– Mas que semestre chato!!! – Berrou Marx na esperança de iniciar mais uma daquelas conversas irresistíveis de final de prova.
A Escola Elementar Tários era palco de incontestável euforia e ansiedade frenética de adolescentes que se sentiam oprimidos pelas infinitas perguntas em provas finais e excitados com a ideia de se livrar de mais uma vida perdida numa carteira, afinal de contas se aproximavam as férias de verão. Faltavam apenas três provas para encerrar romances, iniciar novos amores semestrais, fazer novas amizades cuja efemeridade atinge a velocidade Mac 05, enfim, faltavam apenas três provas para ir de férias e perder metade da adolescência em memórias que não seriam lembradas, mas isso se mostraria terrivelmente errado.
– A prova de hoje foi um saco, quem precisa dessecar sapos para passar de ano? Basta um pouco de sensualidade e popularidade para se formar. – Reafirmou Marx em jeito de protesto ao silêncio desinteressado do seu fiel cachorrinho, como ela mesma o via, Mack, que mais se mostrava absorto nas possibilidades da próxima prova do que nas abobrinhas de uma patricinha, como ele mesmo a via, que apenas quer ser popular.
– Que pirralha mais narcisista.- Mack pensou.
O Mack via a Marx como um diamante, literalmente, precioso, mas sem consciência. Para ele Marx era uma patricinha de riqueza que chegava a ser sufocante, porém, a estupidez dela superava até a imobilidade das pedras, o que era muito conveniente para ele e para os seus projectos bilionários, embora ele mesmo não pudesse sequer pagar um corte decente de cabelo.
– Não reclames Marx, faltam apenas três provas para você sufocar em tecidos italianos e se afogar em banhos de spa. – Tais palavras saíram com um misto de disfemismo e despercebida malícia.
– Falou o génio sempre esforçado. – O sarcasmo de Marx era reflexo do desmedido desprezo por Mack, que para ela, nada mais era senão um cachorrinho inteligente, sempre disposto a fazer-lhe os trabalhos de casa na esperança de ganhar um beijo, simplesmente um sapo que nunca encontrará sua princesa.
Mack e Marx tinham a amizade mais tóxica que se podia imaginar, simplesmente odiavam-se, nenhum dos dois suportava o outro, mas para eles, estar juntos era um sacrífico confortável, um sacrifício não tão grande se comparado aos dos filmes de terror onde pessoas tem mortes bastante ritualistas e grotescas, concordavam os dois em pensamento.
– Mack, Mack, Mack!!! O que tanto te distrai no seu mudinho do tamanho de nada?
– Nada luxuoso o suficiente para você entender patri... princesa.
– Seu... – Marx se conteve por um instante, depois preferiu continuar sua caminhada sozinha, abandonando Mack numa pequena ruela que daria logo à sua casa.
Marx continuou até que se deparou com gente da sua laia, suas melhores amigas Fly e Vinia, aquele encontro não era exatamente fortuito, ele servia de momento para o planejamento das tão ansiadas férias de verão, das quais participariam as três, romanticamente acompanhadas pelos seus cavaleiros brancos e esbeltos, ou simplesmente babacas, com certeza Mack os descreveria assim.
– Vamos meninas, precisamos pensar logo no que faremos. – Vinia iniciou a conversa.
– Simples Vinia, vamos comprar roupas novas, ficar chapadas e namorar muito, o de sempre. –Marx falou com tanta sabedoria que parecia um ancião explicando as tradições aos mais leigos.
– Vamos fazer algo diferente este ano, chega de spas, discotecas e shoppings. Façamos algo mais perigoso, mais excitante, algo completamente fora do normal.
– Virou agente de turismo Fly? – A ironia chegava a ser poética, Fly odiava viagens.
– Não teve graça Vinia, apenas quero me libertar um pouco esse ano, sair do clichê, experimentar umas bizarrices. – Essas palavras pareciam pré-cognitivas.
– E o que você sugere Fly? – Perguntou Marx interessada.
– Sei lá, florestas, grutas, praias desertas, ilhas, coisas do gênero.
– Aposto que a Marx vai levar um monte de sapato alto para escalar uma montanha. – Vinia proferiu tais palavras em jeito de piada, ela mesma não se absteve de rir.
