vibra na minha pele.

Sento-me no meu escritório: um império de beleza, linhas limpas e mármore brilhante.

Tudo construí com disciplina. Com controle.

E aquele desconhecido... bagunçou meu equilíbrio apenas ao me tocar.

- Vespera? - Sofia aparece na porta, preocupada. - Você está bem? Seus olhos... estão mais claros hoje.

- Mais claros? - repito, curta.

Ela confirma com a cabeça. Aproximo-me do espelho na parede.

E é verdade. Um dourado estranho incendeia minhas íris.

O brilho de um predador.

Um arrepio me atravessa.

- Deve ser o reflexo - minto.

A porta se abre de novo.

- Também chegou o CEO da BlackStar Luxury para a reunião - diz Sofia. - Ele quer se apresentar antes de entrar no conselho. Veio pessoalmente.

BlackStar Luxury.

Uma das empresas mais poderosas do mundo. Rival direta... e às vezes aliada.

- Como disse que ele se chama mesmo? - pergunto, embora meu corpo já saiba.

Sofia sorri, sem imaginar o caos dentro de mim.

- Astervan. Astervan Deveraux.

E antes que eu consiga organizar meus pensamentos, a porta se abre por completo.

Ele entra.

O mundo, outra vez, desaparece.

Capítulo 3 Perto demais do destino

ASTERVAN

O vidro da sala de reuniões reflete minha imagem:

terno impecável, postura dominante, controle absoluto.

Isso é o que eu sou. Sempre fui.

Mas desde esta manhã... algo falhou.

Em frente à porta do conselho, minha mão se fecha em um punho.

Eu me lembro.

Aquela mulher.

O cheiro dela ainda está preso na minha respiração, no meu sangue... no meu instinto.

Ela não pode ser humana.

Empurro a porta.

Meus olhos a encontram no mesmo instante.

Ela está sentada na cabeceira da mesa, como uma rainha em seu trono de mármore branco.

Cabelo avermelhado preso em um rabo elegante, pele que parece ter a própria luz.

E aqueles olhos... não pertencem a este mundo.

O batimento no meu peito se torna brutal.

Reconheço aquele brilho dourado.

Aquela marca do destino.

Ela é uma Alfa. A minha Alfa.

Não pode ser apenas humana.

Por um segundo, sinto minha máscara rachar.

Meus caninos querem romper o cárcere.

Meu lobo ruge o nome dela... ainda que eu não o saiba por completo.

Vespera.

Eu me aproximo.

O perfume dela atinge todos os meus sentidos:

lua e fogo, perigo e lar.

Cada passo torna mais difícil conter o que sou.

A mesa vira um campo de batalha invisível.

- Obrigada por vir - diz a presidente do conselho, mas sua voz é só um ruído distante.

Só a escuto a ela.

Sua respiração acelera quase imperceptível.

Ela me deseja.

Ainda que não entenda por quê.

Vou direto para o lado dela.

Apoio uma mão no encosto da cadeira. Meu corpo muito perto do dela.

Ela se tensiona. Não de medo.

- Senhor Deveraux - ela pronuncia meu sobrenome como se pudesse desmontá-lo.

- Vespera... - digo o nome dela baixo, desejando dizê-lo como um gemido.

Um arrepio percorre sua espinha.

Eu sinto. Eu gosto.

Ela ergue os olhos para os meus.

Fogo queimando na nossa troca de olhares.

O conselho fala de negócios.

Expansões. Números. Alianças.

Nada disso importa.

Porque acabo de encontrar a única mulher que pode me destruir...

ou me coroar como o Alfa que eu nasci para ser.

E uma verdade me queima por dentro:

Ela é minha.

Mesmo que ainda não saiba.

O diretor financeiro segue falando... mas eu acompanho cada respiração dela.

Vespera mantém o olhar profissional, inabalável.

Mas seu pulso... late forte. Forte demais.

Eu escuto.

O instinto não mente.

Quando ela muda o slide na tela, sua mão roça a minha.

Um toque mínimo. Um acidente.

O impacto é devastador.

Eletricidade selvagem. Magnetismo animal.

Como se a pele dela tivesse sido feita para encontrar a minha.

Ela prende um suspiro.

Eu cerro os dentes.

Ela me olha.

E eu vejo: os olhos dela cintilam, um dourado acendendo como fogo líquido.

- Está bem? - pergunto, e o nome dela vibra sob minha língua mesmo sem eu dizê-lo.

- Perfeitamente - responde rápido demais. Mente.

O ar ao nosso redor fica pesado.

Carregado de desejo... e algo mais sombrio.

Algo antigo.

Quero tomar sua mão.

Marcá-la.

Reivindicá-la ali mesmo.

Mas ela é humana.

E eu sou o Alfa da Alcateia Estrela Negra.

Se eu chegar perto demais... eu a quebro.

