_Senhor D'Angelo, aqui estão os documentos que pediu. _ Uma das secretárias disse, ao entrar na sala, me estendendo uma pasta marrom.
_Pode deixar aí em cima da mesa. _ Pedi, sem parar de digitar no teclado do computador.
_Ah, e esse convite chegou para o senhor. _ ela avisou, colocando um envelope branco sobre a pasta.
Parei o que estava fazendo e olhei para o objeto, sentindo todo o meu corpo tensionar de imediato.
_Obrigado, Camila. _ agradeci, olhando para ela e esperando que ela entendesse a minha intenção de abrir o envelope quando estivesse sozinho.
Camila deu um sorriso nervoso antes de se virar e sair da sala, rebolando.
Ela é exatamente o tipo de mulher que me atrai, mas naquele momento nada conseguiria tirar minha atenção do pequeno envelope branco sobre a mesa.
Assim que a porta se fechou, eu me levantei e o peguei, caminhando em seguida até a janela do meu escritório.
Abri o envelope e retirei o convite que havia lá dentro, enquanto sentia mais uma vez aquela sensação de perda tomar conta do meu peito.
Eu nem mesmo precisava abrir o cartão para ver o que estava escrito lá dentro, pois já tinha uma ideia do que seria.
Era o convite de casamento de Emma e Vincent.
Suspirei profundamente antes de passar os olhos sobre a bela caligrafia.
E lá estava, na parte inferior do convite, o desenho de um par de alianças douradas unindo o nome dos dois.
Uma batida suave na porta soou, antes que a mesma fosse aberta.
_Senhor D'Angelo, já está tudo preparado para a reunião de amanhã com os gerentes de cada departamento. _Helena avisou, entrando na sala. _Há algo mais que eu possa fazer antes de ir para casa?
Afastei o olhar daquele par de alianças que pareciam zombar de mim e me voltei para ela.
Helena estava parada no meio da sala, me encarando, a espera de uma resposta.
Ela estava usando uma blusa social branca com a parte inferior colocada para dentro da cintura de sua calça de alfaiataria preta, deixando-a elegante e profissional ao mesmo tempo; e suas sandálias de salto alto faziam com que ela parecesse mais esguia do que era.
Mas, ao contrário do que eu tinha percebido em Camila, Helena não possuía um olhar sedutor e muito menos parecia querer chamar minha atenção de qualquer forma.
Seus cabelos de fogo estavam amarrados em um coque apertado e ela me encarava com aqueles olhos verdes por trás dos óculos de grau, esperando por minha resposta.
Abaixei as mãos, ainda segurando o maldito convite entre os dedos, enquanto voltava para minha mesa.
Foi então que uma ideia me ocorreu e eu olhei para ela novamente.
_Ok. _ respondi. _Por hoje é só. Mas eu quero que dê uma olhada em minha agenda para a próxima semana e desmarque meus compromissos de sexta e sábado. E os seus também, pois você irá comigo para Los Angeles.
Helena me encarou com um misto de confusão e surpresa em seus olhos.
_Los Angeles? _ ela repetiu. _O que faremos em Los Angeles?
Me sentei em minha cadeira, jogando o convite sobre a mesa.
Helena olhou para o objeto, antes de se aproximar e pegá-lo entre os dedos.
_Preciso ir ao casamento da Emma e você será minha acompanhante.
Helena largou o convite sobre a mesa novamente e olhou para mim como se estivesse buscando uma desculpa qualquer para escapar.
_Eu...
_Considere isso como uma viagem de trabalho, Helena. _ eu a interrompi antes que inventasse uma desculpa esfarrapada. _Ficaremos lá para o casamento e voltaremos no dia seguinte, com a minha filha. Prometi a Emma que tomaria conta da Chloe para que ela possa viajar para sua lua-de-mel.
_E o que isso tem a ver com o meu trabalho? _ ela questionou, confusa.
Realmente, não tinha nada a ver.
Helena era minha assistente e, o certo, seria deixá-la tomando conta de tudo por ali enquanto eu estivesse fora.
Mas a ideia de ir para Los Angeles sozinho não me agradava em nada.
Menos ainda comparecer ao casamento sozinho.
