Ivie:
O mundo virou de cabeça para baixo quando o carro começou a capotar sobre o asfalto. Uma, duas, três vezes, ou talvez mais, eu já não conseguia contar.
O cinto de segurança esmagava meu peito enquanto o vidro estilhaçava ao redor, espalhando fragmentos brilhantes pelo carro. Tentei gritar, mas nenhum som saiu da minha garganta.
Alguma coisa quente escorreu pela minha testa, entrando nos meus olhos.
Hora ou outra eu estava de ponta cabeça, enquanto o carro era arremessado sobre o asfalto para longe.
Quando tornei a abrir meus olhos, o cheiro de sangue e gasolina impregnava todo o carro.
Mamãe estava caída sobre mim, os cabelos dela cobriam meu rosto.
O peso do corpo dela me esmagava contra o banco.
Ela não se mexia. Tentei levantar a mão para tocar o seu rosto, mas meu braço parecia pesado demais. Uma mecha do cabelo dela estava grudada na minha bochecha, úmida de sangue.
- Mamãe... Papai? - os chamei, mas não houve nenhuma resposta - Mamãe, acorda mamãe...
- Tem sobreviventes? - ouvi ao longe a voz de um homem.
- Tem uma garotinha! - o outro respondeu - Mas parece que o carro vai explodir. Rápido, me ajude aqui!
O cheiro de gasolina queimava o meu nariz.
Alguma coisa pingava no meu rosto.
Sangue.
Eu não sabia se era meu.
As vozes dos dois pareciam distantes, e a imagem era borrada, como se fossem vultos.
No instante seguinte, senti alguém me tirar para fora do carro.
- Está tudo bem! - o ouvi dizer - Vai ficar tudo bem agora.
Então o mundo explodiu.
O barulho rasgou meus ouvidos.
E eu acordei gritando, completamente suada e chamando pelos meus pais.
- Tudo bem... Tudo bem! - Mary segurou firme a minha mão - Foi só um pesadelo.
Me sentei abruptamente sobre a cama, secando o suor da minha testa com o dorso da mão.
- Você teve aquele mesmo sonho novamente? - Mary perguntou.
- Eu sempre tenho esse mesmo sonho quando esta época do ano se aproxima. - comentei.
Minhas mãos ainda tremiam.
Passei os dedos pela garganta.
Ela ainda ardia.
Como se eu ainda estivesse respirando fumaça.
- E isso me lembra que... - Mary retirou um esqueiro do bolso da camisola de algodão e o acendeu, começando a cantarolar baixinho - Parabéns para você, nesta data querida, muitas felicidades...
- Chega! - sorri da cara que ela fazia enquanto cantava, e então, assoprei a chama do esqueiro, a apagando.
- Agora ambas já temos dezoito! - ela me lembrou
Dezoito.
A palavra ficou suspensa no ar.
Liberdade para ela.
Uma pergunta para mim.
Depois de sermos esquecidas nesse lugar pavoroso, finalmente em pouco tempo estaremos livres desse inferno?
- Você está certa! - concordei. Já fazia tanto tempo que eu até já havia me esquecido de que aos dezoito as meninas eram mandadas de volta para suas famílias - Eu me esqueci disso.
- Será que o seu tutor vai te buscar e te levar de volta para Massachusetts? - ela perguntou curiosa - Será que você vai para a casa dos seus pais?
- Não sei dizer! - soltei um longo suspiro - Ele só me jogou aqui e foi embora. Que bom amigo esse dos meus pais.
- Pelo menos agora vamos poder ver o mundo e curtir bastante a vida! - ela sorriu animada.
- Finalmente! - concordei - Agora, vamos dormir. Se as freiras nos pegarem acordadas, elas vão nos colocar de castigo por uma semana inteira.
Harold Sloane.
O nome ainda tinha gosto amargo na minha boca.
O melhor amigo dos meus pais.
