Era verão, os da Europa costumavam ser bem quentes, não era o caso da província. Por ser litorânea, as manhãs e o inicio da tarde eram quentes. No final vespertino, iniciando o escuro noturno, aqueles que ali viviam eram agraciados com a brisa marítima.
Essa brisa era um vento fresco e um tanto frio, mas não o que corta a pele e sim aquele que refresca após um dia de mormaço. Frio mesmo, estava o coração de uma jovem da província.
Diziam que ela, Antonella Taranto estava com depressão pós parto. Entretanto, diante da postura pungente daquela jovem, podia se afirmar que o que sentia era ódio, raiva, ojeriza... Queria estar bem longe do menino, a pouca vez que o viu sentiu repulsa e até uma vontade que ele nascesse morto, contudo se sentia aliviada em saber que logo ele estaria bem longe de seus olhos e ouvidos.
A presença da criança lhe dava pavor. O choro contínuo do bebê, fazia com que aquela mulher cerrasse os punhos com muita força, a ponto das unhas machucarem a palma de suas mãos.
Aquele ser além de lhe tirar meses de sua vida, queria fazer-lhe de banquete, ela jamais o alimentaria, isso nunca. Já bastava os longos sete meses que teve que ver aquele hospedeiro crescer dentro de si, pensou.
Encolhida na cama coberta com um felpudo edredom, Antonella queria abafar os sons que insistiam entrar em seu quarto. Ele não parava de gritar, clamando que ela como mãe sacie sua fome. Não faria, não adiantava sua mãe rogar, não se sentia mãe dauele ser só queria vê-lo longe dali.
O rangir da velha porta de madeira misturado ao aroma de rosas, indicava que sua mãe acabara de adentrar no cômodo. Dona Gioconda adentra o quarto e para a frenta da cama da filha, que não se move. Antonella estava decidida, aquela criança não queria.
- Nero Pussent já chegou, daqui a poucos minutos partirá com o menino e não terá mais volta. - Discorre como um alerta, como se a filha fosse perder algo que queria, mas esse não era o caso. Ao menos não naquele momento.
Podia quase tocar na reprovação que emanava no tom da voz de Gioconda. A mãe de Antonella não entendia como uma mãe poderia renegar um filho. O problema é que Antonella não se sentia mãe, logo não tinha filho.
- Minha decisão já está tomada - profere de forma fria.
- Não se abandona um filho Antonella! - A mulher argumenta sem sucesso.
- Essa coisa - solta o ar dos pulmões - não é meu filho. Quero bem longe daqui.
- Filha, não diga isso. Um dia quando essa tempestade dentro de ti se acalmar irá se arrepender. Acredite.
- Sabe o mais importante disso tudo? - lança um sorriso sarcástico - É que a vinícola está salva. O papai já pode comemorar.
- Não se trata disso filha! Se trata que é seu...
Por um momento Antonella ergueu o tronco da cama. - Para por favor! A senhora se faz de cega ou quê. Não importa, não quero esssa coisa aqui.
A mãe percebeu que sua filha Antonella não desistiria. Saiu do quarto batendo a porta seguindo em disparada. Certamente faria a última tentativa para que Nero não levasse a criança. Dona Gioconda era teimosa. Ninguém tirava de sua cabeça que de uma hora para outra sua filha se curaria da depressão pós parto e os sentimentos de Antonella mudariam.
Em vão, Gioconda tentou que Nero Pussent não levasse seu neto. Sabia que o dono de uma das maiores vinícolas do estado, por conta do trabalho, não poderia dar a atenção necessária para uma criança, tinha medo que o menino não fosse feliz.
Nero nem cogitou a possibilidade de deixar seu filho homem, tal orgulho que sentia. Como desejou aquele filho, o homem partiu com a criança nos braços da província para a capital. Era seu herdeiro e o poria a frente de tudo. Aquela criança, era quem Nero iria preparar para assumir o negócio milionário da família.
[...]
Sobre o futuro da criação do menino, a vó dele estava bastante certa, foi como uma premonição. Dante Pussent cresceu tendo de tudo nessa vida. Tudo aquilo que o dinheiro poderia comprar. Menos amor, amor o dinheiro não compra. A falta de um sentimento genuíno na infância prejudicou a essência do adulto. Além da ausência dos pais, teve que lidar com a maldade de uma madrasta.