Quer dizer, sua mãe com toda certeza seria convidada, já que ela e Emma criaram um laço de amizade uma com a outra. Mas não seria a mesma coisa.
_Você ficará responsável por checar os meus e-mails, agendar nossas passagens no aeroporto...
_Isso é trabalho para a sua secretária! _Helena retrucou, cruzando os braços sobre os seios, evidentemente irritada.
Olhei para aquele ponto em questão, percebendo a sombra do sutiã verde esmeralda por baixo do tecido da camisa.
Então me peguei imaginando coisas que eu não deveria pensar a respeito da minha assistente e balancei a cabeça rapidamente para afastar aquelas imagens eróticas da cabeça.
Fiquei de pé novamente, me recostando na lateral da mesa e colocando minhas mãos no bolso da calça, numa pose relaxada.
_Você gosta mesmo de ser minha assistente, Helena? _ perguntei, notando quando ela franziu os lábios ao perceber minha jogada. _Porque eu tenho certeza de que, lá fora, tem mais alguém ansiosa ou ansioso para tomar o seu cargo.
Esperava, com isso, que ela suspirasse e cedesse ao meu pedido sem demora. Mas Helena, sendo Helena, agiu completamente o contrário do que eu esperava, descruzando os braços e me dando um sorriso sarcástico com o canto dos lábios.
_Já que o senhor tocou nesse assunto, senhor D'Angelo, o senhor gosta de me ter como sua assistente? _ ela perguntou, me fazendo franzir o cenho sem saber aonde ela queria chegar com aquilo. _ Porque, caso tenha esquecido, há alguém lá fora ansioso para que eu abandone esse cargo e vá trabalhar com ele...
Me afastei da mesa no mesmo instante diante da menção de Julien.
Ele era uma das pessoas mais próximas de mim, meu melhor amigo e parceiro de negócios.
Mas, também, era o homem que estava disposto a convencer minha assistente a me abandonar e ir trabalhar para ele, desde o momento em que Helena mostrara sua capacidade de gerir uma reunião sozinha, mesmo sendo sua primeira vez.
_Sua promoção a deixou cada vez mais atrevida, Helena. _ eu avisei, suspirando logo em seguida ao ver que ela tentava conter um sorriso vitorioso.
_Em um mar de tubarões, não posso me permitir ser apenas um peixinho, senhor D'Angelo.
Dessa vez fui eu quem não conseguiu conter um pequeno sorriso de diversão.
Helena sempre tinha a resposta ponta na ponta da língua. Isso, ao mesmo tempo que era um dom, também podia ser considerado um defeito, como em momentos como aquele, por exemplo.
_Então, considere isso como um favor, Helena. _ Eu pedi. Depois, você poderá me pedir o que quiser.
Helena ergueu uma sobrancelha, como se já imaginasse o que poderia pedir em troca.
_Tudo o que preciso fazer é me sentar do seu lado durante a cerimônia e a festa? _ ela quis saber.
Assenti, em resposta.
_Quanto ao que vai usar, deixe tudo por minha conta. _ avisei. _Você não terá nenhuma despesa com isso.
Helena ainda ficou em silêncio por alguns segundos antes de se decidir.
_Tudo bem! _ ela respondeu. _ Serei sua acompanhante no casamento da Emma e do Vincent, mas não porque sinto pena de você ou nada do tipo. Só vou por três motivos...
Franzi meus lábios, divertido.
_E quais são eles?
Helena se virou para sair da sala, e respondeu ao parar na porta, segurando-a aberta.
_Primeiro, porque poderei ver a Chloe e a Emma novamente. _ ela disse. _Segundo, porque adoro os bufês de casamento.
_E o terceiro? _ Perguntei, quando pensei que ela já tinha acabado, pois ficara em silêncio.
Helena sorriu, como se fosse uma criança prestes a fazer arte.
_O terceiro motivo, é que você vai ficar me devendo um favor. _ ela respondeu, dando uma piscadela antes de sair da sala e fechar a porta.
Bufei, completamente surpreso com a audácia daquela garota.
_Ora essa! _ resmunguei enquanto me sentava novamente em minha cadeira, desejando voltar ao trabalho e não me permitir pensar no conteúdo daquele envelope que permanecia sobre a mesa.
