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IVAN CZAR: O início da vingança SÉRIE LEI & VINGANÇA LIVRO 3

IVAN CZAR: O início da vingança SÉRIE LEI & VINGANÇA LIVRO 3

Autor:: Sarah Camargo
Gênero: Romance
🔞 TOTALMENTE PROIBIDO 🔞 ❥•◦ೋ• SÉRIE LEI & VINGANÇA❥•◦ೋ• ⚜️LUTADOR de artes marciais quando mais jovem e um ótimo filho, uma data memorável aos seus 21 anos tendo que lutar em um campeonato e então, um duplo sequestro relâmpago. ◦ೋ• Ivan foi testado ao longo dos anos, ameaçado, colocado para lutar e fazer missões e em troca lhe foi oferecido a "Falsa liberdade" tanto para ele, quanto para sua doce mãe. 💔 Infelizmente as coisas saem de seu controle, ele precisa tomar o império, ir mais além do perigo se arriscado para salvar a vida de sua mãe. Agora, com sangue em suas mãos, Ivan não se importa em ter que derramar mais sangue para conseguir ganhar essa batalha que há muito tempo, já estava perdida.

Capítulo 1 IVAN DE LUCCA FILHO

" Não importa o quanto tente fugir do que te aguarda, porquê o futuro sempre está à sua frente, cabe a nós o dever de apenas aceitar ou tomar um caminho diferente"

- Ivan Czar

⚜️⚜️⚜️

1978 AOS ANOS

Determinação, suor, objetivo... Futuro.

Esse é o sonho que tanto desejei conquistar e agora tenho a chance de superar meus limites. Meus punhos estavam doloridos, mas continuei, uma promessa te faz homem e um homem faz de tudo para cumprir com a sua palavra.

O saco de pancadas se movimentava conforme meus socos distribuídos o acertava com força. Concentro toda a energia em cada movimento de meu corpo, a posição e a forma que dou joelhadas intercaladas com chutes ligeiros e os socos, precisava ficar em forma o quanto antes para a semifinal do campeonato.

Só não esperava que alguém estivesse me observando, então segurei o saco de pancadas podendo sentir todos os músculos fisgando doloridos, o suor escorre ligeiramente em minha face enquanto minha mãe está com aquele sorriso de orgulho em seus lábios.

Ela descruza os braços e vem em minha direção, pega a toalha sobre a cadeira ao lado de alguns aparelhos que tenho para exercícios físicos e começa a limpar o suor de meu rosto.

- Muito bem campeão, está na hora do café da tarde. - sorri, ela sabia o quanto isso poderia se tornar constrangedor para um homem feito, ser tratado como um garotinho.

- Não sou mais um garotinho, mãe! Agora sustento a casa e a nós.

- Está certo meu amor. - ela disse dando tapinhas em meu ombro.

- Só não se atrase porque não iremos comer bolinhos de chuva na hora do jantar ouviu?

- Está bem, minha querida. - abracei ela sabendo que não gostava de sentir ser molhada por suor, ela lutou contra me fazendo rir.

- Não! Lucca! Você está ensopado menino! - Recebi outro tapa em meu ombro enquanto apenas apreciava o quanto minha mãe estava bonita nesta tarde.

Seus lábios desenhados e os olhos azuis, herança que fui capaz de carregar, o seu rosto não era mais tão macio, mas bem cuidado mostrando algumas marcas do tempo em sua pele clara. Ela é meu mundo de menino, sempre foi.

- Vou deixar a senhora ir, mas quero bastante canela desta vez! - falei brincando enquanto ela resmungava algo sobre sua blusa de tecido fino estar molhada.

- Você não tem jeito menino, sabia que esta blusa é a minha favorita? Seu pai me deu de presente quando estávamos nos conhecendo.

Os olhos dela brilhavam toda vez, era maravilhoso ver o amor que ela ainda tem pelo meu pai. Ele conquistou um pedaço de terreno no interior de Nova Jersey, onde nos instalamos em uma casa simples de madeira com dois quartos, um banheiro no andar de cima e uma sala de estar, cozinha e sala de visitas. Era a única casa do bairro mais simples, mas não ligava para isto, porque já tenho tudo e me orgulhava dos meus feitos.

- Ele foi um grande homem. - Comentei vendo minha mãe limpar uma de suas lágrimas.

