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Hora de deixar de ser tola

Hora de deixar de ser tola

Autor:: Stella Montgomery
Gênero: Moderno
Kristine amava Colton de forma intensa e humilde. Mesmo que o coração de Colton pertencesse apenas à sua amada no exterior, mesmo que ele passasse a maior parte do ano ao lado dessa mulher, mesmo que essa mulher estivesse grávida do filho dele... Ainda assim, Kristine pediu para se casar com ele. Porém, no dia marcado para a certidão, Colton não apareceu, pois sua amada havia retornado ao país. Depois de sete anos amando em vão, Kristine finalmente desistiu, o bloqueou e partiu da cidade onde ele vivia. Colton não se importava com isso, certo de que, cedo ou tarde, ela voltaria. Até que um dia, ele a viu com outro homem na frente do cartório. Mais tarde, alguém viu o sempre arrogante Colton quase enlouquecendo. "Kristine, me desculpe, eu errei. Me dê outra chance!" A resposta que ele recebeu foi dita com impaciência: "Pode parar de me incomodar? Já estou casada."

Capítulo 1 Colton, não vá

"O número discado está ocupado no momento. Por favor, tente novamente mais tarde..." A mensagem automática era distante e insensível.

Do lado de fora das portas do cartório de Gridron, Kristine Green estava rígida num terno cinza-escuro. O frio do vento de outono arrancava qualquer traço de calor do seu rosto marcante e elegante.

Seus dedos se cerraram em volta de um documento que já estava completamente amassado.

Esse deveria ser o dia em que ela se casaria oficialmente com seu namorado, Colton Yates.

Ela esperou desde a manhã, mas ele não apareceu.

Agora, ela nem conseguia contar quantas vezes ele a deixou esperando assim.

Ela tentou ligar para ele mais uma vez, mas a mesma voz mecânica a atendeu novamente.

Quando ela finalmente desviou o olhar, uma notificação de notícia de última hora iluminou a tela do seu celular. "'O CEO do Grupo Yates, Colton Yates, foi ao aeroporto para buscar sua namorada que voltou do exterior. O casal se reencontrou com carinho e demonstrou afeto abertamente.'"

Movida pela curiosidade e pelo medo, Kristine abriu a notícia, e uma imagem apareceu na tela.

A foto exibia Colton num terno preto sob medida, com uma postura imponente e natural. Mesmo de lado, seu perfil marcante era capaz de chamar a atenção.

O que mais chamou a atenção de Kristine foi a suavidade refletida no olhar dele.

Um sorriso leve e amargo se formou nos lábios de Kristine, que nunca tinha visto Colton tão gentil ou tão carinhoso com alguém.

Ficou claro para ela que Elyse Lloyd sempre foi a mulher que Colton nunca conseguiu esquecer. Afinal, bastou uma única ligação dessa mulher para ele abandonar um dia que deveria ser mais importante do que qualquer outra coisa.

Nesse momento, o celular de Kristine vibrou novamente, e uma nova mensagem apareceu na tela. "Você já viu a notícia, não viu? Se ainda tiver algum orgulho, deveria deixar Colton imediatamente."

Era Elyse, a mulher que claramente tinha o coração de Colton.

Ao rolar a tela para cima, Kristine encontrou uma mensagem que Elyse havia enviado vários dias atrás - um relatório de exame pré-natal que confirmava que Elyse já estava com mais de oito semanas de gravidez.

O documento indicava claramente Elyse como a gestante, com o nome de Colton registrado como o pai.

Quando viu o relatório pela primeira vez, Kristine não ficou nem um pouco chocada.

Ano após ano, Colton passava quase metade do seu tempo viajando para Eyling, o país onde Elyse morava.

Considerando há quanto tempo isso acontecia, ela poderia ter questionado a fertilidade dele se Elyse não tivesse engravidado até agora.

Ao invés de se afastar, Kristine sugeriu que eles se casassem.

Talvez fosse porque ela simplesmente não conseguia se desapegar.

Quando tinha dezoito anos, ela se apaixonou perdidamente na primeira vez que viu Colton na entrada da universidade.