Helena
_Senhora Annie, tudo o que tem que fazer é dar a ração para o Nemo. _ Expliquei para a minha vizinha de apartamento, uma senhora na casa dos cinquenta e poucos anos.
Ela e o marido moravam ao lado e, naquele momento, ela era a única pessoa em quem eu poderia confiar de deixar a chave do apartamento para que ela pudesse alimentar o meu peixinho de estimação.
_Eu deveria ter pedido um peixe para o meu marido como animal de estimação, e não um gato! _ Annie resmungou, me fazendo rir baixinho. _ Aquela bola de pelos só sabe comer e dormir mesmo! Nem mesmo um rato ele pega...
Me aproximei do aquário novamente, observando o meu peixinho palhaço, igualzinho ao Nemo do desenho.
_Eu não poderia ter um gato ou cachorro como animais de estimação. _ expliquei. _Passo a maior parte do tempo no trabalho e preciso viajar as vezes. Ter um peixinho é muito mais fácil.
Sem contar que ele é um ótimo ouvinte! Pensei, observando-o nadar tranquilamente de um lado para o outro, antes de se esconder em sua mini-floresta de anêmonas coloridas.
Não importa as maluquices que saem da minha boca de vez em quando, ele não é capaz de me julgar.
Não com palavras, pelo menos!
_Você precisa tirar um tempo para si mesma, minha querida. _ Annie disse, e eu me afastei do aquário novamente. _Ainda é jovem e tem muito o que viver pela frente, para ficar se matando de tanto trabalhar. Precisa sair, tirar umas férias e viajar...
_Eu já saí de férias. _ respondi, me lembrando da minha última viagem para a França, um presentinho de Enrico D'Angelo pelo meu trabalho durante tempo que ele tinha ficado fora do país, tentando reconquistar a Emma.
Não vou negar e dizer que foi um trabalho fácil, mas eu consegui. E aquela viagem foi merecida e... relaxante. E, além disso, pude provar o meu valor para Enrico.
Annie sorriu, parecendo mais satisfeita agora.
_Mesmo assim, ainda penso que deveria ir mais devagar. _ ela disse, e nós duas seguimos para fora do apartamento.
Minha mala já estava no corredor e Enrico já estava a caminho, para nos levar ao aeroporto.
Já era fim de tarde, o que significaria que chegaríamos bem tarde em Los Angeles, pela diferença de fuso.
_Precisa arranjar tempo para encontrar um namorado, se casar, ter filhos... _ Annie continuou a falar, enquanto eu trancava a porta e lhe entregava as chaves do apartamento.
Bem, esse era o momento certo para encerrar aquela conversa! Pensei, fingindo olhar a hora no meu relógio de pulso.
_Senhora Annie, eu realmente preciso ir. _ eu expliquei. _Ficarei fora apenas durante do final de semana, então, até breve! S senhora tem o meu telefone, caso precise falar comigo, ok?
Annie não parecia nada satisfeita por ter sido cortada assim, mas se limitou apenas em me desejar uma boa viagem.
Caminhei rapidamente até o elevador, resmungando:
_Namorado? Filhos? Nem pensar! _ eu disse a mim mesma, enquanto entrava no elevador e selecionava o botão do térreo.
Eu podia me ver, daqui a alguns anos, ocupando um cargo importante na empresa de Enrico, ter uma sala com o meu nome na porta. Mas não conseguia ver a mim mesma cuidando de um bebê, lavando e passando o dia todo, criando uma família.
Isso eu deixaria para a Hanna, minha irmã gêmea.
Ela daria um genro e netos para o nosso pai e nossos avós paparicarem a vontade. Enquanto isso, eu seguiria com a minha vida, a minha maneira, sem ninguém para me dizer o que fazer.
As portas do elevador se abriram, me tirando dos meus devaneios, e quando dei um passo para fora acabei batendo de frente com o peito de alguém.
_Desculpe! _ pedi rapidamente, antes de erguer o meu rosto e me deparar com os olhos dourados de Enrico D'Angelo me encarando de volta, impaciente. _Oh, é você...
_Por que demorou tanto para descer? _ ele questionou, tirando a alça da mala da minha mão antes de puxá-la para a saída do prédio onde eu morava.