Sandra odiava a ideia de dividir a herança Pussent com um bastardo. Pela frente de seu pai, a mulher o tratava com falsídia. Bastava Nero dar as costas para que sua esposa humilhasse Dante de forma pungente e extremamente agressiva. Sandra fazia questão de jogar na face de Dante, todas as grosserias que Nero contou que sua mãe biológica falou quando ele nasceu.
"Sua mãe que tinha razão!" A mulher dizia. "Você é uma coisa ruim, um lixo."
A mulher cuspia as palavras sem dó, afinal Sandra queria realmente distruir o psicológico de uma criança, foi além, destruiu o do homem.
O rapaz entendia que Nero trabalhava para dar o melhor à ele. Mas em seu coração deserto e sem afeto, um ódio descontrolado o absorvia. Dante jamais culpou o pai, o amou mesmo diante de sua ausência, até o dia em que Nero morreu de um ataque cardíaco fulminnate aos 66 anos de idade. Porém, alguém teria que pagar essa conta. A raiva que sentia não o deixava em paz ao saber que sua mãe poderia ter lhe dado o amor, que ela poderia ter suprido o sofrimento que a madrasta causou, mas não o fez.
Psiquiatras, terapeutas... nada adiantou. Sentia um gosto amargo na boca, era ódio que o consumia. Como um purgante em refluxo dentro do estômago, subindo a garganta. Para Dante, ele tinha contas a acertar na pequena Província. Somente conseguiria paz quando la retornasse.
O agora rapaz de quase 30 anos, intui que a única saída para sucumbir sua consternação, é voltar a província de Nápoles, sua cidade de origem, e desquitar toda sua ira na pessoa certa.
Dante Pussent...
- Realmente não acredito que você me convenceu a vir parar nesse fim de mundo - disse Lorenzo exaltando seu desdém, enquanto sorvia um gole de vinho em uma pequena bodega à beira da estrada - ao menos o vinho deste lugar é delicioso.
- Dúvido que você vai reclamar tanto quando começar a foder as provincianas - proferi, virando minha caneca em um só gole - vamos embora, ainda temos 80 km de estrada à frente.
Conforme dirigia pela estrada de pedra, na minha esquerda eu via o mar e sentia a sua brisa bater em minha face. A direita, o perfume cítrico da plantação de videira exalava seu frescor em minhas narinas.
Eu nasci aqui.
Todas essas sensações deveriam ser recordações para mim, porém não são. Fui escorraçado desse lugar quando ainda era um bebê. Renegado, deixado de lado pela pessoa que mais deveria me amar, me proteger.
Estou voltando para acabar com um passado que não vivi, mas que me atormenta a cada dia. A única coisa que a Sandra minha madrasta me ensinou, é que podemos aliviar nossas frustrações nas outras pessoas. A diferença de mim para ela. É que irei descontar na pessoa certa, na que merece e não em um inocente, como aquele poço de vadia maldita, fez comigo ao longo dos anos.
Sentando ao meu lado, Lorenzo só fazia reclamar. O mandei várias vezes para o inferno, ou de volta para casa, sabendo que ele jamais iria, esse filho da puta só abre a boca para encher a porra do meu saco.
Mas é muito, muito amigo.
Em parte o entendo. O cara é baladeiro de noitada, e aqui nesta província sua vida social será arruinada. Lorenzo é o irmão que não tive, um amigo em que posso confiar minha vida.
Não que essa vida valha muito.
- Chegamos. - O aviso, para que ele saia da maneira despojada que se encontrava.
Lorenzo tira o assento da posição deitado e desce suas pernas do painel do carro. Ao abrir o vidro, escaneia o lugar com uma expressão séria.
- Chegamos?! - Lorenzo franze o cenho - Ou é feriado ou estamos em uma cidade fantasma. Cadê a população? Está de sacanagem com a minha cara não é meu irmão? Que porra de lugar é esse?
- Tem razão. Está tudo fechado e tão deserto para uma sexta feira. Que estranho!