– Ha,ha, ha!! A Vinia sempre engraçada, que bom que sua casa fica logo depois da esquina. Vejo você amanhã comediante. – despediu-se Marx de Vinia, mais por se cansar das suas piadas do que por ela já estar perto de casa.
Apenas Marx e Fly continuavam sua caminhada. Depois de despedir-se de Vinia, as duas optaram por fazer uma pequena pausa no Gentle Garson para tomar um lanchinho e aprofundar mais os seus planos.
As duas pediram sumo de uvas e bolinhos de soja. Era tradição da Gentle Garson deixar mensagens de sorte nos seus bolinhos de soja, o que era um grande atrativo aos clientes, que passaram a chamar os bolinhos de bolinhos da sorte certa, para os clientes, aquelas mensagens eram o mais próximos de uma previsão futurista certeira, bom, claro que para outros, aquilo não passava de uma estratégia criativa de marketing, e para outros, pura estupidez.
Ao abrir o seu bolinho, Marx encontrou um papel cilindricamente enrolado e cuidadosamente ocultado no bolinho. Ao desenrola-lo, eis que encontrou as seguintes palavras:
A morte é tão isolada quanto uma ilha – ela logo concluiu que o Chef do Gentle Garson era mesmo estúpido.
Fly, ao abrir o seu bolinho, deparou-se com a mensagem: bebei deste sangue; inconsciente as duas concordaram em fazer pouco caso das mensagens e voltaram-se ao que realmente importava.
– Faltam ainda três provas para fechar o semestre. – As palavras de Fly foram completamente desprezadas pela amiga.
– Quem se importa? Faltam dois dias para o início da diversão. – Para Marx as férias eram tudo que importava.
– Nem todas tem um nerd babando e resolvendo as provas por elas.
– O Mack é realmente um bom cachorrinho, com certeza ele já tem algo pronto para mim amanhã.
– Que inveja tenho de você Marx, queria eu ter um idiota feito ele babando e estudando por mim.
– Deixe disso. Fale com os meninos para prepararem tudo que sairemos logo depois da prova.
– E o Mack, ele irá connosco?
– Deixe de ser tonta garota! Não precisamos de um burro de carga, ele ficará aqui se divertindo com os amiguinhos do esgoto.
– O Mack é bem estranho, não é? Uma vez encontrei um álbum de fotos na mesa dele, estava completamente empoeirado e não tinha absolutamente foto alguma, mas as vezes ele olhava para o álbum e sorria ou chorava, como se estivesse vendo fotos nostálgicas.
– Haff!!! Basta Fly, falar do Mack só me deixa com o estômago embrulhado.
– Você não acha estranho ele nunca ter apresentado um parente nas reuniões dos pais e tutores? Com que ele vive, onde está a família dele?
– Alô!!! As nossas férias, esse é o assunto pontual aqui, além do mais não é como se me importasse com aquele pedaço de lixo, apenas ando com ele porque ele é um bom cachorrinho, estou apenas o mantendo na coleira.
– Claro Marx, claro.
A conversa ficou um pouco estranha, falar tanto de Mack deixou Marx incomodada, ela, por um momento, sentiu o ar rarefeito e agressivo aos pulmões, mas com certeza era coisa da cabeça dela, assim Marx pensou.
Continua...
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No dia seguinte, Vínia, Marx e Fly tinham mais uma típica conversa de final de prova e Marx, no seu imaculado narcisismo, se gabava da boa nota que com certeza teria, já que foi Mack que muito discretamente respondeu as questões da sua prova. Fly, a mais reservada e consciente do grupo, apresentou os planos mais concretos para as férias que celeremente se aproximavam, e as suas amigas, ou por confiarem nela, ou por acharem a tarefa de planificar férias demasiado trabalhosa, apenas concordavam com tudo que Fly sugeria, ambas quase sendo absorvidas pelas telas dos seus celulares.
Sem que elas notassem, Mack aproximou-se delas. Para o espanto das meninas, Mack se apresentava organizado como se estivesse prestes a participar de um evento solene, trazia umas calças de um azul sombrio, um terno de igual tonalidade e uma camisa preta, o seu sapato preto estava tão polido que era possível ver as nuvens efémeras do céu reflectidas na sua superfície. O seu cabelo, geralmente crespo e desgrenhado, estava cuidadosamente penteado a moda gentleman da Inglaterra e sobre sua cabeça um chapéu preto-vermelho dava-lhe um aspecto ainda mais cerimonial e de certa forma, oculto. Trazia com ele o seu álbum, bem polido e com a capa restaurada. Na capa frontal do Álbum encontravam-se as seguintes escritas: igzim meora satrus; e mais ao fundo da capa: satrus imina lorah.