- Não faz assim dona Lúcia! - tornei a abraçar ela que limpava uma lágrima solitária.

- É felicidade, menino bobo. - ela nunca admitiu que estávamos sozinhos e que agora é meu dever cuidar dela.

Meu pai havia nos deixado em um acidente, quando foi ajustar ou trocar uma telha de cima do telhado na noite mais chuvosa da época e então seus pés deslizaram não dando chances dele se agarrar em algo, acabou caindo e batendo com a cabeça fortemente. Na época só tinha doze anos de idade.

- Sei, mãe. Vou apenas tomar um banho e já descerei para vermos o pôr do sol. - beijei sua cabeça inalando seu cheiro de rosas delicadas, segui para o banheiro em meu quarto pegando uma toalha no armário e uma troca de roupas deixando tudo no suporte para toalhas ao lado do gabinete e então retirei as duas peças de roupas do corpo e entrei no Box para em seguida deixar a água morna cair sobre mim.

Observei a água escorrer sobre os fios curtos que chegavam um pouco abaixo de minhas sobrancelhas, então pensei em como seria se pudesse vencer o campeonato em Nova York, me mudar para uma casa mais confortável e dar uma vida digna para minha mãe, se minha carreira profissional fosse ser o nosso único meio de sustento e ela não precisasse acordar cedo e ter que fazer faxinas para os afortunados das vizinhanças toda semana.

Ensaboei meu corpo sentindo o alívio que me transmitia a temperatura. Depois de tudo higienizado, sequei o corpo e vesti um shorts preto, uma cueca vermelha e uma camiseta branca seguida de uma blusa de moletom marrom. Sai do banheiro e notei que minha cama estava arrumada e a janela com apenas os vidros fechados, sorri porque mesmo com meus dezenove anos ela se preocupava comigo.

Então caminhei para o andar de baixo da casa, tudo continuava da mesma forma, os quadros distribuídos pelas paredes, registrando os melhores momentos de nossas vidas, o casamento de meus pais, a paixão dele pela Marinha e suas medalhas de honras emolduradas em um vidro.

Era seu orgulho, era seu sonho para mim, porém a vida não pode ser controlada dessa forma, então decidi ser um campeão, defender minha paixão por lutas e não seguir os mesmos passos que ele.

Na sala havia um sofá e algumas estantes que tinham enfeites que foram presentes de comemorações, lembranças boas por onde eu passava, é maravilhoso estar aqui.

- Mãe? - atravessei diretamente para a cozinha vendo ela pingar a massa sobre o óleo quente, o cheiro doce impregnou-me em todo o ambiente me fazendo voltar ao tempo de infância.

- Está quase pronto meu filho. - bolinhos de banana com canela, deduzi. Aproximei e me sentei na bancada da cozinha puxando um banco de madeira que meu pai aventurou em fazer aos finais de semana.

- O cheiro está maravilhoso! - aproximei de certa forma que conseguisse roubar um da vasilha que ela estava colocando, assoprei dando a mordida enquanto ela reclamava.

- Se continuar comendo os bolinhos, vão ficar encharcados meu filho! Não pode comer antes do tempo certo. - advertiu enquanto sentava em meu lugar. Minha mãe tossiu colocando a mão sobre o pano de prato em seu ombro e cobriu os lábios com o cotovelo.

- Já foi ao médico mãe? Não quero que fique doente. - perguntei fazendo ela se recompor arranhando a garganta.

- Sim meu filho, estou acompanhando o doutor Otávio.

Ela desliga o fogão e pega a vasilha para colocar no balcão, me apressei e segurei para ela que me ofereceu um grande sorriso.

- Vamos? A varanda nos espera mamãe. - Segui diretamente para fora com a vasilha que estava quente em minhas mãos. Sentei no banco deixando um espaço para que minha mãe sentasse, então ela aparece ajeitando as roupas.

- Nem imaginei que meu filhote já é um homem feito e ainda por cima, sendo um grande lutador- ela falou se acomodando enquanto o sol brilhava em seus momentos finais no horizonte por detrás de algumas casas.

- Isto é maravilhoso! - seus olhos brilharam, o céu estava mais alaranjado enquanto escurecia aos poucos. Ela começou a comer bolinhos para me acompanhar, eu sabia que os bolinhos eram feitos apenas para mim, porque minha mãe não costumava comer sempre.

