Florença
_ Eu vou sentir tanto a sua falta... _ Cora resmungou mais uma vez enquanto terminavam o último detalhe do prato que seria apresentado dentro de alguns minutos.
Emma sorriu de lado, observando atentamente cada minúsculo detalhe, tentando encontrar qualquer coisa que estivesse fora do lugar.
_ Sabe que sempre poderemos nos falar por telefone. _ respondeu à Cora, a única pessoa que ela podia considerar como amiga naquele lugar.
Quando investira todas as suas economias para entrar naquele curso de Gastronomia, ela viera para Florença sem pensar duas vezes, deixando Los Angeles para trás.
Conhecera Cora logo no início do curso e pouco tempo de conversa foi necessário para que elas se tornassem amigas.
_ Não será a mesma coisa... _ ela reclamou novamente antes de fazer com que Emma se afastasse da mesa e parasse de fitar o prato. _ Pare de procurar defeitos onde não há!
Emma coçou a ponta do nariz, como sempre fazia quando se sentia insegura.
_ Você pode ficar aqui comigo. _ Cora sugeriu, mas Emma negou rapidamente.
_ Sabe que não tenho condições de me manter aqui. E você já tem me ajudado muito ao dividir as despesas do apartamento comigo. _ explicou.
Cora já ia responder quando o nome das duas foi chamado e Emma esfregou as mãos em completo nervosismo antes de entrarem e começarem a apresentação.
Uma apresentação impecável também somava para um bom resultado, e era de bons resultados que Emma precisava naquele momento.
Era seu futuro que seria decidido naquela sala e ela sentiu que o mundo para ao seu redor enquanto observava os jurados provarem seu prato e olharem entre si.
Ficou ciente apenas da mão de Cora apertando a sua enquanto esperavam.
_ Srtas. Davis e D'Angelo... _ um dos jurados chamou sua atenção. _ Vocês duas são as últimas a se apresentarem e devemos ser sinceros...
Emma parou de respirar, enquanto o jurado parecia tentar encontrar uma maneira menos dura de acabar com suas esperanças.
_ Vocês duas têm se saído muito bem durante todo o curso e de todos os dez pratos que degustamos essa tarde, o de vocês, com certeza foi o melhor. _ ele terminou, fazendo Cora engasgar ao seu lado e apertar sua mão um pouco mais forte que necessário.
Mas Emma não se importou com a dor.
Pela primeira vez em sua vida ela ouvia palavras positivas sobre algo que fizera.
E pela primeira vez ela podia sentir orgulho de si mesma.
_ Uma apresentação impecável. _ ele continuou. _ Sabor e temperatura perfeitos... Parabéns as duas pelo esforço e dedicação. Acho que temos duas novas Chefs excelentes...
"Escutou isso, mãe? Eu não sou tão imprestável quanto pensa..." ela pensou, satisfeita consigo mesma.
_ Obrigado. _ ela respondeu, dessa vez não contendo o enorme sorriso que se formou em seus lábios.
_ Obrigado. _ ela ouviu Cora dizer também, antes de dar uma risadinha e puxá-la para fora da sala. _ Parabéns Chef!
Emma riu baixinho, olhando para sua amiga.
Ela torcia para que a amizade de ambas não desaparecesse com a distância, quando retornasse para Los Angeles.
_ Parabéns, Chef! _ respondeu.
Elas se abraçaram e caminharam juntas até o vestiário, onde descartaram as roupas brancas, toucas e aventais, substituindo-os por suas roupas normais.
Emma estava sentada afivelando as sandálias, quando Cora se sentou ao seu lado.
_ O que vai fazer agora? _ ela quis saber, e Emma deu de ombros.
_ Voltar para Los Angeles. Um conhecido me ofereceu uma vaga em seu restaurante. _ respondeu.
_ Vai voltar para sua antiga casa?
Cora estava preocupada, pois Emma havia lhe contado como era sua vida ao lado da mãe que não a desejava.
Emma era fruto de um caso de uma noite que sua mãe tivera com um empresário rico, e pelo que entendera ele não tivera nenhum desejo em reconhecer a paternidade quando sua mãe o procurara após descobrir que estava grávida.
Sua amiga apenas não queria vê-la voltar para a mesma vida de humilhação que vivia antes de reunir coragem o suficiente para ir até Florença e lutar por algo melhor.
