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Indomável e Sedutor

Indomável e Sedutor

Autor:: Ieda Lemos
Gênero: Romance
Fabian passou a vida se preparando para ser o único herdeiro da sua tia. Começou ainda adolescente a acompanhá-la na empresa e visitas aos cafezais. Estudou e se tornou um dos homens mais bem sucedidos do país. Era conhecido pelos fazendeiros da região de Minas Gerais, como o "Barão do Café". Também como "Testa de ferro". Mas com a morte de Beatrice, Fabian teve uma surpresa ao descobrir que no testamento havia uma condição para que ele recebesse a herança. Teria que se casar e permanecer por quatro anos nesse matrimônio. Fabian ficou muito enfurecido, pois gostava de ser livre e por ser muito afortunado, nunca lhe faltou mulher para o seu prazer. Desesperado para se tornar em definitivo o homem mais rico do país, teve como escolhida para ser a sua esposa, uma moça pura, que sonhava ser princesa na extensão dos cafezais. Fabian se preocupou em fazer um contrato onde não podiam ter contatos físicos, gerar herdeiros ou ter qualquer envolvimento emocional. Mas Angel iria contra tudo o que Fabian planejara. Angel lia todas as histórias de contos de fadas e se via como personagem delas. Sem saber do contrato, na sua inocência, Angel iria encontrar os mocinhos e vilões no seu dia a dia ao lado de Fabian. O castelo de sonhos iria lhe parecer mais uma masmorra.

Capítulo 1 O testamento

Vamos contar a história de Fabian e Angel. Um casal improvável. Um homem extremamente rico e sedutor. Fabian cheira a sedução, mas como sempre se dedicou ao trabalho, na intenção de herdar o império da tia Italiana, esqueceu de amar e se tornou um homem frio e autoritário.

Agora ele está prestes a descobrir que a herança de Beatrice nunca esteve fácil em suas mãos, havia um preço que mudaria a sua vida e lhe tiraria da zona de conforto em que sempre esteve.

Enquanto Fabian está diante do nosso protagonista " o testamento de Beatrice ", uma moça pura e ingênua, filha de pai analfabeto, vive a sua ilusória vida de princesa na fazenda do padrinho, onde os seus pais trabalham e que ela vive desde pequena correndo pelos arredores, subindo em árvores e se imaginando estar a espera de um príncipe encantado, como nos livros de contos de fadas que ela costuma ler.

Angel, parece uma princesa desabrochando, loira de olhos bem azuis, assim como o seu padrinho, coronel Ambrósio, vive solta pelo mato, livre para sonhar com o que quiser.

Mas, o que esses dois têm a ver um com o outro? E que possibilidade havia de, Fabian, morador da grande São Paulo, descendente de Italiano, lindo ao extremo, comprador de todo o cafezal das fazendas de Minas Gerais, se encontrar com Angel nesta história?

Você imaginaria possível, um grande amor entre esses dois, sem grandes desilusões para ambos, com ideias tão diferentes?

Seria possível, Fabian ser visto como um príncipe encantado, quando a sua fama de opressor, corre ao redor de todos que o conhece? O que diria os fazendeiros de Minas Gerais, de onde sai todo o café que faz de Fabian, o maior exportador do Brasil, e o seu irmão, a sua mãe e os criados da mansão?

Onde Angel encontraria uma brecha para ter esperanças de conquistar um homem tão Indomável e Sedutor?

Isso é o que nós vamos descobrir e viver as emoções a partir de agora!

***

Fabian olhava para o brilho do verniz daquela mesa comprida de madeira antiga. Coisas da sua falecida tia.

Sentado à cabeceira da mesa, Fabian tinha a sua esquerda a sua mãe e à direita o seu advogado, que por sua vez foi da sua tia por longos anos.

Doutor Augustus Ferreira de Castro era um homem magro, calvo, de pele bem branca, nariz acentuado, lábios finos e olhar misterioso.

Fabian apertou os olhos castanhos escuros, ou seriam verdes? O queixo torneado formava uma pequena covinha quando expressava um sorriso, ainda que fosse sutil.