- O melhor momento do meu dia. - comentei enquanto mordia o último bolinho.

- Bom filho, vou entrar porque preciso acordar cedo amanhã. - ela se levanta pegando a vasilha das minhas mãos.

- Vou colocar a senhora na cama mãe, amanhã também preciso pegar estrada para o campeonato.

- Desejava ir com você, mas estou muito cansada, viajar na minha idade é algo bem cansativo. Mas estarei torcendo por você! - entramos em casa, fechei a porta e minha mãe lavou a vasilha. Então segurei sua mão depois que ela as secou e deixou o pano sobre o balcão, subimos para o andar de cima ouvindo o ranger abaixo de nossos pés na escadaria.

- Já estou contente por isso mãe, não é necessário se esforçar para mim saber que tenho seu apoio. Sempre esteve ao meu lado.

Ela sorriu e então guiei ela até seu quarto, beijei o topo de sua cabeça desejando uma boa noite para depois ir até meu quarto e poder descansar.

Na manhã seguinte acordei cedo com os barulhos da cozinha, minha mãe já estava acordada e pronta para fazer seus serviços de faxinas pelos arredores, então vesti um conjunto de moletom para poder correr, coloquei o tênis e desci me deparando com uma mesa posta com o café da manhã.

- Bom dia meu menino. - ela disse contente. - Não vai me acompanhar hoje?

- Infelizmente preciso ir mãe, se não vou perder o horário, ainda preciso voltar e deixar a mala pronta.

- Está certo meu querido. Mas coma algo, um saco vazio não pára em pé. - concordei sorrindo então passei pela porta olhando a rua um pouco escura ainda, então comecei a correr pela vizinhança, passei pela pequena praça de brinquedos perto de uma creche e depois virei até o mercado que costumava comprar algumas coisas em casa. Alguns conhecidos me enviaram cumprimentos ao qual correspondiam, então dei a volta em todo o quarteirão por cinco vezes e retornei para casa. Quando cheguei, segui pela cozinha indo diretamente para o quarto na intenção de poder fazer as malas, mas notei que minha mala estava feita sobre a cama com um bilhete de minha mãe:

Sucesso meu amor,

Posso não estar agora com você na etapa mais importante de sua vida , mas tenho a certeza de que nós sempre estamos orgulhosos do filho que você é. Mesmo que hoje você não vença, Lucca sempre será nosso menino Campeão!

Mamãe te ama, e por isso coma o lanche que fiz para você levar na viagem, se não comer vou sentir porquê intuição de uma Mãe nunca falha.

Sua querida mãe Eliza.

Sorri como nunca, ela é uma mãe muito zelosa, e às vezes um pouco exagerada quando o assunto era comida, mas ela nunca errou em suas intuições. Andei até o armário para pegar a troca de roupa que usaria, então deixei sobre a cama e fui tomar meu banho para tirar todo o suor do corpo.

Voltei do banho com uma toalha na cintura e com outra enxugando os cabelos, precisava cortá-los e talvez fazer isto quando chegar em Nova York.

- Lucca. - havia uma ruiva sentada ao lado de minha mala e em suas mãos estava o bilhete de minha mãe. - Você vai mesmo embora?

- Já disse que sim Pâmela- Peguei as roupas para me trocar no banheiro, precisava que ela entendesse que nossos destinos não estavam se cruzando mais.

- Porquê?

Deixei a toalha escorregar do meu corpo e comecei a me vestir sem me importar com a sua presença atrás de mim na porta do banheiro.

- Porque já estou cansado dessa vida, você não? - falei erguendo a calça jeans, olhei nos olhos dela e notei seu desapontamento.

- Acreditei que você...

- Acreditou o quê Pâmela? Que ficaria aqui trabalhando no campo ou seguindo a carreira de meu pai? - despejei a verdade e ela estava fingindo estar magoada. - Que ficaríamos juntos?

- Sim! Eu acreditei sim. - ela balançou a cabeça negando, mesmo não querendo, adorava a forma como ela movia os lábios desenhados quando estava nervosa.

- Escute, eu e você, esta casa, este lugar, não é para ser. Nasci para ter algo grandioso, para dar o de bom e melhor para quem se importa de verdade comigo, você é apenas mais uma que peguei. Não vai rolar!

