, eu sou Colleen Hoover e estou pronta para começar.
No anúncio da fusão da empresa, meu noivo roubou meu projeto e o entregou para sua amante, minha protegida.
Ele me humilhou publicamente, anunciando o noivado com ela no palco e me descartando como lixo.
Para me forçar a pedir perdão, ele ameaçou a vida da minha avó doente. Sofri um acidente de carro, mas, mesmo ferida e sangrando, tive que me ajoelhar e implorar por sua misericórdia.
Por dez anos, vivi presa a uma dívida de gratidão, acreditando que ele havia salvado minha família de um incêndio. Eu sentia que devia tudo a ele.
Mas no meu momento mais desesperador, o maior rival dele apareceu. Ele não só se casou comigo no mesmo dia, como também revelou a verdade chocante: o verdadeiro herói que me salvou do incêndio era ele, e Artur havia roubado o crédito para me aprisionar por uma década.
Capítulo 1
Beatriz Gentil POV:
Quando ele anunciou a fusão, a primeira coisa que senti foi um calafrio na espinha. Não era o frio do ar condicionado, mas algo mais profundo, mais insidioso. Meu telefone vibrou no bolso, mas ignorei. Havia algo no ar, uma tensão que eu conhecia bem demais.
A voz de Artur preencheu o auditório lotado, suave e confiante como sempre. Meu noivo. Ou, eu pensava, meu noivo. A forma como ele deslizava as palavras, como um manipulador nato.
Ele estava ao meu lado, mas seus olhos não me encontravam. Não mais. Eles buscavam outra pessoa na multidão.
Sofia Godinho.
Minha respiração engatou. Minha protegida. A mulher que eu trouxe para a empresa, que ajudei a crescer.
Artur sorriu para ela, um sorriso que nunca mais seria meu.
Ele começou a falar sobre o futuro, sobre a inovação, sobre a parceria. Mas não era a parceria que esperávamos. Não era a nossa parceria.
Meu estômago se revirou, e uma náusea subiu pela minha garganta.
Ele segurou a mão de Sofia, elevando-a como se fosse um troféu.
"E é com grande orgulho que apresento a vocês a mente brilhante por trás desta nova era," Artur declarou, seus olhos fixos nos dela. "Sofia Godinho."
A sala explodiu em aplausos, mas para mim, tudo girava.
Era o meu trabalho. O meu projeto.
As palavras de Artur eram como lâminas afiadas, cortando cada pedaço de orgulho que eu tinha. Minhas mãos tremiam, mas eu as cerrei, tentando manter alguma aparência de controle.
Eu olhei para os lados, para o rosto das pessoas. Todos sorriam, aplaudiam, ignorando a mulher que desmoronava silenciosamente no palco.
Senti meus olhos arderem, mas me recusei a chorar. Não ali. Não na frente deles.
Artur e Sofia se beijaram. Um beijo para a plateia, um beijo para me destruir.
Meu mundo rachou. A raiva começou a ferver dentro de mim, queimando todas as lágrimas.
Ele me traiu. Ele roubou meu trabalho. E ele me humilhou publicamente.
Quando os aplausos diminuíram, e eles se afastaram, Artur finalmente me olhou. Seu olhar era frio, quase vitorioso. Como se quisesse ver minha reação, desfrutar da minha dor.
Eu respirei fundo, controlando a tremedeira na minha voz. Minhas unhas cravavam na palma da mão.
"Ele não vai me derrubar", pensei. "Não dessa vez."
O auditório começou a esvaziar, as pessoas murmurando, apontando.
"Ela não vai aguentar", ouvi alguém sussurrar.
"Que vergonha. A coitada foi enganada."
"Ela não tem onde enfiar a cara agora."
Minha visão ficou turva por um momento, mas eu me recuperei. Eu não era uma coitada. Eu era Beatriz Gentil.
Artur estava rindo com Sofia, parecendo aliviado, como se um peso tivesse saído de seus ombros.
Eu senti uma urgência em meu peito, uma necessidade de agir, de quebrar a narrativa que ele havia imposto.
"Não", eu disse, minha voz um pouco mais alta do que o planejado.