Estacionei o veículo e desci do mesmo observando o local a minha volta. Uma praça com brinquedos e jardim bem cuidados. Algumas mesas feitas de alvenaria pintadas para jogos como xadrez e damas, típico lugar para velharada encostar a bunda. Em torno da praça, lojas comerciais todas fechadas, até mesmo uma padaria. Não havia merda alguma funcionando.
Ao fitar na direção do veículo, vejo Lorenzo do lado de fora do carro rodando com seu smartphone para o alto.
- O que houve?! - pergunto curioso.
- Sei lá. Algo estranho. Tenho sinal e consigo fazer ligação, mas não consigo acessar a internet. Queria pesquisar para saber se é feriado aqui - não aguentei e comecei a ri, fazendo Lorenzo emburrar sua feição - está rindo de que seu palhaço?
- Cara! Você está no cú do mundo e quer que sua internet funcione? - continuo a achar graça - Agradeça por ainda conseguir fazer um telefonema. Entra no carro ainda faltam 3 km para pousada, a sorte é que salvei as coordenadas, pois não teria ninguém para nos dar informações.
- Estou vendo que terei de ficar bêbado na porra desse lugar todos os dias. Sem farra, sem internet, - resmunga bravo - se duvidar sem xana.
- Deixa de ser escroto! É claro que tem mulher nesse lugar.
- Já estou até imaginando os "javalis do mato."
Lorenzo sempre foi o meu lado divertido. Ao lado desse meu irmão de alma, esquecia as surras que levei sem merecer, as ofensas que ouvi e os castigos que me assombram até hoje.
Não tem nada aberto nesta pocilga, volto para o veículo sob os resmungos de Lorenzo, buscando a paciência que não tenho para ouvi-lo reclamar, mas que valia a pena por tê-lo ao meu lado.
(...)
Ao chegar na pousada estacionei o veículo na entrada. Não havia ninguém para abrir a garagem, já começa a foder por aí. Então sai do carro deixando Lorenzo para trás e entrei na pequena recepção em estilo colonial, a encontrando vazia.
- Mas que merda... o povo não trabalha neste lugar? - resmungo.
Observei em cima do balcão de madeira uma campainha, apertei e o som era estridente. Logo ouvi um barulho de descarga e me sai um homem todo apressado de dentro do banheiro recompondo a roupa.
- Graças a Deus! - junta as mãos como em uma reza - Lorenzo Baldorini?
- Não. O Lorenzo está dentro do carro. Eu sou Dante. Dante Pu..."cidade pequena, se digo meu nome em um rastro de pólvora saberão que sou o dono da maior vinícola do estado" Dante Baldorini. Sou primo do Lorenzo.
- Tudo bem senhor! Vou lhe dar o controle da garagem enquanto preparo as fichas de vocês. E já vou lá pegar as bagagens. - O homem falava com certa ansiedade.
- Só tem você trabalhando aqui?! - Pergunto querendo saber o motivo da cidade vazia.
- Hoje só senhor.
- Porque agradeceu quando cheguei?
- Pois só estava aguardando os senhores chegarem para sair.
Isso estava evidente.
- Sua saída tem a ver com a cidade toda deserta?
- Sim - o homem eriça as sobrancelhas - Vocês não vieram por causa da festa da uva?
- Festa da uva?! - ao menos uma boa notícia, pelo menos assim Lorenzo me enche menos o saco. - Não. Definitivamente não. Nem sabemos do que se trata.
- Agora está explicado porque chegaram tão tarde.
- Como assim tarde! Faltam 20 minutos para as 4 horas da tarde. A festa já vai acabar? - Esse lugar é a definição de decadente.
- Não. Essa festa dura a noite toda.
Certo. A cidade não é bem a definição de decadente, porém o coroa poderia ser mais direto e falar do que se trata.
- Então...? - abri os braços não entendendo a lógica do roceiro à minha frente.
- É que em 20 minutos as moças da cidade irão fazer o mosto. - o olhei com estranheza - É...Mosto, a base de preparo para o vinho.