As pessoas ao seu redor sempre diziam que Colton era o herdeiro do Grupo Yates, alguém inalcançável e distante das vidas comuns.

Mesmo assim, ela se recusou a aceitar isso. Movida pela paixão e por uma esperança teimosa, foi atrás dele sem hesitar.

No terceiro ano de perseguição, ela finalmente conseguiu.

No entanto, a felicidade nunca veio.

Porque logo depois que ela confessou seus sentimentos e ele concordou em ficar com ela, uma ligação de Elyse chegou, e ele a deixou sozinha no vento cortante.

Foi naquele momento que ela ouviu o nome de Elyse pela primeira vez.

De volta à realidade, Kristine respirou fundo e abriu a tela de chamada mais uma vez.

Desta vez, o número que ela discou não era o de Colton, mas o da sua mãe.

A ligação foi atendida quase que imediatamente. Sem esperar que sua mãe dissesse uma palavra, Kristine falou com uma voz calma e distante: "Vou voltar e aceitar o casamento arranjado."

A surpresa na voz de Monica Palmer era inconfundível ao ouvir a decisão da filha. "Então você finalmente se decidiu?"

Sem parar nem para respirar, Kristine respondeu: "Sim."

Após um breve silêncio, Monica perguntou: "Quando você voltará para casa?"

"No dia vinte." Após desligar, Kristine entrou no seu carro e voltou para a mansão de Colton.

Durante o trajeto, ela deixou a dor no seu peito aumentar sem qualquer restrição.

No fim das contas, isso não importava mais, e essa deveria ser a última vez.

Quando Kristine chegou ao seu destino, o cansaço pesava sobre seu corpo. Após tomar um banho, se jogou na cama.

Ela sabia que poderia ter decidido ir embora muito antes, mas sete anos amando Colton haviam prendido suas emoções com tanta força que não era fácil desistir.

Com menos de meio mês restante, ela precisava usar cada dia para resolver tudo e tirá-lo da sua vida de uma vez por todas.

Mais tarde nessa noite, enquanto dormia, Kristine sentiu a cama afundar ligeiramente ao seu lado. Momentos depois, um par de braços frios a puxou para um abraço desconhecido, e a irritação a fez franzir a testa.

A voz baixa e magnética de Colton sussurrou no seu ouvido: "Peço desculpas."

Envolta na escuridão, Kristine não abriu os olhos. Seus cílios tremiam enquanto ela permanecia imóvel.

Colton falou baixinho: "Que tal nos casarmos amanhã de manhã?"

Quase que imediatamente, o celular sobre a mesa de cabeceira acendeu.

Colton a soltou e assumiu um tom gentil ao atender: "Não chore. Estou indo aí agora mesmo."

O barulho dele trocando de roupa chegou aos ouvidos de Kristine, que reagiu com uma risada silenciosa e sem graça.

Momentos depois, ela acendeu o abajur e o chamou quando ele chegou à porta. "Colton, não vá."

Apesar das palavras dela, Colton continuou andando.

Sem hesitar, ele girou a maçaneta, abriu a porta e saiu.

À medida que seus passos desapareciam gradualmente, Kristine forçou um sorriso nos lábios e o manteve ali até que uma lágrima escorresse silenciosamente do canto do seu olho.

A manhã chegou e, quando Kristine acordou, percebeu que havia outra pessoa na casa.

Bobby Davis, assistente de Colton, havia chegado.

"Senhorita Green, o senhor Yates me pediu para entregar isso a você", disse Bobby, apontando para as joias cuidadosamente dispostas sobre a mesa.

Ao invés de entusiasmo, Kristine respondeu com um distanciamento calmo: "Entendi."

Um lampejo de surpresa cruzou o rosto de Bobby, porque nunca a tinha visto receber presentes com tanta indiferença.

No passado, Kristine sempre reagia com uma alegria visível quando Colton lhe dava presentes.

"Então vou me retirar." Mantendo seu tom profissional, Bobby preferiu não fazer perguntas e saiu silenciosamente.

Sozinha, Kristine olhou para as joias que brilhavam sob a luz, mas sua expressão não se alterou.