Senti o tapa estala em meu rosto, então a vi dar as costas me chamando de cretino. Mas era melhor assim, Pâmela não é a mulher com quem desejo dividir minha vida. Sequei mais um pouco os cabelos e procurei pela minha carteira nas gavetas do guarda roupa com os documentos que vão ser necessários para embarcar no voo.

Guardei tudo na bolsa e então sai em busca de conseguir um ônibus a tempo de chegar perto do aeroporto onde está agendado o voo, da rodoviária vai ser necessário pagar um táxi até o destino final. Sai de casa quase às oito e meia com a mala de uma alça pendurada sobre o ombro direito e segui viagem.

Capítulo 2 ⚜️ IVAN DE LUCCA FILHO ⚜️

A viagem foi deveras cansativa, algo que não passaria em dois dias de sono, mas não me importo em saber que neste mesmo momento minha mãe estaria voltando para casa da mesma situação ou até pior. Tomei um último táxi até um bairro mais tranquilo em Nova York que eu pudesse pagar algumas diárias ou até mesmo comprar um pequeno apartamento que um dia pudesse trazer minha mãe comigo.

Abri a porta do pequeno apartamento onde me hospedaria bem no momento que meu celular tocou, deixei a mala de pano escuro no chão atendendo a chamada, mas depois pensei que seria melhor manter ela nos ombros já que logo entraria na casa.

- Oi meu amor! Chegou bem? Você comeu o lanche que fiz? Viu se precisar de analgésicos, deixei algumas cartelas para você no bolso menor e...

- Calma mãe! Estou bem. Já sou um homem feito, não precisa ficar preocupado comigo.

- Onde já se viu? Uma mãe não tem preocupação com o filho que está longe. Me preocupo sim! - comecei a rir de seu arsenal de mãe magoada.

- Estou bem mãe. Obrigado. E adorei o sanduíche de frango com ketchup. - me vi obrigado a responder se quisesse livrar o peso nas costas, as alças da mala já estavam marcando minha pele.

- Que bom amor, agora você conseguiu a casa que queria?

- Não. Mas consegui um apartamento legal. - puxei as chaves do bolso encaixando uma específica sobre a fechadura.

- Queria que a senhora estivesse comigo.

- Eu sei querido! Eu também, mas sabe que não gosto muito do movimento da cidade grande. Minha...

- Labirintite ataca, eu sei. - terminei a frase sabendo que seus problemas com barulhos eram constantes quando era pequeno. Apenas gostava de assistir desenhos com o volume alto, mas acabava afetando ela.

- Promete que vai se cuidar da mãe? Que se precisar, vai vir para mim cuidar de você? Não precisaria sair para trabalhar, aqui eu consigo um bom emprego com mais facilidade.

- Não , quero cuidar da casa. É a única coisa que tenho de seu pai. Mas prometo me cuidar.

- Está bem minha mãe, preciso entrar em casa para poder descansar, fique bem, ok? - ela concorda desligando a chamada após nos despedimos, então virei a chave entrando no cômodo que parecia ser uma sala com apenas um sofá vermelho já gasto. Mandei mais um pouco para conhecer a casa, então vi uma cozinha simples com um fogão, uma mesa com cadeiras de ferro, a pia de mármore e o armário. Voltei para a sala e passei pela porta que seria o quarto, lá tinha uma cama simples e um guarda roupa pequeno, uma cômoda e ao lado dela uma porta para o banheiro.

Deixei minhas coisas na cama e decidi tomar um banho para poder descansar.

***

E então fechei os olhos, imaginando ela no meio da multidão de pessoas, gritando e torcendo por mim. Minha guerreira, a mulher da minha vida...

O suor brotando de minha testa, a energia fluindo em cada célula de meu ser e a crescente vontade de se vencer, eram combustíveis que me mantinham de pé. Foram três Rounds de cinco minutos e me sentia cada vez mais vivo, meu primeiro adversário da noite estava nocauteado em meus pés, era ágil na astúcia, porém menos resistente. Ao contrário do último homem ao qual enfrentaria, um lutador de garra como a mim, em seus olhos o fogo ardia com as chamas da vitória, algo que ambos os dois desejamos.

- É o Invicto... James Lobo! - o locutor anuncia e o campeão da casa tem sua entrada triunfante. Passando pelo meio de seus torcedores, acontecendo algo que nunca haviam visto, eles abaixavam a cabeça reverenciando o que deveria ser apenas um homem simples.