_ Eu não sei se terei uma casa para onde voltar. _ respondeu, com sinceridade. _ Mas se tudo ocorrer bem, logo terei um lugar para chamar de meu e um dia você poderá ir me visitar.
Cora sorriu.
_ Ótimo! _ respondeu. _ Fico satisfeita com isso. Pelo menos saberei que está bem e não sofrendo nas mãos daquela megera que chama de mãe.
Emma riu.
Cora sempre fora uma pessoa muito sincera com ela, inclusive no que pensava a respeito de sua mãe e no modo como a tratava.
Com completa frieza e desprezo.
_ Já que não vou conseguir fazer você mudar de ideia quanto a permanecer aqui e morar comigo, pode atender a um último desejo meu. _ Cora disse, com um sorriso de lado e um olhar de quem estava planejando algo.
Emma sempre ficava preocupada quando ela a olhava daquela maneira.
A última vez que isso acontecera, ambas terminaram completamente bêbadas em uma boate.
Emma nem se lembrava de como conseguiram chegar em casa, pouco antes do sol nascer.
E se sentira tão mal naquele dia que jurou a si mesma nunca mais beber daquele jeito.
_ Depende... _ disse, insegura, e recebeu um olhar zangado da amiga.
_ Ora! Não confia em mim? _ Cora protestou.
Emma se limitou apenas a um arquear de sobrancelha e um olhar que dizia: "é óbvio que não!" para ela.
Cora bufou e se levantou do banquinho, ajeitando os cabelos negros atrás das orelhas.
Revirou os olhos amendoados, que contrastava com a cor de seus cabelos e alisou o vestido tubinho rose, que combinava perfeitamente com ela.
_ Meu irmão vai dar uma festa essa noite. _ ela explicou. _ Vai ter um monte de executivos chatos e metidos a milionários e preciso participar. Mas se fosse comigo, a minha noite não seria tão chata, pois teria alguém para conversar. E você poderia passar sua última noite em Florença, curtindo boa comida e bebida cara...
_ Eu não sei me portar em eventos como esse e não quero ser um motivo de vergonha para você... _ Ela sabia que Cora vinha de uma família de prestígio e seu modo de vida era muito diferente do dela.
Somente suas roupas de grife já lhe diziam isso.
_ Não seja tola! _ Cora retrucou. _ Não será um evento grande. Não é como se fossemos receber alguém famoso.
Emma ainda estava em dúvida.
_ Eu te empresto um vestido. _ Cora ofereceu, pois sabia que elas vestiam quase o mesmo tamanho, apesar de Emma ter um pouco mais de curvas do que ela, e ser um pouco mais baixa.
Mas nada que saltos não resolvessem! Pensou.
_ Por favor... _ ela implorou. _ Pense que será uma forma de nós duas comemorarmos o nosso sucesso.
Emma hesitou mais alguns segundos antes de suspirar e assentir.
Ela não tinha pensado em comemorações.
Planejara voltar para o apartamento e arrumar suas malas. Então ligaria para Vincent e avisaria que estava voltando.
Mas não podia negar que seria legal passar a sua última noite em Florença ao lado de sua amiga e conhecendo um pouco mais de seu mundo.
_ Ok! Eu vou! _ Respondeu, enquanto Cora dava um pulinho animado antes de abraçá-la novamente.
_ Prepare-se então, porque estamos indo direto para o salão arrumar unhas e cabelos! _ Cora avisou, puxando Emma para fora.
_ Espera, eu não concordei com isso! _ Emma protestou, tentando liberar sua mão, sem sucesso.
_ Não podemos aparecer diante das esposas esnobes dos parceiros de negócios do meu irmão, de qualquer maneira. _ ela explicou, enquanto abria a porta do carro para que Emma entrasse e deu a volta rapidamente, colocando-se atrás do volante.
_ Eu não posso arcar com as despesas de um salão de beleza, Coraline! _ Protestou, mas Cora fez um gesto de descaso.
_ E quem disse que seremos nós a pagar a conta? _ ela sorriu de lado, marota, e Emma prendeu o cinto de segurança enquanto revirava os olhos.
Agora, sim, Cora se parecia com uma riquinha mimada.
_ Eu acho que um coque alto combinaria perfeitamente com o vestido que tenho em mente para você. _ Cora disse, depois que os cabelos de Emma haviam sido lavados e hidratados antes de o secarem novamente.
