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Horizontes Entrelaçados

Horizontes Entrelaçados

Autor:: Alex Davis
Gênero: Romance
Elena Soler era uma arquiteta renomada, conhecida por sua criatividade e visão ousada. Com apenas 32 anos, havia projetado alguns dos arranha-céus mais impressionantes do país. Sua carreira a levou a ser contratada por Sebastián Leduc, o CEO da Leduc Enterprises, uma poderosa companhia de imóveis que estava prestes a lançar o projeto mais ambicioso de sua história: "Eterna", a cidade autossustentável do futuro.

Capítulo 1 Sob um Céu de Aço

A chuva caía furiosamente sobre a cidade, encharcando o chão de concreto e vidro, enquanto as luzes dos arranha-céus refletiam um brilho distante nas poças d'água. Do amplo vidro de sua sala, no último andar da Torre Leduc, Sebastián observava o mundo seguir seu curso sob a tempestade. Para ele, não havia clima mais apropriado: uma batalha constante entre a força da natureza e a ambição humana.

Sobre sua mesa, um modelo em escala do projeto "Eterna" ocupava o lugar central. Aquela cidade autossustentável não era apenas seu sonho, mas também seu legado, uma prova de que mesmo alguém como ele, filho de um empresário em desgraça, podia conquistar o mundo. Contudo, o preço dessa conquista o havia deixado vazio. Era uma sensação com a qual já havia se acostumado.

Sebastián fechou os olhos, deixando que os ecos de uma discussão recente invadissem sua mente. A voz de Elena Soler, apaixonada e desafiadora, ainda ressoava em seus ouvidos. Ela era a única pessoa que ousava enfrentá-lo sem hesitar, a única que não se intimidava com seu poder. Desde o primeiro dia em que se cruzaram, ela foi como uma fagulha em seu mundo sombrio: brilhante, inesperada, perigosa.

A porta de sua sala se abriu de repente, interrompendo seus pensamentos. Era sua assistente, trazendo o relatório da equipe jurídica. Sebastián ignorou, seus olhos ainda fixos no horizonte. A verdade era que o relatório não o preocupava; o que o mantinha acordado à noite não eram os números nem os prazos, mas o peso de uma decisão que ainda não tinha coragem de tomar.

Enquanto isso, a quilômetros dali, Elena estava de pé no canteiro de obras de "Eterna". A tempestade não a havia detido; sua mente trabalhava tão rápido quanto suas mãos, ajustando os planos que alterariam o design da ponte principal. Não era perfeccionismo, era necessidade. Para Elena, "Eterna" não era apenas mais um projeto. Era sua chance de provar que a arquitetura podia ser a ponte entre progresso e respeito ao meio ambiente.

Porém, ela não podia ignorar o conflito que queimava dentro de si. Sebastián Leduc representava tudo o que ela prometera evitar em sua vida: poder desmedido, sacrifícios morais e a ameaça constante de ver seus valores traídos. E, ainda assim, no fundo de seu coração, sabia que o odiava menos do que queria.

O céu ribombou com um trovão ensurdecedor, como se o próprio universo alertasse para algo inevitável. Porque, embora ainda não soubessem, seus caminhos estavam prestes a se entrelaçar de uma forma que mudaria suas vidas para sempre.

A tempestade era apenas o começo.

Capítulo 2 Encontros sob a Tempestade

O rugido da tempestade reverberava como um eco distante nos escritórios da Leduc Enterprises. Os vidros tremiam a cada trovão, e as luzes oscilavam imperceptivelmente. Sebastián Leduc permanecia imóvel junto à janela de sua sala, observando a dança frenética dos relâmpagos sobre a cidade. Em suas mãos repousava um copo de uísque, intocado.

Uma batida leve na porta o tirou de seus pensamentos.

– Entre – disse, sem desviar os olhos da tempestade.

A porta se abriu, e Elena Soler surgiu no batente. Trazia consigo um tubo de projetos debaixo do braço e a habitual expressão de determinação, aquela que parecia desafiar o mundo inteiro. Seus cabelos, ainda úmidos pela chuva, caíam em mechas rebeldes sobre os ombros.

– Estou atrapalhando? – perguntou, embora em seu tom não houvesse qualquer traço de desculpa.

Sebastián girou lentamente, pousando o copo sobre uma pequena mesa ao lado da janela. Os olhares de ambos se encontraram, e por um instante o ar entre eles pareceu se eletrificar, como se a tempestade também estivesse dentro daquela sala.