Mack, que sempre pareceu maltrapilho e de postura vergada, hoje estava esbelto e imponente, exibindo os seus 1,89 m de altura e um sorriso sinistramente sedutor.
Ao aproximar-se, Mack muito cordialmente dirigiu-lhes a palavra:
– Meninas!
– Mack? – Perguntou Marx atónita. Ela não via o seu cachorrinho naquele momento, e sim um homem esmagadoramente sedutor.
– Sim, sou o Mack. Queridas, poderiam contar-me mais sobre as férias de verão que vocês pretendem?
– Claro Macky! – Disse Vínia quase hipnotizada.
– Vínia!!!! Você não pode simplesmente sair por aí partilhando nossos planos com qualquer um.
Marx ainda resistia ao charme de Mack, mesmo sentindo-se realmente tentada a passar a tarde com aquele cavalheiro bem na sua frente.
Mack lançou um olhar invasivo sobre Marx que a deixou completamente vulnerável ao misterioso charme daquele homenzinho. Ela mesma começou a contar para Mack sobre os planos para as férias.
Enquanto Vínia e Marx submergiam cada vez mais inconscientes no charme de Mack, Fly projectava um olhar perscrutador ao álbum que Mack trazia, principalmente às escritas em língua estranha que o álbum ostentava. Depois de um tempo, por algum motivo, Fly abandonou sorrateiramente o pátio e voltou para o edifício principal da escola, dirigiu-se à sala de computadores e lançou-se em pesquisas das quais só ela mesma poderia falar.
Depois de um tempo ouvindo as meninas, Mack voltou a falar, sua voz estava tão suave quanto os flocos de neve que impressionavam a todos no inverno.
– Se me permitem sugerir, a Ilha Erha fica mortiferamente linda no verão, as flores ganham vida e as árvores descrevem danças teatrais enquanto suas folhas assobiam sinergicamente. – As palavras de Mack tinham sempre esse toque sóbrio, quase como se ele as usasse simplesmente para expressar um desejo assassino, ou para enfatizar a imutabilidade da morte.
– Iha Erha? Onde ela fica? Nunca antes ouvira falar dela. – Marx mostrou-se bastante interessada na sugestão de Mack.
– É uma pequena ilha localizada mais no extremo setentrional daqui, as árvores lá são milenares, mas os seus troncos ainda carregam o vigor de crianças e as suas folhas gritam ao som dos ventos que por lá predominam.
– E você, já esteve lá Macky? – Mais uma vez Vínia tratou Mack como se os dois fossem amigos inegáveis.
– Sim, por acaso é lá onde fica o meu lar, minha família.
Enquanto a conversa entre Mack, Vínia e Marx decorria, Fly retornou das suas pesquisas, o seu semblante ostentava ligeira decepção. Chegou no exato momento em que Mack, explicava sobre o seu lar e sua família.
– Porquê sua família nunca veio visitar você? – Perguntou Fly seguindo o fluxo da conversa.
– Eles são bem discretos e reservados, preferem receber visitas do que visitar, e aposto que ficarão bem entusiasmados ao ver vocês por lá, talvez até tirem uma foto.
Para a intuição de Fly, aquelas palavras pareceram terrivelmente agourentas e sinistras. Ela parecia ser a única que não estava assim tão impressionada com a performance de Mack, talvez por ser reservada, ou simplesmente por, mesmo sendo da mais alta classe social, nunca ter olhado Mack como um pedaço de lixo ou mendigo, no entanto também não via como alguém digno de interesse, ela sempre manteve uma posição meio neutra perante ele.
As palavras de Mack assustaram Fly, que logo depois arrastou as amigas que pareciam que dali nunca mas sairiam. Enquanto Fly arrastava suas amigas que a seguiam relutantes, Mack sorriu de forma gélida e despediu-se das três, como se estivesse a despedir de alguém cuja vida cessaria num futuro imediato.
– É sério meninas, aquele garoto tem um problema.
– Quem? – Perguntaram Marx e Vínia em uníssono.
– Como assim quem? O Mack claro. Porquê ele anda com aquele álbum de fotos vazio?