- Eu sei o que é mosto - proferi de forma sarcástica - o que não sei é o que tem de especial mulheres jogando uvas em maquinário.
- Não. Não. Não. A tradição da festa é no modo antigo, que esmaguem as uvas com os pés! - o roceiro tem uma grande empolgação na voz, mas juro que não consigo entender a graça dessa merda.
[...]
Logo após pôr nossas bagagens nos quartos, o homem saiu em disparada para a tal festa da uva. Nada muito longe, o local ficava a dez minutos de caminhada dali. Lorenzo e eu estávamos famintos, já que não temos serviço de quarto, teríamos que ir até a tal festa para arranjar o que comer. Então resolvemos ir até lá.
- Agora tenho certeza que estou no cú do mundo, como você disse - relatou Lorenzo balançando a cabeça. - A cidade fica deserta para assistir um bando de mulheres com uma puta falta de higiene, encher de chulé e bactéria, a única porra que presta neste lugar. O vinho.
- Mas que merda! Quando é que você vai parar de reclamar?! - O Pergunto rindo. Ele apenas revirou os olhos, bufando sua impaciência.
As ruas da província são todas de paralelepípedo. Para andar de carro é uma merda, mas quando se faz uma caminhada é possível observar a paisagem bonita junto às casas coloniais. O lugar arborizado ajuda a harmonizar ainda mais a beleza do caminho. Mostrando que, apesar de ser no cú no mundo, a cidadezinha tem lá os seus encantos.
É. Eu gostaria de ter vivido aqui, esse lugar de tão lindo parece o pedaço do paraíso. Entretanto, fui condenado ao inferno.
O fado em nível alto, denúncia que estamos chegando na festa. Por mais que a celebração seja um aglomerado de italianos, a tradição das mulheres de produzir o mosto com os pés veio de Portugal. Por tanto, o som alto que atinge os nossos ouvidos e nos dá boas vindas ao local, é de origem portuguesa.
Esfomeado, Lorenzo já partiu para as barracas, que são muitas por sinal.
Filho da mãe esganado!
Foram só algumas horas sem comer! Porém ele parecia crianças vindo da Etiópia.
Por conta do meu pai, aprendi a amar a produção de vinhos. Nunca havia visto o mosto ser preparado com os pés, nós usamos os maquinários. Foi movido pela curiosidade que esqueci a fome e resolvi assistir pela primeira vez a cena.
O lugar estava cheio. Acompanhando a batida da música o público batia palmas e gritavam para incentivar as mulheres. Mais adiante, no centro do povo, um conjunto de tinas abrigava saltitantes as provincianas do local. Lorenzo vai descobrir que as "javalis do mato" são gostosas, maravilhosas e são capazes de deixar um homem fodidamente duro de imediato.
Olho ao meu redor, notando a quantidade de homens felizes batendo palmas. Bando de filhos da puta. Festa da uva é o caralho. A maioria dos homens no aglomerado de gente estão apenas observando as saias das mulheres pular, mostrar as coxas, a beirada gostosa da bunda e os seios quase saltar do decote. Elas no entanto pulam sorridentes, avermelhadas pelo sol e esquecendo o cansaço, graças ao incentivo da dedicada platéia masculina.
É um puta show de exibicionismo gratuito, isso sim.
Mesmo assim, resolvo observar, admirar o processo e as visões. Até focar em uma em específico. No meio de tanta beldade a Deusa delas.
Segurando as barras da saia curta, ela se chacoalha conforme os incentivos que recebia. O branco do vestido rodado recebia gotas de escarlate enquanto pulava, os longos fios negros se esvoaçam acompanhando o movimento. O quase pôr do sol lhe dá um tom rosado nas bochechas, junto à um sorriso de satisfação.
Para essa até meu saco bate palmas.
Quando percebo, é exatamente isso o que estou fazendo, batendo palmas para gostosa das coxas bonitas, imaginando a visão perfeita que seria se os seios escaparem do decote.
Sou um pervertido, igual ou pior do que os roceiros da Província.
Realmente. As mulheres desse lugar, ela em específico, tem o dom de fazer o meu pau gritar e latejar dentro da calça.