– Disse que precisava dos ajustes para a ponte principal antes do amanhecer – continuou Elena, avançando até a mesa dele sem esperar convite. – Aqui estão.

Colocou os projetos sobre a mesa com um movimento firme.

– E então? – Sebastián arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços.

– Estão prontos – respondeu ela com calma, mas com um brilho desafiador nos olhos. – Se encontrar algo que não goste, é porque não sabe o que está procurando.

Um sorriso fugaz cruzou o rosto de Sebastián. Elena sempre tinha essa maneira de desafiá-lo, de enfrentá-lo em um mundo onde ninguém mais se atrevia. Ele se inclinou sobre a mesa, desenrolando um dos projetos.

– Isso significa que decidiu manter o design original do arco? – perguntou, analisando os traços com atenção.

– Não. Ajustei para que ficasse mais leve e eficiente, reduzindo custos sem comprometer a estrutura. Mas, claro, se preferir desperdiçar milhões desnecessariamente, posso refazê-lo.

Sebastián levantou os olhos para ela, sua expressão indecifrável.

– Você sempre tem uma resposta para tudo, Soler? – murmurou com a voz baixa, quase um sussurro.

Elena cruzou os braços, sustentando o olhar dele.

– Só quando tenho razão.

Um silêncio tenso pairou no ar. A chuva batia com força contra os vidros, mas nenhum dos dois parecia perceber. Era um duelo silencioso, uma batalha de vontades que ambos pareciam apreciar mais do que admitiriam.

Finalmente, Sebastián se afastou da mesa e voltou a encarar a janela. Sua silhueta, iluminada pelos relâmpagos, parecia ainda mais imponente.

– Elena, já se perguntou como seria sua carreira se abandonasse seu idealismo? – perguntou, sem se virar para ela.

– E você, já se perguntou como seria seu império se abandonasse sua ambição desmedida? – rebateu ela sem hesitar.

Ele soltou uma risada curta, seca, antes de finalmente virar-se para encará-la.

– Você é única, Soler. Deveria saber disso.

– Eu sei. Mas não tente me adular, Leduc. Isso não funciona comigo.

Sebastián deu alguns passos em direção a ela, parando do outro lado da mesa.

– Não é adulação. É um fato. E é isso que me irrita em você.

Elena franziu o cenho.

– Ah, é? E o que exatamente te irrita tanto?

– Que você sempre me faz questionar minhas próprias decisões.

Ela permaneceu em silêncio, surpresa com a sinceridade em sua voz. Havia algo diferente nele naquela noite, algo que ela não conseguia decifrar.

– Talvez porque, no fundo, você saiba que algumas delas estão erradas – disse ela, suavemente.

Sebastián a observou por um longo momento.

– Quer saber o que mais me irrita em você? – perguntou, dando um passo à frente.

Elena instintivamente recuou, até sentir o bordo da mesa contra suas costas.

– O quê? – murmurou, a voz quase inaudível.

– Que você me faz sentir coisas que eu não deveria sentir.

O coração de Elena disparou. A proximidade de Sebastián, o olhar intenso e o peso de suas palavras a deixaram sem fôlego.

– Sebastián... – tentou dizer, mas ele ergueu a mão, interrompendo-a.

– Não diga nada. Sei o que está pensando. Isso não deveria estar acontecendo.

– Exatamente. Não pode acontecer.

Sebastián deu um passo atrás, passando a mão pelos cabelos escuros.

– Você tem razão – disse ele, a voz carregada de frustração. – Não pode.

Elena respirou fundo, tentando recuperar a compostura.

– E também não deveria. Seu compromisso, minha carreira... tudo está em jogo.

Ele assentiu, mas não respondeu. Por alguns segundos, o único som na sala foi o da chuva. Finalmente, Sebastián quebrou o silêncio:

– "Eterna" é a única coisa que importa agora. Todo o resto... não existe.

Elena o encarou, dividida entre o alívio e a decepção.

– Certo – disse ela, cruzando os braços. – Então, voltemos ao trabalho.

Sebastián riu brevemente.

– Isso soa bem mais fácil do que realmente é.

Elena pegou os projetos e começou a enrolá-los novamente.

– Para alguém como você, deveria ser simples.

Antes que pudesse se virar, Sebastián segurou sua mão.

– Elena.

Ela levantou o olhar, presa na intensidade dos olhos dele.

– Você não tem ideia de como é difícil me manter longe de você.