O homem que me deixou aqui.
Na manhã de vinte e três de dezembro, um mês depois do meu aniversário de dezoito anos, tudo estava frio e tedioso.
Apesar da neve, estava bem diferente da minha casa no Natal.
Os pais da Mary já haviam levado ela embora há quase três semanas, mas eu ainda permanecia ali. Tendo quase a certeza de que aquele homem se esqueceu totalmente de mim.
O quarto parecia grande e silencioso demais sem ela.
Mary sempre dizia que quando saíssemos daqui o mundo seria nosso.
Agora ela já estava no mundo.
E eu ainda estava presa aqui.
Era estranho perceber que a única pessoa que sabia tudo sobre mim... tinha ido embora.
- Collins! - a irmã Agnes chamou pelo meu nome quando eu observava a neve cair - A madre chamou você!
Meu estômago afundou.
Castigo.
Foi a primeira palavra que veio à minha cabeça.
Acenei com a cabeça e segui para o escritório da diretora.
A madre tinha uma péssima fama de ser rígida e cruel quando contrariada, e eu sabia bem que era verdade, afinal, já havia sofrido alguns dos castigos dela. O que me deixava um pouco apreensiva, já que tinha medo de outro castigo, mesmo não tendo feito nada de errado.
Bati de leve na porta e aguardei até que ela liberasse a minha entrada.
- Entre!
Uni as duas mãos de forma nervosa, respirei fundo antes de empurrar a porta.
- Diretora, mandou me chamar?
- Ivie Collins! - um homem já bem velho se levantou e caminhou em minha direção - Se lembra de mim?
Observei o rosto dele, com rugas profundas.
Os olhos frios.
Eu lembrava daquele olhar.
Foi o mesmo que vi no dia em que ele me deixou aqui.
- Harold Sloane veio te buscar.
Meu coração disparou.
Finalmente.
Liberdade.
Mas quando ele se aproximou, segurou meu queixo e me observou como se estivesse avaliando um objeto.
- Cresceu bastante - murmurou.
Um arrepio percorreu a minha espinha.
Eu não sabia por quê.
Mas, pela primeira vez em seis anos...
Eu tive medo de sair daquele internato.
Ivie:
O vôo de Nova Orleans no estado da Louisiana para Boston, Massachusetts, levou quase quatro horas.
Passei a maior parte do tempo olhando pela janela do avião. As nuvens pareciam um mar branco e infinito. Apertei os dedos contra o apoio de braço, tentando convencer a mim mesma de que aquilo realmente significava liberdade.
Continha uma pequena dose de ansiedade, já que eu finalmente havia deixado aquele lugar horrível.
O motorista de Harold Sloane já nos aguardava quando desembarcamos no aeroporto de Boston.
De lá, fomos direto para a residência dos Sloane's.
Durante todo o trajeto, Harold não disse uma única palavra. Ele apenas observava a cidade pela janela, como se eu nem estivesse sentada ao lado dele.
- Achei que eu fosse para a minha casa! - comentei em um tom de voz baixo.
Minhas mãos apertaram o tecido do vestido sobre os joelhos.
- Achou errado! - ele disse sério - Tenho a sua tutela até que termine os seus estudos, quando vai herdar todos os bens do Petter e da Anna, os seus pais.
Ele não levantou a voz. Disse aquilo com tanta naturalidade que parecia estar apenas comentando sobre o clima.
Ao que tudo indicava, eu só havia trocado uma prisão por outra.
O segui direto para dentro da casa.
O teto era tão alto que minha voz provavelmente ecoaria se eu falasse mais alto. Lustres enormes brilhavam acima de mim, e o piso de mármore refletia cada passo que eu dava.
Os empregados estavam esperando do lado de dentro, impecavelmente vestidos e enfileirados.
- Bem vindo de volta, senhor Sloane! - eles o cumprimentaram em uníssono - Senhorita Collins, bem vinda.