E eu não vim para destruir.

Vim para reconstruir o que nos foi tirado.

- Senhora Ardent - a presidente se dirige a Vespera. - Está satisfeita com a proposta de colaboração da BlackStar Luxury?

Ela pigarreia. Se recompõe, altiva.

- Ainda não decidi - diz firme. - Preciso... conhecer melhor o CEO.

O tom é profissional.

Mas as palavras... são para mim.

Um sorriso lento, perigoso, toma meus lábios.

- Eu também - respondo.

A presidente celebra a "química corporativa".

Se soubesse.

Quando a reunião termina, todos se levantam e começam a sair.

Mas ela permanece sentada.

Me esperando.

Seu corpo tenso, seus olhos acesos.

Eu me aproximo devagar, cada passo, uma provocação.

- Precisamos conversar - ela diz primeiro.

Meu sorriso cresce.

- Eu ia dizer o mesmo.

Ficamos assim... a poucos centímetros.

Se eu tocá-la... perco o controle.

Se não tocar... enlouqueço.

- Vespera... - sussurro só para ela. - Você sentiu isso também.

Não é pergunta.

É sentença.

O peito dela sobe e desce, lutando contra uma verdade que queima demais.

Então ela diz:

- Eu sei que existe... algo entre nós.

Meu lobo ruge.

Meu coração também.

Eu me inclino o suficiente para sentir seu hálito nos meus lábios.

- Algo... inevitável.

- Isto é trabalho, senhor Deveraux - solto, afiada como lâmina.

Me surpreende que a voz não trema.

Porque por dentro... sou caos.

Astervan me observa como um desafio fascinante.

Uma presa que acabou de mostrar os dentes.

- Como disser, CEO Ardent - responde com aquela calma que me enlouquece.

Ele abre caminho para que eu passe.

Mas sua proximidade é outra jaula.

Passo à sua frente.

E, contra minha vontade, inspiro seu cheiro.

Quente. Selvagem. Perigoso.

Meus saltos ecoam no corredor de vidro.

Eu não olho para trás.

O carro me espera na saída.

Desabo no banco e só então noto o tremor das minhas mãos.

Ridículo.

Eu não deixo homem nenhum me afetar assim.

Mas ele...

Esse homem...

é outro nível de perigo.

Em casa, jogo as chaves na mesa e largo a bolsa como se pesasse demais.

Preciso esquecer este dia.

Arrancar essa sensação do corpo.

Vou direto para o banheiro.

O vapor toma o espelho enquanto abro a camisa.

A água quente cai sobre mim como uma promessa de calma.

Fecho os olhos. Respiro.

Mas minha mente... volta para ele.

Seu olhar.

Sua voz.

Aquele toque que incendiou meus nervos.

Droga.

Passo as mãos pelo pescoço, pelos ombros... descendo pela pele molhada.

E então... eu vejo.

Algo que não estava ali pela manhã.

Uma marquinha vermelha.

Alta, perto do púbis.

Perfeitamente redonda.

Toco. Confusa.

Queima.

Arde de dentro para fora.

A água não apaga.

Não sai.

Não é hematoma.

Não é tatuagem.

É...

Uma lua.

Uma lua vermelha.

Meu estômago despenca.

O mundo gira rápido demais.

Aponto para a marca, sem respirar.

- O que... está acontecendo comigo?

Nada responde.

Só o eco da água.

Mas meu coração... bate feroz.

Como se quisesse libertar-se.

Saio do banho enrolada na toalha.

O vapor ainda abraça minha pele, mas o frio por dentro não passa.

A lua vermelha.

A sensação de não me reconhecer.

E os olhos dele... me perseguindo até quando fecho os meus.

Me jogo na cama, exausta.

A cidade pinta o quarto de azul.

Tento respirar. Esquecer.

Mas então... eu sinto.

Meu corpo se lembra dele.

De Astervan.

Aquele toque no escritório.

A mão dele na minha cintura de manhã.

Aquela energia animal sob minha pele.

E sem pensar... minha mão desliza.

Buscando calor.

Buscando ele.

A cada suspiro... o nome dele pulsa na minha mente.

E algo surge no meio das ondas de prazer:

um lobo negro.

Forte. Protetor. Ameaçador.

Seu hálito no meu pescoço.

Seus olhos presos nos meus sob a lua.

Humano e fera se misturam.

Desejo e medo se tornam um só.

A marca arde... como se respondesse à fantasia.

Minha coluna arqueia.

Todo meu corpo treme.

Algo selvagem desperta.

E quando a onda me leva-

um uivo... distante...

ressoa na noite.

Não sei se é real.

Não sei se saiu da minha mente.

Mas sinto que ele ouviu também.

O mundo se apaga...

e só resta meu coração descontrolado

e a lua vermelha... vibrando sob minha pele.

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