_ Tem certeza disso? _ Emma perguntou, em dúvida, pois sempre considerara seu pescoço longo e fino demais para deixá-lo exposto.
_ Confie em mim. _ Cora pediu e Emma apenas deixou que as garotas terminassem de trabalhar em seus cabelos e unhas dos pés e das mãos.
***
Após passar pelo menos três horas no salão, as duas pararam para comer alguma coisa antes de voltar ao apartamento.
Durante todo o tempo em que estavam sentadas, comendo, Emma percebeu olhares masculinos se voltando para elas e sorriu internamente.
Pela primeira vez ela se sentia bela e isso tudo era graças a sua amiga louca.
Dentro do apartamento, enquanto se arrumavam depois de Emma ajeitar sua mala, ela ficou curiosa em relação à Cora.
_ Eu nunca perguntei isso, porque não queria ser intrometida. _ ela começou, fechando os olhos para que Cora aplicasse a maquiagem em suas pálpebras. _ Você me contou que seu irmão é um grande empresário e vai assumir a empresa da família. Isso me deixa crer que ele pode cuidar de você. Então, por que resolveu fazer gastronomia se não precisa trabalhar para se sustentar?
Cora riu e terminou de maquiá-la, afastando-se em seguida.
Emma a observou atentamente, esperando sua resposta, enquanto Cora fazia uma careta e retocava o batom.
_ Eu jamais viveria as custas do meu irmão. Fazer isso significaria aceitar o que minha família quer para mim e não gosto de ser manipulada. _ respondeu. _ Meu irmão deixa meu pai manipulá-lo porque só tem a ganhar com isso, mas eu...?
_ O que quer dizer com isso? _ Emma perguntou, curiosa. _ Falando assim, faz parecer que não pode tomar decisões por si mesma.
Cora abandonou seu reflexo no espelho e olhou para Emma com uma sobrancelha arqueada.
_ Se eu permitir que eles façam comigo o que vêm fazendo com meu irmão há anos, então isso será verdade. _ disse com evidente rancor. _ Mas enquanto meu irmão ganha a presidência da empresa, tornando nossa família mais rica e prestigiada, a única coisa que eu ganho é um casamento indesejado.
Emma ficou surpresa com aquilo.
Não imaginava que coisas daquele tipo ainda aconteciam.
Por um lado, a vida de Cora não era tão perfeita como ela havia pensado.
_ Agora chega de conversa fiada e vamos logo._ ela ordenou. _ Só não se deixe levar pelo lado charmoso do meu irmão, porque ele não resiste a uma bela loira e tudo o que poderia conseguir dele seria uma boa noitada de sexo.
Emma sentiu as faces corarem com aquele comentário, enquanto seguia Cora para fora do apartamento.
_ Não tenho nenhuma intenção de me envolver com seu irmão. _ respondeu de imediato. _ Muito menos estou interessada em uma noitada de sexo.
Cora entortou os lábios antes de sorrir para ela, misteriosamente.
_ Não diga que não avisei.
*******
Emma olhou em volta, admirada com a beleza da casa do irmão de Cora enquanto adentraram o enorme salão principal.
Sentiu os olhares sobre elas e de repente ficou incomodada com o vestido vermelho de cetim que Cora lhe emprestara, que se ajustava perfeitamente em seu corpo apesar de ficar um pouco colado demais em cima.
Não era muito decotado e evidenciava sua cintura fina antes de cair em uma saia solta do quadril até os seus pés.
Ela teria adorado o vestido, não fosse pela fenda em uma das laterais que deixava a mostra boa parte de sua coxa a medida que andava.
_ Aproveite a festa, garota! _ Cora lhe deu um cutucão.
Emma pigarreou antes de levar a mão ao rosto e coçar a ponta do nariz.
_ Vou tentar... _ prometeu.
_ Prometa que vai me chamar para inauguração do seu próprio restaurante em Los Angeles...
Emma riu baixinho, enquanto assentia.
_ Claro que sim. _ Prometeu. _ Não sei se teria chegado até aqui se não tivesse conhecido você...
Cora meneou a cabeça em negativa, pegando duas taças de champanhe da bandeja do garçom que passava e entregando uma para ela.
_ Você estaria exatamente onde está agora, Emma. _ ela exclamou com confiança. _ Porque você se esforçou para isso e, porque você merece.