– Espera aí, você esteve com o Mack hoje?
– Ihhh!!! Olha só, a Fly virou madre agora, anda até conversando com mendigos. – Comentou Vínia no seu imensurável senso de humor.
A pergunta de Marx e o comentário de Vínia não tiveram graça para Fly, afinal de contas foram as duas que mais conversaram com Mack.
– Deixem de brincadeiras meninas. Acho melhor você parar de andar por aí com o Mack, existe algo intensamente obscuro naquele menino Marx, é sério. – As palavras de Fly demostravam preocupação ou talvez, um certo receio.
– Você precisa parar de ouvir podcasts do Stephan King, o Mack é só um ratinho de esgoto, nada mais, além do mais eu não preciso mais dele, a prova de amanhã é simples demais e já estava na hora de eu me livrar daquele lixo ambulante. Eu já não o suportava mesmo.
– Relaxe Mãezinha, a Mack vai deixar de andar com o namoradinho do esgoto. – Assegurou Vínia, sempre se servindo de frases cómicas, era o que ela achava dos seus comentários, para expressar suas ideias.
Fly percebeu que a postura das amigas mudou completamente, do mesmo jeito que mudou quando elas viram Mack mais cedo, elas, que antes mostravam um fascínio descontrolado por Mack, agora voltavam a entregá-lo como um maldito, nojento e sem utilidade alguma. Parecia que aquele momento foi um transe do qual as amigas finalmente acordaram, e não existiam resquícios de memória daquele momento nas mentes de Vínia e Marx; assim concluiu Fly.
Ela tentou insistir na conversa, mas quanto mais falava, mais parecia que tudo era apenas invenção da sua cabeça, e depois de algum tempo, ela mesma parecia não saber mais se se tratava de uma memória ou de uma criação nada agradável da sua cabeça.
No dia seguinte, depois da prova, nenhuma das três tinha certeza do que aconteceu no dia anterior, principalmente Fly, que tinha flashes de memória sobre alguma coisa ou coisa nenhuma, apenas lembravam de um dia normal, sem nada extraordinário. A conversa era sobre a última prova concluída, porém logo voltou então para o que mais importava, as férias.
Enquanto caminhavam e conversavam sobre o assunto, apareceu-lhes um senhor de estatura média, as suas mãos demonstravam muita experiência com o machado e florestas, no entanto o seu rosto quase juvenil era o de alguém esgotado pelo trabalho em cidades barulhentas, um rosto que queria logo sair daquela cidade e encontrar um cantinho quieto para repousar. O senhor trajava um terno branco como a neve, assim como suas calças e sapatos, por baixo do terno, uma camisa vermelha espreitava à moda Elvis Preslay, Vínia não perdeu a oportunidade de exibir mais uma vez o seu talento como comediante.
Pouco antes de passarem por ele, o senhor as interpelou, fazendo poucas cerimónias e com frases curtas, mas eloquentes, ofereceu-lhes panfletos turísticos de uma ilha ao norte dali, onde as árvores ficavam sedutoras no verão e as flores exibiam uma beleza digna de deuses. Ao ler o nome da ilha, Fly pensou tê-lo ouvido antes em algum lugar, perguntou as amigas, mas elas apenas disseram que deve ser uma nova formação geográfica que surgiu devido ao movimento das placas tectónicas ou sei lá, essas coisas acontecem muito ultimamente.
Enquanto debatiam, sem que notassem, o senhor simplesmente desapareceu, deixando para trás os seus panfletos.
– Antes que me esqueça, os meninos não virão. – Lembrou-se Fly. – O Dante tem de pousar para uma nova marca de perfumes, o Jazz precisa frequentar aulas de reforço e Francis vai viajar pelo mundo com os pais, enfim seremos só nós.
Marx e Vínia se mostraram um pouco decepcionadas com a notícia, mas logo Fly tentou mudar o cenário dizendo que uma viagem de meninas era exatamente o que elas precisavam para se distrair e fortalecer seus laços.
Continua...
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Terminadas as provas do dia seguinte, as férias estavam oficialmente declaradas, não demorou muito para que as amigas corressem para casa, dessem um beijo nos seus pais e se aprontassem para a viajem que não mais podia esperar, a Ilha Erha era o destino, havia um tipo de sugestão hipnótica na mente das meninas que as seduzia a lá ir.