Ela sabia muito bem que Bobby havia escolhido cada uma delas.

Sempre que Colton tentava se redimir, a sinceridade nunca fazia parte do esforço.

Felizmente, ela parou de esperar algo dele.

Sem nada mais para esperar, a dor no seu peito não tinha mais razão para permanecer.

De repente, um som suave vindo do seu celular chamou sua atenção para uma nova mensagem.

O nome de Elyse apareceu na tela. "Você recebeu os presentes que Colton enviou, não recebeu? Deveria me agradecer. Se eu não tivesse o convencido a se desculpar com presentes, ele não teria feito nada."

Os dedos de Kristine se cerraram com mais força no celular.

A única razão pela qual Elyse ainda não estava bloqueada era porque Kristine pretendia reunir todas as mensagens e encaminhá-las para Colton quando saísse de Gridron.

Ela queria que ele finalmente visse a verdade e percebesse o quão vil era a suposta Elyse pura e inocente pelas suas costas.

Após respirar fundo, Kristine ergueu os olhos para o ambiente ao redor.

A propriedade pertencia a Colton, e quase não havia nada dela lá dentro, então fazer as malas não era algo que a pressionasse.

O que realmente a preocupava era sua própria casa.

Quando seus sentimentos por Colton estavam mais fortes, ela acreditava que passaria a vida em Gridron, a cidade onde ele morava.

Por causa dessa crença, ela comprou coisas sem pensar muito.

Quanto aos eletrodomésticos e itens do dia a dia, ela não se importava muito, pois eles sempre poderiam ser vendidos.

O que mais doía em Kristine era ter que deixar para trás aquelas antiguidades inestimáveis.

Antes de voltar para casa, uma visita ao hospital era inevitável.

Nos últimos dias, seu estômago estava lhe causando problemas, e quase tudo o que ela comia voltava. Mesmo assim, ela adiou a ida ao médico só para ir ao cartório oficializar o casamento.

Por fim, ela foi para o hospital. Quando estava prestes a sair do carro, notou a entrada lotada de pessoas, e uma voz ecoou em meio ao barulho: "Eles estão saindo! O senhor Yates e sua namorada estão saindo!"

Um leve tremor percorreu os cílios de Kristine enquanto seus olhos se fixavam em Colton, que protegia Elyse cuidadosamente enquanto eles passavam pela multidão sob as luzes dos flashes.

Anteriormente, Kristine só havia visto os dois juntos numa fotografia. Desta vez, estava presenciando isso na vida real.

De onde estava, ela pôde perceber claramente o aviso incisivo gravado no olhar frio e penetrante de Colton.

"Recuem, ou vocês vão se arrepender!", gritou ele.

Uma ameaça inconfundível acompanhou suas palavras, e a presença imponente que ele exalava forçou a multidão a ficar em silêncio repentinamente.

Após uma breve pausa, um repórter finalmente criou coragem para perguntar: "Senhor Yates, quem é essa senhora para você?"

Embora os rumores já tivessem apontado Elyse como namorada de Colton, ele nunca havia admitido isso.

Todos os olhares se fixaram em Colton, inclusive o de Kristine, que observava de dentro do carro.

Ao invés de responder imediatamente, Colton estendeu a mão e agarrou o repórter pelo pescoço com seus dedos longos.

O choque se espalhou instantaneamente pela multidão.

Em pleno dia, ele havia perdido completamente o controle? Ele estava realmente disposto a ir tão longe só para proteger uma mulher?

Foi só depois de um longo momento que Colton soltou o repórter, cujo rosto estava pálido, e lançou um olhar gélido para todos os presentes.

Por fim, Colton falou: "Se vocês estão tão desesperados para saber, então vou deixar claro qual é o nosso relacionamento. Mas isso só acontecerá uma vez. Não esperem uma resposta novamente!"

Diante das suas palavras, a entrada do hospital mergulhou num silêncio total, e um medo opressivo se instalou no local.

Em meio a tudo isso, a voz profunda e imponente de Colton ecoou: "Ela é alguém que protejo. Se algum de vocês ousar incomodá-la novamente, é melhor pensar duas vezes no que virá a seguir!"