As mãos espalhavam os cabelos negros para trás, sem tirar os olhos do homem.

Dali de onde estavam vinha à luz dos arredores dos prédios em volta.

A pele morena clara de Fabian, mais parecia bronzeada. A descendência italiana por parte da tia, irmã do seu falecido pai, se acentua ainda mais, naquele terno de corte impecável, na cor azul marinho.

Giovanna estava apreensiva. Sua pele alva corava, enquanto olhava para o doutor Augustus. Vez ou outra, arrumava o vestido preto, bem composto, que lhe caía um pouco mais abaixo dos joelhos.

Giovanna apertava as mãos e a pedra ametista do seu anel, presente do seu falecido marido, brilhava intensamente com os reflexos das janelas de vidro que alcançavam uma parede inteira daquele recinto.

Era uma sala de reuniões. Comportava até vinte pessoas sentadas. Os móveis antigos, em estilo colonial, davam-lhe uma expressão sombria.

Há muito custo, Fabian conseguiu convencer a tia a colocar persianas. Pelo gosto dela, ainda usariam pesadas cortinas de cor escura e tecidos aveludados.

Fabian suspirou impaciente.

- Importa-se doutor, se eu fechar as persianas?-ele indagou inclinando-se para Augustus.

O homem pareceu sair de um transe. Sobressaltou-se, levantando a cabeça, agitado.

- Claro que não! Eu mesmo posso fazer isso!- falava enquanto o seu corpo entendia que a ordem era para que ele o fizesse.

Fabian tinha a intenção de impedi-lo de levantar-se, mas não deu tempo. O homem já baixava as persianas. A iluminação foi ficando mais fraca gradativamente, na medida em que a luz externa era impedida de entrar.

Fabian observava a postura do seu advogado. Estava tenso, por trás da imagem fria que tentava transmitir.

Augustus enfim sentou-se novamente.

Ele abriu uma pasta preta de couro e tirou de lá o protagonista daquela história. O testamento de Beatrice De Luca Giordano.

Fabian engoliu em seco. Os olhos ansiosos acompanhavam os movimentos dos dedos longos e finos da mão que manuseiam o documento.

Augustus dispôs o papel sobre a mesa e olhou para Fabian como que a pedir licença para começar a ler.

Fabian assentiu com a cabeça, lhe dando o consentimento.

Augusto suspirou e começou:

- Bem, a dona Beatrice, dona de uma fortuna imensa, como vocês bem sabem e acredito que tenham ciência de todos os bens que ela acumulou ao longo da sua vida - o discurso era bom, mas Fabian não tinha paciência para formalidades e rodeios. Acabou por interrompê-lo.

- Sem rodeios, doutor Augustus! Vá direto ao ponto! Qual o motivo dessa reunião se desde que me entendo por gente, já sabia que herdaria a fortuna da minha tia? - era a voz grave de Fabian, que exaltado batia na mesa com força.

Augustus tentava se controlar, mas as suas mãos trêmulas o entregava. Ele esperou cessar os desabafos do seu cliente. Na verdade, Augustus já havia presenciado muitos arroubos dos seus clientes, quando lia o testamento, tinha sempre uma surpresa, algum parente que ficava de fora da herança, mas era a primeira vez que teria que transmitir uma vontade excêntrica de um falecido.

Ele não levantou a cabeça para encarar Fabian. Tinha os olhos fixos no documento à sua frente. Esperou o silêncio se instalar novamente e entendeu que seria ele, uma deixa para que ele continuasse. E assim, encheu o pulmão de ar e continuou:

- A senhora sua tia, senhor Fabian, deixou-lhe como único herdeiro de todos os seus bens, entre imóveis e ações da empresa do ramo de café, a qual já tem posse administrativa há alguns anos.

Fabian se controlava para não interromper Augustus, mas estava nervoso desde que soube que a tia fizera algumas alterações no testamento e que aquela reunião se fazia necessária.