Não precisa de muito esforço para ver o resultado da saia pulando. A curva intrigante da calcinha fica exposta, mostrando um pedaço da bunda. Ela some e aparece a cada salto. Isso me faz lembrar que tem outra coisa querendo sumir e surgir nessa maravilha.
Se eu segurar naquela cintura fina e usar a minha força para estocar a gostosa saltitante na minha frente, com a excitação que estou?
Mato a mulher de tanto trepar.
Vai subir porra para cabeça e nem todo o vinho do mundo seria capaz de fazê-la ficar tão inconsciente.
Quero foder essa mulher! Contudo, meus pensamentos obscenos são interrompidos, pelo jeito expansivo de Lorenzo.
- Caralho irmão! Eu te amo - falou com total empolgação - aqui só tem gostosa e tudo no brilho.
- Já percebi. - proferi apontando para as tinas, mas a Deusa não estava mais lá - Perdi ela de vista!
- Perdeu quem Dante? - Lorenzo pergunta sem entender.
- Uma Deusa, gostosa pra caralho que estava ali na tina esmagando uvas.
- Esquenta não. Deusas é o que mais tem aqui. - proferiu de forma maliciosa, trincando os dentes para uma gostosa que passava por nós - ela sorriu irmão! Me dei bem - ele bate em meu peito e solta uma piscadela - Vou nessa, enquanto tu fica aí chupando o dedo, procurando a Deusa perdida. - Depois de me dar um tapinha nas costas ele vai atrás do "rabo de saia."
Acredito que seremos a sensação dessa província. Cidade pequena, todo mundo se conhece. Provavelmente Lorenzo e eu seremos novidades. Mulheres se sentem atraídas só em saber que somos de fora.
Pau novo na área!
Passado alguns minutos, explorando um pouco mais da localidade, tentando achar algo do meu agrado para degustar, vejo o objeto do meu desejo em uma barraca de Drinks. Sem me conter, me aproximo vendo ela dar uma nota ao atendente e bebericar o Drink, aguardando o que devia ser o troco. Quando chego bem perto o homem lhe entrega umas poucas moedas, antes que ela saia e suma novamente da minha vista, eu pergunto:
- É gostosa? - me olhou em um movimento rápido.
- Oi?! - exclamou sem entender.
- A bebida. É ou não é gostosa? - apontei para sua taça.
- Para mim uma delícia.- respondeu sorrindo.
"Ah! E que sorriso!"
- Vou querer uma igual a sua.
"Que porra que estou falando?!"
- É só pedir na barraca a sua direita - proferiu com um certo sarcasmo.
- Só que não sei o nome desse drink. Pode me ajudar? - Ela assente e sorri discreta.
- Juliano! - chamou a atenção do barman. - Faça um Bellini para o rapaz por favor. - ainda com o sorriso maroto no rosto - Bom. Acho que já posso ir. Espero que goste da bebida. Tchau! - acenou se virando.
- Espera! - A faço desistir de ir e ela se vira de maneira brusca fazendo seu cabelo e vestido sacolejar com o movimento. Isso foi lindamente sexy - Não agradeci, nem me apresentei.
- Tudo bem. - devo está agindo igual um idiota, pois ela continua a sorrir.
- Prazer, Dante Baldorini! - Me apresento esticando a mão em um cumprimento, mas antes que ela pudesse corresponder, o barman me entrega a bebida.
- Vou aguardar você provar o Bellini e depois irei.
- Não sem antes me dizer o seu nome. - falo enquanto provo um gole considerável da bebida doce e cítrica.
- Me chamo Luna - nome lindo igualmente a ela, além de ser gostosa ao extremo - Luna Taranto.
Engasgo com a bebida, ao ouvir o sobrenome da Deusa a minha frente.
Fodeu!
- Taranto?! É filha de Antonella Taranto? - pergunto surpreso.
- Não. Sou irmã dela - Respirei mais aliviado enquanto ela fazia um muxoxo.
- O que houve? - pergunto ao ver sumir de sua face o leve sorriso que mantinha em toda nossa conversa.
- É que já sei o que veio fazer aqui. Quando alguém de fora vem parar aqui neste fim de mundo e conhece a Antonella. É porque quer comprar a vinícola ou a fórmula do prosecco Gemelli. Não é isso?