Nesse momento, Elyse ergueu a cabeça lentamente, parecendo gentil e reservada, e olhou para ele com uma admiração evidente.

Observando isso, os repórteres logo entenderam a situação.

Dentro do carro, Kristine sentiu sua determinação em ir ao médico desaparecer completamente. Então, pisou no acelerador e voltou para sua própria casa.

Capítulo 2 Quero esse também

Mais de dez caminhões foram precisos para remover todas as antiguidades da casa de Kristine.

De pé no local quase vazio, Kristine sentiu um estranho alívio tomar conta dela.

Pegando seu celular, ela conferiu o calendário e foi só então que percebeu algo que havia se esquecido completamente. O dia anterior à sua viagem era seu aniversário!

Com o tempo, todos os dias de comemoração se tornaram dolorosos para ela, já que todos eles inevitavelmente vinham acompanhados de uma ligação de Elyse para Colton, o que a fez acabar se esquecendo do próprio aniversário.

No entanto, agora que Colton estava fora da sua vida, ela finalmente pôde voltar a algo que se assemelhasse à normalidade.

Nessa noite, ela adormeceu se agarrando a essa frágil esperança. Quando a manhã chegou, foi para a casa que ela e Colton haviam planejado morar depois que se casassem.

Inicialmente, Colton havia comprado a casa inteira, mas ela insistira em pagar a metade, porque, na sua cabeça, um lugar só poderia ser chamado de lar se ambos contribuíssem igualmente.

Naquela época, ela não tinha muito dinheiro, mas mesmo assim optou por vender seu par de estatuetas de cerâmica mais precioso, que eram realmente insubstituíveis.

Após digitar a senha, a fechadura indicou um erro, fazendo com que uma carranca surgisse no seu rosto.

Ela mesma havia escolhido a senha, que foi criada com a combinação dos aniversários dos dois, então não havia motivo para que falhasse.

De repente, a voz de uma mulher de meia-idade surgiu de dentro da casa: "Quem é?"

Segundos depois, a porta se abriu um pouco e um rosto confuso apareceu.

Com cautela, Kristine perguntou: "Quem é você?"

Sem hesitar, a mulher respondeu: "E quem seria você?"

Passando por ela, Kristine entrou e avistou Elyse saindo do quarto principal de camisola.

Nesse momento, ficou dolorosamente claro que Elyse já estava morando lá.

A irritação tomou conta de Kristine, que perguntou: "Quem te autorizou a se mudar para esta casa?"

Ver Kristine não surpreendeu Elyse nem um pouco, já que ela havia decidido se mudar de propósito, ciente do que esse lugar significava para Kristine.

Com um sorriso calmo, Elyse respondeu: "Colton me disse para morar aqui. Você ainda não entendeu? Sou a única que importa para ele."

Na expectativa de que Kristine perdesse a paciência, Elyse esperou, mas Kristine pegou seu celular calmamente e ligou para a administração do condomínio. "Olá, sou a proprietária da casa. Há uma pessoa não autorizada na minha casa. Como vocês estão cumprindo com suas responsabilidades?"

Quase uma hora se passou até que alguém finalmente chegasse.

No entanto, em vez da administração do condomínio, quem entrou foi Colton.

Uma aura fria o envolvia, seus traços marcantes endurecidos pela impaciência. No momento em que ele avistou Kristine, a irritação brilhou nos seus olhos. "O que vai aprontar desta vez?"

Kristine realmente acreditava que não sentiria nada, mas uma dor atingiu seu peito de repente, e a pressão dificultou sua respiração.

Com uma raiva contida, ela respondeu: "Esta é a nossa casa. O que te dá o direito de decidir por conta própria e deixá-la se mudar?"

O clima entre eles ficou pesado de tensão.

Observando de longe, Elyse parecia mais do que satisfeita com o desenrolar da situação.

Fazendo uma expressão frágil, ela falou num tom gentil, agitando ainda mais as coisas: "Colton, me desculpe. A culpa é toda minha. Não sabia que este era o lugar que você dividia com ela. Vou me mudar imediatamente."