Giovanna teria tentado acalmar o filho no dia anterior, dizendo que não devia ser nada de importante, mas vendo como o advogado. escolhia as palavras para transmitir, o que para eles não tinha nenhum mistério, também começava a concordar com o filho. Algo de terrível estava escrito ali naquele papel maldito.

Fabian passou as mãos, jogando os cabelos para trás, afastando os mesmos dos seus olhos aflitos.

Levantou uma mão num gesto de impaciência e inclinou o corpo na direção de Augustus, dizendo com voz pesada, contendo todo o seu desespero:

- Fale de uma vez, Augustus! Tem uma surpresa nesse testamento, eu posso sentir pelas suas palavras. Estar a fazer rodeios por demais.

Fabian trabalhou a vida inteira com a tia. Era o seu braço direito. Ainda não completara seus doze anos, quando ela lhe levou para conhecer os cafezais do estado de Minas Gerais, onde fazendeiros forneciam todo o seu plantio para que ela construísse o seu império. Beatrice nunca se casou. Com a morte precoce do seu único irmão, num acidente de carro, ela acolheu a viúva e os dois filhos.

Fabian era o mais velho e tinha apenas oito anos. Ele era inteligente e gostava de conversar com a tia sobre a empresa. Queria saber tudo. O que ela fazia para ter toda aquela riqueza. Quando foram morar na mansão, ele ficou deslumbrado com tanto luxo. Morava com os pais e o irmão numa casa grande num condomínio de classe média. O pai era executivo numa grande empresa, mas não se comparava com a vida que a tia levava.

O pai não se dava muito bem com a irmã. Fabian escutava o seu desabafo na hora das refeições. Mas com a morte do provedor da sua família, não houve outra alternativa, a não ser aceitar o convite da tia para morar na mansão sob os cuidados da toda poderosa.

Capítulo 2 A Surpresa

Rodrigo, seu irmão, tinha seis anos na época. Enquanto ele brincava de se esconder pelo imenso jardim da mansão, Fabian passava o dia esperando a tia. Estava sempre pensando numa maneira de agradá-la.

Giovanna gostava da postura do filho. Incentivava-o a fazê-lo. Dizia que um dia, toda a riqueza da tia, seria dele se ela o visse como um filho.

Apesar de ser taxada como testa de ferro nos negócios, Beatrice se derretia pelo menino. Ela lhe vestia com roupas sóbrias e lhe fazia parecer um príncipe. Penteava os cabelos dele para trás e passava um gel para que ficasse com cara de mais velho.

- Parece o seu pai!- ela dizia emocionada.

Beatrice, apesar de não se dar bem com o irmão, por achá-lo pouco ambicioso, sentiu muito a sua morte. Nunca gostou de Giovanna, mas pelas crianças, acolheu a todos na mansão.

A casa não lhe parecia mais silenciosa em momento algum, chegou a arrepender-se de tê-los feito a oferta, mas aos poucos, Fabian foi conquistando o seu coração duro.

Ela chegava cansada do escritório e muitas vezes se trancava no pequeno cômodo a que chamava de biblioteca. Na verdade, era a extensão do escritório da empresa. De lá, muitas vezes resolvia negócios.

O lugar lhe era aconchegante. Os móveis antigos, o papel de parede com minúsculas flores nos tons de marrom e bege, a escrivaninha em madeira talhada, as paredes rodeadas de prateleiras com livros que nunca leu. O piso de decoração antiga, tudo ali remete ao passado, claro, não fosse o monitor sobre a sua mesa trazendo a Internet, da qual, não se podia mais viver sem. Era ali que descansava a sua mente.

Fabian vinha fazer-lhe companhia sempre. Os olhos curiosos do menino, querendo saber tudo o que a tia fazia, despertaram o seu interesse por ele desde o dia em que entrou naquela casa.

E assim, Fabian foi de jato particular conhecer os cafezais, de onde saía à fortuna da tia.

Beatrice orgulhosa, falava ao menino sobre os seus negócios e que um dia ele iria herdar.