- É, exatamente isso. - Ela mesmo está me dando a brecha para chegar até a vadia que me pariu. - Mas de antemão vou lhe avisar. Antonella não vende por preço algum nenhum dos dois.
A intenção era me aprofundar mais no papo, entretanto uma mulher um pouco mais velha que Luna e igualmente linda, chega de forma brusca, cochicha alguma coisa ao seu ouvido e a puxa pelo braço com ignorância, fazendo com que o drink derrame no vestido da moça.
A amiga dela o que tem de gostosa, tem de ignorante. A fim de saber quem é a outra mulher dirijo-me ao barman.
- Juliano é seu nome não é?
- Sim Senhor. Ao seu dispôr.
- Quem é aquela mulher que saiu arrastando a Luna?
- Ah sim! É a irmã dela Antonella Taranto.
- Não. Aquela não é Antonella Taranto - a mulher deve ser uns dez anos mais velha que eu. Aquela não é a puta que me pariu. Impossível. - existe outra Antonella Taranto na cidade?
- Não. Que eu saiba somente ela. - o homem ergue uma das sobrancelhas e põe na face uma expressão parecida como a de Luna - Veio a cidade atrás da fórmula do Gemelli?
- É o tal prosecco. Na verdade não. Eu vim atrás da vinícola Taranto inteira, mas adoraria experimentar o Gemelli, você tem aí?
- Tenho. Mas somente para fazer os drinks. Não o sirvo puro. Você pode experimentar na barraca dos Tarantos.
- Eles estão com uma barraca aqui. Que ótimo! Onde fica?
Muito prestativo, Juliano o barman me indicou a localidade, porém não poderia ir até lá tirar a limpo essa confusão. Tinha que encontrar o maníaco sexual do Lorenzo que parece uma cadela no cio. Ele é o cara certo para ir até a barraca dos Taranto investigar, minha cara já está queimada.
Luna Taranto...
Ele pensa que não vi seus olhos de cobiça enquanto esmagava as uvas. Como não iria reparar! Um rosto lindo com um olhar intenso e safado junto ao sorriso genuinamente debochado. Tudo isso em cima de um belo corpo, trajado de calça jeans torneando seu belo traseiro, blusa social branca com os botões abertos, o estilo cafajeste, que dá para os olhos mais curiosos como meu, ver perfeitamente seu tórax definido.
A prosa estava até boa, sua voz máscula era como música para os meus ouvidos. Geralmente quando aparece um sebosinho de conversa mole logo dou um passa fora. Mas daquele homem me senti atraída feito um ímã.
Era lindo demais para eu não aproveitar alguns minutos de conversa fora com ele. Logo o protetômetro de Antonella disparou e estava me arrastando como se o carinha fosse me devorar.
- Calma Antonella! Está machucando meu braço. - Tento frear suas mãos firmes no meu braço, depois era bem capaz de deixar uma marca.
- Você sabe muito bem o que esses caras de fora querem? Só desfrutar da sua beleza. Depois de descartam.
- Tenho 28 anos. Já parou para pensar que posso estar a fim de desfrutar da beleza deles também? - vociferei minha frustração.
- Vamos falar com a mamãe e ver o que ela pensa disso. - Ela fala como se a essa altura minha mãe tivesse algum controle sobre mim.
- Fale o que quiser. - esbravejo minha raiva - não estava fazendo nada demais. Só conversando. Pare de achar que os homens de fora são uns monstros pronto para papar moçoilas interioranas. Não sou uma idiota sonsa
O melhor que tinha para fazer é ir ajudar minha mãe na barraca. As paranóias de Antonella não são para mim. A tenda está lotada, e dona Gioconda que nem uma louca sozinha, afinal, meu pai só servia para gastar o dinheiro que não tínhamos.
- Ainda bem que chegaram meninas. - Ela junta as mãos como em uma reza.
- Senta um pouco mãe. Antonella e eu assumimos.
Pedir para minha mãe desligar, era o mesmo que pedir a Antonella para ser tolerante. Duas coisas que nunca aconteceriam. Uma só parava de trabalhar quando dormia e a outra tinha uma amostra grátis de paciência.