Nunca tinham me chamado de senhorita antes. Aquilo soou estranho nos meus ouvidos.
- Levem a mala dela para cima! - ele ordenou antes de se sentar em uma poltrona - Não sei se sabe, mas seus pais e eu somos sócios em um escritório de advocacia, um dos melhores do estado de Massachusetts.
- Eu sei! - respondi simples - Eu me lembro um pouco!
Ele me observou por alguns segundos, como se estivesse avaliando se eu era um problema ou não.
- Excelente. Assim eu não preciso te explicar muita coisa! - ele declarou
- Sou um homem ocupado. E, além do mais, na carta que os seus pais me deixaram junto com o testamento eles exigiam que eu lhe desse a melhor educação possível! - ele contou - Por isso te mandei para um colégio interno só para garotas e, em outro estado, assim, você não teria distração alguma.
- Eu entendo! - ele era mesmo bem cruel.
- Agora que se formou no ensino médio, vai iniciar a faculdade. Já iniciei a sua matricula você em Harvard! - ele contou - A mesma universidade que os seus pais estudaram.
- Harvard? - perguntei quase boquiaberta.
Meu coração deu um salto.
Harvard parecia o tipo de lugar onde pessoas extraordinárias estudavam. Não alguém como eu.
Não era a universidade que tinha o curso de direito mais conceituado de todo o mundo?
Quanto poder aquele homem tinha?
- É uma boa universidade e, localizada justamente em Boston, o que é bem prático, já que você vai morar comigo a partir de agora! - ele disse - Você pode escolher o curso que quer fazer, mas seria bom que escolhesse Direito, porque vai herdar a parte do escritório dos seus pais.
- Sim, eu farei o curso de direito! - informei - Eu sempre dizia a eles que queria ser advogada.
- Isso é bom! - ele se levantou - Mas deve saber que terá horário para voltar para casa.
Senti meus ombros se enrijecerem.
- Não pode se distrair com outras coisas além dos estudos, e nesta casa só permitimos que traga garotas, e até às oito da noite. Depois disso você será punida severamente.
- Sim, senhor!
- Eu acho que isso é tudo! - ele disse - Comporte-se direitinho, seja uma boa garota, honre seus pais e não perturbe a minha paz, essas são as regras da casa. E eu espero que obedeça direito, e logo que você se formar na universidade, receberá a sua herança. Mas, não se preocupe, seu curso e suas necessidades serão todas pagas, para que você também não precise trabalhar.
- Sim, senhor.
- Me chame de tio Harold. - ele pediu - Afinal, eu era amigo dos seus pais.
- Tio Harold! - repeti.
- Bom! - um leve sorriso, quase imperceptível brotou no canto de seus lábios - Siga a governanta para ver os seus aposentos.
Acenei com a cabeça em afirmativa e segui a mulher vestida em um terninho preto.
- Meu nome é Augusta, e pode falar comigo sempre que tiver algum problema que não for relacionado a dinheiro!
Ela falou baixo, como se temesse que o próprio Harold pudesse ouvir.
- O senhor Sloane não gosta que perturbem a paz dele, então, a casa deve estar sempre silenciosa quando ele estiver aqui.
- Ele vive sozinho aqui? - perguntei olhando para a imensidão da casa.
- Sim! - ela respondeu - Ele tem um filho, mas ele prefere ficar no escritório de Londres.
Augusta hesitou por um segundo antes de continuar.
- Receio que não o conheça. O senhor Sloane mais jovem é tão reservado quanto o pai, mas, raramente vem a Boston, então, serão raras as oportunidades em que poderá vê-lo.
Eu já havia visto o filho do tio Harold, mas, uma única vez. Quando ele foi o advogado no caso dos meus pais. Ele era bem agressivo nas palavras, o que o fazia dominar completamente aquele tribunal.