Os poucos que ainda estavam ali pararam suas conversas e se viraram para mim.
Artur e Sofia também pararam, os olhares confusos.
"Eu não fui traída", minha voz ganhou força, ecoando pelo microfone que eu peguei de repente. "Fui libertada."
Artur franziu a testa, a surpresa em seu rosto quase engraçada.
"E já que a parceria de vocês está tão bem encaminhada," eu continuei, ignorando a dor aguda em meu peito, "eu também encontrarei um parceiro. Um parceiro melhor."
O silêncio era esmagador. As últimas pessoas que ainda estavam no auditório se entreolharam.
"Essa mulher perdeu a cabeça", alguém comentou.
"Que descaramento! Quem vai aceitar ela agora?"
"Depois da humilhação, quem quer essa mulher como parceira?"
Eu estava no limite. Minha voz embargou um pouco.
"Alguém", eu disse, olhando para a multidão, buscando um rosto, um sinal, qualquer coisa. "Qualquer um."
Beatriz Gentil POV:
O silêncio se estendeu. Ninguém se moveu. Ninguém falou. Os olhares que recebi foram de pena, de vergonha alheia. Meu coração batia forte no peito, cada batida acompanhada pela pulsação em minha têmpora. Eu estava à beira do colapso, o tremor incontrolável se espalhando pelos meus braços. O mundo parecia encolher ao meu redor, Sufocante.
"Quem aceitaria ser parceiro dela agora?" ouvi um murmúrio vindo do fundo da sala.
"Ela está desesperada, totalmente sem moral. Ninguém de peso vai querer associar a imagem com alguém que acabou de ser chutada publicamente assim."
Senti o golpe. A humilhação. A verdade nua e crua de que eu estava sozinha, exposta e vulnerável.
Meus olhos começaram a marejar, a garganta fechada, mas me forcei a manter o queixo erguido. Eu não daria a eles a satisfação de me ver chorar. Não para Artur, não para Sofia, não para o mundo.
Foi então que uma voz grave e firme cortou o ar.
"Eu aceito."
O som veio da parte de trás do auditório, e todos se viraram, chocados. Eu também me virei, meu coração acelerado, a esperança e o medo lutando dentro de mim.
Quem era ele?
Um homem alto, de terno perfeitamente ajustado, caminhava em minha direção. Seus passos eram confiantes, determinados. O rosto, emoldurado por cabelos escuros e olhos penetrantes, era inconfundível.
Dante Do Rêgo.
O maior rival de Artur. O lendário empresário, conhecido por sua integridade e seu império nos negócios.
Minha mente correu para o passado, para os poucos encontros que tive com ele. Sempre em eventos de negócios, sempre um adversário silencioso de Artur.
Lembrei-me de um incidente, anos atrás, quando eu estava começando e um erro quase arruinou um projeto. Artur me humilhou, me trancou em uma sala fria de armazenamento como punição. Dante, que estava por perto, notou minha ausência e, discretamente, perguntou sobre mim. Quando descobriu, ele me ajudou a sair, sem dizer uma palavra sobre isso a Artur.
Outra vez, Artur, em um acesso de raiva ciumenta, me forçou a entrar em um rio gelado durante uma tempestade. Dante, que estava pescando nas proximidades, me viu e me puxou para fora, me cobrindo com seu próprio casaco, antes de Artur sequer notar meu sumiço. Ele nunca contou a Artur.
Ele sempre foi uma sombra protetora, um observador silencioso. Mas nunca um participante direto nos jogos cruéis de Artur.
Seria isso mais uma armadilha? Um jogo orquestrado por Artur para me humilhar ainda mais? Minha desconfiança era um reflexo de anos de manipulação.
"Por que ele faria isso?", pensei. "Ele sabe o que Artur é capaz de fazer."
Ainda assim, a ideia de ter alguém ao meu lado, alguém que não fosse Artur, era inebriante. Mesmo que fosse por um breve momento.
"Ela está desesperada. Esse Dante só pode estar brincando", ouvi alguém dizer.
"Que péssima escolha. Ela está se jogando nos braços de outro problema."