- Se minha mãe estivesse aqui, gritaria que isto é um absurdo. - pensei soltando o ar de forma desdenhosa enquanto o homem de barba, olhos escuros flamejantes e algumas tatuagens pelo corpo andava até o tatame.

Seu corpo apresentava músculos mais desenhados, ele é maior o que possivelmente o tornaria mais lento, porém com movimentos firmes que precisarei tomar muito cuidado.

Lobo sobe no tatame e seus fãs começam a gritar seu nome, ele se aproximou como também fiz até onde o juiz estava, e então consegui ler seus lábios.

- Vou te derrubar, hoje, aqui. - sorri como uma forma de provocação e suas sobrancelhas se uniram. Apenas coloquei o protetor de boca e alonga os músculos dos braços e do pescoço, não estava tenso, mas queria terminar logo com a luta para poder retornar para Nova Jersey.

Ele fez o mesmo depois que viu que não levei a sério sua ameaça, mas notei um lado diferente nele, algo que nem todos demonstram apenas porque querem. Algo que me deixou muito mais confiante, seu ponto fraco no braço direito, parecia um pouco travado. Então a luta começou com Lobo avançando com força, enquanto usei de meus reflexos.

Seus socos eram fortes e potentes, e pretendia deixá-lo mais lento levando-o ao seu limite, fazendo seus músculos pesarem para poder atacar. Minha primeira investida foi em seu queixo fazendo ele dar alguns passos para trás, mantive a posição quando ele se recuperou e voltou com tudo, seu braço direito era forte, mas perfis um pouco a postura que deveria ter quando senti seu punho em um lado de minha face, meu corpo virou e então apoiei nas cordas para manter o equilíbrio, seus socos acertaram em meu rim me fazendo deitar no chão, o juiz e a multidão começou a contagem.

Então ergui meu braço direito avisando que voltaria a lutar e eles pararam com os números quase no quinto. Levantei sentindo a dor aguda no lado atingido, mas não me importei, precisava vencer, então o gongo soou fazendo Lobo sentar em seu banco e segui para o meu.

- Eu avisei. - seus lábios pronunciaram. - Ninguém tira meu posto!

Sentei lhe dando outro sorriso e balancei a cabeça negando, seus músculos ficaram tensos e seus olhos desafiadores, então ergui os meus e notei um homem me analisando da área VIP, ele parecia usar cadeira de rodas e seu olhar era estranho.

Então ouvi o gongo soar nos avisando do segundo Round. Coloquei o protetor e levantei sobre os olhares minuciosos do homem, talvez seja algum patrocinador.

Nos aproximamos e o juiz permitiu que a luta começasse, então mantive a postura firme retomando meu plano de apenas atacar no momento certo, ele investia em golpes com os joelhos para acertar no lugar que me atingiu antes para poder me derrubar novamente, mas defendi e cada vez seus movimentos estavam mais rígidos deixando brechas ao qual aproveitei.

Ajeitei a postura ao me desviar de sua direita e levei meu punho esquerdo com força total em seu queixo, Lobo recuou e em seus olhos haviam medo, surpresa pelo golpe. Então era a hora de avançar, acertei mais dois golpes em seu rosto que começou a inchar, ele apenas defende recuando enquanto minhas sequências eram rápidas, porém ele segurou meu braço quando encontrou a chance e acertou seu punho em meu estômago me fazendo afastar.

Lobo se levantou tentando se recuperar, mas caiu de joelhos e a multidão ficou surpresa. Ele parecia com a respiração ofegante, então apoiou o pé direito para se erguer e se manter na posição inicial.

Era o final do segundo Round o, então voltamos ao banco quando ouvimos o sinal tocar, ele estava com os olhos fixos em mim e vi determinação neles, um bom adversário concluí em meus pensamentos.

Peguei a garrafinha de água e tomei alguns goles, ele fez o mesmo, mas molhou um pouco o rosto. Peguei a toalha e sequei o suor que começava arder em meus olhos, levantamos e continuamos a luta.