Como advogado ele era bem diferente do que Augusta descreveu, ele parecia vibrar enquanto argumentava.
No fim, o motorista de caminhão, que estava embriagado foi condenado há mais de uma década de prisão, e por ele fugir da cena do crime, a pena aumentou para quase duas décadas.
Foi naquele tribunal que eu entendi.
Eu queria ser advogada.
Queria ter a mesma voz que ele teve naquele dia.
Queria lutar por pessoas que não podiam se defender.
Enquanto Augusta falava, parei diante de um grande retrato pendurado na parede do corredor.
Meu coração deu um pequeno salto.
Tio Harold e um menino de traços bem marcantes demais para uma criança.
Eu conhecia aquele rosto.
O menino da foto estava impecável em um terno escuro, com o olhar frio e penetrante.
O mesmo homem que havia dominado o tribunal no julgamento do motorista que matou meus pais.
- Esse é o senhor Harold Sloane... - disse Augusta calmamente. - E o Rowan filho do senhor Harold, ainda criança.
Continuei olhando para o retrato.
Estranhamente, tive a sensação de que aqueles olhos estavam me observando de volta.
E eu não fazia ideia de que, muito em breve, ele estaria de volta a Boston.
Ivie:
Meu primeiro ano em Boston deveria ter sido o começo de uma nova vida. Era o que eu dizia a mim mesma sempre que acordava naquele quarto silencioso, com janelas grandes e uma liberdade que nunca parecia realmente minha. Nada ali me prendia... e, ainda assim, eu nunca me senti tão controlada.
Com o tempo, aprendi que viver na casa dos Sloane não era difícil, desde que eu não errasse. Desde que falasse o necessário, estudasse o suficiente e nunca ultrapassasse os limites invisíveis que tio Harold fazia questão de impor sem precisar levantar a voz.
Eu me adaptava, porque era isso que eu sabia fazer. Mas, no fundo, uma parte de mim ainda esperava por algo que nunca chegava.
Às vezes, eu tinha a estranha sensação de estar sendo observada, mesmo quando estava sozinha no quarto. Como se cada passo, cada escolha, cada respiração precisasse seguir um padrão invisível que eu ainda não compreendia completamente. E o mais assustador... era perceber que, aos poucos, eu já estava aprendendo a obedecer sem nem perceber.
Mesmo que fosse uma prisão, ainda seria mil vezes melhor do que aquele colégio onde eu cresci.
Em alguns momentos, eu tinha a impressão de que aquela casa guardava mais do que silêncio e regras. Como se existisse alguém que ainda não estava ali... mas que, de alguma forma, já ocupava espaço. Eu não sabia explicar de onde vinha aquela sensação, só sabia que, sempre que ela aparecia, meu corpo reagia primeiro. Como se estivesse tentando me avisar de algo que ainda não tinha acontecido.
Apesar de ser bastante frio e cheio de regras, o tio Harold era bem fácil de conviver. Bastava ser obediente, estudiosa, respeitar os horários, ele não reclamava em nada.
Eu já sabia exatamente o que dizer... e o que nunca dizer.
Mas, sempre que começavam as semanas de avaliações na universidade, ele fazia questão de limitar o meu contato, o meu celular ficava em silêncio e as portas, sempre fechadas.
Era apenas ida e volta para Harvard e apenas a Augusta, a governanta podia entrar e sair do meu quarto, mas, apenas para trazer água e as minhas refeições, afinal, ele também era bem rigoroso com a alimentação.
A universidade também era boa, mas, mesmo cercada de pessoas, eu ainda me sentia sozinha. Harvard tinha uma das melhores escolas de direito de todo o mundo, a Harvard Law School. E, apesar de ser difícil, mas era gratificante saber que me esforçar tanto poderia me render bons frutos no futuro.
E para completar, ainda era a mesma universidade onde os meus pais se conheceram e se formaram.
Novamente, eu tinha apenas uma amiga, a Siena.