Suas passadas eram tão largas que tive que me apressar um pouco para conseguir alcançá-lo, enquanto ajeitava meus óculos que acabaram saindo do lugar com o esbarrão.
_Estava deixando as chaves do apartamento com a minha vizinha. _ respondi. _Não podia viajar e arriscar deixar o Nemo com fome.
Enrico parou e me encarou por um momento, como se eu fosse louca.
_Nemo? _ ele questionou, confuso. _Não sabia que possui um animal de estimação.
Parei também, dando de ombros enquanto respondia:
_Pois é, eu tenho! _ respondi apenas.
Então ele voltou a andar, parando diante do seu carro esporte que, com certeza, valia muito mais do que o meu salário do ano inteiro.
Observei enquanto Enrico abria o porta-malas e guardava minha bagagem lá dentro, antes de voltar a fechá-lo.
No minuto seguinte ele abria a porta do carro para mim e ficou ali parado, esperando que eu entrasse e tomasse o meu lugar no banco de passageiro.
Ninguém nunca abriu a porta do carro para mim e, por um momento, eu apenas fiquei ali, encarando o homem a minha frente, completamente surpresa que ainda existisse cavalheirismo no mundo.
_Não vai entrar? _Enrico perguntou, chamando minha atenção para ele, que estava com uma sobrancelha arqueada.
_Oh, sim. Me desculpe! _ pedi, ajeitando minha bolsa na frente do corpo para que pudesse me sentar. _Não sabia que ainda existem homens que abrem a porta do carro para uma mulher...
Enrico deu uma risada curta, sem humor, antes de se inclinar um pouco para olhar para mim e responder:
_Isso, é porque está acostumada a andar com o tipo "errado" de homem, Helena. _ ele disse, antes de fechar a porta e dar a volta.
O tipo errado...
Nesse ponto ele tinha razão... pensei, afastando as lembranças indesejadas da minha mente.
_Não vai me dizer que o meu caro amigo Julien não abriu a porta para você aquele dia, quando almoçamos juntos na casa da minha mãe e vocês foram embora juntos?
Ora, ele tinha mesmo que me lembrar daquele dia? Pensei, aborrecida.
Bufei, irritada, enquanto colocava o cinto de segurança.
_Não lhe dei oportunidade para fazer isso. _ respondi.
Dessa vez Enrico riu de verdade, dando a partida no carro antes de se voltar para mim.
_Nunca vi meu amigo perseguir uma mulher tanto quanto ele a persegue. _ ele comentou, antes de voltar sua atenção novamente para o volante e manobrar o carro para fora do estacionamento. _ Só espero que seja uma mulher inteligente e não caia na conversa dele, Helena.
Olhei para ele, surpresa com o seu comentário desnecessário, afinal, durante todo o tempo que passávamos juntos, quase sempre Julien me tirava do sério.
_Não há a mínima chance de algo acontecer entre a gente. _ respondi, encarando-o.
Enrico parou no sinal e me encarou de volta, sério.
_Ótimo! _ ele disse apenas. _Só espero que o trânsito esteja tranquilo até o aeroporto. Não podemos perder esse voo. Está tudo certo com as nossas reservas no hotel?
_Sim. _ respondi rapidamente. _ Recebi a confirmação das reservas e já organizei a sua agenda. Tudo o que for muito importante, Camila mandará por e-mail. Mas, quanto ao meu vestido para o casamento...
_Eu disse que isso ficaria por minha conta, Helena. _ Enrico respondeu e eu apenas assenti, ficando em silêncio em seguida.
Ainda teria que arranjar um tempo para arrumar os cabelos e unhas, afinal, não poderia usar um belo vestido com os cabelos amarrados em um coque de vovó, como eu costumava fazer.
Mas, depois de algum tempo, fiquei me perguntando como ele teria organizado tudo sobre o vestido, se nem ao menos sabia o meu manequim.
Helena
Fechei o livro que estava lendo assim que pousamos no aeroporto internacional de Los Angeles e olhei para o homem adormecido ao meu lado.
Era compreensível a quantidade de comentários maliciosos e suspiros femininos que eu ouvia aqui e ali, nos corredores da empresa.