Ambicioso, Fabian sorria enquanto admirava a plantação extensa lá embaixo.

Depois desse dia, a tia passou a lhe preparar para o ofício. Estudou tudo o que era preciso para chegar a ser o grande executivo que é hoje.

Augustus falou sem rodeios, como queria o seu patrão, a cláusula que vinha de surpresa:

- A sua tia deixou uma condição para que seja herdeiro da sua fortuna.

Fabian examinou a expressão de alívio do seu advogado. Ele parecia estar com uma bomba presa ao corpo e finalmente se libertou dela, jogando sobre o seu colo.

- O quê?- o grito de Fabian ecoou estridente.

Augustus levantou a cabeça assustado. Sabia que não iria ser fácil terminar de contar sobre a novidade.

Giovanna permanecia estática. Não conseguia mover um só músculo do rosto.

Fabian já havia levantado da sua cadeira que continuava girando pelo movimento brusco que fizera.

Ele andava em volta da sala, tentando se acalmar.

Augustus esperava paciente que ele voltasse ao seu lugar. Não via a hora de acabar com aquilo de uma vez e sair daquele lugar. Sentia cheiro de pólvora no ar

Fabian bufava como um animal enfurecido, preso a uma jaula. Era assim que se sentia. Preso a uma cláusula de um testamento, por uma condição inoportuna, para que lhe fosse assegurado um direito do qual conquistou por anos. Como podia agora existir qualquer tipo de condição? Pensava que tipo de exigência ela faria. E se fosse um capricho insano da tia?

Depois de um tempo, voltou ao seu lugar e tomou um gole de água. Deixou o copo descansar no suporte de prata. Respirou fundo e disse, dirigindo-se a Augustus:

- Conte-me logo, pelo amor de Deus, seja o que for essa condição maldita!

- Existe mais algum herdeiro, é isso?-Giovanna quis saber.

Augustus fechou os olhos impaciente.

- Vou falar de uma vez senhor!-disse resignado.

Fabian e Giovana tinham o corpo inclinado para frente, demonstrando o tanto que estavam ansiosos.

Augustus contou sobre a decisão de Beatrice, agora sem rodeios:

- Você precisa se casar e manter-se neste matrimônio por quatro anos!

- O quê?!-Fabian falou aos gritos.

Andava pela sala novamente, falando sem parar:

- Mas isso é um absurdo! Que ideia estapafúrdia! Eu não vou me casar obrigado! Não vou!

Enquanto Fabian descarregava a sua indignação, Giovana respirava aliviada.

Com a mão no peito falava ao advogado:

- Menos mal, temia que houvesse outro herdeiro.

Augustus acompanhou os passos nervosos do seu cliente, desejando que ele pensasse como a mãe.

Giovanna se levantou e foi falar com o filho.

- Querido, pense um pouco! Podemos arranjar um casamento! Quem se recusaria a casar com um partido como você?- ela dizia segurando o filho pelos braços, procurando os seus olhos.

Fabian a encarou com ódio e respondeu-lhe:

- Ninguém manda em mim. Só casarei um dia se sentir amor por alguém, ou não me caso, qual é o problema de ficar solteiro?

Giovanna meneou a cabeça pensativa, suspirou, depois começou a falar:

- Então é isso! Beatrice sabia que ninguém penetraria nesse coração duro. Ela foi estratégica. Não consegue entender? Ela temia que colocasse os negócios em risco por uma aventureira qualquer.

Fabian livrou-se dos braços da mãe e foi sentar-se novamente. Giovana continuou a falar:

- Uma família é o porto seguro de um homem de negócios. Ela temia que não estando mais aqui, você pudesse se perder.

Augustus assentiu com a cabeça concordando.

Fabian lançou-lhe um olhar de desagrado e ele desviou os olhos para a mesa.

Giovanna sentou-se em seu lugar demonstrando contentamento.