Elena retirou a mão com cuidado, apertando os lábios.

– Então, não torne isso mais difícil do que já é – disse ela com firmeza, antes de se virar e caminhar em direção à porta. – Boa noite, Sebastián.

Ele a observou sair, deixando um silêncio ensurdecedor para trás.

Sebastián voltou à janela, mas desta vez a tempestade já não tinha sua atenção. Tudo o que ele conseguia pensar era em Elena, a única tempestade que ele não sabia como controlar.

Capítulo 3 Uma Oferta Inesperada

Na manhã seguinte, o céu estava límpido, como se a tempestade da noite anterior nunca tivesse acontecido. Porém, na mente de Elena, os ecos do que havia ocorrido com Sebastián Leduc ainda ressoavam. Ela revisitou cada palavra, cada olhar, cada segundo daquela intensa conversa no escritório. Sabia que ele era perigoso, sabia que deveria manter distância, mas algo nele a atraía de uma forma inexplicável.

Elena chegou cedo ao canteiro de obras do Eterna. O barulho das máquinas e o ritmo constante dos trabalhadores eram uma espécie de refúgio. Ali não havia espaço para pensamentos complicados nem emoções contraditórias; tudo se resumia a cálculos, design e execução. Era o seu lugar seguro.

- Soler, alguém está te procurando no escritório temporário - gritou um dos supervisores do outro lado do terreno.

Elena franziu o cenho. Não estava esperando visitas. Caminhou até a pequena estrutura improvisada que servia como escritório para arquitetos e engenheiros. Dentro, encontrou um homem vestindo um terno escuro, com uma pasta na mão e um sorriso polido demais.

- Senhorita Soler, um prazer conhecê-la. Sou Mateo Vargas, representante da Arcadia Developments - disse ele, estendendo a mão.

Elena apertou sua mão com desconfiança.

- Arcadia... A concorrente direta da Leduc Enterprises? - perguntou, sem esconder o ceticismo.

Mateo sorriu, como se estivesse acostumado àquela reação.

- Exatamente. E, se me permite dizer, temos acompanhado de perto o seu trabalho. É impressionante, de verdade. Sua visão arquitetônica é única, e acreditamos que seria um ativo inestimável para nossos projetos futuros.

Elena cruzou os braços, apoiando-se na borda da mesa.

- Isso é uma oferta de trabalho? Porque, se for, está perdendo seu tempo. Estou comprometida com o Eterna.

Mateo inclinou levemente a cabeça, como se já esperasse aquela resposta.

- Entendo sua lealdade, mas gostaria que considerasse isso: a Arcadia está disposta a oferecer o dobro do seu salário atual, além de um cargo de liderança em nossa equipe de design. Você poderia liderar projetos que mudariam o panorama urbano do país. É uma oportunidade única.

Elena sentiu um nó se formar em seu estômago. A oferta era tentadora, sem dúvida. Mas sabia que não era apenas o talento dela que a Arcadia queria. Havia algo mais por trás daquele sorriso perfeito.

- Por que agora? - perguntou, estreitando os olhos. - Por que estão tão interessados em mim de repente?

Mateo soltou uma breve risada.

- É uma combinação de fatores. Seu talento, é claro, mas também seu papel no Eterna. Sabemos que você é uma das figuras-chave nesse projeto. Tê-la conosco seria um golpe estratégico para nossa empresa.

- E se eu disser que não? - Elena arqueou uma sobrancelha, desafiando-o.

Mateo ajustou a gravata, sua expressão se tornando ligeiramente mais séria.

- Então, teria que lembrá-la de que decisões têm consequências. Ouvi rumores, senhorita Soler. Rumores sobre sua relação com Sebastián Leduc.

O ar pareceu escapar dos pulmões de Elena. Seu olhar endureceu.

- Não sei do que está falando.

- Não sabe? - Mateo sorriu novamente, mas desta vez seu tom era mais cortante. - Digamos que seria uma pena se esses rumores chegassem aos ouvidos errados. Sebastián Leduc não é conhecido por sua paciência com escândalos. E você... bem, sua reputação poderia ser comprometida.

Elena apertou os punhos, mas forçou-se a manter a calma.

- Está me ameaçando?

- De forma alguma - respondeu Mateo, fingindo surpresa. - Apenas apresentando opções. Você pode vir conosco e evitar qualquer... complicação futura. Ou pode ficar aqui e lidar com as consequências.