Ele avançou de forma confiante, deixei que ele me encurralou e distribuísse seus golpes, absorvi todos me mantendo na posição defendendo o rosto enquanto seus punhos iam de encontro com meu abdômen contraído. Seus golpes diminuíram de intensidade quando vi a oportunidade e lhe golpeou de uma vez com um gancho, seu corpo caí no chão de uma vez fazendo todos ficarem em silêncio e o juiz começou a contagem, faltando dois números ele força o corpo a se levantar, mas fraqueja deixando todos surpresos.

A contagem terminar e sou nomeado o campeão pelo locutor, o homem de cadeira de rodas da área VIP não estava mais lá, de uma forma misteriosa havia sumido e as pessoas ao meu redor começaram a comemorar, mas sentia que algo estava errado, como um mal estar... Vertigem, ânsia, visão turva, aos poucos fui perdendo os sentidos, audição, procurei apoio no banco e me sentei sentindo os músculos relaxados, então fechei os olhos tendo como uma última imagem o belo sorriso de minha querida mãe dizendo que havia conseguido e que ganhamos o mundo como ela sempre fazia no final de todos os campeonatos que já participei.

Capítulo 3 ⚜️ IVAN DE LUCCA FILHO ⚜️

"O preço do egoísmo é a solidão, da soberba a pobreza e do amor... A Dor."

- Ivan Czar

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Abri os olhos podendo ver apenas feixes de luzes que passavam em meu rosto. Coloquei a mão na frente tentando tapar a luz dos olhos que ardiam, meu corpo estava dolorido por conta da luta e senti apenas o chão duro e frio abaixo de mim.

- Filho? - escutei a voz de minha mãe, então imaginei que poderia estar apenas sonhando, mas senti sua mão fria pousar em meu ombro. Virei o rosto podendo ver ela com sua roupa de serviço, os olhos azuis apagados e o mesmo sorriso que me dava quando as coisas tinham a tendência de ficarem piores.

- Mãe! O que faz aqui? - me aproximei deixando um gemido escapar de meus lábios, ela olhou pra mim preocupada e então apressou-se em me acalmar.

- Estou cuidando do meu filho, o que mais? - sua mão acariciou meu rosto enquanto sentia que tudo parecia tão real, tão vivo...

Olhei em volta notando que estávamos em um lugar diferente. O chão era frio demais para ser de cimento ou de terra, era feito de ferro como as paredes e havia muitos tipos de mercadorias em volta, sacos de Nylon espalhados e um cheiro forte de algum produto que não identifiquei ainda.

- Como viemos parar aqui? Eu estava na luta e...

- Eu não sei filho. Também acordei aqui. Só lembro que estava chegando em casa e mãos me seguraram colocando um pano em meu rosto, então desmaiei.

- Como isto veio acontecer? - tentei lembrar do que havia ocorrido, quando percebi que meu adversário havia desistido da luta facilmente no último Round, e aquele homem suspeito...

- Não sei filho, mas o importante é que estamos juntos agora.

Concordei tentando me aproximar mais dela, que começou com sua crise de tosse, a qual me preocupava tanto. Ela teria passado no médico antes, mas aconteceu este sequestro e agora estamos indo a um lugar desconhecido dentro de um contêiner em um navio.

Aconcheguei seu corpo ao meu e me senti mais completo, porém a dúvida do que aconteceria no final do destino me preocupa e muito. Inalei seu cheiro doce não podendo imaginar que poderia ser a última vez, então aproveitei o momento enquanto minha mãe pegava no sono para descansar, então notei que o sol estava um pouco menos denso do lado de fora, como se nuvens tampas sem o seu brilho e então foi ouvido barulhos de algumas pessoas do lado de fora, conversando algo em outra língua e então a porta do contêiner é aberta de forma ligeira e um embrulho é passado por ela.

Deixei minha mãe deitada no colchão e me levantei sentindo o corpo fraco, aproximei do embrulho perto da porta que estava sendo trancada, ele era médico, então o peguei na mão e abri revelando um pedaço de pão com manteiga e um copo de café embalado. Tornei com a comida para o colchão e então deixei o embrulho de lado para olhar minha mãe dormir tranquila, seus cabelos começaram a ficarem grisalhos misturando o branco ao louro.

Olhei novamente o embrulho sentindo um nó na boca do estômago, então decidi deixar ela comer primeiro, caso sobrasse comeria também. Depois de alguns minutos quando decidi fechar os olhos, senti uma movimentação e então os abri vendo minha mãe com o embrulho nas mãos.