Fabian a acompanhou com o olhar incrédulo. Meneou a cabeça e disse:

- Sente-se feliz com isso? Que espécie de mãe é você? O seu filho vai ser obrigado a casar-se contra a sua vontade e você está tranquila desse jeito!

Giovanna deu de ombros e sorriu dizendo:

- Menos mal meu filho! Já pensou se aparece um herdeiro nesse testamento?

Fabian inclinou-se procurando os olhos da mãe. Estava extremamente aborrecido com aquela situação.

- Mãe! Eu trabalhei duro para conquistar esse lugar de único herdeiro. Como posso me conformar ter que cumprir essa condição absurda, estúpida!

Houve um silêncio. Não havia mais nada a dizer, nem como contestar. Estava feito. Beatrice preparou essa situação com muita cautela. Teve todo cuidado para não ser descoberta antes da sua morte.

Capítulo 3 O Contrato

Augustus aproveitou a deixa e levantou, fechando a sua pasta.

- Bem, preciso ir.- disse estendendo a mão para Fabian.

Contrariado, Fabian levantou-se também e apertou a sua mão.

Giovana levantou-se sorrindo com simpatia.

Estendeu a mão para Augustus, que a pegou e beijou-lhe com cavalheirismo.

O homem se retirou e Fabian deixou-se cair em sua cadeira, desanimado.

Ele colocou as mãos na cabeça em desespero.

- Mãe, não vou casar, não vou! Por que a minha tia fez isso comigo?

Giovanna foi abraçar o filho.

- Calma! Nós vamos resolver esta situação.- ela dizia.

- É a minha vida mãe! Não me sinto preparado para casar!- Fabian falava inconformado.

Giovanna riu enquanto acariciava os cabelos do filho.

- Já tem mais de trinta anos, filho! Quando pretende casar?- ela questionava.

- Não sei nem se quero casar! Quero ser livre mãe!- ele respondeu se exaltando.

Giovanna acompanhou o filho com o olhar enquanto ele se dirigia até a janela e olhava a rua através da persiana.

- Vamos arrumar uma moça que aceite um casamento arranjado. - ela disse sorrindo, se achando muito inteligente.

Fabian virou-se de súbito irritado. E ficar com uma mulher me controlando?- ele quis saber.

- Não, se colocarmos todas as condições em contrato. - ela disse animada.

- Mãe você é incrível! -Fabian exclamou eufórico.

Giovanna suspirou vaidosa.

Fabian ficou pensativo. Passando a mão no queixo, acariciando a sua covinha, falava com malícia no canto dos lábios:

- Podemos colocar várias cláusulas. Nada de sexo, herdeiros, cobranças etc.

Giovanna animou-se, batia palminhas suaves com as mãos, enquanto assentiu com a cabeça.

Fabian voltou e sentou-se com a mãe.

- Será que a filha de alguma amiga sua, aceitaria a nossa proposta?- ele quis saber.

Giovana gargalhou diante da inocência do filho.

Fabian fechou o semblante. Estava a ser motivo de chacota.

Giovanna desfez o sorriso imediatamente e disse:

-Eu quero dizer, que temos que comprar uma moça!

Fabian sobressaltou-se:

- Comprar!- exclamou.

- Sim, comprar meu filho!- Giovanna reafirmou.

Fabian esboçou um sorriso frio e calculista. Os olhos esverdeados brilharam.

- Mãe você é maquiavélica!- exclamou.

Giovanna debruçou-se sobre a mesa na direção do filho e começou a expor os seus planos:

- Eu pensei num fazendeiro muito ambicioso, conseguir uma moça que se encaixe nesses requisitos.

Fabian ouvia a mãe, concordando com a cabeça.

- Seu assessor poderia fazer a ponte entre nós - ela sugeriu.

Fabian levantou-se decidido.

- É isso! Quero esse fazendeiro aqui em São Paulo. Quero olhar no olho dele e fazer negócio de homem pra homem!

Giovanna levantou-se animada. Pegou o interfone e chamou Duílio, o assessor.