Emma sentiu um aperto na garganta.
Não poderia chorar agora!
Ela nunca chorava, na verdade.
Então apenas engoliu em seco e levou a taça aos lábios, provando da bebida que fazia cócegas em seu nariz.
Vincent e Cora eram as únicas pessoas que disseram coisas daquele tipo para ela, enquanto sua própria mãe apenas desprezava tudo o que fazia.
Por diversas vezes Emma fizera de tudo para que sua mãe olhasse para ela com um pouco de orgulho e lhe desse o carinho e amor materno que ela sempre almejara.
Mas não importava o que fizesse, tudo o que recebia eram críticas e Maia críticas.
Até que ela decidiu parar de tentar.
_ Veja se não é minha querida irmãzinha que resolveu aparecer... _ uma voz soou por trás de Emma, fazendo os pelos de sua nuca se eriçarem enquanto observava um sorriso enorme e sincero se formar nos lábios de sua amiga.
Emma olhou para o lado no exato instante em que um homem muito mais alto que ela, parava ao seu lado antes de puxar Cora para um abraço apertado.
Seu perfume era amadeirado e marcante, usava um terno preto que parecia ter sido feito sob medida, deixando evidente seu físico malhado e em forma.
_ Sabe que eu não gosto desse tipo de reunião, meu querido irmão. _ Cora respondeu, ao se afastar e olhar para ele carinhosamente. _ Eu prefiro algo menos monótono e com gente da minha idade.
Seu irmão deu uma risada, antes de seus olhos se voltarem com interesse evidente para Emma.
_ E não vai me apresentar sua amiga? _ ele perguntou a Cora, mas sem desviar o olhar de Emma nem um instante sequer.
Emma levou a mão ao rosto novamente, tocando a ponta do nariz com evidente nervosismo.
Cora revirou os olhos enquanto encarava o irmão com um olhar afiado.
_ Essa é minha amiga Emma Davis. _ ela disse ao irmão. _ Emma, esse é o meu irmão Enrico.
_ Sr. D'Angelo... _ Emma murmurou, tímida, fazendo com que ele entortasse os lábios em uma pequena careta.
Cora riu, divertida com sua formalidade.
_ Por favor, Srta. Davis, me chame apenas de Enrico. _ ele pediu. _ Apenas meus funcionários me chamam de senhor.
Emma assentiu, colando.
_ Então pode me chamar apenas de Emma. _ ela pediu também, e naquele momento o telefone de Cora tocou e ela pegou o aparelho de dentro da pequena bolsa de mão.
Uma expressão preocupada tomou conta de sua face, antes de ela se voltar para Enrico:
_ Papai também está aqui? _ ela perguntou quase num murmúrio, e ele assentiu.
_ No meu escritório. _ respondeu.
Cora suspirou, antes de olhar para Emma com um pedido de desculpas.
_ Emma, meu pai quer conversar comigo. Acha que pode me esperar aqui por alguns minutos? Prometo que não vou me demorar. _ ela pediu, tornando a guardar o telefone na bolsa.
Emma assentiu, rapidamente.
_ Claro que sim, eu ficarei bem. _ garantiu, tomando mais um gole de sua bebida, ainda completamente ciente da presença de Enrico ao seu lado.
_ Eu farei companhia a Emma enquanto fala com o nosso pai. _ Enrico garantiu, colocando as mãos nos bolsos da calça de maneira casual.
Cora encarou o irmão por mais alguns segundos antes.
_ Comporte-se com ela! _ ela ordenou antes de tocar o braço de Emma rapidamente e então se afastou para o outro extremo da sala, sumindo por um corredor que Emma imaginava que daria no escritório de Enrico.
Um pigarro a fez se lembrar de que ainda tinha companhia, apesar de que ela não precisava disso para sentir a presença dele ao seu lado.
_ Senhor... _ ela murmurou, antes de se corrigir rapidamente. _ Enrico, sei que deve estar ocupado e precisa dar atenção aos seus parceiros de negócios. Não precisa perder seu tempo aqui comigo.
Ela se sentiria um pouco mais confortável se ficasse sozinha.
Porque olhar para o belo homem a sua frente, com aqueles cabelos cor de amêndoas ligeiramente bagunçados como se tivesse acabado de passar a mão por eles descuidadamente, e os olhos dourados que lhe davam um ar de sensualidade, não lhe provocava conforto e sim uma reação que ela não compreendia.