- Não comeu filho? - balancei a cabeça negando. - Tem que comer!

- Coma a senhora primeiro. O que sobrar eu como, não se preocupe.

Ela não contestou, escutei o barulho do embrulho e alguns segundos depois, sua mastigação. Minha mãe é mais importante, não suportaria perdê-la. Senti algo ser posto em cima de minhas pernas e vi um pedaço de pão que minha mãe deixou, ela ofereceu o copo que peguei, então me alimentei com seus olhos de preocupação em mim.

- Preciso de você forte. Como poderemos fugir dos fracos?

- A senhora comeu bem? - ela balançou a cabeça concordando e me oferecendo um sorriso ao qual interpretei como "tudo vai ficar bem".

Olhei o sol pela fresta de algumas fissuras das ferragens e imaginei que poderíamos estar em qualquer lugar, levando uma vida mais tranquila, talvez lutar pelos meus sonhos fosse um grande erro e agora imaginei que poderia ter seguido a carreira de meu pai e não estaríamos em risco agora.

O balanço do navio era muito desconfortável e alguns dias depois alcançamos uma temível tempestade em alto mar, o frio era absurdamente doloroso aos ossos o que me fez imaginar que estaríamos em algum lugar de muito gelo. Procurei por algo para conseguir nos esquentar pelo contêiner que parecia uma câmara de carne do açougue, conseguindo apenas uma manta, então todas as noites me aconchegar a minha mãe para a esquentar, porque suas tosses estavam mais frequentes e temi pelo pior com esse tempo frio. Todos os dias nesse tormento, éramos alimentados duas vezes por dia, o que nos mantinha vivos pelo menos, mas era pouco para ajudar com o que precisávamos. Cada dia vi o estado de saúde dela debilitar-se, e toda vez que entregavam as refeições, pedia para que trouxesse pelo menos um cobertor e explicava a situação, mas ignoravam.

- Querido... - suas tosses vieram com força, então me uni a ela no colchão. - Venha se aquecer com a mamãe.

- Lembro quando a senhora contava histórias de guerras e reis- Comentei para nos distrair.

- O temível futuro rei da Inglaterra, Arthur... - ela falou em meio às tosses, abracei seu corpo ajeitando a manta em nós enquanto ela começava a contar minha história favorita de quando menino.

- ...Herdeiro que foi capaz de erguer uma nação forte, o nascido Rei. - meus olhos estavam nas brechas, contava os dias que se iam e os que nasciam, mais de vinte dias desde o primeiro dia que descobrimos estarem sendo deportados de navio para um lugar estrangeiro.

- Eram meus dias mais felizes. - comentei vendo ela sorrir e pegar no sono em meu colo, acariciei seus cabelos grisalhos sentindo seu rosto frio, suas mãos geladas.

Pensei num cantinho ensolarado do Kansas, um sítio e minha mãe cuidando de suas roseiras, seria um bom lugar para se viver. Nos imaginei lá, tendo até mesmo minha família, uma esposa e muitos netos para que a avó pudesse mimar muito. Então sonhei com uma vida que fugiria da realidade, uma vida tranquila com uma grande família.

Senti carinho em meus cabelos e um calor que me aquecia de uma forma acolhedora, os braços de minha mãe ao meu redor, então abri os olhos e beijei o topo de sua cabeça.

Quando o navio cessou seus movimentos e então a porta foi aberta entrando alguns homens armados e com roupas de militares. Levantei tendo um mal pressentimento e me aproximei.

- O que querem?

- Andando. - um dos três falou com sotaque aparente e ergueu sua arma em minha direção.

- Calma! É meu filho. - A voz desesperada de minha mãe soou atrás de mim, olhei de forma ameaçadora para o homem que não exitou em apontar a arma para ela.

- Fique aí! - ordenou. Ela voltou para o colchão e me senti incapaz quando ouvi seu choro suplicando por mim.

- Para fora! - outro homem mais baixo ordenou apontando uma arma de grande calibre para meu peito, então comecei a dar os primeiros passos para o lado de fora onde o céu estava escuro e o vento muito gelado fazendo minha pele congelar e meus ossos doerem. Virei para a porta não notando o golpe em meu rosto, a última visão foi do céu estrelado e com algumas cores dançantes por entre os pontos de luzes.

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