O rapaz chegou agitado. Era um jovem de estatura mediana, cabelos penteados para trás, lhe dando um ar de mais velho. Na verdade, podia ter pouco mais de vinte e seis anos. Usava um terno impecável, na cor cinza.

Os olhos bem pretos do rapaz estavam fixos em Fabian.

- Pois não senhor! Em que posso ajudá-lo?- ele falava ansioso pela atenção do patrão.

Fabian virou-se frio para ele.

- Preciso de uma esposa- disse seco.

O rapaz ergueu as sobrancelhas e não respondeu. Ficou estático por um instante depois indagou:

-Eu entendi direito, senhor? O senhor precisa de uma esposa, é isso mesmo?

Fabian suspirou impaciente. Fez um gesto para que a mãe explicasse.

Geovanna riu maliciosa. Todos ali na empresa a temiam. Duílio encolheu os ombros, enquanto ela falava inclinada na sua direção. Ele podia sentir o seu hálito no rosto:

- Precisamos que nos traga um fazendeiro muito ambicioso para conversarmos com ele, entendeu?

Duílio engoliu em seco e assentiu com a cabeça.

Fabian fez um gesto para que o rapaz sentasse à mesa.

- Duílio, preciso de uma esposa de fachada. Pensei numa moça simples, que não me criasse problema algum. Ela tem que ser muito humilde para que encha os olhos com a recompensa que lhe darei ao unir-se a mim. - quando terminou de falar, Fabian examinou a expressão assustada do rapaz e controlou a sua ansiedade, falando com voz mais branda:

- Sabe de um fazendeiro, lá das bandas de Minas Gerais, que possa nos ajudar? Ele também será bem recompensado.

- Sei, sim senhor. O coronel Ambrósio!- o rapaz respondeu prontamente.

Giovanna ergueu as sobrancelhas e sorriu.

Fabian inclinou-se para olhar nos olhos do rapaz e disse com voz controlada, parecia uma súplica:

- Pode trazê-lo aqui? Quero tratar com ele.

O rapaz assentiu com a cabeça e Fabian falou em tom de ordem:

- Amanhã! Quero-o aqui amanhã!

Duílio levantou-se assustado olhando para o chão.

- Sim senhor! Vou ligar para ele agora. Nesse minuto. - disse isso e saiu apressado.

Quando Duílio saiu da sala, Fabian encostou-se a sua cadeira sorrindo. Suspirava aliviado. Estava tudo arquitetado. Se casaria com uma moça qualquer, só para herdar a herança e nunca mais a veria depois do término do contrato.

- Mãe, mande preparar o contrato para esse tal coronel Ambrósio levar aos pais da moça, seja ela quem for. - disse animado.

- Imagine, em pleno século vinte e um, alguém ainda ser chamado de coronel porque é um fazendeiro abastado! Que tipo de homem é esse?- Giovanna analisava pensativa.

Fabian levantou-se falando:

- Pouco me importa mãe! Só quero resolver essa situação de uma vez.

Fabian saiu da sala de reunião acompanhado da mãe. Ele foi para a sua sala. Precisava voltar ao trabalho.

Chegando lá, sentou-se e pôs-se a reclamar da decoração:

- Mãe precisa mudar tudo nessa sala.

Era a antiga sala de Beatrice. A decoração era sóbria e conservadora. Fabian se sentia velho, sentado àquela mesa de madeira torneada.

- Vou trocar todos esses móveis, filho! - ela dizia tocando o tecido escuro e pesado da cortina atrás de Fabian.

- Quero tudo moderno, novo, de bom gosto! Tire todos esses objetos tristes de decoração! - Fabian falava se referindo às estatuetas, das quais Beatrice tinha tanto apreço.

Giovanna era uma espécie de secretária. Passava o dia quase todo auxiliando o filho. Quando não, circulava por todos os setores do prédio, dando palpite em tudo, o que deixava os funcionários contrariados.

Giovanna olhava em volta com expressão de desagrado, ao tocar nos objetos, antes intocáveis.

Ninguém se atrevia a dar qualquer palpite sobre decoração com Beatrice.

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