Enrico ergueu o canto dos lábios em um ligeiro sorriso, enquanto olhava em volta para todos os seus acionistas e alguns clientes com quem tinha mais intimidade.
Ele resolvera fazer aquela reunião de maneira informal, agora que estava assumindo os negócios da empresa da família, imaginando que seria uma boa maneira para que todos o conhecessem e ele pudesse fazer o mesmo.
Mantenha seus amigos ao seu lado, e seus inimigos mais perto ainda... ele pensou.
Uma boa música, bebida e comida a vontade, era a combinação perfeita para fazer com que todos relaxassem um pouco.
Pelo menos o suficiente para que fossem encorajados a dizer exatamente o que pensavam sobre ele estar no comando agora.
Ele precisava saber em quem poderia confiar e em quem deveria se manter focado e de olhos bem abertos.
Mas ele jamais deixaria uma beldade como aquela, sozinha, em meio a tantos homens solteiros e completamente dispostos a lhe dar atenção.
Então apenas negou, oferecendo seu braço para acompanhá-la pela sala.
_ E quem disse que passar meu tempo ao lado de uma bela mulher ao invés de um bando de homens de terno é uma perda de tempo? _ retrucou, bem-humorado e notou que ela contava diante de seu elogio.
Mas ao contrário das mulheres com quem estava acostumado a lidar, ela não se aproveitou desse momento para tentar seduzi-lo.
Emma Davis simplesmente desviou o olhar, olhando a nossa volta.
Isso era uma novidade... pensou, entre curioso e satisfeito.
Onde Emma é Cora se conheceram? Cogitou.
_ Venha, vamos nos movimentar um pouco até minha irmã voltar. _ ele disse, ainda esperando que ela aceitasse seu braço.
Ela voltou a olhar para ele, parecendo insegura.
_ Me desculpe, mas eu não estou acostumada a ficar entre tantas pessoas...
_ Então acho que temos algo em comum, princesa. _ ele piscou para ela, lhe trazendo um singelo sorriso nos lábios rosados.
_ Duvido muito. _ ela respondeu, um pouco mais relaxada. _ Mas, se tem certeza de que não atrapalho em nada, então posso acompanhá-lo.
Emma colocou a mão livre em seu braço e Enrico conteve um sorriso de satisfação enquanto observava disfarçadamente suas mãos a procura de um anel de compromisso.
Nada!
_ Tenho absoluta certeza! _ ele respondeu enquanto a guiava pela sala até a mesa de aperitivos.
Um garçom passou por eles e Enrico tomou sua taça, troando-a por outra mais cheia e gelada.
_ Obrigada... _ ela agradeceu timidamente antes de sorver um pouco da bebida e Enrico se viu observando enquanto ela passava a língua pelos lábios, distraidamente.
Com toda a tensão que estava enfrentando nos últimos dias após seu pai finalmente se decidir em lhe passar o comando da empresa da família, ele praticamente não tivera tempo ou disposição para encontros sexuais.
Por isso mesmo a ideia de levar aquela beleza pura para sua cama no fim daquela noite passou por sua cabeça, apesar de saber que sua irmã não aprovaria.
Cora já o conhecia o suficiente, por isso mesmo todas as amigas que ela fizera ao longo dos últimos anos eram completamente o oposto do que o agradava.
Tudo para que ele não se envolvesse com nenhuma delas e depois fosse obrigada a ouvir lamentos constantes quando ele as dispensasse.
Porque era exatamente isso o que ele sempre fazia.
Não estava interessado em relacionamentos, amor, casamento e família...
Tudo o que ele buscava era um corpo quente e sexy em sua cama quando estivesse necessitando de um escape para aliviar toda a tensão que ser um D'Angelo lhe trazia.
E ele nada podia fazer ser loiras o atraíam mais... muito mais!
_ Deve estar com fome. _ ele disse, enquanto se aproximavam da mesa repleta de alimentos, com variedades de queijo, presunto, pães fatiados, patês e legumes temperados. Todos frescos e separados de maneira requintada.
Emma observou a mesa à sua frente, e não se conteve em julgar que aqueles alimentos combinavam mais com drinks e vinho do que com uma taça de champanhe para aquela ocasião, mas nada comentou.
Negou, educadamente.