Elena o encarou, avaliando cada palavra, cada gesto. Finalmente, deu um passo à frente.

- Diga a quem o enviou que eu não sou alguém fácil de intimidar. E que, se tentarem algo, serão eles que enfrentarão as consequências.

Mateo piscou, claramente surpreendido pela resposta. Depois, com um leve encolher de ombros, fechou a pasta.

- Como quiser, senhorita Soler. Mas lembre-se: as portas da Arcadia estarão sempre abertas para você.

Com isso, saiu do escritório, deixando-a sozinha com um milhão de pensamentos girando em sua cabeça. Ela sabia que não podia ignorar aquela ameaça. Se alguém começasse a investigar demais, poderia descobrir o que havia acontecido entre ela e Sebastián. Embora, tecnicamente, nada tivesse acontecido. Ainda.

Mais tarde naquele dia, Sebastián a convocou para uma reunião em seu escritório. Quando Elena entrou, o encontrou revisando documentos, sua expressão tão severa como sempre. Mas algo em seus olhos mudou ao vê-la. Era quase imperceptível, um lampejo de algo que poderia ser preocupação.

- Como estão os ajustes da ponte? - perguntou sem levantar os olhos dos papéis.

- Prontos e entregues - respondeu Elena, mantendo o tom profissional.

Sebastián assentiu, mas não disse mais nada. O silêncio se prolongou, carregado de uma tensão palpável. Finalmente, Elena decidiu falar.

- Hoje recebi uma visita da Arcadia Developments.

Isso chamou sua atenção. Sebastián levantou o olhar, seus olhos cravando-se nos dela.

- Arcadia? O que queriam?

- Tentaram me recrutar. Com uma oferta bem generosa, devo dizer.

Sebastián franziu o cenho, seus lábios se comprimindo em uma linha fina.

- Você aceitou? - perguntou, embora seu tom deixasse claro que não esperava essa resposta.

Elena soltou uma breve risada.

- Não. Disse que não estou interessada. Mas não se tratava apenas de uma oferta de trabalho. Eles me ameaçaram.

Sebastián se levantou da cadeira, seus olhos se escurecendo.

- Ameaçaram você? Como?

- Mencionaram rumores... sobre nós.

Um silêncio pesado caiu entre eles. Sebastián cruzou a sala até ficar diante dela, a mandíbula tensa.

- Não vou permitir que ninguém a use como arma contra mim. Se a Arcadia tentar algo mais, eu saberei e os impedirei.

Elena o olhou, surpresa pela intensidade em sua voz. Havia algo profundamente protetor em sua postura, algo que fez seu coração acelerar.

- Sebastián, isso não é só sobre você. Está em jogo minha reputação, minha carreira. Se esses rumores vierem à tona, eu não sairei ilesa.

- Então, não vamos deixar que venham à tona - disse com firmeza. - E, se vierem, me certificarei de que você não sofra as consequências.

Elena balançou a cabeça, dando um passo para trás.

- Isso é exatamente o que eu queria evitar. Esse tipo de complicação. Nunca deveríamos...

- Nunca deveríamos o quê? - interrompeu Sebastián, avançando um passo. - Sentir algo? Nos importarmos um com o outro? Fingir que nada está acontecendo?

- Exato. Porque isso só vai nos machucar.

Sebastián a encarou em silêncio, sua respiração pesada. Finalmente, falou, sua voz mais suave.

- Não posso prometer que será fácil, Elena. Mas também não posso fingir que você não me importa. Porque você importa mais do que deveria.

Elena fechou os olhos, lutando contra as emoções que ameaçavam transbordar. Queria acreditar nele, queria confiar, mas o peso da realidade era grande demais.

- Não sei se isso vale a pena, Sebastián. Não sei se podemos vencer essa batalha.

Ele levantou uma mão, acariciando suavemente sua bochecha.

- Deixe-me mostrar que podemos.

Por um momento, Elena permitiu que sua guarda baixasse, inclinando-se levemente ao toque dele. Mas, então, com um esforço titânico, deu um passo para trás.

- Não aqui. Não agora.

Sebastián assentiu, seu olhar cheio de uma mistura de tristeza e determinação.

- Tudo bem. Mas isso não acabou.

Elena saiu do escritório, sentindo-se ainda mais sobrecarregada. Enquanto caminhava em direção ao elevador, não podia deixar de se perguntar quanto tempo mais poderiam continuar nessa perigosa dança antes que tudo desmoronasse.

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