Enrico era o exemplar de homem lindo, charmoso e... extremamente sexy.
Não posso negar que eu, por diversas vezes, me peguei o observando quando ele não estava prestando atenção. Mas isso não quer dizer que tenho qualquer interesse por meu chefe.
Afinal, olhar não tira pedaço, pensei, me ajeitando na minha poltrona e deixando o livro de lado.
Enrico estava em um sono profundo, então eu teria que acordá-lo para descermos do avião. Sem outra alternativa, me inclinei um pouco sobre ele e cutuquei seu braço, sentindo os músculos firmes de seu bíceps sob a ponta dos meus dedos.
Puta merda, ele era firme...
Quando é que Enrico D'Angelo malhava, já que passava a maior parte do tempo no trabalho?
_Por que está vermelha? _ ouvi sua voz e ergui meus olhos daquele ponto em que eu havia tocado em seu braço, encontrando os belos olhos dourados me encarando de volta.
Merda! Merda! Merda! Pensei, afastando minha mão rapidamente e me ajeitando na minha poltrona ao mesmo tempo em que pigarreava, sem graça.
Aquele não era o momento de ficar imaginando quais outras partes do corpo do meu chefe eram tão musculosas quanto o seu braço, não é mesmo?
_Ah, deve ser porque quase quebrei o meu dedo quando fui cutucar você, na intenção de acordá-lo... _ respondi sem pensar.
Enrico me surpreendeu com uma risada baixa e rouca, antes de se ajeitar em sua poltrona e soltar o cinto de segurança.
_Chegamos? _ ele perguntou, se inclinando sobre mim para olhar pela janela, já que estava sentado na poltrona do corredor.
_Sim! _ respondi rapidamente, para que ele pudesse se afastar e se sentar novamente.
Enrico se sentou e olhou para o relógio que trazia no pulso.
_Até que chegamos mais cedo do que eu esperava. _ ele comentou, levantando-se e preparando-se para sair.
_Verdade. _ respondi apenas, pegando o meu livro novamente e me levantando também.
Esperamos algum tempo no aeroporto, por nossas malas, e depois seguimos para o carro alugado que já estava a nossa espera.
Se eu estivesse ali, sozinha, teria ficado ao menos uma hora a espera de um táxi para me levar ao hotel. Mas ao meu lado estava Enrico D'Angelo. Seu nome tinha estado nas páginas principais de várias revistas nos últimos meses, e ele não era alguém que precisasse ficar esperando por qualquer coisa.
Já eu... Pensei, relaxando no banco do carro enquanto seguíamos em direção ao hotel onde ficaríamos hospedados naquele fim de semana.
_Não dormiu durante o voo? _ Enrico perguntou, me fazendo abrir os olhos novamente e olhar para ele.
_Na verdade não. _ respondi com sinceridade. _ Não me sinto muito bem quando estou em um avião, então... Acho que eu prefiro ficar acordada.
Enrico me encarou por um instante antes de voltar sua atenção para a direção do carro.
_O hotel não fica muito longe, então vai poder descansar. _ ele disse e eu apenas assenti. Mas dessa vez não fechei os olhos, preferindo admirar as luzes acesas da cidade enquanto seguíamos até o hotel.
Era minha primeira vez em Los Angeles e, mesmo à noite, era um lugar muito bonito.
Se eu tivesse uma oportunidade de sair, depois da cerimônia de casamento, com certeza faria um tour por aí. Afinal, não sabia quando poderia voltar ali novamente.
Fiquei perdida em meus pensamentos por tanto tempo, que nem me dei conta de que estávamos perto do hotel, até que Enrico parou o carro no estacionamento lotado.
_Está cheio aqui... _ Enrico comentou, parecendo preocupado.
Saímos do carro e olhamos em volta mais uma vez antes de retirarmos nossas malas e caminharmos em direção à entrada do hotel.
_Eu vou lá pegar as nossas chaves. Espere aqui! _ eu pedi, me apressando em direção à recepção do hotel.
Um atendente falava ao telefone e ergueu a mão, me pedindo um minuto, enquanto finalizava a chamada.
Assim que terminou, ele me analisou atentamente antes de finalmente perguntar:
_Boa noite. Tem reserva?