De repente, ela levou a mão ao peito e começou a tossir com força, como se fosse desmaiar a qualquer momento.

Sem hesitar, Colton correu até ela e a segurou. "Kristine, pode tentar ser razoável pelo menos uma vez?"

Ver a mão dele segurando Elyse causou outra dor aguda em Kristine. Quando ela falou novamente, sua voz soou inesperadamente calma: "Ela não precisa ir embora. Paguei metade desta casa. É só me devolver essa metade em dinheiro e pronto."

Minutos antes, ela estava preocupada em como resolver a questão da casa, mas agora o problema havia se resolvido por si só.

A racionalidade repentina de Kristine era exatamente o que Colton queria, mas, por algum motivo, isso o deixou desconfortável.

"Sem problemas. Pedirei para Bobby transferir o dinheiro para você assim que eu voltar para a empresa", disse ele.

"Está bem." Kristine então se virou e saiu sem olhar para trás.

Enquanto Colton observava sua silhueta se afastando, um lampejo de pânico surgiu no seu peito, mas ele logo o reprimiu.

Aos seus olhos, Kristine o amava profundamente, então mesmo que ela estivesse chateada, não era nada grave e ela acabaria resolvendo isso sozinha.

Mais tarde nesse dia, uma transferência de Colton apareceu na conta de Kristine.

O valor totalizou 10 milhões, o dobro do que ela havia pago inicialmente pela casa.

Apesar dos seus muitos defeitos, Colton nunca foi de se conter quando se tratava de dinheiro.

Pouco depois da transferência, uma mensagem dele chegou: "Vou te buscar amanhã."

Não havia espaço para discussão nas suas palavras, que eram uma declaração.

Era assim que ele sempre se comportava.

A mensagem continha apenas algumas palavras, sem dar nenhuma pista sobre o destino ou quem mais poderia estar presente.

Para ele, acrescentar detalhes era claramente desnecessário.

Sem pensar muito, Kristine ignorou a mensagem. Após guardar o celular, voltou a preparar tudo o que precisava para sua partida.

Às dez da manhã do dia seguinte, o carro de Colton chegou lá embaixo.

"Você não está morando em Crestwood?", ele perguntou, um pouco surpreso.

A casa de Colton ficava num bairro chamado Crestwood.

Kristine só foi autorizada a se mudar para lá no terceiro ano do relacionamento.

Por outro lado, rumores diziam que na primeira noite em que Colton conheceu Elyse, ele já a havia levado para lá.

Só isso já mostrava a diferença entre ser valorizada e ser meramente tolerada.

Com pouca emoção, Kristine respondeu: "Já fiquei lá por tempo suficiente. Cansei."

Colton não fez mais nenhum comentário, e o carro ficou em silêncio.

Cerca de trinta minutos depois, o veículo parou em frente a uma concessionária de carros de luxo.

Nesse momento, uma breve emoção brilhou nos olhos de Kristine.

Há apenas um mês, uma empresa automotiva havia lançado um carro esportivo novinho em folha para o público.

Ela se apaixonou por ele instantaneamente e o mencionou para Colton mais vezes do que podia contar.

Como o modelo ainda não havia entrado em produção em massa, só existiam três unidades em todo o mundo.

Não fazia muito tempo que essa concessionária havia conseguido uma delas, e a notícia se espalhou rapidamente por toda parte.

A empolgação tomou conta de Kristine ao sair do carro e seguir Colton para dentro.

No instante em que ela notou Elyse, cercada pela equipe como se fosse o centro das atenções do local, seu humor desmoronou completamente.

Quando Kristine estava prestes a sair, Elyse falou num tom gentil e deliberadamente doce: "Colton, Kristine, vocês chegaram!"

Apontando para o carro esportivo que Kristine adorava, Elyse continuou: "Já escolhi um, Colton. Quero esse. Tudo bem?"

O carinho coloriu a voz de Colton ao responder: "Claro."

Quando seu olhar se desviou para Kristine, a suavidade desapareceu completamente. "Você também pode escolher um."