Dante parou diante de mim, seus olhos encontrando os meus. Havia uma intensidade neles, mas também uma estranha calma. Seu olhar era firme.
"Eu aceito a sua proposta, Beatriz", ele disse, sua voz ressoando com autoridade. "Serei seu parceiro."
Minha garganta secou. Eu estava atordoada demais para falar.
Artur, que até então parecia petrificado, finalmente reagiu. O rosto dele ficou vermelho, os olhos arregalados de fúria.
"Dante, você não pode estar falando sério!", Artur gritou, a voz cortando o ar como um chicote. "Essa mulher é um problema. Ela é minha!"
Dante apenas sorriu, um sorriso calculista, que não atingia seus olhos.
"Ela acabou de dizer que estava livre, Artur", Dante retrucou, a voz calma e com um toque de ironia. "E eu estou apenas oferecendo uma nova oportunidade."
Eu engoli em seco. O que estava acontecendo?
"Eu... Eu aceito sua oferta", eu disse, minha voz ainda trêmula, mas com uma nova faísca de desafio. "Mas com uma condição."
Dante levantou uma sobrancelha, curioso.
"Nós nos casaremos", eu declarei, olhando diretamente para Artur. "Agora. Nesta tarde."
O auditório explodiu em um burburinho. Artur cambaleou, como se tivesse levado um soco no estômago. Sofia, até então sorridente, empalideceu.
Dante me olhou, seus olhos avaliando. Por um momento, pensei que ele recusaria. Mas então, um sorriso lento e perigoso se formou em seus lábios.
"Concordo", ele disse. "E faremos isso público. A união de nossas empresas será celebrada com a nossa união pessoal."
"Não pode ser real", Artur murmurou, sua voz embargada pela raiva e incredulidade. Ele estava pálido, chocado.
No final da tarde, eu estava em um cartório, ao lado de Dante. O processo foi rápido, quase surreal.
O homem que eu conhecia apenas como o rival de Artur agora era meu marido.
A certidão de casamento em minhas mãos parecia pesada, o papel um contraste gritante com a leveza que eu sentia. Uma estranha mistura de alívio e pânico.
Olhei para a foto do documento: eu, com os olhos vermelhos de exaustão e choque, ao lado de Dante, que parecia perfeitamente calmo e controlado.
A separação de Artur era agora final, irreversível.
"Se você quiser o divórcio amanhã, eu o darei", Dante disse, sua voz suave, quebrando o silêncio. "Não estou te prendendo a nada."
Meus olhos se encheram de lágrimas, mas não eram lágrimas de tristeza. Eram de um estranho alívio, e de uma gratidão inesperada. A dor que eu sentia por dentro era constante, mas a oportunidade que ele me oferecia era real.
Eu balancei a cabeça, a decisão tomada. "Não. Eu aceito este casamento."
Dante me olhou surpreso, como se esperasse uma resposta diferente. "Você realmente quer isso?"
"Eu não sou uma mulher de segundas intenções", eu disse, minha voz mais firme do que eu esperava. "Minha reputação já foi destruída hoje. Mas eu não sou uma covarde."
A imagem de Artur me humilhando, roubando meu trabalho, ainda queimava em minha mente. A década de controle, de me sentir em dívida com ele, tudo isso me esmagava.
Sofia. O rosto dela, zombeteiro, enquanto Artur me menosprezava. A indiferença dele à minha dor. Seu foco total nela, garantindo que ela estivesse confortável, enquanto eu sofria.
Eu havia permitido que isso acontecesse por tempo demais. Mas agora, tudo estava mudando.
Meu telefone vibrou. O nome de Sofia apareceu na tela.
Artur havia bloqueado Sofia em meu telefone por anos, depois me forçou a desbloqueá-la quando ele sentia ciúmes das raras vezes que eu falava com outras pessoas. Agora, ela estava livre para me enviar mensagens.
"Você realmente acha que ele se importa com você? Ele só quer me irritar", a mensagem dizia, seguida por um emoji de risada.
Outra mensagem apareceu: "Ah, e parabéns pelo casamento de faz de conta. Aposto que foi divertido para ele. Mas é a mim que ele leva para casa."