As amigas preferiram fazer uma viagem de carro, para elas seria ideal e assim tinham muito mais para ver. Contrataram um motorista especializado na orientação de turistas, o homem não falava muito, mas mostrava ter muito conhecimento sobre rotas de viagens e lugares dignos de apreciação. A primeira paragem foi no MobyDick Square, um aquário especialmente dedicado a baleias. Enquanto apreciavam aqueles nadadores colossais, Marx começava a ter relances de memória de um cavalheiro meio misterioso com quem conversou há dois dias, mas não deu importância, para uma pessoa como ela, cavalheiros querendo namorá-la era simplesmente comum.
– Vocês perceberam que o Mack não foi a escola hoje? Ele não é o tipo que perde uma prova, mesmo por doença.
– Você anda falando muito do Mack, isso é estranho para uma pessoa que nunca se importou com ele, Fly.
Vínia preferiu continuar olhando as baleias enquanto as amigas conversavam.
– Eu só acho estranho ele sumir num dia da prova, ele não faltava até nas punições correctivas. O que será que aconteceu com ele?
– Haff! Esqueça isso Fly, vamos só curtir o momento sem falar de fantasmas ou aberrações, ou Mack, simplesmente.
– É... você está certa, estou sendo estranhamente paranóica com ele, ele é só um rapazinho estranho. Cadê a Vínia?
– Vendo as baleias fazendo baleísses. Vamos lá buscá-la, já está bem tarde e precisamos encontrar um hotel para descansar.
Enquanto observava uma baleia adulta nadando despreocupada, Vínia viu dentro do aquário, ou achou ter visto, uma criança de uniforme escolar, com lancheira e pasta escolar sendo arrastada por uma corda que descrevia um círculo em volta do seu pescoço presa à uma das nadadeiras da baleia. Enquanto a baleia nadava, a criança convulsionava e tentava apelar por socorro enquanto a água invadia-lhe os pulmões e a sufocava. Vínia gritou o mais alto que os seus pulmões permitiram, porém por mais que ela gritasse, o som simplesmente morria na sua garganta.
Quando Marx e Fly a alcançaram, ela estava inconsciente e pálida, o motorista apareceu prontamente e a levou nos braços para o carro. Depois de algumas horas, Vínia viu-se deitada numa cama de hotel, sendo atentamente observada por um médico e suas amigas que mal conseguiram esconder o alívio ao vê-la acordar.
– O que aconteceu Vínia? – Perguntou Fly um pouco assustada. – Encontrámos você completamente desmaiada e pálida, como se tivesse visto assombração.
A sua cabeça doía fortemente, mas Vínia se esforçou para responder à preocupação das amigas.
– Eu desmaiei? Ah, aí! Minha cabeça parece uma bigorna recebendo golpes do martelo. Eu só me lembro de observar uma baleia muito velha, depois disso tudo ficou completamente confuso e incompreensível.
– Mesmo nesse estado ela não perde a graça, acho que podemos nos despreocupar um pouco, ela está bem, só precisa de um pouco de descanso. – As palavras de Marx serviram para aliviar Fly.
O médico explicou que é normal perder a memória logo depois de uma pancada ou queda seguida de desmaio, mas não era algo com que se preocupar, logo ela voltaria ao normal e recobraria a memória perdida.
Logo no irromper do sol, o motorista bateu na porta do quarto das meninas.
– Está tudo pronto para a viagem, partamos logo, ainda temos terreno por percorrer antes de chegar ao nosso destino final.
Alguns momentos depois as meninas deram check-out no hotel e seguiram sua viagem. Dentre as muitas paragens que fizeram, as que mais foram do interesse das meninas foram uma exposição de moda francesa, um parque de diversões, uma floresta e pedra, um spa no qual passaram mais uma noite e um hospital onde Vínia fez alguns exames.
Quando a leve escuridão anunciava a chegada da noite, o motorista e as viajantes chegaram à um pequeno posto de aluguer de barcos, onde as meninas alugaram uma embarcação um pouco exagerada para apenas três pessoas, terminada a transação, o motorista levou a bagagem ao barco e depois despediu-se das suas contratantes. A partir dali seria um marinheiro o condutor delas. A embarcação era um iate luxuoso, pronto para uma viagem calma e confortável pelos mares, logo as meninas se acomodaram e descansaram enquanto o marinheiro as levava para uma ilha paradisíaca, Erha.
Continua...
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