Kristine olhou para Elyse, cuja expressão carregava orgulho e provocação. Erguendo a mão, ela disse calmamente: "Quero esse também."

Uma carranca apareceu no rosto de Colton. "Escolha outro."

Sem recuar, Kristine respondeu com determinação: "Esse é o que eu quero."

Ao ver Kristine voltar ao que considerava sua teimosia de sempre, um leve sorriso se formou nos lábios de Elyse, que sabia que Colton não aprovaria.

Como esperado, a expressão de Colton se enrijeceu. "Não seja irracional, Kristine. Há tantos carros aqui. Por que não pode escolher outro?"

Com um tom brando, Kristine repetiu as palavras dele: "Isso mesmo. Por que não posso escolher outro?"

Ela ergueu a cabeça e um sorriso radiante se formou lentamente. "Não fique tão tenso. Só estava brincando. É claro que eu não competiria com sua preciosa namorada. Quero esse."

Seguindo a direção do gesto de Kristine, Elyse se virou para olhar, e sua expressão se obscureceu imediatamente.

O que Kristine havia escolhido era outro carro esportivo, com um preço de 100 milhões!

Capítulo 3 Gostou dos fogos de artifício

De repente, Elyse caiu no chão, fazendo com que o gerente da concessionária gritasse: "Senhorita Lloyd!"

Antes que qualquer outra pessoa pudesse reagir, Colton já estava em ação - a pegou nos braços e a carregou para fora sem nem hesitar.

Um sutil sorriso de escárnio se espalhou lentamente pelos lábios de Kristine.

Depois que Colton foi embora, ela não tinha outra opção a não ser tentar encontrar um táxi sozinha, mas infelizmente, era praticamente impossível conseguir um perto da concessionária.

Kristine caminhou por uma hora inteira antes de conseguir chamar um táxi.

Sentada no carro, ela olhou para seus pés doloridos e cheios de bolhas, soltando um suspiro de alívio.

Pelo menos a dor estava apenas nos seus pés, já que seu coração permanecia intacto.

...

Desde o incidente na concessionária, vários dias se passaram sem que Kristine visse Colton.

Não era preciso para ela entrar em contato ou perguntar sobre ele.

Afinal, Elyse fez questão de lhe contar cada detalhe.

"Hoje de manhã, Colton se sentou comigo e me deu sopa. Ele foi tão cuidadoso."

"Agora à noite, Colton descascou uma laranja só para mim. Ficou perfeita. Quer um pedaço? Que pena que você nunca terá essa chance."

Junto com a mensagem, Elyse enviou uma foto da laranja cuidadosamente descascada.

"Agora, Colton está deitado ao meu lado e já dormindo."

Abaixo desse texto, havia uma foto de Colton deitado na cama ao lado de Elyse, se apoiando no braço enquanto se inclinava para perto dela.

Kristine deu uma olhada nas mensagens antes de colocar o celular de volta na bolsa.

Talvez ela já estivesse anestesiada, porque as constantes atualizações de Elyse sobre Colton agora não passavam de um drama ridículo.

Após abrir a porta do carro, ela saiu e foi direto para a K&C Entretenimento.

A K&C Entretenimento havia sido fundada por ela e Colton.

Na época, o motivo era simples: ela queria algo que a ligasse mais a ele.

Ela realmente achava que criar uma empresa juntos dificultaria para Colton terminar o relacionamento.

O que ela nunca esperou foi que isso acabaria se tornando a corrente que a aprisionaria.

"Está pensando em ir para Peudon?", perguntou Vance Bailey, o vice-presidente, olhando para Kristine com uma descrença evidente. "Colton sabe disso?"

Sem hesitar, Kristine respondeu: "Ainda não contei a ele. Preciso que mantenha isso em sigilo."

"Claro." Vance assentiu, embora a incredulidade ainda estivesse estampada no seu rosto. "Você não era completamente devotada a Colton? Será que consegue mesmo se afastar dele assim?"

Por sete longos anos, Kristine permaneceu ao lado de Colton, dedicando os anos mais preciosos da sua vida sem reservas.