Aqui na província todos se conhecem, até na festa da uva conhecemos o rosto do pessoal da cidade vizinha que vem para cá. Conhecemos alguém de fora até pelo modo de se vestir diferente. O homem que se aproximava da tenda, pela vestimenta, era mais um homem da capital. Bonito! Bonito à beça, mas nem de longe é tão bonito como Dante Baldorini.
Chegou com um sorriso expansivo, o estilo que Antonella sempre fala - o famoso conquistador barato - mas ela apenas o olha de soslaio, enquanto ele banca o simpático para cima dela.
Essa eu pagaria para vê.
- O que vai querer? - pergunta seca, sem nenhuma simpatia para o cliente a sua frente. Ela não era do tipo que forçava simpatia, nem para uma boa venda.
O rapaz tinha rasgado na boca um sorriso branco. - Boa tarde, bela senhorita! Gostaria de provar o prosecco Gemelli dos Taranto.
- A festa está lotada, imagina se todos resolvem experimentar antes de comprar a dose? - Quanta grosseria, desse jeito ela jogava contra o próprio patrimônio. O que sabia de gerenciar, ela er péssima em vendas.
- Minha intenção não é comprar uma dose apenas e sim uma garrafa. Mas sem problemas - relata levantando as mãos - Eu pago a prova. - Já gostei dele.
- Tira esse cliente das mãos da sua irmã - sussurra minha mãe ao pé do meu ouvido - vai acabar espantando um freguês desse.
- Estou percebendo mãe, deixa comigo.
Me dirigi para o lado de Antonella e com sutileza, tratei de jogá-la para escanteio.
- Nossa mãe quer falar com você.
- Ela aguarda, estou atendendo.
- Pode deixar que atendo o moço. - Sorri para o rapaz a minha frente - O que quer provar? Não é necessário pagar a prova. Temos tintos e brancos, suaves, secos e proseccos, fique a vontade. - Antonella sai, mas não muito satisfeita.
"Ah mulher! Não me pergunta o que gostaria de provar desse jeito."
- Todos. - Responde rápido - Em doses bem pequenas para que eu não fique bêbado só na prova.
- É pra já. - ouço Antonella resmungar o chamando de aproveitador. Como disse, ela não tem paciência. Julga tudo com muita facilidade.
Nada de plástico, o cara tinha potencial de compra, peguei uma taça de vidro para impressionar e gotejei a primeira prova. Ele virou de uma só vez, apesar de ser pouco, é bom gargarejar o vinho para sentir melhor o sabor. Sempre começo pelos secos, se o cliente beber algo adocicado e suave primeiro, os demais irão descer rasgando e é bem capaz de achar ruim.
Tudo que colocava no copo ele dizia estar uma delícia, eu via o olhar de Antonella, se minha mãe não a segurasse, minha irmã já teria expulsado o cliente.
Em meio a um papo amistoso, ou talvez um interrogatório da minha vida e da cidade, o rapaz bonito levou 15 garrafas dos nossos vinhos mais caros. Até uma série ouro, produzida pelo meu tataravô, que custa 500 euros, ele comprou sem pechinchar.
Com jeitinho e um belo sorriso empurrei quase todas as safras que tínhamos na tenda, Antonella ficou com a cara no chão e minha mãe vibrou com o dinheiro da venda que veio em boa hora. Iria nos tirar de alguns problemas financeiros mais urgentes.
Algo nele me deixou bastante intrigada, quando Antonella se distraía com os outros clientes, o moço do sorriso bonito, tratava de me perguntar coisas bem intimistas da vida de Antonella.
Pensei que o rapaz era mais um a fim de comprar a vinícola. Porém suas perguntas estavam voltadas para vida pessoal da minha irmã. Até a idade dela ele perguntou. Achei bem estranho, deve está afim dela. Como gostaria que ela desse uma relaxada, quam sabe assim ficaria menos tensa, para não dizer chata. Mas sei que esse aí está fora de cogitação, minha irmã odeia homens de fora.
Ah! Se a Antonella descobrir que o forasteiro está interessado nela...