_Tenho sim. Está em nome de Enrico D'Angelo, dois quartos para solteiros. _ esclareci, esperando enquanto ele digitava o nome do titular da reserva.
Ele franziu o cenho por um momento, antes de voltar a olhar para mim.
_Senhorita...
_McLean. Helena McLean. _ Helena respondeu.
_Senhorita McLean, aqui há um registro de apenas uma reserva para o Sr. D'Angelo. _ ele disse, me deixando preocupada. _ E todos os nossos quartos para solteiros estão ocupados. Mas temos um quarto de casal disponível em...
_Qual o problema? _ A voz de Enrico me fez pular e o encarei, irritada.
_Precisava chegar assim, de fininho? _ perguntei, me voltando novamente para o recepcionista sem esperar por sua resposta. _Deve haver algum engano... Eu confirmei as reservas mais cedo e recebi a confirmação por mensagem...
Peguei o meu telefone de dentro da bolsa e fiz questão de mostrar a ele que eu dizia a verdade.
Enquanto isso, Enrico permanecia em silêncio ao meu lado, mas mesmo o seu silêncio me deixava nervosa.
As reservas eram "minha" responsabilidade e eu não estava acostumada a cometer erros.
Sempre dei o melhor de mim, em tudo, para que coisas assim nunca acontecessem.
E ali estava eu, sentindo o olhar do meu chefe sobre mim, enquanto o recepcionista lia a confirmação em meu telefone antes de digitar alguma coisa novamente em seu computador.
_Senhorita McLean, sinto muito, mas a pessoa que fez a confirmação da reserva era uma funcionária em treinamento. _ ele explicou, parecendo um pouco nervoso agora. _ Já tivemos algumas reclamações sobre as reservas feitas por essa pessoa, e... Sinto muito, estamos lotados. Não há nada que eu possa fazer a não ser oferecer nosso quarto de casal disponível.
Isso só podia ser brincadeira! Pensei, abaixando a minha cabeça por um momento, enquanto tentava me controlar e pensar em uma alternativa.
Qualquer uma, que não fosse ter que dividir o mesmo quarto com o meu chefe.
Eu nem mesmo podia garantir que não roncava durante o sono!
Se isso acontecesse seria vergonhoso e jamais poderia encará-lo no dia seguinte!
_Helena... _ Enrico me chamou e levantei a minha cabeça novamente, em um pedido de desculpas silencioso.
_Sinto muito, senhor D'Angelo, eu...
_Hei, já sabemos que não foi culpa sua. _ ele disse, tentando me tranquilizar, mas isso não estava funcionando. _ Nós...
Por um momento, pensei que ele diria que poderíamos dividir o quarto, mas o que veio a seguir me deixou completamente surpresa... E aliviada.
_Minha irmã tem um apartamento aqui em Los Angeles. _ ele disse. _ Tem dois quartos, então podemos ir até lá. Ou, então, você pode ficar aqui no quarto que está disponível e eu vou para o apartamento.
_Isso é sério? _ perguntei, me sentindo aliviada.
Enrico sorriu de lado, maroto.
_A não ser, é claro, que prefira dividir o quarto de casal comigo... Eu juro que não me importo.
_Ora, seu... _ eu me interrompi antes de dizer o que eu estava pensando, ao perceber que ele estava apenas se divertindo as minhas custas.
Enrico riu, divertindo-se com a minha reação, antes de tomar o controle da situação e se voltar para o atendente.
_Por favor, ela vai ficar com o quarto reservado em meu nome. _ ele disse e o recepcionista assentiu rapidamente.
Em menos de um minuto as chaves do quarto estavam em minhas mãos e Enrico seguia ao meu lado em direção ao elevador.
_Onde está indo? _ perguntei, curiosa.
Se ele não ficaria hospedado no hotel, não havia nenhum motivo para que ele subisse, não é mesmo? Pensei, completamente confusa.
Então me lembrei de algumas conversas que havia escutado nos corredores da empresa e meu corpo inteiro enrijeceu imediatamente.
Se Enrico planejara tudo aquilo para...
Não, ele seria incapaz de uma coisa dessas, afinal, ele ainda amava a Emma?
Não amava? Me perguntei, parando diante do elevador e o encarando, suspeita.