"Terminei com ele", disse Kristine calmamente. "Quando eu for embora, deixarei o trabalho restante da divisão de ações da empresa com você. Odeio ter que te dar esse trabalho."

"Não precisa ser tão distante", respondeu Vance, abaixando a cabeça enquanto um leve olhar de satisfação surgia nos seus olhos. "Afinal, nos formamos na mesma faculdade. Consegui entrar na empresa porque você me indicou."

Ao olhar para Vance, um sentimento de gratidão surgiu em Kristine.

Na verdade, embora a empresa estivesse registrada no nome dela, o fardo de mantê-la de pé recaía sobre os ombros de Vance.

Sem os esforços dele para manter tudo funcionando, o negócio já teria ido por água abaixo há muito tempo.

Após dar uma última volta pelo escritório, Kristine decidiu ir embora.

Na entrada do prédio, Vance a acompanhou e ficou lá até que o carro dela desaparecesse de vista, só então voltou para o escritório com relutância.

...

Enquanto dirigia, Kristine desbloqueou seu celular e marcou o penúltimo item da sua lista, que era a divisão das ações da empresa.

Logo depois, sua atenção se voltou para a última tarefa que estava abaixo, que era se mudar da casa de Colton em Crestwood.

Quando essa etapa fosse concluída, não haveria mais nada que a ligasse a ele.

Dentro do carro, o ar foi ficando cada vez mais sufocante e tenso.

Assim que chegou à casa de Colton, Kristine subiu direto para o segundo andar.

Quando ela entrou, os funcionários da casa agiram como se ela não existisse, e ninguém se aproximou para cumprimentá-la.

Todos na casa sabiam que Colton não a amava.

Desde o dia em que ela se mudou para lá, ele raramente voltava para casa.

Ao invés de ir para o quarto principal, Kristine foi direto para o quarto de hóspedes, já que ela e Colton dormiam em quartos separados.

Dentro do armário, havia fileiras de roupas de marcas de luxo conhecidas. Cada peça havia sido um presente de Colton.

Para Kristine, nada disso tinha qualquer significado.

Lentamente, ela se agachou e arrastou sua mala de debaixo da cama.

Quando ela começou a colocar os itens dentro, uma buzina de carro soou do lado de fora.

"Senhor Yates."

Vozes educadas ecoaram da entrada.

Colton havia voltado.

Imediatamente, Kristine empurrou a mala de volta para onde estivera, pois não queria que ele descobrisse que ela estava se preparando para ir embora.

Quando terminou o que estava fazendo, Kristine ergueu a cabeça e o encontrou parado na porta.

O corpo alto de Colton ocupava o espaço, e o cansaço estava estampado nos seus olhos, mas o brilho suave das luzes do corredor realçava suas feições e o tornava inegavelmente atraente.

Por um momento, Kristine se esqueceu de respirar.

"O que está fazendo?", perguntou Colton, a encarando com um olhar penetrante.

Bloqueando a mala com seu corpo, Kristine respondeu: "Estava procurando uma coisa."

Sem insistir, Colton entrou no quarto.

"Os últimos dias foram uma bagunça. Falei com Bobby mais cedo. Estou livre no dia dezenove, então vamos nos casar nesse dia."

Mais uma vez, ele falou como se estivesse dando uma ordem, ao invés de abrir uma discussão.

Com uma leve inclinação da cabeça, Kristine respondeu: "O dia dezenove é meu aniversário."

Um lampejo de surpresa cruzou os olhos de Colton antes de desaparecer.

"Já fiz planos para esse dia", ela continuou.

"Você não costuma comemorar seu aniversário, né?", ele disse.

Ele simplesmente nunca havia comemorado essa data com ela, uma constatação que não foi dita, mas que continuava ecoando na sua mente.

"Então podemos escolher outra data." Após dizer isso, Colton tirou a gravata e foi para o banheiro.

Cerca de meia hora se passou antes de ele sair, com o calor do banho ainda o envolvendo.

Uma toalha estava enrolada na sua cintura, enquanto gotas de água percorriam lentamente seu peitoral até o abdômen definido.

Esses contornos já haviam despertado uma paixão feroz em Kristine, mas agora não a deixavam nem um pouco abalada.