_ Obrigada, mas Cora e eu comemos antes de vir para cá... _ ela respondeu, e era a mais pura verdade.
Ela não costumava comer muito, por isso mesmo o pequeno sanduíche que comera mais cedo com Cora lhe tirara completamente o apetite para se deliciar com qualquer uma daquelas iguarias.
Ele não insistiu, apenas assentindo e levando-a para o meio da sala gigantesca.
Emma começava e relaxar em sua presença à medida que perambulavam pela sala.
Ocasionalmente sua atenção se voltava para uma pintura ou outra que ela observava nas paredes da casa, e ao perceber o seu interesse ele contava algo sobre algumas imagens.
_ Gosta de arte? _ ele perguntou, mas Emma apenas meneou a cabeça suavemente.
_ Não sei dizer se sim ou não, já que não tive muito contato com obras de arte em toda a minha vida. Mas os quadros que tem aqui são muito bonitos... _ comentou, temendo soar completamente ignorante nesse assunto.
_ Quando quiser, eu posso lhe mostrar todos eles e contar um pouco de cada um. _ ele ofereceu, mas Emma sabia que estava sendo apenas educado.
Um homem como ele jamais perderia seu tempo com uma mulher como ela quando realmente a conhecesse. A mulher que estava ao seu lado naquele momento, em nada se parecia com a verdadeira Emma Davis e ela sabia que ele jamais teria olhado uma segunda vez para ela sem aquele vestido sofisticado, maquiagem, unhas e cabelos bem cuidados.
Porque a verdadeira Emma não atraía nem mesmo os olhares de homens comuns, imagina o de um certo milionário italiano cujo nome era conhecido por todo o continente europeu.
E para piorar, aquela era sua última noite em Florença.
Na tarde do dia seguinte ela tomaria seu voo de volta para Los Angeles, voltando para o que era sua vida normal.
Onde não haveria Cora para lhe animar o dia com suas brincadeiras e seu jeito completamente descolado, muito menos um italiano cheiroso e muito bonito como aquele que estava ao seu lado naquele momento.
_ Eu agradeço, mas essa é minha última noite em Florença. _ ela contou, finalmente se dando conta de que tinham caminhado até a varanda da casa, longe de todo mundo.
Ela nem mesmo havia percebido que estavam saindo da sala, absorta na conversa e em seus pensamentos.
Notou um brilho estranho nos olhos dele, algo parecido com decepção e curiosidade.
_ Há quanto tempo está aqui? _ ele quis saber, curioso.
_ Quase um ano... _ respondeu, somente agora percebendo há quanto tempo estava longe de casa.
Cora fizera com que se sentisse em casa e em momento algum ela sentira falta de qualquer coisa em Los Angeles.
Ali, ela se sentira mais bem-vinda do que em sua própria casa...
_ Então pode esperar mais uma semana para voltar para casa. _ ele sugeriu. _ Sei que pode parecer arrogante de minha parte, mas eu não costumo me oferecer para ser guia turístico de alguém..., mas você...
Emma sentiu suas mãos tremerem de repente e preferiu colocar a taça delicada sobre o parapeito da varanda, temendo deixá-la cair a qualquer momento.
Estava sozinha com um homem muito bonito e sensual na varanda da casa dele, longe dos olhos de qualquer pessoa e ele estava se oferecendo para acompanhá-la em um tour por Florença.
Apenas os dois...
Era muito tentador, mas ela não devia.
Havia muitos motivos para negar sua proposta, e o principal deles era por ele ser irmão de Cora.
O segundo, era por ela estar ciente de como ele era, segundo o que Cora lhe contara antes de virem para essa reunião.
Ele se interessava por loiras bonitas, mas não estava interessado em nada mais que sexo. E isso era justamente o que ela não estava disposta a lhe dar.
Casos de uma única noite não eram de seu feitio.
Na verdade, casos de nenhum tipo faziam parte de seus hábitos, já que ela era uma pessoa muito insegura de si mesma para se arriscar a se envolver com qualquer pessoa.
Mas a curiosidade falou mais alto, mesmo que algo gritasse em sua mente para apenas se afastar daquele homem e seguir sua vida como sempre fizera.
_ E, por que eu? _ ela perguntou de repente, pegando-o de surpresa. _ Porque deixaria seus afazeres e suas responsabilidades para acompanhar uma mulher de quem não sabe nada a respeito?