Eu senti a raiva subir. A repetição. A mesma história, de novo e de novo. Por anos, eu suportei as provocações dela, as manipulações de Artur, e a constante defesa dele em favor dela. Eu sempre engolia meu orgulho, mantinha minhas insatisfações em silêncio.
Mas não mais.
Eu a bloqueei.
Enviei uma última mensagem para ela, antes de o bloqueio se concretizar. "Você não sabe de nada sobre o que é o amor."
Beatriz Gentil POV:
"Nós vamos para a lua de mel", eu declarei, minhas palavras soando estranhas, mas firmes.
Dante me olhou, uma ruga de confusão em sua testa.
"Agora", eu acrescentei, antes que ele pudesse perguntar. "Precisamos de um novo começo. Longe daqui."
Eu já estava comprando as passagens aéreas no meu telefone, meus dedos ágeis digitando, uma pressa súbita tomando conta de mim. A necessidade de sair, de escapar daquele inferno, era avassaladora.
"Precisamos ir para casa primeiro, pegar algumas coisas", Dante disse, com a voz calma, mas com um toque de urgência.
Assenti, sem tirar os olhos da tela. Ele estava certo. Eu precisava ir para casa, para a casa que eu compartilhava com Artur, e retirar minhas últimas posses. A ideia de entrar naquele lugar novamente me embrulhava o estômago, mas era necessário.
Enquanto dirigíamos para o que ainda era, tecnicamente, minha casa, uma estranha sensação de liberdade começou a se instalar em mim. Eu era uma mulher casada de novo. Mas desta vez, as circunstâncias eram completamente diferentes.
Meu telefone tocou. O nome de Artur apareceu na tela.
Um arrepio percorreu minha espinha. Ele sempre fazia isso. Me bloqueava, me forçava a implorar para que me desbloqueasse, apenas para me humilhar. Mas desta vez, ele me desbloqueou rapidamente. Era um sinal de sua urgência.
"Ele deve estar furioso", pensei. "O casamento... ele não vai aceitar isso."
Respirei fundo e atendi.
"Beatriz! Como você ousa bloquear Sofia?!" a voz dele explodiu no meu ouvido, cheia de raiva e incredulidade. "Você sabe o que ela significa para mim!"
Meus dedos apertaram o volante, a dor no meu peito era quase insuportável, mas eu me forcei a manter a calma.
"Não vou pedir desculpas por proteger minha sanidade", eu disse, a voz embargada, mas firme.
"Você vai desbloqueá-la agora e pedir desculpas, ou juro que vai se arrepender", ele ameaçou, o tom frio e cortante.
"Eu...", tentei começar, querendo contar sobre o casamento, sobre minha nova vida.
Mas ele me interrompeu com uma risada cruel. "Você não tem coragem, Beatriz. Você nunca teve."
"Não me teste, Artur", eu disse, minha voz tremendo, mas com uma nova determinação. "Você não sabe do que sou capaz agora."
A risada dele cessou. Houve um silêncio tenso.
"Ah, é mesmo? Quer saber do que sou capaz?", ele disse, a voz fria como gelo, e meus olhos se arregalaram. "Sua avó está no hospital, não está? Naquele hospitalzinho particular da nossa família. Onde ela recebe o tratamento exclusivo dela."
Meu sangue gelou. Minha avó.
"O que você fez?", minha voz saiu em um sussurro aterrorizado.
"Digamos que, se você não aparecer em uma hora para pedir desculpas a Sofia e implorar pelo meu perdão, sua avó pode ter uma 'pioria' repentina. E quem sabe... Ser transferida para um hospital público. Sem o medicamento especial dela. Ou pior. Para a rua."
Meu coração parou. Ele sabia. Ele sabia o quanto minha avó significava para mim. Ele estava usando a única pessoa que eu amava de verdade contra mim.
"Artur, por favor, não faça isso! Ela é frágil, ela não tem culpa de nada!", eu implorei, minha voz se quebrando em desespero.
Ele apenas riu. Uma risada fria e sem alma.
"Você tem uma hora, Beatriz. Ou as consequências serão dela. E você sabe que não estou brincando."
E então ele desligou.