Ela era o total oposto de mim, ria alto, enquanto eu pensava antes de respirar.
Siena só estava ali por uma promessa, e eu... por obrigação.
Ela era espontânea, alegre, e ia para a universidade apenas porque toda a sua família era composta por advogados, e ela também foi obrigada a seguir o mesmo caminho. Mas, hora ou outra vivia fazendo uma piadinha sobre os almoços de domingo em família, onde a pauta principal era "quem você defendeu dessa vez?"
Ela era esperta e inteligente demais para se permitir ser manipulada pela família para ser uma advogada, mas, prometeu ao avô antes dele morrer que iria direitinho as aulas e se tornaria uma boa advogada.
Mas, quem era eu para julgar, também faria o mesmo se tivesse um avô que me amasse tanto e me defendesse, assim como o avô da Siena a defendeu em vida.
No meu quarto ano em Boston o tio Harold descobriu que estava doente.
Foi a primeira vez que vi algo nele quebrar.
Ele começou a definhar diante dos meus olhos, logo as dores abdominais, a urina escura, os olhos e a pele ficaram amarelados, as náuseas e as dores nas costas.
Então, veio o diagnóstico, era câncer no pâncreas, em estágio III. A palavra ecoou na minha cabeça mais do que deveria.
O tratamento o fazia ficar ainda mais fraco. Um médico particular foi contratado para cuidar dele, pois ele não permitia nem mesmo em sua dor que eu me desviasse dos estudos para dedicar algum tipo de atenção a ele.
Com a quimioterapia os cabelos dele caíram, mas ele ainda tentava permanecer forte, dizendo que deveria ficar vivo para cumprir o que prometeu aos meus pais no túmulo deles.
O tio Harold, apesar de ser bem rigoroso e exigente, era uma boa pessoa. Era um bom amigo dos meus pais, e não me deixava faltar nada.
Ele estava morrendo aos poucos.
Foi só quando ele mal conseguia se levantar da cama que me permitiu me aproximar.
- Como estão os seus estudos? - ele perguntou enquanto eu limpava sua mão com uma toalha molhada.
A pele dele estava fria, frágil.Nada parecida com o homem que me controlava.
- Eu estou indo bem! - respondi - As minhas notas estão entre as três melhores da turma.
- Você é uma garota boa e obediente! - ele disse - Mas precisa de dedicar ainda mais, precisa estar em primeiro lugar agora que eu não estarei mais aqui.
- Tio Harold...
- Sem discursos motivadores! - ele me impediu de continuar - Você e eu sabemos bem que eu estou morrendo.
Meu estômago revirou, mas eu não chorei.
- Você é bem inteligente, sei que já percebeu que estou chegando ao fim. Ouça, Ivie, eu te pedi para vir hoje porquê preciso te contar que a sua tutela vai passar para outra pessoa, por isso precisa se esforçar mais.
Ele tossiu.
Peguei o lenço e o entreguei.
- Meu filho, Rowan Sloane, ele será o seu novo tutor! - ele disse após se acalmar
O nome soou pesado, estranho, como se carregasse alguma coisa que eu ainda não entendia.
- Ele é bem exigente e não gosta que o incomodem, por isso você precisa se comportar ainda melhor, você entendeu?
- Sim! - respondi - Eu serei obediente.
- Isso é bom! - ele sorriu. Foi a primeira vez que o tio Harold sorriu para mim.
Eu nunca havia visto o filho do tio Harold. Ele nunca visitava o pai.
E então, na metade do meu quarto ano em Boston, o tio Harold partiu, choveu bastante no enterro, e debaixo de uma árvore, havia uma sombra de alguém, as pessoas cochichavam dizendo que era o filho do tio Harold .
Ele não se aproximou do caixão.
Mas, por um segundo... ele levantou o rosto.
E, mesmo à distância, eu senti.
Ele estava olhando para mim.