Do outro lado do quarto, Colton a observava sentada com a cabeça baixa enquanto mexia no celular.

Uma leve ruga apareceu entre suas sobrancelhas.

Houve um tempo em que exibir seu físico fazia Kristine correr até ele, incapaz de resistir em tocá-lo.

"Vamos dormir." Dizendo isso, Colton estendeu a mão e apagou as luzes.

Rodeada pela escuridão, Kristine se levantou. "Já vou."

Uma carranca se formou no rosto de Colton enquanto ele observava a porta se abrir e depois se fechar.

Mais uma vez, a escuridão tomou conta do quarto.

Por um instante, o desconforto o dominou, mas ele o reprimiu e se convenceu de que tudo permaneceria sob controle.

...

Nos dias seguintes, Kristine não viu Colton nem de relance.

Pelo que Vance lhe disse, Colton provavelmente havia saído da cidade para uma viagem de negócios.

Nem Vance conseguiu entrar em contato com ele durante esse tempo.

Se isso tivesse acontecido antes, Kristine teria ficado arrasada.

No entanto, dessa vez, foi como uma pequena bênção.

Como Colton estava ausente, ela finalmente teve a oportunidade de ir à casa dele e pegar suas coisas em paz.

Na verdade, pouca coisa lá pertencia a ela.

O que restou foram principalmente itens que ela havia comprado para Colton, incluindo relógios combinando, roupas, um urso de pelúcia e outras coisas do tipo.

Para Colton, tudo isso parecia infantil, então ele havia enfiado tudo no canto mais distante do armário.

Um por um, Kristine pegou esses itens e os colocou cuidadosamente na sua mala.

Com a mala cheia até não caber mais nada, ela saiu da casa pela última vez.

Um dos funcionários da casa notou sua saída, mas presumiu que ela estava indo trabalhar e não parou para fazer perguntas.

...

Quando Kristine se deu conta, o dia dezenove havia chegado, e ela já havia resolvido tudo o que precisava.

Tudo o que restava a fazer era esperar pelo dia vinte e finalmente deixar Gridron para trás.

À noite, Kristine foi sozinha a uma confeitaria na cidade, comprou um bolo pequeno e o levou para um parque próximo, onde escolheu um canto tranquilo e o comeu lentamente.

A doçura permaneceu na sua língua.

Dessa vez, não havia necessidade de se preocupar com Colton indo embora no meio do caminho.

Recostando-se, ela ergueu o olhar para o céu escuro, e um leve sorriso apareceu nos seus lábios.

Nesse momento, uma forte explosão ecoou acima dela quando os fogos de artifício começaram a iluminar o céu.

As cores explodiram no céu enquanto os fogos de artifício se espalhavam em padrões deslumbrantes acima dela.

Kristine ficou com a cabeça erguida por tanto tempo que seu pescoço começou a doer antes que a explosão final desaparecesse no silêncio.

De repente, uma vibração rompeu a quietude.

Colocando a mão na bolsa, Kristine pegou seu celular e verificou a tela.

Uma mensagem de Colton apareceu. "Gostou dos fogos de artifício? Feliz aniversário."

Lágrimas surgiram sem aviso, embaçando a visão de Kristine, já que ela nunca havia recebido um desejo de aniversário de Colton.

Ela nunca imaginou que o primeiro chegaria no que deveria ser seu último dia nesta cidade.

Após abrir o chat de Colton, Kristine mal havia terminado de digitar a palavra "obrigada" quando uma nova notificação apareceu na sua tela.

Era uma foto enviada por Elyse.

Com um leve toque, Kristine a abriu e viu uma imagem de um pedaço de bolo.

"Colton fez esse bolo para mim com as próprias mãos. Soube que hoje é seu aniversário, então pedi a ele para fazer um só para mim. Eu vou comer bolo de aniversário, e você não. Que pena da aniversariante!"

Enquanto lia a mensagem, as lágrimas que haviam inundado os olhos de Kristine desapareceram lentamente.

Indo para o chat de Colton, ela digitou uma resposta breve: "Quero que faça um bolo para mim."

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